Viver Sem Amanhã - Capítulo 20

 


*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 20 (22/05/2026)

[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/NOITE]

*Aura e Nelson estão emocionados.*

*Aura:* Não sabe como senti sua falta. Quase morri sem você.

*Nelson:* Não deixei de pensar em você por um segundo. Minha vida se divide entre antes e depois de te conhecer. Eu te amo como nunca amei ninguém. Você é tudo para mim.

*Eles se beijam e, em seguida, sentam-se para conversar.*

*Nelson:* Eu estava muito preocupado.

*Aura:* Eu também. Meus pais armaram tudo e me convenceram de que você tinha fugido com outra. Hera me contou que você estava preso injustamente.

*Nelson:* Aquela mulher é um milagre em nossas vidas. Seu pai me incriminou por fraude porque descobri um crime horrendo dele, mas prefiro não te dar detalhes agora para não te consumir.

*Aura:* Nunca pensei que meus pais fossem monstros. Eles tentaram nos destruir várias vezes.

*Nelson:* Mas eles vão pagar; Deus existe. Agora me conte, como está nosso bebê? Soube da gravidez.

*Aura (Aflita):* Quem te contou?

*Nelson:* Seu pai. Ele veio me importunar e até ameaçou nosso filho caso eu o denunciasse.

*Aura:* Ele já sabia? Não posso acreditar... é que...

*Nelson:* O bebê está bem? O que houve?

*Aura*: Eu tive um aborto espontâneo. Eu perdi nosso filho. A Dalva morreu... não sabe como eu sofri.

*Nelson:* Não... não pode ser. Eu vou matar aquele desgraçado!

*Nelson esmurra a mesa, em prantos. Aura se levanta e tenta confortá-lo.*

*Aura:* Calma, meu amor. Tudo vai terminar bem. Quando você sair, vamos recomeçar do zero e formar nossa família.

*Nelson:* Eu não vou sair daqui. Seu pai corrompeu todos. Tenho uma advogada, mas não sei se ela conseguirá vencer.

*Aura:* Confie em Deus. Vai dar certo.

*Eles se beijam novamente. Pela porta, Clémence observa, antes de se retirar, furiosa.*

*Adv. Clémence (Sussurrando):* Então essa vaca roliça acha que vai roubar o meu homem? Não perde por esperar, sua gorda falida.

[MANSÃO MEDRANO/HALL/NOITE]

*Hera retorna e encontra Baal bebendo uísque.*

*Hera:* Baal, ainda acordado?

*Baal:* Onde você estava? Só porque ainda não casamos, não significa que você não me deve satisfações. O Graco te trouxe?

*Hera:* Sim. Eu estava no apartamento organizando minhas coisas para trazer para cá.

*Baal:* Não precisa de nada de lá. Eu te darei tudo, basta ser fiel e obediente.

*Leocádia desce as escadas, interrompendo eles.*

*Leocádia:* Essa prostituta vagabunda não merece nada além de bijuteria barata e trapos de brechó. Tentar dar classe a ela é perda de tempo. Foi criada no meio da criadagem. É uma ralé.

*Hera:* Não somos iguais. A senhora é vulgar, humilha os outros e agora tá colhendo o que plantou.

*Baal:* Leocádia, aproveitando que Bosco e Aura se mandaram, resolvi fazer uma limpeza completa de resíduos tóxicos. Você também vai embora daqui agora mesmo.

*Leocádia:* Baal, por favor, não tenho para onde ir. Espere até amanhã. Vai jogar anos de relação no lixo?

*Baal:* Desperdicei anos ao seu lado. Você sai desse casamento sem um centavo.

*Leocádia:* Tudo bem... só vou pegar minhas coisas e vou embora.

*Baal:* Nada aqui é seu. Tudo que você tem é graças a mim. Agora, fora!

*Baal agarra Leocádia pelo braço, mas ela se solta, furiosa.*

*Leocádia:* Eu vou. Mas saiba, Hera, que você não desfrutará de nada. Seus dias aqui serão um inferno.

*Hera:* Ameaças vazias não me assustam. Tome cuidado comigo; você não faz ideia do que sou capaz.

*Baal (Pra Leocádia):* Já disse tudo que tinha pra dizer? Agora cai fora.

*Baal arrasta Leocádia pelo braço para fora.*

*Leocádia:* Me solta! Eu vou! Mas saiba que tenho nojo de cada centímetro da sua pele. Eu sentia náuseas quando você me tocava. Velho babão! Desgraçado! Você não perde por esperar!

*Baal a empurra para fora. Ela sai tropeçando. Ele fecha a porta na cara dela. Ao voltar, serve-se de mais uísque.*

*Hera:* Então Aura e Bosco realmente saíram?

