Viver Sem Amanhã - Capítulo 28
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 28 (03/06/2026)
[MANSÃO MEDRANO/HALL/ENTARDECER]
*Clémence se levanta, seguida de Hera. Aura está com os olhos marejados, desesperada.*
*Aura:* Não vai explicar por que essa mulher está aqui?
*Hera:* Amiga, tenha calma. Vamos conversar.
*Adv. Clémence:* Calma? A Hera nunca foi sua amiga, Aura. Ela está comigo nesta batalha para garantir que o Nelson seja apenas meu, por direito. E você? Você vai ter que se acostumar com o vazio e com os travesseiros quando ele, finalmente, estiver ao meu lado.
*Hera:* Clémence, agora não... por favor.
*Aura:* Hera, é verdade? Eu fui tão ingênua por tanto tempo?
*Hera muda de expressão instantaneamente e ri abertamente junto de Clémence.*
*Hera:* Eu sinto nojo de você. Detesto cada Medrano que respira. E já que não preciso mais esconder quem eu sou... cansei de fingir ser a boazinha, sua burra.
*Adv. Clémence:* Acabou, boneca. Você foi um anta tapada... confiou em quem não devia. Sinto pena. Agora está aí sem ninguém, Aura. E vai ficar sem o Nelson também.
*Aura:* No Nelson você não toca. Antes eu acabo com você.
*Aura esbofeteia Clémence, que cai no sofá, atônita.*
*Hera:* Pare de surtar e desperdiçar lágrimas numa realidade que você nunca será capaz de mudar. Você não é páreo pra minha aliada; ela é a norma, você não passa do desvio. Sua existência é um erro que se repete, uma sucessão de falhas que você insiste em chamar de vida.
*Aura se vira e esbofeteia Hera repetidamente até que ela caia ao lado de Clémence.*
*Aura:* Eu tenho nojo das duas! Desgraçadas!
*Hera:* Sua maldita... eu vou quebrar seus dentes...
*Aura:* Minha lealdade foi um investimento valioso numa alma tão falida. Devolvo seu dinheiro não como um favor, mas como um expurgo: farei questão de manchar cada moeda com tamanho nojo que sinto, pois sua presença é uma mácula que eu não suporto carregar. Espero que você morra no inferno. Gente da sua laia não merece nada, traidora imunda.
*Aura aponta para Clémence.*
*Aura:* Nelson não é um prêmio de consolação para curar suas feridas; é o meu marido. Não confunda minha retidão com fraqueza. Eu jamais me sujeitaria à baixeza de deitar-me com um homem sobre uma mesa de escritório apenas para ferir um casal, movida por inveja e despeito. Nosso casamento é o ponto final da sua obsessão, uma vitória que você terá o desprazer de assistir de camarote, para sempre confinada ao papel de espectadora.
*Clémence levanta-se furiosa, ficando cara a cara com Aura.*
*Adv. Clémence:* Destruir você será um ajuste necessário. Eu lhe dei a chance de recuar, mas você escolheu me confrontar. Saiba que eu não sou uma amadora; não desperdiço tempo com revanches, apenas finalizo tudo que começo. Prepare-se, pois seu erro foi acreditar que tinha lugar nesta história.
*Aura:* Se fui capaz de dobrar aqueles que me deram a vida, os monstros que chamei de pais, o que você acha que farei com duas cobras como vocês? A Aura que sentia piedade é um fantasma. Diante de você, hoje, ergue-se uma mulher que não recua, uma mulher que aprendeu a transformar ódio puro em estratégia de destruição. Clémence, você não está mais lidando com uma rival; está diante da sua própria sentença de morte. Está diante de uma mulher que a odeia profundamente.
*Hera também se levanta. Aura pega sua bolsa no sofá.*
*Aura (Para Hera):* Você acha que essa mansão lhe dá status? Querida, só revela o quanto você se perdeu tentando ser quem não é. Eu não preciso de títulos para ser dona deste lugar, pois nasci aqui, algo que você jamais entenderá. Por mais que meu pai esteja foragido, acusado de um crime hediondo, prefiro me aliar ao monstro da Leocádia a vê-la desfrutar de tudo. E guarde suas ilusões, Hera, porque a lama de onde você saiu está chamando, e eu farei questão de lhe dar o empurrão final. Você vai terminar diante de um prato de angu e limpando banheiro público, exatamente como deveria ter sido desde o princípio.
