Carijó - Capítulo 27 [ÚLTIMO CAPÍTULO]

 Anteriormente em "Carijó":

Ádama perdoa Catarina ao descobrir que comera Frida Kahlo por um engano de Tainá, comprando em seguida a ave por milhões. Na casa de Viviane, Tilápia rouba um pen-drive suspeito de formato obsceno e paga Solineuza para guardar o segredo da invasão. Reunida com Ádama e Canja, Tilápia entrega o dispositivo com provas sobre os esquemas de Soraya, Rinha e Moisés, pai de Thiago. Ao mesmo tempo, Ádama descobre que Moisés a processa pela herança do falecido filho, enquanto Soraya amarga a falência em um hotel decadente. A vilã descobre a fuga do irmão Lucas, e Ádama o reúne em um porão com a avó Canja para planejar a derrocada da rival. Soraya invade o esconderijo armada, mas Canja a enfrenta com violência e leva um tiro no peito antes do congelamento da cena.

Fique agora com o capítulo de hoje.


Cena 01 - Porão [DIA]

Canja avança contra a neta, lhe dando um soco.

CANJA - Cala a boca, sua enxerida! Tenha respeito com a sua linhagem, com quem te gerou! Eu não tenho mais nada a perder, estou velha e doente, se quiser me matar agora, me mata, mas para me vingar de todos os que você fez sofrer, sua coisa ruim, eu sou capaz de te mandar para junto da capeta agora mesmo! Isso é pelo Raul!

Canja pula em cima de Soraya, estrangulando-a.

SORAYA - Morra, sua esclerosada! Que nem o diabo queira chegar perto da sua raça!

Soraya atira contra a própria avó.

ÁDAMA |Gritando.| - NÃAAAAAAAAAOOOOOOOOO!

Ádama e Lucas tentam detê-la, mas já é tarde demais: Canja agoniza soltando sangue pela boca aos braços de Carijó/Ádama. Um instrumental dramático toma conta da cena. Soraya rouba o pen-drive que havia caído no chão e foge pelos fundos. Lucas liga para a emergência.

ÁDAMA |Desesperada| - Não me deixa, eu já tive tantas perdas, você é umas das únicas coisas que me sobrou! Eu não vou aguentar mais essa.

CANJA |Gemendo| - Você é forte como uma galinha, Carijó. Não se esqueça que todo frango neste mundo já nasce condenado a ter uma vida miserável e morre cedo. Ter chegado até aqui como você chegou, dando a volta por cima, é uma vitória. Nunca deixem te rebaixar! Cuide bem da Catarina. E nunca se esqueça que eu te amo muito. Estarei te abençoando como uma mãe que choca os ovos de onde estiver. Adeus, minha linda! Eu irei ao encontro de meu Amado.

Canja fecha os olhos definitivamente. Ádama deságua em lágrimas e gritos de indignação. A câmera sobe para o alto e captura a sua figura ajoelhada com o corpo de Canja aos braços enquanto ela berra tamanha a dor.

ÁDAMA |Chorando.| - Lucas, a nossa avó... |Voz embarga.| NÃO DEIXA A SORAYA IR EMBORA, LUCAS! NÃO DEIXA!

Lucas tenta correr atrás da irmã. Carijó fica sozinha com a avó, em prantos. De repente, uma luz toma conta da cena. 

ÁDAMA - Avó, acorda! Acorda, por favor! Não me deixa sozinha aqui! Eu preciso tanto da senhora aqui comigo, meu Deus!

Todos os esforços da mocinha são inúteis, a avó continua desfalecida. 

Cena 02 - Matagal [DIA]

Próximo ao galpão, Soraya corre e Lucas vem atrás. Lucas agarra Soraya por trás, imobilizando seus braços.

LUCAS - ME DÊ ESSE PEN-DRIVE, SORAYA! 

SORAYA - Não, a essa história não termina assim! Achou que ia ser fácil se livrar da cadeia desse jeito? É pra lá que você vai voltar, caso contrário será um eterno fugitivo!

Soraya morde as mãos de Lucas e saca a arma do bolso. Soraya dá um tiro em Lucas e entra em seu carro. O rapaz continua tentando correr atrás dela, mas com menos intensidade devido à dor.

LUCAS - DESGRAÇADA! DESGRAÇADA!

Cena 03 - Galpão [DIA]

De volta ao galpão, Lucas percebe a presença de enfermeiros e policiais. Ádama está desolada. O rapaz observa de longe. Sem perceber, uma sombra se aproxima dele por trás.

— Lucas Raposo Leitão? O senhor está preso. 

Lucas olha para trás e se depara com um sargento. Ele estende os pulsos para ser algemado. Ádama olha para trás e percebe o que está acontecendo.

ÁDAMA - LUCAS! NÃO O PRENDAM! ELE É INOCENTE!

LUCAS - Eu vou ficar bem, Ádama. Muito obrigado por tudo o que você fez.

