Sombras do Passado - Capítulo 10 | Edição Especial
[A câmera foca na frontaria da casa de Madeleine. Tudo está silencioso. A imagem é cortada para a parte interna da moradia. De repente, a porta se abre abruptamente, revelando o homem, ainda agarrando as mãos de Coraline, que está assustada e chorando. Ele a solta e ela senta-se no chão, soluçando.]
Madeleine (furioso, lhe apontando o dedo indicador): OLHE AQUI, CORALINE, EU ESPERO QUE ESSA TENHA SIDO A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ SE COMPORTOU DESTA FORMA!
[Aterrorizada com o comportamento do pai, a moça não consegue falar, apenas chorar. Ainda com raiva, mas também decepção, Madeleine se aproxima dela, diminuindo o tom de voz.]
Madeleine (olhando nos olhos da filha): Sinto muito, Coraline, mas, a partir de hoje, você não sai do quarto.
Coraline (levantando a cabeça, incrédula): O senhor está pensando em me deixar de castigo?
Madeleine (sério): Infelizmente, não há outra solução. Terá que ser assim, até encontrarmos morada em outra cidade.
[Neste momento, fora de si, Coraline levanta-se rapidamente e olha no fundo dos olhos de Madeleine.]
Coraline (com a voz fraca): O senhor é uma pessoa horrível... |Começa a gritar.| EU TE ODEIO, MADELEINE!
[Ao ouvir isso, os olhos de Madeleine lacrimejam. Um instrumental extremamente melancólico tem início. O homem, destruído com as palavras da filha, começa a chorar. Ela, caindo na real, chora também, ainda mais.]
Coraline (desolada): Desculpa...
Madeleine (entre soluços): Eu... Eu só quero o seu bem, minha filha... Você é tudo o que eu tenho!
[Aos prantos, Coraline nada lhe responde. Ela corre para o seu quarto, deixando o pai em um triste estado. Ele senta-se em uma cadeira e se encolhe, colocando a cabeça entre as pernas. A câmera começa a se afastar, e a imagem escurece. A noite corre e logo é dia.]
*[⏳] ● CENA 02 ● RUAS DA CIDADE ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Vários takes de vistas panorâmicas de São Paulo são mostrados, em mais um amanhecer. Mário, tristonho, caminha por uma rua, de cabeça baixa, quando esbarra com uma moça. Ao olhar para o seu rosto, percebe que é Eleonor.]
Eleonor (sorrindo): Bom dia, senhor Mário!
Mário (tentando ser simpático): Olá, Eleonor...
Eleonor (forçando proximidade): Está livre? Não aceita fazer um passeio comigo?
Mário (levemente incomodado): É... Infelizmente, eu não posso, Eleonor. Fica para outra ocasião. |Começa a caminhar.| Adeus!
[Ele firma o passo e logo já está longe. Eleonor o observa, com um pequeno sorriso no rosto.]
*[⏳] ● CENA 03 ● CASA DOS TAVARES ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[No interior da casa dos Tavares, é mostrado o quarto onde dormem as filhas do casal. As jovens dormem em camas velhas, quase caindo aos pedaços. A mais nova, Adelaide, está deitada, provavelmente dormindo. De repente, a porta se abre e Carlota entra, parecendo estar com raiva.]
Carlota (com um tom de voz agressivo): Levanta, Adelaide! Você ainda não morreu!
[A mulher para ao lado da cama e percebe que a filha está imóvel.]
Carlota (sussurrando): Diabo... |Aumenta o tom.| Levanta já dessa cama, Adelaide! Você vai sair para procurar emprego, nem que seja em um cemitério. |Impaciente.| ANDA, PESTE! A SUA IRMÃ FOI HÁ HORAS. EU NÃO VOU SUSTENTAR UMA PESSOA QUE NÃO CONTRIBUI EM NADA, MESMO SABENDO QUE ELA MORRERÁ EM BREVE!
