Viver Sem Amanhã - Capítulo 23
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 23 (27/05/2026)
[CASA DE KIMBERLY E SOLANO/SALA PRINCIPAL/MANHÃ]
*Peritos e policiais chegam ao local. Kimberly está morta no chão, rodeada de sangue e moscas. Alguns invadem outros cômodos da casa. Dois policiais conversam na despensa.*
*Policial 1:* Disseram que esse casal tinha uma filha.
*Policial 2:* Mas onde essa menina se meteu?
*De repente, um policial abre o freezer e encontra Nuria morta, completamente congelada. Ela sangrou pelo nariz, e sua pele adquiriu um tom extremamente vermelho. O policial fica horrorizado.*
*Policial 3 (Gritando):* Encontrei a menina.
*Os outros policiais e peritos saem correndo.*
[PRESÍDIO/SALA DE VISITAS/MANHÃ]
*Clémence coloca papéis na mesa. Nelson está algemado diante dela.*
*Adv. Clémence:* Vim retificar informações sobre sua noiva. Estive com o Baal. Seu processo está ficando cada vez mais complexo.
*Nelson:* Não a envolva em suas manobras. É degradante ver você se rebaixar a esse nível de criminalidade. Como você pôde descer tão baixo e se aliar ao lixo do Baal?
*Adv. Clémence:* Por amor, Nelson. Ela já está envolvida, muito mais do que você imagina. Baal agora coordena minhas operações. Se ela insistir nessa investigação, conversando com pessoas erradas e interferindo entre nós dois... eu e você, sua liberdade será permanentemente obstruída.
*Nelson:* Você é uma mulher imunda. Como ousa me ameaçar?
*Adv. Clémence:* É um aviso sobre como eu atuo quando quero alguma coisa. Eu não paro até conseguir.
*Nelson:* Que nojo... a Aura, ela é inocente nessa história.
*Adv. Clémence:* Ela é meu trunfo. E pode perder tudo, inclusive você. Não peço muito, Nelson. Apenas quero que afaste-se dela.
*Nelson:* É tão difícil entender que eu não te amo?
*Adv. Clémence:* Recado dado. Ou você me obedece, ou eu a tiro do caminho. E você sabe que, quando eu decido agir, ninguém me impede.
*Nelson:* Eu tenho asco de você. Mulher podre e desumana.
*Adv. Clémence:* Sou eficiente. Escolha: liberdade ou amor. No fim, você vai acabar sendo meu. Apenas meu. E eu já decidi que sou a única mulher certa para você. Passe bem, querido. E não se engane: eu não sou o Baal, não sou a Hera e não estou brincando. Posso me tornar sanguinária de uma hora para outra.
*Clémence tenta beijar Nelson. Ele se afasta, e ela sai revoltada.*
[CLÍNICA CLANDESTINA/TARDE]
*Uma mulher está morta no chão. Hera segura uma arma, enquanto Baal a observa com frieza.*
*Hera:* Pronto, senhor. Está feito. Provei minha lealdade novamente.
*Baal:* Não basta. Preciso saber se você daria sua vida por mim ou se me roubou por ganância. Agora, você vai extrair os órgãos dela.
*Os homens de Baal colocam o corpo numa mesa de madeira. Baal pega uma faca e um serrote ao lado e entrega para Hera.*
*Baal:* Abra ela. Agora. Mostre que é perversa como eu.
*Hera:* Eu não consigo... já é demais! É um ser humano, eu não posso!
*Baal vira Hera de frente pro corpo. Ele fica atrás dela, segurando uma de suas mãos e a auxiliando.*
*Baal:* Você vai aprender agora. Segure a faca com força. Corte do esterno até embaixo, como se fosse uma vaca.
*Hera:* Não dá... vai ter muito sangue...
*Baal (Furioso):* Mexa-se! Tá com medo de sangue? Não sabia que você tinha hematofobia. Mas agora quero cada órgão exposto: coração, fígado, intestinos. Abra camada por camada.
*Hera posiciona a ponta da faca no abdômen da mulher.*
*Baal:* Comece. Devagar. Se vomitar, limpa com a língua. Não pare até eu mandar. Três... dois...
*Hera lacrimeja enquanto corta a mulher, Baal sussurra ao pé do ouvido dela, satisfeito.*
*Baal:* Isso... fundo e devagar. Bem-vinda ao inferno, lacaia.