*Hera:* Você não vai me tirar tudo que conquistei com suor. Nelson a substituiu inúmeras vezes porque, para ele, você é um fardo seco, um capítulo encerrado. Você não representa ameaça para ninguém, muito menos para minha aliada, que possui vivacidade que falta na sua existência frustrada e sem graça. Você não tem conteúdo; é completamente insossa e fraca. Aceite: você sempre foi apenas uma opção disponível, até que ele encontrasse uma mulher superior. Oca por dentro, tosca por fora, nunca conseguiu oferecer nada além de amargura. Não foi capaz de segurar um filho no ventre. Depressiva!
*Aura:* Cala a boca, traidora!
*Aura esbofeteia Hera novamente, que sangra pela boca. Clémence se assusta.*
*Aura:* Eu mudei. O Nelson vai sair de lá e vocês vão assistir nossa felicidade sem poder fazer nada.
*Adv. Clémence:* Veremos. Com ele você não fica, nem que eu tenha que te matar.
*Aura:* Você não me impõe medo. Não mais. Vai morrer tentando, e nem assim vai conseguir impedir que eu e ele sejamos felizes. Não vai mais poder mantê-lo preso sob ameaças, já que seu comparsa segue foragido. Mulher podre.
*Aura cospe no rosto de Clémence e sai furiosa. Hera e Clémence se olham, apreensivas. Leocádia surge da sala de estar, rindo delas.*
*Leocádia:* Vocês são ingênuas se acham que ela vai se afastar do Nelson. Clemência, ele nunca será seu; conforme-se em ser mais uma fracassada da vida
*Hera:* Não se meta onde não foi chamada. Sua velha decadente pré-histórica.
*Adv. Clémence:* É Clémence. Eu me chamo Clémence Louise. A senhora deveria cuidar da própria vida e procurar métodos eficazes para combater rugas e linhas de expressão, além de estocar fraldas geriátricas. Ninguém pediu sua opinião. E, como fama corre rápido, a senhora não tem moral para querer palpitar em nada. Criminosa. Bandida. Estava dando depoimento anteontem, acusada de matar uma mãe e sua filha pequena. (Ri.)
*Leocádia se aproxima de Clémence, esbarrando em Hera, e olhando fundo no olho dela.*
*Leocádia:* E se eu dissesse que as matei? O que você acha que aconteceria com Leocádia de Andradas Medrano? Já que as autoridades deste país não se importam com Heras, nem com quem come angu. Eu sou uma mulher da elite, querida. Você jamais desfrutará dessa experiência. Nunca olharia para um presidiário sujo e criminoso, que provavelmente encabeça quadrilhas e facções, com outros olhos. Posso ter o homem que eu quiser, mesmo estando velha. Você é uma rampeira fantasiada de advogada, rastejando por um bandido que só ama minha filha. Medranos são de calibre pesado. E Clemências do seu feitio servem apenas como estampido de um tiro de festim: fazem barulho, mas não causam impacto algum. (Ri.)
*Adv. Clémence:* Você não é ninguém para falar comigo assim. E Deus não criou este mundo em cinco dias; tome cuidado. Sua filha vai sofrer por se meter com homem comprometido. Vou mostrar que sou profissional em jogos reais. Alerte-a, porque eu não tenho mais nada a perder. E, caso tente entrar no meu caminho, senhora, eu vou te dilacerar viva com minhas próprias unhas. De igual para igual, você é fichinha. Velha da buceta suja.
*Leocádia:* Lamentável. Ameaças de uma rejeitada são apenas música pros meus ouvidos. Agora, saia da minha mansão. Vaza. Já estou cansada da sua vulgaridade exalando no ar.
*Hera:* Eu sou dona daqui! Você não expulsa ninguém.
*Adv. Clémence:* Eu já vou, Hera. Mas um último recado para essa senhora: não desafie Satanás. Vigie sua filha, ou ela pode sofrer um 'acidente' dependendo do meu humor.
*Clémence se retira enquanto Leocádia debocha dela.*
[RUAS DE SÃO PAULO/CALÇADA/ENTARDECER]
*Démeter e Bosco saem de uma delegacia de polícia.*
*Bosco:* Eles vão tomar as medidas cabíveis. Agora, basta aguardar a identificação dos agressores.
*Prof. Deméter:* Sim, meu amor. Durante muito tempo, achei que não pudesse confiar na justiça, mas agora compreendo que as autoridades estão agindo em nosso benefício.
