Fogo no Rabo - capítulo 3 da reprise

 


_*CAP. 3: DIAS MELHORES*_

*(CENA 1/LADO DE FORA DA PENITENCIÁRIA)*

Jéssica e Israel se abraçam.

ISRAEL (FELIZ/CHORANDO): Mãe! Que saudade, meu Deus!

JÉSSICA (CHORANDO): Eu sei, meu filho, eu sei! Eu também estava quase morrendo sem ter você na minha vida! Eu não queria nunca ter lhe abandonado...

ISRAEL (CHORANDO): Morrendo, mãe?! Eu achei que a senhora estivesse morta! Até fui ao seu funeral! Aliás, do seu, da Abigail e do papai... Meu Deus!

JÉSSICA (CHORANDO): Filho, me escute: precisamos conversar. Você está correndo muito perigo! Eu sei que tudo pode parecer confuso agora, mas as peças vão se encaixar... Venha, vamos para um local seguro para podermos conversar.

Jéssica e Israel se levantam. Israel limpa seu rosto molhado. Jéssica sorri e lhe beija.

*(CENA 2/HOSPITAL)*

Alan está a um passo de desligar os aparelhos de Samuela. Pedro e Brisa se desesperam.

BRISA: PARADO AÍ, SEU FACÍNORA! VOCÊ NÃO VAI FAZER NADA COM ELA! A POLÍCIA JÁ ESTÁ A CAMINHO.

Alan tibuteia. É possível ouvir o barulho da sirene da viatura policial se aproximando.

ALAN (GARGALHANDO): HAHAHAHAHA! NADA MAIS VAI ME DETER, SUA CACHORRA! EU ESCAPEI DA MORTE NÃO FOI POR ACASO; SOBREVIVI TODA A MINHA INFÂNCIA DE BULLYING POR UMA RAZÃO: ME VINGAR.

Alan vira a maca de Samuela e o corpo dela cai com tudo no chão. O aparelho que conta os batimentos cardiácos começa a apitar ininterruptamente.

BRISA (GRITANDO): NÃOOOOOO!

Samuela começa a sangrar litros de sangue pela boca. Pedro, revoltado, parte para cima de Alan.

PEDRO (GRITANDO): EU NÃO CRIEI UM FILHO PARA AGIR DESSA MANEIRA, SEU CALHORDA! VOCÊ VAI SER PRESO E PAGARÁ POR TODOS OS SEUS CRIMES. MAS ANTES DISSO VOCÊ VAI APRENDER UMA LIÇÃO QUE VOCÊ NUNCA MAIS VAI ESQUECER NA SUA VIDA!

Pedro se debruça em cima de Alan, na região torácica do rapaz albino, prendendo os braços com suas pernas. Pedro começa a golpeá-lo e a lhe dar vários tapas. Ele também chuta o filho.

PEDRO (GRITANDO): CACHORRO! VADIO! VAGABUNDO!

Alan sangra. Alan espermatozoida.

DOUTOR (GRITANDO): POR FAVOR, DEIXE O ESPETÁCULO PARA DEPOIS, PRECISAMOS SALVAR A VIDA DESTA MULHER.

Ele aponta para Samuela, que já está quase sem vida. Enfermeiros entram na sala e a colocam de volta na maca. Eles a levam para a UTI. Brisa segue aflita.

BRISA (GRITANDO/CHORANDO): VOCÊ VAI FICAR BEM, COMADRE! VAI DAR TUDO CERTO!

MÉDICO: VOCÊ NÃO PODE ULTRAPASSAR ESSA FAIXA. FIQUE AÍ ONDE ESTÁ.

BRISA (GRITANDO): AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

*(CENA 3/CASA DE JÉSSICA)*

ISRAEL (CABISBAIXO): MÃE, E O PAPAI E A ABIGAIL? ELES TAMBÉM SOBREVIVERAM?

JÉSSICA (TRISTE): INFELIZMENTE... NÃO. 

Israel começa a chorar. Jéssica o abraça calorosamente.