[Adelaide permanece dormindo. Furiosa, Carlota começa a puxar o cobertor que lhe livra do frio. Neste momento, ao encostar sua mão no rosto da filha, a mulher percebe que a mesma está ardendo em febre.]
Carlota (ríspida): Mas será possível? Essa infeliz de novo com febre... |Leva uma das mãos à cabeça.| Eu não mereço isso!
[Bufando, a mulher sai do quarto. Na sala, ela se depara com Valentin, de pé, tomando uma xícara de café.]
Carlota: Sua filha está queimando em febre. |Começa a resmungar.| Só serve para dar trabalho... Poderia, ao menos, morrer de uma vez.
[Valentin, indignado com as palavras da esposa, a repreende.]
Valentin: Você está louca? A minha filha NÃO VAI MORRER!
Carlota (irônica): Não vai, Valentin? Não vai? |Levanta o tom.| IMPOSSÍVEL!
Valentin (sério): Não, minha querida esposa... Eu vou cuidar da minha filha... Eu vou pagar todos os tratamentos possíveis.
Carlota (sarcástica): Não me faça rir, Valentin. Não temos dinheiro nem para comprar um pão.
Valentin (sorrindo): Ainda... Hoje mesmo colocarei o meu plano em ação. |Sussurra.| Me aguarde, Coraline!
[A câmera foca no olhar sádico de Valentin para Carlota.]
*[⏳] ● CENA 04 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[A casa de Madeleine está silenciosa. Coraline está no quarto, trancada, por causa do castigo, enquanto o homem está sentado na sala, perdido em seus pensamentos. De repente, alguém bate à porta, deixando o ex-prefeito tenso. Sorrateiramente, ele levanta-se e vai até lá. Ao abrir vagarosamente a porta e ver quem está lá, a expressão do pai de Coraline muda.]
Madeleine (surpreso, com raiva): O que você está fazendo aqui, rapaz?
[Neste momento, é revelado que se trata de Mário, que está com ansiedade estampada em seu rosto.]
Mário (direto): Eu vim falar com Coraline.
Madeleine (duro): Vá embora! Coraline está de castigo.
Mário (insistente): Eu não saio daqui até falar com ela. O senhor não tem o direito de impedir Coraline de ser livre.
Madeleine (perdendo a paciência): Eu já mandei ir embora, rapaz. Não tente me contrariar. Coraline NÃO irá falar com você!
Mário (o desafiando): O senhor não sabe o que é melhor para ela. Você priva Coraline de viver em liberdade como uma moça normal.
Madeleine (incrédulo): Que audácia é essa, garoto? Esqueceu que está em minha casa? |Tenta fechar a porta.| VÁ EMBORA!
Mário: EU NÃO VOU! JÁ DISSE QUE VOU FALAR COM CORALINE, QUER O SENHOR QUEIRA OU NÃO!
Madeleine (explosivo): CHEGA! SE VOCÊ NÃO FOR EMBORA POR BEM, IRÁ POR MAL!
[Mário fica tenso. Madeleine o encara friamente. Um instrumental tenso invade a cena.]
Mário (inconsolável): O senhor é um péssimo pai para Coraline. Ela não merece a forma como é tratada.
Madeleine: Você não sabe de nada... Apenas eu sei o que é melhor para a minha filha.
[Mário, com uma expressão dura, olha nos olhos de Madeleine.]
Mário: Eu não vou desistir.
[Madeleine nada diz. Mário o encara por uma última vez e sai. O ex-prefeito tranca a porta. Após alguns segundos, ele decide ir até o quarto de Coraline. Ao abrir a porta, se depara com a moça sentada na cama, triste.]
Madeleine (sussurrando): Filha...
[Pálida, Coraline olha em seus olhos, de maneira dura, mas também demonstra uma enorme tristeza e decepção.]
Coraline (com a voz embargada): Era ele? Era o Mário que estava aqui?
Madeleine (se aproximando): Sim, mas já o mandei embora.