ÁDAMA - Lucas, eu vou te tirar da cadeia. |Ela olha para o braço do rapaz.| Você está ferido, Lucas. Foi a Soraya?

LUCAS - Ádama, não se preocupe comigo. 

SARGENTO - Vamos logo, rapaz.

O policial direciona Lucas ao carro da polícia. O IML embrulha corpo de Canja no local. Uma luz intensa toma conta do local. É o espírito de Canja. Canja observa a neta chorar por sua morte.

CANJA - Não chore, Carijó! Eu estou aqui com você, meu amor.

ÁDAMA - Por que, vó? Por que você me deixou aqui? Sozinha...

CANJA - Por que, meu amor? Eu estou aqui ainda. |Ela olha para a maca e seu corpo quase todo embalado.| Meu Deus! Meu Deus! Não pode ser.

Canja percebe uma mão em seu ombro. Ela olha para trás lentamente. Um instrumental tenso toca. É dona Galinha.

GALINHA - Oh, mãezinha! Quanta saudade eu estava sentindo de você. 

CANJA - Galinha... galinha? Minha filha? |Emociona-se.|

As duas dão um abraço intenso. Canja acaricia os cabelos da filha. 

CANJA - Esse cabelo lindo que eu tanto cuidava.

GALINHA - Depois que eu me mudei da sua casa ele nunca mais foi o mesmo. Cuidado de mãe é diferente. |Sorri.| Mãe... há algo que eu preciso lhe mostrar.

Galinha olha para trás, estendendo a mão. Um homem se revela. 

RAUL - Dona Canja...

Galinha observa o reencontro com um sorriso resplandecente.

CANJA - Meu Deus... meu filho!

Um instrumental emocionante toma conta da cena.

RAUL - Eu... eu...

CANJA - Não diga nada. 

Canja abraça o filho. Os dois choram, emocionados. A câmera se aproxima de Canja.

CANJA - Eu nunca estive tão feliz. Se eu soubesse que morrer era tão bom, tinha o feito antes.

GALINHA - Nós nunca morremos, mãe! Apenas passamos pra outro plano... com outro corpo, outra vida!

CANJA - Outro corpo? Mas eu estou inteirinha!

Galinha sorri para a mãe.

GALINHA - Poucos conseguem cruzar a barreira entre a morte e a vida mantendo sua verdadeira forma.

Um grande portal para o paraíso se abre, repleto de galinhas ciscantes.

RAUL - Nos dê a mão, mãe! 

Canja confia nos filhos, dando-lhes a mão. Raul segura a mão esquerda da mãe, Galinha a direita. Os dois caminham na direção do paraíso. Ao finalmente cruzarem a fronteira entre os dois mundos, os três se materializam em galinhas. O portal se fecha. O instrumental emocionante é substituído pelos gemidos de Ádama, que tenta se recompor. Tilápia chega ao local.

TILÁPIA - Eu saí de casa correndo quando você me ligou, Ádama.

ÁDAMA - Você trouxe o que eu lhe pedi? Está na hora de colocar um ponto final nessa história.

TILÁPIA - Eu trouxe sim. O pen-drive original. 

ÁDAMA - Ótimo! É hoje que a gente pega a Soraya!



Cena 04 - Delegacia [DIA]

O delegado assiste ao vídeo trazido por Tilápia e Ádama.

TILÁPIA - E então, delegado? Agora o senhor acredita em mim?

ÁDAMA - E agora, o que acontece?

DELEGADO PESTANA - O Lucas será liberto em até 24 horas. 

ÁDAMA - Ele foi preso injustamente e ainda vai passar mais um dia nesse lugar terrível?

DELEGADO PESTANA - O Lucas foi condenado não só pelo assassinato, mas também por ter agredido a dona Soraya. Claro que ele já cumpriu pena o suficiente pra esse crime, mas ele se aproveitou de um motim de presos pra fugir do presídio, o que também configura crime. A única solução é aguardar e torcer pro advogado defendê-lo bem. A pena máxima para o crime é de até dois anos.

ÁDAMA - Então voltamos amanhã. Temos total certeza de que o Lucas é inocente. Quanto a Soraya, já estão se movimentando para pegá-la?

DELEGADO PESTANA - Confie na polícia. Faremos o que for necessário!

TILÁPIA - Está difícil confiar.

ÁDAMA - Se querem uma ajuda... procurem o rapaz que me drogou. É um dos comparsas da Soraya!

DELEGADO PESTANA - Que te drogou?

ÁDAMA - É. Há dois anos atrás a Soraya e o Romeu me humilharam na frente de todos com direito a xampu na cabeça e penas de galinha pelo corpo! Antes disso, um cara me pegou enquanto eu tentava suicídio, aplicou algo na minha veia que me deixou desnorteada.

DELEGADO PESTANA - Você deveria ter denunciado. Talvez isso ajudasse no julgamento do Lucas.

ÁDAMA - Só tomei conhecimento dessa história do Lucas há poucos dias e eu estava cega de ódio. Já me vinguei da Soraya.

