Silêncio Fatal | Capítulo 02

 


Silêncio Fatal | ☠️📖 | Capítulo 02/20 

[A câmera se aproxima da empresa do Grupo Fontana. Dentro do local, Daniel espera ser entrevistado, ao lado de outras pessoas, sentado numa das cadeiras das fileiras.]

Secretária: |Com cara de tédio.| Próximo!

[Daniel, com um largo sorriso no rosto e olhar esperançoso, se levanta da cadeira e se dirige à sala da entrevista, enquanto um solene instrumental toca no fundo da cena.]

FADE-OUT.

🕰️ ALGUNS DIAS ANTES...

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CENA 01 | SÃO PAULO - EXT./MADRUGADA 

Fevereiro de 2025... ⌛

FADE-IN.

Mediante a um clima de suspense, a câmera mostra takes aleatórios da cidade de São Paulo. Amanhece. A sequência corta para:

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CENA 02 | CASA DOS SILVEIRA - MANHÃ/INT.

[Dentro da casa dos Silveira, a família, exceto a pequena Emily, está reunida na sala conversando com uma mulher branca, loira, bonita, dos cabelos lisos e que está com uma expressão visivelmente abalada.]

Wagner: |Consolador.| De verdade, dona Madalena, eu digo e repito, sinto muito mesmo pela morte de seu pai!

Madalena: |Cabisbaixa.| Eu não deveria ter viajado e deixado ele sozinho... Foi um erro meu!

Teresa: |Lamentando.| Não se culpe, moça...

Madalena: |Séria.| Bem, não foi da morte do meu pai que eu vim falar.

Daniel: |Curioso.| E... o que a senhora veio... fazer?

Madalena: |Firme.| Eu... vim negociar com vocês. É. Antes de meu pai morrer, ele falou que vocês estavam para ser despejados. Entretanto, no cenário atual que nos encontramos, não vejo a menor possibilidade de quebrar a cabeça com um assunto tão constrangedor como esse... Dito isso, eu... eu quero dar uma chance a vocês! Sim, aumentar o prazo. |Abre um sorriso esperançoso.| Darei três meses para vocês se organizarem e conseguirem pagar o aluguel a tempo. E então, o que acham?

[Soundtrack: suspense. A câmera focaliza no rosto de Daniel, logo após no de Teresa e, em seguida, no de Wagner, que esboçam um misto de luto, mas de alívio, exceto o filho do casal, que não consegue esconder a felicidade em cena, com direito a pequenos sorrisos. O pico do instrumental é alcançado.]

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[CENA 03 | GRUPO FONTANA - INT./MANHÃ]

[A câmera focaliza a sacada envidraçada da sede do Grupo Fontana, ao som de "SUDDENLY I SEE – KT TUNSTALL (🎵)". Patrícia surge, impecável, observando a cidade lá embaixo com um sorriso confiante. Corta para o interior: ela desfila pelos corredores com salto firme, enquanto os cabelos voam pelo ar, ao mesmo tempo que funcionários a observam discretamente. A música cessa abruptamente quando ela chega diante da nova sala de Alice. Patrícia respira fundo, ajeita o blazer e entra sem autorização. Começa a bater palmas de forma irônica. Um instrumental tenso preenche o ar.]

Alice: |Sarcástica, virando-se lentamente.| Nossa... que saudações são essas?

Patrícia: |Para de bater palmas, sorriso nitidamente falso.| Vim te parabenizar pela promoção, querida. Você realmente conseguiu o que queria, né?

Alice: |Cruza os braços, impaciente.| Olha, sem teatrinho, tá, Patrícia? Eu sei que você também queria essa vaga, mas descontar frustração em mim não vai te colocar na cadeira que agora é minha.

Patrícia: |O sorriso desaparece.| Você é realmente cara de pau... Agora me diz, o que será que você precisou DAR pro meu pai pra virar executiva do Grupo Fontana?

