Viver Sem Amanhã - Capítulo 25
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 25 (29/05/2026)
[RUA/CALÇADA/NOITE]
*No exterior do edifício, Baal empurra Hera para dentro do veículo sob as ordens do motorista, que arranca bruscamente. Pouco depois, Ulisses sai do prédio, apenas de cueca, em estado crítico. Cambaleando, ele se apoia nas paredes, deixando rastros de sangue enquanto pressiona o próprio abdômen. Sem forças, cai no chão. Irlanda, que estava voltando para casa, avista-o, deixa sua caixa térmica cair e corre até ele em desespero.*
*Irlanda (Tocando o rosto dele):* Ulisses, meu amor. Fala comigo, pelo amor de Deus.
*Ulisses (Gaguejando):* E... eu te amo.
*Irlanda:* Meu amor, calma... tudo vai terminar bem. Vou chamar uma ambulância.
*Ulisses desmaia, deixando Irlanda em pânico absoluto.*
[GALPÃO ABANDONADO/NOITE]
*Eles entram. Baal arrasta Hera pelos cabelos e a joga no chão, no interior do local. Amedrontada, ela olha para ele caída no piso.*
*Baal:* Você entrou na minha vida, se fez de boa moça, quase me deixou falido e tentou me denunciar. Sua desgraçada! Confessa que fui expulso da quadrilha por sua causa.
*Hera:* Para, por favor. Eu posso explicar...
*Baal:* Ah, pode? Não aguenta mais?
*Baal caminha até um canto e pega um saco. Ele o vira no chão, e a cabeça do delegado Rolando cai. Hera grita, em choque. Em seguida, Baal remove o capuz de um homem amordaçado: o doutor Efraim.*
*Baal:* Quer uma prévia do que vai acontecer com você?
*Hera (Chorando):* Para, por favor...
*Baal:* Calada, Judas! Devia ter pensado antes.
*Efraim desperta lentamente, percebendo os pulsos amarrados. Baal o segura pelos cabelos com brutalidade e o arrasta próximo a uma parede de concreto. Sem demonstrar piedade, começa a golpear o rosto dele na parede repetidas vezes. Gotas de sangue espirram em Baal, até que Efraim perde as forças e cai morto no chão, completamente desfigurado. Baal encara Hera e solta uma risada fria.*
*Baal:* Sua vez, vadia.
*Hera:* Não... não! Para!
*Ele a esbofeteia com brutalidade.*
*Baal:* Vadia, maldita! Você vai dizer o que pretendia. Desgraçada!
*Do lado de fora, Graco e um capanga aguardam, agoniados.*
*Capanga:* Vamos entrar.
*Graco:* Ei, espera. Ainda não. O patrão disse para esperarmos aqui
*O capanga desvia o olhar. Num movimento súbito, Graco saca uma faca, avança por trás dele e o esfaqueia repetidamente na barriga, tapando sua boca com a mão. O homem cai no chão, cuspindo sangue e revirando os olhos.*
*Capanga (Desfalecendo):* De... desgraçado... maldito traidor...
*Após matá-lo, Graco entra silenciosamente no galpão pelos fundos, sem que Baal o veja. No interior, Hera se arrasta pelo chão, fraca, com cortes no rosto e sangue escorrendo pela boca e pelo nariz, quase sem forças.*
*Baal (Para Hera):* Você só brincou comigo. Eu acreditei nas suas promessas por muito tempo, mas acabou.
*Hera:* Me perdoa, Baal. Eu não sabia o que estava fazendo.
*Baal a levanta do chão pelo pescoço, usando as duas mãos, e a encara com frieza.*
*Baal:* Você teve chances de se redimir e não fez. Maldita.
*Ele a arremessa na parede. Já completamente ferida, Hera mal consegue se manter de pé. Baal se aproxima, agarra seus cabelos mais uma vez e desfere um soco brutal em seu rosto, fazendo sangue escorrer ainda mais. Ela cai no chão, semi-desacordada.*
*Hera:* Para! Eu não aguento mais, por favor!
