Sombras do Passado - Capítulo 09 | Edição Especial

 


*[⏳] ● CENA 01 ● CASA DE RAFAEL ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*

[Galileu está na sala, lendo um livro. Rafael e Mário não estão presentes. De repente, alguém bate na porta, várias vezes. O filho renegado dos Tavares se levanta e vai até lá.]

Galileu (abrindo a porta, surpreso): Eleonor?

Eleonor (sorrindo): Galileu, meu irmão... Não vai me abraçar?

[Galileu sorri, e os dois se abraçam calorosamente.]

Galileu: Entre, minha irmã. Sinta-se em casa.

[Eleonor observa toda a casa, discretamente.]

Galileu: Não repare a bagunça. Aqui vivem só eu e meu amigos.

Eleonor (aparentemente triste): É... Bem mais confortável que a casa dos nossos pais.

Galileu: Oh, minha irmã... Como estão as coisas?

Eleonor: Péssimas. Papai não para de beber... Agora, com a doença de Adelaide, tudo piorou...

Galileu: O que, especificamente, ela tem?

Eleonor: Bom... Os médicos disseram apenas que é uma doença rara e muito grave. Ao que parece, o caso dela não tem cura... Apenas tratamento para prolongar a vida, mas... Nossos pais não têm como pagar.

[Uma lágrima desce pelo rosto de Galileu. Ele abraça a irmã, que está visivelmente abalada. De repente, Mário surge na sala, sem camisa, se assustando ao ver Eleonor.]

Mário (envergonhado): Oh... Quem é a moça?

Galileu: Eleonor, Mário. Minha irmã!

Mário: Ah, sim. |Estende a mão.| Prazer, Eleonor!

[Eleonor congela. Ela olha para o rapaz, sem falar nada. Seus olhos brilham. Mário continua com a mão estendida.]

Galileu (sussurrando): Eleonor... Responda ao Mário. 

Eleonor (quase desorientada): Oh, claro! |Sorri, radiante.| Muito prazer, Mário!

[Mário a cumprimenta e se afasta novamente. Galileu percebe o comportamento estranho de Eleonor.]

Eleonor (interessada): Ele mora aqui?

Galileu: Temporariamente, sim.

Eleonor: Interessante...

[A câmera foca no rosto feliz de Eleonor, que se atraiu por Mário à primeira vista.]

*[⏳] ● CENA 02 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*

[Vários takes de São Paulo são mostrados. Na rua de Madeleine e Coraline, que, para a surpresa de todos, é vizinha da rua em que se situa a casa dos amigos de Mário, o estudante de Direito caminha, disperso em seus pensamentos, lembrando da revelação sobre seu pai e da briga que tivera com o avô.]

Mário (suspirando): Ah, pai... Tudo seria tão diferente se não tivessem tirado e nosso direito de nos conhecermos...

[Neste momento, algo ao longe chama a sua atenção. É Madeleine, na porta de sua casa, entrando com um jornal. Mário, surpreso, observa.]

Mário (sorrindo): Não acredito... É ele... O pai da moça da correntinha... |Falando para si mesmo.| Ela estava mais perto do que eu poderia imaginar. Eu... Eu preciso buscar a jóia e voltar aqui para entregá-la.

[Feliz e ansioso, Mário corre de volta para a casa de Rafael, no intuito de buscar a corrente de Coraline para, assim, ter um pretexto para revê-la.]

*[⏳] ● CENA 03 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*

[Minutos mais tarde, Madeleine está na sala, sentado em uma cadeira, lendo o jornal. Coraline está ao seu lado, pensativa. O clima é de tensão. De repente, alguém bate à porta. O ex-prefeito interrompe a sua leitura.]

Madeleine (tenso): Ué, quem pode ser? Ninguém dessa cidade nos conhece... 

Coraline: Vou lá ver quem é!

[A moça levanta-se e vai. Ao chegar lá e abrir a porta, sua expressão congela e seus olhos brilham. É Mário, que sorri para ela. Surpresa, mas feliz, Coraline retribui o sorriso.]

