Eternamente - CAPÍTULO 08

 



ETERNAMENTE CAPÍTULO 08


Cena 01 - Sala de Artes [ESCOLA]


Os lábios de Jandir encostam-se nos lábios de Júlia. A menina se entrega ao homem muito facilmente, como uma presa sem forças nas mãos de seu predador. A porta da sala se abre lentamente, alguém surge atrás dos dois. O beijo dá sequência pois eles não percebem a entrada de mais um indivíduo na sala. A câmera se aproxima da porta, o sombreamento revela lentamente uma silhueta feminina paralisada observando o que está acontecendo ali. É Liz.


LIZ |Incrédula com o que acaba de presenciar.| - O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI!?


Jandir e Júlia se assustam, virando-se rapidamente para a porta. Com efeitos sonoros impactantes, a câmera dá close no rosto de cada um dos três.


LIZ - EU NÃO POSSO ACREDITAR... EU NÃO POSSO ACREDITAR!!!


JANDIR - Liz, não é nada disso que você está pensando!


LIZ - QUE EU ESTOU PENSANDO? EU VI!! VOCÊS ESTAVAM SE BEIJANDO...


JÚLIA - Liz, por favor! Não fale para ninguém sobre o que acaba de presenciar.


LIZ - Júlia, olha como você está... nua, na sala do seu professor. Isso é no mínimo problemático, não acha?


JANDIR - Liz, você não pode contar para ninguém sobre o que viu.


LIZ - Como não vou contar? É grave! Você deveria ter vergonha, seu aproveitador!


JANDIR - Liz...


A voz de Jandir é interrompida quando a moça que presenciou o beijo se mostra atônita ao olhar em direção ao fundo da sala.


LIZ - Não pode ser o que eu estou imaginando... |Liz se aproxima do nu artístico que está sendo desenhado por Jandir.|


JANDIR - Liz, eu posso me explicar... se isso que você acredita ter visto se espalhar, abrirá margens para más-interpretações e isso vai me prejudicar muito. 


LIZ - Pensasse nisso antes de se envolver com uma aluna... uma menina de TREZE anos. Quantos anos você tem, Jandir? Ponha a mão na consciência.


JANDIR - Eu prometo te passar de ano sem precisar de recuperação.


LIZ - Isso não vai me calar!


JÚLIA - CHEGA! Liz, você deveria cuidar melhor da sua vida e da sua reputação que não é lá das melhores, sabia? Você é bolsista e vive trocando socos nos corredores da escola! Cuide da sua vida e não intervenha em situações que não lhe dizem respeito ou você acha que vão acreditar em você? Com todo o seu histórico? Francamente!


LIZ - Pode ser que a diretora Olívia não acredite nas minhas palavras, mas o Israel vai! Ele é seu amigo, consegue contatar os seus pais, basta uma suspeita deles para que eles venham averiguar o que está acontecendo e, além do mais, o quadro é a prova viva do que está acontecendo aqui.


Jandir revela um semblante preocupado, transitando entre a angústia e o medo. 


LIZ - Eu preciso sair daqui. Esse ambiente está me fazendo muito mal. A minha próxima parada vai ser a sala da diretora Olívia, ainda que ela não acredite em mim.


Júlia se veste rapidamente, Liz sai da sala de maneira abrupta. Júlia, após se vestir, corre atrás de Liz para tentar impedir que ela conte o que testemunhou. A câmera se aproxima do rosto de Jandir. 


JANDIR - DESGRAÇADA!


O homem lança, contra a parede, um copo de vidro que se faz presente em sua mesa. Jandir demonstra ofegância, seus olhos e seu rosto estão vermelhos. A câmera se afasta lentamente.


Cena 02 - Piso superior [ESCOLA/DIA]


Júlia corre atrás de Liz, que está determinada a contar tudo o que acabara de presenciar.


JÚLIA - Liz, você não tem esse direito!


Liz se aproxima da escadaria. Júlia a alcança. Liz tropeça em seus pés, se desequilibra e rola escada abaixo.


JÚLIA - LIZ!


Júlia desce as escadas rapidamente ao ver que Liz, caída no chão, não responde ao chamado. A menina se aproxima de Liz para averiguar se ela está realmente desacordada. Júlia dá um sorriso aliviado ao ver que Liz está viva e que não pode contar o que viu. A menina se retira para buscar ajuda.


Cena 02 - Posto de Saúde [DIA]


Bruninho é consultado por um clínico geral.


