Viver Sem Amanhã - Capítulo 14

 


*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 14 (14/05/2026)

[MANSÃO MEDRANO/ESCADARIA/COZINHA/ NOITE]

*Leocádia está paralisada diante do corpo de Dalva. Irlanda desce, deslumbrante no vestido que Ulisses lhe deu, mas para ao ver Dalva morta.*

*Irlanda:* Dalva! Não! Dalva!

*Leocádia então olha para Irlanda, e enlouquece ao notar que ela veste seu vestido caríssimo.*

*Leocádia:* Tira... meu... vestido. Agora!

*Leocádia parte para cima de Irlanda, desequilibrada. Ela a puxa pelos cabelos, completamente louca.*

*Irlanda:* Me solta! Ela tá morrendo! Ajuda a Dalva!

*Leocádia (Gritando):* Maldita! Tira meu vestido, desgraçada! MALDITAAAAAA!

*Leocádia desfere vários tapas em Irlanda e rasga seu vestido. Bosco aparece no topo da escada ao ouvir os gritos e desce rapidamente. De repente, Ulisses chega e entra pela porta principal.*

*Ulisses:* Ei, parem já! Vocês enlouqueceram?

*Bosco trava ao ver o corpo de Dalva.*

*Bosco:* Ulisses... a Dalva. Meu Deus, ela está morta!

*Ulisses também paralisa ao ver o corpo. Ele encara Leocádia e Irlanda.*

*Ulisses:* O que vocês fizeram? Vocês vão ficar aí paradas?

*Bosco (Saindo em choque):* Eu vou chamar uma ambulância. Meu Deus!

*Bosco sai em pânico. Ulisses se ajoelha ao lado de Dalva. Irlanda e Leocádia ficam caladas.*

*Ulisses:* Tarde demais. Ela se foi. 

*Irlanda (Chorando):* NÃÃÃÃÃÃÃÃO, ELA NÃO! DALVAAAAAAA!

*Leocádia:* Que Deus a receba de braços abertos.

*Ulisses (Para Leocádia):* Satisfeita? Foi você, não foi? Eu sei que foi você.

*Leocádia:* Não me acuse de suas baixezas. Eu nem toquei nessa infeliz.

*Irlanda (Aos prantos):*
Assassina! Você matou uma das únicas pessoas que prestavam aqui! Monstro!

*Ulisses:* Você, Leocádia De Andradas, é uma mulher desprezível! Se o Baal morrer, terá dinheiro. Mas vai terminar sozinha, mofando na própria amargura.

*Leocádia:* Prefiro morrer na solidão do que ter companhia de fracassados como você. Serei muito mais feliz quando não restar ninguém para me atormentar.

*Ulisses:* Então está esperando o quê? Vaza daqui, sua velha caindo aos pedaços!

*Leocádia:* Para você desfrutar com a favelada? Eu não vou sem antes garantir que essa mendiga saia de mãos vazias. Estou convencida que ela matou a Dalva.

*Irlanda:* Quem matou a Dalvaaaa foi você!

*Ulisses:* Eu não te reconheço mais, Leocádia. Confesso que estou horrorizado. 

*Ulisses agarra Irlanda pelo braço, ignorando a mãe.*

*Ulisses:* Vamos, você precisa trocar de roupa. Veja como essa mulher te deixou.

(CORTA PARA: CORREDOR DOS QUARTOS)

*Bosco está encostado na parede, soluçando ao celular.*

*Cobalto:* Calma, Bosco. Segura as pontas.

*Bosco (Chorando):* Cobalto, você precisa dizer pra Aura. Ela tem que saber através de você. Você sabe que ela e a Dalva eram como mãe e filha. Você precisa contar pra ela antes que alguém conte. 

*Cobalto:* Certo, me espere aí. Já chamou um ambulância? 

*Bosco:* Sim, sim. Eu espero que a Dalva ainda esteja viva.

*Ulisses e Irlanda entram no corredor discutindo aos gritos.*

*Irlanda:* Me solta! Você mentiu pra mim! Disse que o vestido era novo! Que comprou hoje! 