*Ele ri cruelmente e ela fica desesperada.*
[PRESÍDIO/SALA DE VISITAS/TARDE]
*Nelson age com frieza diante de Aura.*
*Aura:* Meu amor, eu estava preocupada...
*Nelson (Interrompendo):* Aura, eu tomei uma decisão muito importante. Não te quero mais. É pro seu próprio bem.
*Aura:* Como? Eu não entendo...
*Nelson:* A Clémence se aliou ao seu pai. Estamos sem armas para enfrentá-los. Eles controlam o poder institucional, e já não podemos confiar em ninguém. É melhor me esquecer.
*Aura se inclina sobre a mesa e segura o rosto dele com as mãos.*
*Aura:* Não... eu te amo. E tudo que vivemos?
*Nelson:* Esqueça. Estamos em perigo e eles não vão parar. Por favor, se afaste. Não volte nunca mais.
`Música: "Como Mirarte" (Sebastian Yatra)`
*Ela sai, visivelmente triste. Ele chora.*
[CASA DE DEMÉTER/ACADEMIA/ENTARDECER]
*Deméter se exercita, descamisado. Bosco se aproxima com um caderno em mãos e o observa, sentindo-se atraído.*
*Bosco:* Professor... preciso que me explique a matéria. Ainda estou perdido.
*Prof. Deméter:* Um minuto...
`Música: "Let The World Burn" (Chris Grey)`
*Ele para, bebe água e percebe o olhar de Bosco. Sorri, consciente da atração.*
*Prof. Deméter:* Não precisa negar. Somos ambos livres.
*Bosco:* Por favor, não... eu não quero.
*Deméter força contato, levando a mão de Bosco ao seu tórax suado. Ele se aproxima e tenta beijar Bosco, que o rejeita.*
*Bosco:* Já disse que não. Você é meu professor. E... procure alguém da sua idade.
*Bosco sai, deixando Deméter confuso.*
[PERIFERIA/CASA DE IRLANDA/NOITE]
*Irlanda conduz uma live nas redes sociais para desmistificar estigmas sobre HIV.*
*Irlanda:* O HIV não é transmitido pelos alimentos que eu preparo. Tenho rigor com higiene e com a minha saúde. O vírus só é transmitido por compartilhamento de seringas, relações sexuais sem proteção, transfusão ou no parto.
*Um comentário ofensivo surge na tela.*
*Hater:* "Eu não colocaria na boca nem uma migalha feita por você, sua porca imunda, fedorenta. Doente aidética nojenta, escória humana, você deveria estar internada apodrecendo num hospital em vez de vender comida e espalhar AIDS. Quem come algo seu merece pegar tudo que você tem e mais um pouco, sua vadia contaminada de merda"
*Ao ler, ela não recua e responde.*
*Irlanda:* Esse comentário é pura ignorância. Ter HIV não afeta a capacidade de produzir alimentos com segurança. O que não deveria ter espaço é discriminação disfarçada de opinião. Eu tenho orgulho de ter HIV, e ninguém vai tirar isso de mim.
*Ela bloqueia o usuário, tentando ser forte.*
`Música: "Honest" (Dermot Kennedy)`
*Cenas se alternam em câmera lenta: Aura chora sentada em seu sofá; Hera segura um coração humano com as duas mãos; Deméter observa Bosco nu no banho; Nelson rejeita um beijo de Clémence; Irlanda volta ao trabalho com os bombons; e Leocádia de pé fica apreensiva depois do crime.*
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 23 (27/05/2026)
[FLAT/SUÍTE/NOITE]
*Leocádia está na banheira, com uma taça de champanhe na mão.*
*Leocádia:* Pronto. Tirei todos os malditos chantagistas do meu caminho. Agora só falta me reerguer. E eu vou conseguir, nem que precise passar por cima de qualquer um.
*Ela dá um gole na bebida, e espuma da banheira transborda para fora.*
[GALPÃO CLANDESTINO/NOITE]
*Baal ri de Hera, que está aterrorizada. Os órgãos da mulher: rins, coração e fígado, estão armazenados numa maleta aberta com gelo.*
*Baal:* Desempenho excelente. Provou que é uma boa carniceira. Mas precisa me convencer novamente que é digna da minha confiança.
*Hera:* Fique calmo, senhor. Eu ainda vou demonstrar do que sou capaz. Desejo me casar com você e me tornar a nova senhora Medrano.