MÉDICO - Não é nada muito sério, mas é preciso tomar cuidado. Pode voltar se os sintomas persistirem.


GRAÇA - Ah, que bom! Eu tenho esses remédios lá em casa. 


MÉDICO - Ótimo!


Graça se levanta, preparando-se para sair.


GRAÇA - Ah, doutor... já ia me esquecendo... o senhor sabe quais tipos de exames são necessários para testar a compatibilidade de um doador.


MÉDICO - Doador de...?


GRAÇA - Coração... um transplante... é que o Bruninho tem sérios problemas cardíacos e terá que ser operado. Gostaria de estar preparada.


MÉDICO - Boa parte dos exames podem ser feitos apenas com amostras de DNA, outros, como o ecocardiograma, são de imagens.


GRAÇA - Ah, entendi.


MÉDICO - Mas pode ficar tranquila quanto a isso, os médicos responsáveis pelo transplante vão te guiar melhor sobre o assunto. Não é a minha área de especialidade.


GRAÇA - Certo. Muito obrigado por tudo, doutor.


Graça aperta a mão do médico em sinal de respeito e se retira da sala.


Cena 03 - Sala de Artes [DIA]


Jandir está sentado, ainda preocupado com tudo o flagra que levou de Liz.


JANDIR - Eu não vou ficar aqui vendo o mundo desmoronar na minha cabeça. NÃO VOU! 


O professor se retira determinado.


Cena 04 - Direção [DIA]


Júlia chega afoita. 


JÚLIA - DIRETORA! A LIZ...


OLÍVIA - Ai, meu Deus! O que essa menina fez dessa vez!?


JÚLIA - Ela escorregou, rolou escada abaixo e está desacordada, precisamos socorrê-la.


OLÍVIA - Meu Deus! Vamos rápido, antes que ocorra algo mais grave!


As duas se retiram rapidamente.


Cena 05 - Quarto de Rosa [DIA]


Rosa e Israel estão deitados na cama. 


ISRAEL - Foi o momento mais lindo de toda a minha vida.


ROSA - Você foi o meu primeiro homem...


ISRAEL - E você a minha primeira mulher!


Os dois trocam selinhos.


ROSA - Israel, agora que isso aconteceu e que nós nos declaramos, precisamos pensar em algo mais sério, não acha?


ISRAEL - Não só acho como tenho certeza. Por que não organizamos um jantar hoje lá em casa? Você e sua mãe poderão conhecer os meus pais e os meus pais poderão conhecer a sua mãe.


ROSA - Acho ótimo! Te amo muito!


Israel e Rosa dão outro beijo, agora mais duradouro.


ISRAEL - Se vai ter jantar, preciso ir! Ainda tenho que avisar a minha mãe e começar a organizar as coisas.


Rosa sorri.


ROSA - Tenho certeza que vai ser lindo, pois estarei ao seu lado.


ISRAEL - Ah, já ia me esquecendo...


Israel se ajoelha perante Rosa.


ISRAEL - Meu amor, aceita namorar comigo?


ROSA - É claro que sim, seu bobo!


Eles sorriem e selam com um novo beijo. Israel se despede da moça, que ponha para fora um bobo sorriso.


Cena 06 - Clínica de Rafael [DIA]


Amanda, a secretária de Rafael que tem um caso com Jandir, serve um café para o médico.


RAFAEL - Olá, Amanda! Preencheu as planilhas como lhe pedi?


Amanda se desequilibra e acaba derramando café no jaleco de Rafael.


RAFAEL - Ah, não...


AMANDA - MIL PERDÕES! POR FAVOR, ME DESCULPE!


RAFAEL |Gritando.| - O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ NESSES ÚLTIMOS DIAS, AMANDA!?


AMANDA - ME PERDOA, SR. RAFAEL!


RAFAEL - Isso aqui deve ficar manchado. Droga!


AMANDA - Eu posso lavar, talvez saia.


RAFAEL - Não, não precisa... e as planilhas? O prazo que estipulei para a entrega dela acabou ontem.


AMANDA - Planilha!? Eu me esqueci...


RAFAEL - Se esqueceu? Que novidade! Há duas semanas que não sei em que mundo você está... francamente.


AMANDA - Calma, Rafael...


