ROCAMBOLE - CAPÍTULO 16
ROCAMBOLE - CAPÍTULO 16 (ÚLTIMA SEMANA)
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS 🟠
(CENA 1/PRESÍDIO MARIA MOLE/SALA DE VISITAS/INTERIOR/MANHÃ)
Mariana e Pierre se encaram.
MARIANA: E então, Pierre? Não vai dizer nada?
PIERRE (CHOCADO): Isso só pode ser uma alucinação da minha cabeça, meu Deus! Eu devo estar ficando maluco depois de tanto tempo preso aqui…
MARIANA: Pode me tocar, veja que estou aqui em carne e osso. Vamos relembrar os nossos velhos tempos na Rocambole…
Pierre ameaça passar a mão no rosto da ex-falecida mas, sentindo fraqueza, cai duro no chão desmaiado. Mariana observa tudo com aflição.
MARIANA: Alguém socorre aqui, por favor!
Alguns enfermeiros acodem a situação.
(CENA 2/ROCAMBOLE/VENDA/INTERIOR/MANHÃ)
Clodovil adentra e se senta no balcão.
CLODOVIL: Me vê uma dose de pinga pra eu me desafogar…
FELÍCIO: Aqui não é bar não, Seu… Uai? É você mesmo, Clodovil?
CLODOVIL (CABISBAIXO): É ele sim, mas só com o corpo vazio porque a alma e o coração foram arrancados por uma ingrata mulher…
FELÍCIO: Que estado imundo é esse?! Tá morando na rua?
Clodovil pisca os olhos e limpa o rosto para enxergar melhor.
CLODOVIL: Felício?! Que lugar é esse?
FELÍCIO: Homem de Deus, tu tá vagando sem nem ver por onde anda!
Clodovil avista o letreiro com o nome “Rocambole” estampado em uma estufa para pães.
CLODOVIL: A Rocambole tá de volta? O Pierre saiu da cadeia?
FELÍCIO: Não, senhor. E quem fez a reinauguração foi a Dona Joana. Ela e uma outra mulherzinha chamada Rosisca, Roxana…
CLODOVIL: E você tá trabalhando aqui de quê?
FELÍCIO: Padeiro, ora…
CLODOVIL: Você nunca levou jeito com a mão na massa e vejo que sua função tá mais pra vendedor mesmo. Olhe onde você está: aqui me servindo. Hahaha!
FELÍCIO: Vai rindo! Eu consegui meu emprego de volta. Já você tá aí na rua da amargura…
CLODOVIL: A Laura me largou, mas eu vou reatar com ela. Eu amo ela como nunca amei ninguém.
FELÍCIO: Não é o que sua cara tá me dizendo… Agora deixa eu ir que o meu chefe Eugênio é exigente e deve estar precisando de mim. Com licença, Clô!
Felício e Clodovil trocam olhares dúbios antes de se separarem ao som de “Kings Highway (James Bay)”.
(CENA 3/ESCRITÓRIO DO DETETIVE JÚLIO/INTERIOR/MANHÃ)
Detetive Júlio fuma um cigarro e bebe café enquanto navega em seu computador. Ele abre em um antigo site desativado da Padaria Rocambole do tempo que ainda era comandada por Pierre. Ele verifica em uma aba específica o nome de marcas que estiveram ligadas ao empreendimento fornecendo produtos para a confecção dos alimentos.
DETETIVE JÚLIO (PENSAMENTO): O Gino falava que o problema do rocambole estragado não estava no doce de leite porque ele em si não fazia mal. Aí depois a Isabel me contou que ele fez aquela lambança de propósito para honrar o legado dela, então essa hipótese está descartada. Já na segunda vez, ele colocou pimenta. Mas o próprio Gino já deixou bem claro que o problema já aconteceu com outros ingredientes aleatórios. Tem uma peça aí que não se encaixa.
Ele continua lendo, até encontrar algo chamado “Empóro Púrpura”.
DETETIVE JÚLIO (PENSAMENTO): Esse nome é familiar.
Ele busca a expressão na internet.
DETETIVE JÚLIO: Claro! É a famosa ararinha cor-de-rosa. Como não lembrei antes? Mas quem estaria por trás de uma empresa com esse nome?
O investigador faz uma nova pesquisa.
DETETIVE JÚLIO (LENDO): Empório Púrpura é uma fábrica de corante comestível pertencente a Lívio Malaquias de Contaminondas... Veja como está atualmente o empresário, que nutre uma relação com Joana Fonseca.
DETETIVE JÚLIO: Na mosca! Eles devem estar envolvidos mais nessa, assim como no assassinato de Mariana.
(CENA 4/ROCAMBOLE/ESCRITÓRIO/SALA/INTERIOR/MANHÃ)
Joana entra em uma das salas em que está Lívio e fecha a porta.