*Baal:* Sua vadiazinha. Vou te mostrar o que faço com traidores.
*Baal desfere um chute no rosto dela. Hera cospe sangue no ar e tenta se arrastar pelo chão, ofegante e semiconsciente. Antes que ele continue, Graco surge e aponta uma arma para Baal.*
*Graco:* Parado! Deixe ela agora.
*Baal (Rindo):* Está me gozando, seu verme?
*Graco:* Estou mandando deixar ela. Eu vou atirar.
*Baal:* Você não seria capaz. É um fraco miserável, um incompetente. Só é o que é graças a mim. Eu te reciclei e enchi seu bolso de dinheiro, pobretão maldito.
*Graco:* Eu não vou repetir. Deixa ela.
*Baal:* Você não é capaz de...
*Ao perceber que Graco poderia atirar, Baal tenta sacar sua própria arma, levando a mão até na cintura. Antes que consiga, Graco dispara no braço dele. Baal grita de dor. Sem perder tempo, Graco avança e acerta uma coronhada violenta na cabeça de Baal. Ele cai no chão e desmaia. Em seguida, Graco corre até Hera e a ajuda a se levantar devagar. Assim que fica de pé, ela o abraça, chorando, apoiada com os braços em seu pescoço.*
*Hera:* Você é meu herói. Eu te amo.
*Graco:* Você está bem? Ele te machucou muito.
*Hera:* Não se preocupe. Agora amarra ele.
*Graco:* Não, Hera. Precisamos fugir do país. Se ele acordar, nos mata. Temos que sair daqui agora, antes que outros capangas cheguem.
*Hera:* Não. Você vai me ajudar a levá-lo para outro lugar.
*Graco:* Tudo bem. Eu tenho uma solução.
*Graco sai correndo. Hera encara Baal com repulsa enquanto ele permanece desacordado no chão. Pouco depois, Graco retorna carregando cordas e correntes. Juntos, eles as usam para prender Baal.*
*Graco:* E agora? Como vamos colocá-lo dentro do carro?
*Hera:* Nós não vamos. Vamos amarrar as pernas dele no engate do carro.
*Hera e Graco se encaram, preocupados.*
[HOSPITAL/CORREDOR/MADRUGADA]
*O médico aborda Irlanda.*
*Médico:* Senhora... preciso ser direto. O tiro atingiu órgãos vitais e ele perdeu muito sangue. Ele pode não resistir sem uma transfusão imediata de tipo O negativo.
*Irlanda:* Eu... eu também sou O negativo.
*Médico:* Então a senhora pode salvá-lo!
*Irlanda:* Doutor... eu... eu sou soropositivo.
*O médico para por um instante, assimilando.*
*Médico:* Entendo. Obrigado pela honestidade. Vamos buscar outra alternativa imediatamente.
*Irlanda:* Não, doutor! Eu posso doar e vou doar!
*Médico:* Isso se configura como crime. Eu não posso permitir.
*Irlanda:* Ninguém vai saber! Por favor!
*O médico se retira em silêncio. Irlanda, desesperada, chora enquanto toca sua própria barriga.*
[CATIVEIRO/NOITE]
*Num local remoto, eles prendem Baal de forma torturante: braços suspensos e pernas esticadas.*
*Hera:* Pronto. Concluímos.
*Graco olha pra fora de costas, apreensivo. Hera se abaixa rapidamente, pega a arma da cintura de Baal e a empunha.*
*Graco:* E agora? O que vamos fazer, meu amor?
*Quando Graco se vira, Hera rapidamente encosta o cano do revólver na testa dele. Ele se desespera.*
*Hera:* Eu... ainda não sei. Mas você vai fazer uma visita ao diabo. Babaca.
*Graco:* Abaixa essa arma. Não temos por que...
