Viver Sem Amanhã - Capítulo 29
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 29 (04/06/2026)
[IGREJA/ENTARDECER]
*Solano aponta a arma para Leocádia.*
*Solano:* Não sabem como esperei por esse momento. Desmascarar as duas diante de vocês. Essa mulher, Leocádia De Andradas, tentou me matar com um golpe na cabeça. Eu trabalhava para ela. Fiquei dois meses internado em estado grave. Quando finalmente contei tudo à minha esposa, ela apareceu morta pouco tempo depois.
*Leocádia:* Eu não tive qualquer envolvimento na morte dela.
*Solano entra em desespero. Com as mãos na cabeça, arregala os olhos, tomado pelo choque.*
*Solano:* Para... para... para de mentir, sua desgraçada! Você matou minha esposa e minha filha. Provavelmente pelo mesmo motivo que se livrou de outras pessoas: chantagem.
*Enquanto todos se entreolham, intrigados, Hera fixa os olhos em Solano, aparentando comoção.*
*Hera:* Meu amor, ainda bem que você está vivo.
*Solano:* Amor? Não me faça rir. Sua mentirosa, dissimulada! Você só me usou como instrumento para seus crimes.
*Ele então mira em Hera. Ela balança a cabeça, tentando negar.*
*Solano:* Eu fui amante dessa outra desgraçada. Cego pela paixão, fazia tudo que ela mandava. Quando finalmente despertei pra verdade, já era tarde demais.
*Hera lacrimeja, atraindo olhares.*
*Solano:* Agora é hora de vocês saberem de tudo. Acreditem se quiserem, mas eu aprendi da pior maneira. E, se estivesse no lugar de vocês, não cairia na lábia delas outra vez.
*Leocádia se levanta gritando e surtando.*
*Leocádia:* Não ouse me caluniar, seu traidor!
*Solano:* Vai mesmo querer me peitar, dona Leocádia?
*Solano se aproxima de Leocádia e encosta a arma em sua cabeça, obrigando-a a se sentar.*
*Solano:* Eu era seu subordinado. Limpava suas imundícies e hoje me arrependo de cada ato podre e insano que cometi por sua causa. Mulher asquerosa e repugnante.
*Solano se afasta e volta pro altar. Aura o encara, apreensiva.*
*Aura:* Sinto muito pela morte da sua esposa e da sua filha... mas não consigo acreditar que minha mãe...
*Leocádia (Interrompendo):* Não deem ouvidos pra esse psicopata.
*Solano (Gritando):* CHEGAAAAAAAAAAAAA!
*Solano dispara no chão, as pessoas se assustam ainda mais.*
*Solano:* Já que insistem na farsa, vamos ao que interessa: quem matou Cobalto Medrano?
*Leocádia:* Respeite a memória do meu filho, seu marginal!
*Solano:* E você fez isso quando acabou com ele?
*Todos se chocam e olham pra Leocádia, boquiabertos. Ulisses leva a mão à testa, Irlanda o observa, atônita. Aura entra em desespero, contorcendo-se de angústia. Hera e Bosco começam a chorar. Deméter o abraça, tentando confortá-lo.*
*Aura:* O quê? Não pode ser...
*Bosco:* Deus... por favor, não...
*Solano:* Ouçam todos com atenção: Leocádia de Andradas assassinou o próprio filho, Cobalto Medrano. Sim, estamos falando de um filicídio.
*Leocádia se põe de pé, desequilibrada, e anda de um lado pro outro. Os cochichos se espalham pelo ambiente, enquanto olhares chocados se voltam para ela. De repente, ela cai no chão e desaba em lágrimas, atormentada pela lembrança do dia em que Cobalto morreu.*
<<<<<<FLASHBACK>>>>>>
*Leocádia e um homem conversam sentados à mesa de uma cafeteria. Escondido atrás de uma árvore, sujo e tentando não chamar atenção, Solano os observa.*
*Leocádia:* Sei que você também trabalha pro meu marido. Mas agora preciso de você para outro serviço. Eu pago bem.
*Capanga:* Certo. Basta dizer?
*Leocádia:* Quero que você sabote o elevador de um apartamento. Preciso tirar uma vagabunda do meu caminho.
*Capanga:* Mas e se der errado? E se alguém morrer no lugar dela?
*Leocádia:* Não vai. Planejei tudo com cautela.
