Sombras do Passado - Capítulo 08 | Edição Especial
[A câmera foca na fachada da nova morada de Madeleine e Coraline, agora em São Paulo, ao som de um coral de pássaros que gorjeiam. Ao se adentrar, é mostrado que os dois terminam sua valsa. Coraline se afasta, e Madeleine sorri para ela.]
Madeleine (radiante): Como você está linda, minha filha...
Coraline (sorrindo): Obrigada, pai! Hoje acordei radiante...
[Ela aperta as mãos do ex-prefeito.]
Coraline (mudando de expressão): E... Esta noite eu sonhei com eles...
Madeleine (compreensivo): Oh, meu amor... Eles nunca mais tocarão em você. Eu prometo!
[Os dois se abraçam fortemente. De repente, Coraline olha nos olhos de Madeleine.]
Coraline: Pai... Eu acabei de completar dezoito anos... O senhor não acha que é a hora certa de me contar a verdade sobre o seu passado? Eu não sei nada de sua vida antes de me resgatar.
[Neste momento, Madeleine fica tenso. Ele se afasta de Coraline.]
Madeleine (ríspido): Eu já falei para você que este assunto está PROIBIDO, CORALINE!
Coraline (insistindo): Mas... Isto é injusto, pai! Eu tenho o direito de saber a verdade. Por que o senhor não fala de uma vez o porquê de não me deixar sair de casa e parecer vivendo às escondidas?
Madeleine: CHEGA, CORALINE! CHEGA! NÃO VOLTE A ME PERTURBAR EM RELAÇÃO À ESTE ASSUNTO, OU EU LHE PONHO DE CASTIGO!
Coraline (com voz embargada): Castigo maior que viver trancada nesta casa, sem o direito de pôr os pés para fora?
[Madeleine se cala. Ela olha em seus olhos, decepcionada, e sai, em seguida.]
[Minutos mais tarde, Madeleine está na sala, sentado em uma velha poltrona, enquanto escuta ao rádio. Madeleine, absorto em seus pensamentos, começa a ter flashs de momentos de seu passado que não foram mostrados na história. No primeiro, ele lembra do momento do acidente com os presos. Após o trem ficar inteiramente submerso e não haverem esperanças, o condenado emerge abruptamente. Ele nada até a margem e corre para longe. No segundo, é mostrado o ex-prefeito chegando em sua antiga moradia, sorrateiramente, e desenterrado um saco de dinheiro, no chão da cozinha. Por fim, suas lembranças chegam ao momento do encontro com Coraline. Voltando à realidade, o homem suspira, calado, enquanto a tela escurece.]
*[⏳] ● CENA 02 ● CASA DE MADELEINE ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[No jardim, localizado nos fundos da pequena casa, Coraline caminha, desolada, com o pensamento longe. Ela sobe em um pequeno banco e olha para a rua, por cima do muro. Tristeza toma conta de seu rosto, conforme observa a movimentação. Crianças brincam, jovens conversam, idosos passeiam e casais namoram.]
Coraline (suspirando): Eu só queria ter uma vida normal...
[Ao lembrar da discussão que tivera com Madeleine, toma uma decisão.]
Coraline (decidida): Chega! Eu me sentirei livre, ao menos uma vez na vida.
[Em um ato de impulso, ela escala o muro e pula para o lado externo.]
*[⏳] ● CENA 03 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
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[A câmera foca em uma praça agitada, com jovens entusiasmados, segurando cartazes em suas mãos, clamando por direitos estudantis. Entre eles estão Mário Durand, 19 anos, estudante de Direito; Galileu, o filho dos Tavares, agora com 17 anos; e Rafael, rapaz negro de 19 anos. Os três lideram o grupo.]
Mário (erguendo um cartaz): QUEREMOS EDUCAÇÃO PARA TODOS! NÃO ACEITAREMOS MAIS O DESCASO!
Galileu (vibrante): ESTUDANTES UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS!
