Viver Sem Amanhã - Capítulo 05
*VIVER SEM AMANHÃ*
> Capítulo 05 (01/05/2026)
[MANSÃO MEDRANO/CORREDOR/NOITE]
*Dalva está estática, com as mãos abafando a boca. Pela soleira, observa a traição.*
*Dalva (Chorando):* Quanta monstruosidade... Meu Deus.
*Ela recua, surpresa com o que viu. Leocádia se desvencilha de Saúl, subitamente alerta.*
*Leocádia:* Chega, Saúl. Aqui não. É loucura. Alguém pode nos flagrar.
*Saúl (Irritado, tentando puxá-la de volta):* E qual o problema? Já começamos, não? Vamos para qualquer hotel, mas não para agora.
*Leocádia:* Você enlouqueceu? O Bosco está no quarto ao lado. Se ele desconfia, conta para o pai, e estamos mortos. Contenha-se!
*Saúl (Aproximando-se, predatório):* Para de drama. Ninguém está vendo. Eu quero você agora. Vamos terminar o que começamos.
*Leocádia:* Eu disse não.
*Leocádia sai apressada; Saúl a segue, contrariado. Ao descerem as escadas, dão de cara com Dalva, que os encara, séria, segurando um pano.*
*Leocádia (Disfarçando o susto):* Dalva? Achei que estivesse no hospital com a Aura.
*Dalva:* Voltei pra aprontar o jantar. A senhora devia era fazer o mesmo, visse? Num deixe sua filha sozinha naquela cama de hospital.
*Saúl (Rápido):* Bom, já está tarde. Vou nessa. Tchau, Dalva. Tchau, cunhadinha.
*Saúl dá um beijo protocolar no rosto de Leocádia e sai pela porta principal.*
*Leocádia:* Está me olhando por quê, Dalva? Esqueceu seu lugar? Volta pra cozinha e vai trabalhar. Atrevimento tem limite!
[URBAN SPAY/QUARTO DE HERA/NOITE]
*Cobalto e Hera estão entre os lençóis. Ela, com as mãos no peito dele.*
`Trilha sonora: "Vuélveme a Querer" (Thalia)`
*Cobalto:* Valeu cada segundo da espera. Foi... perfeito.
*Hera (Rindo):* Você sabe como encantar uma mulher, Cobalto. Eu seria capaz de tudo para não sair do seu lado nunca mais.
*Cobalto (Meio sério):* Tudo? Acabamos de ter nossa primeira noite e você já fala em vida inteira...
*Hera:* Bobo! Deixa eu sonhar.
*Eles se beijam, mas Cobalto se afasta devagar, olhando pela janela. Ele se senta na cama. Hera o abraça por trás, apertando-o contra si.*
*Cobalto:* Estou preocupado, Hera. Suponho que você não saiba… Meu pai abafou tudo na imprensa. Mas a minha irmã está sofrendo muito.
*Hera:* Eu não vi nada nos veículos de comunicação. O que aconteceu?
*Cobalto:* O Nelson... noivo dela. Ele foi preso, roubou meu pai, tudo minutos antes do casamento. A Aura entrou em colapso e se jogou da escada.
*Hera (Fingindo choque):* Meu Deus... que tragédia. Seu pai confiou no homem errado.
*Cobalto:* É o que meu pai diz. Mas, Hera… eu estou à frente dos negócios lá fora, e os números não batem. Há dinheiro em excesso circulando, lucros incompatíveis. Suspeito que ele esteja envolvido num esquema ilícito, mas não tenho como provar. E, por favor… a Aura não pode descobrir que o Nelson está preso. Nós optamos por afastá-la dele para poupá-la de mais sofrimento.
*Hera:* Tudo bem. Claro. Mas meu amor, não tire conclusões precipitadas. O senhor Baal é um homem respeitado. Aliás, quero muito conhecê-lo. Quero conhecer sua família, na verdade.
*Cobalto:* Não sei se vou te levar àquele lugar. Lá é denso, tóxico. Eu evito colocar os pés na mansão.
*Hera:* Eu entendo. Mas tem que se acostumar. É o jeito deles. Conte comigo sempre. Eu te amo!