*Ela tira uma caneta da bolsa, anota data e horário num papel e entrega pra ele.*
*Leocádia:* Aqui está. Ela estará lá. Ninguém correrá risco.
<<<FIM DO FLASHBACK>>>
*Solano:* Investiguei cada passo dela. Cada passo do homem que ela contratou. Eu os seguia. Observei tudo. Ela tentou matar Hera no elevador, mas quem morreu foi Cobalto. Assassina.
*Aura olha fixamente pra Leocádia, que se levanta do chão e se senta logo em seguida.*
*Aura:* Não posso acreditar, mãe... Você matou nosso irmão.
*Ulisses:* Me surpreende ver você tão surpresa, Aura. Nada do que vem dessa senhora me espanta.
*Solano:* Silêncio! Ninguém recebeu permissão para falar. Agora, esqueçam a velha cadela desgraçada. Vamos falar da outra cadela desgraçada. Aura, quem causou seu aborto foi Hera. Ela se aproximou de você, fingiu ser sua amiga e, pelas suas costas, trocou seus medicamentos por abortivos.
*Aura:* O quê? Não... não... Meu Deus...
*Solano:* Eu trabalhava para ela. Na época, estava fascinado. Ela praticamente me obrigava.
*Aura se levanta e vai até Hera. Deméter se afasta de Bosco para acompanhá-la. Incapaz de se conter, Aura desfere uma bofetada no rosto de Hera. Deméter a segura imediatamente.*
*Aura:* Maldita. Eu perdi meu filho por sua culpa.
*Hera:* Eu não tive culpa se você foi fraca até para gestar.
*Aura:* Brilhante. Mostre a todos quem você realmente é.
*Solano:* Agora chega. Voltem aos seus lugares.
*Aura e Deméter se sentam. Deméter abraça Aura, que chora em seus braços. Solano olha pra Irlanda.*
*Solano:* Irlanda, suponho que já tenha percebido. Na noite em que essa mulher te levou para sair, nada aconteceu por acaso. Tudo já estava calculado. Ela queria que você contraísse HIV. Queria te afastar de Ulisses, fazê-lo sentir repulsa e se distanciar de você. Assim, teria passe livre para manipulá-lo e usá-lo da maneira que bem entendesse.
*Irlanda:* Sempre desconfiei, mas não tinha como provar. Eu estou completamente enojada.
*Ulisses:* Espera... então era você, Hera? Era você quem estava me drogando? Quem manipulava minha mente dia após dia? Você queria que eu matasse Baal. Me empurrava pro abismo, me enchia de ódio, de paranoia. Queria me transformar numa arma contra meu próprio pai, pois sabia que nos odiavamos. Você queria que eu me destruísse. Queria me ver perder tudo, afundar até não restar nada de mim. Queria sangue espalhado pelo chão. Queria assistir uma tragédia entre pai e filho como se fosse um espetáculo. Você me induziu durante tanto tempo... e eu caí. Como pude ser tão idiota?
*Hera encara Ulisses. Os dois estão sentados em bancos separados, distantes um do outro.*
*Hera:* Exatamente. Sabe, Ulisses? Nada me dá mais prazer neste momento do que ver vocês destruídos por dentro. Fui eu quem colocou drogas nas suas bebidas, e fez Irlanda contrair HIV. São dois tolos. Ingênuos. Patéticos. Desgraçados patéticos.
*Hera cai na gargalhada. As pessoas olham para ela com repulsa. Solano aponta a arma novamente para Leocádia, que continua chorando.*
*Solano:* E não para por aí. Irlanda, Leocádia ordenou que eu matasse sua mãe. Eu atropelei Prudência Ortiz. Tudo aconteceu por ordem dela.
*Irlanda:* Então minha mãe foi mais uma vítima dessa maldita?
*Solano:* Sim. Ela se livrou da Prudência após ser chantageada pela mesma. Vocês logo vão entender.
*Leocádia:* Não se meta no meu passado, seu desgraçado.
*Irlanda continua aflita e olha para Solano com uma expressão confusa, como se estivesse tentando se lembrar de algo.*
*Irlanda:* Então todo aquele dinheiro... veio da Leocádia.
*Irlanda encara Leocádia com ódio.*
*Irlanda:* Assassina. Vocês três vão apodrecer na cadeia.
*Solano:* Calma aí, eu fui pago para fazer tudo. E, se querem a comprovação, Baal era mesmo um traficante de órgãos. Hera sabia de tudo e acobertou os crimes dele.
