ROCAMBOLE - CAPÍTULO 15
ROCAMBOLE - CAPÍTULO 15
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS 🟠
(CENA 1/ROCAMBOLE/ESCRITÓRIO/INTERIOR/MANHÃ)
Joana e Isabel entram no local.
JOANA: Sente-se. Aqui poderemos conversar melhor longe daquela barulheira. Qual seu nome mesmo e em que cargo gostaria de trabalhar?
ISABEL (MENTINDO): Júlia, Júlia Mendes de Sousa. Eu tenho especialização em secretariado, mas trabalhei por anos como vendedora no comércio.
A moça entrega o seu currículo para a contratante.
JOANA: Vejo aqui que tem uma vasta experiência. Mas, você disse, Mendes de Sousa? Esse sobrenome eu conheço de algum lugar…
ISABEL: Deve ter ouvido por aí, minha família é muito grande e todos moram na mesma cidade.
Joana permanece desconfiada.
JOANA: Bom, a Rosalba que é a dona da empresa, porém sou eu que dou o aval, né? Como você me apresentou esse histórico incontestável e estamos precisando urgentemente de novas funcionárias… Considere-se admitida.
Isabel sorri e vibra internamente.
ISABEL: A senhora não imagina o prazer que vai ser trabalhar na Padaria Rocambole. Aliás, nome popular, né? Não sei porque mas, tenho a ligeira impressão de que já houve uma padaria nesta cidade chamada assim.
Joana se atordoa.
JOANA: Magina, boba! Se tiver tido, já faliu há muito tempo. Lagoa Dourada é a terra do rocambole, milhares de pessoas vem para cá apenas pra provar essa delícia. Dar um nome desse à padaria não é algo original, não é?
ISABEL: Talvez… E quando eu começo?
JOANA (SÉRIA): Ontem!
(CENA 2/RUA/EXTERIOR/MANHÃ)
Rosângela carrega sacolas de compras e sem querer esbarra em alguém.
ROSÂNGELA: Desculpa, querida… Ah, Gertrudes?!
GERTRUDES: Rosinha! Quanto tempo, amada!
ROSÂNGELA: Onde é que tu se meteu mulher?! Jamais imaginei que fosse te encontrar aqui!
GERTRUDES: Há anos que moro nesta cidade. Mas sempre me lembro com carinho de Guarabira e das calorosas campanhas eleitorais do Patássio. Aliás, como é que ele tá?
ROSÂNGELA (MENTINDO): Infelizmente faleceu, comadre. É, infarto fulminante, fatalidade. Faz tempo, se foi jovem.
GERTRUDES: Num diga! Valha-me, Deus! Perdão!
Próximo dali, uma moça joga roupas masculinas do alto da sacada.
LAURA: Eu não quero ver você mais nem pintado de ouro! Pode ir arrumando seus cacarecos lá fora!
GERTRUDES: Netinha, o que está acontecendo?
LAURA: Mais uma vez, vó. Mais uma vez esse desgraçado me traiu, essa foi a última vez que eu tolerei. Ele que vá pro escambau!
ROSÂNGELA: Espere, esse é o Laurinho?
GERTRUDES: Sim, mas o nome dela agora é Laura, Rosa.
ROSÂNGELA: Perdão!
O homem sai de dentro do prédio e colhe os seus pertences jogados na rua.
CLODOVIL: Laurinha, me perdoa! Isso não vai mais se repetir! A partir de agora serei seu digníssimo e fiel marido.
LAURA: Vai nada! Desde que eu topei morar com você, tudo começou a dar errado. Nem trabalhar você quer mais, gigolô!
GERTRUDES: Que papelão, hein, Clô! Uma mulher como essa você com essa idade nunca mais vai encontrar!
CLODOVIL: Cala-te boca, velha decrépita!
Gertrudes e Rosângela vaiam o sujeito, enquanto Laura joga um balde de água sobre o mesmo.
(CENA 3/CASA DE ISABEL/COZINHA/INTERIOR/MANHÃ)
Gino prepara o almoço. Um jovem se aproxima agarrando suas costas e dando um baita susto.
GINO: Pedro?! O que está fazendo aqui? Já terminou o intercâmbio?
PEDRO: Quem diz isso sou eu, que decisão descabida foi essa de se mudar pra cá? Justamente aqui onde nos aconteceu tantas desgraças…
GINO: Filho, você sabe como é a sua mãe. Quando ela bota uma ideia na mente, ninguém tira. Mas como foi a viagem? Ela vai ficar contente em te ver.
PEDRO: Quis fazer uma surpresa! Aliás, a gente quis fazer…
Gino fica intrigado. Pedro assovia e logo a câmera flagra um agitação esverdeada em movimentos agitados: é a arara Esmeralda.
ESMERALDA: GINOR! PAPAIR! FAMILIAR!