*Eles se abraçam. Hera revira os olhos.*
*Hera (Em pensamento):* "A vaca gorda estriada da Aura já está pagando, e eu nem entrei em cena ainda… (ri). Tudo indica que o tolo do Nelson descobriu os crimes do Baal e agora está sofrendo as consequências. Preciso chegar até ele. Vou buscar um advogado. Se o Baal armou contra ele, o imbecil vai adorar me contar o que sabe."
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE BOSCO/NOITE]
*Leocádia entra sem bater. Bosco está sentado na cama, segurando uma navalha.*
*Leocádia:* Filho? Preciso de um abraço... estou com os nervos à flor da pele.
*Bosco (Ríspido):* Já disse pra bater, mãe! Que droga!
*Leocádia (Fixa na lâmina):* Por que você está com uma lâmina? O que você está fazendo?
*Bosco:* Não te interessa. Sai daqui. Agora!
*Leocádia:* Meu filho... eu sou sua mãe.
*Bosco:* Aliás, você nunca demonstrou afeto pelos filhos! O que quer?
*Leocádia:* Chega! Homem não precisa se depilar, filho... Eu espero que você não seja...
*Bosco (Levantando-se, explosivo):* Acabou o interrogatório! Fora!
*Ele a empurra para fora e bate a porta. Leocádia encosta na porta, intrigada.*
[PERIFERIA/ESCADARIA/NOITE]
*Ulisses estaciona o carro na entrada da escadaria.*
`Trilha sonora: "Quem de Nós Dois" (Laura Pausini)`
*Ulisses:* Foi incrível. Você conseguiu me fazer esquecer o peso deste dia.
*Irlanda:* Ai, senhor Ulisses... apesar de todos os percalços, eu adorei. Foi um dos melhores dias da minha vida.
*Ulisses (Aproximando-se):* Só me faz um favor? Para de me chamar de "senhor". Eu quero ser mais pra você.
*Ulisses a beija. Ela se esquiva, assustada. Logo ri.*
*Irlanda:* Senhor Ulisses... (ri.) Boa noite! Foi ótimo!
*Ulisses:* Desculpa. Eu me perdi um pouco.
*Ela sobe os degraus correndo, sem olhar para trás. Já dentro de casa, encosta-se na porta e respira fundo.*
(CORTA PARA: CASA DE IRLANDA)
*Irlanda (Rindo):* Lindo demais... mas que safado. Eu não posso me apaixonar por este homem...
*Ela entra na sala e flagra Prudência escondendo notas de dinheiro numa bolsa.*
*Irlanda:* Mãe? O que a senhora está fazendo?
*Prudência (Assustada):* Nada! Onde você estava até agora?
*Irlanda:* Não muda de assunto. De onde veio todo esse dinheiro?
*Prudência:* Cuida da sua vida, Irlanda. Não te devo explicações. Ainda sou sua mãe.
*Prudência se tranca no quarto, deixando Irlanda sem respostas.*
[MANSÃO MEDRANO/QUARTO DE BAAL E LEOCÁDIA/NOITE]
*Baal entra exausto, jogando o paletó sobre a poltrona. Leocádia está sentada na cama.*
*Leocádia:* Decidiu não dormir fora hoje? Que milagre.
*Baal:* Sem cenas hoje, Leocádia. Estou no meu limite.
*Leocádia:* Você sai, desaparece, some, não dá satisfação, não me toca... Nosso casamento virou um contrato de fachada! Você até me despreza, Baal!
*Baal (Rindo, sarcástico):* Chega! Seus ciúmes são patológicos, me cansam.
*Leocádia (Gritando):* Chega? Quem é ela? Qual é o nome da vagabunda?
*Baal:* Você só pode estar delirando. Inacreditável.
*Leocádia corre e se posta na frente da porta.*
*Leocádia:* Vai sair de novo? Vai me deixar aqui sozinha para encontrar com ela? Fala o nome da desgraçada que está tirando meu homem de mim!
*Baal:* Sai da frente, Leocádia. Não me obrigue a perder a paciência.
