Viver Sem Amanhã - Capítulo 26

 


*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 26 (01/06/2026)

[CATIVEIRO/NOITE]

*Hera e Baal se encaram num embate tenso. Ela o força a ingerir comprimidos para estancar a hemorragia, garantindo que ele sobreviva para sofrer ainda mais. Em seguida, amarra um torniquete em um de seus braços.*

*Hera:* Eu sou filha de Cipriana e Isaías Moraes. Sou irmã de Selva Moraes.

*Baal:* Eu sequer me lembro da existência deles. Foram meros detalhes no meu caminho.

*Hera (Gritando):* É compreensível. Para um maldito carniceiro que dizimou centenas, nomes são apenas ruído. Mas você não foi meu único alvo, Baal. E agora... (Ri.)

*Baal (Interrompendo):* Afaste-se da minha família.

*Hera:* Eu sinto nojo da sua família. Mas, por ironia, eu amava o Cobalto. Ele foi o único homem da minha vida, mas sua maldade impediu que fôssemos felizes.

*Baal:* Não me culpe se ele era um fraco, um emocionalmente instável que sucumbiu ao primeiro erro.

*Hera:* Silêncio, seu verme!

*Hera esbofeteia Baal, ele olha para ela rindo.* 

*Baal:* Ridícula! Eu tenho dó de você!

*Hera:* Ah, é? Então saiba que ainda não terminei de destruir sua linhagem. Fui eu quem provocou o aborto de Aura e quem contratou Clémence para te enlouquecer. E isso é apenas o começo. Meu próximo passo é fazê-la executar Aura Medrano, sem que eu precise sujar as mãos de sangue. Aliás, neste ponto, você deveria me aplaudir, mestre. Afinal, eu apenas faço o que aprendi com você: manipulo as pessoas. Foi assim que o induzi a eliminar Saúl Medrano.

*Baal se contorce em fúria, tentando se soltar.*

*Hera:* Não sei se chegou ao seu conhecimento, mas fui eu quem expôs um vídeo íntimo do Bosco na universidade. Você é um pai tão desprezível que sequer percebeu o próprio filho afundando em desespero. Por minha causa, ele tentou tirar a própria vida, cortando os pulsos. Também me deitei com Ulisses inúmeras vezes. Não por desejo, mas pelo prazer de assistir pai e filho se destruindo. Como vocês já eram incapazes de conviver em paz, resolvi dar um pequeno empurrão. Eu o droguei para que tentasse matá-lo. E isso está longe de ser tudo. Eu o levei à falência. Destruí sua quadrilha. Roubei seu dinheiro. Envenenei sua relação com Leocádia de Andradas. Sua família desmoronou por minha causa. Olhe para si mesmo. Seus filhos provavelmente já não se importam se você vive ou morre. Para eles, você não passa de um carniceiro amaldiçoado. O que foi? Está incomodado? Não está gostando do exposed?

*Baal:* Eu juro que vou acabar com você! Maldita!

*Hera:* Grite. É só o que lhe resta, seu verme.

*Hera aperta ainda mais o torno de bancada, esmagando a mão de Baal. Ele urra de dor enquanto sangue escorre por seu abdômen, cobrindo a frase escrita em sua barriga. Sem demonstrar qualquer hesitação, ela deixa o cômodo e retorna momentos depois com um alicate enferrujado nas mãos.*

*Hera:* Está vendo este torniquete? Trouxe um presente para você. Que tal brincarmos do seu passatempo favorito? Desmembrar. Sei que você curte, amor.

*Baal:* Me mata logo! Um dia eu te encontro no inferno, maldita!

*Hera segura firme a mão de Baal contra o chão e começa a decepar seus dedos com o alicate, um por um. Sangue jorra aos poucos, quente e viscoso. Baal grita alto, o corpo se contorcendo violentamente de dor, os olhos arregalados de terror. Ao olhar pra mão mutilada, reduzida a um coto ensanguentado, ele entra em completo desespero. Então, Hera pega a faca caída no chão, encosta-a em sua orelha e a corta lentamente. Ela a segura por um instante, ainda pingando sangue, e a enfia à força na boca de Baal. Ele engasga, tosse e se debate desesperadamente, sentindo o gosto do próprio sangue.*

*Hera:* Coma essa porcaria, seu animal.

