Viver Sem Amanhã - Capítulo 13
*VIVER SEM AMAHHÃ*
> Capítulo 13 (13/05/2026)
[HOSPITAL/CORREDOR/MADRUGADA]
*Aura já está numa maca, sendo levada às pressas. Dalva e Bosco acompanham, desesperados.*
*Dalva (Aflita):* Valha-me, meu Deus! Minha fia, tu tava carregando um bucho esse tempo todinho e ninguém sabia?
*Aura:* Nana... me ajuda... não deixa eu perder meu filho...
*Dalva:* Não vai, não! O bicho é herdeiro de tua raça! Tu é forte!
*Profissionais interceptam a maca e entram no centro cirúrgico. Portas batem.*
*Dalva (Olhando para o teto):* Meu Padim Pade Cícero, protege minha moleca e esse inocente que tá vindo...
*Bosco:* Vou ligar pra Leocádia. Ela precisa saber.
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE LEOCÁDIA/MADRUGADA]
*Leocádia atende, furiosa.*
*Leocádia:* O que quer agora, Bosco?
*Bosco:* Finalmente atendeu! Meu pai está hospitalizado, Leocádia.
*Leocádia:* Eu não posso fazer nada! Só? Estou exausta.
*Bosco (Chocado):* Como você pode ser tão fria?
*Leocádia:* Acabou? Boa noite!
*Bosco:* Não... tem mais. A Aura sofreu um aborto. Ela estava grávida. Não sabem se ela sobrevive.
*Leocádia (Se fazendo de desentendida):* Aura grávida? Perdeu o bebê? É certeza?
*Bosco:* Provavelmente. Ela já está no centro cirúrgico. Infelizmente nós não sabíamos que ela estava grávida.
*Leocádia desliga na cara dele. No quarto, ela ri.*
*Leocádia:* Não precisei nem mover um dedo. Satanás faz tudo no momento certo!
(CORTA PARA: CORREDOR DO HOSPITAL)
*Cobalto e Hera chegam apressados. Cobalto e Bosco se abraçam.*
*Cobalto:* Dalva, e meu pai? Como ele tá?
*Dalva:* Ô, meu fi, o doutor deu uma notícia boa no meio desse aperreio. Ele tá fora de perigo, graças a Deus.
*Bosco:* Hera, o que houve? Você tá diferente.
*Hera:* Não foi nada, Bosco! E que alívio! Mas onde está a Leocádia? Não veio ver o marido?
*Bosco:* Liguei agora. Pra dizer que a Aura perdeu o bebê dela. A Aura estava grávida e ninguém sabia.
*Cobalto (Atordoado):* Grávida? A Aura?
*Hera (Em pensamento):* "Um obstáculo a menos. Primeiro objetivo concluído."
*Dalva:* Pois é, meu fi. E a gente sem desconfiar de nada. Que judiação...
*Cobalto:* Que Deus conforte o coração dela.
*Hera (Cínica):* Deus faz tudo no momento certo. Bosco, você deve estar exausto. Deixa eu te levar, você precisa descansar.
*Bosco:* Eu vou ficar aqui...
*Dalva (Interrompendo):* Vá, meu fi. Pode ir. Eu e Cobalto ficamos aqui de vigília.
*Cobalto:* Não querem que eu vá com vocês? Hera, fico preocupado com você.
*Hera:* Não se preocupe, meu amor! Ele não se atreveria novamente!
*Cobalto e Hera se beijam. Dalva e Bosco ficam na dúvida.*
*Bosco:* Ele quem? Quem tentaria contra você?
*Hera:* Ninguém! Agora vamos!
(CORTA PARA: HALL DA MANSÃO MEDRANO)
*Bosco entra na mansão, seguido por Hera.*
*Bosco:* Obrigado por ter me trazido, Hera. Vou tomar um banho e tentar descansar. Tô precisando.
*Hera:* Descanse, querido. Estarei por perto.
*Bosco sobe as escadas. Assim que entra no corredor, Hera o segue com cautela. Já no quarto, ele se despe e vai pra suíte. Hera entra no quarto dele e o filma nu, escondida atrás da parede. De costas pra ela, ele não percebe nada.*
*Hera (Em pensamento):* "Segundo passo: destruir o filho caçula. Você não perde por esperar, fofinho."
*Após gravar, Hera sai sem ser vista. No banho, ele chora.*
`Trilha sonora: "Spies" (Robbie Williams)`
*Bosco:* Droga de vida...