RAFAEL - Doutor Rafael. Amanda, não me resta outra alternativa a não ser lhe demitir. Você sabe que só estava aqui pelo trabalho de excelência que entregava. Eu tenho motivos externos para não querer que você trabalhe aqui e mesmo assim insisti porque acredito no seu potencial no âmbito profissional.


AMANDA - Então... eu estou... demitida!?


RAFAEL - Sim, está.


AMANDA - Isso tudo é por mágoa do que aconteceu no passado?


RAFAEL - Não, Amanda! Você está perdendo o seu emprego pela baixa qualidade do seu serviço... coisas estão em atraso aqui dentro porque você tem se mostrado uma profissional incompetente, ainda que já tenha sido muito boa.


AMANDA - Rafael, o senhor não tem o direito de fazer isso comigo. Eu peço clemência! Está difícil arranjar colocações no mercado de trabalho.


RAFAEL - Pensasse nisso antes. Agora me dê licença, por favor!


Rafael retorna aos serviços, anotando com uma caneta em seu caderno. Amanda olha para trás e sai dali com lágrimas nos olhos.


Cena 07 - Carro de Jandir [DIA]


Jandir dirige seu carro pelas ruas da cidade. O telefone celular do homem começa a tocar.


JANDIR |Irritado.| - Alô. |Pausa. Jandir pouco a pouco abre um sorriso, como se ouvisse uma boa notícia.| Agora? |Sorri maliciosamente.| Eu passo pra te buscar. |A ligação é encerrada.| Isso vai ser mais fácil do que tirar um doce das mãos de uma criança. 


O homem segue o seu caminho com uma nova expressão, uma mais contente. 


Cena 08 - Hospital [DIA]


Diretora Olívia se faz presente no local. Uma tia de Liz chega ao local.


DIRETORA OLÍVIA - Ah, dona Ana...


ANA |Tia de Liz.| - Eu vim o mais rápido que pude... o que aconteceu ao certo?


DIRETORA OLÍVIA - Ela se desequilibrou e caiu da escada.


ANA - NOSSA! |A mulher se mostra desesperada.| 


DIRETORA - Estou aqui há alguns minutos aguardando por notícias e nada! Ela estava desacordada.


ANA - Ai, meu Deus! Proteja minha sobrinha! Ela me dá trabalho mas eu a quero comigo!


Ana fecha os olhos ao realizar o suplício. Diretora Olívia também cerra os olhos, como se clamasse internamente por uma intervenção divina. A câmera se afasta.


Cena 09 - Casa de Léia [DIA]


Léia se aproxima da porta ao ver que Israel bateu o portão.


LÉIA - O que aconteceu para estar vindo tão depressa, meu filho?


ISRAEL - Mãe, tenho algo pra te contar...


LÉIA - Ai, meu Deus! Passou mal? Tirou nota ruim na prova? Engravidou alguém? O que aconteceu, Israel?


ISRAEL - Calma, mãe. Eu... eu estou namorando!


LÉIA - O QUÊ?


ISRAEL - E a minha namorada vai vir aqui em casa hoje com a mãe dela para um jantar.


LÉIA - Em cima da hora assim, meu filho? Por que não marcou para outro dia!?


ISRAEL - Porque nunca estive tão certo de alguma coisa em minha vida como estou agora. Ela é a mulher da minha vida, eu sei!


LÉIA - Israel, você só tem quinze anos...


ISRAEL - Eu sei, mas já amo... e é algo tão forte que sinto vontade de gritar aos quatro cantos o nome da minha amada e declarar à todos o quanto a amo.


LÉIA - Ah, que lindo...


ISRAEL - Se a senhora quiser vou ao mercado e trago o que for necessário para o jantar.


LÉIA - Vai conquistar ela pela barriga, não é?


ISRAEL - É, mamãe... é.


Eles sorriem. Os dois iniciam os preparativos para o jantar. A câmera se afasta.


Cena 10 - Clínica de Rafael [PARTE EXT/DIA]


Amanda adentra ao carro de Jandir. A mulher está chorosa.


JANDIR |Com segundas intenções.| - Ah, Amanda... o que aconteceu?


AMANDA |Contendo suas lágrimas.| - Não fale nada, Jandir! Me leve daqui!


Cena 11 - Casa de Jandir [DIA/INT]


No quarto de Jandir, é perceptível o tilintar das chaves, sinalizando que o homem está prestes a abrir a porta.


JANDIR - Sente-se e desabafe, meu bem. Aqui é um lugar seguro.


