Viver Sem Amanhã - Capítulo 11
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 11 (11/05/2026)
[MANSÃO MEDRANO/JARDIM/MADRUGADA]
*Saúl termina de acomodar os explosivos no porta-malas e cobre o mecanismo com tralhas e panos velhos. Faz ajustes finais no detonador e, em seguida, aciona.*
*Saúl (Gargalhando):* Pronto! (Ri) Dessa vez você não escapa por nada, Baal.
*Fechando o porta-malas com cuidado, Saúl se inclina ao vidro; em deboche, encosta seus lábios e beija.*
*Saúl:* Eu acabei com você, poderoso Baal Medrano.
`Trilha sonora: "Remember me Well" (Tim MCGraw)`
*Fade out. Takes da cidade ao amanhecer.*
[MANSÃO MEDRANO/HALL E ESCADARIA/MANHÃ]
*Baal desce as escadas. Dalva aparece e o encara, furiosa.*
*Dalva:* Maldito! Era com tu mesmo que eu queria falar.
*Ela saca uma faca de cozinha e aponta para ele.*
*Baal:* Enlouqueceu, sua serviçal burra? Quer ver do que sou capaz?
*Dalva:* Oxente, num venha com ameaça pra cima de mim não, seu monstro! Como foi que tu teve coragem de machucar meus meninos?
*Baal:* Do que você está falando agora, sua criada tapada?
*Dalva:* Num se faça de sonso! Tu espancou meu menino Bosco. Ele é só um menino!
*Baal:* Ah... o "bonequinho"? Já foi chorar no seu colo?
*Dalva:* Desgraçado… já te avisei: num mexa com meus meninos, visse? Faça suas ruindades, mas deixa eles fora disso! Tu e aquela “girafa engomadinha” que tu chama de mulher podem até nuo ter sangue nas veia… mas eu amo meus meninos, ouviu? Por eles daria minha vida!
*Baal:* Sua cozinheira nordestina e insolente.
*Ele se aproxima sem dizer nada e a esbofeteia com força. Ela cai no chão, e a faca desliza para longe pelo piso. Sem dar tempo para reação, ele desfere um soco direto no rosto dela. Sangue escorre pela boca. Enquanto ela se arrasta para trás, aterrorizada, Baal se abaixa e recolhe a faca do chão.*
*Baal:* E agora? Onde foi parar aquela criada bravona de três minutos atrás?
*Dalva:* Tu é um monstro...
*Baal:* Quer comprovar? Não tá satisfeita?
*Ele a agarra pelo braço com força, imobilizando-a no chão.*
*Dalva:* Me solta! Socorro!
*Baal:* Eu vou te ensinar o que acontece com quem cruza meu caminho.
*Com a faca, ele corta a mão dela. Ela grita, desesperada.*
*Baal:* É para você entender que na educação dos meus filhos, ninguém se mete.
*Ele joga a faca ao lado dela.*
*Baal:* Agora levanta e vai pra cozinha.
*Baal sai pela porta da frente. Dalva colapsa no chão, soluçando. No topo da escada, Leocádia aparece.*
*Leocádia (Descendo as escadas):* O que está havendo aqui? Criada agora deu para deitar no chão? Vá trabalhar, Dalva.
*Leocádia vira as costas e também sai pela porta da frente. Dalva permanece estirada no chão.*
[HOTEL URBAN SPAY/QUARTO DE HERA/MANHÃ]
*Hera, de roupão, prepara uma bandeja com café da manhã. Cobalto chega por trás, apenas de cueca, e a abraça pela cintura.*
`Trilha sonora: "Vuélveme a Querer" (Thalia)`
*Cobalto:* O que temos aqui?
*Hera:* Eu ia levar para você na cama, seu folgado. (Ri.)
*Cobalto (Rindo):* Inversão de papéis? Nos filmes, os homens que fazem o café.
*Hera:* Não seja retrógrado. É apenas meu jeito de dizer que te amo.
*Cobalto (Beijando o pescoço dela):* Eu odeio o amanhecer... Ter que me separar de você é a pior parte do dia.
*Hera:* Calma... horas passam rápido. Logo você estará nos meus braços de novo.
*Eles se beijam intensamente, apaixonados.*
*Cobalto:* Eu daria tudo para nunca mais ter que me soltar de você.
*Hera (Rindo, empurrando-o de leve):* Chega! Vai para empresa, você tem trabalho a fazer.