GINO: Você veio, Esmeraldina?! Estamos todos juntos novamente, como nos velhos tempos…
Pedro sorri, mas põe-se a esboçar um semblante de preocupação.
PEDRO: Eu tenho que sair.
GINO: Onde vai?
PEDRO: Ao cemitério, colher umas amostras pro meu TCC. Estou estudando a composição do solo. E se tem uma coisa em São Paulo que não é como aqui é a terra onde a gente pisa. Lembro que quando era criança, lá tinha um barro especial, vermelho… Enfim, me acompanha, Esme?
ESMERALDA: UAR! CLAROR! VAMOS, PEPEU!
(CENA 4/ROCAMBOLE/ESCRITÓRIO/INTERIOR/MANHÃ)
Rosalba entra em uma das salas. Ela organiza alguns papéis. Alguém bate na porta.
ROSALBA: Lívio?!
O idoso agarra a mulher com habilidade, insinuando uma cena quente e romântica.
ROSALBA: Ficou maluco?! Como você me encontrou aqui?!
LÍVIO: Isso não importa agora, minha flor! Estou muito feliz que você seguiu os meus conselhos e resolveu abrir esse ponto comercial. Acredite, comida é a chama do sucesso nessa cidade!
ROSALBA: Não sei o que seria de mim sem você! Mas como você soube que eu ia inaugurar a padaria hoje? Há séculos não te mando mensagens!
LÍVIO: Só me beije, quero sentir o seu gosto. Vamos ver se está apurado para uma padeira!
ROSALBA (GEMENDO): Ai! Jamais achei que no nosso primeiro encontro pessoal, íamos acender tanto assim o forno… Estou adorando!
Lívio apalpa as nádegas da ex-professora. Ambos lambem as línguas um do outro e se deitam em cima da mesa ao som de “They Don't Know (Ariana Grande).”
(CENA 5/CEMITÉRIO/INTERIOR/MANHÃ)
Pedro caminha entre as lápides. A arara Esmeralda sobrevoa sobre as árvores do espaço. Ele para em um túmulo e veste um par de luvas para coletar partículas do terreno. Em seguida, verifica a pessoa enterrada naquele jazigo: Mariana dos Santos Barreto. Ele olha para a imagem da defunta por milésimos até ser interrompido por uma moça.
MULHER: O que está bisbilhotando aí, mocinho?!
PEDRO: Opa, Dona! Eu sou estudante de biologia, tô fazendo uma análise na terra daqui, espero não incomodar.
O rapaz observa a face parcialmente coberta da outra, que veste algo parecido com uma burca.
(CENA 6/ROCAMBOLE/ESCRITÓRIO/INTERIOR/TARDE)
O clima comemorativo continua no ambiente. Joana serve-se com um drink. Disfarçado, Gino se apresenta no ambiente e se aproxima da perua.
GINO: Boa tarde, bela dama!
Joana cresce os olhos sobre o sujeito.
JOANA: Mas olha só, tá pintando cada pão nessa padaria…
GINO: Eu vim atrás de uma oportunidade de emprego.
JOANA: Outro?! Quer dizer, acredito que não há mais vagas, a última foi preenchida hoje cedo por uma já…
GINO: Eu imploro! Estou precisando muito de uma chance. Tenho filhos pequenos que necessitam de comida. O que será deles se não tiverem a pensão do pai?
JOANA (DECEPCIONADA): É casado, é?
GINO: Viúvo!
Joana avalia o currículo do homem.
JOANA: É, vejo que você já botou por muitos anos a mão na massa! E estamos mesmo carentes de mais um padeiro, o que temos é um frangote imprestável…
GINO: Se quiser, faço agora mesmo uma receita como cortesia e a senhorita pode provar se meu toque culinário está qualificado! Que tal um rocambole de doce de leite?
JOANA: Preferia ver outro tipo de rocambole…
A mulher se joga corporalmente em cima do abdômen de Gino, que se sente incomodado. Isabel chega e encara Gino, sem dar pistas.
ISABEL: Dona Joana, os contratos com os fornecedores de manteiga já estão fechados. Há algo mais para ser feito?
JOANA: No momento, só passar a papelada desse moço no setor de contratação. Ele é o nosso novo padeiro.
ISABEL: Claro, Dona Joana! Faço isso num instante, me acompanhe, Seu…
GINO: Eugênio!
JOANA: Eugênio? Que nome esotérico!
Gino sorri sem graça. Os novos funcionários saem à francesa.
ISABEL (COCHICHANDO): Que ideia de jerico de vir até aqui agora?! Você entraria depois, vai dar muito na cara…
GINO (COCHICHANDO): Que se dane! Senti sua falta, agora estaremos o dia todo pertinho um do outro. Tenho uma coisa boa pra te contar: o Pedro voltou de viagem e está aqui, em Lagoa Dourada.
