Viver Sem Amanhã - Capítulo 07
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 07 (05/05/2026)
[MANSÃO MEDRANO/SALA DE JANTAR/NOITE]
*Todos já estão sentados à mesa.*
*Leocádia (Cínica):* Hera, meu bem... o que você faz da vida, além de encantar meu filho? Conte-nos sua utilidade.
*Hera:* Pretendo cursar direito em breve, Leocádia. Meu objetivo não é apenas diploma, mas ser a advogada mais renomada deste país. Quem tem meta não aceita migalhas.
*Leocádia:* Interessante. Uma entusiasta das leis. Conte com o apoio do Cobalto; ele é um ímã natural para mulheres... "interesseiras".
*Cobalto:* Mãe, por favor, não comece.
*Hera:* Senhora, eu nunca dependi de ninguém. Sei que posso contar com ele porque nos amamos. Nossa relação não é uma farsa mantida a troco de dividendos.
*Saúl (Rindo):* Cobaltinho sempre teve bom gosto. A Hera é um mulherão. Postura, modos e beleza. Tem como único defeito ser ambiciosa demais. E ambição, em mãos erradas, funciona como um gatilho armado.
*Baal:* Ignore o Saúl, Hera. Ele é um fracassado irrelevante, tão inútil quanto meu filho Ulisses. São dois parasitas desprezíveis, nada mais. Você, porém... você tem fogo nos olhos. Tem fome de poder. Se quiser chegar ao topo, ajudo-a. Gostei do que vejo em você.
*Hera:* Agradeço a oferta, senhor Baal. Vou considerar com cautela. Afinal, trabalhar com o "Poderoso Baal Medrano" exige cacife.
*Aura (Tentando apaziguar):* Hera, Irlanda... vocês são lindas. Meus irmãos tiveram sorte. Seremos ótimas cunhadas e amigas.
*Ulisses:* Não seja hipócrita, Aura. Você detestava nossas ex-namoradas. Virou santa agora?
*Aura:* Eu detestava mulheres sem substância, Ulisses. Aquelas que só faziam mal a vocês.
*Irlanda (Tímida):* Obrigada, dona Aura... a senhora também é muito linda.
*Aura:* "Dona"? Por favor, me chame de "você". Nesta mesa, somos todas iguais.
*Hera:* Muito obrigada, Aura. Você também é muito bonita.
*Leocádia (Baixo):* Iguais? O que me faltava ouvir...
*Aura:* E você, Hera? Pensa em morar fora? Você não tem cara de quem nasceu aqui em São Paulo.
*Hera:* Sou de Manaus. Mudei-me na semana passada e estou hospedada no Urban Spay. Mas, sim, morar no exterior está nos planos, assim como construir uma família com seu irmão.
*Hera e Cobalto se olham, apaixonados.*
*Baal:* E você, Irlanda? Faz o que da vida?
*Ulisses (Interrompendo):* Ela é empreendedora, Baal. Vende bombons nas ruas. Trabalho digno.
*Leocádia (Rindo):* Que pitoresco! A namorada de um Medrano alimentando a plebe? Irlanda, só falta dizer que sua dieta básica é angu com ovos.
*Ulisses:* É trabalho honesto, Leocádia. O patriarca aqui mal lembra como funciona.
*Baal:* Meça suas palavras. Posso esmagá-lo como uma barata quando eu quiser.
*Saúl:* Cuidado, Ulisses. Não irrite o mestre. Você pode ser a próxima "queima de arquivo".
*Baal:* Talvez você seja, Saúl. Não subestime o quanto eu o odeio.
*Saúl (Gritando):* E VOCÊ NÃO SABE, MAS EU TE ODEIO MAIS, MUITO MAIS!
*Cobalto (Sussurro):* Não liga, meu amor. Eles não sabem o que é cordialidade.
*Aura:* Mais um jantar arruinado. Este circo me causa náuseas.
*Irlanda (Bebe o vinho):* Ai! Ulisses, você não disse que era vinho! Eu bebi pensando que era suco de uva!
*Leocádia:* Menina desgraçada! Imunda! Não sabe nem distinguir um Grand Cru.
