Viver Sem Amanhã - Capítulo 21
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 21 (25/05/2026)
[PRÉDIO/APARTAMENTO DE HERA/CORREDOR/NOITE]
*Hera está ajoelhada no chão, em choque. Ao fundo, bombeiros resgatam o corpo de Cobalto no fosso do elevador. Fade out. No banho, Hera chora.*
`Música: "Vuélveme A Querer" (Thalia)`
*Hera:* Por que ele? NÃO, NÃO...
*Hera acerta um soco no box, que se quebra instantaneamente. Sua mão sangra enquanto ela treme, desesperada. Sangue cai na água, se diluindo. Então, ela entra em desespero.*
[HOSPITAL/QUARTO DE ULISSES/NOITE]
*Ulisses desperta. Irlanda está sentada na cama ao lado dele.*
*Ulisses:* Meu amor, ainda bem que você está aqui. O que aconteceu comigo?
*Irlanda:* Você convulsionou, Ulisses. Podia ter morrido. Você está usando drogas? Eu sabia que você tinha problemas com a bebida, mas não com drogas.
*Ulisses:* Não. Eu não me lembro... Eu jamais usaria drogas.
*Irlanda:* Nem sei por que me preocupo. Nós não temos mais nada.
*Ulisses:* Exatamente. E nunca mais teremos. Agora você é aidética... e eu não quero me contaminar.
*Irlanda:* Seu preconceito não me afeta. Mas mudando de assunto... Eu nem sei como dizer...
*Ulisses:* Você parece aflita. Tudo bem?
*Irlanda:* Nada está bem. Seu irmão morreu. O Cobalto caiu no fosso do elevador de um prédio.
*Ulisses:* O quê? Como você soube?
*Irlanda:* Pelos veículos de comunicação. Eu sinto muito.
*Ulisses olha pros lados angustiado. Ele engole seco.*
[CEMITÉRIO/AMANHECER]
*Todos vestem preto diante do caixão aberto. Aura e Bosco choram. Ulisses está aflito. Leocádia e Baal estão imóveis e não esboçam reação. Eles estão cercados de seguranças, enquanto o padre fala.*
*Padre:* Pedra firme, guardiã do tempo. Recebe essa alma que partiu...
*De repente, Hera chega segurando um buquê de rosas brancas. Ela está deslumbrante, mas triste. Ao se aproximar do caixão, Leocádia tem um ataque de pânico e começa a surtar.*
*Leocádia:* Não acredito. O que essa vagabunda faz aqui?
*Hera ignora, beija a testa de Cobalto e chora.*
*Hera:* Meu amor, agora você pode descansar em paz.
*Leocádia avança contra ela, segurando seu braço. Hera se desvencilha num supetão. Aura e Ulisses chegam por trás de Leocádia, tentando intervir.*
*Aura:* Mãe... para.
*Bosco:* Pelo amor de Deus. Eu não aguento mais.
*Ulisses:* Nem a morte do próprio filho essa senhora respeita.
*Leocádia (Pra Hera):* Tá satisfeita? Por culpa sua meu filho morreu. Agora você não tem mais uma pedra no sapato. Não vai poder mais se aproveitar do meu filho.
*Hera:* Eu não tive culpa. Eu amava o Cobalto com todo meu ser. Ele foi o único homem da minha vida. Eu daria tudo para tê-lo de volta.
*Leocádia:* Como? MENTIROSAAAAAA!
*Leocádia desfere dois bofetões em Hera, que tropeça para trás. Ulisses avança e a segura por trás, mas ela se solta, furiosa.*
*Padre:* Parem! Vocês estão num ambiente sagrado e eu exijo respeito!
*Hera:* A senhora é podre e desumana. Nunca se importou com o Cobalto.
*Leocádia:* Ah é? Você não viu nada. Saia daqui agora!
*Aura:* Hera, por favor, é melhor você ir. Não está sendo fácil para ninguém.
*Hera:* Eu preciso me despedir, Aura. Eu o amava.
*Leocádia:* Suma da minha frente agora ou não sei o que sou capaz de fazer com você. Desgraçada!
*Ulisses:* Eu te acompanho, Hera.
*Hera:* Não precisa. Eu já vou.
*Hera beija Cobalto pela última vez. Ela coloca as rosas sobre o corpo dele.*
*Hera:* Adeus, meu amor. Descansa em paz. Eu te amei muito. E onde quer que esteja, quero que saiba: você foi o meu único amor.
