Silêncio Fatal | Capítulo 06
[Fade-in. Carina está no quarto dos patrões, dando uma organizada nas cômodas, aparentemente sem pretensões. A porta está entreaberta. SFX: suspense. Alguém parece observar. Carina ouve a porta abrindo aos poucos.]
Carina: |Aflita.| Quem tá aí?
[À medida que o suspense cresce, a câmera se aproxima de Carina, que está de costas para ela. Quando a mulher se vira, toma um susto. O instrumental cessa rapidamente.]
FADE-OUT.
🕰️ ALGUMAS SEMANAS ANTES...
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CENA 01 | MANSÃO FONTANA - INT./MEIO-DIA
FADE-IN.
Junho de 2025... ⌛
[Close rápido na mansão Fontana. Corte de cena para a parte interna. O almoço prossegue no local. Daniel, Patrícia, Carina, Kássia e Romualdo postos à mesa. SFX: suspense leve.]
Kássia: |Um pouco falsa.| É um prazer imenso lhe conhecer, Daniel. E nem preciso dizer que "autorizamos" o seu namoro com nossa filha. |Franze a testa.| Certo, Romualdo?
Romualdo: |Animado.| Corretíssimo, meu amor. Afinal, Patrícia já é uma mulher de mais de trinta anos, tem idade suficiente pra fazer suas próprias escolhas. E Daniel é um ótimo rapaz. Competente e dedicado; tem se destacado bastante na empresa.
Daniel: |Envergonhado.| Olha, gente, o que é isso? Só faço meu trabalho. E sobre a filha de vocês, garanto que a farei muito feliz!
Patrícia: |Apaixonada.| Obrigada, meu amor.
[Carina apenas observa, silenciosa, captando a tensão.]
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CENA 02 | CASA DE DONA VÂNIA - INT./MEIO-DIA
[Close interno. Suspense. Vânia está na cozinha finalizando o almoço. Batem na porta. Ela levanta, vai até a sala e abre. A visita revela ser um homem negro, bonito e charmoso, mas de estilo simples. O suspense cessa.]
Vânia: |Estende os braços, radiante.| LÍDIO, FINALMENTE VOCÊ VOLTOU!
Lídio: |Abraça a idosa.| Oh, dona Vânia, como vai?
CORTA PARA:
[Os dois sentados no sofá da sala.]
Lídio: Sabe como é a vida de caminhoneiro, né? Mas confesso que, dessa vez, eu realmente demorei a voltar.
Vânia: Pois é, meu filho, mas que bom que terminou tudo bem.
Lídio: |Muda o semblante.| E… onde é que tá a…?
Vânia: |Respira fundo.| Você sabe, né? Ela tomou coragem e…
[Henrique, de repente, surge na sequência, radiante, quebrando o suspense. SFX: felicidade.]
Henrique: |Feliz.| PAPAI!
Lídio: |Abre um largo sorriso.| MEU FILHO!
Henrique: |Corre até ele.| Finalmente você voltou!
Lídio: |O carrega nos braços como se fosse um neném.| Pois é, meu filho! |Começa girar com ele.| Ai, que saudade eu tava do meu garotão!
[Lídio e Henrique riem e se divertem com as brincadeiras de pai e filho que eles fazem, enquanto Vânia observa, sorrindo, levemente emocionada.]
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CENA 03 | MANSÃO FONTANA - INT./TARDE
[Romualdo e Kássia na biblioteca. Aparentemente o almoço já finalizou.]
Romualdo: |Surpreso.| Mas você não gostou mesmo dele, meu amor?
Kássia: |Intrigada.| Não, Romualdo... Tem algo estranho nele que não consigo identificar.
Romualdo: |Ri, nervoso.| Deve ser impressão sua. Pegue leve com o rapaz...
Kássia: |Franca.| Acontece, querido, é que a primeira impressão... é a que FICA!
[A câmera alterna entre os rostos de Romualdo e Kássia.]
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CENA 04 | CASA DE MÁRIO - INT./TARDE
[Na sala de sua casa, Mário está cochilando no sofá, até que o som da campainha o acorda.]
Mário: |Despertando.| Já vai!
[Corta para: Mário abrindo a porta. Ele se depara com Teresa, segurando um potinho.]
Teresa: |Sorrindo.| Boa tarde, Mário… Tudo bem?
Mário: |Também sorri.| Tudo sim, Teresa, e contigo?
Teresa: |Feliz.| Tudo sim. É… será que você poderia me dar um pouco de açúcar?
[Corta de cena onde Mário entrega o açúcar para Teresa.]
Mário: |Entregando-lhe.| Aqui está!