*Aura:* Calma, mãe! Ela não está habituada. Nem todos nasceram em berço de ouro, aprendendo ler rótulos.
*Baal (Ignora):* Irlanda, agora me responda... quem são seus pais?
*Irlanda:* Eu não conheci meu pai. Minha mãe se chama... Prudência. Prudência Ortiz.
*Leocádia (Em pensamento):* "Não pode ser... a filha daquela mulher?"
*Baal:* Prudência Ortiz... o nome soa familiar, mas não me lembro ao certo.
*Hera (Em pensamento):* "Desgraçado. Foram tantos nomes que você apagou da vida, que nem consegue lembrar das suas vítimas."
*Ao ouvir o nome “Prudência”, Dalva, que servia a refeição, deixa escapar um pouco de comida na mesa.*
*Leocádia:* Dalva! Cuidado, sua jeca suja! Sirva e suma da minha frente!
*Dalva:* Perdão, sinhora... foi sem querê, visse.
*Saúl:* E como seu pai morreu, Irlanda?
*Aura:* Tio Saúl, por favor! Assuntos de necrotério agora? A moça está desconfortável!
*Saúl (Irônico):* Por que não? Família é assim: um amontoado de segredos mal enterrados e fantasmas que nunca descansam. Esta família é uma fachada para esconder a podridão do patriarca.
*Ulisses:* Sangue, às vezes, não passa de acidente biológico. O que pesa de verdade é... o que escolhemos ser.
*Baal (Levantando-se):* BASTA! Aqui, eu exijo reverência. E, enquanto respirarem meu ar, vão me respeitar. Por bem... ou por mal.
*Irlanda:* Ulisses, eu nunca comi cordeiro. Tá me dando nojo.
*Ulisses:* Tente, meu amor! Você pode gostar.
*Irlanda (Larga os talheres e pega a carne com as mãos):* Melhor assim! Sem frescura!
*Leocádia:* É uma afronta! Uma mendiga sem modos sentada à minha mesa!
*Irlanda:* Lá na periferia nós comemos assim, senhora.
*Hera:* Mudando de assunto... Bosco, você é o caçula, certo? Como vão os estudos?
*Bosco (Tímido):* Levando, Hera. Não tem sido fácil. O primeiro semestre está sendo um teste de resistência.
*Hera:* Você precisa de diversão, garoto! Vou te apresentar uns rapazes lindos, você vai amar.
*Baal:* Rapazes, Hera? O meu filho não é um "viadinho". Vai casar-se com uma mulher de estirpe.
*Saúl (Gargalhando):* Está na cara que o menino gosta de rapazes, Baal. Aceite que seu sucessor tem outros planos.
*Ulisses:* O Baal preferia se matar a ter um filho gay. Para ele, o que importa é "vibe" de família perfeita da capa de revista. Eu ficaria muito feliz em ter um irmão que vive sua verdade.
*Baal:* Calem-se! Vocês estão esticando a corda há dias. Bosco é a promessa desta família. Ele é o que vocês dois, dois parasitas miseráveis que vivem do meu dinheiro, nunca foram capazes de ser!
*Cobalto:* Antes de tudo, a sexualidade dele só diz respeito a ele mesmo. Livre-arbítrio é o básico da existência humana.
*Aura:* Exatamente. Ser gay é natural. Que mal há no amor entre iguais? Eu aceitaria meu irmão independente de tudo!
*Bosco (Levantando-se, pálido):* Eu... perdi o apetite. Com licença.
*Aura:* Eu vou com você, Bosco. Já que fizeram questão de enterrar mais um jantar, não tenho mais o que fazer aqui.
*Bosco ajuda Aura a subir as escadas. Ela apoia-se nele.*
[RUAS DE SÃO PAULO/NOITE]
*Prudência caminha bêbada, cambaleando entre os carros.*
*Prudência (Gritando para os transeuntes):* O que foi? Estão olhando o quê, seus desgraçados? Vão caçar o que fazer!
*Vozes na Rua:* "Essa mulher enlouqueceu!", "Tá drogada!".
*Prudência (Rindo alto):* Bando de invejosos! Favelados! Eu sou rica! Eu sou Prudência Ortiz! Vocês vão comer angu pelo resto da vida e morrer no subúrbio!