*Assim que ela se vira, Leocádia pega as flores e despedaça. Espinhos perfuram suas mãos, que sangram enquanto ela grita.*
*Leocádia:* Malditaaaaaaaaa! Meu filho, não!
*Leocádia começa a chorar sobre o caixão, enquanto os outros a observam em estado de choque.*
[GALPÃO ABANDONADO/TARDE]
*Hera encontra-se com Rodolpho. Ela ainda está vestida de preto.*
*Rodolpho:* Espero que não esteja perdendo meu tempo.
*Hera:* Pra começar, o Baal está te roubando. Sei que são sócios, mas ele é um traidor.
*Rodolpho:* Eu sempre confiei nele. Se vai acusar, quero provas factuais.
*Hera entrega documentos da bolsa.*
*Hera:* Remessas estão sendo subfaturadas nos relatórios. O excedente nunca chega à divisão, ele desvia antes.
*Rodolpho (Lendo os documentos):* E ele jura que não estamos lucrando... De quanto estamos falando?
*Hera:* De milhões de dólares. Ele está te enganando. Você precisa agir.
*Rodolpho:* E por que está me contando?
*Hera:* Porque cansei de ser descartável para ele. Ele me trata como lixo.
*Rodolpho:* Vou te dar um voto de confiança. Se estiver sendo verdadeira, ele vai pagar muito caro.
*Hera:* Ótimo. Um traidor como ele deve ser exilado da quadrilha. Esse ladrão.
*Rodolpho encara Hera confiante.*
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/TARDE]
*Aura abraça Nelson, chorando.*
`Música: "Fecha De Caducidad" (Melendi)`
*Aura:* Meu amor, eu preciso de você mais do que nunca. O Cobalto, meu irmão, morreu num acidente.
*Nelson:* Calma, minha princesa. Eu estou aqui. Conte comigo para tudo.
*Aura:* Por que tanto sofrimento? Eu estou cansada .
*Nelson:* Vai terminar bem, eu prometo. Eu te amo e estarei ao seu lado para sempre.
*Aura:* Você tem que prometer que nunca mais vai embora!
*Nelson:* Eu prometo. Te amo.
*Eles se beijam. Aura recompõe-se.*
*Aura:* Eu já ia me esquecendo de te dizer... mas ontem, sua advogada esteve no apartamento e me ameaçou caso eu não te deixasse
*Nelson:* A Clémence?Não posso acreditar. Agora ela se superou.
*Aura:* Vocês tiveram um caso na minha ausência? Eu vou entender.
*Nelson:* Nunca. Ela está obcecada, Aura. Ela me ameaça e diz que é a única que pode me tirar daqui.
*Aura:* Essa mulher precisa parar. Já estou de saco cheio.
[APARTAMENTO DE HERA/SALA/ENTARDECER]
*Hera bebe vinho direto da garrafa, com os olhos marejados. Tenta ligar para Solano, sem sucesso. Em seguida, liga para Graco.*
*Hera:* Graco, venha para cá agora. Preciso de você.
*Graco:* Estou em expediente. Baal pode desconfiar.
*Hera:* Inventa uma desculpa e larga esse velho sujo na mão. Vem ficar comigo, ou não sei o que sou capaz de fazer.
*Graco*: Calma. Vou tentar.
(CORTA PARA: QUARTO DE HERA)
*Hera e Graco se beijam com intensidade no quarto, completamente nus. O pôr do sol entra pela janela. Ele a pressiona na parede, mordendo seu pescoço. Ela o arrasta pro chão com desejo, e eles transam. Ele fica por cima dela. Enquanto ela geme alto, ele investe com força.*
[HABEEC/ESCRITÓRIO DE BAAL/NOITE]
*O Contador entra apressado. Baal está sentado, tenso.*
*Baal*: Já não mandei bater antes de entrar?
*Contador:* Perdão, senhor. Meus pêsames pelo seu filho. Mas é urgente.
*Baal:* Vá direto ao ponto.
*Contador:* Senhor, eu revisei balanços dos últimos dias… e agora tenho a confirmação. Todas as autorizações partem do mesmo acesso.
*Baal (Levantando-se):* De quem?
*Contador:* Da… senhora Hera Von Zale.
*Baal:* Como? A Hera está me roubando?
*Contador:* Sim. As transferências estão ligadas diretamente ao login dela… e a contas no nome dela. Ela quer te falir a todo custo. E vai conseguir se não for parada.