JÉSSICA: Eles estão num bom lugar. Diferentemente de você.

Israel se choca.

JÉSSICA: Israel, você precisa tomar muito cuidado com quem está a sua volta. Não pode confiar em ninguém. Prepare-se, mas o que vou dizer é muito forte: Seu pai e a sua irmã foram mortos por um ser tão psicótico e maléfico quanto o diabo que veste prada. Quem tentou me matar e assassinou sua família... Foi o Alan Assis!

ISRAEL: Eu já sabia! Aquele desgraçado me confessou tudo! Ah, ele não perde por esperar...

JÉSSICA: Calma, meu filho. Também não é assim. Eu só acho que tudo tem um limite.

ISRAEL: Como calma, mamãe? Ele por acaso pensou nisso antes de transformar minha família em churrasco?! Veja só, a senhora ficou careca por causa dele. Por sorte não morreu!

Jéssica boceja.

ISRAEL: A propósito, mamãe... A senhora ainda não me disse como foi que conseguiu escapar e o porquê de ter se escondido todo esse tempo.

Jéssica engole seco. 

ISRAEL: Vamos, mamãe! Por que a senhora pelo menos não me avisou que estava viva?

Jéssica sofre. Israel a olha zangado.

*(CENA 4/HOSPITAL)*

A polícia chega ao hospital para prender Alan e não encontra nada.

POLICIAL (GRITANDO): ONDE ESTÁ O MELIANTE?!

ENFERMEIRA: ELE ESTAVA AQUI AGORA MESMO COM O PAI! NÃO SEI COMO ELES PODEM TER SUMIDO ASSIM.

A câmera corta para Alan no meio dos matos correndo, mancando e sangrando pelo nariz.

PEDRO (GRITANDO): AH, VOCÊ QUER APANHAR MAIS, NÉ?

Pedro o persegue ligeiramente, até que ambos chegam a um penhasco.

PEDRO (GRITANDO): E agora? O que vai fazer, seu ordinário?! Eu deveria ter te dado umas boas palmadas desde quando você começou a ter essa rebeldia lá na sua adolescência! Seus irmãos Piufredo e Sebastian se comportam melhor que você.

ALAN (GEMENDO): É. É O FIM DA LINHA. 

Pedro e Alan se olham friamente. 

Alan se joga do penhasco. Pedro se surpreende. 

PEDRO (GRITANDO): NÃO!

Pedro vagueia.

*(CENA 5/CASA DE JÉSSICA)*

ISRAEL: E então, mamãe? Vai me falar ou não?!

Jéssica fica aflita e foge pela porta da frente. Ela tranca Israel.

ISRAEL (GRITANDO): Mamãe, por favor, mamãe! Você vai ver! Vai pagar caro por tudo isso que está fazendo! Onde já se viu uma mulher ficar tão neurótica assim?! Do nada?! O que houve com você? Por que você tá agindo assim?! Pensei que estivesse feliz em me ver! Abre essa porta!

Jéssica entra em seu carro, passando a chave e correndo. Israel continua preso dentro de casa. Ele tem a brilhante ideia de tacar fogo na porta para conseguir passar. Mas o fogo começa a se espalhar para além da porta e ele se vê rodeado pelas chamas. Israel grita por sua mamãezinha.

*(CENA 6/FLORESTA)*

A câmera corta para Alan saindo de um riacho que está embaixo de uma cachoeira. Alan caminha cambaleando até chegar em baixo de uma árvore. De repente, um carro da polícia se aproxima fazendo muito barulho. Alan se assusta. Ele se joga dentro do riacho, ficando submerso. O carro da polícia para.

POLICIAL 1: Engraçado, eu posso jurar que vi alguém aqui...

Alan continua escondido embaixo das águas, prendendo a respiração. 

POLICIAL 2: Bobagem, macho! Vambora que estamos aqui só perdendo tempo.

De repente, alguma coisa se mexe dentro da água.

POLICIAL 1: ESPERA, TEM ALGUMA COISA ALI SE MOVENDO!