*Luzes de faróis altos surgem. Um carro acelera.*
*Prudência:* EU TENHO NOME! SOU PRUDÊNCIA ORTIZ MEDRANO! E NINGUÉM VAI TIRAR DE MIM!
*Prudência é arremessada sobre o capô e depois jogada ao asfalto. Solano está ao volante. Ele acelera e desaparece.*
*Solano:* Mais um arquivo deletado. Morre, chantagista.
*Solano mata Prudência. Pessoas se aglomeram. Ela jaz no chão, muito ferida, com o rosto ensanguentado.*
[MANSÃO MEDRANO/SALA DE JANTAR/NOITE]
*Irlanda limpa a boca com um guardanapo.*
*Irlanda:* Ai, Ulisses... tava tudo impecável.
*Ulisses:* Quando você vier morar aqui, meu amor, terá vida de rainha.
*Leocádia:* Só se for no reino do lixo!
*Irlanda:* Escuta aqui, dona Leocádia... eu tenho sido paciente, mas não vou engolir suas grosserias.
*Leocádia:* Olhe para você! Nem usar um talher você sabe! Parece uma porca que acabou de sair da lama e come angu!
*Baal (Exausto):* Chega, Leocádia!
*O celular de Irlanda toca. Ela atende.*
*Irlanda:* Alô? Quem fala?
*Leocádia:* Atender celular à mesa? Onde estão os limites da decadência?
*Irlanda (Gritando):* NÃO! MINHA MÃE! Mataram minha mãe!
*Ulisses (Levantando-se):* Calma, Irlanda! O que houve?
*Irlanda (Chorando):* Minha mãe... Ulisses.
*Ulisses:* Eu estou aqui. Vamos agora!
*Eles saem. Leocádia sorri vitoriosa.*
*Leocádia (Em pensamento):* "Solano cumpriu mais uma tarefa."
*Baal (Para Leocádia):* Este jantar acabou. Tenho negócios a tratar, agora. Passar bem, família.
*Leocádia:* Negócios, Baal? Ninguém trabalha a esta hora!
*Baal:* Deixá-la é um ato necessário. Você é uma mulher desprezível. Vá para seu quarto chorar no travesseiro e tentar esquecer o quanto é mal-amada, consumida pelo rancor e pela amargura. Deveria ser exposta em praça pública como pior exemplo de mulher que já existiu.
*Baal se retira. Leocádia volta-se imediatamente para Hera, que a encara com deboche.*
*Leocádia (Para Hera):* Não precisa fingir comigo. Sei que você é uma alpinista social de quinta categoria. Só quer tirar dinheiro do meu filho.
*Saúl:* É óbvio. Uma interesseira de esquina. Cobalto, de que bordel você tirou essa aí?
*Cobalto:* Meça suas palavras, Saúl! A Hera não é uma das meretrizes que você come toda noite, seu verme parasita!
*Saúl:* Calma, sobrinho. Aceita que dói menos. Postura de rameira ela já tem; falta escancarar o óbvio.
*Cobalto se levanta, mas Hera o impede.*
*Hera:* Não vale a pena, amor. Saúl já deixou claro o tipo de homem que é.
*Hera levanta e caminha até Leocádia. Olho no olho.*
*Hera:* Escute bem, “senhora”. Eu amo seu filho e daria minha vida por ele. Não estou aqui por dinheiro, mas por felicidade. Quanto a você, sua frustração transborda por todos os poros. Anos de um casamento de fachada fizeram de si essa mulher amarga e reprimida. Eu também enlouqueceria se estivesse no seu lugar. Por cada fala, a senhora destrói emocionalmente as pessoas. Uma máquina dedicada a destilar caos e desamor.
*Leocádia:* Eu já deixei claro o que penso de você. Não ouse dirigir-se a mim nesse tom de voz. Posso colocá-la na rua agora mesmo, se assim desejar. Mas não somos iguais. Eu não vou me rebaixar. Há uma diferença fundamental entre nós duas: eu não sou uma mulher qualquer de rua que vende alma por trinta e cinco reais. Então, guarde isto como um aviso, Hera: não cruze meu caminho. Você não imagina do que o diabo é capaz quando provocado. E eu... sei exatamente quando me tornar um monstro.