*Hera:* Desfrute muito, amorzinho. Paraísos não são para trastes do seu feitio. Maldito miserável medíocre.
*Hera dispara. Graco cai no chão, se contorcendo, com um enorme buraco na testa. Pedaços de cérebro extravasam do ferimento. Então, ela descarrega a arma no corpo dele. Triunfante, pisa no cadáver.*
*Hera (Rindo):* Todo homem é tão imbecil. Esse babaca achou mesmo que íamos fugir para viver uma história de amor? Maldito imbecil. Mil vezes ordinário.
*Ela chuta Graco e gargalha friamente.*
[APARTAMENTO DE AURA/SALA DE ESTAR/MANHÃ]
*Clémence bate à porta, sorrindo. Aura abre.*
*Aura:* O que está fazendo aqui? Vai embora. Não quero te ver nunca mais.
*Clémence entra com truculência, empurrando Aura.*
*Adv. Clémence:* Vim aqui te entregar seu pior pesadelo em primeira mão: aceita que você perdeu, meu amor. O Nelson é meu e vamos nos casar. Você realmente jurou que uma básica, cheia de imperfeição e sem um pingo de classe como você, ia conseguir fisgar meu homem? Acorda pra sua realidade, fofa. Para chegar aos meus pés e tentar disputar ele comigo, você vai ter que nascer de novo e, de preferência, com outra cara. (Ri.)
*Aura:* Felicidades para vocês, Clémence! Enquanto você acha que venceu uma guerra, eu já estou pronta pro meu próximo capítulo, pois sou livre para recomeçar minha história quando e como eu bem entender, sem precisar implorar pela validação de homem nenhum. Eu ainda vou viver um amor de verdade. Já você... boa sorte, porque você vai precisar de muita estrutura para aguentar o tranco. E não se assusta quando perceber que, na cama com você, ele ainda vai estar pensando em mim.
*Adv. Clémence:* Ele já te apagou da memória, darling. Mas eu entendo perfeitamente seu recalque: quando não se tem argumentos, resta apelar pro deboche de quem perdeu tudo. Engole sua derrota de uma vez por todas, fracassada. O Nelson finalmente acordou pra vida e trocou uma gorda depressiva e rejeitada por mim, uma advogada renomada e realizada. Ele agora está no caminho certo, no topo, e tem muito que desfrutar ao meu lado. Aceita que dói menos.
*Aura:* Até certo ponto você tem razão, ele realmente está no caminho certo... pro precipício. Porque eu duvido muito que ele aguente seu teatro por tanto tempo. Ninguém no mundo suporta viver condenado ao lado de uma vagabunda. Aliás, vamos dar nome aos bois, Clémence: você não passa de uma prostituta barata que se vendeu pelo menor preço. Me diz, restou algo da sua pose de advogada renomada depois que você comprou todos os homens a troco de sexo? Seu teto é de vidro, querida, e já começou a quebrar.
*Adv. Clémence:* Você realmente achou que suas ofensas baratas iam me atingir? Poupe-me, boneca. Nada que vem do lodo onde você habita consegue me tocar. Você vai ter que ralar muito e nascer em outra encarnação para tentar ser metade da mulher e da profissional que eu sou. Aceita que você vai morrer sendo exatamente essa insignificância de sempre. Eu e o Nelson vamos casar sim, e quer saber do melhor? Mesmo com ele atrás das grades, minha garantia é absoluta: ele só sai da cadeia assinado, carimbado e casado comigo. Eu tenho seu destino nas minhas mãos, e você não tem nada, nem mesmo dignidade.
*Aura:* Disse tudo que tinha para dizer? Então agora pega seu roteiro, seu salto alto, sua arrogância de centavos e rala daqui. Eu não tenho estômago para olhar pra sua cara nem por mais um milésimo de segundo. Passar bem, a porta da rua é serventia da casa. Vaza.