Alan faz o máximo de esforço para se manter abaixo das águas, mas uma cobra se enrosca em sua perna, o puxando para baixo. Alan tenta segurar a sua respiração e começa a engolir água. O policial fica apreensivo olhando pro riacho.

Alan está afundando e se afogando cada vez mais, desmaiando na água. Os policiais notam o movimento. 

POLICIAL 1: AVANTE.

O policial pula na água para ver o que é. Ele nota o corpo de alguém descendo para o fundo do riacho. O homem nada para salvá-lo. O policial de dentro do carro observa à distância. De repente, o outro policial sai debaixo da água carregando Alan em seus braços. Ele o coloca na margem do riacho e assim começa a socorrer o rapaz albino. Ele resolve fazer respiração boca a boca. Alan sufoca de amor e lhe tasca um beijo. Alan acorda.

POLICIAL 1 (GRITANDO): Espera aí, é você?! Você é o cara que nós estamos procurando! Você é o cara que acabou de matar uma mulher no hospital! É você o maior suspeito de ter matado um jovem loiro na casa dessa mesma mulher que você matou hoje! É você o cara suspeito de matar um padre e um juiz em um casamento realizado ilegalmente por um negro careca em um hospital! É você o cara suspeito de forçar um falso coma só para receber comida grátis do hospital! É você...

Mas antes que o policial pudesse parafrasear, Alan já estava lhe golpeando em seus ovos. O policial se contorce. Alan aproveita para roubar a arma. Ele atira várias vezes contra o policial, matando-o instantaneamente. O outro policial observa tudo de dentro do carro, paralisado.

Alan se aproxima do carro e vai em direção ao tanque de gasolina. Ele atira descontroladamente contra o tanque e o carro explode na hora, matando o outro policial carbonizado. Rapidamente, Alan foge do local e parte em direção à cidade, roubando um carro no caminho.

*(CENA 7/CASA DE JÉSSICA)*

Israel está cercado pelas chamas. Ele se desespera. Israel tem uma ideia: ligar a mangueira e apagar tudo. Mas ele não tem mangueira. Ele clama para que os céus mandem chuvas. E é isso mesmo que acontece. Como um milagre, raios, trovões e água caem em cima de Israel, apagando todas as chamas. Israel chora de alegria. Ele consegue sair do local em ruínas e se dirige até a rua. Israel chama um táxi.

ISRAEL: ACELERA, MOTORISTA! PRECISAMOS LOCALIZAR O CARRO DE UMA MULHER CARECA!

TAXISTA: Ma bene, marchello! Que cosa! Esta bien.

O taxista acelera. Israel comeca a se lembrar de Alan.

_FLASHBACK 📽️_

Israel está na escola. Alan se aproxima dele.

ALAN (FURIOSO): Você vai arder no mármore do inferno por não ter me emprestado seu lápis. Sua cabeça vai rolar. Sua família vai morrer. Todos vão te abandonar e se render a mim. Você será esquecido. Você será exilado. Você restará sozinho amargurado e sem ninguém pra te apoiar...

Israel se irrita e quebra um copo na cabeça de Alan. Alan fica antirrábico.

A professora se aproxima.

PROFESSORA: O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

ALAN (CHORANDO): PROFESSORA, O ISRAEL ME BATEU, ME CHAMOU DE DOIDO, DOENTE, DISSE QUE EU SOU AUTISTA E XINGOU MINHA NOVELA FAVORITA! BATE NELE!

A professora levanta Israel pelo braço e lhe dá uma surra de palmatória. Israel se contorce e é colocado de joelhos no milho.

_FIM DO FLASHBACK 📽️_

Israel chora de ódio.

*(CENA 8/DELEGACIA)*

Ítalo e Júnior estão na delegacia. Eles foram prestar queixa sobre um trote que Ítalo recebera horas antes.

ÍTALO: Era uma voz muito estranha. Nem muito fina, nem muito grossa. Parecia a voz de um burro em desespero.

O delegado anota a denúncia.