Teresa: |Grata.| Muito obrigada, Mário… |Exagerando.| De verdade, você é um grande amigo… até nos gestos mais simples!
Mário: |Encantado e envergonhado.| Ora, que isso? Só tento ser gentil.
[SFX: romance leve. Teresa dá um beijo na bochecha de Mário. Ele fica vermelho. Após isso, ela vai embora, não sem antes olhar para trás e sorrir de novo para Mário. O homem acena para Teresa e fecha a porta, suspirando. Fade-out.]
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CENA 05 | MANSÃO FONTANA - INT./NOITE
FADE-IN.
[O escritório. Carina, de pé, e Kássia, sentada à mesa, conversam.]
Kássia: |Curiosa.| Você também gostou dele, Carina?
Carina: |Meio sonsa.| Olha, dona Kássia... pra ser sincera, eu... não tive uma impressão tão legal assim dele não.
Kássia: |Aliviada.| Nossa, finalmente alguém que concorda comigo! De verdade, Carina, tem algo nele que, definitivamente, me incomoda.
Carina: O santo de vocês não deve ter batido.
Kássia: |Desconfiada.| Mais do que isso... A energia negativa dele não me cativa.
Carina: E a senhora pretende fazer alguma coisa com relação a isso?
Kássia: Não, não, eu não vou bancar a megera de novela mexicana que intervém no relacionamento alheio, nem quero me intrometer na vida da minha filha. Vamos deixar as coisas fluírem. O destino vai revelar quem é quem de verdade...
[A câmera focaliza na expressão determinada de Kássia e, em seguida, no olhar apreensivo de Carina. O pico do instrumental é alcançado e a imagem escurece lentamente.]
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CENA 06 | CASA DE DONA VÂNIA - EXT./NOITE
CANTO DAS TRÊS RAÇAS - CLARA NUNES 🎵.
[Fade-in. Ao som da música mencionada acima, a câmera mostra takes do bairro onde Mário, a família Silveira e o núcleo de dona Vânia moram. Em seguida, ela se aproxima da casa da senhora de idade que mora com seu bisneto, Henrique. Vânia parece estar voltando de algum lugar, até que se depara com Wagner na porta de sua casa, e o aborda.]
Vânia: |Gentil.| Boa noite, seu Wagner, tudo bem?
Wagner: |Sorrindo.| Boa noite, dona Vânia, tudo sim, e com a senhora?
Vânia: Tudo sim, meu jovem. |Curiosa.| Precisa de alguma coisa? Eu tava no terreiro, e não ficou ninguém aqui em casa, pois meu neto Henrique saiu pra passear com o pai.
Wagner: |Educado.| Na verdade, eu queria… Queria dizer pra senhora que eu e minha família estaremos à disposição pro que a senhora precisar, certo? Porque… eu fiquei sabendo que tem alguns vizinhos que andam implicando com a senhora, e eu não acho isso legal, não concordo com esse tipo de atitude. Acho que o respeito deveria prevalecer em primeiro lugar!
[SFX: emoção.]
Vânia: |Tocada.| Oh, meu filho… que amor! Muito obrigada pelas palavras, de verdade. É muito gratificante ver que ainda existem pessoas boas nesse mundo tão cruel. Agradeço muito pela amizade de vocês, da sua família. E quero que saiba que eu também sempre estarei à disposição de vocês, certo?
Wagner: |Se aproxima.| Obrigado, dona Vânia. Pode contar comigo. E eu prometo contar com a senhora sempre!
Vânia: |Olhos marejados.| Oh, vem cá, me dá um abraço!
[Wagner e Vânia se abraçam. A câmera vai se afastando deles e o instrumental começa a cessar aos poucos. Fade-out.]
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CENA 07 | GRUPO FONTANA - INT./MANHÃ
AINDA BEM - MARISA MONTE 🎵.
[Fade-in. Embalada na trilha, a câmera mostra takes da empresa da família Fontana. A cena corta para o lado interno e a música cessa aos poucos. Em seguida, foco em Alice e Daniel, que estão na sala dele, às risadas.]
Daniel: |Chorando de rir.| Ai, Alice! É cada história engraçada que você me conta.
Alice: |Descontraída.| Que nada, seu bobo. São só coisas normais de nosso cotidiano.
[Pausa. Troca de olhares.]
Daniel: |Sorri de forma apaixonada.| Você desperta o melhor de mim, sabia?
Alice: |Encantada.| Sério...?
Daniel: |Aproxima o rosto.| Aham...
[SFX: romance. Alice e Daniel vão se aproximando pouco a pouco. Entretanto, a moça corta o clima e se afasta dele.]