*Adv. Clémence:* Eu vou sim, meu amor. Mas faço questão de deixar claro: você perdeu e sabe, fracassada. Beijos de luz e assiste daí de baixo meu sucesso!
*Aura:* Agora chega, cai fora!
*Aura agarra o braço de Clémence, conduzindo-a à força até a saída.*
*Adv. Clémence:* Solta meu braço, sua desgraçada!
*Clémence se desvencilha e desfere um tapa no rosto de Aura.*
*Aura:* Ninguém toca em mim.
*Aura revida imediatamente. As duas se agarram pelos cabelos e caem no chão. Elas rolam pelo chão por um instante, até que Aura monta sobre a rival e imobiliza seus braços com os joelhos.*
*Clémence:* Sai de cima de mim, sua desgraçada!
*Aura:* Vou te mostrar a desgraçada, vadia!
*Aura a esbofeteia repetidamente até que sangue escorra pela boca de Clémence. Após a surra, Aura a levanta pelos cabelos e a arremessa no corredor, batendo a porta em seguida. Do lado de fora, Clémence grita em fúria.*
*Adv. Clémence:* Sua assimétrica! Raquítica depressiva! Gorda! Perdedora! Eu venci! Durma com o peso da sua derrota na mente, fracassada nojenta! Você nunca mais vai ter ele ao seu lado, entendeu? Nunca!
*Após surtar, Clémence se retira. No interior do apartamento, Aura gargalha ironicamente.*
*Aura:* Idiota. Caiu tão facilmente.
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/MANHÃ]
*Aura e Nelson se encontram.*
*Aura:* Tenho que ser breve. Aquela mulher quer que vocês se casem aqui mesmo. Ela tem cláusulas, Nelson. Você pode viver condenado por um amor não correspondido. Ela não vai parar, ela surtou no meu apartamento.
*Nelson:* Mas eu não posso me casar com ela!
*Aura:* Ela disse que você só sai daqui casado. Então, bolei outro plano: fuga. Você vai conversar com alguns detentos e, juntos, vão tramar tudo. Eu posso bancar os custos.
*Nelson:* Não... estaríamos cometendo um crime.
*Aura:* Sim, mas não é mais sobre crime. Sua vida está em risco. Vocês armam uma rebelião e fogem no dia vinte e oito. Nos encontraremos em frente ao armazém na saída da cidade, às seis da tarde.
*Nelson:* É arriscado. E se der errado?
*Aura:* Você precisa confiar em mim. Vou comprar as passagens, e nós vamos sair do país com outras identidades. Só assim você será livre, e poderemos viver nosso amor.
*Nelson:* Você tem razão. Vou fazer tudo para fugir daqui.
`Música: "Rearview" (Andra Day)`
*Eles se beijam, emocionados.*
[FLAT/SALA DE ESTAR/MANHÃ]
*Leocádia caminha, impaciente, de um lado pro outro, mordendo as unhas.*
*Leocádia:* Eu não aguento mais morar neste lugar.
*De repente, alguém bate à porta. Ela vai abrir e se depara com dois policiais, um deles segurando um papel na mão.*
*Policial 1:* Senhora Leocádia De Andradas?
*Leocádia:* Sim... pois não?
*Policial 1:* Polícia Civil. Estamos entregando uma intimação. A senhora deverá comparecer à delegacia ainda hoje, para prestar depoimento sobre os assassinatos de Kimberly Salvatierra e da menor Nuria Salvatierra.
*Leocádia:* É um absurdo... eu não tenho ligação com essas pessoas.
*Policial 2:* A senhora poderá esclarecer tudo no depoimento. Agora assine, por favor.
*Leocádia:* Estão cometendo um erro grave.
*Leocádia assina rapidamente, visivelmente alterada.*
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 25 (29/05/2026)
[DELEGACIA DE POLÍCIA/ENTARDECER]
*Leocádia está sentada diante de um outro delegado, nervosa.*
*Delegado:* Dona Leocádia De Andradas, a senhora foi uma das últimas pessoas vistas entrando na casa de Kimberly Salvatierra.
