Viver Sem Amanhã - Capítulo 12
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 12 (12/05/2026)
[RUAS DE SÃO PAULO/CALÇADA/NOITE]
*Sirenes ecoam ao fundo. Baal é jogado às pressas na maca, rosto completamente destruído: pele queimada e rasgada, sangue escorrendo dos olhos, do nariz e da boca. Um pedaço de carne solta pende da bochecha, deixando parte do osso exposta. Ele usa uma máscara de oxigênio embaçada por sangue e vapor. Os paramédicos correm, xingando baixo, pressionando compressas já encharcadas nos ferimentos enquanto empurram a maca aos trancos em direção à ambulância. Ele está quase inconsciente; seu corpo sacode involuntariamente enquanto é levado. Graco observa tudo imóvel, rosto pálido e os olhos vidrados, visivelmente abalado.*
(CORTA PARA: CORREDOR DO HOSPITAL)
*Aura, Bosco e Dalvam aguardam, andando de um lado pro outro, impacientes.*
*Bosco (Impaciente):* Que demora... já estou ficando preocupado.
*Baal segue na maca enquanto a equipe médica avança pelo corredor rumo à UTI. Aura se aproxima, tentando tocar a mão do pai.*
*Aura (Desesperada):* Pai! Pai, por favor... o senhor vai ficar bem. Aguenta firme!
*Eles são barrados na porta da ala de emergência. Aura senta num banco, chorando.*
*Aura:* Até quando? Meu Deus, quanta desgraça... Eu não suporto mais perder ninguém.
*Bosco (Abraçando-a):* Respira, maninha. Onde está o Cobalto? Ele devia estar aqui.
*Aura:* Ficou no local do incêndio. Está terminando de acompanhar a perícia.
*Dalva:* E a "primeira-dama"? Onde tá aquela desgraçada enquanto o marido quase morre?
*Bosco:* Não a vi hoje. Nem ela, nem o tio Saúl.
*Dalva:* Ou Satanás chamou eles. Aura, minha menina… eu preciso te dizer... eu ia esperar, mas num dá não..
*Aura:* O que foi, nana? Fala logo.
*Dalva:* Mais cedo eu entrei no teu quarto, visse, e peguei a Hera mexendo no frasco dos teus remédio. Eu achei muito estranho. Ela nem se ligou que eu vi, não.
*Aura (Exausta):* E daí? Ela deve ter esbarrado, ou estava organizando. Ela tem tentado ajudar. Você está implicando com ela.
*Bosco:* Eu ainda não confio, mas também não tive tempo de conhecê-la.
*Dalva:* Pode até ser implicância, visse… mas meu faro num falha, não. Enfim, vamo focar no que importa. Bora fazer uma corrente de oração, mesmo que o pai de vocês prefira rezar pro demônio.
*Eles se dão as mãos e fecham os olhos.*
*Dalva, Aura e Bosco:* Pai nosso que estais no céu...
[MANSÃO MEDRANO/SALA DE ESTAR/NOITE]
*Ulisses coloca gelo no copo, serve uísque e se senta, fumando um cigarro logo em seguida. Ele relaxa e ri. Irlanda aparece. A música está alta.*
`Trilha sonora: "Empty Skies" (Switch Disco, Korolova)`
*Irlanda:* Ulisses? Você ainda está aqui? Não vai ver seu pai?
*Ulisses (Rindo):* Fazer o quê? Segurar a mão dele? Não sou médico, Irlanda. Não tenho nada para fazer naquele lugar.
*Irlanda:* É o seu pai, Ulisses! Ele pode estar morrendo!
*Ulisses (Gritando):*
E que morra! Aquele desgraçado nunca foi meu pai. Ele é apenas o homem que me deu um sobrenome e uma coleção de traumas.
*Irlanda:* Que horror... como você pode ser tão frio?