Coraline (encantada): Mário...

Mário (sorrindo): Coraline...

Madeleine (de longe, se aproximando): Quem é, Coraline?

[Com receio, a filha de Fátima não lhe responde. Madeleine chega até lá e se surpreende ao ver Mário, o mesmo rapaz que flagrou com a filha no dia anterior.]

Mário (envergonhado): Bom dia, senhor!

Madeleine (ríspido, olhando para a filha): O que este rapaz está fazendo aqui?

Mário (interrompendo): Eu... Vim devolver isto. |Tira a corrente de Coraline do bolso da camisa.| Você deixou cair ontem, durante o tombo. 

Coraline (sorrindo novamente): Oh, minha correntinha... |Pega a jóia.| Nossa, nem tinha reparado. |Olha para Mário, radiante.| Obrigada, Mário. 

Mário (gentil): De nada...

[Madeleine se incomoda com a proximidade da filha com o rapaz.]

Madeleine: Como você descobriu onde moramos?

Mário: Bom, eu passava por aqui e vi o senhor na porta, pegando um jornal. Resolvi arriscar. Imaginei que a corrente tivesse algum valor sentimental para a moça.

Coraline (grata): Muito gentil de sua parte.

[Mário sorri, envergonhado. Madeleine o encara friamente.]

Madeleine (duro): Agora que entregou a corrente, o moço já pode ir embora. |Aponta para a rua.| Tenha um bom dia.

Mário (querendo mais tempo com Coraline): Mas...

Madeleine (aumentando o tom): Tenha um bom dia, rapaz!

[Mário decide não insistir. Ela olha para Coraline e sorri discretamente, sendo retribuído.]

Mário (acenando para Coraline): Até mais, Coraline.

Coraline (acenando de volta): Até...

[O jovem finalmente se retira. Madeleine bate a porta, incomodado.]

Madeleine (para Coraline): Espero que esse rapaz inconveniente não volte mais aqui.

*[⏳] ● CENA 04 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[Anoitece. Coraline está na sala, lendo uma revista velha. De repente, Madeleine surge, vestindo um largo casaco de couro e com um chapéu de longas abas, escondendo o seu rosto, quase totalmente. A moça estranha.]

Madeleine: Vou até a venda da esquina, Coraline. Preciso comprar alguns alimentos para repor a dispensa. 

Coraline: Ué... A essa hora? E com estas roupas?

Madeleine (breve): Sim, Coraline. Volto o mais breve possível. 

[Ele sai. Coraline fica pensativa.]

*[⏳] ● CENA 05 ● VENDA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[Pouco tempo mais tarde, Madeleine já está voltando para casa, carregando alguns sacos de compras. Ele caminha rapidamente, temendo ser reconhecido por alguém. Ao entrar em uma rua movimentada, o ex-prefeito fica apreensivo e aumenta o passo. Sua pressa é tanta que não vê que um homem se aproxima, pela sua frente, empeitando nele. Os dois se assustam. Neste momento, acompanhado por um abrupto instrumental de tensão, os dois se olham, ficando cara a cara. Para a surpresa de Madeleine e do público, o homem é Xavier. O foragido cai para trás, e o delegado esbugalha os olhos.]

Xavier (quase sem voz): Não... Não é possível!

[A câmera foca em seu rosto, que está com uma expressão de horror, e, em seguida, no olhar pálido de Madeleine.]

Xavier (sussurrando): É você... |O sussurro se transforma em um berro.| É VOCÊ! VOCÊ SOBREVIVEU, SEU MALDITO!

Madeleine (quase sem voz): Eu não sei do que o senhor está falando... Me dê licença!

Xavier (desorientado): É VOCÊ, SERAFÍN MACHADO! É VOCÊ, DESGRAÇADO! VOCÊ ESTÁ VIVO!

[A tensão se intensifica. Fraco, Madeleine deixa os sacos com as compras caírem no chão. O delegado, agora surtando, se aproxima dele, que recua.]