DELEGADO PESTANA - Enfim, foi bom você ter entrado nesse assunto, ainda pode ajudar nas investigações.

ÁDAMA - Em que? 

DELEGADO PESTANA - Recentemente reabrimos o caso do falso sequestro do sr. Raul e descobrimos, por meio das câmeras de segurança municipais, dois rapazes. Vocês reconhecem?

O delegado mostra o vídeo a Ádama e Tilápia.

ÁDAMA - É claro que eu reconheço, seu delegado! O rosto desse cara foi a última coisa que eu vi naquele dia antes de desmaiar.

TILÁPIA - E eu conheço o outro. Era o Bidu. Acreditamos ter sido assassinado pela Soraya após virar a casaca.

DELEGADO PESTANA - Nós localizamos um deles. O outro realmente foi morto. Encontramos o corpo há dois anos, mas o caso foi encerrado porque a polícia concluiu que a morte estaria ligada a crimes faccionais.

ÁDAMA - E agora?

DELEGADO PESTANA - O caso foi reaberto. Encontramos gravações em um posto de gasolina nas proximidades em que a Soraya abastecia o seu carro. São muitas evidências.

Tilápia e Ádama entreolham-se.

Cena 05 - Casa de Soraya [DIA]

Tilápia e Ádama adentram à casa.

TILÁPIA - Você acredita mesmo que a polícia vai conseguir colocar as mãos na Soraya?

ÁDAMA - Tem que conseguir. 

Ádama folheia alguns papéis em gavetas. A mocinha está apreensiva.

ÁDAMA - Eu jurava que tinha colocado os documentos aqui. 

Uma voz ecoa pela casa. 

SORAYA - Está procurando isso aqui, primuska?

ÁDAMA - Soraya? 

SORAYA - Sou eu sim, meu amor!

ÁDAMA - Me devolva esses papéis, Soraya. Eu preciso emitir a certidão de óbito da vovó.

Soraya saca uma arma.

SORAYA - Não vai ter certidão de óbito nenhum. Aquela velhota vai ser enterrada como a indigente que ela é. E ao seu lado.

ÁDAMA - Você não seria burra a esse ponto. A polícia já está atrás de você, sabia? 

SORAYA - A polícia não funciona nessa droga de país. Se funcionasse, o meu irmãozinho não teria sido preso. Aliás, ele voltou pra jaula, não é? |Gargalha.|

ÁDAMA - O que você quer, garota? 

SORAYA - EU QUERO TUDO O QUE VOCÊ ME TIROU! |GARGALHA.| ESSA CASA É MINHA! MINHA! NÃO É SUA!

ÁDAMA - Você quer uma casa? Quer? Então eu vou lhe dar a sua última morada. |Pega o celular.| Alô... delegado Pestana?... Vem aqui pra ca-. |Soraya atira contra Ádama, mas a bala, por muito pouco, acerta a parede.|

TILÁPIA - VOCÊ FICOU MALUCA, GAROTA?

SORAYA - E cala a boquinha que eu não tenho medo de macumbeira! O espírito santo do Senhor me protege e não dorme!

ÁDAMA - MALUCA!

SORAYA - Eu vim só para pegar umas roupinhas, queridinha! Mas você vai vir comigo!

Romeu adentra à casa.

ROMEU - Soraya!? Abaixa essa arma, sua louca!

SORAYA - Ah, pronto! Agora a festinha ficou completa. 

TILÁPIA - Abaixa essa arma, sua imbecil. Você não ouviu que a polícia está chegando? Você quer ser presa, garota? Foge!

Sirenes policiais são ouvidas.

Alguém bate na porta.

SORAYA |Gritando.| - Entre!

É Ledro, ele carrega um homem que está com um saco na cabeça.

LEDRO - Eu achei esse cara bisbilhotando lá fora, Soraya. |Ledro tira a capa da cabeça do homem. É Moisés.|

SORAYA - Moisés? Solte-o, Ledro.

ÁDAMA - De onde vocês se conhecem?

Um megafone interrompe o questionamento de Carijó.

POLICIAL - Soraya! A casa está cercada.

SORAYA - Você vem comigo! |Soraya puxa Ádama.|

ROMEU - Solta a Ádama. Eu fico no lugar dela. Foi por mim que você sempre foi obcecada, não é? Então faça a troca.

ÁDAMA - Você como sempre com essa mania de se passar por bom moço, Romeu! Quem não te conhece, que te compre!

SORAYA - Ih, lavação de roupa suja? A Ádama está certa, Romeu! Você é um traste, sempre foi. Eu não quero você nem como marido, nem como refém. Você, queridinha... |Aponta para Tilápia.| vá lá fora e avisa pra polícia que eu só liberto essa galinha de terreiro se eles me conseguirem um piloto de helicóptero e um carro pra sair daqui e fugir do país.

Ádama, desesperada, concorda balançando levemente a cabeça para Tilápia atender o pedido de Soraya. Tilápia retira-se, atendendo a solicitação.

