Fogo no Rabo - Capítulo 4 da reprise


*_CAP. 4: A VERDADE NUA E CRUA_*

*(CENA 1/LOCAL DESERTO)*

ISRAEL (GRITANDO): MAS O QUE RAIOS A MINHA MÃE ESTÁ FAZENDO AQUI?

Jéssica se aproxima do carro em que eles estão. Israel desce e vai de encontro a ela.

ISRAEL (GRITANDO): MÃE?! O QUE TÁ ACONTECENDO?!

Jéssica nada responde e somente o encara.

ISRAEL (GRITANDO): FALA ALGUMA COISA!

JÉSSICA (GRITANDO/CHORANDO): FILHO... EU FIZ TUDO POR AMOR, ME DESCULPA.

Jéssica escorre as lágrimas.

JÉSSICA (GRITANDO): CHEGOU A HORA DE CONTAR O QUE TENHO PRA TE CONTAR DA FORMA MAIS LINDA E BRANDA A SE DIZER: O ALAN É MEU FILHO. 

Israel fica depenado.

*(CENA 2/HOSPITAL)*

Ítalo chega ao hospital. Júnior corre atrás.

ENFERMEIRA: SENHOR, FIQUE ONDE ESTÁ. ELE PASSARÁ POR UMA CIRURGIA. 

JÚNIOR: NÃO, MAS ELE É MEU AMOR. PRECISO ACOMPANHÁ-LO.

ENFERMEIRA: ELE PODE SER ATÉ O SEU PAPA. DÁ LICENÇA. 

Os médicos levam Ítalo às pressas para a UTI. Júnior se desespera e decide ligar para a família de Ítalo pelo celular do careca.

Em outra ala do hospital, Gabriel espera por notícias de Samuela.

GABRIEL (APREENSIVO): Tia Brisa, tia Brisa, e aí, como está a minha mãe?!

Brisa começa a chorar desesperadamente e cai dura no chão. Thaigo vai socorrê-la. Uma psicóloga se aproxima de Gabriel e o leva para uma sala separada.

PSICÓLOGA: Gabriel, venha cá. O que vou lhe dizer é algo muito forte, mas, que infelizmente faz parte da vida.

GABRIEL: O que aconteceu com minha mãe Samuela?!

PSICÓLOGA: A sua mãe, infelizmente... virou estrelinha.

GABRIEL (CHORANDO): O que?! Não! Não pode ser?! Você tá dizendo que a minha mãe pegou uma viagem com Elon Musk?

PSICÓLOGA: NÃO, NÃO. ELA FOI PRO ANDAR DE CIMA. 

Ela aponta pro teto.

GABRIEL: Então vamos subir as escadas e chegar até lá. Eu já morei em um prédio, sei como é.

PSICÓLOGA: Não, meu cachorrinho lindo. Entenda: sua mãe já era. Pluft. Escafedeu-se. M-o-r-r-e-u.

Gabriel fica pálido. Thaigo, do lado de fora, ouve um grito avassalador que quebra a vidraça da janela.

Gabriel se desespera. Ele quebra tudo dentro do hospital. A psicóloga tenta acalmá-lo. Gabriel arranca os cabelos da psicóloga. Gabriel a morde. Gabriel come um pedaço de sua orelha. Ele a mastiga. 

GABRIEL (GRITANDO): ISSO É PRA VOCÊ APRENDER A NÃO FALAR DA MINHA MÃE!

Gabriel se retira da sala separada. Ele corre até Brisa.

GABRIEL (CHORANDO): TIA BRISA, É VERDADE O QUE AQUELA LACRASTES DISSE? A MINHA MÃEZINHA MORREU???

Brisa se comove. Ela o abraça fortemente. 

BRISA (CHORANDO): ÓH, MEU AMOR. SUA MÃE TÁ NUM LUGAR MELHOR AGORA...

GABRIEL (GRITANDO/CHORANDO): NÃOOOOO! JÁ NÃO BASTA EU NÃO TER UM PAI, AGORA EU NÃO TENHO MAIS UMA MÃE?! ISSO É INJUSTO! POR QUE TUDO ISSO TÁ ACONTECENDO COMIGO?

