Silêncio Fatal | Capítulo 10

 


Silêncio Fatal | ☠️📖 | Capítulo 10/20

[SFX: tensão. Daniel corre pelo corredor da empresa, saindo do local. Alice surge na sequência, segurando uma prancheta, revelando ao público que testemunhou a retirada repentina do amado.]

Alice: |Curiosa.| Nossa... por que Daniel saiu assim, do nada, apressado?

[Sob efeito sonoro de um rápido suspense, a câmera dá um leve zoom na expressão intrigada de Alice.]

FADE-OUT.

---
CENA 01 | PADARIA - INT./MANHà

🕰️ ALGUNS DIAS ANTES...

FADE-IN.

[Daniel e Alice são pegos de surpresa com a presença de Patrícia na padaria. SFX: tensão.]

Daniel: |Nervoso.| Paty, calma, eu posso explicar...

Patrícia: |Revoltada.| CÍNICO! E não me chame de Paty!

Alice: |Toma a frente.| Isso mesmo, Patrícia, é exatamente o que você está pensando. Mas não pense que foi sempre assim. O Dani estava se desligando de você aos poucos, ao mesmo tempo em que eu e ele estávamos nos aproximando aos poucos. Foi natural, e você não precisa dar showzinho, ainda mais pela idade que já tem. Aliás, adulta nenhuma deveria passar essa vergonha que você está passando!

Patrícia: |Furiosa.| Dupla de traidores... |Olha para Daniel.| Você, um cachorro. |Olha para Alice.| Você, uma putinha. Vulgar! Não bastou seduzir o meu pai para subir na empresa, agora quer roubar o meu homem também!?

[Os clientes começam a observar a situação.]

Alice: Eu realmente gostaria de saber de onde você tirou essa fanfic de que eu seduzi seu pai...

Daniel: |Sussurrando alto.| Patrícia, pare! Tá chamando a atenção. Já, já o gerente aparece e te tira daqui! E, por favor, né? Já terminamos. Até o anel de compromisso você me devolveu!

Patrícia: Isso não te dá o direito de me trocar por outra em pouquíssimo intervalo de tempo. |Respira.| Olha, podia ser qualquer vadia... Mas a Alice não, Daniel... A ALICE NÃO!

Alice: Você é mimada e caprichosa!

Patrícia: Já você é sonsa e biscateira!

Daniel: Parem as duas!

Patrícia: |O encara com sangue nos olhos.| E quanto a você, não passa de um gigolô, interesseiro, exageradamente ambicioso, com espírito de pobreza E UM ASCO DE HOMEM!

[Os clientes começam a cochichar. De repente, o gerente surge em seguida.]

Gerente: Posso saber o que está acontecendo por aqui?

Patrícia: |Debochada.| Nada, seu gerente. Apenas vim colocar esses dois vadios em seus devidos lugares!

[O gerente respira fundo. Daniel se sente constrangido. Alice revira os olhos. De repente, Patrícia pega uma xícara de café que estava na mesinha do casal e joga na cara de Daniel.]

Daniel: |Enxugando o rosto/sentindo dor.| AI!

Alice: |Enche a boca para falar.| NOJENTA!

Patrícia: |Irônica.| Tenham um bom café da manhã, meus amores! |Olha para o gerente.| E há de algum de vocês ousarem me processar, porque para eu mandar fechar essa espelunca, não vou precisar nem de dois tempos. 

[Ao som do refrão de "Monster - Lady Gaga" (🎵), Patrícia se retira com determinação e caminha até a entrada/saída da padaria como se estivesse desfilando. Daniel e Alice se entreolham, o gerente fica sem o que dizer e fazer e os clientes, boquiabertos, observam o fim da situação. A câmera se afasta de todos eles, enquanto a música cessa aos poucos.]

---
CENA 02 | CASA DE VÂNIA - INT./MANHà

[A câmera se aproxima da casa de Vânia. Corte de cena para o lado interno. Henrique corre para abraçar Carina. Vânia apenas observa. Carina recebe seu filho de braços abertos.]

Carina: |Agarrada com seu filho.| Oh, meu filho, que saudades!