*Bosco:* Fico feliz. É lamentável que, em pleno século vinte e um, algumas pessoas ainda não entendam que pessoas do mesmo sexo podem se relacionar. Mas Ainda bem que o STF reconheceu a homotransfobia como forma de discriminação equiparada ao crime de racismo, criando uma importante proteção contra esse tipo de preconceito, não é mesmo?
*Prof. Démeter:* Claro. Mas eu sempre digo: quem nunca vivenciou isso dificilmente vai entender. Então, infelizmente, muitas pessoas xucras que costumam frequentar ambientes cristãos e creem veementemente em Jesus vão nos atacar. Porque, na cabeça delas, somente a fé importa, e ainda se orgulham de sua ignorância.
*Bosco pega na mão de Deméter. Eles param por um instante e se olham.*
*Bosco:* Não precisa se sentir assim. Um dia, nós vamos vencer o preconceito. Confie em mim.
*Prof. Deméter:* Tudo bem... você tem razão.
*Deméter e Bosco voltam a andar de mãos dadas.*
[MANSÃO MEDRANO/HALL E ESCADARIA]
*Irlanda e Ulisses voltam pra mansão. Leocádia e Hera, imóveis no lugar, observam. Ulisses beija Irlanda antes de se afastar.*
*Ulisses (Ignorando as duas):* Vou subir para um banho. Estou precisando.
*Irlanda:* Vá lá, meu amor.
*Ulisses sobe as escadas. Irlanda ri, mas logo fica completamente séria. Então, tira dois cartões de casamento da bolsa e entrega a Leocádia e Hera.*
*Hera:* O que é isso? Não celebro o sucesso de mendigos. Vou adorar ver você quebrar a cara quando ele a trair novamente. Afinal, toda corna nasceu para morrer corna.
*Leocádia:* Você não será feliz com meu filho. Eu jamais aceitarei uma criada na família.
*Irlanda:* Vocês não me afetam. Parem de destilar veneno e evoluam. Olha, foram as primeiras convidadas porque quero que testemunhem que todas as tentativas de nos destruir fracassaram. Vocês falharam miseravelmente. São duas carcaças vazias, incapazes de cultivar um pingo de amor no coração.
*Hera:* Pensei que ele tivesse desistido. Ele vai mesmo se arriscar com uma aidética periférica e sebosa como você? Ele sabe dos riscos de te comer? De gozar com você?
*Irlanda:* Sabe. Diferentemente de você, eu não precisei de artimanhas para tê-lo ao meu lado. Você nunca significou nada pro Ulisses, nem para qualquer outro homem. Você desperta desejo e atração, mas não amor. Os homens só a querem por uma noite, por você ser bonita e atraente. Nada além. Cobalto talvez tenha amado você, mas você conseguiu feri-lo de uma forma cruel. No fim, terminará na ruína: sem amor, sem dinheiro e sem alma. Apenas carne morta envolta num vestido de grife.
*Leocádia:* Você fala como se estivesse tão segura... Queridinha, cedo ou mais tarde, você voltará pro barro. Vai acabar comendo angu, como sempre deveria ter sido.
*Irlanda:* E a senhora vai continuar sendo essa velha oca e ressentida, trocada por quarenta anos e odiada pelos próprios filhos. Nunca foi valorizada como mãe nem como esposa. Um lixo de mulher. Bom, eu quero as duas lá para testemunharem nosso amor. Se forem decentes, apareçam. Se forem acovardadas, fujam. E agora eu entro e saio pela porta principal como a nova esposa de um Medrano. E vocês terão que me engolir.
*Irlanda ri, e sobe as escadas. Leocádia fica furiosa.*
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/NOITE]
*Nelson e Aura estão de pé, ele toca o rosto dela com as mãos.*
*Nelson:* O que fizeram com você? Por que está com arranhões e feridas nos braços e no rosto?
*Aura:* Me apedrejaram ontem na saída do apartamento, acusando-me de ser cúmplice do meu pai. Mas já não vem mais ao caso. Nelson, você precisa tomar cuidado. Hera e Clémence estão juntas. Elas confessaram tudo há pouco.
*Nelson:* Então a Hera nos traiu?
*Aura:* Sim. E agora preciso devolver todo dinheiro e nosso plano pode ir pelo ralo.
*Nelson:* Devolva. Nossa última alternativa é mentir pros detentos. Quase todos estão comigo. Trinta mil não faz tanta diferença.
*Aura:* É arriscado, você tem certeza?