BRISA (GRITANDO): POIS SAIBA QUE SUA MÃE FOI MORTA POR ESSE SEU PAI. AQUELE ALAN NÃO VALE NADA! QUE ÓDIO! EU SERIA CAPAZ DE MATAR AQUELE INFELIZ.

GABRIEL (CHORANDO): A MINHA VIDA É UMA ILUSÃO. SOU UM SER SEM NINGUÉM. SOU APENAS UM MERO CACHORRINHO DE RUA!

BRISA (CHORANDO): MAS CALMA, MEU AMOR. A DINDA TÁ AQUI! EU VOU CUIDAR DE VOCÊ COMO SE VOCÊ FOSSE MEU FILHO!

Thaigo se aproxima.

BRISA (CHORANDO): TAMBÉM TEM O THAIGO QUE SERÁ UM IRMÃO PARA VOCÊ. NÃO CHORE, QUERIDO!

GABRIEL (RECUPERADO): Beleza, então me paga um combo de 2 anos do Globoplay, 1 ano grátis e outro totalmente pago. Preciso assistir minhas novelas.

Brisa chora de dor e pega em seu bolso. Brisa, Gabriel e Thaigo se abraçam.

*(CENA 3/LOCAL DESERTO)*

ISRAEL (INTRIGADO/GRITANDO): COMO ASSIM O ALAN É SEU FILHO?! DO QUE A SENHORA TÁ FALANDO?!

JÉSSICA (GRITANDO): EU TROQUEI, EU TROQUEI VOCÊ E O ALAN AO NASCEREM, LÁ NA MATERNIDADE. É UMA LONGA HISTÓRIA....

Israel fica em choque. Jéssica começa a contar tudo. A narrativa se perde nas memórias dela.

_FLASHBACK_

*RIO DE JANEIRO, 2002.*

Jéssica está escrevendo uma linda cartilha de Natal para os colegas da faculdade. Ela vai até Vitória. 

JÉSSICA: Tome, é seu.

VITÓRIA (FELIZ): Que fofo! Muito obrigada, miga! Amei mesmo. 

Vitória irradia. Ela põe a mão sobre sua barriga. É possível ver que ela está grávida.

VITÓRIA (FELIZ): Olha, mas pode deixar, hein?! Ainda nesse Natal eu vou retribuir toda a sua gentileza.

Jéssica passa a mão sobre sua barriga. Ela também está grávida. Close no olhar sério de Jéssica. 

VITÓRIA (FELIZ): Amiga? Tá tudo bem?

JÉSSICA: SIM! SIM! CLARO! Que tal um jantar entre as nossas famílias no natal?

Vitória concorda de bom grado. Jéssica dá um sorriso turvo.

*RIO DE JANEIRO, 24 DE DEZEMBRO DE 2002.*

Gerônimo, esposo de Jéssica e Antônio, marido de Vitória, celebram com elas a chegada do Natal.

VITÓRIA: MUITA SAÚDE PROS NOSSOS BEBÊS!

Vitória dá uma golada numa taça de champagne. Jéssica a olha com satisfação. Minutos depois, Vitória está desacordada em cima da mesa. Antônio não se encontra presente.

JÉSSICA (GRITANDO): RÁPIDO, GERÔNIMO! LEVE A VITÓRIA PARA O HOSPITAL, ELA VAI MORRER!

Gerônimo, no desespero, vai com Vitória até o hospital. Jéssica se olha no espelho toda se sentindo, toda garanhona. Ela vai até o quarto da casa e tranca a porta. Na cama, Antônio está despido, esperando-a. Jéssica se joga na cama, satisfeita. A câmera se afasta e é possível ver só a sombra dos dois. Gemidos e gritos são perceptíveis.

*RIO DE JANEIRO, 1° DE JANEIRO DE 2003.*

Após o ocorrido no natal, Vitória ficou internada no hospital para cuidar de sua gravidez. Jéssica e Gerônimo comemoram a chegada do ano novo sozinhos. 

JÉSSICA (APÁTICA): Feliz ano novo.

Ela dá um beijo frio em Gerônimo. Jéssica se retira do local.

