Sombras do Passado - Capítulo 04 | Edição Especial

 


*[⏳] ● CENA 01 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[A câmera foca na frente da casa de Madeleine. Lá dentro, o protagonista está em sua biblioteca, como de costume, tomando uma xícara de café. De repente, Rosa, a empregada, vai até o patrão, parecendo apressada.]


Rosa (ofegante): Senhor Madeleine, aquele homem está aí novamente. 


Madeleine (confuso): Que homem?


[Antes que ela possa responder, Xavier entra sorrateiramente no cômodo.]


Xavier (sério): Eu, senhor Madeleine!


Madeleine (pálido): O... O senhor de novo!


Rosa (aflita): Mas eu pedi para o senhor esperar na sala.


Xavier (encarando Madeleine): Eu preciso dar uma palavrinha com o senhor. Serei breve!


[Madeleine hesita por um momento, mas logo consente.]


Madeleine (preocupado): Está bem. Nos dê licença, Rosa.


Rosa: Certo, senhor. 


[A mulher se retira, deixando os dois homens cara a cara. Um instrumental de tensão acompanha a cena.]


Madeleine (tentando camuflar o pânico): E então, inspetor, o que desejas? Não me diga que veio me caluniar mais uma vez...


[Xavier nada responde, apenas continua o encarando. Para a surpresa de Madeleine, o inspetor se ajoelha aos seus pés, simulando choro.]


Madeleine (confuso): Mas... O que está acontecendo com o senhor? Estou cada vez mais convicto de que você é um louco.


Xavier (levantando-se, olhando nos olhos do prefeito): Me perdoe, Madeleine... Me perdoe. Eu... Eu fui precipitado e crucifiquei o senhor sem provas sólidas. 


Madeleine (ainda mais confuso): Isto nós dois concordamamos, agora, se não tem mais nada para falar, pode se retirar.


Xavier (ignorando suas palavras): Eu agi como um tolo... Mas não se preocupe, não irei voltar a importuná-lo. Acusei o senhor de ser um assassino, mas, agora, sei que não é... |Olha nos olhos de Madeleine.| O verdadeiro Serafín Machado foi capturado!


[Ao ouvir isso, Madeleine cambaleia, e seus olhos esbugalham-se. O instrumental chega ao seu ápice.]


Madeleine (gago): Capturado? Então... Pegaram o assassino?


Xavier: Sim, senhor. Ontem à noite recebi um telefonema. O homem foi pego roubando pães em uma padaria, em uma cidade vizinha à Vila Esperança. Os cidadãos locais logo o reconheceram, e o mesmo fora capturado. Agora, finalmente, a justiça será feita!


[Madeleine, completamente desnorteado, tenta processar a informação. Xavier se satisfaz, percebendo o incômodo do prefeito.]


Xavier: Bom... Era só isso que tinha para falar-lhe, prefeito. Até mais ver! E, mais uma vez, desculpe-me pelas graves acusações.


[O homem vira as costas e esboça um sorriso malicioso, deixando Madeleine para trás, que nada diz. Ao atingir uma certa distância, ele começa a sussurrar.]


Xavier: Eu vou te pegar, maldito assassino de crianças...


[Ele finalmente se retira. Madeleine, sozinho em sua biblioteca, começa a ficar sem ar.]


Madeleine (desesperado): Não é possível... Não é possível, meu Deus!


[A câmera foca em seu semblante de desespero, e se afasta, logo em seguida. O instrumental tenso se dissipa.]


*[⏳] ● CENA 02 ● TABERNA DOS TAVARES ● INTERNO ● TARDE ● [⏳]*


[Na taberna, Valentin e Carlota estão em seu quarto, com várias notas de dinheiro, aos risos.]


Carlota (gargalhando): Ai... A idiota da Fátima ainda vai nos tirar da miséria.


Valentin: Este dinheiro dá para a reforma e ainda sobra para alguns luxos. Sacada de mestre inventar que a pretinha está moribunda. 


[Os dois se entreolham, sorrindo satisfeitos. Eles se deitam por cima das notas, enquanto um instrumental aleatório começa a tocar. A tarde corre e logo a noite cai.]