*Ulisses:* Eles plantaram ódio, colheram rancor. Você teve amor, mesmo que fosse daquela pinguça usuária de drogas que você chama de mãe. Você não sabe o que é viver na sombra do Baal.
*Irlanda (Ofendida):* Não fale da minha mãe. E não use seus traumas para justificar sua crueldade.
*Ulisses:* Tá, tá, tá! É noite de festa, meu amor. O gigante caiu. Vamos brindar?
*Irlanda:* Eu não bebo. E sinto nojo do seu sarcasmo.
*Ulisses ignora. Ele ergue o copo.*
[CHALÉ/QUARTO/NOITE]
*Num chalé isolado da cidade, Saúl e Leocádia transam. Nus, movem-se sob uma iluminação fraca. Ela desliza as mãos pelas costas dele e geme de prazer. Ouvem-se os gemidos do lado de fora, então Hera se aproxima da janela com cuidado, olha pela fresta e se surpreende. Em seguida, pega seu celular e grava.*
*Hera (Sussurrando para si mesma):* Traidores malditos. Vocês estão mortos.
*Ela se retira silenciosamente antes que terminem. Lá dentro, Saúl se afasta de Leocádia e acende um cigarro. Está apenas de sunga; ela permanece embrulhada nos lençóis. Enquanto Leocádia continua deitada, Saúl se senta. Os dois conversam.*
*Saúl:* A essa hora, o grande Baal Medrano deve estar virando estatística numa maca fria.
*Leocádia (Rindo):* Eu sempre soube que você tinha estômago, Saúl. Homens como você são relíquias nos dias de hoje.
*Saúl se levanta novamente, abre um champanhe, serve duas taças e entrega uma pra Leocádia.*
*Saúl:* Obrigado, querida, mas agora precisamos garantir que aquele traste não saia do hospital respirando.
*Leocádia:* Você já falhou uma vez, Saúl. Errar é humano, reincidência é burrice. Demonstre competência agora.
*Saúl:* E você errou três vezes! É tão cadela quanto eu sou um cachorro. Olhe para os seus filhos: um não presta, o outro é um capacho do pai, a mulher vive em depressão e ainda tem um viadinho. Não segurou seu homem e nem soube sumir com a Prudência.
*Leocádia:* Quanto à Prudência... você não imagina do que eu sou capaz.
*Saúl:* O quê? Foi você? Você deu um fim nela?
*Eles riem, brindam e se beijam. O celular dela toca, mas ela ignora.*
*Leocádia:* Inferno! O Bosco não desiste.
*Saúl:* Não vai atender?
*Leocádia:* Quero que todos se danem. Eu não quero ouvir por telefone. Quero ler a manchete: "Baal Medrano morre em atentado". Só acredito quando vir o corpo. Aquele demônio tem sete vidas.
*Saúl (Sádico):* Ele já está morto, meu amor. Relaxa e aproveita
*Leocádia:* Não cante vitória. Aquele demônio não morre tão facilmente.
*Saúl:* Confia em mim, amorzinho...
*Saúl derrama champanhe da garrafa no corpo de Leocádia, que grita. Instantaneamente eles riem. Ele lambe os seios dela enquanto ela demonstra sentir prazer.*
[ESTRADA/CARRO/NOITE]
*Hera dirige em alta velocidade. Ela lembra da cena, sentindo ódio.*
*Hera:* Prostituta velha... Traidor... Nojentos! Vocês vão ser meu passaporte. Vou matar dois coelhos com uma cajadada só.
*Seu celular toca. É Cobalto. Ela atende.*
*Hera:* Alô? Cobalto?
*Cobalto:* Alô, meu amor... Onde você está?
*Hera:* Eu... eu saí para espairecer, estava nervosa. O que foi?
*Cobalto:* Meu pai sofreu um atentado. Ele está em estado gravíssimo.
*Hera (Fingindo choque):* O quê?! Como foi?