ÍTALO: Eu só espero que a justiça seja feita...

JÚNIOR: Eu acredito que será. Tudo posso naquele que me fortalece. 

*(CENA 9/RUAS)*

Ítalo e Júnior descem a calçada. Ítalo deixa seu celular cair e nem percebe. Eles vão caminhando atravessando a rua. Ítalo põe a mão em seu bolso e sente a falta do seu celular. Ele olha para trás e vê seu telefone caído na calçada. 

JÚNIOR: Pode deixar que eu pego, lindo.

ÍTALO (APAIXONADO): Obrigado, meu bombom!

Alan está dirigindo em alta velocidade por uma rua. Ele segura firme no volante. Ele pisa no acelerador enquanto escuta “Não Há Ferrolhos, Nem Portas”. Alan começa a lembrar de Jean.

_FLASHBACK 📽️_

Alan está cozinhando limão com mel. Ele serve para Jean, que saboreia. Alan e Jean vão para o quarto. Jean está usando uma calcinha preta.

JEAN: Ai, Alanzinho! Assim você me deixa como uma garota safada!

ALAN: Eu quero te beliscar e te morder todinho como uma catuaba com amendoim!

JEAN: Eu te amo sem pareia, meu mel.

ALAN: Eu também. Nós somos magníficos, meu mastruz.

JEAN: AI AI AI! ESTOU VIVENDO UM DESEJO DE MENINAAAAAA!

Os dois se beijam e galopam.

_FIM DO FLASHBACK 📽️_

Alan continua dirigindo. Uma lágrima escorre de seu rosto. 

Júnior pega o celular de Ítalo. Ítalo continua no meio da rua parado.

ÍTALO: Anda, amor! É só pegar o celular e voltar.

De repente, o celular de Ítalo começa a tocar.

JÚNIOR: EI, TÁ TOCANDO. 

ÍTALO: ATENDE! QUER DIZER, NÃO SEI. VAI QUE SEJA TROTE. MAS TAMBÉM PODE SER A POLÍCIA, NÉ? ATENDE.

JÚNIOR: Alô?

Ítalo fica parado no meio da rua. Júnior vira de costas pra ele.

JÚNIOR: QUEM TÁ FALANDO?!

De repente, um carro passa em alta velocidade atrás de Júnior e acerta Ítalo em cheio com tanta velocidade que ele vira somente um borrão na tela jogado para frente com muita voracidade. Júnior continua ouvindo o telefone e não percebe nada atrás dele.

Ítalo foi jogado para longe de tudo e todos com a força do carro que o atingiu. Lá ele, todo ensanguentado e soltando muito sangue. O veículo que o atingiu para. Dele desce um ser indisposto de cabelos, tal qual Ítalo. É a mãe de Israel, Jéssica. Ela para próximo do corpo do rapaz negro.

JÉSSICA (GRITANDO/GEMENDO): ÓH, MEU DEUS! ÓH! QUE JUDIAÇÃO! COMO FUI CAPAZ DE ASSASSINAR UM SEMELHANTE CALVADO TAL QUAL A MIM?!

Jéssica se debulha em lágrimas. Júnior finalmente percebe a situação e se desespera. Jéssica não pensa duas vezes e foge do local.

JÚNIOR (GRITANDO/CHORANDO): ÍTALOOO! MEU AMOOOR! NÃO! NÃO! NÃO PODE SER!

Ítalo agoniza. As pessoas olham aterrorizadas ao redor. Alan continua dirigindo em alta velocidade. Ele puxa a marcha com toda força. O carro dispara. Israel está sendo trazido em um táxi justamente na direção contrária a Alan.

TAXISTA: Oh, ma bene! Vou botar Italiaaaaana pra tocar.

RÁDIO (TOCANDO): ITALIAAAAAAAAAAAAAANAAAAA.

ISRAEL (SUSSURRANDO): Eu odeio essa música. 

Os dois carros, o de Alan e o táxi em que Israel está vão ficando cada vez mais próximos. De repente, o pneu do táxi em que Israel está fura. O carro diminui sua velocidade. 