GERÔNIMO (CONFUSO): ONDE VOCÊ VAI?

JÉSSICA: COMPRAR MAIS CERVEJA!

Jéssica sai. Na rua, um carro preto para próximo dela. 

ANTÔNIO: ENTRA AÍ, MINHA NENÉM! VAMOS FAZER A PRIMEIRA DO ANO!

Jéssica embarca no carro, que sai em disparada. Os indivíduos chegam a um Motel. O celular de Antônio toca.

ANTÔNIO: ALÔ... O QUE?! AGORA?! TÔ INDO!

JÉSSICA: Quem era?

ANTÔNIO: A VITÓRIA VAI PARIR AGORA! AI, MEU DEUS DO CÉU! 

JÉSSICA: COMO ASSIM?! AGORA?!

Os dois dão a volta na pista e partem com o carro na direção contrária.

ANTÔNIO: ESCUTA, EU VOU TE DEIXAR LÁ NA ESQUINA DA SUA CASA, PODE TER CERTEZA QUE A PARTIR DE AGORA NÓS VAMOS FICAR UM BOM TEMPO SEM NOS VER...

JÉSSICA (GRITANDO): NÃO! EU NÃO TÔ ACREDITANDO! TANTO DIA PRA ESSA VACA PARIR E ELA RESOLVE PARIR JUSTAMENTE NO RÉVEILLON! IA SER A NOITE DE NOSSAS VIDAS!

Jéssica se enfurece de raiva. Ela põe a mão em sua barriga e começa a gemer.

ANTÔNIO: AH, NÃO! NÃO ME DIGA QUE VOCÊ TAMBÉM...

JÉSSICA (GRITANDO/GEMENDO): SIM! PRO HOSPITAL! AGORAAAA!

Antônio, deseperado, puxa a mão no volante e pisa no acelerador. Jéssica fica ofegante incessantemente.

No hospital, Jéssica é levada em uma cadeira de rodas por enfermeiros.

ANTÔNIO (PREOCUPADO): E A MINHA MULHER? COMO É QUE TÁ?

ENFERMEIRO: UÉ, SUA MULHER NÃO É ESSA QUE ACABOU DE SER LEVADA?

ANTÔNIO: NÃO! NÃO! ESSA É UMA GRANDE AMIGA MINHA. ELA ACABOU ENTRANDO EM TRABALHO DE PARTO NO MESMO DIA DA MINHA ESPOSA. COINCIDÊNCIA...

ENFERMEIRO (DESCONFIADO): AH, MUITA! QUAL O NOME DA SUA CÔNJUGE? A VERDADEIRA.

Antônio fica envergonhado. Jéssica e Vitória fazem muitíssimas forças para parir. O bebê de Jéssica nasce. Minutos depois, nasce o de Vitória. Elas gemem e vão do céu ao inferno. Mas apenas uma dela foi do céu e voltou ao inferno: Jéssica. Vitória não resistiu, e após múltiplas forças, acabou deixando seu recém-nascido órfão de mãe.

As horas passam. Jéssica acorda e nota o seu bebê e o de Vitória colocados cada um do lado da maca de suas respectivas mães. Jéssica sorri e gaiteia. Ela se levanta da sua maca, pega o seu filho e vai até a maca de Vitória. Em um ato articulado, ela troca os bebês. 

JÉSSICA (SUSSURRANDO/FELIZ): AGORA SIM, ISSO É PERFEITO! EU VOU SER MÃE DO FILHO DO MEU VERDADEIRO MACHO!

Jéssica sorri abobalhada e se deita novamente. Um enfermeiro surge na sala e olha para os bebês. Ele parece desconfiar de alguma coisa, mas passa bem e vai embora. Jéssica se tranquiliza e adormece lindamente.

Dias depois, Jéssica recebe alta do hospital e já pode voltar para casa, agora com o bebê que ela trocou. Ela vê Antônio e Gerônimo na recepção.

JÉSSICA (FALANDO ALTO): ANTÔNIO!

Ela corre até Antônio e o abraça. Gerônimo olha de forma estranha.

JÉSSICA: Meus sentimentos.

