Silêncio Fatal | Capítulo 03
[SFX: rock. Pelas calçadas movimentadas, Daniel avista Bento mais à frente. O instrumental de rock cresce, frenético. Ele dispara em sua direção, ofegante.]
Daniel: |Gritando; fôlego curto.| BENTO! ESPERA, POR FAVOR!
Bento: |Assustado, recuando.| NÃO ENCOSTA EM MIM, DANIEL! FICA LONGE!
[De repente, o som de tiros rasga o ar. Uma troca de balas entre bandidos e uma gangue explode na rua. Pessoas gritam e se jogam no chão. Daniel se abaixa de forma instintiva.]
Daniel: |Gritando; aflito.| BENTO! SE ABAIXA, AGORA!
[Em câmera lenta: um disparo atravessa o braço de Bento. O sangue jorra, respingando na calçada. O grito de Daniel ecoa abafado pelo som dos tiros.]
FADE-OUT.
🕰️ Alguns dias antes...
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CENA 01 | SÃO PAULO - EXT./MADRUGADA
Março de 2025... ⌛
[A câmera explora pontos turísticos de São Paulo, embalada na trilha sonora: SÃO PAULO - THE WEEKND (🎵). A música vai parando de tocar aos poucos, ao mesmo tempo em que amanhece.]
CORTA PARA:
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CENA 02 | CASA DOS SILVEIRA - INT./MANHÃ
[Todos da casa estão tomando café.]
Wagner: |Entusiasmado.| Nossa, filho, estou muito feliz por você, de verdade!
Teresa: |Deslumbrada.| A ficha ainda não caiu. Não consigo acreditar. É bom demais pra ser verdade!
Daniel: |Emocionado.| Eu também tô muito contente, papai. E eu também não consigo nem acreditar, mãe. Eu vou trabalhar no Grupo Fontana. Isso é incrível!
[Sua irmã caçula, a pequena Emily, se aproxima de Daniel e o pega desprevenido, lhe dando um abraço. SFX: leveza.]
Daniel: |Sentindo o carinho.| Oh, meu amor... |Sorri.| Obrigado! |Se afasta do abraço naturalmente.|
Emily: |Toca no rosto dele.| Boa sorte, maninho.
[Emily e Daniel trocam sorrisos, enquanto Teresa e Wagner se emocionam com a cena.]
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CENA 03 | MANSÃO FONTANA - INT./MANHÃ
[Kássia e Romualdo estão no quarto, conversando.]
Kássia: Fico feliz que a Patrícia tenha se acalmado mais de uns tempos pra cá...
Romualdo: É, eu também. Aquele estresse todo só prejudica ainda mais o rendimento profissional dela.
Kássia: |Inconformada.| Será que você não consegue pensar em outra coisa além de trabalho?
Romualdo: |Irônico.| Bom, foi através dele que conquistamos tudo, não?
Kássia: |Fria.| E foi de tanto pensar em trabalho que nosso Patrick morreu.
Romualdo: |Começa a levantar a voz.| Será que você não consegue pensar que as circunstâncias foram outras, Kássia?
[A câmera vai se afastando deles, enquanto um instrumental tenso começa a subir. As vozes deles abaixam conforme o soundtrack cresce. Do outro lado da parede, é nos mostrado Patrícia, ouvindo a conversa atrás da porta, com uma expressão insatisfeita. Fade-out...]
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CENA 04 | APARTAMENTO DE BENTO - INT./MEIO-DIA
[Foco no prédio. Corta para: Daniel e Bento conversando no quarto do apartamento do rapaz.]
Daniel: |Emocionado.| De verdade, Bento, eu só tenho a lhe agradecer.
Bento: |Sem graça.| Que nada... Eu fico muito feliz por você ter conseguido.
[SFX: romance. Bento e Daniel se encaram, enquanto trocam sorrisos, ao mesmo tempo em que um clima apaixonante penetra no ambiente. A intensidade do momento sobe, e os dois começam a se beijar ali mesmo, em meio aos agarramentos. O instrumental romântico se transforma num soundtrack sexy. Daniel e Bento começam as preliminares, enquanto tiram a roupa um do outro. Fade-out. É possível ouvir dois corpos se esfregando. Fade-in. Daniel e Bento estão pelados, um em cima do outro, se beijando com muita paixão. Fade-out. É possível ouvir sons de sexo oral. Fade-in. Bento faz um sexo oral em Daniel, enquanto ele faz expressões de prazer. Fade-out. É possível ouvir os gemidos baixinhos dos dois. Fade-in. Daniel chupa e lambe a parte anal de Bento, enquanto o mesmo geme levemente. Fade-out. O instrumental começa a chegar em seu auge. Fade-in. Daniel e Bento fazem o "clássico meia-nove". Fade-out. A cama aparentemente começou a balançar. Fade-in. Daniel penetra Bento com vontade, enquanto os dois gemem de prazer. Fade-out. Sons de orgasmo e ejaculação. Fade-in. Daniel e Bento estão deitados e enrolados pelo lençol, enquanto dormem de conchinha. A trilha para de tocar aos poucos. A câmera se afasta lentamente deles...]