MOISÉS - Soraya, pelo amor de Deus! Liberta todo mundo logo!

SORAYA - Moisés, não! Você não sabe nenhum terço do que essa mulher me fez. Eu fui obrigada a comer titica, estou tendo que usar uma peruca pra esconder a minha calvície e passei dias em cárcere privado.

ÁDAMA - De onde vocês se conhecem? 

SORAYA - Não lhe interessa, já falei! Você não está em posição de questionar nada.

MOISÉS - Eu avisei que o jogo ia virar, Ádama. Agora sua vida está nas mãos da minha amiga, Soraya!

ÁDAMA - Vocês são cúmplices, é isso?

MOISÉS - Eu só vim aqui para avisar que muito breve você vai perder essa pose de dondoca, Ádama. Eu já mandei abrirem um pedido contra você na justiça. Você se usou do fato do meu filho estar com uma doença terminal e sem total posse de suas faculdades mentais! Não sabia que o showzinho estava armado por aqui!

SORAYA - Então quer dizer que foi assim que essa galinha maldita enricou? Dando o bom e velho golpe do baú no seu filhinho? Só mesmo assim pra uma vadiinha ascender tanto na vida. Você era burra demais pra qualquer outro artifício!

ÁDAMA - E você, hein? O Thiago se casou comigo porque quis, eu nunca forcei ele a nada. Já você, Soraya, ao que me consta se casou com o Romeu por meio de chantagens e armações, não é? Como aquela de me humilhar na frente de todo mundo. 

Soraya, em falta de argumentos, dá um tapa na cara de Ádama, que não pode se defender. Ádama urra de dor. Uma pessoa surge pelos fundos. Soraya olha para trás e não acredita no que vê.

SORAYA - Você? |Olha para a figura.|

GLADYS - Eu mesma, em carne e osso.



*CONTINUAÇÃO...*

SORAYA - Passa já pro outro lado da sala. ANDA!

GLADYS - Quem você pensa que é pra me mandar fazer qualquer coisa? Em mulher preta empoderada ninguém manda!

Soraya atira para o teto.

GLADYS - Ok, ok. Já estou indo.

Gladys percebe os outros personagens na cena.

SORAYA - O que é que você está fazendo aqui, coisinha? 

GLADYS - Trabalhando. A antiga funcionária foi embora e eu entrei no lugar dela, contratada pela dona Ádama. |Olha para o lado.| Sr. Moisés, você por aqui? 

ÁDAMA - Quer dizer que vocês também se conhecem?

GLADYS |Furiosa.| - Romeu, seu cafajeste!

ÁDAMA - Mas o que é isso? Eu sou a espectadora dessa novela, é? Qual a ligação de todos vocês?

GLADYS - CALA A BOCA! Romeu, finalmente você apareceu!

Romeu engole seco.

SORAYA - Conta pra sua amadinha Carijó qual é a sua ligação com essa mulherzinha, Romeu!

Ádama observa, procurando respostas.

GLADYS - Romeu, você sabia que o seu filho Júnior está passando necessidades? Sabia?! 

ÁDAMA - Você teve um filho com essa mulher, Romeu?

ROMEU - Ele não é o meu filho!

GLADYS - É seu filho sim, e você sabe muito bem disso! O que você fez foi abominável, Romeu. Digno das piores criaturas do mundo. Eu coloquei a polícia atrás de você.

ROMEU - Gladys, meu amor, você não pode fazer isso! Você precisa retirar a denúncia. Eu te amo! 

GLADYS - Eu fiz o que já devia ter feito há muito tempo, seu desgraçado! Você sabe o quanto eu me desdobro pra cuidar do nosso filho? SABE? É a mãe quem está ali nas crises, na felicidade, na tristeza por não ter algo pra comer, por impor regras! E você mais do que ninguém sabe o quanto eu ganho como diarista e que isso mal cobre as despesas especiais que o nosso filho tem como pessoa deficiente.

ÁDAMA |Com lágrimas nos olhos, embasbacada.| - O Romeu te deixou sozinha com um filho deficiente pra cuidar? Então eu já entendi tudo. Foi isso, não é, seu infeliz? Foi isso que a Soraya usou pra te fazer se voltar contra mim naquele plano sórdido. Você é um fraco, Romeu! O homem mais covarde que eu já vi na vida.

ROMEU - É muito conveniente as duas dizerem isso quando eu lhes proporcionei as melhores noites que vocês tiveram! Sim, Carijó! Eu gostava de você de verdade, por isso me casaria contigo. Você me apresentou uma perspectiva de vida nova, carregava um ar de natural que me dava paz.

ÁDAMA - Te dava paz pra esquecer o homem péssimo que você é. Você é um energúmeno! Um cara desprezível! A completa escória social! Um homem odiável que deveria ser condenado ao enforcamento em praça pública. E não pense que me engana. Você enganava aquela caipira burra que chegou aqui em São Paulo há dois anos atrás... hoje eu sou uma nova mulher! Eu te usei, sim. Te iludi me oferecendo quando retornei. 