*Leocádia:* Me obrigue! Você não vai para os braços dela hoje! Você ainda é meu homem!
*Num gesto violento, Baal a puxa pelos cabelos e a joga no chão.*
*Baal:* Eu vou para onde eu quiser.
*Ele bate a porta ao sair. No silêncio do quarto, Leocádia ri.*
[DELEGACIA DE POLÍCIA/CELA/AMANHECER]
*Nelson é acordado abruptamente. Dois policiais comunicam-lhe uma transferência imediata, sem exibir qualquer documentação.*
*Policial 1:* De pé. Transferência imediata.
*Nelson senta, atordoado. Os olhos ardem.*
*Nelson:* Transferência? Cadê os papéis? Quero ver a ordem judicial.
*Policial 1:* Não é opção, Nelson. Anda.
(CORTA PARA: RECEPÇÃO DA DELEGACIA)
*Nelson avança entre os policiais. No balcão de registro, o funcionário de plantão permanece imóvel. Não há livro de ocorrências aberto, nem qualquer procedimento manual em andamento.*
*Nelson:* Não haverá assinatura? Ninguém vai registrar minha saída?
*Agente 2:* Procedimento interno. Mantenha-se em movimento e em silêncio.
[PRESÍDIO ESTADUAL/MANHÃ]
*Guardas permanecem no fundo, em silêncio. O funcionário da triagem para por uns minutos antes de preencher a ficha. Ele olha brevemente para Nelson e retorna ao formulário.*
*Funcionário:* Nome: Nelson Valadares. Motivo da transferência: ajuste de lotação.
*Nelson:* Está incorreto. E o número do processo? Onde consta despacho judicial?
*O funcionário evita contato visual. Então carimba um documento.*
*Funcionário:* Neste setor, não se questionam registros. Já está definido.
*VIVER SEM AMANHÃ*
> CAPÍTULO 05 (01/05/2026)
[CLÍNICA CLANDESTINA/SALA DE CIRURGIA/MANHÃ]
*Na maca, Javier treme, preso por tiras de couro. O médico ajusta a máscara, indiferente.*
*Dr. Efraim:* Nombre completo para el registro. _(Nome completo para o registro.)_
*Javier:* Javier Castilho. Yo firmé la donación voluntaria, doctor. Hice todo bien. Solo... asegúrese de que el depósito caiga hoy. _(Javier Castilho. Eu assinei a doação voluntária, doutor. Fiz tudo certo. Só... garanta que o depósito caia hoje.)_
*Dr. Efraim (Preparando uma seringa):* Firmaste. Pero economizamos en la anestesia general. Vas a sentir todo el proceso. ¿Aguantas, chico? _(Assinou. Mas economizamos na anestesia geral. Você vai sentir o processo. Aguenta o tranco, garoto?)_
*Javier (Voz embargada):* Yo necesito el dinero. Solo... termina esto rápido. _(Eu preciso do dinheiro. Só... acaba logo com isso.)_
*Dr. Efraim (Monitorando os batimentos):* Corazón acelerado. Miedo estándar. En diez minutos, el silencio será total. Te lo prometo. _(Coração a mil. Medo padrão. Em dez minutos, o silêncio será total. Prometo.)_
*Javier (Olhos arregalados):* Espera... ¿“silencio total”? Voy a despertar, ¿no? _(Espera... “silêncio total”? Eu vou acordar, não vou?)_
*Dr. Efraim (Rindo baixo, testa o bisturi):* No hay recuperación para quien vende el chasis completo. Respira hondo. Este es el final de la línea. _(Não há recuperação para quem vende o chassi completo. Respira fundo. É o fim da linha.)_
*Javier (Sufocando):* Doctor... duele mucho... ¿Dónde está el dinero? Mi madre está esperando... _(Doutor... dói demais... Cadê o dinheiro? Minha mãe tá esperando...)_
*Dr. Efraim:* El dinero ya está con el intermediario. Él le dará una parte a ella. Ahora, relájate. _(O dinheiro já está com o atravessador. Ele repassa uma parte para ela. Agora, relaxa.)_
*Javier (Luta contra as correias):* ¡No! ¡Para! ¡Cambié de idea! ¿Dónde está el dinero? ¡Mi madre está esperando! _(Não! Para! Eu mudei de ideia! Cadê o dinheiro? Minha mãe tá esperando!)_
*Dr. Efraim (Inicia o corte, clínico):* Demasiado tarde. La presión está cayendo. Su corazón ya se está rindiendo. _(Tarde demais. A pressão está caindo. Seu coração já entrega os pontos.)_
*Javier (Sussurrando):* Yo solo quería... ayudar... mamá... perdón... _(Eu só queria... ajudar... mãe... perdão...)_
*Dr. Efraim (Para o auxiliar):* Anota: óbito às sete e trinta e cinco. Órgãos impecáveis. Limpa a mesa, o próximo chega em uma hora. Este já cumpriu o propósito.