*[⏳] ● CENA 03 ● RUA DESERTA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*


_🎶 • Lua Branca • Maria Bethânia_


[A câmera passeia por algumas ruas de Monte Velho. A movimentação é escassa. Apenas alguns automóveis passam por ali. Uma figura solitária perambula por um beco lamacento. É Fátima, que se dirige para a casa de Margot. Ela veste roupas curtas, que não são suficientes para protegê-la do pequeno sereno que começa a cair. O frio intensifica a sua tosse. Neste momento, um grupo de homens que passam por ali percebem a sua vulnerabilidade. Entre risadas maliciosas, eles começam a segui-la, e seus risos cruéis se transformam em gargalhadas. Fátima, movida por uma mistura de raiva e desespero, tenta ignorar a provocação, mas o cerco se aperta.]


Homem 1 (se aproximando, rindo): Olha só o que temos aqui... Uma dama da noite sofrendo no frio.


Homem 2 (zombando): Essa tosse de cachorro deve ser contagiosa, não acham?


[Fátima para, encarando-os, com olhos flamejantes.]


Fátima (assustada): CALEM A BOCA, SEUS VERMES! IMUNDOS!


[A resposta desafiadora de Fátima provoca risadas ainda mais altas.]


Homem 3 (com raiva): A única imunda aqui é você... Prostituta desgraçada!


[Incapaz de suportar a humilhação, ela começa a chorar. Os três homens se aproximam.]


Homem 1 (malicioso): Já que você é uma prostituta... Vamos ver se aguenta nós três. 


[Os três se entreolham, sorrindo, e se aproximam mais ainda de Fátima. Neste momento, tomada de fúria, ela se lança contra eles com todas as suas forças, lhes acertando tapas e socos.]


Fátima (urrando): DESGRAÇADOS! 


[Por um breve momento, a fúria parece ser suficiente para afastá-los, mas um rápido e brutal chute a faz cair rapidamente.]


Homem 2 (furioso): Agora você vai aprender uma lição, marafona infeliz!


[Fátima, caída no chão, tenta se levantar, mas logo é atingida por dezenas de chutes vindos dos três homens, que riem descontroladamente, de maneira sádica e brutal.]


Fátima (soluçando, sem forças): Parem...


[Com um esforço agonizante, ela consegue se levantar e, com lágrimas nos olhos, busca algo para se defender. Ela pega pedras do chão e as lança na direção dos agressores. Uma pedra encontra o alvo, atingindo um dos homens, cortando a sua testa e fazendo-o sangrar e gritar de dor.]


Homem 3: MISERÁVEL!


[Neste instante, o delegado local, que passava por ali, chega ao beco, iluminado apenas pelo brilho fraco dos lampiões de rua.]


Delegado (severo): O que está acontecendo aqui?


[Os três homens apontam para Fátima.]


Homem 1: Essa prostituta nos atacou, senhor. Ela é uma criminosa!


Fátima (desesperada, com dor): NÃO! Senhor... Eles estavam me importunando... ELES ME ATACARAM, ME ESPANCARAM! Eu só estava me defendendo!


Delegado: Você acha mesmo que eu devo confiar em uma prostituta arruaceira? 


Homens 1 e 3: É verdade, delegado, ela é um perigo para a sociedade.


Fátima (desesperada): NÃO, DESGRAÇADOS! 


Delegado: CHEGA! Pare de falar, prostituta, você está presa. 


[Ao ouvir isso, Fátima fica pálida. A câmera foca em seu olhar atordoado e sofrido, e em seus olhos esbugalhados.]


Fátima (atordoada): Não... O senhor não pode fazer isso!


Delegado: Não só posso, como já fiz.


[Ele empunha um par de algemas. Os três homens aproveitam o momento de distração para fugirem dali.]


Fátima (com sua tosse aumentando): Não, delegado... Por favor, POR FAVOR... EU NÃO FIZ NADA!


[O delegado não lhe dá ouvidos e a algema. Neste momento, é visto um homem que passava por ali se aproximando. É Madeleine, que presencia toda a cena.]


Madeleine (curioso): O que está acontecendo aqui, delegado?


Delegado: Estou prendendo esta arruaceira, senhor prefeito. Foi capturada importunando três cidadãos de bem. 


Fátima: NÃO! AQUELES HOMENS ESTAVAM ME ATACANDO. EU NÃO FIZ NADA!


[Fátima cai, aos prantos. Seu estado é cada vez mais crítico. Madeleine se compadece.]


Madeleine: Solte a moça, delegado. Aparentemente está doente. 


[O delegado, ofendido, se aproxima do prefeito.]


Delegado: Olhe aqui, meu prefeito, o senhor não pode me impedir de cumprir com o meu trabalho.


Madeleine (insistente): Eu não estou lhe impedindo, senhor delegado. Apenas estou vendo que a moça está em um estado crítico. Deveria ser levada para o hospital, não para a prisão.