Vânia: |Irônica.| Se tivesse com saudades, já teria saído daquela casa...

Carina: |Encara a idosa.| Poxa, vó, não fale assim comigo!

Henrique: |Termina de abraçar a mãe.| É, vovó, respeita a mamãe. Aproveita que ela veio visitar a gente.

Vânia: |Séria.| Henrique, pode ir pro seu quarto para eu conversar um pouquinho a sós com sua mãe?

CORTA PARA:

[Carina e dona Vânia sentadas no sofá, no auge do diálogo. SFX: suspense.]

Vânia: |Desapontada.| Não acredito que você foi capaz de tudo isso...

Carina: |Entusiasmada.| Vovó, eu finalmente tô vencendo! O Romualdo já deitou e rolou pra mim. Disse que vai me incluir em seu testamento e me enxerga como uma espécie de recomeço total!

Vânia: |Põe a mão na cara.| Oh, meu Oxalá!

Carina: |Pega nas mãos da avó.| Oh, vovó, não fique assim! Vai dar tudo certo. Você sabe muito bem que esse propósito tem camadas. Eu tenho o total direito de estar pisando naquela casa como se fosse a dona. |Expressão mista de raiva e tristeza.| Você sabe tudo que eu passei...

Vânia: |Direta.| E sei também do que foi capaz.

Carina: |Serena.| Eu não posso permitir que ninguém mais pise em mim. Nem em você, nem no Henrique. Chega de sermos vistos como inferiores por causa de nossa condição, nossos valores, nossa cultura!

Vânia: Eu só me preocupo com você.

Carina: E eu com a senhora.

[De repente, alguém bate na porta.]

Vânia: |Falando alto.| Pode entrar!

[A pessoa abre a porta e entra. É Lídio. Carina fica surpresa ao vê-lo, e os dois se encaram. SFX: romance.]

Lídio: |Mexido.| Carina...

Carina: |Quase lacrimejando.| Lídio...

[Vânia apenas observa. Carina se levanta e vai até Lídio. Os dois se encaram de perto e ficam prestes a se beijar. Entretanto, Lídio dá dois passos para trás e cancela o ato.]

Lídio: |Tentando disfarçar a felicidade em vê-la.| Tudo bem, Carina? |Olha para Vânia.| Eu... vim ver o Henrique. |Suspira.| Com licença!

[Rápido, Lídio avança até o quarto do filho. Entristecida, Carina encara Vânia. SFX: tristeza.]

Vânia: |Franca.| Ele não tá errado em manter esse afastamento...

[A câmera focaliza lentamente no rosto de Carina, que mantém um semblante baixo. Ela deixa uma lágrima escapar de seu olho esquerdo. O pico do instrumental de tristeza é alcançado e a imagem escurece lentamente.]

---
CENA 03 | CASA DOS SILVEIRA - INT./TARDE

[Fade-in. Close na casa dos Silveira.]

CORTA PARA:

[Wagner andando em círculos pela sala, lacrimejando e com uma expressão aflita. SFX: tensão. Teresa mantém-se atordoada também, enquanto permanece sentada no sofá.]

Wagner: |Arrasado.| Eu não acredito nisso... |Explode.| COMO VOCÊ PÔDE TER FEITO UMA COISA DESSA, TERESA!?

Teresa: |Chorando.| Nosso casamento já estava frio demais, Wagner. |Enxuga as lágrimas.| Estou sendo sincera com você. Melhor do que ter escondido isso.

Wagner: |Devastado.| MAS VOCÊ NÃO TINHA ESSE DIREITO! |Tenta se recompor.| Dê graças a Deus que Emily está na escola... porque se ela tivesse aqui, eu iria SAIR DAQUI CORRENDO, IRIA SUMIR! |Encara a mulher com sangue nos olhos.| Você e Mário são dois traidores...

Teresa: |Se levanta.| Olha, não foi bem assim! 

Wagner: |Se cuspindo todo enquanto fala.| NÃO TENTA JUSTIFICAR O INJUSTIFICÁVEL!

Teresa: |Aumenta o tom.| VOCÊ SE AFASTOU DE MIM E EU ME APAIXONEI POR OUTRO, FOI ISSO QUE ACONTECEU!