*Baal:* Tem certeza do que está dizendo?
*O contador espalha papéis na mesa e começa a folheá-los. Baal se enfurece.*
*Contador:* Sim. Eu trouxe tudo documentado. Pelo que analisei, parte do seu dinheiro está indo para instituições de caridade, e a outra metade, para contas dela no exterior.
*Baal:* Maldita! Desgraçada! Jogando meu dinheiro fora. Essa vaca não perde por esperar. Ninguém joga sujo com Baal Medrano.
*Baal dá um soco na mesa, de olhos arregalados e tremendo.*
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/NOITE]
*Clémence aproxima-se de Nelson e tenta beijá-lo. Ele a repele.*
*Adv. Clémence:* Querido...
*Nelson:* PARAAAA! A Aura me contou o que você fez. Você está doente, Clémence.
*Adv. Clémence:* Faço tudo por amor, Nelson. Diferente daquela gorda beiçuda, eu realmente te amo. Não são palavras ao vento.
*Nelson:* Acorda, Clémence! Nossa relação não era pra passar de advogada para cliente. Eu não sinto nada por você e nunca sentirei.
*Adv. Clémence:* Eu não entro em disputas para perder. Você ainda será meu, goste ou não.
*Nelson:* Meus Deus, seu comportamento é doentio. Você chegou ao fundo do poço por um amor não correspondido.
*Adv. Clémence:* Eu não vou aceitar seu caso com aquela gorda. Você não me conhece. É melhor expulsá-la da sua vida, ou vai pagar caro.
*Nelson:* Não me ameace. Eu não tenho medo de você. E se tocar na Aura, é você quem vai me conhecer.
*Adv. Clémence:* Toma cuidado, querido. Posso ser pior como inimiga, Nelson. Não brinca comigo, seu estúpido, idiota.
*Clémence sai. Nelson fica tenso e frustrado.*
*Nelson:* Droga. Tá tudo dando errado.
[PRAÇA/PARQUE/NOITE]
*Bosco, Moisés e Aura caminham juntos.*
*Moisés:* Nós nos amamos, apesar do preconceito. Eu me reprimia antes de conhecer o Bosco, mas agora aceito quem sou.
*Bosco:* Não estamos mais na era medieval, mas ainda é difícil lidar com pessoas ignorantes.
*Aura:* Vocês vão superar pouco a pouco. Valorizem esse amor que vocês sentem um pelo outro, é muito lindo. Cobalto morreu e nem pôde desfrutar tanto ao lado da Hera, ele a amava. Eu não posso estar com o Nelson. Entendem?
*Moisés:* Obrigado por tudo.
*Aura:* Somos família agora, Moisés! Bem-vindo!
*Eles se abraçam. À distância, Rás e Setembro observam.*
*Rás:* Vamos agir agora?
*Setembro:* Não seja burro. Planejamentos são indispensáveis. Eles não perdem por esperar.
[FLAT DE LEOCÁDIA/SALA/NOITE]
*Kimberly, esposa de Solano, liga para Leocádia. Ela recusa. Kimberly insiste. Então ela atende.*
*Leocádia (Surtando):* Quem é, desgraçaaaaa? Por que está me incomodando?
*Kimberly:* Sou a esposa do Solano. Eu sei de todos os seus crimes.
*Leocádia:* O quê? Não é possível.
*Kimberly:* Você matou meu marido. Achou que ficaria impune?
*Leocádia:* Ele nunca te amou. Ele te traía com uma vagabunda. Enquanto você vivia numa ilusão, ele comia uma prostituta imunda chamada Hera Von Zale. Eu te fiz um favor, meu bem. Me agradeça.
*Kimberly:* Eu não vou discutir sobre traição com você.
*Leocádia:* Então o que você quer?
*Kimberly:* Eu quero dinheiro. Muito dinheiro. Achou que se matasse meu marido ia ficar tranquila? Se enganou.
*Leocádia:* Não vai rolar. Eu estou falida. Não estou tendo nem onde morar.
*Kimberly:* Então vou falar com seu marido. O Solano me contava tudo, eu era como um diário dele.
*Leocádia (Gritando):* DESGRAÇADAAAAAAAA! CHANTAGISTA MALDITAAAAAA!
*Kimberly (Interrompendo):* Eu quero dinheiro! Dinheiro em espécime. Solano morreu e não deixou muito para mim, nem pra filha dele. Local e hora serão enviados por mensagem. Até amanhã. E não demora... eu odeio esperar.