ISABEL: Aqui? Que péssima hora! Não queria que ele se metesse no meio dessa sujeirada! Eu preciso encontrar meu filho…
Isabel vai até a patroa.
ISABEL: Dona Joana, eu posso dar uma saidinha depois que acertar os documentos do Seu Eugênio? Tenho que pegar meu filho na escola, eu não sabia que ia começar a trabalhar hoje, não mandei ninguém ir buscá-lo.
JOANA: Tá, tá, tá, vai logo! Para de chorar no meu ouvido!
ISABEL: Licença…
JOANA: Essa raça, vou te contar, é só dar uma asa que eles querem a galinha toda.
Rosalba surge de mãos dadas com Lívio, surpreendendo a megera.
ROSALBA: Olha, Joana, eu queria te apresentar o meu namorado. Esse é o Lívio.
Joana engole Lívio pelos olhos, transformando a cena em um climão.
(CENA 7/PRESÍDIO MARIA MOLE/SALA DE VISITAS/INTERIOR/TARDE)
Um homem esfarrapado é trazido pelos policiais até uma mesa onde está Isabel, já sem os disfarces de Júlia.
ISABEL: Boa tarde! Quanto tempo, não é? Como você está?
O homem levanta o cabelo que escondia seu rosto.
PIERRE: O que essa desgraçada tá fazendo aqui?
ISABEL: Calma! Eu quero te ajudar!
PIERRE: Ajudar?! Você nunca me ajudou! Você é quem implantou o calvário na minha vida, como bem uma outra diaba já me disse.
ISABEL: Eu sei que falhei no passado contigo, fui fraca. Mas estou aqui para unir forças. É uma guerra entre o bem e o mal.
PIERRE: Não existe mal e nem bem, Isabel, sabe por quê? Por causa de pessoas como você! Gente dissimulada, que se faz de sonsa, que prega o exemplo no mundo mas no final é tão ruim quanto quem você roga praga.
ISABEL: Me perdoa, Pierre! Eu sei que vendo do seu ponto de vista parece que eu estive sempre querendo ver o circo pegar fogo, mas eu fui vítima tanto quanto você. Antes de eu ficar sabendo da sua prisão, eu fugi dessa cidade desesperadamente. A Joana e o comparsa amante dela contrataram criminosos para dar cabo de minha pessoa. No fundo, você sabe que foi ela quem armou esse jogo todo, que te fez parar atrás das grades por um crime que não cometeu. E as provas podem até apontar a sua responsabilidade, mas eu concordo com o seu depoimento de que foi a Joana quem matou a Mariana.
PIERRE (GRITANDO): Chega! Tirem essa mulher daqui! Ela é uma bandida!
ISABEL (MAREJANDO): Acredita em mim, Pierre! Eu vou dar um jeito de te tirar daí. Logo, logo vamos estar juntos planejando uma forma de acabar com a raça da anticristo da Joana…
Pierre dá as costas para Isabel. O penitenciário o conduz de volta à cela.
(CENA 8/ROCAMBOLE/COZINHA/INTERIOR/TARDE)
Lívio, Joana e Rosalba são servidos por Gino.
ROSALBA: Nossa, faz tempo que eu não como um rocambole, apesar de esse ser o nome da minha padaria.
JOANA: A ideia disso foi minha, claro, rocambole é um título que chama atenção. Mas olha, acho que você foi a melhor coisa que me aconteceu hoje, Eugênio. Que cozinheiro de mão cheia! Tá uma delícia.
Joana se agarra nos braços de Gino, provocando ciúmes em Lívio.
LÍVIO: Rosalbinha, me serve rocambole na boca, vai!
ROSALBA: Olha o aviãozinho!
Há um clima hostil no ambiente. Gino se mostra satisfeito com a situação.
JOANA: Ai, tá me dando um calor!
ROSALBA: Em mim também, tá bom de botar uns ar-condicionado aqui.
LÍVIO: Tá louca, xuxu? Quem já viu cozinha refrigerada?
Lívio tira a camisa com a inquietação. Rosalba e Joana idem. Gino se surpreende.
GINO (PENSAMENTO): Isso não pode estar acontecendo de novo…
Os três degustadores começam a se inquietar. Joana abre uma garrafa d'água e joga sobre suas partes íntimas. Lívio fica totalmente pelado. A vilã sobe em cima de seu capacho e se imagina sendo uma cavaleira sobre seu alazão. Com raiva do que vê, Rosalba imita uma gralha dando altos e agudos gritos. Gino calmamente se retira e vê pela janela a cozinha virando praticamente uma savana com embate entre animais selvagens. Felício percebe o medo na cara do colega de trabalho.
