Sombras do Passado - Capítulo 06 | Edição Especial

 


*[⏳] ● CENA 01 ● SALA DE TRIBUNAL ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[A sala inteira permanece em choque com a declaração de Madeleine. O prefeito segue ao centro, determinado a revelar toda a verdade.]


Juiz (direto): Caro Prefeito Madeleine, isto aqui não é um circo. RETIRE-SE DESTA SALA IMEDIATAMENTE!


Madeleine: NÃO! EU VIM AQUI PARA REVELAR A VERDADE. EU... EU SOU SERAFÍN MACHADO!


Juiz: CHEGA! O senhor não está em plenas faculdades mentais. RETIRE-SE JÁ!


Madeleine (ignorando): Eu posso provar!


[Neste momento, ele aponta para os dois presidiários que se fazem presentes na sala.]


Madeleine (encarando o primeiro): Lembra-se de mim, Julius? Na prisão, você era conhecido como Quebra Tormentas... Tinha uma cicatriz no braço esquerdo e um dente de ouro em sua boca. 


[Neste instante, toda a sala fica atônita. O juiz se cala, incrédulo. Xavier observa a tudo, sorrindo maliciosamente. A câmera foca no olhar surpreso do primeiro presidiário. Ele sorri, revelando que o dente de ouro é real.]


Julius: Ele está certo... Ele é o verdadeiro Serafín. Eu... Eu estou me lembrando!


[Os burburinhos na sala aumentam. O juiz, agora perdido em meio à declaração de Madeleine, não pede silencio, apenas observa a tudo, cada vez mais incrédulo.]


Madeleine (apontando para o segundo presidiário): E você, Ivan... Você tem uma data tatuada em seu peito. É a data da morte da sua esposa, a quem tanto amara. 


Ivan (sussurrando): Não é possível... É ele...


[Madeleine, após ter sua fala comprovada, vira-se para o juiz.]


Madeleine: Está é a prova, Excelência. Serafín Machado sou eu!


[Um instrumental tenso invade a cena, neste instante.]


Madeleine: E se isto não basta... |Abre a sua camisa, deixando o peito e a marca de nascença em formato de estrela à mostra.| Aqui tenho mais uma prova. É uma marca de nascença... Quem conviveu com Serafín Machado a conhece muito bem.


[A sala fica em silêncio. De repente, Xavier levanta-se.]


Xavier: É VERDADE, MERITÍSSIMO! Este homem é o verdadeiro Serafín Machado!


[O instrumental tenso se intensifica e alcança o seu ápice. Todos olham para Xavier.]


Xavier (apontando para Madeleine): Eu atuava em Vila Esperança na época do assassinato do garoto. Eu estava lá no momento do ocorrido. EU PRENDI ESTE DESGRAÇADO!


[Madeleine o encara, paralisado. Xavier continua a falar.]


Xavier: Eu convivi tempo o suficiente com este crápula para nunca esquecer seu rosto. Meses atrás, descobri que ele estava atuando como o prefeito de Monte Velho. Desacreditei, de início, mas precisava ver com os meus próprios olhos. Viajei até lá para investigá-lo. |Olha para o juiz.| Ele é o verdadeiro assassino!


Madeleine (olhando para todos): O inspetor está certo... Mas eu não matei o garoto. Foi um acidente!


Xavier: CALE-SE, CRETINO! 


Juiz (recompondo-se): Ordem... Ordem no tribunal!


[Xavier se cala. O juiz olha para Madeleine.]


Juiz (ordenando): Prossiga, senhor.


Madeleine: Em 1910, eu fui preso por supostamente assassinar um garoto de rua... Mas isto não é verdade. O garoto estava em perigo, tentando tirar uma pipa que estava presa em um monte de pedras. Subi até lá e o ajudei. |Neste momento, uma lágrima desce pelo seu rosto.| Mas o destino foi cruel... O menino escorregou e as pessoas que a tudo presenciaram me acusaram. |Encara o juiz.| Eu não sou um assassino!


[Todos permanecem em silêncio.]


Xavier (sussurrando): Maldito...


Madeleine (continuando): Eu fui preso e condenado. Passei oito anos na prisão, pagando por um crime que NÃO COMETI! Em 1918, farto de todo aquele sofrimento, eu fugi. Fugi disposto a recomeçar a minha vida.


Juiz: Então o senhor se declara o verdadeiro culpado?