*Baal:* Ainda estou tecnicamente casado com a Leocádia... embora aquela vaca não tenha mais utilidade.
*Hera:* Ela não aceitará sair sem nada. Leocádia é definição da ambição.
*Baal:* Ela perdeu qualquer direito ao meu dinheiro. Passei anos sustentando aquela mulher, mas vou tomar de volta cada centavo. Se for preciso, contrato um hacker pra zerar as contas dela. Quero vê-la na completa miséria, implorando por moedas aos meus pés.
*Hera:* E assim será. Vossa majestade é soberana e a deixará sem nada, como todos que ousaram desafiar o poderoso Baal Medrano. Considere-se o vencedor.
*Hera encara Baal com ódio, convencendo-o da sua lealdade.*
[PRESÍDIO/CELA/NOITE]
*Um carcereiro distribui comida para os detentos.*
*Carcereiro:* Uma pra cada. Sem confusão hoje.
*Nelson pega sua marmita e o detento 1 desdenha dele.*
*Detento 1:* Vejam só... o novato resolveu comer hoje.
*Nelson:* Fique na sua. Não quero problemas.
*Detento 1:* Hoje estou com mais fome que você.
*O detento 1 toma a marmita de Nelson.*
*Carcereiro:* Ei! Cada um com a sua!
*Detento 1:* Relaxa, chefe. Está tudo sob controle.
*Nelson:* Devolve minha comida agora
*Detento 1:* Ou o quê? O que vai fazer, Nelson? Chorar?
*Detento 2:* Deixa pra lá, cara...
*Nelson:* Eu mandei devolver.
*Detento 1:* Tarde demais. Já era.
*O detento abre e, com uma colher, come desesperadamente, mas logo nota um gosto estranho e faz careta. Nelson o observa, intrigado.*
*Detento 1:* Que gosto é esse? Essa comida está estranha.
*Detento 3:* É comida de cadeia, o que tu esperava, irmão?
*Detento 1:* Não... tem algo errado... minha garganta...
*De repente, o detento cai no chão com a marmita. Ele convulsiona, espuma pela boca. Os outros detentos se desesperam; Nelson o observa, chocado.*
*Detento 1 (Gritando, mãos na garganta):* SOCORROOOOOOOO! ALGUÉM ME AJUDA! EU ESTOU MORRENDOOOOOOO!
*Detento 2:* O que você fez, Valadares? Eu vou te matar!
*O detento 2 avança sobre Nelson com brutalidade, agarrando-o pela gola da camisa.*
*Detento 1:* Eu... não... consigo...
*O Detento 1 espuma sangue pela boca. Bate a cabeça no chão, repetidamente. Contorce-se. Olhos vermelhos, suor frio. De repente, morre. A marmita destinada a Nelson estava envenenada.*
*Detento 2 (Ajoelhando-se):* Chamem o guarda! Rápido!
*Carcereiro:* O que está acontecendo aí dentro?
*Detento 2:* Ele morreu...
*Nelson:* O quê? Minha comida estava envenenada. Alguém tentou me matar. Baal Medrano...
[CRATERA/NOITE]
*Setembro segue preso no buraco. Ele está visivelmente fraco, tremendo muito, num cantinho, enquanto a água cobre seu corpo até na barriga.*
*Setembro (Sussurrando):* E... eu preciso sair daqui.
*Ele caminha um pouco. De repente, sente pontadas agudas nos braços. Ao olhar, vê úlceras enormes se formando, com pus e muito sangue escorrendo.*
*Setembro (Chorando):* Nã... não, não pode ser.
*Ele começa a gritar desesperado. Ao tocar no pescoço, os dedos afundam direto numa cavidade aberta. Então ele olha pra mão e nota um líquido amarelo-esverdeado, grosso e fétido, que escorre pelos dedos. Em pânico, ele tira a camisa, que gruda nas feridas e arranca pedaços de pele junto. Na barriga, as feridas são enormes: buracos irregulares com bordas pretas e inchadas, carne viva exposta, músculos se desfazendo em gosma cinzenta e amarela. Pus escorre em volume, misturado com sangue escuro. Bolhas de gás estouram na superfície das feridas. Ele tenta apertar as feridas, mas os dedos afundam vários centímetros na massa mole e quente que era sua barriga. Pedaços de carne caem sozinhos. Ele está sendo comido vivo por "fasciíte necrosante", centímetro por centímetro, sem poder fazer nada.*
[APARTAMENTO DE HERA/QUARTO/NOITE]
*Hera se senta na cama, pega o notebook e decide denunciar Baal anonimamente.*
(CORTA PARA: DELEGACIA DE POLÍCIA)
*Um policial recebe a denúncia, enquanto o delegado Rolando o observa.*
*Policial:* Canal de denúncias da Polícia. Sou o agente responsável. Sua identidade está protegida. O que quer relatar?