*Ela ri na cara dele e caminha pra saída.*

*Hera:* Apodreça aí ao lado do seu súdito inútil. Na próxima sessão, trarei um ferro de marcar. Todo gado precisa da marca do seu dono. 

*Hera sai, enquanto Baal se debate na tentativa de se soltar.*

[MANSÃO MEDRANO/HALL/NOITE]

*Leocádia entra na mansão, carregando duas malas. Joga a bolsa no sofá e observa tudo ao redor.*

*Leocádia:* Finalmente, estou de volta ao meu império. Vou retomar cada centímetro do que me pertence. E você vai apodrecer numa cela, seu miserável.

*Leocádia ri e pula de felicidade.*

[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/MANHÃ]

*Dia seguinte. Aura chora e Nelson a consola, abraçados.*

*Aura:* Eu precisava de você. Estou destruída.

*Nelson:* O que aconteceu, meu amor? Sabe que pode contar comigo.

*Aura:* Meu pai está sendo acusado de tráfico de órgãos e encontra-se foragido. Ele pode ser preso a qualquer momento. Foram divulgados vídeos dele em uma clínica clandestina envolvida nesse esquema.

*Nelson:* Eu sinto muito, meu amor. Mas eu já sabia. E seu pai realmente é um traficante de órgãos.

*Aura:* O quê? Por que não me contou antes?

*Nelson:* Eu queria te poupar de todo sofrimento. No dia do casamento, fui à empresa, mesmo ele tendo me dito para não ir. Lá, eu o ouvi conversando com um homem sobre compradores e vítimas. Foi por isso que acabei aqui. E, se eu não fizer nada para sair daqui, vou morrer neste lugar. Toda a justiça está corrompida por ele.

*Aura:* Meu Deus... sinto-me derrotada. Meu próprio pai matando inocentes...

*Nelson:* Não chore. Seu pai é um monstro que nunca amou ninguém. Ele só me usou como bode expiatório.

*Aura:* Você sofreu demais nessa história. É difícil acreditar que ele construiu sua fortuna derramando sangue de inocentes e alimentando a dor de tantas famílias. Agora, é apenas um foragido da polícia. Um monstro que finalmente terá de enfrentar as consequências dos próprios crimes.

`Música: "Como Mirarte" (Sebastian Yatra)`

*Aura entra em desespero, descabelando-se e perdendo o equilíbrio. Nelson a envolve nos braços e a mantém firme contra o peito.*

[MANSÃO MEDRANO/HALL/MANHÃ]

*Hera retorna à mansão e encontra Leocádia, que se coloca em seu caminho com autoridade.*

*Leocádia:* O que faz aqui? Saia da minha mansão agora!

*Hera:* Sua? Seu marido está foragido e eu ficarei aqui até quando bem entender.

*Leocádia:* Você se confunde, querida. Ter acesso à cama dele não lhe confere título de proprietária. Eu sou o alicerce; você, apenas a rachadura na parede que eu vou selar agora. Divórcio é um papel que nunca assinei porque, para mim, você nunca foi real. Apenas uma invasora, uma oportunista, que o tempo, e eu, vamos apagar.

*Hera:* Continue recitando esse roteiro decadente, Leocádia. Enquanto você se apega a papéis e memórias, eu me apodero do legado. Baal pode ter fugido do mundo, mas não escapou das minhas correntes. E enquanto ele respirar sob meu comando, cada centavo, cada palmo de terra, continua sendo meu. Desperta, sua múmia flácida e acabada. 

*Leocádia:* Vem cá... você realmente se sente segura do que diz, querida? A fortuna dele tem dona, e não é você. Quando a terra o reclamar, você descobrirá que o único lugar que lhe resta é o esgoto, com um prato de angu em mãos. (Ri.)

*Hera:* Mas onde ele está, o que ele assina e o que ele teme... tudo tem a minha assinatura. Você é uma relíquia tentando impedir o avanço de uma tempestade. Não sinto medo, Leocádia. Sinto apenas seu desespero.