Madeleine: Sim, senhor. Após a minha fuga, conheci um padre que me acolhera. Graças à ele, cheguei em Monte Velho com uma nova identidade. Pouco tempo depois, salvei a vida do prefeito da cidade. Ele, como forma de retribuição, me deu um cargo na prefeitura. Após alguns tempos, fui ascendendo até me tornar o que sou hoje. 


Xavier (interrompendo): Não restam mais dúvidas, Excelência. Podem prender este desgraçado. Façam-o pagar pelos seus crimes!


Madeleine (aumentando o tom): Sim, me prendam! Eu estou esperando. 


[O juiz, o advogado, o promotor, os jurados, Alonso e o público ficam em silêncio. Madeleine começa a caminhar para a porta, devagar. Ninguém o impede.]


Madeleine: Já que não me prenderam, vou embora. Os senhores sabem onde podem me encontrar e podem me mandar buscar quando quiserem. 


[Ele chega à porta. De repente, se vira novamente.]


Madeleine: Só não se esqueçam de todo o bem que venho praticando ao longo de todos esses anos.


[Todos permanecem em total silêncio. Madeleine sai. No lado externo, ele se dirige até o seu carro. Ao entrar no veículo, está suando frio e pálido.]


Madeleine (ofegante): Eles vão me prender... Eu preciso voltar para Monte Velho e falar com Fátima. 


[Ao falar isso, ele dá partida e sai. O veículo logo some no horizonte. Na parte interna, a sala de tribunal está um caos.]


Xavier (desesperado): ELE ESTÁ FUGINDO, SENHORES! NÃO PERMITAM QUE ESTE ASSASSINO SAIA IMPUNE! 


[O juiz e o promotor se encaram, neste momento.]


Juiz (olhando para Xavier): O senhor tem razão. VÃO ATRÁS DO VERDADEIRO SERAFÍN MACHADO E O PRENDAM!


[Um sorriso satisfeito toma conta do rosto de Xavier.]


Xavier: Eu terei prazer em acompanhá-los.


[Ele sai, na companhia de alguns policiais. Alonso, agora aliviado, também se retira. A câmera se afasta, enquanto um instrumental tenso se intensifica.]


*[⏳] ● CENA 02 ● CASA DOS TAVARES ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[A câmera foca na fachada da casa dos Tavares. Um instrumental de natureza acompanha a cena. Adentrando-se, é mostrado que, enquanto Valentin e Carlota trabalham na taberna e as crianças brincam lá fora, Coraline se encontra sozinha no local. Com um misto de coragem e curiosidade, ela vai até o quarto das filhas do casal. Lá dentro, ela para na frente de uma prateleira cheia de bonecas, dos mais variados estilos, que a deixam completamente deslumbrada.]


Coraline (se aproximando): São lindas... 


[Não ligando para a possibilidade de ser flagrada, a menina pega uma das bonecas e começa a lhe acariciar, radiante.]


Coraline (sorrindo): Eu queria tanto ter uma igualzinha à você...


[Neste instante, um barulho vindo da sala de estar lhe chama atenção. Tomada do imenso medo de ser punida, Coraline coloca rapidamente a boneca de volta à prateleira e corre para a porta do quarto. Entretanto, para o seu desespero, antes que ela possa sair, Valentin surge, impedindo a sua passagem, com um sorriso maligno no rosto. A menina se empalidece e engole o seco. Um instrumental de tensão permeia a cena.]


Valentin (com maldade no olhar): Perdeu algo no quarto das minhas filhas, negrinha?


Coraline (gaguejando): Não, senhor... Eu... Apenas ouvi um barulho e vim ver o que era. 


Valentin: Não me faça de idiota, menina. Você aproveitou que não tinha ninguém em casa e veio bisbilhotar nas coisas das meninas. Não é?


Coraline (tremendo): Não... Eu...


[Neste momento, antes que Coraline possa continuar, Valentin encosta a porta do cômodo, esboçando um sorriso malicioso. Coraline começa a suar frio e esbugalha os olhos. O ápice do instrumental é alcançado.]


Valentin (maldoso): Fique tranquila... Se você colaborar, eu não irei lhe punir. |Se aproxima.| Mas, para isso, você precisa ser uma boa garota e ficar quietinha enquanto eu brinco com você.


[A câmera foca no olhar desesperado de Coraline. Lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto.]


Valentin (sussurrando): Não tenha medo... Vai ser divertido para nós dois. É só deixar que eu brinque com... |Sorri, maliciosamente, enquanto o instrumental continua se intensificando.| Brinque com o seu corpinho nojento!