*Hera:* Acredite, senhora, em poucas horas já demonstrou do que é capaz, e eu não a subestimo. Mulheres como você fazem de tudo para alcançar os próprios objetivos. Eu comi angu durante minha vida inteira, Leocádia; aprendi morder para não ser devorada. Não se engane: não está diante de uma tola, mas de uma loba pronta para abater. E é a senhora quem deve ter cuidado comigo. Considere-se alertada.
*Cobalto:* Chega! Vamos embora, Hera. Este lugar está contaminado... de tanta podridão.
*Saúl:* Quem deve tomar cuidado é você, Hera. Qualquer noite dessas o Lobo Mau aqui surge no Urban Spay. Quem sabe não temos um encontro… forçado?
*Cobalto:* Toca nela, e eu quebro cada dente da sua boca imunda!
*Saúl:* Cobalto, fala a verdade: quantas vezes você fez a Hera gemer e gozar pra caralho? Mulher adora sentir prazer, tremer inteira e gozar gostoso.
*Cobalto:* Desgraçado nojento. Não se atreva...
*Cobalto tenta avançar, mas Hera o segura firmemente pela camisa.*
*Hera:* Chega! Vamos embora, Cobalto.
*Hera arrasta Cobalto para fora. Sobram apenas Saúl e Leocádia. Saúl se aproxima, sorridente.*
*Saúl (Provocando):* E então, amorzinho? Pronta para enfrentar a mendiga suja e essa vadia oportunista?
*Leocádia:* Eu sou uma mulher de calibre, Saúl. Essas meninas não passam de insetos… uma barata nojenta e uma centopeia nojenta. Vou esmagá-las sem muito esforço.
*Saúl:* Hera parece astuta. Mulheres do tipo dela sabem o que fazem..
*Leocádia:* Saúl... quem come angu não tem classe nem estofo para se medir comigo.
*Saúl:* Você não presta mesmo. Eu te amo. Única.
*Eles se aproximam e se beijam. Dalva observa, escondida.*
*Dalva (Sussurro):* Malditos traíra... esse castelo de ocês vai caí, tijolo por tijolo...
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 07 (05/05/2026)
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE BOSCO/NOITE]
*Bosco está sentado no chão do quarto, chorando. As falas homofóbicas de Baal ainda ecoam na cabeça dele: “Meu filho não é um viadinho.” Ele abre a pequena caixa de metal, pega uma lâmina e abaixa a bermuda. Sem hesitar, corta a própria virilha. Sangue escorre quente pela perna e pinga no chão.*
*Bosco (Sussurrando, entre lágrimas):* Eu não aguento mais... Eu só queria ser compreendido.
*Ele aperta uma toalha branca contra seu ferimento e observa o sangue se espalhar pelo tecido.*
[PRESÍDIO/PARLATÓRIO/NOITE]
*Nelson entra, arrastado pelos guardas. Ele está debilitado. Baal está sentado, esperando-o.*
*Nelson:* Ah, de novo você?
*Baal:* Pelo visto, suas feridas cicatrizaram muito rápido.
*Nelson (Senta-se, impaciente):* Diz logo que quer e se manda.
*Baal:* Soube da advogada. Quero te dar um conselho: bico calado. Pelo seu bem, pelo bem do seu filho e pelo bem dela. Você vai apodrecer neste chiqueiro, Nelson. Sem poder fazer nada.
*Nelson:* Seu desgraçado. Guarde o que eu estou dizendo: quando eu sair daqui, vou acabar com você de vez.
*Baal (Sarcástico):* Poupe-me de ameaças vazias. Até o desgraçado do Saúl é mais capaz do que você. Eu dito as regras do jogo. Se abrir sua boca, você morre. Sua liberdade é um capricho da minha bondade. Eu quero ver você de joelhos, implorando, completamente destroçado.
*Nelson:* Não se preocupe. Não vou me calar por medo de você, mas para proteger meu filho e a Aura. Eu sei do que você é capaz.
*Baal:* Ótimo. Nunca duvide da minha perversidade. Eu sou muito pior do que aparento.
*Nelson:* Eu nunca tive dúvida. Carcereiros! Podem me levar de volta.
