Silêncio Fatal | Capítulo 20 [Último Capítulo]
Silêncio Fatal | ☠️📖 | Capítulo 20/20
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CENA 01 | CASA DE DONA VÂNIA - INT./NOITE
[Carina está caída no chão, escorada na parede. O tiro no olho foi brutal: sangue escorrendo pelo rosto, manchando o colo e pingando no piso. Henrique está ajoelhado diante da mãe, em choque, chorando sem controle. Vânia segue estática e Daniel permanece em choque.]
Henrique: |Em pânico.| Mamãe... olha pra mim… fala comigo… por favor!
[Carina respira com dificuldade. O corpo treme. Com esforço, levanta a mão e toca o rosto do filho.
Carina: |Muito fraca.| Meu menino… |Ela tenta sorrir, mas não consegue.| Você… vai ser diferente… ouviu…?
[Henrique balança a cabeça, desesperado. Vânia se aproxima, aflita.]
Vânia: |Tentando segurar o choro.| Carina...
Carina: |Olha para a avó.| Vó... |Lágrima do olho não afetado pelo tiro escorre.| Me perdoa... Eu juro que tentei... Eu só queria dar uma vida melhor pra gente...
Vânia: |Voz embargada.| Minha neta...
[Carina começa a desfalecer. A mão dela cai do rosto de Henrique e atinge o chão. Efeito sonoro: impacto seco. Carina morre. SFX: drama total.]
Henrique: |Arrasado.| MÃÃÃEEEE!!! NÃÃÃOOO!!!
[Os gritos de Henrique ecoam. Ele abraça o cadáver sujo de sangue de Carina. Vânia chora, contida. Daniel continua estático, encarando tudo, em choque. Ele pisca os olhos e sai de uma espécie de transe. O instrumental dramático automaticamente cessa.]
Daniel: |Ofegante.| Eu… Eu não posso ficar aqui…
[Ele recolhe o livro às pressas e foge.]
Vânia: |Voz falhada.| Covarde...
[A imagem congela no rosto de Vânia.]
CORTA PARA:
[Lídio abrindo a porta da casa, na companhia de Alice. SFX: terror puro. Quando entram na sala, deparam-se com a cena horrorosa: Henrique em silêncio abraçado ao cadáver de Carina e Vânia imóvel, sentada no sofá. Alice e Lídio congelam, horrorizados.]
Lídio: |Chocado, lacrimejando.| O que... aconteceu!?
Vânia: |Direta, desidratada.| Foi o Daniel... Ele veio atrás daquele maldito livro... fez isso com minha neta... e fugiu.
[Efeito sonoro: impacto. A câmera dá um zoom no rosto de Alice, que esboça choque total.]
Alice: |Decidida e revoltada.| Eu vou atrás dele!
Lídio: |Preocupado.| O quê? Você não pode fazer isso!
Alice: |Determinada.| Chega de tanta tragédia, Lídio. Eu vou acabar com essa história de uma vez por todas!
[Teimosa, Alice parte.]
Lídio: |Gritando.| ALICE! VOLTE! ALICE-E!
Vânia: |Cabisbaixa.| Lídio!
Lídio: |Sua atenção se volta para a senhora.| Dona Vânia...
Vânia: |Olhando para o horizonte.| Sente-se... Eu vou te contar tudo... sobre o livro.
[A câmera focaliza no olhar de Lídio, que demonstra curiosidade e intriga. O pico do instrumental é alcançado.]
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CENA 02 | RUAS DA CIDADE - EXT./NOITE
[SFX: ação. Daniel dirige seu carro pisando com força no acelerador.]
Daniel: |Suando, transtornado.| Meu Deus, que merda eu fiz? Eu não deveria ter feito isso. Coloquei tudo a perder!
[O carro some da vista da câmera, conforme ela sobe e revela o ambiente urbano. O instrumental de ação finaliza.]
CORTA PARA:
[Daniel chegando no seu apartamento.]
CORTA PARA:
[Ele tomando banho debaixo do seu chuveiro, enquanto olha reflexivo para a parede.]
CORTA PARA:
[O protagonista, ainda no banheiro, se enxugando com a toalha e, depois, se vestindo.]
CORTA PARA:
[Daniel chegando no próprio quarto e se deparando com Alice, com o seu livro em mãos. Efeito sonoro: soundtracks impactantes! A câmera focaliza na expressão de choque de Daniel e, em seguida, no olhar sério de Alice.]
Daniel: |Surpreso.| Alice!?