*Ulisses:* Mas eu realmente comprei! Você não pode me responsabilizar! Como eu ia saber que a Leocádia tinha um vestido idêntico?

*Bosco (Enlouquecendo):* CHEGAAAAAAAAA!

*Irlanda:* E agora? Como eu fico?

*Ulisses:* Problema seu, Irlanda!

*Irlanda golpeia Ulisses no peito com os punhos fechados. Ele nem se mexe.*

*Irlanda (Surtando):* Você sempre fingindo que age por bondade...

*Ulisses:* Eu só queria me retratar pelo que fiz. Achei que gostaria.

*Ela então para e se desespera. Ulisses desdenha.*

*Irlanda:* Se retratar? Ulisses, por que me trouxe para cá? O que você quer de mim? Na periferia eu não tinha nada, mas era feliz. Aqui, sofro constantemente. Até meu cachorro apareceu morto hoje! Ele estava saudável! Mataram-no! Mas quer saber? Já chega. Eu decidi: não fico mais um minuto aqui.

*Ela tenta passar, mas Ulisses a prensa. Bosco chora, surtando.*

*Ulisses (Possessivo):* Você não vai a lugar algum. Você é minha propriedade.

*Irlanda:* Você está bêbado? Me solta!

*Ulisses:* Eu estou lúcido como nunca!

*Ulisses esbofeteia Irlanda violentamente. Bosco grita, mas ele está possuído. Ulisses arrasta Irlanda pelos cabelos/braço para dentro do quarto. Bosco tenta intervir, mas é empurrado. Ulisses pega o celular dela e joga no chão do corredor.*

*Bosco:* Para, Ulisses! Solta ela!

*Irlanda:* Você não é o mesmo, Ulisses. Me deixa ir embora.

*Ulisses:* Depois de tudo que eu fiz, você quer me deixar? É na vida e na morte, Irlanda. Você só sai daqui por cima do meu cadáver!

*Ele tranca Irlanda no quarto. Ela bate na porta.*

*Bosco:* Ulisses, abre! Você não pode mantê-la presa. Cárcere privado é crime!

*Ulisses:* E o que você entende? Vocês me transformaram nesse monstro! Agora aguentem o monstro que criaram!

`Música: "Secrets" (Miley Cyrus, Lindsey Buckingham, Mick Fleetwood)`

*Ulisses sai do corredor. Bosco e Irlanda choram, ajoelhados, encostados na porta do quarto.*

[HOSPITAL/QUARTO DE BAAL/NOITE]

*Baal, debilitado, arranca os tubos do nariz.*

*Hera:* Cuidado! O senhor ainda está fraco!

*Baal:* Onde conseguiu esse vídeo?

*Hera:* Eu os segui, senhor. Gravei cada detalhe para comprovar minha lealdade a você.

*Baal:* Eles vão desejar nunca ter nascido.

*Hera:* E estou convencida de que Saúl planejou o atentado. O motorista e os capangas foram incompetentes, mas o senhor precisa de reforços imediatos.

*Hera:* Sim... você tem razão. Quem está no comando da empresa agora?

*Hera:* O Cobalto, senhor!

*Baal:* Ele não. Eu preciso de alguém de confiança no comando. Cobalto é fraco demais. Quero que você assuma os negócios por enquanto. Você é astuta, capaz. Confio em você.

*Hera:* Claro, faço com muito prazer. Mas o que pretende quando receber alta?

*Baal:* Destruir meus inimigos. Traidores desgraçados. Vou triturar cada osso desse judas. Eu serei o Caim da vez. 

*Hera:* Eu estarei ao seu lado, como sempre.

*Baal:* Você se tornou meu braço direito. Obrigado, Hera.

*Hera (Em pensamento):* "Se eu pudesse, te mataria agora. Mas você vai pagar cada centavo aqui, seu desgraçado."

*Ela se afasta lentamente.*

*Hera:* Vou comprar um expresso e já volto.

(CORTA PARA: CORREDOR)

*Ao sair, Hera dá de cara com Cobalto, que está assustado.*

*Hera:* Cobalto, meu amor!