Coraline (decepcionada): Ele veio falar comigo. O senhor deveria ter me chamado.
Madeleine: Filha... Entenda...
Coraline (o interrompendo): Entender o quê? Que o senhor quer evitar que eu saia desta casa, conheça o mundo lá fora e viva para sempre seguindo às suas ordens e seja obrigada a me consolar sem a verdade sobre o seu maldito passado que tanto te condena?
Madeleine (triste): Coraline... Você não entende...
Coraline: EU CANSEI DE TENTAR ENTENDER, PAI!
Madeleine (segurando em suas mãos): Eu queria que você entendesse que tudo isso é pelo seu bem.
Coraline (com os olhos marejados): Se é pelo meu bem, por que o senhor não me deixa ser feliz? Não acha que eu já sofri o suficiente na minha infância, ao lado daquela maldita família?
Madeleine: Essa felicidade está relacionada com aquele garoto, Coraline? Você está gostando dele, minha filha?
[Neste instante, Coraline levanta-se da cama. Frente a frente com Madeleine, ela olha em seus olhos, procurando coragem para lhe confessar algo.]
Coraline (sussurrando): Eu... Eu não estou gostando, pai. |Faz um pequena pausa para tomar fôlego.| Eu estou completamente apaixonada pelo Mário.
[Ao ouvir isso da filha, Madeleine congela. Uma expressão de surpresa toma conta de seu rosto.]
Madeleine (incrédulo): Você não podia, Coraline... Isto só irá te trazer sofrimento.
Coraline (quase chorando): O senhor é o único que está me fazendo sofrer, pai.
[Madeleine se inquieta. Ele balança a cabeça, desacreditado.]
Madeleine (suspirando): O que importa é que isso ficará para trás... |Encara a filha.| Eu vim lhe falar que... Encontrei uma morada para vivermos em outra cidade. Partiremos em duas semanas.
[Neste momento, a câmera foca no rosto de Coraline. A garota fica abalada. Desacreditada, ela começa a chorar.]
Coraline: Não... EU NÃO VOU!
Madeleine (solene): Será o melhor para nós, filha.
[Coraline, desconsolada, começa a soluçar, aos prantos. Madeleine se aproxima dela e coloca a mão em seu rosto, desconsolado com o seu estado. Ele beija a sua cabeça.]
Madeleine (abalado): Boa noite, filha...
[Coraline nada responde. Depois que Madeleine sai, ela deita-se na cama, devastada. A imagem escurece, enquanto um instrumental melancólico domina a trilha sonora.]
*[⏳] ● CENA 05 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Mais tarde, naquela mesma noite, Madeleine está em seu quarto, dormindo. De repente, acordando abruptamente, ele escuta um barulho de algo se quebrando, vindo da sala. Rapidamente, o homem se levanta e vai até lá, sorrateiro. Um instrumental de suspense tem início.]
Madeleine (assustado): Coraline, é você?
[Madeleine vai até a porta do quarto da filha e percebe que está fechada. Ele fica tenso e preocupado. Neste momento, mais um barulho é ouvido. O instrumental se intensifica. O pai de Coraline olha para todos os lados, temeroso.]
Madeleine (ansioso): Quem está aqui?
[Com receio, ele decide ir até a cozinha. Ao dar alguns passos, percebe que alguém está atrás dele. Madeleine estremece. Temendo que algo ruim aconteça, ele começa a virar-se lentamente. O instrumental agora se transforma em um explosivo soundtrack. Ao virar o rosto completamente, o homem vê quem está ali. Uma expressão de horror fica estampada em sua cara.]
Madeleine (sussurrando, sem voz): O que... O que você quer?
[Neste instante, a câmera mostra quem está presente. É uma pessoa mascarada, com a estatura de um forte homem. Ao pé da porta, outro os observa. Madeleine, desesperado, solta um grito perturbador, ao ver que o mascarado está prestes a lhe golpear com um grande pedaço de madeira.]
