Silêncio Fatal | Capítulo 19
Silêncio Fatal | ☠️📖 | Capítulo 19/20
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CENA 01 | CASA DE DONA VÂNIA - INT./TARDE
FADE-IN
Fevereiro de 2026... ⌛
[A câmera mostra vistas panorâmicas da cidade ao som de um instrumental de suspense. Conforme a imagem avança na casa de Vânia, a sonoplastia vai sumindo aos poucos. Corte de cena para o lado interno. Vemos Emily e Henrique interagindo na sala.]
Henrique: |Sorridente.| Fico feliz que esteja tudo bem na sua casa.
Emily: |Agraciada.| Obrigada. Eu só não entendo o que tanto escondem... |Preocupada.| A mamãe diz que não tá bem de saúde, mas não explica o porquê.
Henrique: |Tentando aliviar.| Não deve ser nada. Adultos vivem doentes.
[As duas crianças caem na risada.]
Emily: |Se levanta.| Eu tô indo, tá? |Beija a bochecha do amiguinho.| Até mais!
Henrique: |Corado, sorrindo.| Até.
[Emily vai embora. Vânia surge logo depois.]
Vânia: |Curiosa.| Ela já foi?
Henrique: |Sorriso abobalhado.| Já, vovó...
[Vânia encara Henrique e sorri para ele. Fade-out.]
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CENA 02 | TRIBUNAL – INT./MANHÃ
FADE-IN.
[O jogo de câmeras revela o cenário. O tribunal em absoluto silêncio. Patrícia está sentada no banco dos réus, tensa, mãos trêmulas. No público: Kássia, Daniel e Wagner. O clima é pesado.]
Juiz: |Bate o malhete.| Silêncio, silêncio. Vamos começar!
[SFX: tensão. A câmera intercala takes rápidos de dias diferentes do julgamento: roupas mudam, expressões se desgastam, o tempo passa. Por fim, chega a hora da decisão final. Close no rosto exausto de Patrícia.]
Juiz: |Firme, direto.| As provas são claras. Patrícia Fontana foi a autora da morte de Patrick Fontana.
[Um leve murmúrio se espalha pelo plenário. Daniel permanece imóvel.]
Juiz: |Continua.| Não houve premeditação. O crime foi cometido sob violenta emoção, no calor do momento.
[A câmera fecha em Kássia, que engole o choro.]
Juiz: |Sentença.| Diante disso, enquadro a conduta no artigo 121 do Código Penal, reconhecendo a atenuante. Fixo a pena em 12 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado.
[Efeito sonoro: impacto seco. O som do malhete ecoa. Um instrumental forte, impactante e dramático tem início. Patrícia desaba. O choro vem forte, sem contenção. O público cochicha. A promotoria se movimenta. Daniel, sério, encara Patrícia por alguns segundos. Kássia leva a mão ao rosto, dilacerada, dividida entre dor e justiça. A câmera se afasta lentamente, revelando todo o tribunal. O instrumental cresce e atinge o pico.]
FADE-OUT.
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CENA 03 | CASA DE DONA VÂNIA – INT./NOITE
[Fade-in. Foco na parte externa da casa de dona Vânia. Corte para a sala. Carina está sentada no sofá, olhar perdido, tomada por pensamentos. Vânia surge da cozinha e se aproxima.]
Vânia: |Preocupada.| Você não usou mais a porcaria daquele livro… usou?
Carina: |Franca.| Não, vovó. Ainda não. Estou tentando recomeçar… arrumar um emprego, conhecer gente nova. |Pausa.| Depois… quando for conveniente, eu volto a usá-lo.
Vânia: |Magoada.| Você não faz ideia do quanto isso me dói… Esse seu lado assassino.
[Carina se levanta de supetão e fica frente a frente com a avó.]
Carina: |Firme.| Eu não mato. É diferente. Eu escrevo destinos.
[Vânia, abalada, se afasta e retorna para a cozinha. Carina permanece imóvel, encarando o nada. SFX: tensão crescente. De repente, a porta se abre com força. Daniel surge de forma abrupta. Carina se assusta.]
Carina: |Surpresa.| Daniel!? O que você quer aqui!?
Daniel: |Seco, autoritário.| Você vai me devolver o meu livro AGORA!
Carina: |Ri, debochada.| Seu livro? |Corrige.| Meu livro. Ele nunca foi seu.
Daniel: |Avança um passo.| Você vai devolver… ou então-
Carina: |Interrompe.| Ou então o quê!?
[Vânia retorna à sala, alarmada.]
Vânia: |Intrigada.| Mas o que está acontecendo aqui!?
Daniel: |Desesperado.| Dona Vânia, por favor… manda sua neta devolver o livro. Eu não quero tomar medidas drásticas. Colabore comigo.
Vânia: |Indignada.| Saia da minha casa agora! Deixe a gente em paz!
[Daniel fixa o olhar em Carina. Algo parece se encaixar em sua mente.]
Daniel: |Desorientado.| Espera… eu me lembrei de uma coisa.
• FLASHBACK •
Daniel: |Surpreso.| Não pode ser...