*Ele passa por ela sem responder e entra no quarto de Aura.*

(CORTA PARA: QUARTO DE AURA)

*Aura abre os olhos sob efeito de sedativos.*

*Cobalto:* Aura... calma, irmã. O médico disse que você sai amanhã.

*​Aura:* E o papai? Como ele está, Cobalto?

*​Cobalto (Chorando):* Se recuperando.

*​Aura:* Por que você está chorando? O que aconteceu, Cobalto? Fala!

*​Cobalto:* Preciso que você seja forte... eu nem sei como dizer...

*​Aura:* O quê? Do que você está falando? Diz logo!

*​Cobalto:* Eu queria que fosse um pesadelo. Mas a Dalva morreu, Aura.

*​Aura:* Não... NÃÃÃÃÃOOO!

*​Aura entra em colapso. Ela se levanta da cama, transtornada, e arremessa objetos, gritando. Cobalto tenta contê-la, abraçando-a por trás. Ambos choram.*

*Aura:* Não... minha babá não! Cobalto, ela não!

*Cobalto:* Calma, maninha! Por favor! Seu irmão está aqui!

*Cobalto consola Aura, fragilizados.*

[CEMITÉRIO/MANHÃ]

`Música: "Honest" (Dermot Kennedy)`

*O enterro de Dalva acontece sob um céu cinzento. Vestidos de preto, os presentes observam pela última vez seu rosto sereno no caixão aberto. Aura desaba sobre Cobalto, chorando convulsivamente. Leocádia finge comoção, com um lenço no rosto e suspiros teatrais. Hera, Saúl e Ulisses permanecem imóveis, frios e silenciosos. Bosco lacrimeja discretamente. O coveiro se aproxima com uma pá nas mãos. Hera dá um passo à frente e deposita rosas brancas no corpo de Dalva. Baal e Irlanda não comparecem.*

[HOTEL URBAN SPAY/QUARTO DE HERA/TARDE]

*Hera e Solano brindam enquanto conversam.*

*Solano:* Senti sua falta.

*Hera:* Eu também. Mas Solano, você não pode ficar aqui hoje. Provavelmente o Cobalto não vai dormir fora. Pode chegar a qualquer momento.

*Solano:* Quando vai deixar ele?

*Hera:* Ainda não sei. Preciso pensar.

*Solano:* Estou farto de ouvir "não sei". A propósito, a cozinheira já foi enterrada?

*Hera:* Sim, finalmente. Agora, pulemos as formalidades. Solano, a Aura perdeu o bebê. Os abortivos foram certeiros. Também vou expor vídeos do Bosco nu. Mas no momento certo. Agora, preciso focar no Ulisses.

*Solano:* Diga, minha linda. Sabe que faço tudo por você.

*Hera:* A próxima vítima será aquela mendiga suja. Vou chamá-la para sair e preciso que você contrate um homem que seja portador de HIV. Quero que ela contraia HIV. O Ulisses gosta realmente dela. Mas quero que ele sinta nojo só de olhar para ela. Vou seduzi-lo e provocar caos interno entre ele e Baal. Tá que eles não se suportam, mas posso instigar mais ódio ainda. Quero que o Ulisses e o Baal se matem. Mas antes, preciso despachar aquela mendiga. E conhecendo o Ulisses, sei que ele ficaria enojado se soubesse que ela tem HIV.

*Solano:* Meu Deus, Hera... o que você tá me pedindo é monstruoso. A moça acabou de perder a mãe. A Dalva era como uma madrinha para ela.

*Hera:* Você disse que faria tudo por mim. Solano, ainda nem comecei. Eu vou destruir todos! Quero a vaca da Irlanda longe da mansão. Nos meus próximos passos, vou precisar do Ulisses livre dessa distração.

*Solano:* Está bem. Eu vou conseguir. Ia me esquecendo. Eu sei quem matou a Dalva.

*Hera:* Ah, é? Então quem foi? 

*Solano:* Foi a Leocádia. Ela me ligou para ajudar a sumir com o corpo.

*Hera:* Essa mulher é ainda mais desprezível do que eu imaginei.