[A multidão cresce. De repente, surge o delegado com alguns policiais. Para a surpresa do público, é Xavier, que fora promovido, após os acontecimentos da primeira fase.]
Xavier (furioso): ISTO É UMA AFRONTA À ORDEM PÚBLICA! DISSIPEM-SE IMEDIATAMENTE!
[Os jovens resistem, e a tensão aumenta.]
Rafael (enfrentando): NÃO VAMOS RECUAR! NOSSOS DIREITOS NÃO SERÃO IGNORADOS!
Xavier (sádico): Pois bem... PRENDAM ESTES VAGABUNDOS!
[Em um momento de adrenalina, os policiais partem para cima da multidão, lhes desferindo golpes de cassetetes. Temendo serem presos, Mário, Galileu e Rafael fogem.]
*[⏳] ● CENA 04 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Depois da confusão, Galileu caminha pelas ruas, agora sozinho. Ele cantarola, parecendo despreocupado. Ao entrar em uma rua, sua surpresa é enorme ao esbarrar com duas moças mal vestidas. Uma mais velha e outra um pouco mais nova. São Eleonor e Adelaide, respectivamente. Acompanhado de um instrumental melancólico, Galileu fica visivelmente emocionado.]
Galileu (com a voz embargada): Eleonor... Adelaide... Minhas irmãs!
Eleonor e Adelaide (juntas): GALILEU!
[No pico do instrumental, os três se abraçam, aos prantos.]
Eleonor (chorando): Oh, meu irmão... Por que você sumiu?
Adelaide: Onde você esteve durante todos esses anos?
Galileu: Eu não aguentei mais os nossos pais e fugi. Estava quase morrendo de fome, quando encontrei um casal que cuidou de mim... Me trouxeram para São Paulo e me deram tudo que os Tavares nunca foram capazes de me dar. Mas... Infelizmente, eles morreram, e hoje eu vivo sem rumo.
Adelaide: Que saudades estávamos de você...
Galileu: Eu também, minhas irmãs. Mas... E vocês, como estão?
Eleonor (triste): Bom... Nossos pais faliram... Tiveram que vender a casa e a taberna... Atualmente, estamos vivendo aqui, em São Paulo, com condições miseráveis.
Galileu (compadecido): Eu.. Sinto muito!
Adelaide: E eu... Estou doente, meu irmão. Logo que chegamos aqui, os médicos descobriram que sou portadora de uma doença rara... Nossos pais não têm dinheiro para o tratamento, e... Eu estou morrendo!
[Ao ouvir isso, os olhos de Galileu marejam. Ele abraça a irmã, enquanto Eleonor os observa. A câmera se afasta lentamente.]
*[⏳] ● CENA 05 ● IGREJA ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[A câmera foca na fachada de uma igreja. Lá dentro, depois de correr do protesto, Mário assiste à missa, como sempre costuma fazer. No entanto, enquanto reza, um sacristão aproxima-se e lhe pede para que mude de lugar. Mário concorda. Mais tarde, no fim da missa, o senhor vem se explicar.]
Homem: Desculpe-me pelo incômodo. Durante dez anos, observei, neste lugar, um pobre pai olhando o filho que passava, sem poder dirigir-lhe a palavra. O sogro, um homem rico, ameaçava deserdar a criança se o pai a procurasse. Sacrificou-se para que o filho tivesse o futuro garantido. Em admiração a esse pai, gosto de rezar neste lugar. Infelizmente, ele foi assassinado em um assalto, há algumas semanas. O pior é que o sogro não gostava dele apenas por causa das diferentes classes sociais. Chamava-se Leonel... Leonel Márquez.
[Neste momento, a expressão de Mário muda e ele fica pálido.]
Mário (sussurrando): Não é possível... Leonel... Era o meu pai!
[Um instrumental tenso permeia a cena. A câmera foca no rosto de Mário.]
*[⏳] ● CENA 06 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Na casa de Madeleine, o homem anda impacientemente pela casa, parecendo ansioso. Ele vai até o quarto de Coraline, e se desespera ao perceber que ela não está lá.]