Wagner: |Tenta se recompor.| Foi você quem se afastou de mim, Teresa... Você que se distanciou de mim do nada... E um dia, eu vou descobrir o motivo... Porque sei que você jamais me trocaria pelo fura-olho e jumento do Mário! |Suspira.| Mas... eu não vou esquentar minha cabeça com isso. Por enquanto. Agora, eu quero espairecer. |Caminha até a porta; antes de partir, encara a esposa.| Não me procure! Não venha atrás de mim!

[Wagner sai de casa e fecha a porta com tudo. SFX: drama. A câmera focaliza lentamente em Teresa, que chora, deitada no sofá, sem parar, como se tivesse um motivo a mais para ela ter traído seu marido.]

Teresa: |Voz embargada; reflexiva.| Se você soubesse o verdadeiro motivo de tudo isso, Wagner...

[A câmera dá um zoom reverso em Teresa. Em seguida, o pico do instrumental começa a ser alcançado. Por fim, a câmera se afasta de vez do ambiente.]


---
CENA 04 | MANSÃO FONTANA - INT./TARDE

[A câmera se aproxima da mansão Fontana ao som de "Here Comes The Sun - The Beatles" (🎵). A música vai cessando aos poucos, e a cena corta para a parte interna. SFX: suspense. Carina esboça um leve sorriso malicioso ao observar, através da janela, Kássia indo embora com suas coisas. Logo atrás dela, Romualdo surge na sequência, vindo da sala de jantar.]

Romualdo: |Intrigado.| Tá tudo bem por aqui?

Carina: |Falsa; sorridente.| Tá tudo sim, meu querido. A Kássia acabou de ir embora, aliás.

Romualdo: |Sério.| Menos mal...

[A câmera alterna entre os rostos dos dois. O pico do instrumental é alcançado. Fade-out.]

---
CENA 05 | GRUPO FONTANA - INT./MANHà

[Fade-in. Takes ao som de um cotidiano instrumental da cidade paulistana são mostrados. A câmera focaliza na empresa dos Fontana. O soundtrack cessa.]

CORTA PARA:

[Daniel está passando pelo corredor da empresa. Uma discussão na sala de Romualdo lhe chama a atenção. Com uma expressão curiosa, ele para e tenta ouvi-la atrás da porta. A câmera, agora, focaliza na discussão entre pai e filha. SFX: tensão total.]

Patrícia: |Batendo de frente.| Mas é claro que eu vou continuar nessa merda. Isso você não vai me tirar. Depois de eu ter sido passada para trás pelo meu irmão a vida toda, você achou mesmo que eu vou também renunciar ao meu cargo? Não, senhor! A sua amante, a vaca da Carina, pode ficar com a droga daquela mansão toda, mas da empresa, VOCÊS NÃO VÃO ME TIRAR! 

Romualdo: |Afrontado.| Não toca no nome do seu irmão... 

[A câmera volta a focalizar a Daniel, que está com uma expressão impactada.]

Daniel: |Abismado.| Meu Deus... a espertinha da Carina passou a perna nos Fontana, quem diria! Eu sabia que não deveria ter abaixado a guarda. Droga! Por que fui me apaixonar por você, Alice...? Olha o que você me fez fazer... Tem mais gente disputando o império dos Fontana, e eu vacilei em romper com a Patrícia. |Com sangue nos olhos.| Mas isso não vai ficar assim... Eu vou fazer alguma coisa antes que seja tarde!

[Enquanto o instrumental chega no seu pico, a câmera focaliza em Daniel correndo pelo corredor, saindo do local. O soundtrack cessa de vez. Alice surge na sequência, segurando uma prancheta, revelando ao público que testemunhou a retirada repentina do amado.]

Alice: |Curiosa.| Nossa... por que Daniel saiu assim, do nada, apressado?

[Sob efeito sonoro de um rápido suspense, a câmera dá um leve zoom na expressão intrigada de Alice.]