*Seu celular toca. Ela desliga na cara de Cobalto.*

*Solano:* Fez bem. Já passou da hora de se livrar dele.

*Hera:* O Cobalto é um idiota. Ele nunca esteve à minha altura, eu sei. Mas ainda o amo, Solano. Eu não posso deixá-lo por enquanto. Agora vai embora.

*Solano se levanta e se despede de Hera com um beijo.*

[MANSÃO MEDRANO/CORREDOR DOS QUARTOS/ENTARDECER]

*Bosco chega do enterro e escuta batidas na porta do quarto de Ulisses.*

*Bosco:* Irlanda? Você ainda está aí trancada? O Ulisses disse que você não ia ao enterro pois estava se sentindo mal.

*Irlanda:* Bosco! Graças a Deus! Me tira daqui, por favor! O Ulisses mentiu. Eu nunca estive mal.

*Bosco:* Ele enlouqueceu? Cárcere privado é crime!

*Ulisses aparece quase embriagado.*

*Ulisses:* O que você está fazendo aí?

*Bosco:* Você não pode trancá-la, Ulisses! Cárcere privado dá cadeia!

*Ulisses avança e empurra Bosco no chão.*

*Ulisses:* Fora daqui! Não se meta na minha vida!

*Bosco sai apavorado. Ulisses entra no quarto. Irlanda tenta fugir, mas ele a esmurra no rosto. Ela cai no chão.*

*Irlanda (Sussurro de pavor):* Quem é você...? O que você se tornou...?

*Ulisses (Ajoelhando-se, chorando e rindo ao mesmo tempo):* Eu sou o homem que te ama, meu amor. Desculpa... eu não queria...

*Ele a beija à força. Irlanda chora, sem poder fazer nada.*



*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 14 (14/05/2026)

[APARTAMENTO DE NELSON E AURA/NOITE]

`Música: "Como Mirarte" (Sebastian Yatra)`

*Aura entra, com as mãos na barriga. Ela se joga no chão, extremamente abalada.*

*Aura (Chorando):* Não... Você não! Volta para mim, nana... Eu te imploro! Você era tudo que me restava... Primeiro o Nelson, depois meu filho, agora você... Por que Deus? Por que?!

*Aura grita e chora, completamente transtornada.*

[CHALÉ/QUARTO/NOITE]

*Saúl e Leocádia discutem. Ele se levanta da cama e se veste.*

*Saúl:* O Baal sobreviveu. O segurança confirmou. Aquele maldito tem pacto com o diabo, só pode.

*Leocádia:* E você acaba de se consagrar como o maior fracasso que já passou pelas nossas vidas.

*Saúl:* Cala a boca, Leocádia! Era para ele ter virado cinzas no carro!

*Leocádia:* Ele está vivo porque você é incompetente. Planeja como um amador.

*Saúl (Segura o braço dela):* Baixe o tom, boneca de porcelana. Eu sei que você matou a Dalva.

*Leocádia (Cínica):* Eu? Jamais. Ela caiu. No laudo consta que ela bateu com a cabeça na quina da mesa. Eu não tive culpa.

*Saúl:* Eu não acredito em nada do que você diz. Agora, chega. Tenho que sair.

*Leocádia:* A essa hora? Vai para onde?

*Saúl:* Não te interessa. Se o Baal levantar da cama e ligar os pontos, eu sou um homem morto. Preciso me mexer antes dele.

*Saúl pega suas roupas no chão e sai.*

[HOTEL URBAN SPAY/QUARTO DE HERA/NOITE]

*Hera e Cobalto estão deitados.*

*Cobalto:* A Dalva morreu tão de repente. Foi dilacerante ver a Aura naquele estado.

*Hera:* Ela era uma mulher muito boa, amor. Amanhã cedo vou novamente à mansão prestar solidariedade à todos.

*Cobalto (Sério):* Você sabe que eu não gosto que que você vá lá.

*Hera:* Eu sei me cuidar, Cobalto. Inclusive, seu pai foi bem incisivo comigo ontem: ele quer que eu assuma o comando da empresa.

*Cobalto (Interrompendo):* Negativo. Eu vou te dar suporte. Você cuida do setor financeiro. É mais seguro e você tem jeito com números.

