Silêncio Fatal | Capítulo 01

 


📺🔥 
APRESENTA...
.
.
.
.
.

•

[Fade-in. Sob uma trilha instrumental de suspense e tensão, vemos um take bem rápido de um elevador se movimentando freneticamente. Fade-out.]

[A tela ilumina. Agora vemos alguém caindo de um prédio enquanto grita. A imagem escurece repentinamente.]

[A tela ilumina novamente. É possível ver alguém sendo atropelado rapidamente. Tudo escurece de forma abrupta.]

[A iluminação toma de conta novamente. É possível ver um carro explodir com todo impacto do mundo.]

[A cena corta para: um time-lapse de acidentes de veículos, incêndios e explosões, ao mesmo tempo em que o instrumental de suspense e tensão chega em seu pico.]

[A tela escurece pela última vez e é nos mostrado um livro aparentemente velho largado e abandonado na calçada.]

[Corte de cena onde vários takes aleatórios da cidade de São Paulo, ao som de "SÃO PAULO - THE WEEKND" (🎵); neles, é possível ver os prédios, o trânsito e os pedestres caminhando. A câmera se aproxima de uma humilde residência...]

•

Silêncio Fatal | ☠️📖 | Capítulo 01/20

---
CENA 01 | CASA DOS SILVEIRA • INT./MANHà

Janeiro de 2025... ⌛

[Numa humilde casa, conhecemos a família Silveira, composta por: Wagner (pai), homem branco de cabelos lisos e castanhos, de meia-idade; Teresa (mãe), mulher na casa dos quarenta, preta, charmosa; Daniel (filho mais velho), jovem adulto na flor da idade, branco, na faixa dos vinte e pouco; e Emily (caçula), garotinha bonitinha e fofinha, negra, de aparência adorável; na sequência, os membros familiares aparentemente estão apreensivos, sob um instrumental de preocupação.] 

Wagner: |Reflexivo.| Quatro meses... quatro meses sem pagar o aluguel... e todos nós desempregados!

Teresa: |Consoladora.| Se acalme, meu bem, vai dar tudo certo!

Emily: |Preocupada.| Aquele homem chato vai nos tirar de nossa casinha...?

Daniel: |Se aproxima da irmã.| Claro que não, Emily, não vamos deixar isso acontecer!

Wagner: Não dou nem uma hora pro seu Messias aparecer e dar a ordem de despejo...

[Instrumental de preocupação para de tocar. Batidas na porta. Bem devagar, Wagner vai até lá e abre, se deparando com Messias, o dono do imóvel, homem branco, senhor de idade avançada, mas aparentemente bem de saúde.]

Wagner: |Apreensivo.| B-bom dia, seu Messias!

Messias: |Rígido.| Eu já fui benevolente demais. Vocês têm vinte e quatro horas para saírem do meu imóvel!

[Efeito sonoro: impacto; sonoplastia: instrumental de batidas de coração, misturadas com tensão. Zoom fechado no rosto de cada personagem da cena. Último close é dado em Daniel. Ele esboça uma expressão de derrota. A tela escurece repentinamente.]

---
CENA 02 | GRUPO FONTANA • EXT./MANHà

SUDDENLY I SEE - KT TUNSTALL 🎵.

[Fade-in. Zoom. Grande prédio do Grupo Fontana. Corta para: interior do local. Várias pessoas circulando e/ou trabalhando. Empresa de telecomunicações. A câmera avança para a sala de Alice, uma jovem bonita de cor parda e muito carismática, e uma baita de uma competente funcionária; dentro do local, ela está a conversar com o seu patrão e dono de todo império: Romualdo Fontana, homem pardo na casa dos sessenta anos, mas que se encontra fisicamente bem. A música vai cessando aos poucos, até parar de tocar de vez.]

Romualdo: |Terminando de ler uns papéis.| É, Alice, definitivamente eu tenho que parabenizar o seu talento... você é uma ótima funcionária!

Alice: |Sincera e sorridente.| Obrigada! Convenhamos que eu tinha que evoluir uma hora ou outra, né? Afinal, estou há cinco anos aqui. 