Madeleine (ofegante): Meu Deus... Eu já procurei por todos os lados. Não é possível... |Agarra os cabelos.| Coraline fugiu!
[Foco no rosto desesperado do ex-presidiário.]
*[⏳] ● CENA 07 ● CASA DE MOISÉS ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[A câmera foca na fachada de um luxuoso casarão. Adentrando-se, é mostrado que a decoração é rica e clássica. Moisés, um velho de cabelos grisalhos, dança elegantemente ao som de uma música clássica francesa. De repente, Mário entra, parecendo furioso.]
Mário (enraivecido): PARE, VÔ! Precisamos conversar. Não posso mais ignorar as suas malditas mentiras!
[Moisés para de dançar, surpreso e confuso.]
Moisés: Mon petit-fils, o que aconteceu para você estar tão zangado?
Mário (com raiva): EU DESCOBRI A VERDADE! VOCÊ MENTIU PARA MIM DURANTE TODOS ESSES ANOS! MEU PAI NÃO MORREU EM UM ACIDENTE! ELE ESTAVA VIVO!
[Neste momento, uma expressão de horror toma conta do rosto de Moisés. Um instrumental tenso acompanha a discussão. Dinha, filha do velho e tia de Mário, de aproximadamente 50 anos, chega no local.]
Dinha (preocupada): O que está acontecendo aqui?
Mário (apontando para Moisés): ESTE HOMEM É UM MENTIROSO!
Moisés: Mon petit-fils, as coisas são mais complicadas do que você pensa.
Mário (furioso): MEU PAI NÃO MORREU! VOCÊ O PROIBIU DE ME VER, APENAS PORQUE ELE ERA POBRE!
Moisés: Mário...
Mário (interrompendo-o): VOCÊ SEMPRE DISSE QUE ELE MORREU NO MESMO ACIDENTE QUE MATOU A MINHA MÃE, QUANDO, NA VERDADE, APENAS QUERIA VÊ-LO LONGE DA SUA FAMÍLIA!
[A tensão cresce.]
Mário: E TEM MAIS, VÔ! EU SEI QUE VOCÊ MATOU MEU PAI, HÁ ALGUMAS SEMANAS! Ele nunca teve o direito de me ver crescer por causa de suas mentiras e manipulações.
[Moisés, irado, contra-ataca.]
Moisés (insultante): SEU PAI NÃO ERA DIGNO DE NOSSA LINHAGEM! UM MERO INSOLENTE! E EU NÃO MATEI NINGUÉM!
[A discussão atinge o ápice, e Mário, sem suportar mais a farsa, toma uma decisão.]
Mário (decidido): Não sou mais seu neto. Vou embora desta casa de mentiras. Prefiro enfrentar a verdade a viver sob o jugo de suas histórias distorcidas.
Moisés: ISSO! VÁ MESMO! MOLEQUE!
[Neste momento, Mário sai às pressas e bate a porta fortemente. Dinha tenta impedir, mas é tarde.]
Dinha: MÁRIO, NÃO!
[Ao ver que mais nada pode fazer, ela olha para Moisés com desgosto.]
Dinha (com lágrimas nos olhos): Viu só o que o senhor fez?
[Ela sobe para o quarto, deixando o velho sozinho.]
*[⏳] ● CENA 08 ● CASA DE XAVIER ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[É mostrado o interior de uma rústica residência. Os móveis são empoeirados e a luz é escassa. De repente, a porta da frente se abre e entra Xavier. Agora delegado, o ex-inspetor ainda é perturbado pelo passado, mas acredita que Serafín Machado está morto. Ele deixa seu chapéu em um lugar apropriado e dirige-se ao seu quarto. Ao se aproximar, nota algo de errado. Um instrumental de suspense tem início, enquanto o homem abre vagarosamente a porta. Ao entrar, o seu rosto empalidece. A câmera sobe lentamente e mostra algo macabro, que não passa de uma fantasia da cabeça do delegado.]