*Hera:* O Baal pode não gostar... são ordens dele.

*Cobalto:* Ele vai entender. Eu te amo, Hera, mas você ainda não está pronta para carregar uma empresa nas costas sozinha.

*Hera:* Tudo bem. Então eu aceito.

*Eles se beijam. Cobalto a abraça com força. Hera sorri.*

*Hera (Em pensamento):* "Setor financeiro... perfeito, idiota. Vou desviar fundos até levar o Baal à falência."

[RUAS DE SÃO PAULO/MADRUGADA]

*Saúl dirige em alta velocidade, numa rua deserta. Ele está preocupado.*

*Saúl:* Maldito seja, Baal... Como você escapou? Mas não canta vitória. Seus dias estão contados.

*Luzes de faróis altos surgem no retrovisor. Dois carros cercam Saúl. Homens mascarados saltam dos veículos, disparando de metralhadora no carro de Saúl, que se abaixa.*

*Saúl (Gritando):* PAREEEEEEM! FILHOS DA PUTAAAAAAA!

*Saúl freia. Graco se aproxima e encosta uma pistola na têmpora dele.*

*Graco:* Sai do carro. Agora.

*Saúl:* Leva tudo, mas não atira...

*Graco:* Menos conversa e mais movimento, idiota. Anda!

*Saúl:* Sua voz... Graco? É você?

*Graco:* Eu mandei andar!

*Graco empurra Saúl para dentro de um furgão preto.*

[PRESÍDIO/PÁTIO/MANHÃ]

*Dia seguinte. Nelson caminha pelo pátio tranquilamente.*

`Música: "Remember Me Well" (Tim MCGraw)`

*Nelson (Para si mesmo):* Eu preciso sair desse inferno...

*De repente, um detento aparece por trás dele, tentando esfaqueá-lo. Nelson torce o braço do detento e o joga no chão. A faca cai. Ele pega e aponta pro detento.*

*Nelson:* Quem te mandou? Foi o Baal, não foi?! Responde se quiser continuar respirando!

*Outros detentos se aproximam, cercando Nelson.*

*Detento 1:* Não faz diferença. Melhor não fechar os olhos hoje à noite, novato. A gente vai te pegar.

*Eles começam a empurrá-lo. Derrubam Nelson no chão, que parte para cima do detento 1. Os dois rolam, trocando socos brutais. Nelson monta no agressor e descarrega toda sua fúria, esmurrando o homem até espirrar sangue no chão.*

*Nelson:* Quer me matar? Tenta de novo, verme!

*Carcereiros entram no pátio para intervir.*

*Carcereiro:* PAROU! TODO MUNDO PRO CHÃO!

*Nelson (Levanta-se):* Ele tentou me furar! Eu só me defendi!

*Detento 1 (Mentindo):* Mentira! O louco puxou a faca do nada! Ele queria me matar!

*Carcereiro:* Ah, então o novato quer ser dono do pátio? Ótimo. Vamos ver como você se comporta na solitária.

*Nelson:* Não! Eu não fiz nada! Me escutem!

*Nelson é arrastado pelos guardas enquanto os detentos riem.*

[MANSÃO MEDRANO/HALL/SALA DE ESTAR/MANHÃ]

*Aura e Bosco estão sentados à mesa. Eles mal tocam na comida, ainda devastados. Hera entra na mansão. Do alto da escada, Ulisses a observa com desejo doentio.*

*Hera:* Bom dia, família!

*Aura e Bosco cumprimentam ela. Hera senta-se.*

*Hera:* Vim ver como vocês estavam depois da tragédia.

*Aura (Fraca):* Obrigada por vir, Hera.

*Bosco:* Tenta convencer ela a comer, Hera. Ela vai acabar desmaiando.

*Aura:* Eu não tenho fome, Bosco. Me conta de você... como está na faculdade?

*Bosco:* Indo. Hoje vou tentar focar nos livros para não pensar tanto na Dalva.

*Hera:* E os pretendentes? Algum rapaz interessante?

*Bosco (Incomodado):* Não, Hera. E não quero.