*Baal:* Sim... foram atrás de macho. Não me importo. Hera, amanhã às oito na empresa. Precisamos conversar.

*Ele sobe as escadas. Hera permanece em silêncio.*

[CASA DE MOISÉS/QUARTO/NOITE]

*No quarto, num momento de pós-transa, Bosco e Moisés estão abraçados.*

*Moisés:* Foi ótimo. Eu te amo tanto.

*Bosco:* Finalmente encontrei minha felicidade.

*Moisés:* Meu amor, por que você tem tantas cicatrizes pelo corpo?

*Bosco:* Não gosto de falar sobre.

*Moisés:* Eu vou entender, pode confiar em mim. O que aconteceu?

*Bosco:* São lembranças muito dolorosas. Moisés... eu me mutilava. Eu me cortava para tentar suportar a dor da rejeição. Só parei quando coloquei minha vida em risco e percebi que não valia a pena me sacrificar pelos outros. Eu ia cometer suicídio por causa do que vocês fizeram.

*Moisés:* Meu Deus... eu me sinto tão culpado. Me perdoa. 

*Bosco:* Tá... já passou.

*Moisés:* Não te disse ainda, mas um dia antes do ocorrido, vi uma mulher conversando com Rás e Setembro. Ela tinha cabelo curto e preto. Era branca.

*Bosco:* A Hera? O que ele estava fazendo lá?

*Moisés:* Não sei. Porém achei muito suspeito. Agora esquece.

`Música: "Spies" (Robbie Williams)`

*Bosco e Moisés se beijam, completamente apaixonados.*

*Moisés:* Eu vou cuidar de você de agora em diante. Te amo, meu amor. Só meu.

*Bosco:* Eu te amo mais, muito mais.

*Eles riem, e Moisés faz cócegas em Bosco.*

[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE ULISSES/NOITE]

*Hera entra no quarto de Ulisses e o encontra em estado deplorável, chorando e fora de si.*

*Hera:* Ulisses, o que aconteceu?

*Ulisses:* Sai daqui, sua vagabunda!

*Hera*: Você não está bem. Vou buscar um suco para você se acalmar.

(CORTA PARA: COZINHA)

*Hera prepara o copo, e adiciona substâncias ilícitas.*

*Hera (Em pensamento):* "Você já está sob efeito. Completamente drogado. Próximo passo: induzi-lo a eliminar seu próprio pai."

*Ela ri enquanto mistura a bebida com uma colher.*

[UNIVERSIDADE/SALA DE APRESENTAÇÕES/MANHÃ]

*Bosco sobe ao palco para apresentar um seminário. Ele pega um microfone e começa a discursar.*

*Bosco:* Boa tarde a todos, todas e todes. Hoje não falo apenas como aluno, mas como alguém que cansou de se esconder. Sou homossexual e por muito tempo me fizeram sentir errado. Errados são os preconceituosos. Universidade deve ser lugar de respeito, não de medo. Não quero privilégios, quero existir sem me diminuir. Falo por mim e por todos que ainda têm medo de se assumir. Não desistam. Eu não vou desistir!

*Todos se levantam e aplaudem, enquanto Moisés se aproxima e o beija na frente de todos.*

[CLÍNICA CLANDESTINA/SALA DE CIRURGIA/TARDE]

*Baal e Graco entram na sala de execução.*

*Baal:* Algo está errado aqui. Ainda não entendi o que a Hera veio fazer neste lugar.

*Graco:* Acha que ela não é confiável?

*Baal:* Não sei. Sinto que estamos sendo observados. Me disseram que as câmeras desta sala foram desativadas.

*Graco:* Talvez a Hera quisesse privacidade...

*Baal inspeciona as tomadas e encontra um dispositivo oculto. Ele questiona Graco.*

*Baal:* Você mexeu na instalação?

*Graco:* Não, senhor. Não teria motivo.

*Ele pega uma pinça cirúrgica, calça luvas e arranca uma microcâmera de dentro da tomada.* 

*Baal*: Me explique agora, seu imprestável!

*Graco:* Não sei como foi parar aí.

*Baal:* É sua segunda falha. Quase fui morto por sua incompetência. Eu não tenho pena de você, te mataria como quem pisa num verme sem sentir remorso. Nojento!

*Graco:* Não vai se repetir, senhor.

*Baal:* Descubra quem é o traidor. Pera, você mencionou que a Hera esteve aqui ontem?

*Graco:* Sim, senhor. Achei intrigante.

*Baal:* Descubra o que essa vaca pretende. Não tire os olhos dela ou você será o próximo a cair.