Madeleine (se debatendo): Se afaste de mim... Eu não sei quem o senhor é...

Xavier (fora de si, se aproximando mais): INFELIZ! DISSIMULADO! VOCÊ FORJOU A SUA MORTE! MAIS UM CRIME PARA A CONTA, SERAFÍN MACHADO!

Madeleine (gritando): SE AFASTE DE MIM!

[Neste momento, Madeleine empurra fortemente o delegado, que cai. O soundtrack se intensifica, enquanto o foragido começa a correr desesperadamente, sem olhar para trás, entrando na frente de carros e esbarrando em pessoas. Xavier, que se levanta rapidamente, também começa a correr com todas as suas forças, na tentativa de alcançar o ex-presidiário.]

Xavier (perturbado): VOLTE, SEU MALDITO! MALDITO! EU IREI TE PEGAR! EU IREI ACABAR COM A SUA VIDA!

[Madeleine continua a correr. Ele entra no meio de uma pequena multidão de mulheres que voltam da missa. Xavier segue atrás, incansável. Aproveitando que seu carrasco está um pouco longe, o pai de Coraline entra em um beco escuro e escala rapidamente e habilmente um muro, pulando para dentro da prioridade privada. Poucos segundos depois, o delegado chega, dando de cara com o fim do beco.]

Xavier (sem ar): Não... Eu não posso tê-lo perdido... NÃO POSSO!

[Desconsolado, ele olha para todos os lados, mas não vê vestígios de sua presa. Em um colapso, ele agarra os seus cabelos e cai no chão, de joelhos, chorando desesperadamente. Seus soluços ecoam de maneira perturbadora pelo beco escuro.]

Xavier (soluçando): INFEEEEERNOOOOOO! ESTE MALDITO PESADELO NÃO PODE TER RECOMEÇADO! EU TE ODEIO, SERAFÍN! EU TE ODEIO... E, SE PRECISO, IREI ATÉ O FIM DO MUNDO PARA TE ENCONTRAR!

*[⏳] ● CENA 06 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[A câmera foca na parte frontal da casa de Madeleine. Já na região interna, Coraline está quase cochilando, com a revista em mãos, sentada na cadeira. De repente, a porta se abre violentamente e Madeleine entra, desesperado e ofegante. Em um piscar de olhos, o mesmo tranca a porta e cai ao chão, sem ar. Com todo o barulho, a filha de Fátima acorda, e se assusta ao ver o estado do pai.]

Coraline (nervosa): PAI!? O que aconteceu? |Se aproxima, rapidamente.| Pelo amor de Deus, pai... O que está acontecendo?

Madeleine (recuperando o fôlego): Nada... Nada, Coraline!

Coraline (aumentando o tom): COMO "NADA", PAI? OLHA O SEU ESTADO! O SENHOR SAIU PARA IR ATÉ A VENDA E VOLTA DESSE JEITO! PELO AMOR DE DEUS, ME CONTE A VERDADE!

Madeleine (com dificuldade para falar): Nós temos que ir embora desta cidade, Coraline. Não podemos mais ficar aqui de jeito nenhum. 

[Coraline, agora chorando, se vê sem saber o que fazer.]

Coraline: MEU DEUS DO CÉU! SERÁ QUE O SENHOR NUNCA ME FALARÁ A VERDADE? SERÁ QUE EU SEMPRE VIVEREI NESSA MALDITA ANGÚSTIA, PAI? |Se aproxima dele, com o choro intensificado.| Eu só queria saber o que é que tanto te persegue... SÓ ISSO!

[Madeleine, agora mais calmo, se levanta, vagarosamente. Ele se aproxima da filha, que está soluçando.]

Madeleine (tentando tranquilizar Coraline): Fique calma, meu amor. Tudo ficará bem... Mas nós precisamos ir embora desta cidade.