Alice: |Sorri, afrontosa.| Provavelmente algo que você jamais poderia dar a ele... |pausa curta| O meu talento. |Leve riso.| Não tenho culpa se essa empresa não abre espaço pra nepobaby.

Patrícia: |Furiosa, agarra o braço de Alice.| Olha aqui, sua desqualificada-

Alice: |Interrompe, fria.| Não, olhe aqui você! |Solta o braço.| Primeiro: tira essas patas sujas em cima de mim. Segundo: você não tem o direito de invadir minha sala como se ainda mandasse aqui. Eu acho que você não vai querer ter a proeza de perder o emprego sendo quem é, certo?

Patrícia: |Tensa, recuando um passo.| Muito bem. Eu reconheço. Desta vez você venceu. |Aproxima-se novamente.| Mas escute aqui: Isso não vai ficar a-

Alice: |Corta novamente, impiedosa.| -Sem frase de efeito de vilã de novela, tá bom? |Olhar gélido.| Agora, faz um favor... VAZA!

[O instrumental explode. Com um olhar ameaçador, Patrícia vai embora, não sem antes olhar para trás. Sozinha, Alice respira fundo, ajeita o cabelo e encara o próprio reflexo no vidro.]

Alice: |Zoom lento em seu rosto; tom baixo e cortante.| Tonhona...

[O instrumental atinge o auge, cortando bruscamente para o silêncio.]

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CENA 04 | RUAS DE SP - MANHÃ/INT.

[Daniel perambula pelas ruas paulistanas. Carrega uma mochila surrada nas costas e um olhar perdido. De repente, Daniel desacelera o passo. Avista um bonito rapaz parado na esquina — branco, cabelos cacheados e pretos, magro, estatura média —, mexendo no celular. Parece familiar. O coração dele dispara. Parece reconhecer o rosto.

Daniel: |Abre um sorriso, incrédulo.| Meu Deus... Bento? |Se aproxima, surpreso e emocionado.| Quanto tempo!

Bento: |Feliz; guarda o celular e abre um largo sorriso.| Dani... não acredito! |Dá um abraço apertado nele.| Cara, quanto tempo mesmo!

[Os dois permanecem abraçados por um instante. Eles se encaram e sorriem, com nostalgia no olhar. Corta para: eles dentro de uma padaria charmosa do centro. A música ambiente é suave. SFX: jazz.]

Daniel: |Enquanto degusta uma sobremesa.| Nunca pensei em reencontrar um dos melhores namorados que já tive!

Bento: |Entre risadas, tomando um café.| É... você também faz parte da minha coleção de ex-namorados de quem não guardo rancor. |Brinca.| A gente até que terminou bem, vai.

Daniel: |Sincero.| É, terminou. Mas, olha... |Suspira.| Tá difícil. Me formei em um monte de cursos, como cê sabe, já passei por mil empregos... e... não mantive nenhum. |Efeito sonoro: explosão rápida.|

Bento: |Carinhoso; toca de leve na mão dele.| Poxa... sinto muito, Dani.

Daniel: |Lacrimeja; disfarça, olhando para o café.| A vida anda puxada... às vezes parece que nada dá certo.

Bento: |Afetuoso.| Ei... você sempre deu um jeito em tudo. |Sorri com ternura.| Eu lembro daquele Dani teimoso que acreditava em cada sonho, mesmo quando ninguém mais acreditava.

Daniel: |Sorri de canto.| Acho que esse Dani ficou pra trás. Mas confesso que mantenho um pouco de ambição dentro do meu coração...

Bento: |Pensa por um instante; lembra de algo.| Espera... tem uma vaga de secretário e assistente numa das empresas do Grupo Fontana. Um amigo meu trabalha lá, posso falar com ele! Você... quer tentar?

Daniel: |Levanta o olhar, intrigado.| Grupo Fontana...?

Bento: |Animado.| É! Uma das maiores de nosso país. O trabalho é puxado, mas, pelo que sei, o salário é ótimo.