*Nelson é retirado. Baal permanece sentado e imóvel.*
*Baal:* Com ou sem advogado... você só sai daqui se eu quiser. (Ri.)
[MANSÃO MEDRANO/SALA DE JANTAR/NOITE]
*Leocádia se afasta rapidamente de Saúl.*
*Saúl:* Você está distante, Leocádia.
*Leocádia:* Não é o momento. Nos falamos depois.
*Saúl:* Tá... Vou ir para um bordel. Você é difícil demais.
*Saúl sai. O celular de Leocádia toca. É Solano.*
*Leocádia:* Solano, eu disse para não ligar agora!
*Solano:* Foi mal, patroa. Má notícia pra uns, boa pra outros. A Prudência Ortiz já era. Cuidei para não deixar rastros.
*Leocádia:* Ótimo. Mas já que ligou... tenho outro serviço. Quero que investigue a namorada do meu filho, uma tal de Hera Von Zale. Ela está no Hotel Urban Spay.
*Solano:* Vai atacar de sogra demoníaca agora?
*Leocádia:* Sabe, Solano? Ulisses namora uma mendiga suja e maltrapilha; Cobalto, não. Essa Hera não me engana. Conheço bem esse tipinho: mulher manipuladora e ardilosa, que joga sujo. Não me inspira confiança. Enfim, revire o quarto dela, mas me traga informações úteis.
*Solano:* Considere feito. Em vinte e quatro horas, te dou o dossiê.
*Ela desliga e dá de cara com Dalva, que segura uma xícara.*
*Leocádia:* Vigia noturna agora, criada?
*Dalva:* Vou levar um chá para a minha menina. Com licença.
*Dalva passa por ela, de cabeça erguida, e entra no quarto de Aura.*
(CORTA PARA: QUARTO DE AURA)
*Dalva:* Já dormiu, querida?
*Aura:* Ainda não, nana.
*Dalva:* Trouxe um chazinho para esquentar sua alma. Como é que tu tá, minha fia?
*Aura:* As feridas ainda não cicatrizaram, mas estou tentando seguir.
*Dalva (Senta-se ao lado dela):* Ocê vai superar, visse. Mas escuta aqui: a “demônia” já tá armando contra a namorada do Cobalto.
*Aura:* A Hera? Mas ela é tão simpática... Não entendo minha mãe.
*Dalva:* Pois eu também num fui com a cara dela, não. Sou vivida, minha moleca... sei direitinho quem num presta.
*Aura:* Ah, vocês estão sendo injustas. A Hera é ótima companhia.
*Dalva:* Num se engane, moleca. Olhos abertos com essa aí.
`Trilha sonora: Loca Por Ti (Shakira)`
*Aura:* Pode deixar, dona implicante! (Ri.) Mas, nana... decidi que vou voltar para nosso apartamento.
*Dalva:* Sozinha? De jeito nenhum.
*Aura:* Eu preciso seguir em frente. Não posso viver de luto para sempre. Minha decisão está tomada. Mas antes preciso que alguém faça uma reforma lá.
[CEMITÉRIO/MANHÃ]
*Dia seguinte. Irlanda chora diante do túmulo da mãe. Ulisses a abraça por trás.*
*Ulisses:* Chora tudo que tiver que chorar. Você é forte. Eu estou aqui.
*Irlanda:* Obrigada pelo apoio, Ulisses... Mas pode ir descansar. Você não saiu do meu lado nem um minuto.
*Ulisses (Vira o rosto dela para si):* Ouça bem: você não está sozinha. Eu te amo como nunca amei ninguém.
`Trilha sonora: "Quem De Nós Dois" (Laura Pausini)`
*Irlanda:* De novo você...
*Ulisses:* Venha morar comigo. Você terá vida de rainha.
*Irlanda:* Enlouqueceu? Sua mãe nos mata. Ontem, ela deixou claro o que pensa de mim.
*Ulisses:* O que é dela também é meu. E, agora, você faz parte da minha vida.
*Ele se aproxima para beijá-la.*
*Irlanda:* Ulisses, não estou em condições... dói muito. Minha mãe...
*Ulisses:* Shhh... Deixa nosso amor fluir.