---
CENA 06 | APARTAMENTO DE DANIEL - INT./NOITE

[Vemos o anoitecer através da janela do quarto de Daniel. SFX: suspense. O jogo de câmeras mostra que ele está em sua escrivaninha. Diante de seu livro da morte, Daniel segura a caneta e vai passando as páginas. Logo depois, ele posiciona a caneta no nome de Romualdo. Vale lembrar que ele já tentou escrever o nome do chefe, capítulos atrás, só não adicionou o sobrenome. O suspense acompanha a cena.]

Daniel: |Nervoso.| Eu não posso fraquejar dessa vez...

[O suspense cresce conforme Daniel tenta escrever o sobrenome. Uma gota de suor cai em uma das páginas. Por fim, Daniel termina de escrever o nome completo de Romualdo. Quando a câmera focaliza na página, um efeito sonoro impactante pode ser ouvido na hora. Daniel fura o próprio dedo com uma agulha e coloca sua impressão digital molhada de sangue ao lado do nome de Romualdo. Uma ventania invade o quarto pela janela, e as páginas começam a se mexer sem parar, conforme o nervosismo do protagonista aumenta.]

Daniel: |Tenso, porém decidido.| Dessa vez vai dar certo...

[A câmera focaliza na expressão ambígua de Daniel, que tenta esboçar um sorriso malicioso, enquanto o pico do instrumental é alcançado. Por fim, a imagem escurece abruptamente.]

---
CENA 07 | GRUPO FONTANA - INT./NOITE 

[Fade-in. Romualdo está na recepção, pronto para ir embora. O local está completamente vazio. Ele encara ao redor e suspira.]

Romualdo: |Reflexivo.| Que dias difíceis... |Se encara no reflexo de um vidro.| Eu não queria que as coisas fossem assim também.

QUE PAÍS É ESSE? - LEGIÃO URBANA (🎵).

[Romualdo aperta no botão do elevador, que abre. Após ele entrar, o elevador fecha. Com uma expressão meio apática, Romualdo aperta o botão térreo e o painel numérico começa a descer: 25... 24... 23...]

Romualdo: |Suspirando.| Será que não me precipitei em mudar o testamento...?

[No andar 22, o elevador dá um pequeno tranco. Assustado, tenta apertar o botão de emergência. Nada responde.]

Romualdo: |Começa a se desesperar.| Ah, não... |Bate violentamente na porta e nas paredes da cabine.| SOCORRO! |Grita; chorando e desesperado.| ALGUÉM ME TIRA DAQUI!

[A música, de repente, para de tocar. Tudo fica silencioso. Romualdo respira ofegante, enquanto encara o teto da cabine. E então... um estalo mecânico forte: o cabo de sustentação se solta. O elevador entra em queda livre. A música volta a tocar com tudo. Romualdo entra em desespero.]

Romualdo: |Cambaleando e se mexendo para tudo que é lado.| MEU DEUS! NÃO! SOCORRO! |Aflição total.| NÃÃÃÃÃOOOO!!!

[O corpo do homem é arremessado para cima, depois contra o chão, depois contra a parede, enquanto a cabine despenca. Cada impacto produz som seco de osso contra metal. O painel de vidro se quebra, ferindo o rosto dele. O sangue espirra e se espalha pela parede interna.]

Romualdo: |Com o sangue escorrendo pela boca e pelo nariz.| Isso não tá acontecendo... ISSO NÃO TÁ ACONTECENDO!

[A queda continua. O corpo bate de um lado. O terno rasga no ombro e o sangue, saído de seu orifício nasal, pinga no piso, se misturando com estilhaços de vidro do painel quebrado. O velocímetro de segurança falha.]

Romualdo: |Cabisbaixo, praticamente aceitando seu destino.| Merda... QUE MERDA!

[O elevador atinge o subsolo com força total. O corpo do homem é lançado contra a frente do elevador, ficando preso entre a chapa metálica e o painel quebrado, com sangue espalhado e ossos em posição irregular. O impacto destrói a cabine: metal amassado, paredes deformadas, parte da estrutura dobrada. A câmera focaliza no cadáver praticamente destruído de Romualdo. Depois, é dado um zoom em uma das poças de sangue ao lado.]

•A IMAGEM CONGELA NA POÇA DE SANGUE ONDE A TELA FICA COMPLETAMENTE VERMELHA•