*Hera:* Preciso denunciar um homem extremamente perigoso.
*Policial:* Fale com calma. Do que se trata?
*Hera:* Ele está envolvido em tráfico de órgãos humanos.
*Policial:* Tem certeza do que está dizendo?
*Hera:* Absoluta. Eu vi e tenho vídeos. Estou enviando.
*Policial:* Entendido. Quem é o indivíduo?
*Hera:* O nome dele é Baal Medrano. Ele posa como empresário, mas opera em clínicas clandestinas pro tráfico.
*O policial fica chocado ao descobrir que Baal trafica órgãos.*
*Policial:* Qual a localização?
*Hera:* Ele é itinerante, mas o último local foi um galpão afastado na saída da cidade. Vou mandar o endereço.
*Policial:* Como obteve esses arquivos?
*Hera:* Eu trabalhava para ele. Não sabia do que se tratava no início, mas quando descobri, comecei a gravar tudo às escondidas.
*Policial:* Você corre risco?
*Hera:* Sim. Se ele descobrir, não sei o que será de mim.
*Policial:* Sua segurança é prioridade. Não o confronte e envie tudo.
*Hera:* Enviando... pronto.
*Policial:* Recebido. Encaminharei pra investigação imediatamente. É um caso gravíssimo.
*Hera:* Vocês agirão rápido?
*Policial:* Sim, mas com cautela para não alertá-lo.
*Hera:* Há pessoas sendo usadas. Eles falam de doadores como se fossem mercadoria.
*Policial:* Entendido. Sua coragem salvará vidas.
*Hera:* Eu não podia mais me calar. Só quero que ele pague por tudo.
*Policial:* Nós assumimos daqui. Obrigado por tudo e proteja-se.
*De repente, Rolando se aproxima do policial.*
*Del. Rolando:* Ouvi pelos áudios que recebeu uma denúncia grave agora há pouco.
*Policial:* Sim. Um anônimo acusou o senhor Baal Medrano de tráfico de órgãos. Até enviou arquivos.
*Del. Rolando:* Este caso fica sob minha responsabilidade. Pode sair.
*Policial:* Mas delegado, eu...
*Del. Rolando:* Não ouviu? Eu dito as ordens aqui. Fora.
*O policial sai cabisbaixo, Rolando liga para Baal imediatamente.*
*Del. Rolando:* Senhor, acabaram de registrar uma denúncia contra você.
*Baal:* Como? Quem? Você tem certeza?
*Del. Rolando:* Sim. Te acusaram de tráfico de órgãos.
*Baal:* Você precisa agir! Dê seu jeito! Eu te pago para me defender!
*Del. Rolando:* Acabou. Não posso mais te proteger.
*Baal:* O quê? Seu desgraçado miserável! Eu vou acabar com você!
*Del. Rolando:* Entenda: não há como te apoiar. A pessoa enviou arquivos e vídeos que comprovam tudo.
*Baal:* Vídeos? Como assim?
*Baal para por um segundo e pensa em Hera.*
<<<<<<FLASHBACK>>>>>>
*Baal:* Algo está errado aqui. Ainda não entendi o que a Hera veio fazer neste lugar.
*Graco:* Acha que ela não é confiável?
*Baal:* Não sei. Sinto que estamos sendo observados. Me disseram que as câmeras desta sala foram desativadas.
*Graco:* Talvez a Hera quisesse privacidade...
<<<FIM DO FLASHBACK>>>
*Baal:* Hera Von Zale... você é a traidora. Sua maldita.
*Baal lacrimeja e se descontrola, quebrando tudo ao redor.*
*Baal:* Você vai se arrepender! Vou te fazer implorar para morrer! Ninguém se mete com Baal Medrano! Prostituta! PROSTITUTAAAAAAAAA!
> FIM DO VISÉGIMO TERCEIRO CAPÍTULO