*Leocádia:* Desespero é o nome do seu futuro. Você acha que joga xadrez, mas mal sabe segurar as peças. Eu não venho para uma briga, venho pro xeque-mate. Seu erro não foi me desafiar, foi achar que eu precisaria de esforço para te destruir.

*Hera:* Dê o bote, então. Mas saiba: quem se arma de ódio demais esquece de olhar pro próprio pescoço. Você se julga a caçadora, mas, no meu jogo, cobras como você acabam virando apenas troféus empalhados na minha estante.

*Leocádia:* Palavras não calam quem tem poder de te eliminar. Guarde sua saliva; você vai precisar para implorar misericórdia quando eu terminar com você.

*Hera:* Eu admiro sua prepotência, sabia? Pena que não serve de nada, sua fracassada!

*Hera sobe as escadas e Leocádia, num surto de raiva, quebra vasos de vidro pela sala.*

[HOSPITAL/QUARTO DE ULISSES/TARDE]

*Irlanda observa Ulisses despertar na maca.*

*Irlanda:* Meu amor, você acordou.

*Ulisses (Gaguejando):* Eu pensei que fosse morrer. Meu próprio pai tentou me matar...

*Irlanda:* Calma. Ulisses... Você precisa saber. O seu pai é pior do que pensávamos. 

*Ulisses:* O que aconteceu? Diz logo!

*Irlanda:* Baal Medrano está foragido... acusado de tráfico de órgãos.

*Ulisses:* Como? Então todo dinheiro dele veio...

*Irlanda:* Ao que tudo indica... sim.

*Ulisses:* Não posso acreditar que minha vida tenha sido uma mentira. Irlanda, me perdoe por todo mal que te causei, eu estou arrependido.

*Irlanda (Rindo):* Não há o que perdoar, meu amor. Eu sofri muito quando te vi prestes a morrer. Você vai ser papai. Vamos criar nosso filho juntos.

*Ulisses:* Um filho? Você está falando sério?

*Irlanda:* Sim... papai do ano.

*Ulisses:* Obrigado, meu Deus. Eu jamais farei com ele o que fizeram comigo.

*Irlanda:* (Ri.)... Mas agora precisamos conversar seriamente. Eu nunca te traí, Ulisses. Na noite em que saí com Hera, fui dopada e violentada por alguém. Tenho quase certeza de que essa pessoa era portadora de HIV. Era impossível eu ter contraído o vírus de outra forma que não fosse por meio daquela violência. Ela planejou tudo. Ela é um monstro.

*Ulisses:* Eu fui amante dela e caí em seu jogo. Tenho certeza de que ela estava me drogando para conseguir algo, embora eu não saiba exatamente o quê. Ela arruinou nossas vidas. Mas esqueça ela... Eu amo apenas você. Irlanda, quando eu sair daqui, você aceita se casar comigo?

*Irlanda:* Eu aceito. Claro que aceito. Nunca deixei de te amar. Vamos recomeçar do zero, meu amor.

`Música: "Quem De Nós Dois" (Laura Pausini)`

*Eles se abraçam, emocionados.*

[RUAS DE SÃO PAULO/CALÇADA/ENTARDECER]

*Aura sai do presídio e é cercada por pessoas com pedras nas mãos.*

*Vozes:* Olhem a filha do assassino! Carniceira! Cúmplice! Onde estão as vítimas? 

*Aura:* Parem! Eu repudio tudo que ele fez! Não tenho culpa de nada!

*Vozes:* Você vai morrer! Assassina! Apedrejem ela!

*As pessoas começam a apedrejá-la enquanto ela grita, implorando para que parem. As pedras a atingem, ferindo seu pescoço, seus braços e sua testa. Desesperada, ela consegue entrar no carro. Mesmo assim, a multidão continua atirando pedras contra o veículo. Aura arranca lentamente, cercada pelos agressores, que a perseguem batendo nas portas do carro. De repente, um homem lança uma pedra contra uma das janelas, estilhaçando o vidro instantaneamente.*

[CASA DE DEMÉTER/SALA/NOITE]

*Deméter e Bosco estão sentados no sofá. Bosco está nos braços dele. Ambos estão sem camisa, assistindo à TV.*

*Prof. Deméter:* Seu pai é um homem desprezível, meu amor.