Madeleine (aterrorizado): NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!
[Depois disto, ele é golpeado e a imagem escurece. De repente, a câmera foca no quarto de Coraline. Ao ouvir o grito do pai, a moça desperta, assustada.]
Coraline (sussurrando): Pai...
[Desesperada, ela levanta-se rapidamente e percebe que a porta de seu quarto está aberta. Ofegante, a filha de Fátima corre até a sala. Chegando lá, um horror indescritível lhe domina. Ela vê Madeleine, caído no chão, inconsciente e com sangue na cabeça. A cena é silenciosa. Apenas a respiração de Coraline é ouvida. Logo, o silêncio é quebrado por um grito da moça.]
Coraline (desesperada): PAAAAAAAAAAIIIIIIIIIII!
[Aos prantos, ela cai sobre o homem.]
Coraline (soluçando): PAI! ACORDA, PELO AMOR DE DEUS! LEVANTA, PAI!
[Madeleine continua inconsciente. O choro de Coraline se intensifica. De repente, as luzes da casa se apagam. O instrumental de suspense recomeça. A jovem, assustada e desesperada, não consegue ver nada.]
Coraline (perdendo a voz): Pai...
[Neste mesmo instante, as luzes voltam abruptamente. Um vulto é visto atrás de Coraline. A moça sente a presença de alguém ali e esbugalha os olhos. Ela procura coragem para olhar para trás. O medo está estampado em seu rosto.]
Voz perturbadora: Assustada, Coraline?
[Neste segundo, em um impulso de coragem, ela se vira. O instrumental chega ao seu ápice. Ao ver o homem mascarado, ela solta um berro ensurdecedor e tenta recuar. Ela se vira, mas, quando está prestes a correr, se depara com o segundo homem, que usa uma máscara macabra. Antes de qualquer ação da filha de Fátima, um saco preto é colocado sobre a sua cabeça. Um grito sufocado é ouvido, e, logo em seguida, a imagem escurece.]
*[⏳] ● CENA 06 ● CASA DE MADELEINE ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Na parte externa da casa, um carro vazio está parado. A atmosfera é tensa. Aos redores, tudo está silencioso. Há poucos metros, é mostrado Mário, sentado ao pé de um poste. Ao seu lado, Galileu está de pé, insistente.]
Galileu (inquieto): Mário... Por favor, vamos embora... Está tarde! Você não irá mais ver a Coraline hoje.
Mário (decidido): Eu não vou sair daqui, Galileu! Pode ir para casa.
[Neste momento, é cortado para a frente da casa novamente. De repente, a porta se abre abruptamente e os dois homens saem, carregando Coraline, com o saco na cabeça, que se debate. Eles vão até o carro. Um deles, agarrado à moça, senta no banco de trás, enquanto o outro prepara-se para dirigir. É aí que Mário e Galileu os avistam.]
Mário (desesperado): Meu Deus! Estão levando a Coraline!
[Antes que ele se levante, o mascarado que ainda não entrou no carro tira a máscara. É Valentin. Galileu, ao reconhecer o pai, se empalidece. Mário, desnorteado, começa a correr na direção do automóvel.]
Mário (correndo): SOLTEM ELA! CORALINE! CORAAAAALIIIINEEEEEE!
[Ao perceber que fora avistado, o homem entra rapidamente no carro, que logo sai, em alta velocidade. Mário ainda tenta alcançá-los, mas em vão.]
[Galileu se aproxima do amigo, atônito e pálido.]
Galileu (sussurrando): Era ele, Mário... Era o meu pai!
[A câmera foca no olhar desesperado e surpreso de Mário para Galileu. A câmera corta para o interior da casa de Madeleine. O homem ainda está desacordado. É neste momento que a porta é aberta violentamente e os amigos que a tudo presenciaram entram.]
Mário (vendo o estado de Madeleine): MADELEINE!
[Ele e Galileu correm até lá. Depois de muito esforço, o homem começa a despertar, com muita dor de cabeça.]