*Entre risos e beijos, ele se retira.*
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/MANHÃ]
*Clémence analisa detalhadamente o processo junto a Nelson.*
*Adv. Clémence:* Identifiquei inconsistências financeiras e possíveis registros que foram ocultados.
*Nelson:* Mas altera o panorama do caso?
*Adv. Clémence:* Sim, desde que consigamos apresentá-los antes que sejam suprimidos.
*Nelson:* E caso não seja possível?
*Adv. Clémence:* Nesse caso, utilizaremos o que já temos para gerar dúvida razoável.
*Nelson:* Ainda assim, não me absolve.
*Adv. Clémence:* Não de imediato. Contudo, enfraquece significativamente a narrativa da acusação.
*Nelson (Rindo):* Você não costuma desistir, não é mesmo?
*Adv. Clémence:* Não quando tentam distorcer a verdade.
*Eles se olham e riem. Ela segura as mãos dele.*
[UNIVERSIDADE/SALA DE AULA/MANHÃ]
*Bosco entra na sala de aula após dois dias de ausência. Ele caminha rente às paredes. Moisés entra logo em seguida.*
*Moisés:* Olha só quem resolveu aparecer! Dois dias sumido, Bosco. Perdeu muita matéria, mas relaxa que eu te passo tudo... E o trabalho? Será que vem dez?
*Bosco (Apático):* Talvez.
*Moisés se aproxima e, ao ver as marcas no rosto de Bosco, empalidece.*
*Moisés:* Bosco... O que aconteceu com você? Dessa vez eles passaram dos limites. Foi o Setembro e o Rás, não foi?
*Bosco:* Não foi ninguém. E não finja que se importa... Você sempre foi o primeiro a rir de mim.
*Moisés:* Não... Bosco, eu...
*Bosco:* Afaste-se. Já entregamos o trabalho, não temos mais nada para conversar. É melhor você ficar no seu canto antes que seus amigos cheguem e nos vejam conversando. Você não pode conversar com um "viadinho" nem em pensamento.
*Moisés:* Escuta... no dia que fizemos o trabalho, eu percebi que fui um idiota com você. Eu te persegui sem motivo. Quero te pedir desculpas. De verdade.
*Bosco:* Eu não sei se...
*Moisés (Estende a mão)* Amigos?
*Bosco hesita, olha para a mão de Moisés e finalmente aperta.*
`Trilha sonora: "Spies" (Robbie Williams)`
*Bosco:* Vou pensar no seu caso. Mas a distância ainda é o melhor caminho para nós dois.
*Moisés (Sorrindo):* Bom, já é um começo!
*Bosco (Deixa escapar um sorriso tímido):* É, talvez.
*Moisés:* Viu? Consegui arrancar um sorriso de você!
*Eles se olham fixamente e riem.*
[CAFETERIA/MANHÃ]
*Leocádia e Solano estão sentados à mesa.*
*Leocádia:* Eu ordenei que matasse aquela pistoleira depravada. Não vai me dizer que se apaixonou por ela?
*Solano (Rindo com escárnio):* Calma, Leocádia. Tudo acontece no tempo certo.
*Leocádia:* Será? Porque ela teve o desplante de dizer que vocês têm um caso. Eu até duvidei, mas me convenci logo. Não consigo acreditar que você desceu tão baixo.
*Solano:* Pois acredite. Eu não revirei hotel algum, porque ela não mentiu: agora somos amantes. E quer saber? Ao lado da Hera, eu serei muito maior do que jamais fui sendo seu capacho. Não faço mais seu serviço sujo.
*Leocádia:* Você me dá nojo. Meu filho vai saber de cada detalhe.
*Solano:* Você não vai contar nada. Se abrir a boca pro Cobalto, o Baal vai saber que é o pai daquela "mendiga suja" que você odeia. Vou contar que foi você quem matou o bebê da Prudência e entregou à Irlanda pra ela.
*Leocádia:* Como se atreve? Você...
*Leocádia empalidece e se levanta de repente.*
*Leocádia:* Cala a boca, seu traidor!
*Ela tenta esbofeteá-lo, mas Solano segura o pulso dela, apertando com força.*
*Solano:* Eu vou deixar tudo para trás por ela. Minha esposa, minha filha... e ela vai deixar o Cobalto. Vamos para Paris com seu dinheiro, Leocádia.