*Ele pega uma lâmina e se mutila nas virilhas. Sangue escorre, misturando-se à água e respingando no box.*
[HABEEC/ESCRITÓRIO DE BAAL/MANHÃ]
*Saúl está sentado na cadeira de Baal. Ulisses entra.*
*Ulisses:* Porra, tio... o que fizeram com teu rosto?
*Saúl:* Não importa. Agora temos que agir. Vamos cuidar da papelada.
*Ulisses:* Sinto que estamos nos precipitando. E se aquele desgraçado do Baal sobreviver?
*Saúl:* Só se tiver sete vidas. Aquele lá já tá com o pé na cova.
*Cobalto entra, inquieto. Logo fica furioso.*
*Cobalto:* O que os dois estão fazendo aqui? Saia da cadeira do meu pai! Eu assumo os negócios até ele voltar.
*Saúl (Rindo):* Você? O corno que não segura a própria mulher? A Hera tava implorando pra transar comigo ontem. Confia em mim, sobrinho... toda história tem dois lados..
*Cobalto (Avança):* Cala a boca, seu desgraçado!
*Ulisses:* Ei! Não vão começar!
*Saúl:* Vem! Ontem você me pegou desprevenido. Hoje eu te ensino a ser homem. Vem cá... a Hera já gozou com você um dia? Duvido...
*Cobalto treme de ódio, mas recua.*
*Ulisses:* Então vocês dois brigaram na verdade?
*Cobalto:* Não vou sujar minhas mãos com teu sangue de novo.
*Ulisses:* Já mandei pararem! Cobalto, você fica com a administrativa, eu com o financeiro... e o Saúl...
*Cobalto:* De jeito nenhum! Eu não confio em você, Ulisses. Eu dou conta de tudo sozinho.
*Ulisses:* Você ainda não entendeu que eu também mando nessa porra?
*Saúl:* Ele se acha o único filho, coitado.
*Cobalto:* Não. Mas sou o único filho em quem o Baal confia. Enquanto ele estiver debilitado, eu toco o barco. Quando terminar, meu pai já vai ter voltado.
*Saúl:* Não tenha tanta certeza. Nem todos têm sorte centenas de vezes.
*Ulisses:* Eu não engoli sua vontade de ficar com tudo, Cobalto. Vamos sair agora, mas voltaremos para brigar pelo que é nosso por direito.
*Cobalto:* Façam o favor. Meu pai está fora de perigo e pode acordar a qualquer momento. Ele não tá num cemitério necrosando, como vocês queriam!
*Saúl:* Pare de fantasiar, Cobalto. Seu pai está morto. E se não estiver, eu mesmo faço questão de terminar o serviço!
*Cobalto:* Foi você... você tentou matar o próprio irmão! Assassino!
*Ulisses:* Vamos, tio. Deixa esse aí falando sozinho.
*Cobalto:* Assassinos! Monstros!
*Saúl e Ulisses saem debochando.*
[MANSÃO MEDRANO/JARDIM/MANHÃ]
*Irlanda caminha descalça pelo jardim, chorando.*
*Irlanda:* Por que, Ulisses? Eu te amava tanto!
*Ela tropeça em algo. Ao olhar para baixo, vê seu cachorro morto.*
*Irlanda (Gritando):* Não!MEU CACHORRO NÃÃÃÃÃOOOO!
*Dalva chega do hospital e corre até ela.*
*Dalva:* Minha fia, pelo amor de Deus, o que foi que houve?!
*Dalva vê o animal morto.*
*Dalva:* Ô, minha Virgem... o que fizeram com o bichinho?
*Irlanda:* Mataram meu cachorro, Dalva! Alguém matou o meu cachorro!
*Dalva (Observando Irlanda):* Tu tá pálida, com umas olheiras de quem não dorme faz é tempo... O que tá acontecendo aqui, Jesus?
*Irlanda (Escondendo):* Nada... me deixa. Como está o Baal? E a Aura?
*Dalva:* Aquele demônio tá fora de perigo. Agora a Aura... eu nem sei como lhe dizer, me dá um aperto no juízo e no coração.
*Irlanda:* Meu Deus... quanta desgraça.
*Dalva:* A minha moleca tava grávida, menina. E perdeu o bebê.
*Leocádia surge na varanda, impecável. Ela se depara com Dalva e Irlanda.*
*Leocádia:* Vejam só... a criadinha acariciando essa mendiga suja.
*Irlanda (Avança):* Foi você! Você matou o meu cachorro!
*Dalva (Feroz):* Tu é um demônio, Leocádia! Matar um pobre animal?
*Leocádia:* Ah, morreu? Ainda bem. Menos um estorvo no meu caminho. Agora joguem os restos desse pulguento na caçamba de lixo.