Xavier (pálido, caindo para trás): Gervais...
[Neste momento, é mostrado, em cima da cama de Xavier, Gervais, completamente ensanguentado, com a morte estampada em seu semblante pálido.]
Xavier (perturbado, chorando): Filho...
[De repente, a figura de Gervais se ergue, com os olhos fixados no delegado. Xavier recua, horrorizado.]
Gervais (ecoando e apontando para Xavier): A culpa é sua...
Xavier (desorientado): Não... Não... NÃÃÃÃOOOOO!
[Sua voz ecoa pelo quarto vazio. A cena fica silenciosa, enquanto a imagem escurece.]
*[⏳] ● CENA 09 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
_🎶 • Vou Te Encontrar • Paulo Miklos_
[Coraline caminha feliz por ruas e praças da cidade, observando a movimentação que só via de longe. O tempo passa e ela não vê. Ao se dar conta do horário, decide voltar para casa. Enquanto caminha de volta, de repente, esbarra em duas moças que caminham.]
Coraline (educada): Me desculpem, eu...
[Neste instante, ao olhar para as duas, ela empalidece ao ver que são Eleonor e Adelaide. As filhas dos Tavares não a reconhecem, mas um horror inexplicável toma conta da moça. Várias lembranças de sua infância sofrida vêm à tona.]
Eleonor (percebendo o estado de Coraline): Você está bem?
Coraline (desesperada): ME DEIXEM EM PAZ!
[Neste momento, ela sai correndo, aterrorizada. As irmãs se entreolham, confusas.]
*[⏳] ● CENA 10 ● CASA DOS TAVARES ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[A câmera foca na fachada de uma miserável casa. Em seu interior, os móveis são velhos e desgatados, e as paredes descascadas. É o atual lar dos Tavares. Valentin, de aparência maltrapilha, está sentado em uma cadeira antiga, com uma garrafa de pinga nas mãos, embriagado. Já Carlota está na cozinha, cortando cebolas, aparentemente abatida e resmungando.]
Carlota (irritada): Inferno! Eu não aguento mais. MALDITA VIDA MISERÁVEL!
Valentin (voz de bêbado): Que que foi, mulher? Pare de reclamar.
Carlota: E VOCÊ PARE DE BEBER!
Valentin (gaguejando): Me deixe!
Carlota (ríspida): Quer saber, Valentin? A CULPA É SUA! SE VOCÊ TIVESSE ACEITADO O DINHEIRO QUE AQUELE MALDITO HOMEM OFERECEU EM TROCA DO MONSTRINHO, NÓS TERÍAMOS CONSEGUIDO QUITAR TODAS AS DÍVIDAS E NÃO ESTARÍAMOS PASSANDO POR ISTO!
Valentin (leventando-se, desorientado): Cale a boca, antes que eu te mate!
[Neste momento, Carlota pega a faca que usa para cortar legumes e a aponta para o pescoço do marido.]
Carlota (ameaçando): Experimente chegar perto de mim. Experimente...
[Sarcástico, Valentin sorri e se afasta, cambaleando. Carlota observa com um olhar de reprovação. Neste instante, a porta se abre e entram Eleonor e Adelaide.]
Carlota (ansiosa): Finalmente! Encontraram emprego no bordel?
[Adelaide baixa a cabeça. Eleonor, triste, começa a se explicar.]
Eleonor: Bom... A dona não quis nos empregar. Disse que eu sou magra demais e feia. Já Adelaide... É praticamente uma criança, mamãe.
Carlota (incrédula): Eu não acredito... EU NÃO ACREDITO! Será que nem para prostitutas vocês servem? Será que só eu tenho que sustentar esta MALDITA casa?
Adelaide: Mãe...
Carlota: CALE A BOCA, IMPRESTÁVEL! POR CULPA DAS DUAS, VOCÊ IRÁ MORRER SEM SOCORRO!