[Neste momento, Fátima levanta-se, com dificuldade, e caminha em direção ao prefeito. Ao ficar cara a cara com o mesmo, ela cospe em sua cara, deixando-o em estado de choque.]


Fátima: EU NÃO QUERO A AJUDA DE UM HOMEM COMO O SENHOR! POR SUA CAUSA EU PERDI O MEU EMPREGO, SEU VERME!


Madeleine (limpando-se): Tenha calma, senhorita. Eu não tenho nada a ver com as demissões que ocorrem em minha fábrica. 


Delegado (os interrompendo): Bom, se já acabaram a conversinha, vou levar a delinquente. Licença, senhor.


[Fátima chora. O delegado, frio, a puxa pelas algemas.]


Madeleine (decidido): Permita-me acompanhá-los. Eu não irei permitir que esta moça doente sofra maus tratos. 


[O delegado consente e os três se afastam. Neste momento, é mostrado que uma quarta pessoa observa a cena ocorrida. É Xavier, que sorri maliciosamente e começa a seguir os três.]


*[⏳] ● CENA 04 ● DELEGACIA ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*


[Minutos depois, já na delegacia, o delegado prepara-se para levar Fátima para a cela.]


Delegado: Não há mais o que discutir. Essa prostituta passará, no mínimo, uma semana atrás das grades.


[Fátima, cada vez mais debilitada, cai aos prantos.]


Madeleine (implorando): Delegado, por favor, reconsideremos isso. Esta mulher não merece ser presa.


Delegado (arrogante): As leis são claras, Senhor Prefeito. Ela cometeu um crime... Importunou e atacou três homens, provavelmente porque não quiseram o seu corpo. 


[Fátima, tossindo incessantemente, interrompe a discussão.


Fátima (ofegante): Por favor, delegado... Não posso ser presa. Tenho uma filha... Uma filha que depende de mim.


[A confissão de Fátima causa um leve desconforto em Madeleine.]


Madeleine (olhando para o delegado) Veja, ela é mãe. Certamente, há outra maneira de resolver isso.


[O delegado abre um sorriso sarcástico.]


Delegado: Me poupem desse teatrinho ridículo...


[Fátima, desesperada, tenta se explicar.]


Fátima (entre lágrimas): Há oito anos, deixei minha filha com um casal que cuida bem dela. Todo mês envio dinheiro. EU NÃO POSSO SER PRESA!


[O delegado ignora as palavras de Fátima.]


Delegado (zombando): Mensalmente, você diz? Como se isso a isentasse de seus atos? |Balança a cabeça.| Não há nada que livre a sua pele.


[A pressão emocional atinge Fátima, que entra em desespero.]


Fátima (berrando): EU NÃO MEREÇO ISSO!


[Tossindo violentamente, ela desmaia.]


Madeleine (alarmado): Ela precisa de ajuda médica imediatamente. CHAME JÁ UMA AMBULÂNCIA, DELEGADO!


[O delegado consente. Logo o socorro chega e Fátima é levada.]




[Minutos mais tarde, depois que Fátima finalmente é socorrida, Madeleine sai da delegacia. O homem está cansado, em decorrência do longo diálogo com o delegado e da ajuda que prestara a mulher. O calor é forte. Ele abre um pouco de sua camisa, deixando parte de seu peito cabeludo exposto. Antes que possa se afastar do local, é abruptamente surpreendido por uma abordagem. É Xavier, que a tudo observava. O inspetor sorri, maliciosamente, enquanto o prefeito engole o seco, assustado e ansioso.]


Madeleine (abalado): Inspetor... O senhor novamente...


Xavier (dissimulado): Caro Madeleine... O que o senhor fazia na delegacia uma hora dessas? Perdoe-me a curiosidade, mas... Aconteceu algo?


Madeleine (breve): Não se preocupe, inspetor, está tudo bem. Agora, se o senhor me permite, preciso ir para casa. 


[Ignorando as palavras do ex-presidiário, Xavier se aproxima, deixando Madeleine ainda mais incomodado.]


Xavier (demonstrando curiosidade): Está tudo bem, prefeito? Sinto que o senhor está levemente incomodado com a minha presença. 


Madeleine (mentindo): Estou apenas cansado, o senhor deve entender. 


Xavier: Claro...


[Antes que possa falar mais alguma coisa, os olhos de Xavier flagram algo que o deixa perplexo. Ele encara algo no peito de Madeleine. É uma mancha em formato de estrela. Automaticamente, vários flashes passam pela sua cabeça.]