[Alice nada responde. Permanece segurando o livro. Imóvel. Com um olhar penetrante e encarando Daniel; friamente.]
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CENA 03 | CASA DE DONA VÂNIA - INT./NOITE
[Lídio anda em círculos pela sala enquanto mantém uma expressão de incredulidade. Vânia encara o chão, com uma tristeza no olhar. A câmera foca rapidamente de relance no corpo de Carina coberto por um lençol. Henrique não se encontra em cena. Lídio se senta ao lado de Vânia.]
Lídio: |Quase sem palavras.| Que história maluca, dona Vânia...
Vânia: |Cabisbaixa.| Infelizmente é verdade... Agora se o livro funciona ou não, são outros quinhentos...
Lídio: |Querendo lacrimejar.| Inacreditável... e o Daniel, crápula do jeito que é, com certeza causou muitas mortes...
Vânia: |Reflexiva.| Eu não duvido, meu filho...
FADE-OUT.
FADE-IN.
[SFX: drama. O corpo de Carina é recolhido pela equipe do IML em takes fragmentados. Sirenes, viaturas, outros veículos também se fazem presentes na cena. O corpo de Carina é colocado dentro do carro. Vânia e Lídio observam tudo, na calçada, chorosos.]
Vânia: |Arrasada.| Que tristeza, meu Deus... era tão nova!
[Lídio, também chorando, conforta Vânia com um abraço. O carro vai embora. Sequencialmente, Teresa e Wagner surgem, intrigados.]
Wagner: |Intrigado.| Tá tudo bem por aqui, gente...?
Teresa: |Preocupada.| O que aconteceu...?
Vânia: |Franca, com voz embargada.| O filho de vocês... matou a minha neta!
[Efeito sonoro: impacto. A câmera alterna entre os olhares chocados de Teresa e Wagner e, em seguida, na expressão chorosa de Vânia e no rosto de Lídio, que engole seco.]
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CENA 04 | APARTAMENTO - INT./NOITE
[A situação continua tensa entre Alice e Daniel no quarto do apartamento dele.]
Alice: |Séria.| Eu já sei de tudo, Daniel. Tudo. |Tom de reprovação.| Que decepção... Você já havia me decepcionado antes. Mas agora está sendo muito pior. Como eu pude ter me apaixonado por alguém como você...?
Daniel: |Nervoso.| Alice... |Olha para o livro.| Você leu...? Sabe o que aconteceu com Carina...?
Alice: |Se levanta e o encara de frente.| Já. Deduzi tudo. Não precisei nem que dona Vânia abrisse o jogo comigo — porque eu tenho certeza que ela sabe de tudo. Aliás... tem um manual explicativo na última página. |Olhar frio.| Você é um lixo. Um demônio. É muito pior que Carina e até pior que Patrícia. Eu não sei se essa história toda é real. Também não sei quais mortes você ou Carina causaram. Muito menos se o livro funciona. Mas de uma coisa eu sei: VOCÊ MATOU ROMUALDO!
[Efeito sonoro: impacto. Zoom no rosto de Daniel. SFX: tensão.]
Daniel: |Tenso.| Alice... não fale assim comigo. Apesar de tudo, eu-
Alice: |O interrompe.| Você não vale nada. Fez de tudo para subir no poder. E eu cega... nunca percebi! Mas agora, eu sei do que você é capaz. Desde o dia que você não teve coragem de terminar comigo!
Daniel: |Triste.| Alice, por favor...
Alice: |Interrompe novamente.| Cale a boca! |Bate de frente.| Eu realmente não sei se isso funciona. Mas acho que só eu posso acabar com tudo isso!
[O instrumental de tensão cresce. Alice se senta de novo na cama, pega uma caneta ao lado e começa a escrever no livro.]
Daniel: |Transtornado, imóvel.| ALICE, NÃO FAÇA ISSO! |Voz embargada.| Você não teria coragem...
Alice: |Escrevendo.| Ah, não tenho? |Debochada, porém séria.| E você? Vai ficar imóvel? Não tem coragem de me matar não, assim como fez com a Carina!?
Daniel: |Paralisado.| NÃO, PORQUE EU TE AMO!
[O instrumental de tensão é interrompido. Alice para por alguns segundos, sem reação. Logo depois, ela retoma. SFX: suspense. Daniel segue paralisado, como se estivesse em transe. Alice termina de escrever e faz o ritual: fura o dedo com a caneta e mancha de sangue na página com o nome do protagonista. A câmera faz um efeito de dolly zoom no rosto de Daniel, enquanto um instrumental de terror tem início.]