ANTÔNIO (CHORANDO): EU AINDA NÃO ACREDITO QUE ISSO ACONTECEU... A MINHA ESPOSA! O NOSSO FILHO! NÓS ÍAMOS CUIDAR DELE JUNTOS!

Jéssica o abraça novamente. Gerônimo se aproxima dos dois e do bebê.

GERÔNIMO: Forças aí, parceiro. Tamo junto. É nós que voa.

Antônio consente e abraça o amigo. Antônio olha para o bebê que Jéssica está trazendo.

Ele passa a mão no rosto do menino.

ANTÔNIO (CHORANDO): Esse vai ser robusto igual ao pai. Parece-se até um pouco comigo...

Jéssica fica nervosa.

GERÔNIMO (FALANDO ALTO): O QUE É ISSO? ESTÁ ME ESTRANHANDO? ELE PUXOU FOI AO PAIZÃO AQUI, NÃO É, FILHOTE?!

Gerônimo segura o garotinho. Antônio continua observando com ternura. Jéssica se mantém incólume.

_FIM DO FLASHBACK_

ISRAEL (CHORANDO): ENTÃO É ISSO? VOCÊ NÃO É MINHA MÃE? POR QUE FEZ ISSO COMIGO? POR QUE ME ENGANOU A VIDA INTEIRA? EU SEMPRE TE AMEI.

JÉSSICA: NÃO, ISRAEL. VOCÊ NUNCA ME AMOU DE VERDADE, NEM A MIM, NEM AO GERÔNIMO. VOCÊ SOMENTE CONVIVIA CONOSCO, MAS NUNCA TEVE AQUELA LIGAÇÃO MUITO FORTE.

ISRAEL (CHOCADO): O QUÊ?

JÉSSICA: VOCÊ SEMPRE FOI MUITO ISOLADO, CALADO, NUNCA TOPAVA FAZER NOSSOS PROGRAMAS JUNTOS. ACHO QUE DESTA VEZ, NESSE CASO EM ESPECÍFICO, O SEU SANGUE FALOU MAIS ALTO. ME PERDOA, FILHO.

Israel chora de desgosto, cambaleia e cai no chão. O taxista italiano desce do carro e vai até Jéssica.

TAXISTA: Mas o quê... Está tudo bem com ele, hã?

JÉSSICA: QUEM É VOCÊ?

TAXISTA: Calma! Calma! Me sou da paz, hã! Sou da paz!

Jéssica dispara um olhar mal encarado. Israel continua a chorar de desespero. Ele olha para o céu e clama por proteção divina.

ISRAEL: Não, tudo bem, agora tudo faz sentido...

JÉSSICA: Hum?

ISRAEL: VOCÊ VEIO ATÉ AQUI PARA SE ENCONTRAR COM SEU FILHINHO, NÃO É? VOCÊ DEVE SER UMA BANDIDA TANTO QUANTO ELE! É POR ISSO QUE VOCÊ SOBREVIVEU AO INCÊNDIO QUE ELE PROVOCOU EM NOSSA FAMÍLIA, VOCÊ E ELE SÃO COMPARSAS!

Israel a olha furioso.

JÉSSICA: LOUCO!

ISRAEL: LOUCA É VOCÊ, POR TER CORAGEM DE SER MÃE DE UM LOUCO DESSES!

Israel se levanta

ISRAEL: VAMOS EMBORA, ITALIANO. AQUELE MANÍACO VAI ACORDAR E VIR ATRÁS DE NÓS. TEMOS DE SAIR DAQUI O QUANTO ANTES.

JÉSSICA (GRITANDO): NÃO.

Israel se surpreende.

JÉSSICA: DAQUI NINGUÉM SAI.

*(CENA 4/HOSPITAL)*

Ítalo continua no hospital em estado grave. 

MÃE DE ÍTALO (PREOCUPADA): Ô, CEUS! QUE DEMORA! DESSE JEITO EU VOU ACABAR PERDENDO A COPA DO MUNDO DE 2026.

PAI DE ÍTALO: Quanto tempo demora essa cirugia dele, bah?!

JÚNIOR: NÃO SEI, MAS É ALGO MUITO DELICADO. É UMA CIRURGIA NO CORAÇÃO. 