*Leocádia:* Está bem. Vou levar uma quantia razoável.
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 21 (25/05/2026)
[CALÇADA/APARTAMENTO DE AURA/NOITE]
*Aura chega ao seu prédio e nota um carro parado na entrada. Clémence desce usando óculos escuros, surpreendendo-a.*
*Aura:* Você de novo? O que quer agora?
*Adv. Clémence*: Já sei que você voltou a ver o Nelson. Pelo visto não fui clara. Quero que se afaste do meu homem. Vou ter que repetir quantas vezes? Não te quero perto do Nelson. Ou você se afasta dele, ou vai sofrer muito.
*Aura:* Quem você pensa que é para me ameaçar? Ponha-se no seu lugar.
*Adv. Clémence:* Eu sou uma mulher superior a você. Você não passa de uma gorda suja estriada sem graça e roliça que se mete com homem comprometido.
*Aura:* Me chame do que quiser. Diferente de você, eu tenho caráter. Sabe o que é caráter? Suponho que não. Eu não vou perder para você. Se quer disputar o Nelson, vamos. Eu entro em conflitos, mas não para sair como perdedora. Amor, você não vai gostar de conhecer meu pior lado.
*Adv. Clémence:* Você já nasceu perdendo, minha filha. Neste ringue eu venço. Se sua resposta já foi decretada, considere-se alertada. Prepare-se para enfrentar minha ira. Passar bem, FOFA!
*Clémence sopra um beijo irônico com as mãos e retorna ao carro.*
[RUAS DE SÃO PAULO/NOITE]
*Ulisses dirige fumando quando avista Irlanda conversando com uma vendedora. Ele estaciona e desce do veículo.*
*Ulisses:* Irlanda...
*Irlanda:* De novo não. Ulisses, me deixe em paz.
*A vendedora entra na loja e Irlanda o encara.*
*Irlanda:* O que quer? Você não deixou claro que sente nojo de mim por eu ter HIV?
*Ulisses:* E sinto. Mas não posso negar que ainda te amo. Eu não fui homem para esquecer o que vivemos.
*Irlanda:* Você é um hipócrita. Como tem audácia de dizer que me ama depois de transformar minha vida num inferno?
*Ulisses:* Quer saber? Perdi meu tempo vindo atrás de você.
*Irlanda:* Você não muda. Continua sendo um canalha.
*Ao tentar sair, Ulisses a segura pelo braço.*
*Ulisses:* Um minuto. O que veio fazer aqui? Nesta loja só vende enxoval de bebês. Não me diga que...
*Irlanda:* Não te interessa. Solte meu braço!
*Ulisses:* Você está grávida? Com quem você se deitou enquanto dormia na minha cama? Sua piranha!
*Irlanda*: Cafajeste!
*Irlanda arranha o rosto de Ulisses com suas unhas e foge correndo.*
*Ulisses (Gritando):* Maldita! Eu exijo um teste de DNA! Não pense que vai tirar dinheiro de mim tão fácil. Não pagarei pensão para um filho que não é meu!
*Ulisses fica imóvel, observando Irlanda correr.*
[MANSÃO MEDRANO/SALA DE ESTAR/NOITE]
*Hera retorna à mansão e encontra Baal sentado numa poltrona.*
*Hera:* Baal... ainda bem que já está aqui.
*Baal (Levantando-se):* Hera, me diga: por que estava me roubando? Eu te dei uma vida digna, você teria tudo ao meu lado. Era necessário?
*Hera:* O quê? Eu não te roubei. Seria incapaz...
*Baal:* Não ouse negar. Eu tenho provas. Sua vadia burra.
*Ele retira um documento amassado do bolso.*
*Hera:* Eu... posso explicar...
*Baal:* Ah, pode? Você pode, rainha?
*Ele avança contra ela por trás e a força a colocar o documento amassado na boca, enfiando-o à força.*
*Baal:* Engula, sua ladra maldita!
*Baal a derruba no sofá. Ela tosse, com as mãos no pescoço. Então, ele monta em cima dela e a enforca violentamente. Ele está completamente transtornado.*
*Hera:* Está me sufocando... pare!
*Baal:* Então você é a traidora? Instalou uma câmera para me espionar?
*Ele a puxa pelo braço e a empurra numa mesa de vidro, que se estilhaça. Hera se corta e faz uma expressão de dor. Baal arregala os olhos, vermelho de raiva, enquanto suor escorre pelo rosto.*
*Hera:* Calma, eu explico... ai, tá doendo muito!