*Eles se beijam. Irlanda cede, chorando.*
[RUA/PORTA DA ESCOLA/MANHÃ]
*Graco observa uma escola de dentro do carro. Ele foca numa menina muito pequena. Ele desce, segurando uma cesta de doces.*
*Graco:* Bom dia, coisinha linda! Como se chama? Olha o que eu trouxe.
*Brigitte:* Minha mãe disse que não posso aceitar nada de estranhos.
*Graco:* Estranho? Eu sou seu tio, menina! Te conheço desde que nasceu. Venha ver outros presentes no carro que comprei para você.
*Ele agarra o braço da menina com força.*
*Brigitte (Assustada):* Eu não vou! Socorro!
*Ela começa a gritar. Graco tapa a boca dela com violência e a joga para dentro do veículo.*
*Graco:* Criança maldita!
*Ele pressiona um lenço com éter no rosto dela até que ela desmaie. Ele arranca com o carro em alta velocidade.*
[CASA DE MOISÉS/MANHÃ]
*Bosco entra, desconfortável. O segurança fica do lado de fora.*
*Moisés:* E aí... o segurança não vai entrar?
*Bosco:* Vamos começar logo, Moisés.
*Moisés:* Também quero me livrar de você o quanto antes. Vem, vamos para meu quarto.
*Bosco (Hesitante):* No quarto?
*Moisés:* Algum problema? Tá achando que eu vou te atacar? Relaxa.
(CORTA PARA: QUARTO DE MOISÉS)
*Eles começam a estudar. Enquanto folheia os livros, Bosco repara numa foto de casal na parede.*
*Bosco:* São seus pais? Eles moram aqui?
*Moisés:* Você pergunta demais para quem não tem intimidade comigo.
*Bosco:* Foi só uma pergunta. Esquece.
*Moisés (Suspira):* Eles morreram. Eu tinha 18 anos. Herdei dinheiro e a casa. Sobrevivo disso. É só o que precisa saber.
*Bosco:* Sinto muito pelos seus pais, Moisés. De verdade.
*Moisés:* Não preciso da sua pena e nem banque o sentimentalista. Eu sobrevivi sem apoio emocional. Só me restou dinheiro. Vamos terminar logo esse trabalho.
*Bosco:* Por que vocês me odeiam tanto? Eu nunca fiz nada contra ninguém.
*Moisés:* Foca no trabalho, Bosco. Não quero falar sobre o que ocorre na universidade.
*Bosco:* Tá bem. Foi mal.
`Trilha sonora: "Spies" (Robbie Williams)`
*Enquanto Bosco se concentra nos livros, Moisés fica olhando para ele, distraído, e então ri.*
[HOTEL URBAN SPAY/RECEPÇÃO/TARDE]
*Solano aborda o recepcionista.*
*Solano:* Bom dia, herói. Preciso de uma informação sigilosa.
*Recepcionista:* Sinto muito, senhor. É contra as normas.
*Solano entrega um bloco de dinheiro ao recepcionista, subornando-o. O homem guarda o dinheiro instantaneamente.*
*Solano:* O que eu quero saber é se tem uma tal de Hera Von Zale hospedada aqui. Em qual quarto?
*Recepcionista:* Quarto dezesseis.
(CORTA PARA: SOLANO INVADINDO O QUARTO)
*Ele destrói o lugar: rasga travesseiros, vira gavetas e espalha roupas pelo chão.*
*Solano:* Cheiro de vadia barata... Cadê você?
*Ele pega um notebook e abre, mas está bloqueado. Volta a revirar o guarda-roupa e encontra uma foto de família e um papel com os nomes de todos os Medrano anotados.*
*Solano (Rindo):* Planejando um golpe, é?
*Ele abre uma pasta de documentos e empalidece. O passaporte revela outro nome.*
*Solano:* Como? Hera, o cacete... Então o nome dessa vaca é Delta?
*Ele tenta senhas no notebook e, ao digitar "Delta", desbloqueia. Ele vê centenas de fotos da família Medrano, dados sigilosos e planos.*
*Solano:* Conhecendo o Baal como eu conheço... posso assegurar: seus dias estão contados, Delta Moraes!
> FIM DO SÉTIMO CAPÍTULO