Daniel: |Em pânico.| NÃÃÃÃOOOO!!! |Chorando.| Por que você fez isso!?
Alice: |Decidida.| PORQUE VOCÊ NÃO MERECE VIVER! JÁ CHEGA DE DESTRUIR TODOS AO SEU REDOR!! CHEGA DE AMBIÇÃO DESMEDIIDAAA!!!
[A trilha de terror se torna crescente. Daniel entra em estado de surto e começa a se tremer, a cambalear. Desorientado, o moço começa a derrubar tudo, transtornado, enquanto evita encarar Alice, que, por sua vez, se mantém ofegante. Daniel encara a porta do quarto. Depois, vai embora do apartamento, correndo, em pânico. O instrumental de terror cessa e a câmera volta a focalizar em Alice, que começa a chorar, enquanto observa o livro e sustenta um misto de sentimentos em sua expressão.]
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CENA 05 | CASA DE DONA VÂNIA - INT./NOITE
[Foco na parte externa da casa. Corta para o lado interno. Teresa e Wagner mantêm uma expressão de angústia na sala da casa de Vânia, enquanto ela e Lídio esboçam postura cabisbaixa.]
Teresa: |Arrasada.| Inacreditável... A gente que é mãe nunca duvida do caráter do próprio filho.
Wagner: |Abalado.| Como pode... Ele ajudou tanto a gente, sempre foi um bom filho pra nós...?
Vânia: |Reflexiva.| O ser humano tem suas complexidades... Mas lamentar não vai trazer minha neta de volta. |Se levanta.| Com licença... Me desculpem qualquer coisa...
[SFX: tristeza. Vânia vai em direção ao quarto. Lídio encara Wagner e Teresa e estende seu braço como forma de apoio. O casal aperta a mão do homem. A câmera se afasta deles e o instrumental chega no ápice.]
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CENA 06 | RUAS DA CIDADE - EXT./NOITE
[A noite é fria e vazia. As ruas estão desertas. SFX: suspense. Daniel surge correndo, descalço, completamente desorientado, suado e ofegante. Ele tropeça e se apoia num muro.]
Daniel: |Ansioso.| Não… não…
PRELUDE AND ROOFTOP - BERNARD HERRMANN (FROM "VERTIGO/UM CORPO QUE CAI") 🎵.
[Ao som de uma das faixas da trilha sonora de Um Corpo que Cai (1958), Daniel ergue o olhar e congela; sob a luz fraca de um poste, quatro silhuetas surgem juntas: Romualdo, cheio de hematomas; Everton, coberto de mordidas de animal; Bento, completamente desfigurado e Messias, tomado por queimaduras — ambos personagens que Daniel ceifou os seus respectivos destinos. Os quatro o encaram em silêncio. Daniel se afasta para trás, em pânico.]
Daniel: |Sussurrando.| Eu não matei vocês... Apenas os tirei do meu caminho... |Grita.| ME DEIXEM EM PAAAAAZZ!
[A música segue a todo vapor. Daniel pisca, mas as figuras continuam ali. Ele se vira e dispara em corrida. No meio do percurso, Daniel invade uma casa em construção, tropeçando em entulhos e barras de ferro. Daniel para no centro da estrutura, ofegante.]
Daniel: |Transtornado.| Eu tô ficando louco... só pode ser!
[A trilha chega no clímax. As quatro figuras surgem novamente, agora espalhadas ao redor dele, bloqueando todas as saídas.]
Daniel: |Desesperado.| Não… por favor… |Transtornado.| VÃO EMBOOORAAAA!!
[As quatro figuras seguem rodeando Daniel. Efeito sonoro: estalos de concreto. O chão treme. Rachaduras se espalham pelas paredes.]
Daniel: |Insano, olhando ao redor.| O que é isso...? O que tá acontecendo...?
[O teto começa a cair. A estrutura inicial sofre desabamento. Daniel olha para cima e esbanja expressão total de terror.]
Daniel: |Pânico total.| NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!
[Efeito sonoro: IMPACTO SECO! O teto cai em cima de Daniel. O instrumental de "Vertigo" dá seus toques finais, se encerrando logo depois. Uma nuvem de poeira toma o local. A imagem escurece abruptamente.]
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CENA 07 | PENITENCIÁRIA - INT./MANHÃ
FADE-IN.
YOU ARE MY DESTINY - PAUL ANKA 🎵.