*Leocádia:* Aquela rampeira degenerada nunca vai ser nada na vida do meu filho. No fim das contas, é você quem vai sair sangrando. Ela não ama ninguém, Solano. Ela destrói. Você vai descobrir da pior forma possível.
*Solano (Soltando o braço dela):* Já terminou seu sermão? Sua velha pelancuda e decrépita! Vaza!
*Leocádia:* Eu vou! Não temos mais nada para tratar.
*Ela se vira para sair, mas para.*
*Leocádia:* Quando você perceber que eu tinha razão, quando ela te quebrar por dentro, não me procure.
*Solano:* Vai logo, Leocádia... Vá passar seus cremes caros para esconder a velhice. Rameira caduca cheia de estrias! Você tá ficando esclerosada! (Ri.)
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 11 (11/05/2026)
[MANSÃO MEDRANO/HALL/TARDE]
*Leocádia entra furiosa, arremessando sua bolsa na poltrona. O cão de Irlanda se aproxima e urina em seus pés.*
*Leocádia:* Maldito traidor! Preciso me livrar daquela prostituta desgraçada...
*Leocádia Sente a umidade nos pés.*
*Leocádia:* Mas o quê?! Maldito pulguento!
*Ela chuta o cachorro, que sai ganindo. Ulisses e Irlanda descem as escadas.*
*Irlanda:* Ei! Não bate nele! O bichinho não tem culpa da sua histeria!
*Ulisses:* Essa mulher perdeu completamente a noção, meu amor.
*Leocádia (Gritando):* Me deixem em paz! Desapareçam da minha frente!
*Ulisses (Ri, debochado):* Você está patética, Leocádia.
*Leocádia (Apontando para Ulisses):* Você acabou de desperdiçar mais uma chance.
*Ulisses:* Acha mesmo que pode contra mim?
*Leocádia:* Com você, talvez não agora. Mas com essa mendiga suja... esteja certa de que sim.
*Irlanda:* Eu não tenho medo dos seus gritos, senhora.
*Ulisses:* Ouse tocar na Irlanda e eu acabo com você.
*Leocádia:* A cadela de rua transformou o lobo em cão de guarda? Que comovente. Aproveite o teto, garota. Porque seu tombo vai ser grande. Agora tratem de limpar os dejetos desse vira-lata.
*Leocádia sobe, ignorando Ulisses. Ele se vira para Irlanda.*
*Ulisses:* Tá me olhando por quê? Vai caçar o que fazer!
*Irlanda sobe as escadas. Saúl entra em cena.*
*Saúl:* Sobrinho! Bom dia!
*Ulisses:* Não tenho tempo para suas idiotices, tio.
*Saúl:* É hoje, Ulisses. Hoje o capeta abre as portas do inferno para receber Baal Medrano.
*Ulisses (Surpreso):* Então você vai mesmo levar adiante?
*Saúl:* Você não me conhece. Tá até fácil. Os seguranças dele são incompetentes, nem revisam os carros direito. Vou despachá-lo com explosivos.
*Ulisses:* Melhor assim. Evita rastros.
*Saúl:* Cadê a Leocádia?
*Ulisses:* No quarto, em surto. Anda eufórica.
*Saúl:* Com razão. Você nunca deveria ter trazido aquela mendiga para cá. No fim, quem vai sofrer as consequências é ela.
*Saúl também sobe para ir ao quarto de Leocádia.*
[HOTEL URBAN SPAY/QUARTO DE HERA/TARDE]
*Hera está sentada, impaciente. Solano entra e entrega dois frascos a ela.*
*Hera:* Pela sua cara, touxe o que pedi.
*Solano:* Aí está. Exatamente como combinamos.
*Hera (Observando os frascos):* Ótimo. Desta vez, eu serei a caçadora. Decidi me alimentar de um ventre.
*Solano:* Posso saber quem é o alvo da vez?
*Hera:* A filha do Baal. Ela está grávida, mas esse bebê não verá a luz do dia. Será meu primeiro ato de vingança contra um Medrano.
*Solano (Aproxima-se por trás, abraçando-a):* Você não presta mesmo, não é? E minha recompensa?
*Hera:* Você merece muito...
*Eles se beijam e ela o arrasta para cama.*
[UNIVERSIDADE/CORREDOR DOS ESCANINHOS/TARDE]
*Bosco guarda seus livros. Ao fechar o armário, é cercado por Rás e Setembro.*
*Bosco:* Que susto! O que querem?