*O bipe contínuo do monitor se funde ao som de uma serra cirúrgica.*
[ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA/MANHÃ]
*Clémence observa a cidade pela janela. Hera entra. As duas se abraçam.*
`Trilha sonora: La Mia Storia Con Te (Alessandra Amoroso)`
*Hera:* Faz muito tempo, amiga.
*Adv. Clémence:* Delta… você mudou. Está diferente.
*Hera:* Me chama de Hera, por favor.
*Adv. Clémence:* Às vezes você é estranha. Senta. O que te traz aqui?
*Hera:* Preciso que você assuma o caso de um detento. E tenho plena consciência da gravidade do meu pedido.
*Adv. Clémence:* Me convence. Nome, crime e por que ele merece meu tempo?
*Hera:* Nelson Valadares. Foi preso sob acusação de fraude. Mas tenho quase certeza que ele não cometeu crime algum. Ele continua preso, definhando numa cela, sem motivo concreto e sólido que justifique sua privação de liberdade.
*Adv. Clémence (Cruza os braços):* Eu não trabalho com intuição. O que você tem de concreto?
*Hera:* Inconsistências que geram dúvida razoável. Ele foi jogado naquele buraco. Investiga. É só o que te peço.
*Adv. Clémence:* Por que ele? O que você tem com esse homem?
*Hera:* Nada jurídico. Mas se ninguém agir, ele morre lá dentro… ou sai destruído.
*Adv. Clémence:* Você sabe que se expõe mexendo neste vespeiro. E os honorários? É um caso de alto risco.
*Hera:* Eu pago o que for. Não vim negociar valor, vim garantir a defesa dele.
*Adv. Clémence:* Dinheiro não me move. Injustiça, sim.
*Hera:* Vá até ele. Ouça o que ele tem a dizer. Se depois você achar que ele é só mais um culpado… eu recuo.
*Adv. Clémence:* Eu vou falar com ele. Mas já aviso: se eu assumir, eu mando no jogo. Do meu jeito.
[HOSPITAL/QUARTO DE AURA/MANHÃ]
*Aura desperta na maca. Dalva acaricia sua mão, em prantos.*
*Dalva:* Minha moleca... tu acordou, foi?
*Aura (Confusa):* Por que estou aqui, nana?
*Dalva:* Calma, minha fia... vai ficar tudo bem, visse.
`Trilha sonora: La Aurora (Eros Ramazzotti, Alicia Keys)`
*Aura (Lembranças retornam em flashes):* O Nelson... a outra... foi real, não foi?
*Dalva:* Num chora não, visse... tô aqui com tu pra sempre, minha bichinha.
*Aura (Gritando):* Por que ele fez isso comigo? Eu o amava! Eu daria minha vida por ele!
*Dalva:* Oxente, esqueça aquele infeliz, minha fia. Aquele traste ali num presta, não.
*Aura (Exaltada, surtando):* Por que, Nelson? Por que me trocou por outra? Por que me destruiu assim?
*Dalva abraça Aura, enquanto ela desaba em lágrimas.*
[HABEEC/ESCRITÓRIO DE BAAL/MANHÃ]
*Baal fuma e troca mensagens com o Doutor Efraim.*
*Baal:* Correu tudo como planejado?