*Leocádia:* Porque ela me chamou até lá. Disse que precisava conversar urgentemente.
*Delegado:* Sobre o quê?
*Leocádia:* Ela falava dos problemas que vinha passando depois da morte do marido. Kimberly estava nervosa, chorando… dizia que Solano tinha sido assassinado. Eram assuntos de amizade feminina, delegado.
*Delegado:* Testemunhas, no caso vizinhos, ouviram uma discussão.
*Leocádia:* Nós discutimos, sim. Ela estava alterada. Mas eu fui embora pouco depois.
*Delegado:* E a menina, Nuria?
*Leocádia:* Estava dormindo no quarto quando eu saí.
*Delegado:* Então, como explica o fato de encontrarmos suas digitais naquele freezer e no cutelo com que a senhora Kimberly foi assassinada?
*Leocádia:* Eu frequentei aquela casa durante anos, delegado. É óbvio que minhas digitais estariam lá. Eu era amiga da Kimberly e do Solano faz muito tempo. Solano era um irmão para mim. Peguei a pequena Nuria no colo… fiquei surpresa com o quanto ela cresceu rápido. Eu era como uma tia para aquela menina. Eu seria incapaz de assassiná-las.
*Delegado:* Humm… não me convence. Kimberly foi morta com um golpe de cutelo no pescoço.
*Leocádia:* Meu Deus… eu nem consigo imaginar tamanha crueldade de um ser humano contra minha amiga.
*Delegado:* A senhora parece muito calma.
*Leocádia (Chorando):* Quer saber? Pense o que quiser, mas encontre os verdadeiros culpados. Faça justiça pelos meus amigos, delegado. Eu os tinha como parte da família. Eles não me eram indiferentes por conta do angu com quiabo. Podem me investigar, podem revirar o lugar onde moro, mas eu não matei ninguém. E queria que o senhor confiasse em mim.
*Leocádia toca a mão do delegado, que está sobre a mesa, e ele se deixa convencer.*
[CATIVEIRO/NOITE]
*Hera chega ao local novamente e se senta numa cadeira velha, o rosto ferido, tragando um cigarro. À sua frente, Baal desperta lentamente, com o braço enfaixado.*
*Hera:* Finalmente. O belo adormecido resolveu acordar.
*Baal tenta avançar, mas ele está acorrentado.*
*Baal:* Me solta agora ou você vai se arrepender pelo resto da vida.
*Hera:* (Ri.) Quem manda aqui agora sou eu, Baal Medrano. Seu império já era.
*Ela sai de cena para outro cômodo e volta carregando um torno de bancada pesado. Agacha-se e coloca no chão, próximo a Baal.*
*Hera:* Sabe, este lugar está abandonado, mas guarda tesouros. Encontrei esse torno ontem enquanto você estava desmaiado. Vamos ver se ainda funciona?
*Baal:* O que você vai fazer, sua maldita?
*Sem responder, Hera desamarra uma das mãos de Baal apenas para prendê-la no equipamento. Ela gira a manivela até que os ossos se quebrem. Ele grita enquanto sua mão é completamente esmagada.*
*Baal:* AAAAAHHHHHHH! VADIA! EU VOU TE MATAR!
*Hera:* É mesmo? Vamos ver se você aguenta até acabar.
*Ela se levanta, mexe nos bolsos de Graco, que está morto ali perto, rodeado por moscas, e retira uma faca. Aproxima-se de Baal e rasga sua camisa.*
*Baal:* Para, sua loucaaaaa!
*Hera:* Parar? Eu nem cheguei na melhor parte.