Amanda se movimenta no local com passos tímidos. A cama se aproxima do seu semblante abatido.


AMANDA - Ele me destruiu, Jandir...


JANDIR - Ele quem?


AMANDA - O Rafael Roque. Ele me demitiu.


Jandir se mostra chocado com o que acabara de ouvir. A câmera se aproxima do homem que pouco a pouco muda o seu semblante de curioso para decepcionado já que todos os seus esforços para conseguir algo contra Rafael, não surtiu nenhum efeito.


JANDIR - Poxa...


AMANDA - Você precisava ver a maneira como ele falou comigo. Ele foi tão ríspido... eu nunca mais imaginei que o veria daquela maneira.


JANDIR - Você já viu ele assim antes?


AMANDA - Já... quando rompemos.


JANDIR - O que? Vocês já tiveram um caso?


AMANDA - Mais que um caso, fomos namorados.


É notável a perplexidade nos olhos de Jandir.


AMANDA - Há alguns anos, eu estava noiva de um homem e perdidamente apaixonada pelo mesmo. Já havíamos buscado por imóveis, carro e estávamos definindo onde passaríamos a nossa lua de mel. O rapaz era muito estranho comigo, ele agia de maneira duvidosa e era muito reticente em relação ao casamento, ele só decidiu fixar algo sério comigo após eu tê-lo colocado contra a parede, aceitou por medo de me perder. Eu fui muito idiota, não vi que para ele eu era descartável, apenas um passatempo. Vi mensagens e ligações no celular dele para outra mulher, decidi então procurá-la e descobri que ela era casada com o rapaz por quem eu me apaixonei. |Funga.| 


JANDIR - Que história triste, Amanda...


AMANDA - Pois é. |Se levanta e começa a dar passos curtos pelo quarto.| Foi então que eu percebi o Rafael Roque, eu já trabalhava para ele e apesar de já ter recebido cantadas do mesmo, nunca me interessei seriamente. Ele foi um bálsamo pra mim, sabe? Eu fui burra novamente, reatei o caso com o meu antigo noivo, eu ainda era muito apaixonada por ele, bastou meia dúzia de palavras baratas para que eu me envolvesse na teia dele novamente. Numa noite, saí para me encontrar com o sujeito e o Rafael nos pegou aos beijos em um botequim. Ele me xingou de tudo quanto foi nome — e com razão. Eu estava desesperada e me sentindo culpada pelo que fiz com Rafael, também pensava no meu emprego, naquela época já era difícil conquistar um. Apesar de tudo, ele foi muito generoso comigo na época e permitiu que eu continuasse trabalhando para ele.


JANDIR - Ele nunca me falou disso...


AMANDA - Orgulho masculino, sei bem como funciona. Provavelmente é algo que ele guarda só pra ele.


JANDIR - Olha, Amanda... eu não sei o que te falar, francamente...


AMANDA - Não diga. Hoje vejo que fui idiota mais uma vez com você. |Jandir se vira para Amanda com os olhos arregalados, esboçando medo do rumo que a conversa está tomando.| Você não se interessou por mim, sempre esteve com segundas intenções. Eu vejo nos seus olhos.


JANDIR - O que? Eu nunca faria isso.


AMANDA - Não minta para mim, Jandir. Você quer destruir o Rafael Roque. Percebi que seus olhos brilharam quando ele era o assunto dos nossos encontros. Seja lá o que for, eu sei que você esconde alguma coisa e que nosso namoro, se é que pode ser chamado assim, não passa de um jogo de interesses. 


JANDIR - Para com isso. Você me ofende falando assim.


AMANDA - Mas não importa! Não quero saber das tuas intenções, das suas motivações e tampouco de joguinhos! Sou uma mulher direta! Eu nunca senti por ninguém o ódio que estou sentindo agora pelo Rafael e, apesar dos pesares, eu gosto de você, Jandir. Não sei se devo, mas gosto. Pensando nessas coisas, lhe trouxe isto.


Amanda tira de sua bolsa uma pasta de cor azul. Os olhos de Jandir brilham.


AMANDA - Talvez eu esteja cometendo o maior erro da minha vida neste instante, mas é um risco que devo correr. Faça o que quiser com este conteúdo, mas use com precaução. Ele envolve muita gente poderoso e um esquema internacional perigoso. Agora eu preciso ir, vou juntar minhas economias e partir para o interior de São Paulo, minha mãe mora lá e está doente.