[A câmera revela que uma das páginas do livro tem o nome completo de ninguém mais, ninguém menos que... Patrick Fontana!
• FIM DO FLASHBACK •
Daniel: |Atônito.| Você escreveu o nome do Patrick no livro… |Encara Carina.| Por quê…?
Carina: |Cínica, nervosa.| Não sei do que você tá falando, garoto.
[Daniel força a memória, angustiado.]
Daniel: |Ligando os pontos.| A Patrícia… me contou… que no dia em que matou o irmão… ele tinha acabado de terminar com a ex-namorada. Porque não teve coragem de assumi-la. Por causa de dinheiro. De status.
• FLASHBACK •
Patrick: |De frente para a irmã.| [...] Eu tenho, sim, meus defeitos. Inclusive, não tive nem coragem de assumir minha ex-namorada... com receio de nossos pais não aceitarem eu me relacionar com uma mulher de condição inferior. Eu não sou perfeito. [...]
• FIM DO FLASHBACK •
[Daniel aponta o dedo para Carina, tomado pela revelação.]
Daniel: |Atônito.| VOCÊ ERA A EX-NAMORADA DO PATRICK! FOI VOCÊ QUEM SENTENCIOU A MORTE DELE!
[Neste instante, o instrumental de tensão explode. A câmera faz um zoom agressivo no rosto de Carina, que tenta sustentar uma expressão de negação. O enquadramento alterna rapidamente entre ela, Vânia em choque e Daniel transtornado.]
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CENA 04 | CASA SILVEIRA - INT./NOITE
[Mário e Wagner estão na sala, aparentemente conversando.]
Mário: |Cabisbaixo.| Então... você me perdoa mesmo... por tudo?
[Wagner suspira. Um instrumental levemente emocionante.]
Wagner: |Franco.| Perdoo, Mário. Não tenho por que guardar rancor... diante das circunstâncias.
Mário: |Sorrindo de canto.| Obrigado...
Wagner: |Sincero.| Só... não sei se vou voltar a confiar em você. De cara. Mas... quem sabe com o decorrer do tempo, nós... não reconstruímos nossa amizade, né? Claro que não será mais como antes, agora temos algumas cicatrizes... Só que eu quero tentar.
Mário: |Esperançoso.| E vamos conseguir!
[Mário e Wagner se encaram, sorridentes e levemente emocionados. Os dois homens apertam as mãos, enquanto a câmera se afasta deles e o instrumental cessa aos poucos.]
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CENA 05 | CASA DE DONA VÂNIA – INT./NOITE
[A atmosfera na casa de dona Vânia segue tensa, sufocante. SFX: tensão constante.]
Carina: |Determinada, encarando Daniel.| Muito bem. Eu admito. Fui eu, sim, quem causou a morte do Patrick.
Vânia: |Cabisbaixa.| E eu sempre soube... de tudo.
Daniel: |Incrédulo.| E ainda teve a cara de pau de chamar a Patrícia de assassina… |Riso nervoso.| Você é uma hipócrita.
Carina: |Ácida.| Hipócrita? |Ri, amarga.| Olha pra você, Daniel. Somos três assassinos nessa história. |Se aproxima.| E o fato de eu ter assinado o nome do Patrick não apaga o que aquela cachorra fez. Ela matou o próprio irmão. |Pausa venenosa.| Eu só dei o empurrão final.
Daniel: |Tentando entender.| Mas por quê...? Não dava pra resolver no diálogo?
Carina: |Explode, revoltada.| Diálogo!? |Ri, nervosa.| Ele foi um covarde! Desde o começo! Quando eu me envolvi com o Patrick, ainda era casada com o Lídio. Ele não aceitou. Me julgou, me condenou. |Respira fundo.| Foi por isso que nosso casamento acabou. Sim, eu fui interesseira. Não nego. Mas eu tava lutando pela minha família. Por mim. Eu não nasci pra apodrecer na sarjeta!
[Daniel observa, em silêncio.]
Carina: |Voz embargada.| E mesmo assim… ele não teve coragem de me assumir. Teve medo da família, do dinheiro, do sobrenome. Ele já tinha decidido. Não havia mais saída. |Encarando o vazio.| Então… eu ceifei a vida dele. |Se recompõe.| Por isso eu seduzi o Romualdo. Foi uma espécie de vingança pessoal contra aquela família. Tudo para subir na vida e dar o mínimo de conforto pra minha avó e pro meu filho. Quis provar pra mim mesma que eu poderia chegar lá, independente dos métodos. E consegui. Até você me atrapalhar, em todos os sentidos! |Voz baixa.| E apesar de tudo… eu amo minha avó. Amo meu filho... E ainda amo o Lídio…
• FLASHBACK •
Carina: |Chorosa, fora de si.| VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO! VOCÊ É UM COVARDE! UM CAFAJESTE!
Patrick: |À beira do choro.| ME DESCULPA, CARINA! |A voz falha.| Mas eu não consigo… eu não posso…
• FIM DO FLASHBACK •
Daniel: |Reflexivo, sombrio.| No fim das contas… somos iguais. |Pausa.| Mas não foi pra isso que eu vim aqui. |Endurece.| Eu quero o livro de volta. E você vai devolver. AGORA!