JOANA: Ei, seu bocoió! Não tô gostando nada desse seu trelelê com aquela sujeitinha… Qual é a tua?
LÍVIO: Apenas interesse financeiro, minha flor. Apenas isso. Você acha que eu teria coragem de trocar uma Cleópatra como você por uma galinha como àquela que só sabe cacarejar alto?
JOANA: Não sei, não sei. Só tô achando que todos esses meus anos servindo como instituição de caridade não vão valer a pena…
LÍVIO: Que isso? Tá me chamando de velho encostado, é? Vovô de asilo?
JOANA: Eu só quero que você tire essa Rosalba da sua cabeça de uma vez por todas…
LÍVIO: Eu tiro agora!
Ambos se agarram aos beijos e apertos.
JOANA: Para! A sua gralhazinha pode aparecer…
LÍVIO: Ela não vem hoje. Disse que ia tratar dos problemas com a mamãezinha coruja dela…
JOANA: Ah, então prepara o balde de água que o meu fogo tá queimando muita lenha hoje!
Os dois se jogam sobre a mesa e tiram as suas roupas.
(CENA 5/ROCAMBOLE/ESCRITÓRIO/CORREDOR/INTERIOR/MANHÃ)
Isabel passa pelos corredores e ouve um barulho de gemidos no interior de uma sala. Ela rapidamente saca o celular, abrindo lentamente a porta, e focando a câmera na imagem que ela mesma vê também com os próprios olhos: sua patroa e o amante despidos, suando e sentindo prazer.
ISABEL (PENSAMENTO/FELIZ): Eu acabei de ganhar na loteria! Ah, Joana, eu vou te desmascarar de novo, e dessa vez será de forma definitiva.
Clodovil toca nas costas de Isabel que solta um berro de susto. Joana e Lívio escutam o ruído e paralisam. Isabel encara friamente o ex-funcionário da Rocambole.
CLODOVIL: Eu gostaria de falar com Joana Fonseca.
(CENA 6/ROCAMBOLE/ESCRITÓRIO/CORREDOR/INTERIOR/MANHÃ)
CLODOVIL: Que foi, garota? Parece que viu um fantasma? Que gravação era essa que você tava fazendo?
Isabel nada diz e sai correndo.
CLODOVIL: Que mulher doida! Como que contratam uma secretária assim?
Joana sai rapidamente de dentro da sala.
JOANA: Foi você? O que você viu?
CLODOVIL: Joaninha! Que bom te ver! Que saudades!
JOANA: Ah… Que prazer!
Clodovil abraça a megera.
CLODOVIL: O prazer é todo meu! Eu gostaria de te pedir algo.
JOANA: Diga.
CLODOVIL: Um cargo aqui na Rocambole. Pode ser em qualquer setor. Preciso de uma chance de ascender novamente.
JOANA: Ai, meu Deus! Isso daqui tá virando um “Desempregados Anônimos”.
CLODOVIL: Por favor! Eu imploro! Se não me contratar, eu entrego tudo.
JOANA (NERVOSA): Entregar o que? Do que tá falando?
CLODOVIL (CABISBAIXO): Entrego tudo, desisto de minha vida.
JOANA (ALIVIADA): Ah, bom.
Lívio se retira.
LÍVIO (MENTINDO): Já estou indo, Dona Joana! Ótimos negócios acertei com a senhorita!
JOANA: Até mais, sócio!
CLODOVIL: Espere, aquele é o…?
JOANA: Anda logo, Clodovil! Pode começar na despensa!
Joana fecha a porta na cara do homem, que solta um sorriso sincero.
(CENA 7/ROCAMBOLE/COZINHA/INTERIOR/TARDE)
Gino confecciona alguns produtos. Clodovil passa por ele.
GINO: Clodovil, quanto tempo!
CLODOVIL: O senhor me conhece?
GINO (DISFARÇANDO): Ah, claro! O Felício fala muito de você.
CLODOVIL: Jura?! O que ele diz?
Felício chega.
FELÍCIO: Por que está perturbando o Eugênio, Clodovil?
CLODOVIL: Ah! Dê as boas-vindas ao mais novo empacotador da Rocambole!
FELÍCIO: Joana deve estar louca para ter te contratado.
CLODOVIL: Só você quem pode, é? Mon Dieu! Que rapaz egoísta!
Os dois funcionários caminham para a despensa trocando conversa. Gino continua a trabalhar.
INÍCIO DE FLASHBACK 📽
GINO: Lembra que falei que estava perto de descobrir o que tava me deixando drogado? Pois então, eu consegui.
ISABEL: Aquele negócio que você e eu consumimos e que me fez beijar o nojento do Pierre?!
GINO: Exato! Era o rocambole. Na verdade, pensei ser o doce de leite que ia no recheio, mas pelo visto não é, já que as pessoas que comeram somente dele não passaram mal.