[SFX: suspense. A câmera focaliza lentamente no rosto de Daniel. Ele permanece em silêncio por alguns segundos, o olhar fixo no vazio. Sua expressão mistura emoção, ambição e um leve toque de malícia. O instrumental cresce, atingindo o auge.]

CORTA PARA:

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CENA 05 | CASA DOS SILVEIRA - MEIO-DIA/INT.

[Estão todos almoçando e conversando. SFX: Preocupação.]

Wagner: Você tem certeza que isso pode dar certo, meu filho?

Daniel: Eu tenho que tentar, né, pai? Sei que são uma empresa de renome, mas... Não posso dar o braço a torcer.

Teresa: Daniel tem razão. Além do mais, temos que aproveitar essa onda de "sorte" que nós estamos tendo. Já basta a dona Madalena nos ter dado essa nova chance. Chance essa que o finado seu Messias jamais teria dado.

[Emily presta atenção na conversa. Calada.]

Wagner: |Se benza.| Que Deus o tenha...

[SFX: Terror leve.]

Daniel: |Mentalmente.| (Que o Diabo o carregue)... |Efeito sonoro macabro.|

[A câmera se afasta lentamente deles. O instrumental para de tocar aos poucos.]



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CENA 06 | MANSÃO FONTANA - INT./TARDE

[Em seu quarto, Patrícia observa atentamente o retrato de seu falecido irmão: Patrick Fontana. Ao som de um instrumental de suspense, ela mantém um olhar frio em relação à imagem do finado, mediante ao crescimento da tensão. Ela olha para o horizonte.]

• FLASHBACK •

[Anos antes. SFX: angústia tensa. Patrícia observa Patrick recebendo a segunda maior parte das ações durante uma reunião da empresa. Por conta do instrumental, não dá para ouvir as vozes de todos eles. Com uma inveja triste no olhar, Patrícia assiste seu irmão sendo exaltado pelo seu pai, Romualdo, e os outros acionistas, ao mesmo tempo em que mantém um certo afastamento.]

• FIM DO FLASHBACK •

[Silêncio. Patrícia coloca o retrato de volta no lugar que estava. Calada, se retira do quarto. Só é possível ouvir apenas os sons de seus gestos. Fade-out...]

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CENA 07 | SÃO PAULO - EXT./MADRUGADA 

[Ao som de "QUE PAÍS É ESTE? - LEGIÃO URBANA" (🎵), takes da cidade de São Paulo preenchem as imagens da tela. Dia vai. Noite vem. Dia surge de novo. Noite vem mais uma vez. Por fim, amanhece... Corta para:]

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CENA 08 | GRUPO FONTANA - INT./MANHà

[A câmera se aproximando da empresa do Grupo Fontana. Dentro do local, Daniel espera ser entrevistado, ao lado de outras pessoas, sentado numa das cadeiras das fileiras.]

Secretária: |Com cara de tédio.| Próximo!

[Daniel, com um largo sorriso no rosto e olhar esperançoso, se levanta da cadeira e se dirige à sala da entrevista, enquanto um solene instrumental toca no fundo da cena. Fade-out...]

[Uma semana depois...]

[Fade-in. Um funcionário da empresa se aproxima dos entrevistados, incluindo Daniel, e parece querer comunicar algo.]

Homem: O escolhido foi Everton de Souza, parabéns!

Everton: |Emocionado.| Ai, meu Deus, muito obrigado, senhor, de verdade!

[Todos aplaudem o candidato aprovado enquanto mantêm expressões de desgostos. Já Daniel, apenas observa tudo com um olhar vazio, enquanto um instrumental tenso toca no fundo da cena. Corta para: o rapaz do lado de fora da empresa, chorando. Patrícia observa o moço e se aproxima dele. SFX: Tristeza.]

Patrícia: |Preocupada.| Oi, bom dia, com licença... o que lhe aconteceu?

Daniel: |Enxuga os olhos.| Eu... eu fui reprovado na seleção da vaga de secretário.