[Os olhos de Adelaide marejam. Ela se dirige para o quarto. Eleonor encara Carlota, tentando encontrar coragem para falar algo.]
Eleonor: Mãe... Nós encontramos o Galileu.
[Ao ouvir isso, Carlota fica tensa.]
Carlota: Galileu? Mas... Depois de dez anos... Como ele sobreviveu?
Eleonor: Ele disse que encontrou um casal que lhe ampararam... |Olha nos olhos de Carlota.| A senhora não gostaria de revê-lo?
Carlota (dura): A única coisa que eu gostaria, minha filha, é que este maldito garoto VÁ PARA O INFERNO!
[Calada, Eleonor sai. A câmera foca no rosto de Carlota.]
*[⏳] ● CENA 11 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Após o inesperado encontro, Coraline corre para casa, aos prantos, com medo da dor de seu passado se tornar real novamente. Descontrolada, ela não percebe um rapaz em sua frente e esbarra nele. Se trata de Mário. Desequilibrados, os dois caem. A moça fica por cima do corpo do estudante e seus rostos, frente a frente, quase se encostam. Os dois, assustados, se encaram, ainda deitados.]
_🎶 • Ontem Ao Luar • Rubel_
[Neste momento, um clima de romance emerge no ar, e uma faísca de atração desperta nos dois. A câmera foca nos rostos dos dois, quase colados.]
Coraline (gaguejando): Moço... Eu... Perdoe-me! Eu não o vi. Estava correndo e...
[Neste momento, Mário sorri. Coraline para de falar. Os dois estão atraídos, um pelo outro.]
Mário: Está tudo bem. Qual o seu nome?
Coraline (envergonhada): É... Coraline!
Mário (sorrindo): Prazer, Coraline. Me chamo Mário!
[Coraline retribui o sorriso. Os dois continuam se encarando.]
Coraline: É... Eu estou indo.
Mário (encantado): Claro...
Coraline: Passar bem, senhor.
[Coraline acena. Mário retribui. A moça vira-se de costas para voltar para casa, mas, neste momento, dá de cara com Madeleine, que parece furioso. Mário a tudo observa.]
Madeleine (bravo): Posso saber onde você passou essas horas, Coraline?
Coraline (pálida): Pai, eu...
Madeleine (aumentando o tom): Você FUGIU de casa, Coraline. NÃO HÁ O QUE EXPLICAR!
[Coraline abaixa a cabeça, enquanto os seus olhos lacrimejam.]
Coraline: Eu... Só queria me sentir livre, pai. O senhor nunca me deixa sair de casa.
[Ao perceber que Mário está observando o diálogo dos dois, Madeleine questiona.]
Madeleine (apontando): Quem é o moço?
Coraline (olhando para Mário): Ele... Eu caí e ele me ajudou. Não sei de quem se trata.
Madeleine (ríspido): Está certo... Vamos para casa, Coraline, temos muito o que conversar.
[Madeleine olha uma última vez para Mário, que estremece. Depois disso, ele puxa Coraline pela mão. Os dois caminham rapidamente. A moça olha para trás e percebe que o estudante continua a encará-la, encantado. Quando pai e filha se distanciam consideravelmente, o rapaz olha para o chão e percebe algo.]
Mário (abaixando-se): Uma correntinha... Ela perdeu.
[Ele pega a jóia. Ela pertence a Coraline, que, provavelmente, a perdeu durante a queda. Mário a guarda com carinho em seu bolso e caminha para longe dali, enquanto a câmera se afasta. Vários takes de vistas panorâmicas da cidade são mostrados.]
*[⏳] ● CENA 12 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Minutos depois, Madeleine e Coraline chegam em casa, após caminharem calados por todo o percurso. O homem senta em uma cadeira, e aponta para uma segunda.]
Madeleine: Sente aí, Coraline!
[Sem falar nada, a moça senta, ficando frente a frente com o pai.]