*Irlanda:* Você é desprezível! Eu desejo todo mal do mundo pra você! Você nunca amou ninguém!
*Leocádia (Rindo):* Devo concordar. E para você, eu desejo o amargor da vida, mendiga miserável. Te dei duas opções: plano A e B. Mas você quis acabar comigo. Agora sou eu quem vai acabar com você.
*Irlanda:* Desgraçada!
*Irlanda surta. Leocádia entra. Dalva abraça Irlanda, que soluça.*
*Dalva:* Pare, menina! Com ignorância ninguém chega em lugar nenhum. Castigo de Deus num falha, ele vai cobrar dessa cobra na hora certinha.
*Irlanda (Chorando):* Eu não aguento mais, Dalva... eu quero a minha mãe! Eu não devia ter saído da periferia.
*Dalva a abraça com carinho materno.*
[HOSPITAL/QUARTO DE AURA/MANHÃ]
*Aura acorda, desorientada. Vê a enfermeira.*
*Aura:* Cadê... cadê meu filho?
*Enfermeira:* Sinto muito. Você perdeu o bebê. Mas é jovem, pode tentar de novo...
*Aura (Surta, esmurrando a maca):* CALA A BOCA! Você não sabe o que é ser mãe! Meu filho morreu!
*A enfermeira sai. Aura fica sozinha, pálida.*
*Aura (Chorando):* EU QUERO MEU FILHO DE VOLTAAAA!
*Ela tenta se levantar, mas outras enfermeiras chegam rapidamente e a impedem, imobilizando-a.*
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/MANHÃ]
*Clémence se senta com um presentes nas mãos.*
*Adv. Clémence:* Olha o que eu trouxe pra você.
*Ela entrega uma caixa de bombons e um buquê de rosas a Nelson.*
*Nelson:* Doutora, não precisava.
*Adv. Clémence:* Precisava, sim. Você tem se comportado muito bem, Nelson. É um homem admirável.
*Nelson:* Assim eu fico até emocionado. A senhora também é uma mulher extraordinária… muito bonita e muito bondosa.
*Adv. Clémence:* Obrigada, Nelson. Mas vou direto ao ponto: a audiência foi marcada.
*Nelson:* Mas já? Pra quando?
*Adv. Clémence:* Daqui a duas semanas, às nove da manhã.
*Nelson:* Tão rápido assim…
*Adv. Clémence:* Estão com pressa. E pressa raramente é um bom sinal.
*Nelson:* Ou já decidiram antes de começar.
*Adv. Clémence:* Talvez. Mas nenhuma decisão é imutável.
*Nelson:* Você acredita mesmo nisso?
*Adv. Clémence:* Acredito em brechas. Às vezes basta achar o ponto fraco.
*Nelson:* E se não tiver? E se eu ficar aqui eternamente?
*Adv. Clémence:* Não vai. Eu tô lutando por você.
*Nelson:* O que você precisa de mim? Pode dizer.
*Adv. Clémence:* Consistência. Nada de contradição. E confiança no que eu fizer lá dentro.
*Nelson:* Confiança eu tenho. Só não sei se basta.
*Adv. Clémence:* Não precisa bastar agora. Só precisa aguentar até o dia quatorze. E, independentemente do que acontecer, seu caso não termina no tribunal.
*Nelson:* Já está pensando depois da sentença?
*Adv. Clémence:* Eu sempre penso dois passos à frente.
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 13 (13/05/2026)
[HOSPITAL/ CORREDOR/TARDE]
*Graco está parado diante da porta do quarto onde Baal está. Saúl se aproxima, sorridente.*
*Saúl:* Graco. Sempre o cão de guarda vigilante. O que faz aqui?
*Graco:* Cumpro meu dever, senhor Saúl. Onde o patrão estiver, eu estarei.
*Saúl:* Lealdade hoje em dia é virtude rara... e cara. Diga-me, quanto Baal lhe paga? Eu dobro o valor. Afinal, seu patrão já está com um pé na cova. Por que afundar com o navio?
*Graco:* Com todo respeito, guarde suas propinas. Minha fidelidade ao senhor Baal não tem preço, nem prazo de validade. Nem mesmo se ele estivesse morto.
*Saúl:* Que tocante. Veremos se mantém seu discurso amanhã.
*Graco:* Caso não saiba, o senhor Baal já se recuperou. Está fora de perigo.
*Saúl:* Como? Impossível.
*Graco:* Não queira saber o que ele fará contra quem tentou matá-lo.