ISABEL: Ué? Então é algum outro ingrediente que vá na receita do rocambole... E por que você resolveu vender eles sabendo que estavam “apodrecidos”?
GINO: Por você, Isabel.
ISABEL: Por mim?!
GINO: Desde que soube que você foi mandada embora do emprego, não sosseguei. Vi diante dos meus olhos a covardia contigo e fui tomado pela revolta, como quando você tentou botar fogo na padaria.
FIM DE FLASHBACK 📽
GINO (PENSAMENTO): Chegou a hora de criar mais uma receitinha de qualidade duvidosa para vender ao público. Dessa vez não é só pela Isabel, mas por todos os inocentes prejudicados por essa corja da Joana.
O padeiro tira um pequeno frasco do bolso e acrescenta um líquido no meio da receita. Após isso, ele mexe bem. É possível ver Felício ao fundo observando tudo.
FELÍCIO (PENSAMENTO): O que esse tapado vai fazer?
(CENA 8/PRESÍDIO MARIA MOLE/ENFERMARIA/INTERIOR/TARDE)
Pierre está deitado em uma maca. Mariana o acompanha em uma cadeira ao lado. O homem desperta.
MARIANA: Pierre? Está tudo bem, meu amor?
PIERRE: Então não foi um sonho, você realmente tá viva. Mas como? Eu tô preso aqui por sua culpa. Na verdade, por conta da falsificação da Joana. Mas eu fui acusado pelo seu assassinato… Por que você só reapareceu agora? Por que não desmentiu a sua morte para que eu fosse solto?
MARIANA: Fique quieto! Eu irei te esclarecer tudo. Não vai ser fácil, mas espero que você me entenda. Antes disso, eu gostaria de te entregar algo de muito valor material, mas muito provavelmente sentimental.
Ela retira da bolsa e entrega nas mãos de Pierre o rocambole dourado com diamantes cravados.
PIERRE: Como você conseguiu isso?
MARIANA: Eu o comprei, Pierre. E comprei usando o seu dinheiro.
PIERRE: Você teve acesso à minha conta?
MARIANA: Eu invadi a sua casa, peguei seus documentos e fui ao banco. Lá eles disseram que apenas um terço da sua fortuna havia ainda restado para você com a sua separação de bens da Joana, mas que poderia ser usada.
PIERRE: Mas, então quer dizer que você comprou a joia de alguém. Quem?
MARIANA: Joana. Mas não diretamente. Ela estava em um leilão de uma joalheria francesa que Joana a emprestou em troca de dinheiro. Mas o empréstimo não foi pago no tempo certo e a loja teve que se desfazer da peça. Eu vi o anúncio no Instagram e achei a oportunidade perfeita.
PIERRE: Você sempre bem ligada com a tecnologia, salvando o mundo. Nunca poderei devolver esse gesto tão grande pra ti. Esse rocambole é mais do que ouro puro, é um símbolo de vitória daquele menino que lá atrás sempre sonhou em ter um grande negócio.
MARIANA: Eu sei disso. E é por isso que estou aqui para lhe apoiar. Vou fazer de tudo para te libertar.
PIERRE: Mas como foi que você sobreviveu? A perícia está errada, o IML também. Todos eles indicavam o seu falecimento. Interpretaram como homicídio. Você esperou todo esse tempo para recuperar o meu dinheiro ou teve medo de que fizessem algo contra você?
MARIANA: Mais ou menos isso. Eu escapei por um milagre dos médicos, depois de ficar dias em coma. Meu enterro foi realizado, teve cerimônia e tudo. Foi aí que eu finalmente pude voltar a respirar, mas já estava dentro de um caixão. Bati tanto naquela madeira até não conseguir ter mais forças e escapei por um buraco, me rastejando no barro igual uma morta-viva. Mas a alegria de me ver livre e viva novamente durou pouco. Estava lisa, não tinha onde morar e sabia que, se surgisse viva, talvez eu mesma fosse presa por falsidade de óbito. Não tive escolhas, o jeito foi juntar forças e encontrar a maneira e o momento perfeitos para me vingar.
PIERRE: Que macabro! Você realmente renasceu. Eu não consigo imaginar alguém passar por tudo isso e estar forte e lúcida como você aparenta. Que bom que você está viva, Mariana! Mas você disse, se vingar?
MARIANA: Sim, a Joana está de volta e sendo dona da nova Rocambole.
Pierre soca a maca com raiva.
PIERRE: Aquela maldita não seria capaz de roubar o meu prestígio…
MARIANA: Tanto é que está fazendo. A nova Rocambole está sendo um verdadeiro fenômeno, mais ainda do que a comandada por você anos atrás.
Pierre se levanta.