Coraline: EU NÃO QUERO FICAR CALMA! E NADA FICARÁ BEM, PAI! NÃO ENQUANTO O SENHOR NÃO SE ABRIR COMIGO!

[Aos prantos, a moça corre para o seu quarto. Ao se ver sozinho, Madeleine começa a chorar muito. Sem forças, ele se joga no chão, soluçando. Seu rosto se banha em lágrimas.]

Madeleine (entre soluços): Isso só pode ser um pesadelo, meu Deus... Eu não mereço isso... EU NÃO MEREÇO ISSO!

[A câmera se afasta lentamente, enquanto o homem continua a chorar. A imagem fica completamente silenciosa.]



[No quarto, deitada em sua cama, Coraline chora muito, desesperada com a falta de confiança do pai. Após algum tempo, ela seca as suas lágrimas.]

Coraline (com a voz embargada, decidida): Chega! Eu cansei... Eu cansei! 

[Neste momento, ela levanta-se rapidamente e, aproveitando a distração do pai, corre para o jardim, nos fundos da casa.]

Coraline: Estou farta, pai!

[Determinada, ela sobe no banco, escala o muro e pula para o outro lado.] 

*[⏳] ● CENA 07 ● PRAÇA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*

_🎶 • Ontem Ao Luar • Rubel_

[Desolada, Coraline caminha pela praça, situada perto de sua casa. Ela observa a movimentação e o céu, com lágrimas nos olhos. Suspirando, a jovem se dirige até um banco e senta-se nele, ao lado de um rapaz, que também está a observar o céu. Coraline estende uma de suas mãos sobre o banco. De repente, o moço que está ao seu lado coloca sua mão sobre a da moça, que vira a cabeça rapidamente, assustada. Neste momento, ela vê que é Mário. A música tema dos dois se intensifica.]

Coraline (sussurrando): Mário...

[O neto de Moisés abre um sorriso e aperta a sua mão.]

Mário: Coraline... Que surpresa boa!

[Os dois se encaram, apaixonados. O silêncio entre eles prevalece. Coraline também sorri, encantada.]

*[⏳] ● CENA 08 ● CASA DE RAFAEL ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[Na casa do amigo de Mário, Galileu está sentado, refletindo, quando, de repente, Rafael se aproxima.]

Rafael: Mário saiu?

Galileu: Sim... Disse que ia espairecer. 

[Rafael pega uma cadeira e senta-se ao seu lado, tomando uma xícara de café. A câmera foca no rosto de Galileu, que parece tenso. O rapaz sua frio.]

Rafael (percebendo o estado do amigo): Gali, está tudo bem?

Galileu (com receio, encarando Rafael): Rafael... Há algo que eu preciso confessar... Algo que carrego comigo, temendo o que isso possa causar.

Rafael (sério): O que é, Galileu? Você parece preocupado...

[Galileu respira fundo, buscando coragem.]

Galileu (olhando nos olhos de Rafael): Eu... |Neste momento, uma lágrima desce pelo seu rosto.| Eu me apaixonei... Por você, Rafael!

[Após a fala de Galileu, a câmera foca no olhar surpreso e tenso de Rafael, que recua ligeiramente. Um silêncio constrangedor preenche o ar.]

Rafael (sério): Galileu... Você sabe que o que você está dizendo é perigoso. Você não devia...

Galileu (com tristeza): Eu sei. Mas não podia mais esconder isso. Eu não queria carregar esse segredo sozinho.

[Rafael, visivelmente emocionado, firma sua postura.]

Rafael (resoluto): Galileu, nós vivemos em tempos difíceis, cheios de preconceitos. Eu não posso... Não podemos nos permitir desafiar essas convenções. 

[Galileu abaixa a cabeça, compreendendo a difícil realidade que enfrentam.]

Galileu (suspirando): Eu entendo, Rafael. Eu só queria que soubesse.

Rafael (tenso, mas mexido): Por favor, Galileu, nunca mais toque neste assunto. 

[Galileu consente com a cabeça. Rafael se retira.]