*Graco:* Entendido, chefe. Mas... eu precisava te dizer que o Finn tornou-se um concorrente forte. Ele está prejudicando nosso comércio; as vendas caíram drasticamente.

*Baal:* Preocupante, mas não tenho cabeça agora.

*Baal esmaga a microcâmera com o pé.*

*Baal:* Não saia daqui. Vou reforçar a vigilância.

*Baal sai furioso, e Graco fica confuso.*

[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/TARDE]

*Clémence encara Nelson fixamente.*

*Adv. Clémence*: Quem era a mulher que esteve aqui ontem? Vi vocês se beijando.

*Nelson:* Ela é a Aura, minha noiva. Baal tentou nos separar, mas ainda nos amamos.

*Adv. Clémence:* Que lindo, vocês se amam... , mas ela me pareceu sem graça e descuidada.

*Nelson:* Não admito que fale dela. Nosso acordo é estritamente jurídico.

*Adv. Clémence:* Você tem razão, mas não entendo como pôde me trocar por aquela sonsa. Eu ia te dar tudo, Nelson.

*Nelson:* É difícil entender que eu não te amo? Eu amo a Aura. Vamos construir nossa família.

*Adv. Clémence:* Você não ama, é só aventura. Homens não se apegam assim. Muitos procuram carne fresca na rua.

*Nelson:* Eu tenho caráter. A senhora é atraente e pode ter quem quiser, mas eu não sou esse homem.

*Adv. Clémence tenta tocá-lo no rosto.*

*Adv. Clémence:* Eu não quero qualquer um. Quero você. Minha vida não faz sentido sem você.

*Nelson:* Pois trate de dar sentido à sua vida longe da minha. Eu não te amo. Fui claro: não te amo e não vou brincar com seus sentimentos.

*Clémence levanta-se, furiosa.*

*Adv. Clémence:* Tudo bem. Só não esqueça que sua liberdade depende de mim. Tenha uma boa tarde, Nelson Valadares!

*​Ela sai furiosa. Nelson fica abalado.*

[HABEEC/ESCRITÓRIO DE BAAL/TARDE]

*Hera entra e vê o celular dele tocar. É Rodolpho, seu sócio na quadrilha de tráfico de órgãos. Ela decide atender.*

*Rodolpho:* Baal? Recebeu a remessa?

*Hera:* Ele não está, mas eu posso ajudar.

*Rodolpho:* Quem fala?

*Hera (Mentindo):* Alguém que sabe demais... e que está cansada de ver você ser feito de otário. O Baal está ficando com muito mais do que deveria. Ele altera números e esconde lucros reais de você.

*Rodolpho:* Você tem certeza do que está dizendo?

*Hera:* Tenho provas. Encontre-me amanhã no endereço que vou te passar se quiser agir primeiro.

*Ela desliga, ciente do que está fazendo. De repente, fica pensativa.*

*Hera:* Cadê você, Solano?



*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 20 (22/05/2026)

[FLAT/SALA DE ESTAR/NOITE]

*Leocádia entra no imóvel carregando sua bolsa. Ela observa o ambiente.*

*Leocádia:* Então... era aqui?

*Corretor:* A senhora quem escolheu, lembra?

*Leocádia:* Lembro do que escolhi. Só não esperava que fosse tão minúsculo.

*Corretor:* No anúncio eu especifiquei: "compacto e funcional".

*Leocádia:* Dizia "charmoso" também. Mas aqui não tem charme, é contenção de danos.

*Corretor:* Tem tudo que a senhora precisa.

*Leocádia*: Meu closet era maior que esta sala! Parece um quarto de hotel de aeroporto. Onde está o hall? A escada principal? O espaço? Eu vim de uma mansão com três salas e adega climatizada. Como alguém vive aqui sem enlouquecer?

*Corretor:* Muita gente vive assim, senhora.

*Leocádia:* Pois eu não sou "muita gente". Eu oferecia jantares para vinte pessoas, tinha pianista aos sábados... e agora tenho um sofá que vira cama? Vou ter que comer angu também? Como espera que eu viva neste lugar?

*Corretor:* Talvez seja uma nova fase. Se não estiver satisfeita, procure um hotel.

*Leocádia:* Não. Eu vou ficar. Apesar de tudo, não tenho para onde ir.

*O corretor a encara e revira os olhos antes de sair.*

[APARTAMENTO DE HERA/SALA/NOITE]

*Hera chega, joga sua bolsa e sapatos de qualquer jeito e abre seu notebook. Ela percebe imediatamente que a gravação foi desconectada.*

*Hera:* Não pode ser. Encontraram a câmera.