TAXISTA: Ma bene! Ma que cosa!

ISAREL: Era só o que me faltava!

O carro para numa posição em que fecha o andamento de toda a rua. Alan nota o obstáculo em sua frente e para. Israel e o taxista descem do carro. Alan também.

ALAN (FURIOSO): TIRA ESSA PORRA DO CAMINHO!

Israel se espanta. Alan não acredita. O taxista fica intrigado. 

ALAN (GRITANDO): ISRAEL!

ISRAEL (CHOCADO): NÃO PODE SER, SEU DESGRAÇADO! VOCÊ POR AQUI?!

Israel treme as pernas.

ALAN: CHEGOU A SUA HORA.

TAXISTA: Ma quem é esse branquela azedo hein?! Oh, que bicha feinhe. Ma bene!

ISRAEL (GRITANDO): VOCÊ NUNCA VAI ME PEGAR, SEU ORDINÁRIO! MANÍACO!

ALAN (GRITANDO): VOCÊ ME CHAMOU DO QUÊ?

ISRAEL (GRITANDO): DOIDO! BIPOLAR! TRESLOUCADO!

Alan saca a arma e aponta na direção deles. Ele rende Israel, o puxando à força para dentro do carro que o vilão roubou. Em todo momento ele mira o revólver na cabeça de Israel. Ele empurra o taxista também para dentro do carro.

TAXISTA: Oh, marchello! Ma não me encosta nos meus abacaxi.

Alan amarra e amordaça ambos e os coloca no banco do carro. Ele parte logo em seguida. 

*(CENA 10/LOCAL DESERTO)*

Alan e os seus reféns chegam a um sítio decadente e afastado de tudo e todos. Alan desce do carro e joga Israel no chão. Ele aponta a arma na direção do seu crânio. 

ALAN: SUAS ÚLTIMAS PALAVRAS?

Israel, que conseguiu se desamarrar sem que Alan percebesse, lhe chuta os ovos. Alan ofega e cai duro no chão. A arma voa longe. Israel desamarra o taxista e tenta ligar o motor do carro.

ISRAEL (NERVOSO): VAI! VAI! VAI!

Alan começa a se levantar vagarosamente.

TAXISTA: TENTA DAR PARTIDE COM OS FIOZINOS DEBAIXO DO CARRO. SEMPRE FUNCHIONA NOS FILMETAS.

ISRAEL: E VAI DAR TEMPO?

TAXISTA: EU DISTRAIO A BRANQUELA AZEDO FEINHE.

O taxista desce do carro. Ele encara Alan.

TAXISTA: MA BENE, A BICHINHA VAI QUERER BRIGA É?! CAI DENTRO PÃO COM MORRRTADELA!

Alan se põe de pé, mesmo machucado. Israel prepara os fiozinhos e começa a colocá-los em fusão. Alan parte para cima do taxista. Ele desvia. O taxista pega a arma de Alan caída no chão. Israel faz o máximo de esforço. Uma fumaça começa a sair do carro.

ISRAEL (GRITANDO): PEGOU! PEGOU! VAMOS EMBORA, TAXISTA.

O taxista desvia de Alan. Alan corre rápido e cai em cima dele. Italiano dá dois disparos que pegam de raspão no braço de Alan. O taxista aproveita a distração e corre para dentro do carro.

TAXISTA: ANDA-LE! ANDA-LE!

Eles partem rapidamente e dão a volta no terreiro para ultrapassar a porteira do sítio. Eles fazem uma baliza.

TAXISTA: VAMO-NOS!

ISRAEL: CALMA, EU NEM TERMINEI MINHA AUTOESCOLA AINDA.

De repente, um carro vinho se aproxima na frente deles. Eles não entendem nada. O carro fecha a estrada. Uma mulher cuja ausência de cabelos é notável desce do carro toda pomposa.

ISRAEL (GAGUEJANDO): MA-MA-MAMÃE?!

O taxista e Israel demonstram olhares tensos. Jéssica os encara friamente.