[Ele começa a se aproximar mais ainda de Coraline, que, paralisada, consegue apenas chorar. Quando Valentin finalmente começa a acariciar seu rosto, pretendendo, abusá-la, a filha de Fátima, enfim, consegue reagir.]


Coraline (gritando): ME SOLTE, SEU MONSTRO!


[Em um impulso surpreendente, Coraline chuta fortemente as partes íntimas de Valentin, fazendo-o cair.]


Valentin (gritando de dor): DESGRAÇADA! EU ACABO COM VOCÊ, SUA NEGRINHA MALDITA!


[Antes que Valentin possa fazer algo, Coraline sai rapidamente do quarto e corre para a floresta, aos prantos.]


*[⏳] ● CENA 03 ● FLORESTA ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[No interior da densa floresta, localizada nos arredores da Taberna dos Tavares, Coraline corre, aos prantos, ainda desesperada com o que acabara de passar com Valentin. Suas pernas, já fracas, estão quase parando. Ela se aproxima cada vez mais do interior da mata, sem conseguir parar. De repente, a menina acaba tropeçando em uma grossa raiz, o que faz com que ela caia de bruços e role por um pequeno barranco. Ao conseguir levantar-se, a filha de Fátima percebe que seu corpo está todo arranhado. Assustada e com dor, ela encosta-se em uma árvore e começa a chorar.]


Coraline (entre soluços): Deus... Por que o senhor é tão cruel comigo? Eu... Eu só queria a minha mãe...


[Ela se encolhe e coloca a cabeça entre as pernas, agachada. Algum tempo passa. De repente, algo chama a atenção de Coraline. São barulhos de passos humanos, vindos da direção que ela veio. A menina se desespera, enquanto um instrumental de suspense se sobrepõe à cena.]


Coraline (sussurrando): O Valentin... Ele veio me pegar...


[Coraline levanta-se, neste momento, e se prepara para correr, quando, no mesmo instante, é surpreendida por alguém, que se aproxima por suas costas.]


Coraline (chorando): ME SOLTE, POR FAVOR!


[Neste segundo, é revelado que não se trata de Valentin, e sim de Galileu, que também se assusta com os gritos de Coraline.]


Galileu (assustado): Calma, Coraline. Sou eu, Galileu!


Coraline (aliviada): Galileu... O que você está fazendo aqui?


[O semblante do garoto muda, passando de uma expressão de susto para uma de tristeza.]


Galileu: Eu... Eu fugi de casa. Meus pais nunca vão gostar de mim, e eu cansei disso. Acho que eles nem ligaram... Até agora não veio ninguém atrás de mim.


Coraline: Mas você não sente fome ou sede? Nem mesmo frio?


Galileu (abaixando a cabeça): Eu bebo água do rio... Mas estou desde o dia que saí de casa sem comer nada... E eu não quero voltar, nunca mais!


[Neste instante, Coraline, com um olhar acolhedor, estende sua mão para Galileu.]


Coraline: Vem comigo!


[O menino, mesmo sem entender, segura em sua mão, deixando-a guiá-lo. Depois de alguns minutos de caminhada, os dois chegam em uma imensa goiabeira, repleta de frutos.]


Galileu (sorrindo): Uau... 


Coraline: Come... Vai matar a sua fome. 


Galileu: Obrigado, Coraline... Você é a única pessoa daquela casa que se importa comigo. Você é como uma irmã para mim.


[Coraline sorri para ele. Em seguida, os dois começam a colher goiabas para comer.]


_🎶 • Vou Te Encontrar • Paulo Miklos_


[Depois de comerem os frutos, as duas crianças deitam no chão, olhando para o céu. A câmera se afasta.]



*[⏳] ● CENA 04 ● HOSPITAL ● INTERNO ● TARDE ● [⏳]*

[A câmera mostra alguns corredores aleatórios do hospital em que Fátima está internada. Neste momento, é mostrado Madeleine entrando rapidamente no local. Ele dirige-se até o quarto da enferma. Uma enfermeira tenta impedí-lo.]

Enfermeira: Senhor prefeito, espere... O senhor não pode entrar aí. 

[Madeleine para e olha em seus olhos, implorando.]

Madeleine (ansioso): Por favor!

[A enfermeira, sem saída, não diz nada e apenas se afasta. Madeleine entra no quarto, cauteloso. Ele se aproxima, enquanto Fátima dorme. Ela está pálida e seu peito chia. Ao perceber a presença do prefeito, abre os olhos e sorri. O médico que cuida da mulher está ao seu lado.]

Fátima (solene): E Coraline? Onde está a minha filha? O senhor a trouxe, não trouxe?