*Ela acessa os arquivos e encontra um vídeo de Efraim abrindo uma mulher.*

*Hera:* Este será meu álibi. Só preciso deste vídeo.

*Ela inicia o backup na nuvem. O celular toca e ela atende, tensa. É Baal.*

*Hera:* Alô. O que o senhor deseja?

*Baal:* Hera, pensei que ficaria por aqui desta vez.

*Hera:* Estou organizando minhas coisas, como combinei.

*Baal:* Entendo. Mas liguei por outro motivo. O que foi fazer na clínica exatamente?

*Hera:* Já disse. Fui apenas ver como tudo funcionava.

*Baal:* Não sinto verdade no seu tom.

*Hera:* Chefe, precisa confiar em mim. Eu provei minha lealdade matando aquela criança. Não foi suficiente?

*Baal:* Não. Hera, encontrei uma microcâmera na tomada...

*Na empresa, Baal serve-se de uísque, retirando o paletó. Do outro lado, Hera engole seco, paralisada pelo medo.*

*Hera:* Como? E o que o senhor fez?

*Baal:* Destruí, obviamente. Curiosamente, as câmeras internas foram desligadas. Só tivemos registros de uma mulher entrando na sala. Você não tem nada a ver, não é?

*Hera:* Não. Como pode duvidar de mim?

*Baal:* Estou te dando chance de confessar. Vou investigar e, quando encontrar o traidor, ele terá o mesmo fim de Saúl Medrano.

*Hera:* Pode confiar em mim. Conte com meu apoio.

*Baal:* Assim espero. Se me trair, vai pagar tão caro... eu não queria estar na sua pele. 

*Baal desliga. Hera, trêmula, decide contar tudo pro Cobalto.*

*Hera:* Cobalto, meu amor... você precisa saber da verdade. Não posso lutar contra Baal Medrano sozinha.

[PERIFERIA/CASA DE IRLANDA/NOITE]

*Irlanda, emocionada, grava um vídeo para suas redes sociais. Ela está sentada à mesa, e seu celular está apoiado numa chaleira.*

*Irlanda:* Olá. Eu tenho HIV. Antes que isso me defina para vocês, saiba: continuo sendo a mesma pessoa, com sonhos e planos. Com o tratamento, vivo bem e cuido de quem amo. O vírus não dói tanto quanto o preconceito. Estou aqui para mostrar que informação e empatia fazem total diferença.

*Chutes na porta interrompem Irlanda. É Ulisses, visivelmente alterado pelo uso de drogas.*

*Ulisses:* Abre, por favor!

*Irlanda:* Ulisses, vá embora! Não quero te ver nunca mais.

*Ulisses:* Desgraçada! Traidora maldita!

*Ele grita do lado de fora, transtornado e coberto de suor, até cair no chão em convulsão. Espuma pela boca, com os olhos arregalados. Irlanda então abre a porta e corre para socorrê-lo, ajoelhando-se ao lado dele. Ela começa a chorar e se desespera.*

*Irlanda:* Socorro! Alguém me ajuda!

*Ela volta pra dentro pra chamar uma ambulância.*

[CASA DE MOISÉS/QUARTO/NOITE]

*Bosco e Moises estão na cama, cobertos por lençóis.*

*Bosco:* Estou preocupado. Não sei como pagarei minha mensalidade. O Baal provavelmente não vai mais pagar.

*Moises:* Calma. Há universidades públicas em São Paulo. Vai dar tudo certo. Me abraça. Não me solta nunca.

*Bosco:* Eu te amo. Obrigado por estar comigo sempre.

*Moises:* Eu te amo mais.

`Música: "Spies" (Robbie Williams)`

*Eles se beijam com intensidade.*

[APARTAMENTO DE NELSON E AURA/SALA/NOITE]

*Alguém bate à porta. Aura abre para Clémence sem saber quem é.*

*Aura:* Boa noite.

*Adv. Clémence*: Boa noite. Posso entrar?

*Aura:* Um minuto... nós nos conhecemos?

*Adv. Clémence:* Eu tenho cara de assaltante? Deixe-me entrar. Precisamos conversar.

*Aura:* Está bem. Entre. Como me encontrou? Quem é você?

*Adv. Clémence:* Sou a advogada do Nelson, seu ex-noivo.

*Aura:* Ah, sim. Ele mencionou você.

*Adv. Clémence:* Ele me disse que vocês compraram este apartamento. Imaginei que estaria aqui.

*Aura:* Eu não morava aqui, voltei há pouco tempo...

*Adv. Clémence:* Não interessa. Estou aqui para avisar: fique longe do meu homem.

*Aura:* Como? Não estou entendendo.

*Adv. Clémence:* Serei direta. Afaste-se do Nelson.

*Aura:* Você está me ameaçando?

*Adv. Clémence:* Seja inteligente e afaste-se. O Nelson é meu homem. Seremos felizes quando eu o tirar de lá.

*Aura:* Até onde eu sei, você é apenas a advogada dele. Com que direito vem aqui me ameaçar?

*Adv. Clémence:* Nelson é propriedade minha. Estávamos cada dia mais próximos e você não vai foder dessa vez.

*Aura:* O Nelson é livre. E eu não vou admitir que você venha até aqui me insultar. Tenha compostura.

*Adv. Clémence:* A liberdade dele depende da minha vontade. Seu pai corrompeu todos e só eu posso virar esse jogo.

*Clémence retira papéis da bolsa e aponta pra Aura.*

*Clemence:* Aqui estão as provas falsificadas da inocência dele.

*Aura toma os papéis e rasga.*

*Aura:* Engula os pedaços.

*Adv. Clémence:* Eu tenho cópias, sua tola.

*Aura, chorando e desnorteada, aponta para saída.*

*Aura:* Fora daqui! Agora!

*Adv. Clémence (rindo):* Eu vou. Mas lembre-se: só eu posso libertar o Nelson. Ele é meu homem, só meu.

*Aura (Gritando):* FORAAAAAAAAA!

*Clémence sai, rindo. Aura se descabela enquanto chora.*

[APARTAMENTO DE HERA/SALA/NOITE]

*Hera e Cobalto se reencontram. Ele está sóbrio.*

*Cobalto:* Meu amor, vim assim que ligou. Estava com saudade.

*Hera:* Cobalto, por onde andou? Você está pálido, mudado.

*Cobalto:* Estava tentando te esquecer. Veja o que fez comigo.

*Hera:* Não sei como 
pude te ferir. Não aguento mais ficar longe de você.

*Eles se beijam e se abraçam emocionados.*

*Hera:* Eu te amo, mas temos que falar sério. Você sacrificaria sua família por mim?

*Cobalto:* Do que você está falando?

*Hera:* Seu pai é um monstro. Eu trabalho para ele, tornei-me cúmplice dos seus crimes.

*Cobalto:* Então você é como ele?

*Hera:* Não. Eu quero destruí-lo. Eu não me chamo Hera Von Zale. Eu sou Delta Moraes.

*Cobalto:* Como? Você mentiu durante tanto tempo?

*Hera:* Há dezenove anos, seu pai sequestrou minha irmã e matou meu pai. Minha família foi destruída por causa dele. O Baal é um traficante de órgãos, atua no mercado negro. Minha irmã foi mais uma vítima.

*Cobalto:* Meu Deus... as transferências milionárias. Tudo faz sentido agora.

*Hera:* Preciso da sua ajuda para destruí-lo. É agora ou nunca.

*Cobalto:* Não. Você é tão podre quanto ele. Por que não foi à polícia?

*Hera:* Ele controla tudo e todos, Cobalto! Não é simples como você pensa!

*Cobalto:* Você se calou e omitiu.

*Hera:* Eu não cometo as barbaridades que ele comete!

*Cobalto:* Mentirosa. Sinto nojo de você e dele.

*Hera:* Por favor, você está me machucando...

*Cobalto:* Acabou. Vocês dois são bandidos. Vou denunciá-los agora.

*Cobalto sai apressado. Hera corre atrás dele pelo corredor.*

*Hera:* Cobalto, pare! Pense na nossa história! Ele vai nos matar!

*Cobalto aperta o botão, impaciente. A porta se abre, revelando o fosso escuro e vazio. Sem olhar, ele dá um passo à frente e despenca no abismo. Seu corpo gira descontroladamente, batendo com força nas paredes de concreto. Ossos estalam alto; pernas, braços e costelas se quebram como gravetos. Ele grita desesperado enquanto tem sua pele rasgada por cabos enferrujados e bordas afiadas. Ao atingir o fundo, sua coluna é esmagada, o crânio explode num estalo úmido e as costelas perfuram os pulmões, deixando-o agonizando numa poça espessa de sangue.*

*Hera (Gritando):* NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOO.

*Cobalto morre no impacto. A câmera foca em seu rosto; sangue escorre pelo nariz e pela boca. Uma poça de sangue se forma debaixo de sua cabeça. Seu pescoço está virado, como se estivesse quebrado. Ele permanece de olhos abertos. Hera fica imóvel, desesperada.*

> FIM DO VISÉGIMO CAPÍTULO