*Cobalto:* Ainda não sabemos. Tudo pode acontecer agora.
*Hera:* Calma, querido. Vou passar no hotel, trocar de roupa e vou direto pro hospital.
*Cobalto:* Certo. Vou esperar a perícia terminar e passo lá também.
*Ela desliga, fica furiosa, soca o volante com força e grita, completamente descontrolada.*
*Hera (Surtando):* Não! Você não pode morrer agora, Baal! Não pelas mãos deles! Você é meu... você tem que sofrer nas minhas mãos primeiro!
[MANSÃO MEDRANO/SALA DE ESTAR/MADRUGADA]
*Ulisses está bêbado, a música alta incomoda. Irlanda tenta intervir.*
*Irlanda:* Ulisses, já passa da meia-noite. Chega de bebida, por favor.
*Ulisses (Agressivo):* E quem é você para me dar ordens? Minha mãe? Minha dona?
*Irlanda:* Eu sou sua namorada! A mulher que vai casar com você. Me ouve!
*Ulisses se levanta de repente, pega uma garrafa de uísque e segura Irlanda pelo rosto com força, obrigando-a a beber.*
*Ulisses:* Você vai beber comigo, sim! É uma ordem! Vamos celebrar a queda do rei! Bebe!
*Irlanda:* Eu não quero! Você está me assustando, Ulisses!
*Ulisses (Gritando, descontrolado):* BEBE, VADIAAAAAAA!
*Ele enfia o gargalo da garrafa na boca dela à força. Irlanda se engasga, e uísque escorre pelo pescoço.*
*Irlanda (Tossindo):* Você enlouqueceu? Ficou maluco?
*Ulisses tira a camisa, e parte pra cima dela.*
*Ulisses:* Talvez. Louco de prazer. Eu preciso descarregar essa energia... Agora, Irlanda. Faz amor comigo
*Irlanda:* Nesse estado? Nunca! Eu não quero!
*Ele arremessa a garrafa no chão, que se estilhaça.*
*Ulisses (Gritando):* Que inferno! Vai pro inferno também, desgraçada! DESGRAÇAAAAAAAAA!
*Irlanda:* Eu não te reconheço mais... Eu vou embora agora. Você está louco, Ulisses! Está fora de si!
*Ulisses:* VOCÊ NÃO VAI A LUGAR ALGUM!
*Ele a agarra e tenta beijá-la à força. Ela morde a boca dele e consegue se soltar.*
*Ulisses:* Aaaaah! Sua piranha! Tá vendo o que fez comigo?
*Irlanda corre escada acima. Ulisses vai atrás, subindo os degraus dois a dois. Ela entra no quarto e tranca a porta.*
*Ulisses (Voz mansa):* Abre a porta, amorzinho... Não me faça perder a paciência.
*Ulisses começa a chutar a porta. Irlanda pega um vaso de cerâmica numa mesinha ao lado.*
*Irlanda (Chorando):* PARAAAAAAAAA!
*Ulisses arromba a porta com um chute. Irlanda está encolhida no canto da cama, chorando.*
*Ulisses:* Larga esse vaso. Agora.
*Irlanda:* Se afasta de mim! Ou eu te mato!
*Ele avança, rindo. Ela joga o vaso; ele desvia, o objeto cai e quebra no chão, então ele a prensa na cama. Ele está em cima dela, completamente bêbado. Ela tenta se soltar, arranhando as costas dele e mordendo seu pescoço. Ele a domina, segurando suas mãos.*
*Ulisses:* Você vai ser minha por bem ou por mal.
*Irlanda (Chorando):* Me solta... eu não quero! Por favor, Ulisses! Eu não quero! Eu te suplico! Me soltaaaaa!
*Ulisses (Desesperado):* Cala a boca, sua desgraçada! Vai fazer amor gostoso comigo!