*Rás:* Não vai embora tão cedo, Bosco. Temos uma pendência.
*Setembro:* Queremos o nome de quem te bateu para podermos dar um "feedback positivo". Precisamos agradecer pelo serviço bem feito.
*Bosco:* Vocês não cansam de me perseguir?
*Setembro:* Fez lavagem cerebral no Moisés, não foi? Seu projeto de homem.
*Rás aperta o pescoço de Bosco.*
*Rás:* Lixo como você deveria ser exposto em praça pública. Vamos terminar o que começaram agora.
*Moisés aparece no corredor e intervém.*
*Moisés:* Soltem ele! Agora!
*Moisés empurra Rás, que solta Bosco.*
*Rás:* Olha só, o cavaleiro chegou para salvar a damisela.
*Setembro:* Qual seu problema, Moisés? Vai defender essa bichinha agora?
*Moisés:* Já chega de covardia.
*Setembro dá um soco em Moisés.*
*Setembro:* Quem decide quando chega sou eu!
*Moisés revida o soco. Eles brigam. Rás percebe o movimento de seguranças ao longe e arrasta o comparsa.*
*Rás:* Vamos, Setembro! Não vale a pena levar suspensão por causa desse lixo.
*Eles saem. Rás vira pela última vez.*
*Setembro:* Nós não terminamos, traidor.
`Trilha sonora: "Spies" (Robbie Williams)`
*Moisés ajuda Bosco a se levantar e o abraça.*
*Moisés:* Calma... Eu estou aqui. Ninguém mais vai tocar em você. Eu prometo
*Ao fundo, o Professor Deméter observa, as mãos nos bolsos.*
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE AURA/ENTARDECER]
*Hera bate à porta e entra. Aura está sentada, pálida.*
*Hera:* Vim te ver, amiga. Como você está?
*Aura:* Eu estou ótim! Obrigada por se lembrar de mim! Sua companhia sempre me faz bem, Hera.
*Hera:* Fico feliz. E sua recuperação?
*Aura:* Aos poucos estou esquecendo ele.
*Hera:* Que bom, cunhadinha! Mas me diga... eu quero saber como funciona um casamento? Estou pensando no meu futuro ao lado do Cobalto e queria saber por onde começar.
*Aura:* O segredo é o amor, Hera. Se vocês se amam, não se preocupem. Porém, os preparativos são exaustivos e caros...
*Ela sente um forte enjoo. Fecha os olhos.*
*Aura:* Não estou bem. Já volto.
*Assim que Aura sai, Hera age rápido. Ela pega um frasco de remédios de Aura e substitui as pílulas pelos abortivos que trouxe. Dalva entra e quase a flagra.*
*Dalva:* Oxente… o que tu tá fazendo com os remédio da minha menina?
*Hera (Disfarçando):* Nada, Dalva. Só estava guardando para ela.
*Dalva:* Olha, eu num confio em tu não, visse…
*Hera:* Bobagem. Já estou de saída. Avise a Aura que eu ligo depois.
*Hera sai às pressas. Aura aparece e chama por ela.*
*Aura:* Hera, eu estou bem! A Hera já se foi?
*Aura observa a mão enfaixada de Dalva.*
*Aura:* Nana... o que houve? Você se machucou?
*Dalva:* Num foi nada, menina.
(CORTA PARA: CORREDOR DOS QUARTOS)
*No corredor, Hera vê Saúl e Leocádia cochichando antes de saírem às pressas. Ela decide segui-los discretamente.*
[RUAS DE SÃO PAULO/CARRO/NOITE]
*Graco trafega o veículo em alta velocidade.*
*Baal:* Acelera, Graco! Tenho assuntos pendentes!
*Graco:* Pode deixar, chefe.
*Ele estaciona em frente à empresa.*
(CORTA PARA: HABEEC)
*Baal:* Finalmente! O comprador já deve ter ligado!
*Graco:* Acho que não. Não demoramos muito.
*Assim que eles saem do carro, cronômetro dos explosivos chega a zero. O veículo explode logo em seguida, já vazio. Graco consegue pular a tempo ao ouvir e se afasta. Baal não consegue reagir a tempo e é atingido parcialmente pela explosão, caindo no chão inconsciente, com ferimentos no rosto. Em poucos segundos, fogo se espalha no carro completamente.*
> FIM DO DÉCIMO PRIMEIRO CAPÍTULO