Romualdo: |Admirando a funcionária.| Você sempre autêntica. Às vezes até acho que um cargo de diretora de marketing é tão pouco pra você, sabe...? |Se levanta.| Enfim, tenho que ir! |Aperta a mão de Alice.| Até mais ver, senhorita Alice!

Alice: |Retribui o gesto.| Até mais, seu Romualdo!

[Romualdo se retira da sala de Alice, que esbanja uma alegria sincera — aparentemente devido a sucessão de vitórias dentro do âmbito empresarial do grupo Fontana. Corta para:

---
CENA 03 | CASA DE SEU MESSIAS • INT./MANHà

[Escritório casual de Messias. Wagner tenta dialogar com ele sobre sua situação. Sonoplastia: tensão.]

Wagner: |Desesperado.| Seu Messias, por favor, eu suplico, é só mais um mês!

Messias: |Indignado.| Eu já dei chances demais para vocês! Se não podem pagar, que caiam fora do local!

Wagner: |Aflito.| É sério que não tem mais nada que... o senhor possa fazer?

Messias: |Respira fundo.| Olhe, rapaz... eu posso perdoar a dívida dos últimos quatro meses... mas vocês terão que ir embora em 24 horas! |Olha o relógio.| Aliás... 22h!

[A sonoplastia de tensão chega em seu pico, e a câmera focaliza lentamente na expressão de Wagner, que está visivelmente abalado.]



---
CENA 04 | MANSÃO FONTANA • EXT./MEIO-DIA

HERE COMES THE SUN - THE BEATLES 🎵.

[A câmera se aproxima da fachada da mansão Fontana. Logo em seguida, a cena corta para o interior do imóvel. Na sala de jantar, Romualdo põe-se a almoçar com sua esposa, Kássia Fontana, uma madame de meia-idade, branca, muito bonita, conservada.]

Kássia: |Compreensiva.| É evidente que a Alice Colina tem potencial... mas você acha mesmo que ela merece ser promovida agora?

Romualdo: |Entusiasmado.| Claro que merece! Precisamos dela urgentemente no cargo de executiva, ainda mais depois de tudo o que aconteceu. Tenho confiança nela!

[Mediante a um instrumental de suspense, o volume das vozes dos patriarcas vão abaixando. Ao mesmo tempo e lentamente, alguém se aproxima do cômodo, enquanto o clima sombrio penetra na atmosfera. O suspense some gradativamente, e o jogo de câmeras revela que quem estava no comando da misteriosa sequência era Patrícia, filha do casal da cena em questão. Mulher branca, loira, dos cabelos cacheados e bonita, mas de temperamento forte. Chega de forma invasiva. Uma trilha incidental de impacto toca, enquanto a mesma surpreende os pais com sua presença devastadora, após caminhar de forma impulsiva até eles.]

Patrícia: |Revoltada.| Então é isso, pai? Você vai colocar aquelazinha no cargo de executiva, enquanto sua filha aqui tem dado o melhor no cargo de diretora de operações!?

Kássia: |Tentando apaziguar.| Filha, por favor, se acalme!

Romualdo: |Franco.| E você vai continuar dando tudo de si neste cargo. Afinal, a promoção de alguém não vai anular seu ótimo desempenho!

Patrícia: |Histérica.| Eu realmente não entendo... o que é que ela tem que eu não tenho!? Prefere promover uma desconhecida a ter que passar a confiança pra tua própria família!?

Kássia: |Relutante.| Filha, pelo amor de Deus, pare com isso! 

Romualdo: |Revoltado.| Você tá se comportando feito uma menina mimada! Olhe pra você, já um mulherão de trinta anos! Se comporte!

Patrícia: |Dramática.| Incrível como vocês gostam de me deixar para trás, né? É só ver meu irmão que chegou a ser vice-presidente do Grupo Fontana! Mas claro, ele sempre foi melhor do que eu, né?

Kássia: |Implorando.| Patrícia, por favor...

Patrícia: |Perdida nos argumentos.| É porque o Patrick era homem, não é? Além de ter sido o mais velho... claro que a confiança seria passada pra ele... 

Romualdo: |Se exalta.| JÁ CHEGA DESSE SHOWZINHO, PATRÍCIA! Respeite a memória do seu irmão! E se fosse o caso, a Alice, sendo mulher, não teria sido promovida!