*Hera:* Eu não sabia de nada. Jamais apoiaria esse assassino.
*Ulisses:* Nada do que você disser vai nos convencer.
*Aura:* Eu só não entendo por que nos causou tanto mal, Hera.
*Bosco:* Você conseguiu seu objetivo, parabéns.
*Hera e Leocádia permanecem caladas e coagidas. Solano continua.*
*Solano:* Essa mulher se chama Delta Moraes, não Hera Von Zale. Ela me disse que, há anos, Baal sequestrou sua irmã e matou seu pai. Então, assumiu uma nova identidade para se vingar. Busquei registros e descobri que, atualmente, ela está foragida de Manaus, acusada de ter matado a própria mãe por asfixia.
*As pessoas começam a cochichar, com semblantes apavorados. Logo, a câmera foca em Bosco, enquanto Solano continua falando*
*Solano:* Bosco, foi ela quem expôs seu vídeo íntimo pra todos na universidade.
*Bosco:* Não me surpreende. Vocês todos merecem apodrecer na cadeia.
*Solano:* Não... eu não. Eu fiz tudo porque sonhava alto. Eu amei a Hera, mas ela só brincou comigo.
*As pessoas estão apavoradas, enquanto Solano desfruta do sabor da vingança.*
[PRESÍDIO/PÁTIO/SALA ELÉTRICA/ENTARDECER]
*De repente, os detentos iniciam uma rebelião no pátio. Um deles desfere um soco violento em outro, desencadeando uma onda de brigas. Em meio ao caos, enquanto os policiais correm para conter os presos, Nelson se aproxima da fiação, encharca tudo com álcool e risca um fósforo. As chamas irrompem com força e se alastram rapidamente pelos cabos e paredes. O fogo se espalha por todos os lados. Aproveitando a confusão, vários detentos escalam muros e paredes em busca da liberdade. Nelson corre até no muro e tenta escalá-lo. Escorrega duas vezes, as mãos suadas falhando no momento decisivo, mas, na terceira tentativa, consegue se agarrar ao topo. Um policial ainda tenta segurá-lo pela perna, porém ele desfere um chute violento e se liberta. Sem perder tempo, Nelson salta pro outro lado e dispara em fuga. Clémence, que já o aguardava do lado de fora, escondida nas sombras, passa a segui-lo. Ela está armada.*
[IGREJA/ENTARDECER]
*Todos estão horrorizados. Solano prossegue.*
*Solano:* Querem saber onde está o Baal? Perguntem pra Hera.
*Hera:* Eu não fiz nada! Eu não sei do paradeiro dele!
*Solano se aproxima e encosta seu revólver na testa dela.*
*Solano:* Mais um pio e eu te mando pro inferno.
*Ele a empurra com violência.*
*Solano:* Me espanta você permitir que dois irmãos se casem, Leocádia.
*Ulisses:* Do que você está falando?
*Irlanda:* Por favor... chega. Não dá mais.
*Solano:* Ulisses e Irlanda, vocês são irmãos.
*Irlanda e Ulisses se olham. Leocádia se descontrola. Os convidados ficam sem entender, trocando olhares e cochichos.*
*Solano:* Baal era casado com Leocádia, mas jamais a respeitou. Traía-a constantemente e a agredia com frequência. Ao mesmo tempo, mantinha um relacionamento com Prudência, que acabou engravidando dele. Numa noite de embriaguez, também violentou Dalva, a cozinheira da família. Leocádia já estava grávida naquela época. Assim, Baal acabou engravidando três mulheres praticamente ao mesmo tempo.
*Aura:* Não posso acreditar... quanta monstruosidade...
*Solano:* Sim... e coincidentemente, todas entraram em trabalho de parto na mesma noite. Os três bebês nasceram prematuros, mas sobreviveram.
*Ulisses e Irlanda encaram Solano, chorando, enquanto ele se recorda da noite em que Leocádia trocou os bebês na maternidade.*
<<<<<<FLASHBACK>>>>>>
*Leocádia e Solano entram na UTI neonatal. Ela ainda veste roupas da cirurgia.*
*Leocádia:* É agora. Escute com atenção. Vamos levar o bebê de Prudência, e ninguém pode desconfiar de nada. O filho de Dalva ficará no lugar dele. Vou fazer Dalva acreditar que perdeu a criança ao nascer. Basta trocarmos as pulseiras da maternidade. Esse menino não crescerá ao lado dos meus filhos. Prudência vai criá-lo pensando que é seu. E não se preocupe: já paguei um médico para garantir que tudo saia exatamente como planejado.