*Ulisses obriga Irlanda a transar com ele, enquanto ela grita e chora.*
[HOSPITAL/CORREDOR/MADRUGADA]
*Todos estão exaustos e preocupados.*
*Aura:* Bosco, vai para casa. Você precisa descansar, eu fico aqui.
*Bosco:* Não vou deixar vocês sozinhas. E nossa mãe que não atende?
*Dalva:* Aquela demônia já deve estar calculando partilha de bens.
*Aura leva as mão na cabeça.*
*Dalva:* Tudo bem, minha fulô? Tu tá pálida.
*Aura:* Não... Faz dias que não me sinto bem. Acho que é estresse.
*Bosco:* Aproveita que já está no hospital e pede um check-up. Você não para quieta.
*Aura:* Não é nada, Bosco. Só estresse.
*Dalva:* Estresse num dá suor frio não, visse… o que é que tu tá sentindo, minha bichinha?
*Aura:* Dor de cabeça, enjoo, fadiga...
*Dalva:* E se tu tiver... grávida?
*Bosco:* Pensei o mesmo, Dalva.
*Aura (Rindo sem vontade):* Não, impossível. Eu me cuidei. O Nelson e eu tínhamos planos, não queríamos ter filhos por enquanto.
*Bosco:* Métodos falham, Aura.
*Aura abre sua bolsa, pega um comprimido e engole a seco.*
*Aura:* Gente, eu não estou grávida. Eu sempre fui metódica. Acabou.
*Dalva e Bosco observam Aura, preocupados.*
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 12 (12/05/2026)
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE ULISSES/MADRUGADA]
*Irlanda está encolhida no canto da cama, em choque. Ulisses se levanta e termina de se vestir, indiferente.*
*Ulisses:* Foi maravilhoso. Você é uma mulher de verdade.
*Ele ouve barulhos no andar de baixo e sai do quarto. Sozinha, Irlanda berra, agarrada aos travesseiros.*
`Música: "Secrets" (Miley Cyrus, Lindsey Buckingham, Mick Fleetwood)`
[MANSÃO MEDRANO/ESCADARIA/HALL/MADRUGADA]
*Ulisses desce as escadas e encontra Leocádia e Saúl chegando.*
*Ulisses:* Por onde os pombinhos andavam? Decidiram não comparecer no hospital?
*Saúl (Sorriso de canto):* Pode encomendar seu terno preto, Ulisses. Baal não sobrevive àquela explosão.
*Leocádia observa um par de sapatos de Irlanda.*
*Leocádia (Ignorando-o):* Ulisses, por que essa mendiga fanfarrona ainda está aqui? Já não a expulsou?
*Ulisses:* Ora, Leocádia. Já disse: minha mulher não sai daqui.
*Leocádia se aproxima e faz careta.*
*Leocádia:* Afaste-se! Você fede. Tá fedendo, Ulisses. Álcool, pó... você é um esgoto aberto mesmo.
*Ulisses:* E você é uma arrombadinha miserável. O que eu faço da minha vida não te interessa.
*Saúl:* Parem! É noite de festa. Aquele asqueroso está com o pé na cova.
*Leocádia:* Não brindo com ingratos. Agora preciso de um banho.
*Ulisses:* Espero que você tenha um infarto na banheira.
*Leocádia sobe alguns degraus, olha por cima do ombro e encara Ulisses.*
*Leocádia:* Filho querido... cuidado com o que diz. Eu não costumo ser uma "mãe leoa" quando me provocam.
*Ulisses (Gargalha):* Prostituta velha! Vai se entupir de rejuvenescedor pra ver se mascara sua cara de idosa enrugada!
(CORTA PARA: CORREDOR DOS QUARTOS)
*Leocádia sobe, bufando. No topo da escada, ela vê o cachorro de Irlanda, ganindo perto da porta.*
*Leocádia:* Pulguento sujo. (Ri.)