Um policial interrompe a lavação de roupas sujas com um megafone.

POLICIAL |Ao megafone.| - Soraya, nós vamos entrar!

Soraya direciona-se à janela, com Ádama nos braços. 

SORAYA |Gritando.| - Se entrarem, todo mundo que está aqui dentro vai morrer. E a primeira vai ser a nossa querida galinha. 

GLADYS - E você, hein, seu Moisés? Ainda não acertou comigo as contas daquele servicinho.

MOISÉS - E nem vou te pagar, sua desgraçada! Eu deveria era te matar por ter usado o que foi feito contra mim.

ÁDAMA - Qual o complô da vez?

GLADYS - Seu verme, eu vou contar pra polícia tudo o que eu sei!

MOISÉS - Se você ousar abrir essa sua boca preta, será uma mulher morta!

Um policial adentra nesse instante, acompanhado do delegado Pestana.|

SORAYA |Gritando.| - SEUS IDIOTAS! EU DISSE QUE SE OUSASSEM ENTRAR, EU ATIRARIA NA CARIJÓ!

Soraya engatilha a arma. Antes que ela possa atirar, uma sombra galinhesca despeja titicas sobre sua cabeça. É Catarina que bateu asas e levantou voo só para desarmar a vilã. Soraya, cega pelas fezes aviárias, deixa a arma cair no chão. Ádama, com fortes dores no braço, luta pela arma. Ádama segura a arma. Soraya perde a arma e é intimidada por Ádama. A vilã se afasta, acuada.

ÁDAMA - O senhor chegou na hora certa, seu delegado! O exposed está começando. Parece que essa noveleca era bem mais amarrada do que parece. Muitos personagens se conhecem nas sombras.

GLADYS - O que é isso? Polícia?

ÁDAMA |Apontando a arma para Gladys.| - Diga a verdade sobre o Moisés. A polícia quer saber!

GLADYS |Intimidada.| - Eu vou contar tudo. Tudo. Tudo que sei.

DELEGADO - Comece. |Olha para Gladys.|

GLADYS - O senhor Moisés me contratou pra ajudá-lo com o filho, o Thiago. Eles haviam descoberto a doença terminal e ele estava preocupado. Aí ele me pedia pra depositar em todas as refeições do garoto uma substância.

DELEGADO - E como você tinha acesso tão fácil ao rapaz? Pela lógica, o pai teria acesso mais facilitado ao filho, não?

GLADYS - Teria se eles não estivessem brigados e saparados por um continente. O pai estava na França e o Thiago aqui no Brasil. O Moisés me implantou no apartamento do Thiago com ajuda de um cara lá da empresa dele que fez tudo a distância e o Thiago confiava nesse cara, então nem pestanejou.

MOISÉS - ISSO É MENTIRA! EU VOU TE PROCESSAR POR CALÚNIA E DIFAMAÇÃO! |Enfurecido.|

ÁDAMA |Recordando-se.| - Espera... eu acho que estou começando a me lembrar de você no Ap. do Thiago.

📷 *FLASHBACK REPETIDO - CAPÍTULO 14* 📷

THIAGO - Exatamente, Carijó. Esse casamento pra mim seria uma maneira de conseguir tirar do meu pai tudo o que ele sempre quis: dinheiro e poder! Não estou dizendo que ele é pobre, não. Mas é uma briga de egos! Ele fez o que fez com a minha mãe por um objetivo e se eu impedir ele de chegar nesse objetivo... eu me sentirei vingado!

CARIJÓ - Eu num sei, Thiago. Eu ainda tô muito assustada com tudo o que aconteceu ontem.

Uma mulher se aproxima. É a empregada. Ninguém mais, ninguém menos que... Gladys.

THIAGO |Assustado.| - Gladys, você já chegou?

GLADYS |Seca.| - Hoje é dia útil, seu Thiago.

THIAGO - Tudo bem, faça o seu serviço.

Gladys some dali.

📹 *FLASHBACK FIM.* 📹

ÁDAMA |Prosseguindo.| - Naquele dia, o Thiago me disse que suspeitava que o pai dele tivesse envenenado a mãe dele com pequenas doses de um remédio também. Por isso que ele queria garantir a herança: lutar frente a frente com o pai. Depois veio o diagnóstico da doença terminal. Quer dizer... não teve doença terminal nenhuma, não é? Foi tudo forjado pra ter um álibi. Você é um monstro, Moisés! Pior do que o Romeu!

MOISÉS - CALA A BOCA! NINGUÉM PODE ME JULGAR!

DELEGADO - Então o senhor confessa?

MOISÉS - Não!

DELEGADO - O senhor sabe que está muito complicado, não é? E que essas afirmações são muito fáceis de serem provadas. Basta procurar o médico que emitiu o diagnóstico do rapaz, o tal amigo que contratou essa mulher pra trabalhar na sua casa.