PIERRE: Isso não pode ficar assim!
(CENA 9/RUA/EXTERIOR/MANHÃ)
Um dia se passa. São exibidas cenas da cidade ao som de “Die With A Smile (Lady Gaga & Bruno Mars)”.
(CENA 10/PRESÍDIO MARIA MOLE/PÁTIO/EXTERIOR/TARDE)
Pierre, Mariana e Detetive Júlio caminham.
DETETIVE JÚLIO: Esse foi o caso mais fácil que já peguei! Quem poderia imaginar que surgiria uma prova viva?
PIERRE: Eu que agradeço a você por ter se dedicado com tanto afinco para mim. Acho que se não fossem as suas visitas eu teria morrido há muito tempo preso aí!
DETETIVE JÚLIO: Que isso, Pierre! Eu farejo injustiça de longe, e principalmente quando é contra pessoas de bem. E você é um ser de luz. Já ajudou muitas pessoas necessitadas quando era dono da Padaria.
Pierre e Mariana sorriem.
MARIANA: E pode deixar que eu já tenho testemunhas para ajudar nos trâmites da minha versão. Eu vou comprovar que foi uma tentativa de assassinato, mas da parte da Joana.
DETETIVE JÚLIO: Eu já tenho uma boa quantidade de provas. Depois do ocorrido, a suspeita fugiu com o amante dela para Paris com todo o dinheiro. Amante dela que também não tem um histórico muito elogiável.
PIERRE: Desgraçados!
DETETIVE JÚLIO: Mas vamos deixar isso para depois. Venham comigo! Conheço pessoas que vão ficar muito felizes em ver vocês dois.
PIERRE (GRITANDO): Liberdade!
(CENA 11/ROCAMBOLE/ESCRITÓRIO/INTERIOR/TARDE)
Rosalba observa a interface de seu celular, tomada por ódio. Lívio adentra.
LÍVIO: Oi, meu xuxuzinho! Como é que tá, minha padeira favorita? Já comeu algum pãozinho hoje? Vem comer esse, tá bem quentin…
Rosalba solta um tabefe no rosto de Lívio.
ROSALBA (GRITANDO): Cachorro! Mentiroso! Larápio! Como foi que você teve coragem de me trair com a minha amiga?!
Ela mostra o vídeo da cena de sexo entre Joana e o próprio.
(CENA 12/CASA DE GERTRUDES/CALÇADA/INTERIOR/TARDE)
Laura e Rosângela vão ao encontro de lados opostos e batem juntas na porta de Gertrudes.
LAURA E ROSÂNGELA: Nossa? Você também?
A dona da casa se apresenta.
GERTRUDES: Pois não… Laurinha? Rosinha?
LAURA E ROSÂNGELA: Queremos abrigo!
GERTRUDES: Ai, minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro!
(CENA 13/RUA/EXTERIOR/NOITE)
A noite cai ao som de “You Are The Solution (Loving Caliber)”.
(CENA 14/CASA DE ISABEL/SALA/INTERIOR/NOITE)
Pedro, Isabel, Gino e a arara Esmeralda estão jantando.
ISABEL: Que carinha saliente é essa, Gino? O que aprontou dessa vez?
GINO: Iria dizer o mesmo pra você que só fica aí olhando pra esse celular. Que vídeo é esse que você tanto assiste?
PEDRO: Ih! Vocês tão cheios de mistério…
ISABEL: Não só a gente, porque você até agora não esclareceu a tour no meio das covas.
PEDRO: É, mamãe, a faculdade nos faz passar cada coisa. Mas se querem saber, conheci uma moça legal lá, só que parece que ela precisa muito de ajuda. Acredita que ela mora no quarto das ferramentas dos coveiros?
ISABEL: Que horror! Isso procede, Esmeralda?
ESMERALDA: SIM! O NOME DELA É FILIPAR! FILIPAR!
GINO: Um nome diferente. Depois nos leve para conhecermos a sua namoradinha fantasma, Pedrinho…
PEDRO (IRRITADO): Estou falando sério!
Alguém bate à porta.
ISABEL: Calma a gritaria, tem gente chegando.
Isabel abre a entrada e se depara com uma imagem que nunca imaginou: Pierre, Mariana e Detetive Júlio.
ISABEL: Mas o que? Mariana, você tá viva?
Gino se levanta da mesa e se aproxima.
GINO: Seu Pierre? O senhor tá livre?
Por fim, Pedro se mostra.
PEDRO (INCRÉDULO): Filipa?
Isabel, Gino, Pierre e Detetive Júlio se mostram intrigados. Mariana se mostra aflita e nervosa, o que a faz chorar.
A IMAGEM CONGELA EM MARIANA E SE FRAGMENTA EM VÁRIAS CURVAS DE UM ROCAMBOLE. 🍥