Madeleine (vendo os dois rapazes, falando com dificuldade): O que vocês estão fazendo aqui? CADÊ A MINHA FILHA?
Mário (chorando): Eles... Eles levaram ela, senhor...
[Madeleine, confuso, coloca a mão na testa e percebe que está cheio de sangue. É neste momento que ele se lembra de tudo o que aconteceu.]
Madeleine (sussurrando): Não... Não... CADÊ A MINHA FILHA?
[Mário desaba em lágrimas. Galileu, compadecido, mas também envergonhado, decide contar a verdade.]
Galileu: Meu pai... Valentin Tavares... Ele... Ele sequestrou Coraline!
[Ao ouvir o nome de Valentin, Madeleine empalidece. Desesperado, ele levanta-se e vê que um bilhete fora deixado ao seu lado. Ele o pega, ofegante, e começa a ler.]
Madeleine (lendo, desolado): "Se ainda quiser ver Coraline, venha sozinho até o seguinte endereço, e traga este valor"... |Começa a tremer.| "Se envolver a polícia ou vier com alguém, a negrinha morre"... |Deixa o papel cair no chão.| Meu Deus...
[A câmera foca no rosto de Madeleine, que está completamente perturbado.]
*[⏳] ● CENA 07 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Minutos mais tarde, é mostrado Madeleine caminhando apressadamente, com um saco de dinheiro em suas mãos. Mário insiste em acompanhá-lo.]
Mário (ofegante): POR FAVOR, SENHOR MADELEINE, DEIXE QUE EU O ACOMPANHE! EU IMPLORO!
Madeleine (impaciente): VOCÊ ESQUECEU O QUE TINHA NAQUELE MALDITO BILHETE? SE EU FOR COM ALGUÉM, ELES MATAM A MINHA FILHA!
Mário (chorando): Pelo amor de Deus... Pelo menos chame a polícia...
Madeleine: Não... Polícia não... POLÍCIA NÃO! EU IREI RESOLVER ISTO SOZINHO, COMO AQUELE DESGRAÇADO PEDIU!
[Ao dizer isso, Madeleine volta a caminhar. Mário, desnorteado, cai no chão, aos prantos. Já longe, o pai de Coraline anda sem olhar para trás, tenso e apressado. Ao passar por uma rua pouco movimentada, é mostrado um carro de polícia que faz rondas por ali. Dentro dele, estão dois policiais e o delegado. É Xavier. Ao avistar o homem que mais odeia, ele fica fora de si.]
Xavier (perturbado): Espere... |Observa Madeleine, ao longe.| É ele... É ELE!
[Os dois policiais ficam confusos. A euforia do delegado aumenta.]
Xavier: PARE! PARE ESTA VIATURA!
[O policial que dirige segue a sua ordem e para. Desorientado, Xavier arranca um revólver de um deles e sai, correndo no rumo de Madeleine. Um instrumental de grande tensão tem início.]
*[⏳] ● CENA 08 ● RESIDÊNCIA ABANDONADA ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[A câmera foca na frontaria de uma residência abandonada. Em seu interior, não há móveis e tudo cai aos pedaços. De repente, gritos suplicantes são ouvidos. É Coraline, amarrada em uma cadeira, ainda com o saco na cabeça.]
Coraline (se debatendo, aos prantos): SOCORROOOOOOO! ALGUÉM ME TIRE DAQUI!
[Neste momento, passos pesados são ouvidos. Quando Coraline menos espera, o saco é violentamente arrancado de sua cabeça. Ao ver quem está lá, ela empalidece e seus olhos se enchem de horror. À sua frente, Valentin a observa sádicamente, com um sorriso maligno estampado em seu rosto. Ele carrega uma machadinha em suas mãos.]
Valentin (sussurrando): Quanto tempo... |Aproxima-se.| Coraline!?
*[A câmera foca no rosto horrorizado de Coraline.]*