*Eles trocam as identificações. Leocádia então pega o bebê de Prudência nos braços, coloca uma manta nele, e ela e Solano saem dali.*
(CORTA PARA: MATAGAL ISOLADO)
*Num lugar distante, à noite, Leocádia e Solano descem do carro com o bebê de Prudência. Solano rapidamente acende uma fogueira num buraco já preparado. Leocádia se aproxima, olhando pra cara do bebê.*
*Leocádia (Pro bebê):* Não vai doer. E eu não vou deixar rastros. Você não vai continuar sendo um empecilho na minha vida.
*De repente, Solano olha para ela, apavorado. Antes que consiga reagir, Leocádia pega o bebê de Prudência pelos pezinhos e joga bem no centro da fogueira. Ele cai no meio das chamas. Por um segundo há silêncio, e então explode um grito lancinante, agudo, de dor insuportável. O bebê se debate desesperadamente enquanto o fogo devora sua pele macia, que chia e estala. Bolhas enormes incham rápido pelo corpo todo e estouram, soltando pus e líquido. Sua pele rosada escurece, enegrece e se solta em tiras, expondo carne viva e vermelha por baixo. Seu choro vira guincho rouco e gorgolejante enquanto chamas invadem boca, nariz e olhos. Sua barriguinha inchada racha devido ao calor, os ossinhos estalam, e o corpinho pequeno se contorce e encolhe nas brasas. Leocádia vira para trás e ri alto enquanto o bebê de Prudência se carboniza lentamente. Solano fica paralisado, boquiaberto.*
<<<FIM DO FLASHBACK>>>
*Ulisses:* Você é um monstro, Leocádia. Um monstro.
*Aura:* Estou sentindo asco de você.
*Bosco:* Mulher tirana e desprezível. Como pôde ser tão cruel?
*Irlanda:* Que Deus tenha piedade da sua alma.
*Leocádia permanece calada enquanto todos a julgam.*
*Solano:* Dalva foi embora da mansão após o que lhe aconteceu. Carregou aquela dor sozinha e nunca contou a verdade a ninguém. Quando voltou, foi por vocês: Ulisses, Bosco e Aura. Dedicou a vida a cuidar, proteger e amar cada um como se tivesse sido sua mãe desde o início. Enquanto isso, Prudência cresceu acreditando que Irlanda era sua filha. Mas, com o passar dos anos, pequenas diferenças começaram a incomodá-la, até que a dúvida se transformou em certeza.
<<<<<<FLASHBACK>>>>>>
*Prudência está sentada no sofá, observando Irlanda brincar com uma boneca.*
*Prudência:* Não pode ser... Essa menina não pode ser minha filha. O Baal e eu somos claros.
*Ela olha pro braço de Irlanda e nota uma mancha de nascença.*
<<<FIM DO FLASHBACK>>>
*Solano:* Prudência descobriu que Irlanda não era sua filha após a menina precisar de uma transfusão de sangue, pois foi atropelada. Certo dia, encontrou-se com Dalva e percebeu que ambas tinham uma mancha idêntica. Lembrou-se de que as três haviam dado à luz no mesmo dia. Então, abraçou Dalva e, com cuidado, arrancou-lhe um fio de cabelo, comprovando por meio de testes de DNA. Leocádia queria se vingar de Prudência por ela ter sido amante de Baal. Culpava-a por todo sofrimento que viveu ao lado dele. E como forma de vingança, matou sua filha e fez Prudência criar a filha de outra.
*Aura:* Você também tinha ligação com essa mulher?
*Solano:* Eu já fui amante de Prudência. Mas ela me abandonou, e acabei trabalhando para Leocádia. Mas continuando... Leocádia pagou uma fortuna para que Prudência se afastasse de Baal. E ela aceitou, pensando no bem de vocês. Vejam só: até uma desconhecida foi capaz de pensar em vocês.
*A câmera foca no rosto de Leocádia.*
<<<<<<FLASHBACK>>>>>>
*Prudência:* Confessa. Onde está meu filho? Se não confessar, vou te denunciar.