Madeleine: O que deu em você, minha filha? POR QUE VOCÊ FUGIU DE CASA, CORALINE?
Coraline (chorando): PORQUE EU ESTOU CANSADA DESSE CATIVEIRO, PAI! CANSADA! O SENHOR NUNCA PERMITIU QUE EU TIVESSE AMIGAS, ALÉM DAS FREIRAS DO CONVENTO. E, DEPOIS QUE VIEMOS PARA SÃO PAULO, TUDO FICOU AINDA PIOR!
Madeleine (levantando): MAS SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE QUE EU FAÇO TUDO ISSO PELO SEU BEM, MINHA FILHA?
Coraline: NÃO, PAI! NÃO É PARA O MEU BEM! O SENHOR ME PRIVA DE VIVER UMA VIDA NORMAL. ISSO NÃO É QUERER O BEM DE NINGUÉM!
Madeleine: EU SEI O QUE É MELHOR PARA VOCÊ, MENINA!
Coraline: NÃO SABE! O SENHOR SÓ SABE ESCONDER TUDO DE MIM! EU TENHO DEZOITO ANOS E NÃO SEI QUAL O MOTIVO QUE LEVA O SENHOR A FUGIR DE TUDO E DE TODOS!
Madeleine: JÁ CHEGA, CORALINE! A PARTIR DE HOJE EU VOU FICAR NO SEU ENCALÇO! VOCÊ NUNCA MAIS FARÁ ISTO!
Coraline (aos prantos): O SENHOR NÃO TEM ESSE DIREITO, PAI! NÃO TEM!
[Ao dizer isso, Coraline corre para o seu quarto, soluçando. Sozinho, Madeleine senta novamente na cadeira, ofegante, com um semblante de preocupação e tristeza.]
*[⏳] ● CENA 13 ● CASA DE RAFAEL ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[A câmera foca na fachada de uma pequena e simples casa. É lá onde vive Rafael, amigo de Mário, em companhia de Galileu. Os dois estão na sala, conversando.]
Rafael: O que você acha da gente recrutar mais estudantes para o próximo protesto, Gali?
[Galileu nada responde. Ele apenas olha nos olhos de Rafael, parecendo encantado.]
Rafael (aumentando o tom): Galileu?
Galileu (caindo em si): Oh... Oi, Rafa!
Rafael: Você estava sonhando acordado, meu amigo?
Galileu (tentando disfarçar): Eu... É... Sim, eu acho.
[Rafael sorri. Neste momento, alguém bate a porta. O jovem vai até lá e se depara com Mário.]
Rafael (surpreso): Mário? Entre, meu amigo. O que o traz aqui?
Mário: Ah, Rafael... Descobri que o meu avô mentiu para mim durante toda a minha vida e que, provavelmente, ele matou o meu pai.
Rafael: Nossa...
Mário: Resultado? Tivemos uma briga feia e eu saí de casa. Será que posso ficar aqui, por enquanto?
Rafael: Claro, meu amigo... Entre! Não há problema algum, não é, Galileu?
Galileu: Claro...
[Ao entrar, Mário deixa a correntinha de Coraline cair de seu bolso. Ele a pega cuidadosamente e a encara.]
Galileu (curioso): O que é isto?
Mário (sorrindo): Ah, meus amigos... Esta correntinha pertence à moça mais linda que eu já vi. Estava vindo para cá, quando ela esbarrou em mim... Tímida e encantadora! Uma pena que o pai a tenha tratado tão mal, assim que ela se afastou de mim. Parece que ela fugiu de casa e ele não gostou nada. |Olha para os dois amigos.| Uma pena não saber o seu endereço. Iria até lá devolver a correntinha. Seria um pretexto perfeito para revê-la.
Rafael (brincando): Ih... Será que o senhor Mário está apaixonado?
Galileu (continuando): Talvez tenha sido amor à primeira vista.
*[Mário não responde nada, apenas sorri. A câmera foca em seu rosto de encantamento e felicidade.]*