*Saúl:* Ele pode ter escapado hoje, mas ninguém tem sete vidas. Proteja-o bem, Graco. Às vezes, o traidor dorme no quarto ao lado.
*Hera (Surgindo atrás dele):* O que veio fazer aqui, Saúl?
*Saúl:* Ora, se não é a mulher do meu sobrinho. Quem sabe, futuramente, minha mulher.
*Hera:* Eu nunca me rebaixaria ao teu nível. Sai daqui, Saúl.
*Saúl (Aproximando-se dela):* Eu não acato ordens de uma mera prostituta feito você. Vim ver meu irmão. Mas já estava de saída.
*Saúl sai. Hera olha para Graco.*
*Hera:* Graco... posso te abraçar? Não ando muito bem... estou tão fragilizada.
*Desajeitado, Graco a abraça. Ele sente-se atraído.*
*Graco:* Se precisar, conte sempre comigo.
*Hera:* Obrigada pelo apoio. De verdade.
(CORTA PARA: QUARTO DE BAAL)
*Hera entra no quarto. Ela muda instantaneamente ao ver Baal na cama.*
*Hera (Sussurrando):* Maldito.
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE BAAL E LEOCÁDIA/ENTARDECER]
*Ulisses entra no closet de Leocádia. Ele escolhe um vestido preto de alta-costura, caríssimo.*
*Ulisses (Para si mesmo):* Elegante. Perfeito para mais uma travessura. Dane-se a mendiga.
(CORTA PARA: QUARTO DE ULISSES)
*Ele entra, Irlanda está encolhida no chão.*
*Ulisses:* O que eu posso fazer para você me perdoar?
*Irlanda:* Não me toque. Não chega perto de mim.
*Ulisses:* Eu me descontrolei ontem, me transformei em alguém que não sou. Me desculpe. Quero me redimir.
*Ele entrega o vestido de Leocádia para Irlanda.*
*Ulisses:* É um presente. Para você usar hoje. Você ficará magnífica.
*Irlanda (Lacrimeja):* Não posso aceitar nada de você.
*Ulisses:* Use, por favor. Irlanda, eu ainda te amo. Só quero que me perdoe. Ah, e a propósito... onde o cachorro está?
*Irlanda:* Eu... o encontrei morto hoje cedo.
*Ulisses (Cínico):* Que tragédia. Como?
*Irlanda:* Eu não sei. Alguém deve ter envenenado ele.
*Ulisses:* Enfim, use seu vestido, amor. Lembre-se que eu te amo. Minha Irlanda. Amor da minha vida!
*Ele tenta beijá-la, mas ela o rejeita.*
*Ulisses:* Eu te entendo. Agora preciso sair. Volto antes das oito.
*Ulisses sai do quarto. Irlanda fica empolgada.*
[UNIVERSIDADE/SAÍDA/ENTARDECER]
*Bosco está de saída. Alunos circulam pelo corredor. Moisés o chama.*
`Música: "Spies" (Robbie Williams)`
*Moisés:* Ei, Bosco! Parabéns. Mandou muito no trabalho.
*Bosco:* Mandamos. Você ajudou bastante.
*Moisés:* Mesmo assim, você se destacou. Trouxe um presente pra compensar.
*Moisés entrega um colar corrente para ele.*
*Bosco:* Não precisava. Eu já esqueci.
*Moisés:* Precisava, sim. Mas vem cá… você tá bem? Tá meio quieto.
*Bosco:* Tô, sim. Obrigado pelo presente. Vou guardar.
*Ele sai. Moisés observa, desconfiado. Setembro e Rás se aproximam.*
*Setembro:* E aí, Moisés.
*Moisés:* O que vocês querem?
*Rás:* Fica tranquilo. A gente veio numa boa.
*Setembro:* Não gostamos da sua amizade com esse viadinho aí… mas vamos deixar quieto.
*Moisés encara os dois, sem responder.*
[HOSPITAL/QUARTO DE BAAL/NOITE]
*Hera se aproxima da maca. Ela segura os tubos de oxigênio.*
*Hera:* Oportunidade perfeita... Por que você não morre de vez, seu lixo? Você é o homem que eu mais odeio no mundo, Baal Medrano.
*Ela aperta os fios, asfixiando-o.*
*Hera:* Assassino desgraçado! É assim que eu quero te ver: implorando por ar, implorando misericórdia!Já comecei minha vingança contra vocês!Causei o aborto da Aura, vou expor seu filho viadinho nu, e ainda vem mais por aí.