*Leocádia:* Seu filho está comigo. É o Ulisses. Quando perdi meu bebê, fui consumida pelo desespero e tomei a pior decisão da minha vida: eu o sequestrei. No lugar dele, entreguei Irlanda, a verdadeira filha de Dalva, para que você a criasse sem jamais desconfiar da verdade. Desde o instante em que vi Ulisses pela primeira vez, criei um vínculo com ele. Passei a amá-lo como se tivesse saído do meu próprio ventre, guardando esse segredo terrível por todos esses anos.
*Prudência:* Isso é impossível! Todos os exames mostravam que eu teria uma menina.
*Leocádia:* Você foi enganada. É natural.
*Prudência:* Meu Deus... você é um monstro. Eu quero ver meu filho.
*Leocádia:* Você não vai conseguir. Se correr atrás dele agora, tudo que vai receber é rejeição. Ulisses não sabe quem você é, não a vê como mãe. Mas eu posso ajudá-la a se aproximar dele aos poucos, sem causar desconfianças. Pense bem: o que você acha que ele escolheria? A vida ao lado de uma mulher poderosa, capaz de lhe dar tudo, ou ao lado de alguém que vive na periferia, afogada na própria miséria e no cheiro da cachaça? Então faça a escolha mais inteligente. Fique onde está, aceite o dinheiro que estou oferecendo e deixe que eu continue cuidando dele. Dessa forma, você poderá vê-lo de longe, tê-lo por perto e preservar a felicidade dele. Caso contrário, corre o risco de perdê-lo para sempre.
<<<FIM DO FLASHBACK>>>
*Solano:* Leocádia mentiu. Fez Prudência acreditar que Ulisses era seu filho, quando, na verdade, o bebê dela havia sido queimado de forma cruel. Quando percebeu que não poderia sustentar a mentira por muito mais tempo, pois Prudência passou a exigir mais dinheiro e ameaçou revelar toda a verdade, Leocádia tomou uma decisão extrema. Decidiu se livrar de Prudência. Vale lembrar que, na época da troca dos bebês, Baal não descobriu nada, pois estava no exterior, trabalhando.
*Ulisses e Irlanda choram desesperados. Leocádia se contorce desesperada.*
*Bosco:* Então eu sou irmão de Irlanda...
*Irlanda:* Não... não pode ser. Estou grávida do meu próprio irmão. Meu Deus.
*Solano:* E ainda não terminou. Leocádia também matou a Dalva.
*Ao ouvir, Aura grita e começa a chorar. Deméter a segura pelo abdômen.*
*Aura:* Não... minha dinda não. Por favor, diz que é mentira.
*Ulisses:* Essa mulher nunca teve escrúpulos, Aura.
*Irlanda:* Eu podia ter evitado... Dalva, não.
*Solano:* No dia da morte de Dalva, Leocádia me ligou para ajudá-la a sumir com o corpo. Mesmo assim, convenceu todos que ela bateu a cabeça na quina da mesa. E, por fim, Irlanda, você é irmã de Cobalto, Aura, Bosco e Ulisses, por parte de pai. Você é filha de Baal e Dalva, fruto de um estupro.
*Hera encara Leocádia e debocha dela.*
*Hera:* No fim, você é pior que Baal.
*Solano caminha até Hera e ri da cara dela.*
*Solano:* Você não tem direito de julgá-la. Vocês duas são iguais.
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 29 (04/06/2026)
[SAÍDA DO ARMAZÉM/ENTARDECER]
*Nelson chega ao ponto de encontro, movendo-se com inquietude enquanto aguarda por Aura. Próximo dali, Clémence estaciona e desce em silêncio. Andando devagar, ela se posiciona estrategicamente, observando-o sem ser notada. Em sua mão, uma arma.*
[IGREJA/ENTARDECER]
*Solano anda até Leocádia e a arrasta pelo braço até no altar, forçando-a a se ajoelhar. As pessoas se desesperam. Ele encosta a arma na testa dela, enquanto ela chora. Ulisses decide agir: desce devagar, engatinhando e rastejando silenciosamente entre os bancos para alcançar Solano, que está fora de si. Solano grita, transtornado.*
*Solano:* Você matou minha família, desgraçada. Mas vai morrer agora.
*Leocádia:* Eu não fiz nada, por favor!
*Solano:* Cala a boca. Depois que eu te matar, vou acabar com todos.