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● PRESÍDIO (CELA DE MADELEINE) ● NOITE ● [🕰]*


[Em uma cela pouco iluminada, Madeleine (Serafín Machado) está desesperado, lutando para ser libertado.]


Madeleine (gritando): ME TIREM DAQUI, PELO AMOR DE DEUS! EU NÃO SOU UM ASSASSINO...! |Começa a chorar.| EU NÃO SOU!


[Neste momento, Xavier entra na cela com um olhar frio.]


Xavier (cruel): Seu choro não vai mudar nada, Serafín. CALE ESSA BOCA!


[Madeleine continua aos prantos. Ignorando os seus apelos, Xavier lhe desfere um chute violento, fazendo-o cair ao chão.]


Madeleine (gemendo): Por favor, pare... PARE!


[O inspetor, impiedoso, continua a espancar Madeleine, indiferente aos seus pedidos. Entre os golpes, Xavier nota uma mancha em formato de estrela no peito de Madeleine. A mesma que ele acabara de ver no tempo presente.]


Xavier (com sarcasmo): O que é isso? Uma estrela da sorte? Parece que ela não está fazendo um bom trabalho para você.


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[A lembrança se desfaz. Quando Xavier cai em si, Madeleine já caminha longe. O mesmo o encara friamente, e um sorriso brota em seu rosto.]


Xavier (sussurrando): A sua hora está chegando, maldito!


[A imagem escurece.]


*[⏳] ● CENA 05 ● HOSPITAL ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*


[Vários takes com corredores de um hospital são mostrados. Em um quarto, Fátima encontra-se deitada em uma cama, pálida e frágil. Ela murmura palavras desconexas enquanto delira, provavelmente como efeito de uma forte febre.]


Fátima (sussurrando, gemendo): Quem é você? 


[Ela agoniza. Seu estado é crítico.]


Fátima (ainda delirando): É você, filha? Oh, meu amor... Venha cá, me abrace...


[Neste instante, uma enfermeira entra no quarto e verifica sua temperatura. A febre persiste. A câmera foca no rosto pálido e desacordado de Fátima. A câmera se afasta. A noite corre rapidamente e logo é dia novamente.]


*[⏳] ● CENA 06 ● CASA DOS TAVARES ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[A câmera foca na fachada da casa dos Tavares. Ao adentrar, é mostrado que a família está tomando café da manhã, com exceção de Coraline, por motivos óbvios, e Galileu, que está no quarto onde dorme com Eleonor e Adelaide. O garoto, aproveitando o fato de estar sozinho, explora entre as roupas e pertences de suas irmãs. De repente, ele encontra uma peça de vestuário de Eleonor, uma delicada e rendada saia.]


Galileu (sussurrando): É magnífica... Será que... Eu posso provar?


[Movido pela curiosidade, Galileu decide experimentar a saia. A peça, um pouco grande para ele, arrasta-se pelo chão enquanto ele dá passos desajeitados. O garoto se depara com um espelho e, ao se observar, seus olhos brilham com fascínio.]


Galileu (sorrindo): Pareço um príncipe... Ou talvez uma princesa.


[No ápice de sua diversão, a porta se abre abruptamente, revelando Carlota, que se espanta com a cena presenciada. Galileu entra em desespero.]


Galileu (pálido): Mãe, eu... Eu...


Carlota (incrédula): O que diabos você está fazendo, Galileu?


[Galileu, tomado de medo, tenta se explicar.]


Galileu (com voz trêmula): Eu... Só estava brincando, mãe. Não tem mal nenhum nisso.


[Os olhos de Carlota se estreitam. Ela se aproxima rapidamente do filho, com fúria no olhar.]


Carlota (furiosa): Essa não é uma brincadeira apropriada para um menino! TIRE ISTO IMEDIATAMENTE, MOLEQUE!


Galileu: Mãe... 


[Antes que Galileu tenha a chance de continuar, a mão de Carlota desce com força, lhe desferindo um tapa. O menino leva as mãos ao rosto, chorando.]


Carlota: EU JÁ MANDEI VOCÊ TIRAR ISTO, GALILEU! OU VOCÊ QUER LEVAR CHICOTADAS COMO UM NEGRO ESCRAVIZADO?


[Ao ouvir os barulhos da discussão, Valentin vai até o quarto para averiguar o que está acontecendo. Eleonor e Adelaide vão atrás.]


Valentin (ao presenciar a cena): MAS O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?


Galileu (soluçando) Eu só... Eu só queria me divertir.


[Carlota se vira para Valentin, que observa a cena com desaprovação.]


