Cidade do Bem - Capítulo 16
CENA 01 - CONTINUAÇÃO: Casa de Amadeu | Manhã
[Maria Luísa pega Marília pela mão e a leva para a frente da estátua de Jesus Cristo e continua a enchê-la de beijos].
Maria Luísa (chorando): A MINHA MARÍLIA, A MINHA MARÍLIA TÁ VIVA!!!
[Maria Luísa e Marília se ajoelham perante a estátua e colocam as suas testas uma sobre a outra, emocionadas com o momento. Amadeu tenta conter as lágrimas ao ver a cena].
Maria Luísa: Sua mãe está aqui, minha filha, sua mãe está aqui!!!
[Marília coloca a cabeça no ombro de Maria Luísa e direciona o seu olhar para a mãe].
Maria Luísa: Me perdoe, minha filha, me perdoe por ter te deixado, não queria ter feito isso.
[Marília estranha com o olhar e Maria Luísa percebe].
Maria Luísa (chorando): Eu te abandonei no convento da Madalena, mas eu fiz isso achando que era pra te proteger, não fiz por mal, eu não tinha condições de te sustentar, e meses depois eu voltei, louca de saudade do meu amor, casada com o Leonardo, disposta a te dar a vida que você merecia, meu amor. Me perdoa.
[Marília demonstra um certo ressentimento, mas se mantém firme].
Marília: Eu não tenho nada que te perdoar, Maria. O Amadeu já me falou sobre você e isso, imaginei que poderia ter sido, eu sei que seu ato não foi por maldade, você foi tão vítima quanto eu.
Maria Luísa: Obrigada, meu amor. Eu nem acredito que isso está acontecendo, acho que estou vivendo um sonho. Agora me conta sobre você, quem é essa tia que te criou, o Amadeu falou que você cresceu nos Estados Unidos, voltou para o Brasil por causa do Gildo, como que você soube dele, me conta tudo...
[Marília gesticula um pequeno sorriso].
Marília: Antes de tudo, eu queria te pedir se posso te chamar só pelo seu nome por enquanto, não me encontro preparada psicologicamente ainda para chamar outra mulher de mãe, a minha de criação faleceu recentemente.
Maria Luísa: Meu Deus, sinto muito, filha. Me fale dela, da sua outra mãe.
Marília (emocionada): Era uma mulher muito especial, me criou sozinha com todo o amor e carinho do mundo. Choro a falta dela todas as noites.
Maria Luísa: Qual era o nome dela?
Marília: Era Meire, Maria. Meire Lopes.
[Maria Luísa desfaz o seu sorriso e fica atônita e lágrimas novamente saem de seu rosto].
Maria Luísa: A MEIRE MORREU? MEU DEUS, NÃO, COMO QUE FOI ISSO, MARÍLIA?
Marília: Você conhecia a minha mãe, Maria Luísa?
Maria Luísa (chocada): Mais do que conhecia, ela era minha melhor amiga, minha confidente, me ajudou nos momentos que eu mais precisei na vida, ela desapareceu de repente e nunca mais tive notícias dela, meu Deus, foi por isso, ela que te criou. Coitada da Meire.
Marília: Não acredito que vocês eram amigas. A minha mãe além de saber quem era você te conhecia.. QUE ÓDIO!
Maria Luísa: Filha, calma, lembro que a Meire era uma mulher muito receosa com as situações, essa vaca da Madalena pode ter ameaçado ela, mas porque ela fez isso? Não entra na minha cabeça porque a Madalena nos separou e fez tudo isso, eu não fiz nada contra ela...
[O silêncio paira entre as duas e Maria Luísa corta].
Maria Luísa: Só que espera, se quem te criou foi a Meire, então essa sua tia que confirmou que você é a minha filha é a Berenice Lopes?
Marília: Sim, ela me contou porque eu pressionei ela. Minha tia sabia de tudo desde que eu era pequena.
[A fúria penetra no corpo de Maria Luísa e ela se mantém dura].
Maria Luísa: Onde a sua tia está?
Marília: Não sei, estávamos na casa do Gildo, mas fomos embora porque a Madalena tentou me matar e a minha tia que foi a vítima. Ela incendiou a casa.
Maria Luísa: O QUE? ELA TENTOU TE MATAR? ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM, EU VOU ATRÁS DESSAS DUAS NEM QUE SEJA NO INFERNO. Me deem licença que eu já volto. Amadeu, meu filho, usarei seu carro emprestado, prometo que até o final do dia estarei de volta.
Amadeu: Pode pegar, mãe.
[Amadeu entrega a chave de seu carro e Maria Luísa corre em disparada. Marília abraça Amadeu].
Marília: Será que ela vai fazer alguma coisa com a minha tia, Amadeu?
Amadeu: Com a sua tia eu não sei, a Madalena acredito que ela vai dar a lição que essa mulher merece.
ALGUMAS HORAS SE PASSAM.
CENA 02: Hospital de Cidade do Bem | Começo da Tarde
[A câmera retorna a exibir luz conforme Leonardo desperta lentamente e repara que está no hospital em observação. Dois seguranças o rodeiam na cama e ele aperta a mão de um deles e tenta expressar palavras].
Leonardo (falando com dificuldade): Vão atrás daquela faxineira nova da prefeitura, a Berenice e matem ela, quero essa mulher fora de circulação logo. E aciona o delegado, é para agora.
[O instrumental de tensão toca. O segurança apenas concorda e se retira da sala, enquanto o outro fica ao seu lado, armado].
CENA 03: Casa de Amadeu | Começo da Tarde
[Marília e Amadeu aguardam por Maria Luísa no sofá, inquietos].
Marília: Amadeu, essa demora da Maria está me preocupando. E se a Madalena faz alguma coisa com ela?
Amadeu: Não vai não, minha mãe sabe se defender, e nem sabemos aonde a Madalena se escondeu. Mas mesmo assim está me preocupando também. Vou ligar o rádio, caso tenha saído alguma notícia.
[Amadeu liga o rádio e troca de canal diversas vezes e deixa no portal local da cidade].
Locutor: Voltamos com mais informações sobre a internação do nosso prefeito, Leonardo de Queiroz, que passou mal nesta manhã durante a reforma do convento Santa Teresa de Ávila. Os médicos alegaram que o prefeito já está acordado e passará por novos exames. A suspeita é que ele tenha sofrido um princípio de infarto.
[Amadeu se choca].
Amadeu: Meu pai infartou, Marília, ele está no hospital.
Marília: Você vai ir visitá-lo?
Amadeu: Não sei.
[Marília demonstra preocupação com Amadeu. Alguém bate na porta e eles se assustam. O movimento é repetido e Amadeu abre a porta. Ele dá de cara com três policiais].
Policial: Senhor Amadeu de Queiroz, filho do prefeito?
Amadeu (nervoso): Sou eu mesmo, porquê?
Policial: Queira me acompanhar até a delegacia, por favor. O senhor está preso.
[O instrumental de tensão toca. Marília se levanta e Amadeu fica inerte].