CORTA PARA:
[Carina surge com o livro em mãos. Na outra, uma caneta. Ela o encara com determinação.]
Carina: |Segurando firme.| Tá aqui. |Sorri, provocadora.| Agora me diz… o que vai fazer se eu não devolver?
[Num movimento rápido, Daniel saca o revólver que Carina esqueceu na mansão e aponta diretamente para ela.]
Daniel: |Furioso, transtornado.| EU ACABO COM A SUA VIDA!
[Carina entra em pânico instantaneamente. Vânia solta um grito abafado. O instrumental atinge o ápice. A câmera alterna rapidamente entre os rostos de Daniel, Carina e Vânia, todos à beira do colapso.]
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CENA 06 | APARTAMENTO DE ALICE - INT./NOITE
[O celular de Alice toca. Ela, que está no quarto, atende.]
Alice: |Com o celular no ouvido.| Alô? |Sorri.| Oi, meu amor, tudo bem?
[A imagem abre uma tela dividida entre Lídio e Alice enquanto eles falam no telefone. Um instrumental romântico tem início.]
Lídio: |Sorridente.| Tudo sim, e com você, amor?
Alice: |Feliz.| Tô ótima, melhor agora!
Lídio: É... eu queria saber se você gostaria de sair pra passear... Eu, você e Henrique.
Alice: |Se anima.| Que maravilha! Quero sim. Eu te busco ou você me pega?
Lídio: |Animado.| Tanto faz!
Alice: |Se levanta.| Então se segura que eu vou aí. Tchau... |Encerra a ligação.|
[Alice coloca o celular numa mesinha e vai em direção ao banheiro.]
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CENA 07 | CASA DE DONA VÂNIA – INT./NOITE
[A tensão domina o ambiente. Daniel mantém Carina e Vânia sob a mira da arma. O ar é irrespirável. SFX: tensão crescente.]
Daniel: |Psicótico.| Burra! Imprestável! Como você pôde ter esquecido algo de tanta importância!?
Carina: |Gaguejando.| Eu... Eu... tava tão desesperada pelo livro... que esqueci da arma!
Vânia: |Angustiada.| Como você pôde ter dado um deslize desse, Carina...?
[De repente, para o azar das duas mulheres, Henrique surge na cena.]
Henrique: |Sonolento, confuso.| Mamãe… vovó…? O que tá acontecendo…?
[Num movimento brusco, Daniel avança sobre Henrique e o rende, pressionando a arma contra a cabeça do menino. O instrumental dispara, ainda mais intenso.]
Henrique: |Em pânico.| MAMÃE! VOVÓ! SOCORRO!
Vânia: |Revoltada, desesperada.| LARGA MEU NETO, SEU DESGRAÇADO!
Carina: |À beira do colapso.| NÃO ENCOSTA UM DEDO NO MEU FILHO, SEU NOJENTO! FILHO DA MÃE!
Daniel: |Completamente surtado.| ENTÃO DEVOLVE A PORRA DO LIVRO!
[O instrumental de tensão cresce sem trégua. Num gesto desesperado e impulsivo, Carina abre o livro com mãos trêmulas, folheia as páginas freneticamente e começa a escrever de forma descontrolada.]
Daniel: |Alarmado.| O que você tá fazendo…?
[Carina ignora. Continua escrevendo, aflita, quase fora de si. O suspense toma conta da cena.]
Daniel: |Tenso, desconfiado.| Não é o que eu tô pensando… né?
[Henrique começa a chorar compulsivamente. Vânia respira com dificuldade. Carina morde o próprio dedo com força — o sangue escorre. Daniel arregala os olhos. Ele entende.]
Daniel: |Tomado pelo ódio.| VOCÊ NÃO VAI CEIFAR A MINHA VIDA, SUA DESGRAÇADA!
[Num rompante, Daniel empurra Henrique, que cai no chão. Sem hesitar, ele ergue a arma, mira diretamente no rosto de Carina e atira contra o olho dela; efeito sonoro: DISPARO SECO! Sonoplastia: impacto dramático.]
Vânia: |Em choque absoluto.| NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!
Henrique: |Desesperado, chorando.| MÃÃÃÃÃÃÃÃÃEEEE!!!
[A câmera focaliza no olho destruído de Carina. O sangue escorre, pinga, mancha seu rosto. Fraca e desorientada, ela deixa o livro e a caneta caírem de suas mãos e ecosta-se na parede e desliza lentamente até o chão, sentando-se antes de apagar.]
[O instrumental atinge uma intensidade brutal.]
Daniel: |A ficha caindo, em choque.| O que… o que foi que eu fiz…?
[Zonzo, Daniel deixa a arma cair. A câmera focaliza no revólver no chão... depois, no livro e na caneta. Em seguida, alterna entre: Henrique chorando no chão; Carina inconsciente, ensanguentada; Vânia sentada no sofá, devastada; e, por fim, Daniel, de pé, trêmulo, completamente fora de si. A trilha alcança o pico máximo.]
•A IMAGEM CONGELA EM DANIEL ONDE A TELA FICA COMPLETAMENTE VERMELHA•