Doutor (interrompendo): Está com febre, e a presença de sua filha vai agitá-la. É melhor sarar primeiro. 

Fátima (insistindo): Mas já estou curada!

[Neste momento, ela olha para Madeleine e aperta as suas mãos.]

Fátima (com dificuldade para falar): Foi muito gentil em ter ido buscar a minha filha. Ela é linda, não é?

Madeleine (tentando se explicar): Fátima...

Fátima (desorientada): Eu a estou ouvindo... Meu Deus! Eu escuto a voz de Coraline...

[Madeleine e o médico se entreolham. É apenas uma criança brincando ao longe. O prefeito levanta-se e se dirige até o segundo citado.]

Madeleine: Poderia deixar-me um pouco sozinho com ela?

Doutor: Claro... Mas cuidado! Ela não pode se esforçar. 

[Madeleine concorda. O médico se retira.]

Fátima (insistente): E então, prefeito... Cadê Coraline?

[Madeleine senta-se na cama, ao lado da mulher doente.]

Madeleine (com ternura): Fátima... Você ainda não me passou o endereço. Lembra?

[A expressão da mulher muda. Ela se entristece ao lembrar-se que realmente não lhe passou a localização de sua filha.]

Madeleine: Mas tenha calma... Eu trouxe papel e caneta. Irei buscar Coraline ainda hoje.

[Ele lhe entrega o papel para que ela possa anotar o endereço. Feliz novamente, Fátima escreve ansiosamente.]

Fátima (entregando o papel): Aqui está... Mal posso esperar para ver a minha filha novamente. 

Madeleine (levantando-se, apressado): Ótimo... Agora eu preciso ir. Aguente firme, Fátima! Ainda hoje você verá a sua pequena. 

[Fátima sorri para ele. De repente, ela avista algo atrás do prefeito. Sua expressão muda subitamente e seus olhos se esbugalham. Ela faz um sinal para Madeleine, que se vira e se desespera ao ver Xavier, parado na porta da sala.]

Xavier (sorrindo): Vim buscá-lo, Serafín Machado. Os policiais cercaram o hospital, é melhor não vir com gracinhas. 

[Um soundtrack de tensão invade a cena, enquanto Fátima fica completamente perdida.]

Fátima (pálida): O que está acontecendo, Madeleine? Quem é este homem? 

Madeleine (sussurrando): Calma, Xavier... Por favor!

Xavier (sarcástico, se aproximando): Calma!? Você me pede calma? 

Madeleine (preocupado com Fátima): Pelo amor de Deus... Me dê um dia para buscar a filha desta mulher. Se quiser, podem me acompanhar.

[Tomado por uma fúria acumulada por anos, Xavier lhe dá um forte soco, fazendo-o cair.]

Xavier: Está caçoando de mim? UM DIA PARA BUSCAR A FILHA DE UMA PROSTITUTA?

[Madeleine se levanta, com dificuldade. Fátima começa a tremer.]

Fátima (sussurrando): Senhor prefeito... O que está acontecendo? O que este homem quer?

[Xavier, neste instante, agarra a gola de Madeleine.]

Xavier: AQUI NÃO HÁ NENHUM SENHOR PREFEITO! ESTE HOMEM É UM ASSASSINO, CHAMADO SERAFÍN MACHADO! ELE MATOU UMA CRIANÇA INOCENTE HÁ DEZOITO ANOS!

Madeleine (desesperado): Por favor... PARE!

[Fátima, sem conseguir processar a informação, começa a ficar sem ar.]

Fátima: Não é possível... Ele é um homem bom... Ele vai buscar a minha filha... 

Xavier: ELE É UM MONSTRO! ELE ASSASSINOU UMA CRIANÇA... UMA CRIANÇA! ELE FUGIU DA PRISÃO HÁ DEZ ANOS E ENGANOU A TODOS DE LÁ PARA CÁ, INCLUSIVE VOCÊ! MADELEINE NUNCA IRÁ BUSCAR SUA FILHA! NUNCA! 

Madeleine (completamente desesperado): PARE! ELA ESTÁ DOENTE!

[Neste momento, Fátima, completamente sem forças, apoia-se em seus fracos braços e começa a chorar, desesperada.]

Fátima (falando com dificuldade): Maldito... Você me enganou... |Começa a gaguejar.| Cora... Coraline...

Xavier: É ISTO QUE ELE FAZ DE MELHOR! ELE ENGANA AS PESSOAS! MAS, AGORA, ISSO ACABARÁ PARA SEMPRE! ESSE DESGRAÇADO VEM COMIGO!