Patrícia: |Comovida.| Poxa, eu sinto muito... Eu tinha te observado de longe. Você parece um bom rapaz!

Daniel: Obrigado... É... licença, tá? |Começa a se afastar.|

Patrícia: Hey, espere!

[Daniel olha para trás.]

Patrícia: |Confiante.| Eu tenho a sensação de que essa vaga vai ser sua. Não sei o porquê. Enfim, desculpe o incômodo!

[Daniel parece consentir e dispara um sorriso sem graça. Após isso, ele vai embora. Patrícia segue observadora. A câmera vai se afastando do ambiente... O instrumental chega em seu auge.]

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CENA 09 | CASA DOS SILVEIRA - INT./NOITE

[Daniel está em seu quarto, reflexivo. De repente, ele tem uma brilhante ideia. Pega o celular. Liga para alguém.]

Daniel: |Com o telefone no ouvido.| Alô? Bento? Sim, tô bem, meu querido, e você? Ai, que bom. Olha, preciso da sua ajuda. Quero descobrir todas as informações possíveis do atual contratado. Everton de Souza. Por quê? Não questione. Apenas faça. Por favor. Por tudo que nós vivemos... Tá. Muito obrigado.

[Daniel desliga o celular.]

Daniel: |Diabólico.| Se eu não posso ter este emprego... ele também não pode! |Feição raivosa.|

[Foco no seu rosto com expressão maliciosa enquanto um soundtrack sinistro toca no fundo da cena.]

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CENA 10 | CASA DOS SILVEIRA - INT./NOITE

[Já contratado, Everton chama um motorista de aplicativo perto de um terreno baldio. Enquanto espera, ouve alguns barulhos estranhos.]

Everton: |Assustado.| O que foi isso? Nossa, imagina se eu sou assaltado logo após meu primeiro dia de trabalho. |Ri de nervoso.| Que loucura seria! 

[De repente, cães da raça pitbull surgem na sequência. SFX: tensão total. Os cachorros parecem estar bravos e querendo avançar em Everton.]

Everton: |Tenso.| Meu Deus do céu... Calma, por favor! |Se afasta lentamente.| Olha, vão pra casinha de vocês, não façam isso comigo não.

[A tensão do instrumental atinge o ápice. Os cães, enlouquecidos, partem para cima de Everton com fúria. O som das presas rasgando o ar se mistura aos gritos desesperados dele. Os animais o cercam, rasgando sua carne com violência, e o som dos latidos e do impacto seco ecoam como uma sinfonia macabra. Sangue espirra nas paredes, no chão, na lente da câmera. O soundtrack corta de repente — silêncio total. Fade-out. SFX: terror. Fade-in; corte seco: o jogo de câmeras revela o corpo de Everton — irreconhecível, mutilado, quase eviscerado, cercado por marcas profundas e vestígios do ataque. A imagem escurece abruptamente.]

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CENA 11 | CASA DOS SILVEIRA - INT./MANHà

[Time-lapse: sol, lua, manhã, noite são elementos que compõem os frenéticos takes subsequentes. Corta para: o quarto de Daniel, mais uma vez. SFX: sinistro. A sinfonia segue tocando no fundo. O telefone toca. Daniel atende.]

Daniel: |Em ligação.| Alô? |Sorri.| Não acredito! Sério? Nossa, muito obrigado. De verdade! |Encerra a chamada.|

[Daniel começa a comemorar e pular de alegria.]

Daniel: |Emocionado.| Meu Deus... eu matei dois coelhos numa cajadada só. Isso foi sorte demais pro meu gosto. |Olha para a câmera, extremamente feliz.| EU SOU O MAIS NOVO CONTRATADO DO GRUPO FONTANA!

[A câmera começa a se afastar do ambiente, enquanto Daniel cai numa gargalhada recheada de sentimentos distintos. O pico do soundtrack é alcançado.]

•A IMAGEM CONGELA EM DANIEL ONDE A TELA FICA COMPLETAMENTE VERMELHA•