FELÍCIO: Calma, Eugênio! Isso não é novidade pra mim. Acontecia muito antigamente, praticamente com os mesmos personagens e principalmente quando um caro amigo meu chamado Gino resolvia criar uma receita nova… Vai por mim, ter se tornado padeiro daqui ao meu lado vai te levar a altas aventuras!
Gino, porém, permanece aloprado.
(CENA 9/RUA/EXTERIOR/NOITE)
A noite cai com a música “Kings Highway (James Bay)” ecoando.
(CENA 10/PRESÍDIO MARIA MOLE/CELA/INTERIOR/NOITE)
Pierre se mexe de um lado para o outro enquanto dorme. Em seu subconsciente, ele começa a se imaginar em um mundo encantado feito de doces. Ele entra em uma casa feita de chocolate. Dentro dela, ele encontra Mariana.
PIERRE: Você está viva?
Mariana nada responde a aponta para uma pilha de guloseimas dispostas num canto da casa. Ambos partem para devorar. Depois de um tempo, Mariana começa a passar mal e desmaia. Pierre se desespera e tenta reanimar a moça. Ele é interrompido por passos pesados de Joana, que se encontra com uma aparência medonha e um figurino macabro. Ela agarra Pierre e o coloca em uma gaiola de passarinho.
JOANA: A partir de agora você vai viver aí! Eu vou te engordar como um frango e depois assar no forno pra fazer uma ceia maravilhosa! Hahahahaha!
Pierre clama por ajuda, até que Isabel aparece entrando em embate com Joana fisicamente. Joana consegue pegar o corpo de Mariana e jogar uma lareira acesa. Pierre acorda do sonho.
PIERRE (GRITANDO): NÃAAAAAAAAAOOOOOOOOOO!
Os outros detentos o xingam. Ele se recompõe.
(CENA 11/CEMITÉRIO/INTERIOR/NOITE)
PEDRO: Foi uma injustiça sem precedentes o que fizeram com a senhora, Dona Filipa. Abandoná-la aqui, sem nada nem ninguém, para viver no abrigo dos coveiros…
FILIPA: É, meu filho, mas eu já entendi que essa é minha sina. Devo terminar meus dias aqui até ser empacotada e ficar debaixo do mesmo barro que você pegou com as mãos.
PEDRO: Saiba que pode contar comigo pro que precisar! És um ser humano de ouro! Só hoje já pude perceber. Mas agora tenho que ir. Esmeralda já está até dormindo no meu colo! E o pessoal deve estar preocupado com o meu sumiço.
FILIPA: Obrigada por tudo, meu querido! Vá com Deus e mande um beijo para sua mãe.
PEDRO: Como conhece minha mãe?
FILIPA: Modo de falar, a sua mãe deve se importar muito com você…
Pedro coça a cabeça, mas se despede. Filipa abre um largo sorriso exibindo um brilhante dente dourado. Em seguida, se abriga novamente na sua humilde morada.
(CENA 12/CASA DE ISABEL/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE)
GINO: Ficaram todos selé!
ISABEL: Eles bem que mereceram!
GINO: Você não entende, eu não faço isso por querer. Simplesmente acontece. Tem de haver alguma explicação!
Isabel faz uma ligação, mas a chamada não é atendida.
GINO: Para quem estava ligando?
ISABEL: Detetive Júlio, há tempos que não o contato. Quero saber como anda a investigação do rocambole mágico, que já era pra ter tido algum desenrolar… Também quero que ele me ajude a conseguir um habeas-corpus para o Pierre, eu prometi para ele que ia tirá-lo da prisão.
GINO: Você foi visitar o Pierre?!
ISABEL: Sim, qual o problema?!
Pedro chega da rua.
ISABEL: Filho?! Finalmente!
Isabel abraça fortemente o jovem.
ISABEL: Que saudades! Por que você veio nos visitar sem avisar? Que pés sujos de barros são esses? Onde você estava?!
Pedro demonstra um semblante mexido.
(CENA 13/RUA/EXTERIOR/MANHÃ)
O dia amanhece ao som de “Deslocado (NAPA)”.
(CENA 14/PRESÍDIO MARIA MOLE/SALA DE VISITAS/INTERIOR/MANHÃ)
A música “Deslocado (NAPA)” continua ecoando ao fundo. Pierre é trazido por um policial. Filipa aguarda para vê-lo.
PIERRE: Quem é você?
FILIPA: Você não mudou nada! Continua o garboso homem por quem eu me apaixonei.
PIERRE: Ficou maluca?! Eu nunca te vi mais gorda…
A mulher retira o capuz que cobria parte do rosto e revela sua identidade.
MARIANA: Não reconhece mais sua secretária, Pierre?!
O presidiário arregala os olhos de espanto. Mariana exibe uma feição dona de si.
A IMAGEM CONGELA EM MARIANA E SE FRAGMENTA EM VÁRIAS CURVAS DE UM ROCAMBOLE. 🍥