GLADYS - Eu fiz tudo isso porque eu precisava de dinheiro, só por isso. Eu estava acuada e o meu filho com o Romeu precisava de medicamentos caros, ele tem um problema cardíaco.

MOISÉS - Eu... eu... eu fiz isso sim!

Ledro, Soraya, o policial, Ádama e Romeu se chocam. 

MOISÉS - É claro que eu fiz e não poderia ter sido diferente. Eu descobri que o meu filho... o filho que eu tanto amava, apesar das discussões... estava se envolvendo com outro homem! Uma coisa abominável! Eu não podia deixar isso continuar e o Thiago não conseguia controlar os seus instintos. Mesmo depois de casado com essa retirante da Ádama, eu ficava sabendo de casos dele com outros caras.

ÁDAMA - Por que você mandava seus capangas o seguirem.

ROMEU - Se eu soubesse disso há dois anos atrás, não tinha te contado nada, Moisés!

Ádama olha para Romeu.

ÁDAMA - Então além de pai ausente, você ainda é mexiriqueiro?

MOISÉS - Romeu, você fez bem em ter me aberto os olhos, assim eu pude agir! Você agiu como um amigo de verdade faria! Se isso caísse nos ouvidos de qualquer cliente conservador, eu perderia meu nome e muito dinheiro! Não podia deixar o Thiago acabar com todo o prestígio que eu levei anos pra construir só por fogo na genitália ou no traseiro dele!

ÁDAMA - Que coisas horríveis! E você ainda acha isso normal?

DELEGADO - O senhor, doutor Moisés, está preso preventivamente pelo assassinato de sua esposa e de seu filho. |O policial acompanhante algema Moisés.| Já você, senhor Romeu, está preso pelo atraso de 123 meses de pensão ao seu filho, Júnior. |Direciona-se a Romeu.| Já você, Ledro... |Olha para o rapaz.| está preso preventivamente como cúmplice de dona Soraya no sequestro de Raul, seu pai. |O policial algema Ledro.| Gladys também está presa como cúmplice no assassinato de Thiago. E você Soraya. |Olha para Soraya.| Opa... cadê a Soraya?

Um policial adentra, com Soraya algemada.

SORAYA - ME SOLTA, SEU DESGRAÇADO!

POLICIAL - Pegamos ela tentando fugir. 

DELEGADO - A senhora também está presa, dona Soraya! Levem todos eles para os carros!

Todos se retiram. Ádama fica sozinha. A mulher desaba em lágrimas. Tilápia adentra.

TILÁPIA |Direcionando-se à Ádama.| - Ádama, você está bem?

ÁDAMA - Eu estou, dentro do possível.

TILÁPIA - Tudo acabou bem, meu amor! Você pode comemorar.

ÁDAMA |Olhando para Tilápia.| - Não está nada bem. Essa história toda acabou levando a pessoa que eu mais amava na minha vida. A minha vózinha! Vendo todo mundo expor esses podres, percebi o quão vulnerável eu sou nessa selva de ganância e que eu nunca vou conseguir me distanciar dela...

TILÁPIA - Dela quem?

ÁDAMA - Da Carijó. Eu era mais feliz antes. Tanto dinheiro... tanto luxo... pra quê? Pra me distanciar de quem eu amo? Da minha essência verdadeira?  

TILÁPIA - Você tem razão, Ádama. Eu acho difícil quando a gente, sendo nós mesmos, tentamos nos encaixar em algo que não orna com a nossa essência, imagine criar uma nova personalidade, com instintos diferentes.

ÁDAMA - Eu entendi, finalmente, que não preciso matar uma de mim pra alcançar a felicidade. Eu estou feliz. Eu sou feliz. E é assim que eu gostaria de ser chamada novamente... de Carijó!

Tilápia beija a prima.

TILÁPIA - Eu respeito e admiro bastante a sua decisão, Carijó.

Catarina cisca, abraçando Carijó de forma amigável e feliz.

CARIJÓ - Eu estou de volta pra você, meu amor! Sou eu, sua Carijó.

As duas se abraçam fortemente ao som de um instrumental emocionante. 

*Fade out...*



Cena 06 - Cemitério [DIA]

Carijó se faz presente no enterro da avó.

PADRE - Estamos presentes aqui para celebrar a alma de dona Canja. Ilustre mulher que era devota de Nossa Senhora Aparecida! Que a santa lhe receba de braços abertos na Glória e seu espírito encontre a paz, longe dos assombros terrenos.

Todos aplaudem.