*Nelson:* Sim. Confia em mim. Não quero ficar mais nem um mês longe de você.
`Música: "Como Mirarte" (Sebastian Yatra)`
*Nelson beija as mãos de Aura, olhando nos olhos dela.*
[ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA/NOITE]
*Clémence surta e quebra tudo ao redor: revira mesa, joga pastas laptop no chão, esmurra as paredes. Ela grita ‘Nelson!’, completamente descabelada e fora de si.*
*Adv. Clémence:* Desgraçada! Você não vai ficar com ele! Eu vou te matar!
*Clémence pega a arma que Hera lhe deu e atira na porta, gargalhando.*
[CATIVEIRO/NOITE]
*Baal permanece preso no cômodo sujo, seu corpo inteiro coberto de sangue seco e fresco. Cortes profundos no peito e nos braços ainda vazam lentamente. Seu rosto está coberto de larvas. Hera surge de outro cômodo carregando um machado. Ela aperta a coroa de espinhos na cabeça dele.*
*Hera:* Encontrei um brinquedinho novo pra gente estrear, mestre.
*Baal:* Anda logo, sua vagabunda, filha da puta. Me mata de uma vez, porra.
*Hera (Sorrindo):* Não… ainda não. Antes você vai sofrer muito mais.
*Ela se aproxima devagar, ergue o machado bem alto e desce nas pernas dele. Som molhado de ossos quebrando ecoa no ambiente. As pernas de Baal são cortadas no mesmo instante. Os fêmures explodem para fora, rasgando carne e calça, saindo em pontas brancas e irregulares. Sangue jorra quente e abundante, formando uma poça grossa no chão quase imediatamente. Baal grita rouco e desesperado, mas logo solta um gorgolejo sufocado. Ele convulsiona, engasgando no próprio sangue, tossindo e cuspindo jatos vermelhos enquanto lágrimas escorrem pelo rosto. Sem dar chance de ele respirar, Hera levanta o machado de novo e acerta outras duas vezes, ainda mais violentas. As pernas dele quase se soltam do corpo, ficando penduradas por tiras de carne e tendões rasgados. Jatos grossos de sangue arterial saem em arcos, espirrando nas paredes e no chão. Baal já não consegue gritar. Só emite um ronco molhado e rouco, seu corpo tremendo em espasmos fortes. Os olhos reviram, baba rosada e sangue escorrem sem parar da boca aberta. Seu rosto está irreconhecível de tanta dor. Hera joga o machado no chão. Ela se aproxima, agacha-se diante dele e segura seu queixo, forçando-o a encará-la, quase desmaiando, babando e sangrando profusamente.*
*Hera:* Tá gostando da sessão, seu desgraçado? Olha pra você agora… um monstro por fora, exatamente como sempre foi por dentro. Agora arda no inferno, Baal Medrano.
*Ela cospe no rosto dele e se levanta, admirando todo estrago enquanto muito mais sangue se espalha pelo chão. Sem resistir, Baal acaba morrendo.*
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 28 (03/06/2026)
[ESTRADA/CRATERA/NOITE]
*Uma senhora caminha próximo à cratera onde Setembro caiu e ficou preso. Ela é uma andarilha e está acompanhada de seu cachorro. De repente, o cachorro começa a latir e farejar, como se procurasse algo. Ele corre até a borda da cratera e fica agoniado, olhando pra baixo.*
*Mulher:* Ei, Bob. Volte aqui.
*O cachorro para de repente e não obedece, mesmo aos chamados dela. Intrigada, a mulher se aproxima da borda da cratera. Mal dá dois passos e seu rosto se contorce: um forte cheiro de decomposição atinge suas narinas. Ela acende uma lanterna e aponta para baixo. Então se choca ao avistar o corpo de Setembro. A câmera desce lentamente, fechando nele. O cadáver está coberto por larvas de varejeira que se movem sem parar. Grandes áreas da carne já entraram em estado avançado de necrose, revelando cavidades profundas e tecidos liquefeitos. Alguns ossos permanecem expostos. O crânio está quase totalmente à mostra, com a arcada dentária visível, conferindo-lhe uma aparência grotesca de caveira. Parte do corpo jaz sobre as rochas pontiagudas, enquanto a outra metade permanece suspensa, sustentada por fragmentos de roupa e pele. Ao reconhecer o que restou de Setembro, a mulher grita. Suas pernas fraquejam. Ela cai para trás, deixando a lanterna escapar de suas mãos. O objeto despenca lá embaixo na escuridão.*
*Mulher:* Vamos, Bob! Precisamos pedir ajuda!