*De repente, Baal acorda, ele enforca Hera com força. Ela sufoca, lutando, até que ele a solta, tossindo pesadamente. Hera se recupera, mas em vez de fugir, pega seu celular e mostra o vídeo da traição para ele.*
*Hera:* Olhe bem. É seu irmão. O Saúl tentou te matar. E enquanto você quase morria, ele se divertia com sua mulher. Ele e Leocádia são amantes. Estavam te enganando desde sempre.
*Baal olha fixamente pro vídeo, com ódio.*
*Hera:* Você precisa matar o Saúl Medrano, e destruir Leocádia De Andradas. Acabe com eles, mas honre quem você é!
[MANSÃO MEDRANO/COZINHA/NOITE]
*Dalva prepara uma massa de costas, quando Leocádia surge furiosa.*
*Leocádia:* Por onde esteve até agora? Saiu desde cedo... sem dar satisfações.
*Dalva a ignora. Leocádia se aproxima, encara-a por um instante e então a empurra, arrancando suas mãos da massa e forçando-a a encará-la.*
*Leocádia:* Eu estou falando com você. Como ousa me enfrentar na frente daquela mendiga, sua criadinha atrevida? Botou na cabeça dela que eu matei cachorro.
*Dalva:* Eu já tô por aqui com suas ruindades, visse? Tu matou o cachorro da menina sim, por pura maldade!
*Leocádia:* Cuidado com o que diz. Calúnia dá cadeia.
*Dalva:* Pois eu num tenho medo da senhora não!
*Leocádia:* Pois deveria. Lugar de criada insolente é no calabouço.
*Dalva (Enfrentando-a):* Quem devia tá num calabouço era tu, desgraçada! Há anos tu faz mal a esses meninos. Eu cansei das tuas ruindades! Quando o senhor Baal acordar, ele vai saber que tu é amante do Saúl!
*Leocádia:* O quê? Você enlouqueceu de vez?
*Dalva:* Eu vi vocês dois se atracando no corredor! Eu vou botar tudo a perder, maldita! Pelos meus meninos, sou capaz de tudo!
*Dalva tenta sair, mas Leocádia impede. Num surto, ela a agarra pela blusa e a encara fixamente nos olhos.*
*Leocádia* Você não vai contar nada! Dalva... o Baal não pode saber. Ele vai me matar! Tenha piedade!
*Dalva consegue se soltar e vai até na soleira da porta, parando por um instante. Leocádia permanece para trás, desesperada.*
*Dalva:* Todos vão saber quem tu é! Monstro! Assassina!
*Leocádia (Gritando):* DALVAAAAAA! VOLTE AQUIIIIIIII!
*Leocádia avista um pesado rolo de massa na mesa. Num impulso, pega e avança contra Dalva, atingindo-a no alto da cabeça. Dalva cambaleia. Leva as mãos ao couro cabeludo e sente sangue quente escorrer entre os dedos. Ao olhar pras palmas, vê-as vermelhas, encharcadas de sangue. Leocádia arregala os olhos, apavorada. Dalva cai de joelhos e desaba no chão. Desesperada, tenta se arrastar, deixando grossas marcas de sangue pelo piso branco. Sangue escorre por seu rosto, invade os olhos, desce pelo queixo. Ela tenta gritar por socorro, mas apenas gorgolejos abafados saem de sua garganta, enquanto se engasga no próprio sangue. Leocádia respira rápido, em choque. Dá um passo à frente, ergue o rolo acima da cabeça e desfere outro golpe violento. Dalva tem um espasmo forte e cai, rosto colado no chão. Ela permanece imóvel. Inconsciente. Sangue cobre seu rosto, embaraça os cabelos e encharca suas mãos. Uma poça de sangue se espalha lentamente sob sua cabeça. Leocádia solta o rolo de massa, que cai e rola ruidosamente pelo piso. Tremendo, ela recua alguns passos, horrorizada.*
*Leocádia (Ofegante):* Dalva? Acorda... Para de brincadeira, mulher! Acorda!
*Leocádia agacha, toca no pescoço de Dalva e entra em desespero ao não sentir pulso. Ela liga para Solano.*
*Leocádia:* Alô, Solano? Eu preciso da sua ajuda agora! Eu matei a Dalva! Me ajuda!
*Solano:* Eu não trabalho mais pra você. Se vira.
*Leocádia (Gritando):* MALDITOOOOOOO! DESGRAÇADOOOOOOO!
*Assustada, Leocádia pega novamente o rolo de massa, limpa com um pano e observa Dalva inerte.*
> FIM DO DÉCIMO TERCEIRO CAPÍTULO