[Imagens aéreas, mescladas a takes transitivos, expõem a cidade paulistana, mostrando o cotidiano urbano, além das metrópoles.]
🕰️ QUATRO MESES DEPOIS...
Junho de 2026... ⌛
[A câmera focaliza na parte externa do presídio feminino. A trilha sonora para de tocar aos poucos. Corte de cena para o lado interno. Patrícia está sentada diante da mesa de visitas, trajando o uniforme de prisioneira. Kássia se aproxima e se senta à frente dela. Um silêncio pesado se instala. Segundos depois, Kássia quebra o silêncio.]
Kássia: |Tensa.| Eu descobri mais coisas sobre... o tal livro.
[Patrícia ergue o olhar, tensa.]
Kássia: |Franca.| Romualdo estava na lista... E o Patrick também.
[Patrícia empalidece. O impacto é imediato.]
Patrícia: Não… |Engole em seco.| O Patrick?
[Kássia confirma com a cabeça.]
Patrícia: |Cabisbaixa.| Isso não absorve minha culpa... Mas também expõe possíveis culpados.
Kássia: |Olhar angustiante.| Eu preciso saber... Foi premeditado?
[Patrícia respira fundo, firme.]
Patrícia: Não. Eu perdi o controle. Só isso.
[Kássia solta o ar, aliviada.]
Kássia: Daniel escreveu o nome do Romualdo. Mas quem escreveu o do Patrick… foi a Carina.
[Efeito sonoro: impacto; Patrícia arregala os olhos, devastada.]
Patrícia: |Reflexiva.| Quase tudo foi uma mentira… até a minha dor. Mas sinceramente? Não quero me escorar na possibilidade de um livro ter "matado" o meu irmão...
[Kássia parece concordar com as palavras de Patrícia. SFX: emoção leve. Kássia se inclina, mais próxima.]
Kássia: |Desviando o olhar.| Eu quero recomeçar... E fazer as pazes… enquanto ainda dá.
[Patrícia hesita. Os olhos marejam.]
Patrícia: |Sincera.| Eu matei o Décio.
[Kássia absorve a confissão com seu olhar, sem julgamento.]
Kássia: |Encara de frente.| Eu sei quem você é. Que você é precipitada. Impulsiva... E mesmo assim… eu vou lutar pela sua liberdade. Porque você é a única pessoa que tenho na vida. E eu quero acreditar... que você pode mudar.
[As duas se encaram. Lentamente, Patrícia estende a mão. Kássia segura. O gesto é simples, mas definitivo. As duas trocam sorrisos, enquanto o instrumental atinge seu ápice. Um ciclo se fecha. A câmera se afasta delas, enquanto a imagem escurece e o soundtrack cessa.]
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CENA 08 | CASA DOS SILVEIRA - INT./MANHÃ
[Teresa está dormindo no quarto. Ela acorda. Ao despertar, se espreguiça. Teresa levanta. Respira fundo, se sente bem.]
Teresa: |Se aproxima do espelho e se encara, sorrindo.| Que estranho... estou me sentindo tão bem hoje!
[Uma ventania invade pela janela. Teresa sente. Sua expressão fica séria.]
Teresa: |Sorri aliviada.| Ah... já entendi.
CORTA PARA:
[Teresa passando pela cozinha. Ela observa Wagner e Emily, jogando videogame, sorridentes. Um instrumental mágico tem início.]
Teresa: |Sorrindo, emocionada.| Adeus, meus queridos... |Acena.| Até algum dia!
[Estranhamente, Emily e Wagner "ignoram" Teresa e seguem jogando, felizes. A mulher fecha os olhos, suspira de forma aliviada. Teresa sai pela porta de frente e fecha. O instrumental atinge o pico. A câmera focaliza na porta.]
FADE-OUT.
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CENA 09 | PARQUE - EXT./MANHÃ
[Fade-in. A câmera revela um parquinho. Crianças brincam, pais observam seus filhos. O jogo de câmeras revela Lídio e Alice, lado a lado. Eles veem Henrique brincando com outros amiguinhos, feliz, radiante, dando a entender que o menino está mais conformado com o trágico fim da mãe. SFX: cotidiano.]
Lídio: |Feliz.| O Henrique tá tão alegre...
Alice: |Radiante.| As idas à psicóloga ajudaram bastante.
Lídio: |Orgulho.| A amizade com Emily também...
[Lídio pega na mão de Alice.]
Lídio: |Apaixonado.| Não teríamos conseguido sem sua ajuda... meu amor!