Um médico chega no local

MÉDICO: FAMÍLIA DE ÍTALO FRANCISCO PIMENTA?

RAFAELA (GRITANDO): AQUI!

MÉDICO: ÍTALO ESTÁ EM ESTADO MUITO GRAVE, INFELIZMENTE ELE NÃO RESISTIU.

RAFAELA (GRITANDO): O QUÊ?!?! O MEU FILHO MORREU?!!!

MÉDICO: SIM. QUER DIZER NÃO. ELE NÃO RESISTIU À CIRUGIA QUE FIZEMOS. SEU CORPO REJEITOU. A ÚNICA COISA QUE PODERIA SALVAR SEU FILHO NESTE MOMENTO SERIA UM TRANSPLANTE DE CORAÇÃO. 

Todos se chocam. Júnior olha pras paredes, sem acreditar. 

*(CENA 5/SÍTIO ABANDONADO)*

A câmera mostra um sítio abandonado com um carro vinho se aproximando vagarosamente. Israel e Italiano descem dele. Jéssica desce em seguida os mirando com uma arma. Ela os leva para dentro do casarão. Lá dentro, Alan, empunhando uma machadinha. Ele sorri descaradamente para Israel. Jéssica abraça Alan e o beija na testa. Israel não se aguenta e parte pra cima de Alan. Ele o morde.

ISRAEL: DESGRAÇADO! CHEGOU A HORA DA MINHA VINGANÇA!

Israel puxa o revólver da mão de Alan. Há uma luta brutal entre os dois. Os dois agarram a arma. Close nos olhares estarrecidos de ambos. É ouvido um som de tiro. Alan morre de rir. Ele solta gargalhadas altas e em bom tom. Israel não entende nada.

ISRAEL (GRITANDO): ASSASSSINO!

ALAN (GRITANDO): ÓRFÃO!

Israel se choca. 

ALAN (GRITANDO): PENSA QUE EU NÃO SEI?! VOCÊ NÃO PASSA APENAS DE UM HIJINHO DE LA PUTA!

Israel lhe dá um tapa e começa a chorar. Ele geme e sente uma fisgada forte em seu estômago. O homem percebe que o tiro lhe acertou em cheio na barriga. Ele começa a agonizar. Israel cai duro no chão.

ISRAEL (GEMENDO/CHORANDO): POR QUE?! POR QUE?! POR QUE EU TENHO QUE PASSAR POR TUDO ISSO, Ó CÉUS?!

De repente é ouvido um forte estrondo vindo dos fundos como se um raio tivesse caído da dimensão do Universo. Todos do local sentem o impacto. A câmera mostra que a carga elétrica do raio formou faíscas que se espalharam e alastraram para um palheiro no quintal do sítio. Logo, se forma uma labareda que vai se espalhando mais e mais.

ISRAEL (GRITANDO/GEMENDO/CHORANDO): EU SINCERAMENTE NÃO CONSIGO ENTENDER... EU DEVO SER MESMO UM DIABO PRA VIR A PASSAR POR TUDO ISSO AGORA, SÓ PODE.

Ele olha para Jéssica que o avista com rancor.

ISRAEL (GRITANDO/CHORANDO): COMO PODE?! A MINHA VIDA É UMA TREMENDA DESILUSÃO. HÁ POUCAS HORAS ATRÁS EU AINDA PODIA TE CHAMAR DE MA...

Israel se debulha. 

ISRAEL (GRITANDO): ISSO NÃO PODE FICAR ASSIM. EU TENHO QUE DAR UM FIM NISSOO!

Israel junta as últimas de suas forças e pega o revólver da mão de Alan. Alan se surpreende com sua agilidade e tenta dar um contra-ataque. Israel é mais forte e se opõe ao albino. Jéssica e Italiano ficam chocados. Israel segura a arma com toda a sua força e fixa o seu olhar nela. Ele a volta contra a cabeça de Alan e mira. A câmera se volta para as labaredas altas de fogo já formadas no quintal. É ouvido um grito agudo e forte e depois um disparo.

VOZ (GRITANDO): NÃAAAAAAAAAAOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO...