Viver Sem Amanhã - Capítulo 19
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 19 (21/05/2026)
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE AURA/NOITE]
*Aura está em choque, enquanto Hera esclarece tudo.*
*Aura:* Não... eu me recuso a acreditar que meus próprios pais foram capazes de tamanha crueldade.
*Hera:* Mas foram. E você precisa reagir. Nelson está preso, Aura. Você tem que lutar pelo amor da sua vida. É agora ou nunca.
*Aura:* Você tem razão. Fomos vítimas. Nem ele, nem eu temos culpa das atrocidades que meus pais cometeram.
*Hera:* É assim que se fala. Erga a cabeça e lute pelo Nelson.
*Aura:* Sim... eu vou lutar.
*Aura sai do quarto em disparada, seguida por Hera. Ela desce as escadas gritando.*
(CORTA PARA: HALL E ESCADARIA)
*Aura:* Leocádia! Apareça agora, sua criminosa!
*Leocádia*: Você sabe que eu não suporto escândalos.
*Hera:* Aura, eu preciso ir. Nos falamos depois.
*Aura:* Tudo bem, Hera. Obrigada por tudo.
*Hera sai. Aura encara Leocádia com asco e determinação.*
*Aura:* Acabou. É melhor confessar tudo que você fez.
*Leocádia:* Não estou entendendo. Seja direta, não tenho tempo para seus dramas infantis.
*Aura:* Você mentiu! Nelson nunca fugiu com outra mulher. Ele está preso por um crime que não cometeu. Mas você e o Baal vão pagar caro por cada lágrima que eu derramei.
*Leocádia:* O quê? Quem te contou? O Nelson fugiu, sim...
*Aura (Interrompendo, aos gritos):* Para de mentir! Chega de mentiras! Você não cansa? Por que é tão mentirosa? Não cansa de destruir seus próprios filhos? Por quê? Nós somos seu sangue, Leocádia!
*De repente, Baal entra. Aura olha para ele.*
*Aura:* Vejam só, chegou o comparsa. Que belo par de bandidos vocês formam. Palmas para vocês. São piores que Bonnie e Clyde. Sinto nojo.
*Baal:* Ei! Meça suas palavras. O que está acontecendo aqui?
*Aura*: Com um verme como você, eu falo como eu quiser. Você não tem dignidade, Baal. É um bandido. Eu já sei que o Nelson está preso e que você o acusou de fraude. Você é um lixo, um imundo!
*Baal (Encara Leocádia furioso):* Então você abriu a boca... desgraçada, eu acabo com você!
*Leocádia:* Eu não contei nada! O que eu mais queria era que ela esquecesse esse homem. Não sei como ela descobriu.
*Aura:* Eu sofri muito por culpa de vocês. Mas acabou. Vou atrás do amor da minha vida e vamos recomeçar longe de vocês.
*Baal:* Então vá! Suma da minha vista. Mas grave um detalhe: se for atrás dele, ele vai provar do pior, vai enfrentar um inferno, eu vou fazê-lo sofrer muito, até sangrar, e você será a única culpada.
*Aura:* Vocês não me controlam mais. Sou uma mulher livre e vou buscar minha felicidade ao lado do homem que amo. O Nelson é meu paraíso e eu não preciso do dinheiro sujo de vocês.
*Aura sai. Baal e Leocádia se encaram em silêncio.*
[BOTEQUIM/NOITE]
*Cobalto está muito embriagado numa mesa capenga.*
*Cobalto (Soluçando):* Hera... meu amor, volta para mim!
*Ele cambaleia até no balcão.*
*Cobalto:* Mais uma! Quanto mais eu bebo, mais eu lembro dela.
*Dono do Bar:* Escuta, amigo, já deu por hoje. Vá para casa dormir. Você já secou duas garrafas.
*Cobalto:* Não importa! Eu estou pagando nessa porra!
*Dono do Bar:* Tudo bem, você manda.
`Música: "Saudades, Elder" (Johnny Hooker)`
*Cobalto (Virando-se para os outros clientes):* Meus caros! Bebam o que quiserem! Hoje é por minha conta!
*Os homens se põem de pé e comemoram entre gargalhadas e gritos.*
[CALÇADA/ESQUINA/NOITE]
*Solano fuma enquanto tenta ligar para Hera. Ela recusa continuamente.*
*Solano:* Onde você tá, amor? Tá achando que vai fugir depois de me enfeitiçar?
*Solano fica transtornado de raiva e arregala os olhos.*
[UNIVERSIDADE/BANHEIRO/MANHÃ]
*Dia seguinte. Bosco tenta se recompor olhando no espelho quando Moisés entra.*
*Bosco:* Você de novo? Nunca imaginei sentir tanto ódio de alguém.
*Moisés:* Eu sei... você tem todo direito de me odiar.
*Bosco:* Direito? Você me expôs, me humilhou perante todos. Você me quebrou, Moisés.
*Moisés:* Eu não fiz por mal. Eu só não consegui te contar a tempo.
*Bosco:* Ah, não? Você tem meu número, sabe onde eu moro. Mas preferiu se calar.
*Moisés:* Eu errei, eu sei. Mas eu tentei apagar o vídeo, enfrentei quem te atacou... eu estou tentando remendar nossa amizade.
*Bosco:* Há feridas que não cicatrizam com desculpas.
*Moisés:* Me perdoe. Eu te amo loucamente.
*Bosco:* Não minta... não venha com desculpas.
*Moisés:* Não é desculpa. Eu falhei com você, falhei na missão de te proteger, e vou carregar meu erro para sempre. Mas me deixa lutar por nós.
`Música: "Spies" (Robbie Williams)`
*Moisés se aproxima de Bosco, o agarra pela cintura e o beija apaixonadamente.*
*Bosco:* Eu não consigo mais mentir para mim mesmo. Eu te perdoo... e não posso mais esconder o que sinto. Mas, infelizmente, não podemos ficar juntos. Meus pais seriam contra... e eu não tenho para onde ir.
*Moisés:* Vem morar comigo, amor. Eu tenho condições. Saia de lá, seus pais são tóxicos e só te fazem mal. Eu vou te proteger.
*Bosco:* Não é tão simples... mas você tem razão. É um começo. Vamos à mansão. Eu vou enfrentar meus pais agora mesmo.
*Moisés e Bosco sorriem enquanto se encaram, colados.*
[CONSULTÓRIO MÉDICO/MANHÃ]
*O médico examina os resultados de Irlanda.*
*Médico:* Irlanda... obrigado por vir. Sei que esperar pelo resultado é angustiante.
*Irlanda:* Eu nem preguei o olho, doutor. Minha cabeça não para.
*Médico:* É compreensível. Antes de mais nada, quero que saiba que a medicina avançou muito. Mas vamos à primeira notícia: você está realmente grávida.
*Irlanda:* Eu vou ser mãe? Meu Deus... e a outra notícia?
*Médico:* Irlanda, há caminhos e tratamentos para tudo hoje em dia.
*Irlanda:* É grave, não é? Você está agindo estranho.
*Médico:* Seu exame deu positivo, Irlanda. Infelizmente... positivo para HIV.
*Irlanda (Em choque):* Não... não pode ser. O Ulisses... ele me contaminou.
*Médico:* Escute, você não vai morrer. Você não está sozinha nessa jornada, um passo de cada vez.
*Ele aperta a mão dela enquanto ela chora.*
[TERRENO BALDIO/TARDE]
*Leocádia chega com uma maleta em mãos. Solano já estava aguardando por ela. Ao ficarem frente a frente, ela entrega a maleta para ele.*
*Leocádia:* Aqui está, Solano. Pegue e suma do mapa. Não quero nunca mais ouvir seu nome ou o daquela infeliz da Hera.
*Solano:* Não fale assim dela. E quer saber? Eu mudei de ideia. Não vou sumir.
*Leocádia:* O que você vai fazer não me importa, desde que seja longe de mim.
*Solano:* Ah, mas é, sim. Eu estava pensando em contar pro Baal que a Irlanda é sua filha. Imagina quanto vale essa fofoca?
*Leocádia*: Você não teria coragem... eu te tirei da lama! Do angu! Te dei uma vida!
*Solano:* Você me deu crimes, não dignidade. Vou ficar milionário à sua custa. Adeus, patroa.
*Leocádia:* Não... você não pode me delatar!
*Solano:* Quer ver? Ótimo!
*Quando ele se vira, Leocádia vê um tronco pesado no chão. Rapidamente, ela pega e golpeia Solano na cabeça. Ele cai gritando, contorcendo-se em agonia enquanto sangue escorre de seu nariz. Leocádia o golpeia novamente, e então ele desmaia, com sangue escorrendo da cabeça e descendo pelo rosto. Desesperada, ela solta o tronco e entra em surto.*
*Leocádia:* Nã... nã... não. Eu não matei você em vão. Você não vai contar nada! Nunca!
*Ela para, ofegante, vendo Solano inerte com o rosto ensanguentado. Então pega a maleta e foge correndo, deixando o cadáver para trás.*
[APARTAMENTO DE HERA/SALA/TARDE]
*Hera liga para Clémence enquanto Ulisses se aproxima por trás. Ela veste um robe; ele, apenas uma cueca. Ulisses desliza lentamente as mãos por sua cintura, roçando o rosto em seu pescoço de forma provocante.*
*Hera:* Alô, Clémence.
*Adv. Clémence:* Hera, querida. Ligou para saber do processo do Nelson?
*Hera:* Já falei que não tenho interesse nele. Liguei para avisar que Aura Medrano, a mulher que ia casar com ele, já sabe da verdade. Ela sabe que ele está preso e vai tentar vê-lo.
*Adv. Clémence*: Entendo. Preciso conhecer essa mulher.
*Hera*: Ela tem gênio forte... Prepare-se. (Ri.)
(CORTA PARA: ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA)
*Clémence desliga na cara de Hera, enciumada.*
*Adv. Clémence*: Essa mulher não vai tirar meu homem. O Nelson é meu, e assim será para sempre.
(CORTA PARA: APARTAMENTO DE HERA)
*Hera se afasta de Ulisses e vai até na cozinha. Ele se senta no sofá da sala.*
*Ulisses:* Eu vi a Irlanda ontem. Ela voltou a vender bombom no semáforo.
*Hera:* E quem se importa? Acho que você tem se preocupado excessivamente com ela.
*Ulisses:* Hera, eu ainda a amo. Já te disse.
*Hera:* (Ri.) A ama, mas dorme comigo quase todo dia. Conte outra história.
*Ulisses:* Você sabe que nossa relação se resume a sexo e bebida. Eu sei que você ama meu irmão e ainda não entendo por que se entregou ao meu pai.
*Hera:* Assuntos particulares que não lhe dizem respeito.
*Hera abre um espumante e serve duas taças. Discretamente, ela saca um pó e despeja na bebida de Ulisses.*
*Hera (Em pensamento):* "Só falta você, meu bem. O filho rejeitado será drogado até matar o próprio pai. Que pena."
*Ela espera o pó dissolver completamente antes de entregar a taça pra ele.*
*Ulisses:* Demorou, não?
*Hera:* Até que fui rápida. Você está reclamando à toa.
*Hera inclina-se e o beija.*
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE HÓSPEDES/ENTARDECER]
*Leocádia entra no quarto. Ela está apavorada, com as mãos sujas de sangue.*
*Leocádia (Desesperada):* O que eu fiz? Meu Deus... o que eu fiz?
*Desnorteada, ela esconde a maleta de dinheiro debaixo da cama.*
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 19 (21/05/2026)
[CLÍNICA CLANDESTINA/SALA DE CIRURGIA/NOITE]
*Uma menina de nove anos está ajoelhada, imobilizada com punhos amarrados e amordaçada. Baal e Hera entram. Ela observa a criança.*
*Hera:* Vim assim que recebi seu chamado.
*Baal:* Tenho perguntas, Hera. O que Ulisses fazia no seu apartamento? Por que você estava lá? E o mais importante: por que veio aqui ontem? Graco me reportou sua visita.
*Hera:* Eu... apenas vim rever o lugar. Quanto ao Ulisses, ele me procurou apenas para desabafar.
*Baal:* Eu fui claro ao ordenar que ficasse na mansão. Você está me roubando? Posso confiar em você ou está arriscando sua vida para me prejudicar? Sabe o que acontece com quem comete deslizes comigo?
*Hera:* Jamais seria capaz de arruiná-lo. Sei do que o senhor é capaz. Não há roubo nem traição, chefe.
*Baal:* Você cuida do financeiro atualmente e eu estou perdendo dinheiro. Meus funcionários são de extrema confiança, e espero que você também seja. Se jogar sujo, farei você esquecer até seu próprio nome.
*Hera:* Sou uma mulher eficiente. Pode esperar tudo de mim, exceto deslealdade.
*Baal estende uma arma para ela com as mãos.*
*Hera:* O que o senhor quer que eu faça?
*Baal:* Mate-a. Elimine essa existência irrelevante e me dê provas definitivas de sua lealdade.
*Hera:* Não precisa disso, Baal. É apenas uma criança. Eu não posso... matar alguém inocente para te provar lealdade. Sou leal a...
*Baal:* Faça o que eu mandei. Ou quer estar no lugar dela?
*Sob pressão, Hera aponta pra cabeça da menina, que entra em desespero.*
*Baal:* Um... dois...
*Hera dispara, e a bala atravessa o crânio da menina, que cai no chão. A testa dela implode, abrindo uma cratera irregular de carne rasgada. Sangue e fragmentos respingam no rosto de Hera, escorrendo por seu queixo e pescoço. Ela larga a arma, que cai no chão, e cambaleia para trás em puro terror, tremendo descontroladamente. A câmera desce lentamente até no rosto destruído da menina: uma cavidade aberta e fumegante na testa, com parte do cérebro exposta, sangue escorrendo em cascata e um olho pendendo da órbita. A garota ainda se debate em espasmos violentos, chutando as pernas e arranhando o chão enquanto sangue continua jorrando. Ela se contorce enquanto morre lentamente.*
*Baal:* Boa menina. Por um instante, achei que teria piedade dessa miserável.
*Hera permanece estática, fixada no corpo.*
*Baal:* Vai ficar se lamentando por um resto de placenta até quando? Chega de drama. Menos uma inferior no mundo.
*Hera chora silenciosamente enquanto Baal ri.*
*Baal:* Basta. Graco vai te levar. Você precisa se limpar.
[MANSÃO MEDRANO/HALL/NOITE]
*Ulisses chega exausto. Irlanda entra logo atrás.*
*Ulisses:* Meu amor, você voltou. Eu sabia que...
*Sem dizer nada, ela anda até ele, e o esbofeteia violentamente.*
*Irlanda:* VOCÊ ME INFECTOU COM HIV!
*Ulisses:* Ficou louca?
*Irlanda:* Foi você, seu desgraçado!
*Ela avança contra ele com tapas e empurrões.*
*Ulisses:* Para! Eu não tenho HIV. Faço exames a cada cinco meses e o último, na semana passada, deu negativo. Estou limpo.
*Irlanda (Chorando):* O que você quer de mim? Já não basta todo mal que me causou? Você me trouxe para cá apenas para se vingar da sua mãe e me contaminar.
*Ulisses:* Quer saber? Eu até pensei em me redimir, mas não vou me envolver com uma soropositiva. Você não vai me passar nada.
*Irlanda:* Eu sinto asco mortal por você.
*Ulisses:* Ótimo. Não vou perder tempo com uma mulher que tem AIDS. Você sempre foi inferior à Hera. E já sei quem te contaminou: naquele dia você chegou de manhã. Estava com outro. Você não tem moral, é apenas mais uma prostituta barata.
*Irlanda:* Eu te odeio, seu monstro!
*Ela o esbofeteia novamente e sai. Ele fica para trás, confuso. Depois sobe as escadas.*
(CORTA PARA: QUARTO DE ULISSES)
*Ao entrar, ele tira o relógio do braço e os sapatos. Em seguida, tira as calças e a camisa, ficando apenas de cueca. Então leva as mãos ao rosto e sua visão fica turva. Em câmera lenta, ele cai no chão e desmaia.*
[APARTAMENTO DE HERA/NOITE]
*Graco e Hera chegam ao local.*
*Zarlo:* Entregue ao seu lar.
*Hera:* Não vá agora. Entre, fique um pouco comigo.
*Graco:* O senhor Baal deve estar me esperando.
*Hera:* Não vai me dar um fora, vai?
*Eles entram. Hera serve uma bebida para ele e vai até na suíte lavar o rosto. Ela tira o vestido e coloca um robe. Ele olha pros lados, até que ela volta.*
*Graco:* Este apartamento é seu?
*Hera:* Sim. Gostou da decoração?
*Graco:* Muito aconchegante.
*Hera:* Venha, quero te mostrar meu quarto.
*Graco:* Senhora, com todo respeito, eu...
*Hera:* Não me faça essa desfeita. Eu ficaria muito chateada.
*Hera provoca Graco, realçando os seios e o seduzindo. Ele cede ao desejo e os dois se beijam. Então, ela o arrasta pro quarto.*
[MANSÃO MEDRANO/HALL/NOITE]
*Baal chega e encontra Leocádia no hall. Bosco desce as escadas carregando malas.*
*Baal:* Onde pensa que vai?
*Bosco:* Não fico mais aqui. A Aura já foi, e eu vou também.
*Leocádia:* Desde quando você manda no próprio nariz?
*Bosco:* Desde sempre. Já que vocês estão aqui, serei direto: sou homossexual e estou apaixonado por um rapaz da universidade. Vou morar com ele.
*Leocádia:* Pois considere que não tem mais mãe.
*Baal se aproxima, ameaçador.*
*Baal:* Está esperando o quê para sair? Ainda bem que decidiu ir sem meu consentimento. Se ficasse, eu te mataria na porrada.
*Bosco:* É exatamente por isso que vou embora. Vou viver meu amor. Não preciso mais de vocês.
*Baal:* Ótimo. Eu vou te deserdar. Considere-se órfão de pai também.
*Leocádia:* Não criamos um filho para viver em pecado extremo.
*Bosco:* Não me importa o que dizem. Vou lutar pela minha vida sem o apoio de monstros como vocês.
*Baal chuta as malas de Bosco.*
*Baal:* Suas roupas, eu comprei. Você sai apenas com a roupa do corpo. Fora daqui, antes que eu perca minha paciência e esqueça que um dia tive um filho.
*Bosco:* Que Deus tenha piedade de vocês.
*Bosco sai. Baal encara Leocádia com desprezo.*
*Baal:* Você é a culpada. Você não presta nem como mãe.
*Leocádia:* Fiz o que pude sempre. Não tenho culpa se Aura fugiu com um ladrão e Bosco gosta de homens. Vá atrás da sua amante.
*Baal:* Minha mulher!Aproveite seus últimos dias aqui. Você vai terminar na sarjeta, mendigando em becos fétidos!
*Baal sobe escada acima, enquanto Leocádia permanece furiosa.*
[APARTAMENTO DE HERA/QUARTO/NOITE]
*Hera descansa nos braços de Graco, cobertos por lençóis.*
*Hera:* Você tem pegada. Homens assim estão em extinção.
*Graco:* Posso ser ainda melhor.
*Hera:* Espero que se repita muitas vezes.
*Graco:* Hera, não teme que Baal descubra nosso caso?
*Hera:* Baal é um incapaz. Não tenho medo dele.
*Graco:* Deveria. Aquele homem é um demônio. Soube que você vai morar com ele.
*Hera:* Sim, ele quer que eu seja a mulher dele. E assim será. Agora, esqueça ele e me beija.
*Eles se beijam novamente. Ao se afastarem, ela entristece.*
*Hera (Em pensamento):* “Cobalto, meu amor… volta pra mim. Eu não aguento mais ficar longe de você.”
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE ULISSES/NOITE]
*Ulisses desperta no chão, confuso e com dor de cabeça intensa.*
*Ulisses*: O que aconteceu? Eu desmaiei?
*De repente, ele se levanta e arregala os olhos. Coloca as mãos nos ouvidos e surta. Começa a quebrar tudo ao redor enquanto grita, completamente fora de si.*
[CASA DE MOISÉS/NOITE]
*Bosco chega e abraça Moisés.*
*Moisés:* Que bom que você veio.
*Bosco:* Fui expulso, mas agora tenho você.
*Moisés:* Calma, meu amor. Aqui você está seguro. Vá tomar um banho e relaxar.
(CORTA PARA: MINUTOS DEPOIS NO BANHEIRO)
*Bosco:* Moisés, esqueci a toalha!
*Moisés aparece na porta com a toalha na mão.*
*Bosco:* Obrigado, pode deixar aí.
*Moisés:* Vem buscar se quiser.
*Bosco (Rindo):* Você não vale nada.
*Moisés:* Com certeza não.
`Música: "Spies" (Robbie Williams)`
*Moisés tira as roupas calmamente e entra no chuveiro. Água quente cai enquanto eles se aproximam devagar. Ele puxa o parceiro para si, e eles se beijam com ternura. Moisés o vira de frente pra parede e se encaixa nele por trás, abraçando-o com o corpo todo, fazendo amor. A câmera se aproxima das mãos deles, com os dedos firmemente entrelaçados nos azulejos. Gemidos baixinhos e risadas suaves se misturam ao som da água, enquanto eles se entregam um ao outro.*
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/NOITE]
*Um carcereiro bate nas grades.*
*Carcereiro:* Nelson Valadares, visita para você.
*Em câmera lenta, Nelson é levado. Ao entrar na sala, ele vê Aura. Os dois se desesperam e começam a chorar.*
*Nelson:* Meu amor! Você voltou pra mim.
*Aura:* Nelson! Eu te amo!
*Eles correm um pro outro e se abraçam desesperadamente.*
*Aura:* Finalmente te encontrei...
*Nelson:* Nunca mais vamos nos separar.
*Aura se afasta dele, e eles olham um pro outro.*
> FIM DO DÉCIMO NONO CAPÍTULO