*Baal:* Acha que depois de me roubar eu mereço só explicações?
*Ele a levanta violentamente pelos cabelos. Sangue escorre pelos braços e pernas.*
*Hera:* Para, tá doendo. Eu não aguento mais.
*Baal:* Diz por que eu não devo te matar agora. Fala, sua vagabunda!
*Ele a agarra pelo vestido, e desfere seis socos brutais no rosto e torso. O nariz dela quebra com um estalo, e sangue jorra enquanto Hera grita em agonia, o rosto inchado e irreconhecível. Em seguida, ele a joga violentamente no chão, batendo sua cabeça no piso com força. Um corte se abre na nuca, formando uma poça de sangue, e ela fica caída, gemendo fracamente em choque.*
*Hera:* Pare, por favor... eu não aguento mais!
*Baal:* Diz por que eu não devo te matar agora. Fala, sua vagabunda!
*Hera:* Você precisa de mim... ainda posso ser útil.
*Baal (Rindo):* Eu não preciso de você para nada. Você é uma imprestável. Vadia imunda!
*Hera (Chorando):* Eu posso te fazer ainda mais rico. Posso ser sua mina de ouro. Pare!
*Baal se ajoelha sobre ela e desfere mais socos no rosto, abrindo cortes profundos. Sangue espirra a cada murro enquanto ela geme, com a face completamente desfigurada e ensanguentada. Ele só para quando ela fica gravemente ferida, quase inconsciente, tremendo no chão com a cabeça sob uma poça de sangue.*
*Baal:* Não sei por que ainda não acabei com você.
*Hera (Gaguejando):* Por... por favor.
*Ele a joga no sofá e volta a enforcá-la. Nesse momento, Ulisses entra na mansão.*
*Ulisses:* Ei, pare! Solte ela!
*Baal:* Não se meta, seu bastardo. Ela me deve.
*Ulisses anda e empurra Baal, tirando-o de cima de Hera.*
*Ulisses:* O que você fez? Ela está inconsciente!
*Baal:* Tire essa desgraçada da minha frente antes que eu a mate.
*Ulisses leva Hera para seu quarto. Ela está quase desmaiando. Na sala, Baal recebe uma mensagem de Rodolpho marcando um encontro e fica tenso.*
(CORTA PARA: QUARTO DE ULISSES)
*Ele coloca Hera na sua cama.*
*Ulisses:* Se eu não chegasse, ele teria te matado.
*Hera:* Nós precisamos matar esse homem.
*Ulisses:* Enlouqueceu? Ele matou meu tio! É impossível.
*Hera:* Ele vai acabar nos destruindo.
*Ulisses:* Só precisamos nos comportar. Ele é um monstro, acredite em mim.
*Ulisses a observa seriamente.*
*Ulisses:* Hera, eu tive uma convulsão anteontem. No hospital, disseram que eu estava drogado, mas não uso drogas. Você me drogou quando estávamos juntos? Seja sincera.
*Hera:* Não, eu jamais atentaria contra sua vida. Ulisses, agora não... ainda está doendo muito.
*Ele a observa, desconfiado.*
[RUAS DE SÃO PAULO/MANHÃ]
*Dia seguinte. Aura caminha triste pela rua. De repente, Clémence a avista e acelera o carro em sua direção. Aura cai para evitar o atropelamento.*
*Adv. Clémence (Descendo do carro):* Olha por onde anda. Na próxima não vou ter piedade. Sua vaca gorda e ladra de homens comprometidos!
*Aura (Levantando-se):* Você quase me atropelou! Fez de propósito, sua desqualificada!
*Adv. Clémence:* Tome cuidado comigo. Que sirva de lição. Não tenho compaixão com meretrizes. Gorda rechaçada e maldita!
*Clémence entra no carro e sai devagar enquanto Aura golpeia os vidros com os punhos.*
*Aura:* Maldita! Assassina! Assassina!
[MANSÃO MEDRANO/SALA DE ESTAR/MANHÃ]
*Ulisses e Hera tomam café.*
*Hera:* Onde está seu pai?
*Ulisses:* Já saiu. Nossa, seu rosto está horrível.
*Hera:* Não foque no meu rosto. Ulisses, pegue os morangos para mim? Minhas costas doem demais.