Alice: |Tímida.| Oh, meu querido... |Dá um selinho no amado.| Te amo.
Lídio: |Carinhoso.| Também te amo...
[Um instrumental romântico tem início e Lídio e Alice começam a se beijar ali mesmo, enquanto Henrique segue brincando com outras crianças. A câmera vai se afastando de todo ambiente enquanto a sonoplastia cessa aos poucos.]
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CENA 10 | LUGAR MISTERIOSO
[A câmera revela um ambiente escuro. Aos poucos, o lugar "toma vida". Caos. Fogo para todo lado. Pessoas feridas correndo, eufóricas. Chão vermelho. Logo depois, um campo iluminado revela Daniel, caído, machucado, cheio de hematomas.]
Daniel: |Zonzo, com a visão embaçada.| Quê... onde é que eu tô...?
[SFX: terror puro. Quando Daniel olha para o seu corpo, se depara com um demônio tentando lhe devorar. É visível que metade do corpo, da cintura para baixo, foi separado da parte de cima. Suas tripas estão expostas, e o demônio as consome com prazer e selvageria.]
Daniel: |Transtorno total.| NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!!!!!!!!!!! |Grita muito alto.| SOOOOCOOORRRRRRRROOOOOOOO!!!!!!!!!!!!
[O ato selvagem prossegue. Daniel mantém uma expressão de desespero. O instrumental de terror atinge o ápice.]
CORTA PARA:
[Uma sala fechada. O instrumental de terror desaparece. Entre quatro paredes. Branca. Iluminada. A câmera revela Daniel escorado, sentado, na parede, trajando uma roupa hospitalar. É nítido que ele está fora de suas faculdades mentais. Também aparenta um rosto levemente envelhecido, cabelos mais grisalhos, barba volumosa, olheiras visíveis. SFX: tensão. Seus gritos ecoam pelo ambiente fechado.]
Daniel: |Em pânico, alucinante.| ME TIREEMM DAQUIIIII!!! |Transtornado, surtado.| ME TIREEEM DESSE INFERNOOOOOO!!! |Leva as mãos à cabeça.| AAAAAAAAA!!!!!!
[A câmera se afasta de Daniel conforme o instrumental de tensão cresce e seus berros ficam abafados. A trilha atinge seu ápice e a imagem fica borrada. Já não é possível ouvir os gritos de Daniel, apenas sua silhueta embaçada se contorcendo. O soundtrack finaliza e a imagem escurece lentamente.]
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CENA 11 | TERREIRO - EXT./NOITE
[Fade-in. A câmera focaliza num terreiro a céu aberto. Umbandistas fazem seus rituais de danças, enquanto batem palma e andam em círculo.]
Umbandistas: Vou abrir minha Jurema, vou abrir meu Juremá (2x)! Com licença de mamãe Oxum! E de Nosso Pai Oxalá (2x)! Já abri minha Jurema, já abri meu Juremá (2x)! Com licença de mamãe Oxum! E de Nosso Pai Oxalá (2x)
[O volume das vozes dos umbandistas diminui gradativamente. A câmera focaliza num canto escuro, isolado. Afastado. Vânia, sozinha, no ponto exato, acende uma fogueira e a observa. Foco em seu rosto. SFX: suspense.]
Vânia: |Expressão decidida e serena.| Seja lá qual for a sua funcionalidade, se o poder contido nesse objeto amaldiçoado é realmente verídico, eu é quem não vou ficar pra ver a continuação de suas desgraças.
[Vânia revela o famigerado livro da morte em suas mãos e o aponta para a fogueira.]
Vânia: |Franca.| O poder do homem é cedido por sua vontade. Livre arbítrio. O livro talvez possa ser um instrumento de suporte, mas o destino...? Não é ele que controla. São as forças espirituais. É a natureza. O silêncio que fica pode ser fatal, mas é o preço da paz e da libertação. |Olha para o horizonte.| Meus orixás...
[Efeito sonoro: chamas fervorosas. Vânia joga o livro na fogueira e observa o fogo consumir. O instrumental de suspense se transforma num soundtrack de tensão.]
Vânia: |Fria.| Que o fogo dos infernos te leve pra bem longe... Que a raiz de todo mal seja exterminada!
[O instrumental atinge o ápice. A câmera focaliza no olhar determinado de Vânia e, em seguida, no livro sendo consumido pelas chamas da fogueira.]
•A IMAGEM CONGELA NO LIVRO PEGANDO FOGO ONDE A TELA FICA COMPLETAMENTE VERMELHA•