*[⏳] ● CENA 09 ● PRAÇA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[Mário e Coraline continuam de mãos dadas, se encarando. O clima é de romance.]

Mário (doce): O que você está fazendo aqui a esta hora?

Coraline (abaixando a cabeça): Meu pai... Ele... Eu e ele estamos passando por momentos de divergências. Hoje, me sentindo exausta de tudo isso, resolvi fugir... Mais uma vez, ao menos por alguns minutos. 

Mário (olhando no fundo dos seus olhos): Eu sinto muito, Coraline. Você não merece sofrer... 

[Coraline dá um sorriso discreto. Mário, neste momento, coloca a mão em seu rosto, deixando a moça tímida.]

Mário (continuando): Você é a moça mais linda que eu já vi em toda a minha vida, Coraline. Desde a primeira vez que te vi, sinto que despertei um sentimento que nunca havia nutrido por alguém.

[Coraline, visivelmente emocionada, não consegue falar nada.]

Mário: E eu acho que... Estou completamente apaixonado, por você. 

[Após a fala do rapaz, a música (tema do casal) se intensifica. Coraline, envergonhada, não diz nada. Mário se inclina em sua direção. Seu rosto fica quase colado ao da moça, que está tensa. No ápice do clima romântico, ele coloca as mãos sobre os ombros da amada e a surpreende com um beijo apaixonado. De início, Coraline não reage, mas, após alguns segundos, completamente apaixonada, se deixa entregar à paixão. O beijo se intensifica, enquanto a câmera se afasta lentamente dali e o som da música se dissipa.]

*[⏳] ● CENA 10 ● CASA DE XAVIER ● INTERNO ● ● NOITE [⏳]*

[Após o perturbador encontro com Madeleine, Xavier chega em casa. Ele parece fraco e desorientado. Ao sentar-se em uma poltrona, uma lágrima de ódio desce pelo seu rosto.]

Xavier (sussurrando): Eu não vou desistir... Você tirou tudo de mim...

[Neste momento, Xavier começa a alucinar. Na sua cabeça, passos correndo pela casa são ouvidos. De repente, uma voz ecoa por todo o ambiente.]

Voz perturbadora: A CULPA É SUA!

[Xavier, agarrando a cabeça, cai de joelhos. A tensão cresce, e o ambiente parece se contrair.]

Xavier (alucinando): Não... A culpa não é minha... É DELE!

[Mais vozes são ouvidas por ele. Xavier, perdendo o controle, começa a surtar. Sua respiração torna-se pesada, e ele se vê cercado por sombras.]

Xavier (gritando): CALEM-SE! VÃO EMBORA!

[As vozes se intensificam. O desespero consome o delegado, e ele começa a quebrar objetos na sala. Cadeiras são viradas e vasos de vidros estilhaçam. O caos toma conta do ambiente.

Vozes: A culpa é sua... Assassino... 

[Xavier, em um surto de fúria, derruba um quadro da parede.]

Xavier (soluçando): PAREM! ME DEIXEM EM PAZ!

[Ele cai, neste momento, em meio aos cacos dos objetos que quebrara. Um silêncio ensurdecedor toma conta do local, sendo quebrado apenas por seus soluços perturbadores.]

*[⏳] ● CENA 11 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[A câmera foca na fachada da casa de Madeleine. Em seu interior, o homem, desesperado e furioso, procura por Coraline.]

Madeleine (ofegante): Não... Meu Deus... NÃO É POSSÍVEL QUE ESSA MENINA TENHA FUGIDO NOVAMENTE!

[Neste instante, compulsivo e irado, mas também receoso, Madeleine pega seu casaco de couro e seu chapéu. Ele se dirige rapidamente até a porta e sai.] 

*[⏳] ● CENA 12 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[Após alguns takes aleatórios da cidade serem mostrados, é visto Madeleine caminhando rapidamente por uma rua, sem olhar para trás. Ele está à procura de Coraline. Ao passar na frente de um pequeno bar, cheio de bêbados, a imagem do ex-presidiário caminhando passa a ser vista pelos olhos de alguém.]