*Ela pega o animal e o leva para dentro de seu quarto.*
(CORTA PARA: HALL E ESCADARIA)
*Saúl e Ulisses riem enquanto conversam.*
*Saúl:* Vou nessa, Ulisses.
*Ulisses:* Não achei que você teria coragem, tio. Mas admito: foi genial. Parabéns.
*Saúl:* Só fiz o que precisava ser feito.
*Ulisses:* Que aquele estrupício já esteja queimando no inferno. Desgraçado.
*Saúl:* Deus te ouça. Agora, tenho um encontro marcado.
(CORTA PARA: QUARTO DE BAAL E LEOCÁDIA)
*Leocádia ajoelha e imobiliza o cachorro no chão.*
*Leocádia:* Vou te mostrar que ninguém se mete comigo, mendiga imunda.
*Ela agarra o pescoço dele com as duas mãos e aperta com força. O animal solta um ganido agudo e desesperado, debatendo-se e tentando fugir. Ele coloca a língua pra fora da boca, inchando, enquanto os ganidos se transformam em engasgos roucos e fracos. Seu corpo treme em espasmos, olhos arregalados de pânico, até que seus movimentos vão diminuindo. Por fim, ele não resiste e acaba morrendo.*
*Leocádia:* Morre, pulguento maldito!
*Ela segura e joga o animal no jardim do alto da janela.*
*Leocádia:* Seu presente de casamento antecipado, mendiga desgraçada!
*Leocádia ri, olhando pro animal morto.*
[HOTEL URBAN SPAY/QUARTO DE HERA/MADRUGADA]
*Hera termina de se arrumar diante do espelho.*
*Hera:* Estou pronta. Vamos lá, Hera.
*Ela caminha e encontra Saúl sentado no sofá, no escuro.*
*Saúl:* Olá, sobrinha querida.
*Hera (Chocada):* O que você está fazendo aqui?
*Saúl:* Dica de tio: não confie nos recepcionistas e, não seja burra, Hera.
*Hera:* Sai daqui agora! Quem te deu autorização?
*Saúl:* Calma... Eu sei que o imbecil do meu sobrinho não dá conta de uma mulher como você. Pela incompetência dele estou aqui.
*Hera:* Eu não vou repetir. Rua!
*Saúl (Aproxima-se):* Você precisa de um homem de verdade. Alguém que te faça arder em chamas. E só eu posso te fazer sentir tesão.
*Hera:* Eu tenho asco de você, estuprador miserável!
*Saúl:* Cala a boca, sua meretriz!
*Saúl avança e a prensa na parede com os braços.*
*Saúl:* Eu tenho uma quedinha por mulheres vulgares como você... pistoleiras. Acabei de vir de um encontro maravilhoso, mas guardei leite pra você também.
*Hera:* Me solta, seu desgraçado! Eu nunca vou ser sua!
*Saúl:* Nem Leocádia De Andradas resistiu a mim...
*Hera (Cospe as palavras):* Eu já sei de você e daquela velha pelancuda! Eu vi os dois!
*Saúl:* O quê? Você estava lá?
*Hera:* Vocês são asquerosos! Como teve coragem de trair seu próprio irmão com aquela carcaça de velha?
*Saúl:* Sou asqueroso? Pois saiba que o Baal vai morrer. Fui eu que instalei os explosivos no carro dele! Não adianta tentar bajular ele agora.
*Hera:* Não me surpreende. Seu lixo. Agora... ME SOLTA!
*Hera aproveita a proximidade e golpeia os testículos de Saúl. Ele cai urrando de dor. Ela corre pra porta gritando por socorro, mas Saúl a agarra pelos cabelos e a joga no chão. Ele tira as calças e camisa.*
*Hera:* ME SOLTA! NÃO! PARA!
*Saúl parte para cima dela, tentando forçá-la. Hera luta e grita, até que Cobalto aparece.*
*Cobalto:* Sai de cima dela, seu desgraçado!