Patrícia: |Baixa.| Sabe lá o que danado ela faz pra conquistar este cargo...

[Romualdo levanta a mão para bater em Patrícia, mas Kássia intervém.]

Patrícia: |Determinada.| VAI, SEU ROMUALDO, VAI! BATE!

[Instrumental de impacto: ápice.]

Kássia: QUERIDO, POR FAVOR!

Patrícia: Não, mamãe, deixe! Quero que ele prove o meu ponto, deixe ele me bater! 

[De repente, o incidental para de tocar. Substituição: trilha dramática. Lacrimejante, Kássia se levanta e se retira da mesa. Romualdo observa a cena. Logo depois, sua atenção volta para Patrícia, com ainda mais revolta. Agora, um instrumental de tensão toca no fundo da sequência.]

Romualdo: |Exaltado.| TÁ VENDO O QUE VOCÊ FEZ!?

Patrícia: |Irônica, porém, ainda magoada.| Eu!? O senhor tentou me agredir! |Respira bem fundo.| E eu não tenho culpa se ele era o favorito.

[Romualdo bate na mesa. O clima pesa. Patrícia se retira da sala de jantar e deixa o pai sozinho, reflexivo. Fade-out lento.]

---
CENA 05 | CASA DOS SILVEIRA • EXT./MEIO-DIA

[Fade-in. Wagner retorna para casa. Encontra sua família à espera na sala. Daniel também, bem como Emily.]

Teresa: |Esperançosa.| Conseguiu!?

[Trilha: instrumental de derrota. Wagner balança a cabeça negativamente. Corta para: Emily correndo pelo corredor em direção ao seu quarto e se trancando no cômodo. Corte de volta para a sala.]

Daniel: |Revoltado.| Isso tudo é culpa daquele velho patife!

Wagner: |Aceitando a realidade.| Ah, meu filho... a culpa é da vida! O seu Messias está no direito dele. Ele foi benevolente até demais...

Teresa: |Suspira.| Eu vou... ver a Emily!

[Teresa sai de cena a fim de confortar sua filha. Wagner se senta ao lado de Daniel e escora sua cabeça no primogênito. O pico do instrumental é alcançado e a cena finaliza.]

---
CENA 06 | RUAS DA CIDADE • EXT./TARDE 

[Mais tarde, Daniel perambula pelas ruas, provavelmente sem rumo. De repente, algo prestes a cair num bueiro chama a atenção: um livro. Uma ventania sinistra em formato de soundtrack toca no fundo da cena. Sob um clima de suspense, Daniel recolhe o objeto e começa a se afastar do ambiente.]

[A cena corta para: Daniel numa padaria, sozinho numa mesa; ainda com o soundtrack tocando no fundo, o protagonista começa a abrir as páginas, porém, estão todas em branco, sem nada escrito; ele observa uma lixeira e cogita em jogá-lo no lixo, mas logo muda de ideia, e coloca o objeto na sua mochila e se retira do estabelecimento.]

[Corte de cena onde Daniel já está no seu quarto; no cômodo, ele decide averiguar o livro com calma. Ao espiar as últimas páginas, ainda com um instrumental de suspense fazendo presença, o protagonista encontra algo sinistro: nomes completos de algumas pessoas e uma impressão digital de sangue ao lado de cada nome.]

Daniel: |Em pensamento.| (Que estranho... mas o que significa isso)!? |Horrorizado.| Espera... oh, meu Deus... mas... essa tal de Sueli Venâncio... já morreu! |Nervoso.| Não, não pode ser...

[Daniel continua observando as derradeiras páginas atentamente e começa a entender o que elas significam.]

Daniel: |Mais calmo.| Agora eu entendi... |Tendo uma ideia.| Será que...? Não... seria viajado demais... |Abre um sorriso malicioso.| Mas... não custa tentar, né...?

[Em rápidos takes, vemos Daniel pegando um documento, parecendo um contrato de aluguel, enquanto o mesmo observa alguma coisa na folha. Rapidamente, ele retorna para o quarto e sua atenção se volta para o livro.]

[O instrumental de suspense se intensifica fortemente ao mesmo tempo que Daniel, com uma certa ansiedade, escreve o nome de alguém em específico; logo em seguida, ele espeta o próprio dedo com uma agulha e coloca sua impressão digital, molhando com seu sangue.]