Fátima (perdendo os sentidos): Não, não... |Solta um berro estridente e perturbador.| NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOO!

[Enquanto Madeleine tenta soltar-se, desesperado, Fátima perde todas as suas forças. Ela abre a boca como se fosse falar, mas apenas um horrível rugido de dor ecoa pelo ar. Madeleine e Xavier, ao perceberem, olham para a mulher. A cena fica completamente silenciosa. Fátima, morrendo, range os dentes e estende as mãos como alguém que está se afogando, e busca onde se agarrar. Depois disso, cai sem forças no travesseiro. Sua cabeça bate na cabeceira da cama. Ela curva-se sobre o peito e seus olhos perdem o brilho. Fátima está morta.]

_🎶 • Dona de Castelo • Adriana Calcanhotto_

[A câmera foca no rosto sem vida de Fátima. Madeleine, aos prantos, consegue livrar-se dos braços de Xavier e corre até ela.]

Madeleine (berrando): NÃÃÃÃOOOOOOO! FÁTIMAAAAAAA!

[Ele cai sobre seu corpo, chorando desesperadamente. O médico e as enfermeiras entram correndo no local. A música se intensifica e nada além dela é ouvido. Xavier agarra Madeleine novamente e o arrasta para fora dali. A câmera se afasta, deixando o fúnebre cenário para trás. A noite cai.]

*[⏳] ● CENA 05 ● CASA DOS TAVARES ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[A câmera mostra Coraline, deitada no chão, dormindo. Neste momento, o público é transportado para um campo florido. A menina está sonhando. Ela caminha de um lado para outro, até que avista uma mulher ao longe, de costas para ela.]

Coraline (curiosa): Quem é você?

[A mulher se vira, revelando ser Fátima.]

Fátima (chorando, falando baixo): Coraline, minha pequena... Eu sinto muito por tudo que você passou. Peço apenas o seu perdão.

Coraline (sorrindo, emocionada): Mamãe?

Fátima: Sim, meu amor. Eu preciso me despedir, mas quero que saiba que sempre estarei com você, guiando todos os seus passos.

[Neste exato momento, a imagem de Fátima começa a desaparecer.]

Coraline (desesperada): NÃO! NÃO VÁ, MAMÃE! NÃO ME ABANDONE DE NOVO!

[De repente, a menina acorda abruptamente. A casa está silenciosa. Ela deita-se novamente e começa a chorar, enquanto a câmera se afasta.]

*[⏳] ● CENA 06 ● RUAS DE MONTE VELHO/FÁBRICA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[A noite cobre Monte Velho, em um cenário fúnebre. Um clima sombrio acompanha a cena, enquanto a câmera passeia sobre várias ruas. De repente, um corte abrupto revela vários cidadãos furiosos caminhando rumo à fábrica de chocolates. As chamas de tochas de fogo que os mesmos carregam iluminam os seus rostos furiosos. A notícia da confissão de Madeleine espalhara-se rapidamente.]

Homem 1 (gritando): ELE NOS ENGANOU POR ANOS!

Homem 2 (irado): QUEIMEM TUDO! PONHAM ESSA MALDITA FÁBRICA NA CHON!

[A multidão enfurecida marcha em direção à fábrica. Suas portas são arrombadas, vidraças quebradas e o interior do local é saqueado. Caixas de chocolates são pisoteadas. A destruição é total.]

Mulher (esmagando chocolates, aparentemente desorientada): EU SOU A PISADEIRA! O MEU DESTINO É PISAR!

[Enquanto os habitantes devastam a fábrica, alguns começam a atear fogo aos estoques de cacau, transformando o lugar outrora doce em um inferno em chamas. A fumaça escura sobe aos céus, enquanto a imagem escurece lentamente.]

*[⏳] ● CENA 07 ● PRISÃO ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*

[A câmera mostra, em câmera lenta, Madeleine sendo levado por um guarda para a sua cela temporária. Ele está em um estado devastador. Um instrumental melancólico acompanha a cena.]

Guarda (empurrando Madeleine): Bem-vindo à sua nova morada, Machado. 

[Ele sorri e se retira. Madeleine, chorando, levanta-se e retira um papel do bolso de sua camisa. É o endereço que Fátima lhe entregara antes de morrer. Ele o encara, por alguns minutos.]

Madeleine (decidido): Eu vou cumprir a minha promessa, Fátima...

[Ele ergue a cabeça, e olha diretamente para a câmera.]

*Madeleine: Eu juro!*