*Enquanto as pessoas choram, desesperadas, Hera ri com prazer, torcendo para que Solano mate Leocádia. Sem ser visto, Ulisses chega ao altar. De repente, ele se levanta e avança por trás de Solano, que dispara e acerta de raspão o braço de Leocádia. Ela cai imediatamente no chão, gritando de dor. Ulisses e Solano trocam socos até que a arma cai no chão. Leocádia se levanta, pressionando o ferimento com as mãos. A luta continua até que Solano desfere um chute no abdômen de Ulisses, derrubando-o. Ágil, ele apanha o revólver e dispara contra o abdômen do rival. Ulisses cai, atordoado. Irlanda grita em desespero. Solano tenta atirar novamente, mas o som das sirenes ecoa do lado de fora da igreja. Em pânico, ele deixa a arma cair no chão e foge correndo. Irlanda, Aura e Bosco correm para socorrer Ulisses, que jaz inconsciente no chão.*
*Irlanda:* Ulisses, fala comigo, por favor!
*Aura:* Meu irmão, por favor, acorda!
*Leocádia aproveita e foge da igreja correndo, ferida. Hera observa tudo, aproxima-se, pega o revólver de Solano no chão e decide seguir Leocádia.*
*Prof. Deméter:* Eu vou chamar uma ambulância!
*Deméter sai apressado. Restam apenas os três irmãos em torno do corpo.*
*Bosco:* De novo não... não...
*Aura:* Me escutem, eu preciso que vocês sejam fortes. É questão de vida ou morte. O Ulisses vai resistir, mas eu preciso fugir do país com o Nelson agora.
*Irlanda:* Fugir? Claro, vai. Vocês merecem depois de tudo que passaram.
*Bosco:* Sejam muito felizes. Contem comigo sempre.
*Aura se despede, abraçando-os. Ela se levanta e sai da igreja, com lágrimas no rosto. Irlanda e Bosco permanecem diante de Ulisses, mãos cheias de sangue.*
[RUAS DE SÃO PAULO/ENTARDECER]
*Viaturas se aproximam cada vez mais. Solano sua frio. Ao virar na esquina, ele avista um caminhão de lixo parado no fim do beco, com os lixeiros terminando de jogar sacos na caçamba. Ele pula na lateral metálica e se enfia entre montes de sacos. Ninguém o vê. Então, o motorista arranca dali. Solano ri baixo, aliviado, achando que está salvo. De repente, um barulho hidráulico ecoa. A caçamba se inclina para trás e o compactador começa a descer. No início, devagar, esmagando sacos acima dele. Solano se debate desesperadamente, com as unhas arranhando metal e plástico, mas fica cada vez mais preso. Então, seus pés são destruídos. Suas pernas são esmagadas pelo peso no fundo, e seus ossos estalam. Ele grita quando seu fêmur esquerdo se quebra, perfurando sua carne. Seu rosto fica roxo de pavor, os olhos esbugalhados. O compactador continua descendo. Costelas se dobram para dentro, uma a uma, furando seus pulmões. Sangue quente jorra de sua boca, misturando-se ao lixo. Ele tosse, engasgando com pedaços de comida podre e com sangue. Seu braço direito é torcido para trás, num ângulo impossível; osso do antebraço se parte e pele se rasga. O compactador não para. Pressiona seu tórax, esmagando o coração na coluna. Solano grita rouco. Urina e fezes escapam enquanto seus órgãos se transformam numa massa quente. Seus olhos saltam ligeiramente do rosto. Ele é completamente moído, restando apenas pedaços de seu corpo.*
[RUAS DE SÃO PAULO/ESTACIONAMENTO/TARDE]
*Leocádia dirige com dificuldade até que seu carro para definitivamente. Hera está atrás dela.*
*Leocádia:* Inferno! Ninguém vai me pegar!
*Hera também para. Leocádia desce do veículo, seguida por Hera. Ela dispara na direção de Leocádia, mas não consegue feri-la.*
*Hera:* Parada aí, sua desgraçada! Acabou para você!
*De repente, Leocádia entra numa fábrica para fugir de Hera. Hera a segue até lá.*
*Hera:* Você não tem chances. Melhor se entregar.
*Hera caminha entre corredores e máquinas, enquanto Leocádia se esconde para não ser encontrada. Rindo, Hera a persegue obsessivamente.*
[SAÍDA DO ARMAZÉM/ENTARDECER]
*Aura chega ao local marcado e encontra Nelson. Eles se abraçam com força.*
*Aura:* Meu amor, ainda bem que você finalmente está livre.