Daniel: |Expressão diabólica.| Pronto... espero que dê certo!

[Daniel continua sorrindo maleficamente, enquanto o pico do instrumental é alcançado. Logo em seguida, a tela escurece abruptamente.]

---
CENA 07 | CASA DE SEU MESSIAS • INT./NOITE

[Seu Messias apaga o abajur do escritório e caminha pelos corredores silenciosos. A casa parece maior e mais sombria à noite. Na cozinha, a lâmpada pisca antes de acender. Ele prepara dois pães na frigideira, sem perceber a goteira que pinga perto de uma tomada exposta e encharcada.]

[Sonoplastia: suspense. O chiado da manteiga fritando cobre o som da água caindo. Messias leva o prato à mesa. Por um triz não pisa na tomada molhada — o suspense cresce, mas ele passa ileso. Senta, come devagar e acaba adormecendo sobre o prato vazio. Silêncio total.]

[Algumas horas depois, desperta tossindo.]

Messias: |confuso| Que cheiro é esse...? |apavorado| É GÁS!

[Efeito sonoro: impacto! Ele corre até o botijão, mas pisa na poça elétrica. Um clarão toma conta do ambiente. Seu corpo é atravessado por uma descarga brutal. Ele grita, os músculos contraem, os olhos reviram. A pele começa a queimar e rachar em bolhas, soltando fumaça. Seus dentes rangem até quebrar, e a língua escura escapa da boca. O corpo cai no chão convulsionando, até ficar imóvel. A trilha para de tocar. O silêncio dura segundos.]

ROCK AND ROLL - LED ZEPPELIN (🎵).

[Então o gás acumulado encontra o fogo. Uma explosão violenta sacode a casa. As paredes se rompem, as janelas estouram, no ritmo da música. O corpo de Messias é engolido pelas chamas, reduzido a nada, enquanto a trilha sonora chega no refrão. A residência inteira queima. Corte de cena: takes noturnos da cidade são mostrados, ao mesmo tempo em que "Rock and Roll" segue tocando. Por fim, a música vai cessando, enquanto ela é pega por um efeito lento. A imagem escurece lentamente, conforme a trilha acaba...]

---
CENA 08 | CASA DOS SILVEIRA • INT./MANHà

[A câmera se aproxima da casa dos Silveira. Na sequência, corte de cena do interior da casa. Lá, Wagner parece apreensivo, enquanto está numa ligação.]

Wagner: |Na ligação.| Eu entendo... Está certo. Olha, de verdade, eu sinto muito mesmo, tá? Certo, certo... Tenha um bom dia.

[Teresa se aproxima do marido.]

Teresa: |Curiosa.| E então, o que era?

Wagner: |Chocado.| Vocês não vão acreditar...

[Daniel também se aproxima.]

Daniel: |Intrigado.| O que aconteceu!?

[Wagner permanece em silêncio enquanto um leve instrumental tenso toca na cena.]

Daniel: |Desesperado.| Fala, pai!

Wagner: |Nervoso.| É...

Teresa: |Angustiada.| Vai, querido!

Wagner: |Misto de sentimentos.| O seu Messias... ele... ele morreu! Foi uma tragédia!

[A câmera dá um zoom na expressão de horror de Daniel enquanto um soundtrack explosivo toca no fundo da sequência. Em seguida, take em Teresa, que está visivelmente abalada.]

Teresa: |Chocada.| Jesus, que horror! Mas o que aconteceu...?

[Enquanto Wagner começa a revelar, o volume das vozes dele e de Teresa vão abaixando, ao mesmo tempo que Daniel sai da sala de fininho, indo até o seu quarto, ainda sob o soundtrack explosivo.]

[Já em seu cômodo, Daniel abre a gaveta de seu guarda-roupa e observa seu livro com um certo fascínio.]

Daniel: |Tendo várias sensações.| Eu não acredito que deu certo...

[Daniel segue observando o livro enquanto sorri diabolicamente. A câmera focaliza no objeto enquanto o pico do instrumental é alcançado.]

•A IMAGEM CONGELA EM DANIEL ONDE A TELA FICA COMPLETAMENTE VERMELHA•