Carlota (explosiva): Valentin, faça alguma coisa imediatamente. O seu filho está se comportando como uma vergonha.


[Valentin nada responde, apenas se aproxima do filho.]


Valentin (com severidade): Galileu, isso não é aceitável. Homens não se vestem assim.


Galileu (com medo): Mas eu gostei de me ver assim, pai...


[Incrédulo com o que acabara de ouvir, Valentin também lhe desfere um tapa, fazendo-o cair.]


Valentin: VOCÊ NUNCA MAIS REPITA ISTO, MOLEQUE!


Galileu (gritando): EU GOSTO DE COISAS DE MENINAS, POR QUE ISSO É TÃO ERRADO?


Carlota (desacreditada): CHEGA! EU NÃO VOU TOLERAR QUE ESSE MENINO FALE TAMANHOS ABSURDOS!


[Ela pega uma corda e começa a desferir fortes golpes em Galileu, que grita de dor, enquanto é impedido de soltar-se pelo pai.]


Carlota: ISTO É PARA APRENDER A PORTAR-SE COMO GENTE! 


[Na porta do quarto, Eleonor e Adelaide observam a cena, aterrorizadas.]


Eleonora (sussurrando para Adelaide): Por que estão machucando o Galileu?


[A irmã nada diz. Galileu, completamente sem forças, finalmente é liberado do castigo.]


Galileu (corajoso): EU ODEIO VOCÊS, E QUERO QUE OS DOIS MORRAM!


[Após falar isso, ele salta por uma janela e corre em direção à floresta.]


Valentin: VOLTE AQUI, GALILEU!


Carlota (dura): Deixe, Valentin. Podemos ter a sorte desse estorvo ser devorado por animais. 


[A câmera foca no olhar frio da mulher para o marido.]


*[⏳] ● CENA 07 ● HOSPITAL ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*


_🎶 • Linda Flor (Yaya) (Ai, Yoyo) • Gal Costa_ 


[Após uma breve vista panorâmica de Monte Velho, que desperta em mais um dia, a câmera foca no hospital em que Fátima está internada. Ao adentrar-se, é mostrado um homem na recepção, aguardando ansiosamente. É Madeleine. De repente, uma enfermeira se aproxima.]


Enfermeira (prestativa): Queira me acompanhar, Senhor Madeleine. |O guia até o quarto de Fátima.| É por aqui.


Madeleine: Claro!


[Os dois entram no quarto. A mulher está dormindo, pálida, em um estado lamentável. O prefeito se aproxima, compadecido.]


Madeleine (preocupado): Meu Deus... Está muito abatida. 


Enfermeira: Ela apresenta um caso de pneumonia aguda grave. Como provavelmente demorou meses para procurar ajuda médica, os pulmões estão bastante afetados. O seu estado é muito complicado. 


[Madeleine nada diz, apenas observa Fátima.]


Enfermeira: Bom, vou deixar o senhor um pouco sozinho com ela. 


Madeleine: Obrigado. 


[Ele se aproxima de Fátima. Olhando em seus olhos fechados, ele se compadece ainda mais.]


Madeleine (passando levemente a mão em seu rosto): Tão jovem...


[Neste momento, Fátima começa a despertar. Ela abre os olhos, com dificuldade. Sua tosse ainda é persistente, deixando-a mais debilitada.]


Fátima (assustada, com dificuldade): Prefeito... O que o senhor quer? Eu... Eu preciso ir embora... A minha filha precisa de mim.


Madeleine (cuidadoso): Tenha calma... Primeiro você precisa ficar bem.


Fátima: Não... Eu não quero ficar bem... EU PRECISO CUIDAR DA MINHA FILHA!


Madeleine: Olhe, Fátima... Eu entendo a sua aflição, mas-...


Fátima (interrompendo): O senhor não entende... Enquanto eu estiver aqui, a minha filha estará precisando de mim. Eu... Eu preciso buscar a minha Coraline!


Madeleine: Tenha calma... Por favor. Vai ficar tudo bem, eu lhe garanto. 


Fátima: Por que o senhor está me ajudando? Remorso por terem me demitido de sua fábrica?


Madeleine: Eu me compadeci com a sua situação, Fátima... Estou disposto a lhe ajudar no que for necessário, inclusive... Eu posso buscar a sua filha e lhes dar uma vida digna.


[Neste momento, os olhos de Fátima se enchem de esperança.]


Fátima (com os olhos marejados): O... O senhor faria isso por mim?


*[A câmera foca no olhar debilitado de Fátima, agora cheio de expectativas.]*