*Nelson:* Não sabe como eu senti sua falta.
*Aura:* Acabei de descobrir que minha mãe é uma assassina... e eu sou irmã da Irlanda. Nelson, foi a Hera quem provocou meu aborto.
*Nelson:* Meu Deus... eu espero que elas terminem atrás das grades.
*Clémence aparece e os interrompe.*
*Adv. Clémence:* Parabéns ao casal. Tínhamos um contrato, Nelson. Íamos nos casar.
*Aura:* Ele nunca quis você, sua louca.
*Adv. Clémence:* Ah não? Depois de tudo? Depois da história de amor que vivemos?
*Nelson:* Que história de amor? Uma história que só aconteceu na sua cabeça. Eu nunca te amei, Clémence. Sempre deixei claro que nossa relação era profissional.
*Aura:* Ela quis te obrigar, mas acabou. Agora vamos ser felizes longe de todos. Não temos mais tempo pra perder. Vamos, meu amor.
*Nelson:* Claro, não podemos nos atrasar.
*Clémence saca a arma e aponta para eles.*
*Adv. Clémence:* Parados. Já que eu não vou ser feliz, vocês também não serão.
*Nelson:* Você teria coragem de me matar?
*Adv. Clémence:* Por amor, sou capaz de tudo. Eu te amei tanto... e agora quer me deixar.
*Aura:* Ele nunca foi seu, Clémence. Enquanto você sofria por ele, ele só pensava em mim. Nós nos amamos, e você jamais entenderá o que é sentir isso.
*Adv. Clémence:* Cala sua boca! Sua desgraçada! Íamos construir um ninho de amor até você aparecer!
*Nelson:* Não íamos construir nada, Clémence.
*Adv. Clémence:* Você brincou comigo. Mas se não fica comigo, não fica com ela!
*Clémence aponta para Aura. Nelson imediatamente se coloca à frente dela para protegê-la.*
*Adv. Clémence:* Sai da frente! Você é meu; só meu!
*Nelson:* Para matar ela, vai ter que me matar primeiro.
*Aura:* Sai da frente, Nelson. Por amor!
*Adv. Clémence:* Sai! Eu não estou brincando!
*Nelson:* Não. Ela vai ter que me matar. Me mata, sua inútil! Me mata de vez!
*Aura:* Para! Você está incitando ela!
*Nelson:* Dane-se! Clémence é uma inútil até pra disparar! Fracassada! Iludida!
*Enquanto Nelson xinga Clémence, ela se desequilibra emocionalmente, ficando completamente louca. Com seu rosto suado e olhos arregalados, balança a cabeça enquanto mira nele. As falas de Nelson martelam em sua mente, deixando-a cada vez mais transtornada. Ao atingir seu limite, ela atira três vezes. Nelson e Aura se encaram por um instante. Então ele cai no chão, com a mão no peito. Aura se desespera e se ajoelha ao lado dele.*
*Aura (Gritando):* NÃO! NELSON, NÃO! MEU AMOR, NÃO!
*Clémence corre até ele, desesperada.*
*Adv. Clémence:* Nelson, meu amor... reage, eu imploro!
*Aura (Pra Clémence):* Não dá tempo! Fuja enquanto pode!
*Adv. Clémence:* Eu não vou te deixar sozinha com ele.
*Aura:* Vá embora! Você vai acabar presa!
*Nelson (Sussurrando entre tosses de sangue):* Vá... Clémence... Obrigado por tudo.
*Adv. Clémence (Soluçando):* Meu amor... me perdoa... eu não queria...
*Clémence foge em prantos. No chão, Nelson permanece semi-inconsciente. Aura chora intensamente com as mãos no rosto dele. Ele deitado em seu colo.*
*Aura:* Você vai ficar bem. Por favor, reaja!
*Nelson:* Você foi a única mulher que eu amei... e sempre vou te amar. Eu te amo, minha Aura. Eu te amo... eu te amo... eu te amo... eu te amo...
*De repente, ele fica em silêncio. Sua mão cai no chão. Aura se desespera ao perceber que ele já não respira.*
*Aura:* Nelson, meu amor... acorda, por favor... não... não...
*Aura então grita em meio ao choro. Ela tenta reanimá-lo, balançando seu corpo. Suas mãos estão cobertas de sangue. Nelson fica inconsciente.*
> FIM DO VIGÉSIMO NONO CAPÍTULO