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CENA 05 | RUAS DE SÃO PAULO - INT./TARDE
[Takes vespertinos das ruas de São Paulo transitam pelas cenas, ao som de "QUE PAÍS É ESTE - LEGIÃO URBANA (🎵)". Em rápidos clipes, acompanhamos os primeiros dias de Daniel no trabalho, bem como seu cotidiano na empresa. Ele ainda não se cruzou com outros personagens da trama que transitam pelo Grupo Fontana, exceto seu Romualdo, onde é possível ver um take dos dois apertando as mãos. É nítido uma imensa felicidade nas expressões de Daniel. Fade-out.]
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CENA 06 | CASA DOS SILVEIRA - INT./MANHÃ
[Fade-in. Bento acorda na cama de Daniel, e a cena dá a entender que eles passaram mais uma noite juntos. Ele se veste e se levanta e vai até o corredor da sala.]
Bento: |Boceja.| Bom dia, dona Teresa... Cadê o Daniel?
Teresa: |Simpática.| Bom dia, filho. Ele tá no banho. Quer tomar café?
Bento: |Meio sonolento.| Não, obrigado. Vou esperá-lo.
[Teresa consente e segue seu caminho. Bento volta para o quarto. SFX: suspense leve. Curioso, Bento mexe nas coisas de Daniel. Após longos segundos, encontra o livro mágico dele. Bento abre e passa as páginas. Depois de uma significativa leitura, ele olha para o horizonte.]
Bento: |Meio atormentado.| Isso tá me lembrando aquele anime...
[A intensidade do instrumental aumenta, e as expressões tensas de Bento entregam que ele deduziu o que está acontecendo. Daniel ressurge no quarto abruptamente, só de toalha, sob um efeito sonoro de terror, assustando o rapaz. O instrumental para.]
Daniel: |Sorrindo.| E aí... |Nota que ele pegou o livro.| Bento... o que significa isso? |Muda o semblante.| Por que você mexeu nas minhas coisas!?
Bento: |Assustado.| Daniel... Você... |Aponta para ele.| VOCÊ É UM TIPO DE ASSASSINO!
[Zoom exagerado na expressão de surpresa de Daniel. SFX: suspense.]
Daniel: |Nervoso.| Bento... eu posso explicar! Isso... é só uma fantasia... Uma brincadeira minha. Por favor, não me julgue!
[Bento se levanta. Nem percebe que deixou o livro cair.]
Bento: |Apavorado.| Seja lá o que isso ficou... Eu é que não vou ficar aqui pra ver! |Se retira do quarto.|
Daniel: |Com medo.| BENTO, ESPERA!
[SFX: rock. Daniel começa a se trocar. Em um rápido take, vemos ele completamente nu — com direito à exposição de sua genitália — vestindo-se em seguida. Bento sai andando ligeiramente pela casa, sem se despedir de ninguém. Teresa observa e demonstra estranheza. Voltando a Daniel, que já está vestido, ele encara seu livro no chão.]
Daniel: |Outro zoom no seu rosto.| Não posso deixar ele abrir a boca...
CORTA PARA:
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CENA 07 | CASA DOS SILVEIRA - EXT./MANHÃ
[Pelas calçadas movimentadas, Daniel avista Bento mais à frente. O instrumental de rock cresce, frenético. Ele dispara em sua direção, ofegante.]
Daniel: |Gritando; fôlego curto.| BENTO! ESPERA, POR FAVOR!
Bento: |Assustado, recuando.| NÃO ENCOSTA EM MIM, DANIEL! FICA LONGE!
[De repente, o som de tiros rasga o ar. Uma troca de balas entre bandidos e uma gangue explode na rua. Pessoas gritam e se jogam no chão. Daniel se abaixa de forma instintiva.]
Daniel: |Gritando; aflito.| BENTO! SE ABAIXA, AGORA!
[Em câmera lenta: um disparo atravessa o braço de Bento. O sangue jorra, respingando na calçada. O grito de Daniel ecoa abafado pelo som dos tiros. O efeito de câmera lenta cessa.]
Bento: |Gemendo de dor.| AAHH!
Daniel: |Desesperado, tentando se aproximar.| BENTO! ME DEIXA TE AJUDAR! EU TE LEVO PRO HOSPITAL, AGORA!
Bento: |Em prantos, cambaleando.| NÃO! ME DEIXA EM PAZ, DANIEL! |Dá dois passos para trás, entrando no meio da rua.| Deixa que eu... Eu vou sozinho...
[Um ônibus surge em alta velocidade. Bento é lançado para o ar e cai com violência. O veículo segue sem parar e passa por cima do rapaz, sendo possível ouvir seus ossos quebrando. O ônibus passa direto, não prestando socorro. É tudo muito rápido. SFX: terror dramático.]