*Dr. Efraim:* Sim. Rins, córneas, fígado... tudo em estado perfeito.
*Baal:* E o coração? Está intacto?
*Dr. Efraim:* Íntegro. O acordo não incluía o coração, senhor Medrano. Pro transporte é complexo, o tempo é...
*Baal:* Agora inclui. Extraia a porra do coração.
*Dr. Efraim:* Mas, senhor... aumenta o risco logístico, a conservação...
*Baal:* Eu não pago por problemas, pago por soluções. Faça o serviço e ligue para o Graco. Ele sabe o que fazer.
*Cobalto entra bruscamente. Baal desliga o celular imediatamente.*
*Baal:* Cobalto! Vai trabalhar aqui agora?
*Cobalto:* Ainda tô pensando, pai. Algum problema?
*Baal (Sorrindo):* Imagina. Apenas preocupado com sua irmã no hospital.
*Cobalto:* Ela vai ficar bem. Relaxa.
[UNIVERSIDADE/SALA DE AULA/MANHÃ]
*Setembro, Moisés e Rás observam Bosco com desprezo.*
*Prof. Deméter:* Atenção. Vou formar as duplas para o trabalho semestral.
*Setembro:* O imbecil do Bosco vai sobrar, como sempre.
*Rás:* Mesmo sozinho, esse desgraçado se sobressai. Ele é bom, temos que admitir.
*Prof. Deméter:* Moisés e Bosco.
*Bosco (Sussurrando):* Maldição... ele não.
*Moisés:* Tá de brincadeira, professor? Não vou fazer dupla com esse esquisito. Eu não divido com um baitola.
*Bosco:* É recíproco. Prefiro um zero a esse tipo de companhia.
*Prof. Deméter:* Silêncio! Decisão tomada. Próxima semana, entrega obrigatória.
*Moisés (Sussurrando):* Viadinho imundo!
[MANSÃO MEDRANO/VARANDA/MANHÃ]
*Saúl fuma um charuto. Ulisses aproxima-se, inquieto.*
*Ulisses:* E então, tio? Vai ficar parado vendo o Baal foder com tudo?
*Saúl:* Calma. Eu já me decidi. Explosivos são eficazes. Desta vez, ele não escapa. O desgraçado tem sete vidas, não oito.
*Ulisses:* Matar? Não sei se chego a tanto...
*Saúl:* É faxina, Ulisses. O Baal acha-se um deus, mas até deuses queimam. Ele está vulnerável. Os seguranças dele são imprestáveis.
*Ulisses:* Você enlouqueceu? Se falharmos, ele nos caça até o inferno.
*Saúl:* De que lado você está, Ulisses? Juntos, seremos invencíveis. Vamos aniquilar o Baal de uma vez por todas.
*Ulisses:* Onde pretende colocar os explosivos?
*Saúl:* No carro dele. Ninguém vai ver.
*Ulisses:* Eu não sei...
*Saúl (Rindo):* Tá com medo? Não pule do barco agora. Nossa vingança já começou. Me dê dias, e sinta o gosto do que vem por aí.
[CAFETERIA/MANHÃ]
*Leocádia aguarda, impaciente. Solano aparece e senta-se à frente dela.*
*Solano:* Quanto tempo, Dona Leocádia.
*Leocádia:* Você demorou. Mas ainda bem que veio.
*Solano:* Estava garantindo que ninguém nos seguisse. O que a senhora quer desta vez?
*Leocádia:* Solano... preciso de você, mais do que nunca.
*Solano:* Sabe que sou leal à senhora. Diga?
*Leocádia:* Lembra da Prudência? A mulher para quem entreguei a Irlanda quando nasceu?
*Solano:* Perfeitamente.
*Leocádia:* Eu paguei para ela sumir. Ela quebrou nosso acordo. Voltou para me extorquir.
*Solano:* E a senhora quer que... Olha, chantagistas nunca param no primeiro pagamento.
*Leocádia:* Exatamente. Mate Prudência Ortiz. Tire essa mulher do meu caminho, definitivamente.
*Leocádia encara Solano. Ele assente.*
> FIM DO QUINTO CAPÍTULO