*Bosco:* Eu sabia que ele era ruim, mas não imaginava tamanha crueldade.

*Prof. Deméter:* Precisamos nos prevenir. Ele é extremamente perigoso.

*Bosco:* Eu sei. Ele deve estar movendo céus e terra para fugir do país.

*Prof. Deméter:* Mas nada vai nos acontecer. Confie em mim. Você está seguro aqui. Eu vou te proteger sempre.

*Eles se beijam, mas logo focam na TV.*



*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 26 (01/06/2026)

[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE LEOCÁDIA/COZINHA/NOITE]

*Leocádia sai do banho e olha pela janela. Na cozinha, Hera pega uma faca. Ela anda pelos corredores com passos lentos e entra no quarto de Leocádia com cautela. Ela caminha devagar até a rival, que está de costas e, no momento em que tenta esfaqueá-la, Leocádia reage rapidamente, derrubando-a. A faca cai longe.*

*Leocádia:* Desgraçada. Queria me matar? Eu vou te dar uma lição. O Baal não terminou, mas eu vou.

*Leocádia monta em cima de Hera.*

*Hera:* Velha decrépita, você está no fim da linha. Nojenta e acabada. Não serve para mais nada.

*Leocádia:* Eu vou te mostrar do que essa velha nojenta é capaz.

*Leocádia desfere três bofetadas em Hera. Levanta-se e a arrasta pelos cabelos.*

*Leocádia:* Vem, cadela. Não tente nada, vai ser pior pra você.

*Hera:* Solta meu cabelooooo.

*Leocádia a expulsa do quarto.*

*Leocádia:* Fica aí no chão. É seu lugar, puta vigarista.

*Leocádia fecha a porta na cara de Hera.*

*Hera:* Vai se arrepender. Velha baqueada. Nojenta. . Nunca vai ser jovem como eu novamente. Já virou bagaço. Velha derrotada. Na sua idade, o máximo que você merece é um sofá e novela. Eu ainda vou te matar. 

*Leocádia ignora. Hera permanece em surto no corredor.*

[UNIVERSIDADE/BANHEIRO/MANHÃ]

*Dia seguinte. Deméter e Bosco estão lavando as mãos.*

*Bosco:* As pessoas estão olhando diferente para nós dois.

*Prof. Deméter:* Nós não temos culpa se seu pai decidiu ser um monstro, nem que nos apaixonamos.

*Bosco:* As pessoas não entendem.

*Deméter seca as mãos e o prensa na pia.*

*Prof. Deméter:* Agora vamos deixar seu pai e as pessoas de lado. Lembra do nosso primeiro beijo?

*Bosco:* Tudo aconteceu tão de repente. Se você não tivesse arriscado, nem estaríamos aqui agora.

*Deméter aproxima o rosto do pescoço de Bosco*

*Prof. Deméter:* Ah, é? Interessante.

*Bosco:* É. Saiba que vou estar ao seu lado pelo resto de nossas vidas. Eu te amo muito.

*Prof. Deméter:* Vai se sujeitar a conviver com um velho mesmo?

*Bosco:* Um velho que eu amo. E vou amar sempre.

`Música: "Let The World Burn" (Chris Grey)`

*Eles se beijam. Deméter mantém Bosco pressionado na pia.*

[MANSÃO MEDRANO/HALL/MANHÃ]

*Aura entra para falar com Hera. Elas se cumprimentam com beijos protocolares.*

*Hera:* Amiga, que bom te ver aqui.

*Aura:* Quem te agrediu? Seu rosto...

*Hera:* Não foi nada. Esqueça.

*Aura:* Finjo que acredito. Amiga, fui ao seu apartamento e não te encontrei. Imaginei que estivesse aqui.

*Hera:* Estou morando novamente aqui. Mas o que houve? Você parece aflita.

*Aura:* Eu não posso esperar. Hera, preciso de trezentos mil. Pode me emprestar? Prometo devolver.

*Hera:* Claro, amiga. Amigas são para essas coisas. Mas... tá tudo bem? 