*Aura:* Tenho impressão que alguém te persegue lá.

*Hera:* Realmente, Bosco. Desabafa com a gente.

*Bosco:* Não é nada. Apenas o Rás e o Setembro... que continuam infernizando minha vida. Aqueles dois são uns imbecis.

*Aura:* Você não pode deixar eles montarem em você, Bosco. Denuncie. Use meios legais.

*Hera:* A Aura tem razão. Se precisar, conte com todos nós. Somos sua família.

*Bosco:* Com todos? Meus pais nunca me deram afeto, mas agradeço por ter vocês duas ao meu lado.

*Aura;* Você é mais que um irmão, Bosco. Eu cuido de você como se fosse meu filho.

*As duas se levantam e abraçam Bosco. Por cima do ombro dele, Hera revira os olhos.*

`Música: "Eurossumer" (Zara Larsson)`

*Cenas da cidade se intercalam, do entardecer ao cair da noite.*

[GALPÃO ABANDONADO/NOITE]

*Saúl está acorrentado pelas pernas e mãos, apenas de cueca, com ferimentos no abdômen. Dois homens o observam.*

*Saúl (Gritando):* Me soltem! Seus covardes! Vocês não sabem com quem estão mexendo!

*Baal surge das sombras, gargalhando. Seu rosto, ainda marcado pelas queimaduras da explosão, uma cicatriz enorme na bochecha, dando-lhe um aspecto demoníaco.*

*Baal:* Ora, ora... ainda tem fôlego para ameaçar, maninho?

*Saúl:* Baal? Me tira daqui! Somos do mesmo sangue!

*Baal:* Na minha época, Saúl, os homens tinham decência de sustentar o que faziam.

*Saúl:* Do que você está falando? Eu não fiz nada!

*Baal:* Não se faça de idiota! Eu odeio quem joga sujo pelas costas. Confessa que plantou explosivos no carro e talvez eu tenha piedade.

*Saúl:* Eu seria incapaz! Eu te amo, irmão!

*Baal:* Que performance emocionante. Quase chorei. Você entrou na minha casa, virou meu filho contra mim, comeu minha mulher e tentou me explodir. Você realmente achou que eu não descobriria?

*Saúl:* Eu nunca te trairia, meu irmão!

*Baal:* Você só esqueceu que eu odeio vermes. Confessa seu deslize. Aceita que não foi capaz de me matar, seu inútil.

*Saúl:* Eu não fiz nada! Pensa na nossa família!

*Baal (Gritando):* FAMÍLIA?! Você cuspiu na palavra família!

*Saúl percebe que não há saída, então para de fingir.*

*Saúl:* Então vai pro inferno! Assassino! Desgraçado! Eu te odeio! Te odeio com cada fibra do meu ser! Tomara que você morra agonizando!

*Saúl cospe no rosto de Baal. Baal apenas ri e passa os dedos pelo próprio rosto, devagar. Ele pega um taco de beisebol e uma tesoura de poda.*

*Baal:* Tudo bem. Já que não temos mais fraternidade, vamos aos negócios. Graco... tira a cueca dele.

*Graco obedece. Saúl entra em pânico total, soluçando.*

*Baal:* Você sempre quis ser o homem da família, não é? Vamos ver como você se sai sem sua ferramenta de trabalho.

*Baal pega a tesoura. Olha para Saúl e ri. Saúl chora, desesperado.*

*Baal:* Boa viagem ao inferno! Bael te espera lá!

*Saúl (Gritando):* MONSTROOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

*Baal se aproxima devagar, olhos brilhando com prazer sádico. Ele agarra o pênis de Saúl e corta de vez com a tesoura. Sangue jorra quente, escorrendo em filetes grossos pelo chão de pedra, até formar uma poça. Saúl grita desesperado. Suas pernas cedem imediatamente, e ele escorrega no próprio sangue, tremendo. Baal arremessa o pênis para trás e começa a gargalhar. Sua risada sai grave, pesada e perturbadora, como se fosse um verdadeiro demônio.*

> FIM DO DÉCIMO QUARTO CAPÍTULO