*Cobalto puxa Saúl com força e acerta dois socos no rosto dele. Saúl reage com um chute no estômago. Cobalto empurra Saúl no chão e passa a golpeá-lo repetidamente no rosto, até deixá-lo sangrando.*
*Cobalto (Esmurrando Saúl):* Maldito! Pervertido!
*Saúl (Gaguejando, quase inconsciente):* Vai... se arrepender...
*Hera (Gritando):* Parem! Cobalto, para!
*Sem dar atenção, Cobalto ergue Saúl e o arremessa numa mesa de vidro, que se estilhaça no impacto. Cacos o ferem. Cobalto continua desferindo murros no rosto dele, até ele desmaiar, coberto de sangue.*
*Cobalto (Possesso):* Não mexa com o que é meu!
*Hera:* Você... você matou ele?
*Cobalto:* Esse cachorro não morre tão fácil.
*Cobalto arrasta Saúl inerte até no corredor do hotel e o joga no chão como lixo. Atira as roupas de Saúl por cima dele. Hera corre pros braços de Cobalto, em choque.*
`Trilha sonora: "Vuélveme a Querer" (Thalia)`
*Hera (Chorando):* Ele ia me estuprar, Cobalto.
*Cobalto:* Calma, eu tô aqui. Fui até o hospital e, quando vi que você não estava, resolvi vir te procurar.
*Hera:* Se você não tivesse chegado, não sei o que ele seria capaz.
*Cobalto:* Calma. Ele nunca mais vai chegar perto de você.
*Ela chora nos braços dele.*
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE ULISSES/MADRUGADA]
*Deitados, Irlanda está de costas. Ulisses tenta tocá-la.*
*Irlanda:* Não me toca. Nunca mais.
*Ulisses:* Me desculpe, meu amor... Eu agi por impulso. Eu errei, confesso.
*Irlanda:* Você é um assediador. Não fale comigo. Não respire perto de mim.
*Ulisses:* Irlanda, por favor...
*Irlanda:* EU JÁ DISSE! NÃO ME TOCA!
`Trilha sonora: "Secrets" (Miley Cyrus, Lindsey Buckingham, Mick Fleetwood)`
*Ela se levanta e se senta no chão, encostada à porta, abraçada aos joelhos, soluçando. Ulisses dá de ombros e vira pro lado.*
[ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA/MADRUGADA]
`Trilha sonora: "La Mia Storia Con Te" (Alessandro Amoroso)`
*Clémence assina papéis. Por um instante, ela para e sorri ao lembrar de Nelson. Ela balança a cabeça, e volta à postura habitual.*
*Adv. Clémence:* Nelson... você é um homem muito atraente. Não, Clémence. Você não pode estar se apaixonando por ele. Ele é só seu cliente, mantenha distância.
[HOSPITAL/CORREDOR/MADRUGADA]
*O médico sai da sala de cirurgia. Aura, Bosco e Dalva se levantam.*
*Aura:* E então, doutor?
*Bosco:* Meu pai sobreviveu?
*Médico:* O Sr. Baal está fora de perigo.
*Aura e Bosco se abraçam, aliviados.*
*Dalva:* Que ele mude dessa vez.
*Médico:* Mas o quadro é grave: ele sofreu queimaduras profundas e precisa de repouso absoluto.
*O médico se retira. Aura sorri, aliviada.*
*Bosco:* Se Deus deu uma segunda chance a ele, é porque quer que ele se redima com todos nós.
*Dalva:* Ou uma chance para ele atormentar ainda mais.
*De repente, Aura sente um calafrio. Ela olha para baixo e percebe sangue nas pernas, já respingando no chão do hospital. Ao tocar na região, vê as mãos cobertas de sangue.*
*Aura (Gritando):* NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!
*Dalva e Bosco entram em pânico enquanto Aura sofre um aborto.*
> FIM DO DÉCIMO SEGUNDO CAPÍTULO