Voz (sussurrando): É ele... Meu Deus, é ele!

[Neste momento, o portador da voz é revelado. Se trata de Valentin, com uma garrafa de pinga na mão.]

Valentin (alterado): Desgraçado... É ele mesmo!

[Neste mesmo instante, ele coloca a garrafa sobre uma mesa e caminha rapidamente em direção à Madeleine, que já está longe.]

*[⏳] ● CENA 13 ● PRAÇA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[Coraline e Mário continuam se beijando, completamente entregues à paixão. De repente, nervosa, a moça se afasta.]

Coraline (ofegante): Não... Isto não deveria ter acontecido...

Mário (gentil): Mas... Você não gostou?

Coraline (confusa): Eu... Eu não sei, Mário. 

Mário (doce): Ei... Calma! Está tudo bem. Você tem o direito de se sentir confusa. 

[Mário acaricia o seu rosto. Coraline levanta-se.]

Coraline: Eu... Eu preciso ir!

[Neste momento, antes que os dois possam fazer algo, um grito furioso é ouvido. É Madeleine, que se aproxima rapidamente.]

Madeleine: CORALINE!

[Coraline fica tensa, temendo ser castigada. Mário também se levanta.]

Coraline (com medo): Pai, eu posso explicar. 

Madeleine: VOCÊ NÃO PRECISA EXPLICAR NADA, CORALINE! ESTÁ MAIS DO QUE CLARO QUE VOCÊ FUGIU PARA ENCONTRAR-SE COM ESTE RAPAZ!

Coraline (rebatendo): NÃO! O MEU ENCONTRO COM MÁRIO FOI COINCIDÊNCIA! EU FUGI PORQUE NÃO AGUENTO MAIS OS SEUS SEGREDOS!

Madeleine: CHEGA, CORALINE! NÃO ADIANTA TENTAR SE EXPLICAR!

Mário (tentando ajudar): Senhor, por favor... Tenha calma!

[Antes que o rapaz possa continuar, Madeleine o surpreende com um forte soco, fazendo-o cair. Coraline se desespera.]

Coraline: PAI, NÃO FAZ ISSO! ELE NÃO FEZ NADA!

Madeleine (ignorando a filha e apontando para Mário): E QUE ESSA SEJA A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ SE APROXIMA DE MINHA FILHA!

[Mário levanta, com dificuldade. Madeleine segura fortemente nos braços de Coraline e a arrasta para casa. Ela olha para Mário, pela última vez, com lágrimas nos olhos. Os dois se afastam. Pouco longe dali, Valentin, boquiaberto observa toda a cena.]

Valentin (incrédulo): Coraline... 

[A câmera foca no rosto atônito de Valentin.]

*[⏳] ● CENA 14 ● CASA DOS TAVARES ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[A câmera foca na região frontal da miserável casa dos Tavares. Em seu interior, o silêncio predomina. Eleonor e Adelaide dormem. Apenas Valentin e Carlota estão acordados, na sala, conversando. O clima é tenso.]

Carlota (incrédula): O quê? As minhas filhas quase nuas... A gente vivendo uma vida extremamente miserável, enquanto aquela MISERÁVEL NEGRINHA SE TORNOU UMA DAMA BEM VESTIDA? |Suspira.| Só pode ser brincadeira!

Valentin (sádico): É a mais pura verdade, Carlota. Eu segui o homem e vi a menina. Depois disso, voltei a acompanhá-los e descobri onde moram. 

Carlota (atônita): Não... NÃO! 

Valentin: Calma, Carlota... Eu já tenho um plano bolado... Além de nos tirar da miséria e tratar a doença de Adelaide, eu finalmente me vingarei daquele maldito vigarista e da ratinha insolente. 

*[Um instrumental tenso permeia a cena. A câmera foca no olhar sádico de Valentin, que esboça um sorriso malicioso.]*