*Hera então começa a escrever uma frase na barriga dele com a faca, cortando a pele. Ela escreve letra por letra, de modo irregular, enquanto ele urra de dor. Quando termina, lê-se: “I AM DISGUSTING”. Com as mãos cobertas de sangue, ela ri enquanto encara Baal. Ele está ofegante, suando frio.*
*Hera:* I am disgusting. Sabe o que significa? Eu sou repugnante. É o que você é. Um verme asqueroso.
*Ela joga a faca pro lado. Em seguida, limpa as mãos nas calças dele, pega o celular, mexe rapidamente e então vira a tela na direção dele.*
*Hera:* O que pretendia esconder aqui? Vamos ver...
*Ao ver o vídeo de seus crimes, Baal entra em surto, debatendo-se no chão.*
*Baal (Gritando):* Maldita! Eu acabo com você!
*Hera:* Não, Baal. Hoje eu acabo com você.
*Ela clica em publicar. Em segundos, o vídeo vai ao ar com a legenda: "O empresário Baal Medrano opera no tráfico internacional de órgãos humanos."*
*Hera:* Acabou. Sinta sua imagem apodrecer em tempo real. Verme. Porco. Imundo.
*Hera cospe na cara de Baal. Ele está apavorado.*
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/NOITE]
*Clémence abraça Nelson desesperadamente.*
*Nelson:* Meu amor, por onde você andava? Eu estava ficando louco de preocupação.
*Adv. Clémence:* Organizando nosso futuro. Trouxe os papéis pro casamento.
*Nelson:* Casamento? Aqui dentro?
*Adv. Clémence:* Sim. Vamos nos casar agora.
*Nelson:* Enlouqueceu? Eu não vou me casar com você.
*Ela fica séria de repente e coloca os papéis e a caneta na mesa.*
*Adv. Clémence:* É só assinar, Nelson.
*Nelson:* Você não ouviu? Tá surda? Eu não vou assinar nada!
*Clémence surta e chuta cadeiras, gritando.*
*Adv. Clémence:* Você vai assinar essa porra agora! Eu sou sua última chance! Não me tira do sério!
*Nelson:* Eu assumo um compromisso lá fora. Aqui dentro, não.
*Adv. Clémence:* Está brincando comigo? Eu posso ser seu pior pesadelo. Posso jogar aquela gorda cheia de estrias no fundo de uma vala antes que você diga "aceito".
*Nelson:* Faça o que quiser. Só haverá casamento se eu sair daqui.
*Nelson se levanta e sai, deixando Clémence em estado de histeria absoluta, chorando e gritando.*
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*A notícia se espalha rapidamente. A câmera foca em telas de celulares, TVs e até computadores, onde os vídeos circulam incessantemente. Em destaque, a legenda: “O empresário Baal Medrano não passa de um carniceiro.”*
[SUPERMERCADO/NOITE]
*Pessoas cochicham perto do caixa.*
*Mulher:* Aquele homem, o Baal Medrano... Você viu? Traficante de órgãos!
*Amigo:* Inacreditável. Quantas pessoas ele não matou para lucrar?
[DELEGACIA DE POLÍCIA/NOITE]
*Policiais estão parados diante do delegado.*
*Delegado:* Preparem a equipe. Quero a cabeça do Baal numa bandeja.
*Policial:* Vamos varrer cada escritório desse desgraçado.
[RUAS DE SÃO PAULO/CALÇADA/NOITE]
*Um casal caminha de mãos dadas enquanto conversa.*
*Homem:* Vendendo órgãos de gente humilde para ficar rico... Esse desgraçado devia estar morto. Um verme.
*Mulher:* Espero que ele morra da forma mais lenta possível.
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*Aura está de pé em seu apartamento, mexendo no celular. Ao ver a notícia, leva as mãos à boca, horrorizada, e deixa o aparelho cair no chão. Clémence, sentada na cadeira de seu escritório, encara o notebook com expressão de nojo. Leocádia relaxa na banheira de seu flat e ri da situação. No corredor do hospital, Irlanda se apavora ao olhar pro celular. Bosco e Deméter estão sentados no sofá da sala. Diante da televisão, os dois reagem com choque à notícia e trocam olhares.*
[CATIVEIRO/MADRUGADA]
*Baal esboça reação e lacrimeja. Enquanto Hera debocha.*
*Hera:* Fim de linha. Todos já sabem que o poderoso Baal Medrano é um carniceiro imundo.