Amanda se retira, criando ecos sonoros com os saltos em seus pés. Um instrumental vitorioso começa a tocar. Jandir sorri e se retira levando a pasta consigo.


Cena 12 - Cidade [DIA]


🎶 _"True Colors — Cyndi Lauper"_ 🎶 


São mostradas cenas da cidade ao pôr do sol. Anoitece. 


*CORTA PARA:* Hospital.


Cena 13 - Hospital [NOITE]


Diretora Olívia e tia Ana continuam desesperadas em busca de notícias a respeito do estado de saúde de Liz.


ANA - Estamos aqui há horas e nada! Vou falar com a recepcionista.


Ana se levanta determinada e se dirige à bancada da recepção. A câmera se movimenta junto com a senhora.


ANA - Não é possível que vocês não tenham nenhuma notícia da minha sobrinha. Estamos aqui desde as três e não disseram uma palavra sobre ela, não sabemos nem se ela está viva. Não é possível, será que vocês não se compadecem com a angústia de uma tia que sofreu pra criar uma sobrinha órfã?


RECEPCIONISTA - Senhora, eu entendo a sua frustração... mas não posso fazer nada, me desculpe.


ANA |Estressada.| - Não pode fazer nada, não pode fazer na- |Interrupção.|


RECEPCIONISTA |Interrompendo.| - Ali está o médico responsável pela sua sobrinha, senhora.


ANA |Desfazendo a expressão que carregava anteriormente em seu rosto.| - Obrigada!


Ana se vira para o lado oposto, na direção do médico, Olívia faz o mesmo.


OLÍVIA - E então doutor...?


ANA - Alguma notícia da minha sobrinha?


O médico reveza o olhar entre as duas de forma apática, sem esboçar nenhuma expressão.


Cena 14 - Casa de Léia/Israel [NOITE/INT]


Israel, Lourenço e Léia se fazem presentes na sala.


LOURENÇO - Que horas vamos poder atacar? Essa comida que vocês prepararam está com uma cara ótima!


LÉIA - Quando elas chegarem, comemos.


ISRAEL - Acho que está tudo perfeito, só falta elas chegarem mesmo.


LÉIA - O esforço que você está fazendo para que tudo seja minimamente perfeito... você ama mesmo essa garota, não é, meu filho?


ISRAEL - É claro que eu amo. Não tenha dúvidas disso.


A campainha toca.


ISRAEL - Só pode ser elas.


Israel se direciona à porta. Rosa e Gardênia dão de cara com o rapaz.


ISRAEL |Cumprimentando.| - Boa noite! Você está linda, meu amor!


Um instrumental tenso compõe a cena, como se algo importante estivesse prestes a acontecer.


ROSA - Você também, meu gatão!


Israel, Rosa e Léia adentram à casa de Israel. Na parte interna, Lourenço está virado de frente para a direção oposta da porta, verificando as louças. 


ISRAEL - Pai, mãe... esta é a Rosa, minha namorada.


ROSA - Boa noite!


O instrumental de tensão se agrava. A câmera foca no rosto de Lourenço, que reconhece a voz de Rosa e se vira em câmera lenta. O homem demonstra preocupação.


LOURENÇO - Não pode ser...


GARDÊNIA - Lourenço??


ROSA |Assustada.| - Papai!?


ISRAEL |Chocado, com medo da resposta e assustado.| - "Papai"? Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? Que história é essa?


Léia também demonstra confusão através da expressão que esboça em seu rosto.


*CORTA PARA:* Casa de Graça [EXT]


Cena 15 - Casa de Graça [NOITE/EXT]


🎶 "I've Got You Under My Skin - Frank Sinatra" 🎶 


Jandir desce do seu carro e bate incessantemente na porta de Graça.


GRAÇA |Na parte interna da casa.| - Já vai! 


Mais batidas são ouvidas. 


GRAÇA - JÁ VOU!


Graça demonstra estresse.


JANDIR - Boa noite!


Jandir saca a pasta azul que recebeu de Amanda, colocando-a nas mãos de Graça.


JANDIR - Eu consegui! Agora você pode começar a executar o seu plano... o Rafael Roque está em suas mãos!


Jandir sorri de canto. Graça abre um largo sorriso em seu rosto, olhando para o dossiê que acabara de receber.


*CONGELAMENTO EM GRAÇA:* A cena fica pouco a pouco em câmera lenta, sinalizando o fim do capítulo.