Daniel: |Ainda deitado, em meio ao tiroteio, olhos arregalados.| NÃÃÃÃÃOOOO!!! |Põe as mãos na cabeça; lágrimas descendo.| MEU DEUS... O QUE FOI QUE EU FIZ!?
[Sob um efeito sonoro explosivo, a câmera focaliza no corpo de Bento, completamente esmagado no asfalto. O sangue se espalha em volta, cobrindo a rua em tons escuros. Partes do corpo estão torcidas, o rosto irreconhecível, misturado à sujeira. O som ambiente é abafado com o gotejar do sangue e o chiado distante do ônibus que foge. A câmera começa a se afastar lentamente, revelando o caos ao redor, enquanto um clarão toma conta da imagem ao ponto de ficar tudo branco. O pico do instrumental é alcançado.]
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CENA 08 | CASA DOS SILVEIRA - EXT./MANHÃ
[A câmera se aproxima da casa dos Silveira. Corta para a parte interna. SFX: tristeza. Daniel está inconsolável no sofá, seguindo a sinfonia triste do instrumental. Teresa se aproxima dele, e o abraça. Wagner chega perto e segura sua mão. Emily se aproxima do irmão e dá um beijinho na sua bochecha. Todos estão em silêncio e trajando preto, indicando que vestiram o luto e, provavelmente, voltaram do enterro de Bento. A imagem vai ficando embaçada aos poucos, enquanto o instrumental cessa.]
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CENA 09 | RUAS DE SÃO PAULO - EXT./TARDE
[O entardecer. Vemos o sol se pondo, ao som de "HERE COMES THE SUN - THE BEATLES (🎵)". A câmera se aproxima novamente do Grupo Fontana, mostrando que horas se passaram.]
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CENA 10 | GRUPO FONTANA - EXT./MANHÃ
[Na entrada da empresa, Daniel acaba se cruzando com Patrícia, e os dois se reencontram após um tempo sem se verem.]
Daniel: |Alegre; mais recuperado do luto.| Meu Deus, você!?
Patrícia: |Abre um sorriso.| Eu sabia que você retornaria! E pelo que estou vendo, já tá trabalhando aqui, certo?
[Leve pausa entre eles.]
Daniel: |Lê o crachá de Patrícia.| Patrícia Fontana... Espera aí... |Curioso.| Você é o quê do patrão!?
Patrícia: |Ri com autoestima.| Haha! Eu? Eu sou filha do Romualdo Fontana!
[Efeito sonoro: impacto leve; a câmera dá um dolly zoom no rosto de Daniel, que esboça uma malícia no rosto, enquanto um rápido soundtrack de suspense toca no fundo da cena. O pico do instrumental é alcançado.]
CORTA PARA:
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CENA 11 | CASA DOS SILVEIRA - INT./TARDE
[No alpendre da casa, Emily se aproxima de Teresa e flagra ela fazendo caretas de dores, enquanto coloca roupas para lavar na máquina. SFX: preocupação.]
Emily: |Preocupada.| Mamãe, tá tudo bem?
Teresa: |Muda a expressão, simulando alegria.| Ah, filha, tô sim! Eu só estava me espreguiçando. As costas doendo, a idade chegando. Sabe como é!
Emily: |Franze a testa; desconfiada.| Tá bom. |Chega perto da mãe e abraça ela.| Te amo, tá bom?
Teresa: |Envolvida no abraço.| Tá bom, filhinha. |Expressão ligeiramente triste.| Também te amo...
[A câmera se afasta delas, enquanto o instrumental para de tocar.]
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CENA 12 | GRUPO FONTANA – INT./NOITE
[Take externo da empresa. Anoitece. Corte interno: Daniel caminha apressado em direção à saída. Ao dobrar o corredor, ele se esbarra em uma mulher. A bolsa dela cai no chão com um estrondo leve. O jogo de câmeras revela que trata-se de Alice.]
Alice: |Mau-humorada, sem olhar direito.| Ai, cuidado!
Daniel: |Sem graça.| Nossa... me perdoa! Eu não vi você vindo.
[Ele se abaixa rapidamente para pegar a bolsa, no mesmo instante em que Alice também se abaixa. As mãos dos dois se tocam, ao som de um instrumental romântico e em meio ao clima mágico. É nítido um brilho no olhar deles.]
Daniel: |Tímido, com um sorriso encantado.| Aqui... sua bolsa.
Alice: |Desconcertada; pega a bolsa.| Obrigada...
[Por um instante, eles permanecem ali, de pé, em silêncio. Os dois se encaram sem parar. A câmera alterna entre os rostos — o encanto de Daniel e o olhar curioso e levemente surpreso de Alice. Ele sorri, genuíno. Ela retribui, contida, mas envolvida.]
•A IMAGEM CONGELA EM ALICE ONDE TELA FICA COMPLETAMENTE VERMELHA•