*Baal:* Por que... por que me fez tanto mal? Você era só uma alpinista social...
*Hera:* Você nunca me conheceu. Anos atrás, você mandou Vicenzo Parras destruir minha família. Minha irmã foi levada como parte do seu esquema, e meu pai foi assassinado para queima de arquivo. Eu fui jogada no lixo da vida. Minha mãe virou um trapo alcoólatra, e eu tive que me vender para homens como você aos doze anos para sustentar o maldito vício dela. Ela me obrigava. Eu não queria. Vivi no inferno por sua causa.
*Ela se ajoelha novamente diante dele, chorando.*
*Hera:* Eu e minha mãe nos mudamos para Manaus para fugir de você. Mexendo na bagagem, encontrei o celular da Selva. Eu pressenti que me pertencia, então o guardei comigo por muito tempo. Nunca entendi por que minha mãe bebia tanto, mas era por isso: para esquecer que perdeu uma filha e o marido. Certo dia, decidi mexer naquela bosta. Encontrei fotos dela com o maldito Vicenzo. Mas também encontrei o número falso que ele usava e, por meio de um hacker, pude rastreá-lo, descobrindo assim seu verdadeiro nome. Ele se chamava Jader Parras. Mas levei muito tempo para chegar até ele. Obriguei a ridícula da Cipriana a me contar tudo; ela estava bêbada e não hesitou. Ela me afirmou que o conhecia, disse que antigamente ele era agiota e que pegou dinheiro emprestado com ele há muito tempo. Selva não queria apresentá-lo aos nossos pais, mas eles descobriram através desse celular. Então, ao longo dos anos, eu me tornei… uma mulher linda e muito desejada. Passei a segui-lo, conversamos e começamos a nos relacionar pela internet. Depois, ele se mudou para Manaus só para me conhecer.
*Baal:* Dane-se, sua cadela. Não quero ouvir.
*Hera:* Você vai ouvir! Nós nos envolvemos. Numa noite, eu o dopei e o amarrei. Sob tortura, ele confessou que trabalhava para você.
<<<<<<FLASHBACK>>>>>>
*Vicenzo está amarrado à cama. Hera encosta uma faca em sua genitália. Ele treme, amedrontado.*
*Hera:* Fala logo! Confessa, seu desgraçado!
*Vicenzo:* Foi o Baal... Baal Medrano!
*Hera:* Aquele empresário? Dono da fundação habeec?
*Vicenzo:* Sim. Eu trabalhava para ele! Eu a seduzi, e nós tramamos o sequestro da sua irmã!
*Atrás da cortina, Hera esfaqueia Vicenzo brutalmente. Ele grita em desespero. Vemos apenas as sombras dos dois.*
<<<FIM DO FLASHBACK>>>
*Hera:* Eu o matei com gosto. Desgraçado.
*Baal:* Você matou um dos meus melhores homens.
*Hera:* Não, Baal. Você o matou. Eu planejei cada passo. Queria destruir toda sua distania de forma cruel e impiedosa. Minha mãe quis me delatar para você, então eu me desfiz dela também. Nunca me fez falta. A Cipriana era uma completa tosca, aquela cachaceira maldita. Vendi tudo e vim para São Paulo com um novo rosto e uma missão: te ver no chão. E você, como um idiota, caiu na minha lábia.
*Baal:* Você é um monstro, Hera...
*Hera:* Não me chame de Hera. Meu nome é Delta... Delta Moraes.
*Os dois se encaram com ódio.*
> FIM DO VISÉGIMO QUINTO CAPÍTULO