CARIJÓ |Desolada.| - Eu queria dizer algumas palavras. |Os presentes fazem silêncio. Ela olha para o caixão, prestes a ser soterrado.| Fazem dois anos que eu perdi a minha mãe e me mudei para São Paulo. |Voz embarga.| A minha avó foi o meu apoio diante todas as provações que eu passei. Ela me contou algumas vezes o tanto que ela sofreu quando a minha mãe foi embora para o Mato Grosso, onde fui criada. E hoje eu entendo um pouco da dor dela. Não está sendo fácil ter que deixar esse anjo em formato de mulher ir embora. Eu estou partida em mil pedaços, destruída, sem chão... |Engole saliva.| mas ela me ensinou a sempre prosseguir vivendo, mesmo com tanta diversidade. Ela nunca desistiu dos seus amores, das suas convicções, da sua verdade, por mais difícil que seja diante das imposições sociais. |Chora.| E é nisso que estou me apoiando para me refazer, reconstruir caco por caco do que está quebrado aqui dentro de mim. Eu quero que você saiba, avó, que eu te amo muito. E me arrependo por ter ficado tanto tempo distante. Esse é o recado que eu quero dar pra vocês. |Olha para a câmera.| Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo, uma gota, um tempo que nem dá um segundo. Então pra que perder tempo com tanto rancor? Com tanto ódio? Com tanta guerra? Não vou ser hipócrita de dizer que ter dinheiro não é bom, mas ele, a ambição, a ganância nos afasta do que a gente tem de melhor. |Arregala os olhos molhados.| Por isso, perdoe, ame, viva, sinta e receba o amor das pessoas ao seu redor. Ontem eu tive a oportunidade de abraçar a minha avó, hoje estou enterrando-a. A vida é um sopro. 

Um instrumental emocionante toma conta da cena. Todos estão emocionados. Tilápia abraça Carijó. Os coveiros jogam pás de terra sobre o caixão. Lucas chega, após ser liberado da delegacia.

CARIJÓ - Que bom que você conseguiu sair da prisão antes do enterro.

LUCAS - É... eu precisa vir.

Carijó abraça o primo.

CARIJÓ - Lucas...

Ela aproxima o primo.

*AFEGANISTÃO - 2026...*

Cena 07 - Palacete [DIA]

Rinha está com roupas extremamente decotadas e um visual exótico, digno da beleza folclórica de suas joias.

RINHA - Você me prometeu Grammy, Alan. Que roupas são essas que colocaram em mim?

ALAN - A Ádama me pagou pra te tirar de cena. Era tudo fic, como dizem os mais jovens, essa história de cantora.

RINHA - E cadê o Oscar que você me prometeu?

ALAN - Você disse Grammy. 

RINHA - Não Alan Z., eu disse Oscar. 

ALAN - Dane-se, você tem voz de taquara rachada. Não embala nem como cantora de bar em Marcelândia no Mato Grosso. Eu te vendi pra um Sheik, e agradeça que ele gosta de coroas se não eu te jogava no lixo. Já pensou ficar a ver navios?

O Sheik aparece.

SHEIK - Aziz gosta de dança do ventre. Coroa dançar dança do ventre para Aziz.

Uma música começa a tocar. Alan a olha, como quem diz que ela não tem outra opção. Rinha se vê obrigada a remexer o quadril para a própria sobrevivência. A câmera se afasta.

Cena 08 - Casa de Tilápia [DIA]

Lucas e Carijó estão sentados junto de Tilápia.

CARIJÓ - Lucas, a Tilápia é nossa prima. A mãe dela, Pantera Falcão, era gêmea da nossa avó, a dona Canja!

LUCAS - Que prazer lhe reencontrar! Eu te vi no julgamento, não sabia que as nossas vidas estavam tão interligadas.

Lucas abraça Tilápia. Daniel se aproxima.

TILÁPIA - O prazer é todo meu, meu querido!

CARIJÓ - Este é o Daniel, filho da Tilápia. 

LUCAS - Como vai?

Eles se abraçam. Daniel traz Viviane.

CARIJÓ - Essa é a Viviane. 

LUCAS - Prazer, Viviane. |Ele pega na mão da prima.| Na verdade, eu a conheci antes do acidente. Ela era recepcionista do hospital onde o meu pai estava internado. Super simpática. Não sabia que foi ela quem apagou as imagens naquele dia.

TILÁPIA - Eu te peço perdão por tudo, meu filho! Eu poderia ter testemunhado a seu favor naquele dia, mas eu temia pela minha filha. Só depois eu decidi colocar a boca no trambome e bater de frente com aquela corja. Ela ficou em estado vegetativo após um acidente provocado pela sua avó de consideração, a dona Rinha!

LUCAS - Nem de consideração. Ela não me considerava como neto. Só tinha olhos para a Soraya. E não precisa se justificar, eu sei o quanto a Soraya e a dona Rinha eram cruéis. Enfim, a Viviane volta ao que era antes do acidente um dia?

TILÁPIA - São baixas. Passou-se muito tempo. Mas percebo que ela entende o que falamos e balbucia algumas coisas. 

LUCAS - Que pena! Enfim, Carijó. |Olha para a mocinha.| Eu decidi cumprir a vontade do meu pai. 

CARIJÓ - Que vontade?

LUCAS - A de deixar todo o dinheiro para a galinha Catarina.

CARIJÓ - Ai, Lucas! Não precisa. Eu tenho dinheiro de sobra.