*Ela pega o cachorro nos braços e sai correndo dali, apavorada.*
[IGREJA/ENTRADA/TARDE]
*Três semanas depois. Na entrada da paróquia, Hera e Aura se reencontram.*
*Aura:* Não compreendo o que veio fazer aqui depois de tudo que causou. Falta-lhe decência?
*Hera:* Sou uma convidada oficial. Logicamente compareceria e não pretendo sair por um capricho seu.
*Aura:* Você não tem direito de estar aqui. A Irlanda é o oposto de tudo que você representa. Você é uma desgraçada.
*Hera:* Meça bem suas palavras.
*Aura:* Ou o quê? Acabou, Hera Von Zale. Sem o Baal, seu poder evaporou. Aceite que agora você é apenas uma mera fracassada. Você nunca mais ferirá ninguém.
*Aura entra na igreja. Hera permanece tensa até ser abordada por Bosco e Deméter, que estão chegando.*
*Bosco:* Hera... veio tentar estragar mais um casamento?
*Prof. Deméter:* É impressionante seu desplante. Como consegue aparecer aqui após tantas atrocidades? Não lhe resta um pingo de moral?
*Hera:* O twink e seu sugar daddy pretendem me dar lições de moral? Um pederasta sujo acompanhado do viadinho ansioso que se cortava. Coloquem-se em seus lugares.
*Prof. Deméter:* Suas ofensas não têm peso. Me espanta que a Irlanda, em sua infinita bondade, tenha lhe estendido um convite. Você é um monstro e este não é seu lugar.
*Hera:* É curioso como defendem a aidética desgraçada e porca da Irlanda. Em outros tempos, pessoas como vocês estariam soterradas devido ao preconceito.
*Bosco:* Você é tão podre que me causa repulsa física.
*Eles entram, deixando Hera para trás, que fica furiosa. Fade out. O noivo aguarda no altar. Os convidados já estão de pé. Irlanda entra sob olhares atentos, acompanhada por um desconhecido. Ela olha pras pessoas, rindo. Ao ver Hera e Leocádia, seu semblante endurece. Ao subir ao altar, troca risos com Ulisses. O homem se senta. Então o padre começa.*
*Padre:* Estamos reunidos para celebrar a união matrimonial deste homem e desta mulher.
*Ulisses e Irlanda se olham, emocionados, e lacrimejam.*
*Padre:* Ulisses, você aceita esta mulher como sua esposa, prometendo amá-la e respeitá-la todos os dias de sua vida?
*Ulisses:* Aceito... e aceitaria mil vezes.
*Padre:* E você, Irlanda, aceita este homem como seu esposo...
*Quando Irlanda vai responder, vários disparos ecoam do lado de fora. Os convidados se assustam e se levantam rapidamente, olhando ao redor sem entender. De repente, Solano entra na igreja e atira no padre. O padre cai imediatamente diante do altar. As pessoas gritam, algumas se abaixam, outras tentam correr. A batina do padre, que era branca, agora está vermelha, coberta de sangue. Irlanda chora, completamente em choque. Solano fecha as portas da igreja sem demonstrar pressa. Armado, ele caminha lentamente entre os convidados. Está sujo, desalinhado, rosto abatido e roupas amarrotadas. Ele segura uma arma enquanto encara as pessoas, espalhando ainda mais medo pelo salão.*
*Solano:* Ninguém se mexe! Ou eu mato todos!
*Leocádia se apavora e se levanta, com o rosto transfigurado pelo pavor.*
*Leocádia:* Eu preciso sair... adeus... não posso ficar mais aqui!
*Num surto de desespero, Leocádia tenta sair, mas Solano a segura pelo braço.*
*Solano:* Você não vai sair daqui.
*Leocádia olha pra cara de Solano e começa a berrar.*
*Leocádia (Gritando):* ME SOLTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
*Ela entra em colapso enquanto é jogada de volta ao banco. Solano chega ao altar e obriga os noivos a se sentarem entre os reféns.*
*Solano:* Hora da verdade. Não vou mais acobertar ninguém. Preparem-se para saber tudo que Hera Von Zale e Leocádia De Andradas fizeram.
*Todos começam a cochichar, enquanto encaram Hera e Leocádia com evidente reprovação. Ulisses fica confuso.*
> FIM DO VISÉGIMO OITAVO CAPÍTULO