*Aura:* Vou te contar pois confio em você. Eu e Nelson vamos fugir do país. Ele tramou um plano de fuga. Não podemos mais negar. Ele só sai de lá fugindo. Preciso do dinheiro para pagar os detentos que vão ajudá-lo.

*Hera:* É arriscado, mas vou te passar. Você está coberta de razão.

*Aura:* Sabia que podia contar com você.

*Elas se abraçam. Hera revira os olhos. Leocádia desce as escadas.*

*Leocádia:* Contemplem: a filha ingrata que se humilha por um bandido e a amiga oportunista, assassina e prostituta.

*Aura:* Mãe. Há quanto tempo. Nem assim você demonstra emoção. E o Nelson não é nenhum bandido.

*Leocádia:* Sem drama, Aura. É só me procurar e...

*Hera:* A senhora tem uma pedra no lugar do coração. Não imagino como existe alguém tão podre. Você é desprezível.

*Leocádia:* Eu? Mas quem tentou me esfaquear ontem à noite foi você.

*Aura:* O quê? Hera, você foi capaz?

*Hera:* Claro que não. Eu seria incapaz de matar uma mosca.

*Leocádia:* Mentirosa. Prepare-se para minha ira. Você vai pagar por tudo.

*Hera:* A senhora pode tentar o que quiser, só não esqueça que tudo é um vai e volta. Cuidado.

*Leocádia:* Chega. Cria vergonha na cara e aja. Vou buscar meus pertences no flat. Fiquem aí conspirando. Amo ser comentada. Cobraaaaassss.

*Leocádia imita uma serpente com a língua e sai.*

*Hera:* Essa mulher me dá nos nervos.

*Aura:* Aqui não é seguro para você.

*Hera:* Não se preocupe, amiga. Sei me virar.

*Aura:* Então está certo. Vou esperar, ok?

*Elas se despedem. Aura sai, esquecendo sua bolsa no sofá. Hera sobe as escadas sem notar.*

[GALPÃO ABANDONADO/TARDE]

*Os policiais avançam pela vegetação densa. Em seguida, entram em um galpão que Baal utilizava para manter suas vítimas em cativeiro. Armados, observam atentamente cada canto do local, mas logo constatam que ele já havia fugido.*

[HOSPITAL/QUARTO DE ULISSES/TARDE]

*Irlanda entra muito sorridente. Ulisses a observa, também sorrindo.*

*Irlanda:* Meu amor, o médico disse que você ganha alta hoje.

*Ulisses:* Finalmente. Vou voltar para casa e você vem comigo.

*Irlanda:* Ulisses... prefiro não voltar pra lá. Sem contar que ainda não nos casamos.

*Ulisses:* Vou reparar todo dano que te causei. Preciso que retome seu lugar como minha esposa.

*Irlanda:* Mas viver de novo lá só me trará lembranças ruins. E eu não quero compactuar com os crimes do seu pai.

*Ulisses:* Sei como se sente, mas você vai provar pra Hera que não é uma garota tola. Confie em mim. Vou te defender de todos. Eu te amo, Irlanda. Minha Irlanda.

*Irlanda:* Tudo bem. Aceito porque te amo, mas não estou contente.

*Eles se beijam. Irlanda se afasta, preocupada.*

*Irlanda:* Não devia ter acontecido. Não quero te contaminar.

*Ulisses:* Não se preocupe. O HIV não é transmitido pelo beijo.

*Então eles se abraçam, unidos.*

[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE HERA/TARDE]

*Hera caminha de um lado pro outro, ansiosa, e liga para Clémence.*

*Hera:* Alô, Clémence...

*Adv. Clemence:* Hera, que bom que ligou. Viu as notícias?

*Hera:* Dane-se o Baal. Ele já deve estar no inferno. Preciso te dizer que...

*Adv. Clémence:* O que? Seja breve.

*Hera:* Aura e Nelson estão te enganando. Me encontre na mansão em meia hora. Você está sendo feita de otária.

*Adv. Clémence:* O quê? Não... Ele não seria capaz.

*Clémence desliga e fica em choque.*

> FIM DO VISÉGIMO SEXTO CAPÍTULO