Alice: |Sem graça e séria.| É... eu... Eu tenho que ir! Licença, até mais ver!
[Um pouco envergonhada, Alice se retira, correndo. Daniel observa, cabisbaixo. A câmera se afasta dele, enquanto a trilha romântica chega em seu pico.]
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CENA 08 | ESTACIONAMENTO - EXT./TARDE
[SFX: suspense. Patrícia vai ao encontro de Décio. Ela chega até ele num ponto específico. Os dois iniciam um diálogo.]
Patrícia: |Suspira, de péssimo humor.| Fala. O que você quer dessa vez?
Décio: |Debochado.| Calma, doçura... Não vai ser nada que vá te fazer tanta falta!
Patrícia: Seja direto, por favor.
Décio: Eu quero um carro.
Patrícia: |Franze a testa.| Quê!?
Décio: Exatamente, um carro. O seu carro. Prometo que se você me der ele, eu te entrego o que você tanto quer.
Patrícia: |Descrente.| Tá brincando, né? Aquele carro tem valor especial pra mim!
Décio: |Cínico.| Justamente por isso eu quero. Fora o fato dele ser perfeito. É um bom negócio. Aceite. Não vai se arrepender. Já vai ter a prova do que te arruína em mãos e você nunca mais verá minha fuça.
[Patrícia respira fundo.]
Patrícia: |Seca.| Me passe o endereço do próximo encontro para eu te entregar essa MERDA! |Encara ele nos olhos.| Agora, quem garante que você não tenha uma cópia do que vai me entregar?
Décio: |Radiante.| Hahaha. Relaxa. O tempo dirá. Bom, o endereço é...
[Enquanto Décio começa a falar o local, o som da trilha de suspense aumenta, e o volume de sua voz vai abaixando aos poucos. A câmera se afasta deles lentamente.]
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CENA 09 | APARTAMENTO DE DANIEL - INT./NOITE
[SFX: sinistro. Daniel está em seu escritório no apartamento em que mora. Diante da mesinha, ele observa o livro da morte, aberto, na exata página onde existe uma lacuna vazia, pronta para ser preenchida e representar o fim de mais uma vida.]
Daniel: |Pensando.| Ai, meu Deus... Eu tenho que tirar a Alice da cabeça. Preciso fazer alguma coisa. Preciso focar na Patrícia. Preciso fazer alguma coisa que me motive a continuar com ela, além da sua fortuna, é claro.
[A intensidade da trilha sinistra aumenta. Daniel segura a caneta. Ele começa a escrever o nome de Romualdo. Daniel treme.]
Daniel: |Nervoso e suando frio.| Eu preciso... Eu devo... Não posso ficar parado...
[Quando Daniel está prestes a escrever o nome completo de seu sogro, o instrumental cessa e ele larga a caneta automaticamente.]
Daniel: |Arrependido.| Eu não posso, eu não posso! Não agora... Tá muito cedo.
[Daniel se levanta. SFX: frieza. Ele fecha o livro e se retira. A câmera focaliza no objeto — efeito sonoro: impacto; a imagem escurece abruptamente.]
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CENA 10 | MANSÃO FONTANA - INT./MANHÃ
Julho de 2025... ⌛
[Fade-in. Carina está no quarto dos patrões, dando uma organizada nas cômodas, aparentemente sem pretensões. A porta está entreaberta. SFX: suspense. Alguém parece observar. Carina ouve a porta abrindo aos poucos.]
Carina: |Aflita.| Quem tá aí?
[À medida que o suspense cresce, a câmera se aproxima de Carina, que está de costas para ela. Quando a mulher se vira, toma um susto. O instrumental cessa rapidamente.]
Carina: |Assustada.| AI! |Respira aliviada.| Que susto, senhor Romualdo. Meu Deus, quer me matar do coração?
Romualdo: |Expressão animada.| Desculpe, senhorita Carina. É que eu vi você organizando as coisas, assim, e com essa saia apertada destacando sua bunda então... eu não resisti. |Começa a se aproximar dela.|
[Trilha instrumental: sensualidade.]
Carina: |Se afastando.| Meu Deus, senhor Romualdo, isso é coisa que se diga!?
Romualdo: |Chega mais perto.| Não se faça de inocente. Eu já percebi esse seu joguinho. E eu tenho que te dizer que... |Sorrindo.| Eu caí nele!
Carina: |Contra a parede, nervosa.| Eu... eu, eu... Eu...
[Romualdo e Carina permanecem se encarando enquanto a câmera focaliza neles, em meio ao soundtrack sensual.]
•A IMAGEM CONGELA EM CARINA E ROMUALDO ONDE A TELA FICA COMPLETAMENTE VERMELHA•