LUCAS - Eu faço questão. É pra honrar um pouco a memória do meu pai.

CARIJÓ - Entendo. Eu também me desfiz das ações da Me Red.

LUCAS - Ah é, e quem comprou?

CARIJÓ - Você nem acredita.

Cena 09 - Me Red [DIA]

Tainá está sentada em uma cadeira macia. Ela é a nova dona da empresa. 

FUNCIONÁRIA - Dona Tainá?

TAINÁ |Fria e direta.| - Está demitida!

FUNCIONÁRIA - O quê? 

TAINÁ - Eu disse que eu só queria gente ruiva nessa loja e você está morena!

FUNCIONÁRIA - Eu precisei pintar o cabelo para o clipe de uma música?

TAINÁ - Clipe de uma música? Que música?

FUNCIONÁRIA |Remexendo-se.| - Vem morena pros meus braços, vem morena, vem dançar! Quero ver tu remexendo, quero ver tu requebrar. Quero ver tu remexer no resfolego da sanfona até que o sol raiar!

*Ao som de Vem Morena, o tempo se passa muito rápido. Várias manchetes de TV. Takes de Soraya na prisão. Todos felizes fora da cadeia. 15 anos depois... a câmera foca em uma porta de aço com parede branca.*

Cena 10 - Presídio [DIA/EXT]

A música anterior é substituída por 🎶 _"Bring Your Love - Sabrina Carpenter & Madonna"_ 🎶. Soraya está mais velha, mas bem produzida — e de cabelos louros restaurados. Uma multidão de fãs a aguarda. 

FÃ 1 - SORAYA, SEU ÍCONE! ME NOTAAAA!

FÃ 2 - SORAYA, MEU AMORR!! SOU SUA FÃ DESDE A SÉRIE DA METFLIX: "A MENINA QUE MATOU O PAI E AVÓ".

SORAYA - Oi, meus foxlovers! Que saudade que eu tava de vocês.

REPÓRTER - Soraya, o que você tem a dizer quanto aos crimes que é acusada?

SORAYA - Eu me declaro sempre inocente. Os meus fãs sabem disso.

REPÓRTER - E quais são seus próximos passos?

SORAYA - Eu estou lançando a minha própria bet. Tigrinho? Fora de moda! Agora a onda é a Raposinha. E frizo: bet não é vício, é investimento |Olha para a câmera.| aposte todo o seu salário. Com responsabilidade, claro! |A mulher gargalha, adentrando ao carro.|

REPÓRTER |Para a câmera.| - É, gente. Parece que a dona Soraya saiu da cadeia com fome de sucesso, hein?

Cena 11 - Rancho [DIA/EXT]

Um senhor cuida de um rancho. A câmera se aproxima dele. É Titica. Ele se aproxima do galinheiro. Um rapaz bem apessoado está próximo dele. Carijó está, aparentemente, solteira, visto que não consta nenhum anel de compromisso em seus dedos.

TITICA - E qual galinha ocê há de querer, seu Alfredo? |Para um cliente.|

GODOFREDO - Meu nome é Godofredo, seu Titica! Godofredo! Eu quero aquela ali. |Aponta para uma galinha velha.|

TITICA - Ocê conhece das galinhas, hein? Já separo procê.

GODOFREDO - Muito obrigado, aqui o dinheiro. 

Godofredo coloca a galinha em seu carro e dá partida, saindo dali. Carijó desce com empurrando um menino cadeirante. É Júnior, filho de Romeu, adotado pela mocinha.

CARIJÓ - Papai, o senhor viu a Catarina? Ela estava bem aqui. |Aponta.|

TITICA - MEU DEUS, CARIJÓ! IO ACABEI DE VENDER ESSA GALINHA!

CARIJÓ - O quê? Ai, meu Deus! Poupe a minha Catarina, senhor! Não deixe que ela vire canja, pai. |Chora.|

Cena 12 - Heliponto [DIA]

🎶 _"Odete Roitman - Eduardo Queiroz, Guilherme Rios"_ 🎶

Uma mulher topetuda e de cabelos brancos desce de um carro junto de um homem. Seus rostos não podem ser vistos, mas a estatura e os cabelos grisalhos da mulher lembram a postura de dona Rinha. A mulher adentra a um helicóptero, o homem entra pelo lado oposto. A mulher pega um batom. Seu rosto não é visto. Ela pega um espelho. Seu rosto reflete. É a imagem da galinha Catarina e não de Rinha. A câmera foca exatamente no rosto da mulher. É a versão humana de Catarina. Com forte batom vermelho, ela olha para a câmera.

CATARINA - Eu já fui conselheira da Carijó por tempo demais, é a hora de seguir o meu destino, não acha, Godofredo?

Ela mira o espelho no rosto do homem. O espelho reflete a imagem de um galo. 

GODOFREDO - Eu te amo, meu amor!

Os dois se beijam. O helicóptero levanta voo. A câmera se afasta, focando no veículo aéreo ainda ao som do instrumental anterior.

*FIM.*