*Assim que ele se levanta, Hera despeja um pó no copo dele. Ele retorna rapidamente.*
*Ulisses (Entregando pra ela):* Aqui estão.
*Hera:* Ulisses, precisamos foder com seu pai ou ele nos mata.
*Ulisses:* De novo? Você tem noção do que ele fez com o meu tio Saúl?
*Hera:* Não me importo. Deixe de ser covarde. Uma facada e tudo volta aos parâmetros.
*Ulisses:* Você certamente não sabe o que está dizendo. Baal é um homem muito perigoso. Nem eu tenho porte para enfrentá-lo.
*Ulisses bebe seu suco e Hera observa o copo.*
[GALPÃO ABANDONADO/MANHÃ]
*Baal chega com seus homens. Rodolpho o espera com capangas.*
*Baal:* Me chamou para quê?
*Rodolpho:* Ouvir você mentir na minha cara.
*Baal:* Prossiga. Eu não estou entendendo.
*Rodolpho:* Você está desviando dinheiro do tráfico de órgãos. Esse dinheiro não pertence só a você.
*Baal (Sorrindo):* Quem te contou? Saiba que essa pessoa mentiu!
*Rodolpho:* Não importa. Eu sei que é verdade. Tenho provas suficientes!
*Baal:* Você deveria escolher melhor em quem confiar.
*Rodolpho:* E você deveria ter escolhido melhor quem trair. Posso te matar agora, embora seus órgãos estragados de velho não sirvam para nada.
*Baal:* Acha que me dá medo?
*Um capanga de Baal saca uma arma começando um tiroteio. Baal se esconde rapidamente. Rodolpho é atingido e morre.*
[PRAÇA/VIADUTO/NOITE]
*Bosco e Moisés caminham de mãos dadas.*
`Música: "Spies" (Robbie Williams)`
*Bosco:* A lua é testemunha do nosso amor. Amo estar com você.
*Moisés:* Ela sabe que somos um casal perfeito. Eu te amo como nunca amei ninguém.
*Eles se beijam, mas são interrompidos por Rás e Setembro, que surgem encapuzados.*
*Moisés:* Precisamos ir, está tarde.
*Rás:* Amigo... quanto tempo.
*Bosco:* O que vocês querem?
*Setembro:* O viadinho ficou com medo?
*Rás:* Há quanto tempo você nos trai com essa "bichinha", Moisés?
*Moisés:* Não permitirei ofensas. Saiam daqui, seus delinquentes!
*Rás e Setembro avançam contra Moisés e o derrubam no chão. Eles o chutam violentamente; sangue escorre de sua boca. Bosco grita desesperado.*
*Bosco:* Parem já! Deixem ele!
*Enquanto Setembro continua chutando Moisés, Rás se aproxima e desfere um soco em Bosco, que também cai no chão.*
*Rás:* Inútil. Viadinho pão com ovo. Vira homem! Seu merda! Bichona!
*Ele chuta Bosco, principalmente no rosto. Os óculos de Bosco caem no chão. A cada chute, sangue respinga. De repente, Setembro ergue Moisés pela gola da camisa, e os dois se encaram. Moisés está semiconsciente, com o rosto muito ferido.*
*Setembro:* Meu único arrependimento foi ter sido seu amigo um dia. Viado nojento.
*Moisés:* Vo... vocês vão acabar na cadeia...
*Setembro:* Ah, é? Seu filho da puta!
*Ras para de chutar Bosco. Eles olham para Setembro. Sem dizer uma palavra, Setembro empurra Moisés do viaduto. Ele cai na pista e desmaia no impacto. Segundos depois, uma carreta surge em alta velocidade e acerta ele em cheio. O para-choque frontal acerta o torso. O corpo dobra violentamente ao meio. Costelas estalam e perfuram órgãos internos. A coluna vertebral parte. Os pneus traseiros duplos passam por cima da barriga, esmagando-a completamente. O abdômen explode num jorro quente de sangue e intestinos que se espalham pelo asfalto. As vísceras se desenrolam, enrolando-se nas rodas da carreta enquanto continua em frente. Parte da pelve é triturada. As pernas são decepadas e arremessadas pros lados da pista. Sangue espumoso escorre pela boca e nariz. A carreta segue seu caminho, deixando um longo rastro vermelho e marrom de sangue, fezes e intestinos pela pista. Bosco olha para baixo, paralisado, sem conseguir acreditar no que acabou de ver.*
> FIM DO VISÉGIMO PRIMEIRO CAPÍTULO
