Eternamente - CAPÍTULO 03
ETERNAMENTE CAPÍTULO 03
Cena 01 - Mansão de Heloísa [INT/DIA]
Heloísa está sentada sobre uma cadeira em sua mesa de refeições. Benjamin, seu filho mais novo, desce as escadas. O menino se dirige à sala de estar.
HELOÍSA - Oh, meu amor! Levantou?
Heloísa abração filho.
HELOÍSA |Sorrindo.| - Cadê o meu beijo?
O menino beija a bochecha da mãe. Uma empregada serve o café da manhã para os dois.
EMPREGADA - Dona Heloísa, será que eu posso ter um instante a sós com a senhora? Preciso muito lhe falar...
Heloísa tem uma rápida mudança de expressão, indicando preocupação.
Cena 02 - Comunidade [DIA]
A câmera mostra uma certa movimentação no local, Lourenço está parado e escorado em uma parede. Uma mulher se aproxima do homem, lhe dando um sinal. Lourenço segue a mulher.
Cena 03 - Casa de Léia e Lourenço [DIA]
Lourenço abre a porta e a mulher adentra à residência. A mulher usa batom vermelho, tem tez clara e cabelos louros. O homem usa uma camisa regata azul e shorts jeans.
LOURENÇO - Gostosa!
Lourenço parte para cima da mulher e a rende com um longo e insano beijo.
MULHER - Que fogo, Lourenço! Que fogo!
A mulher tira euforicamente a parte inferior de sua vestimenta. Os gemidos, sussurros e a ofegância dos dois compõem a trilha sonora da cena.
MULHER - Sua mulher não vai chegar?
LOURENÇO - Não, fique tranquila!
Os dois continuam o ato e se jogam na cama de casal que há no quarto de Lourenço.
Cena 04 - Casa de Jandir [DIA]
Após horas de trabalho, Jandir vai para casa almoçar. O homem adentra ao ambiente, deixando suas coisas sobre o sofá da sala. Jandir se joga no sofá mostrando-se pensativo. Após alguns instantes, Jandir se levanta do objeto e parte para um dispositivo imóvel que há no local, um computador. Um instrumental de tensão invade a cena. A câmera mostra o homem fazendo login em uma rede social semelhante ao Facebook, Jandir busca pelo nome de Júlia e em poucos minutos encontra o perfil da estudante na plataforma. Jandir observa as fotos de Júlia com um olhar possesso. Os lábios de Jandir molham-se, indicando excitação da parte do homem. O homem manda uma solicitação para a garota e continua observando suas fotos. A câmera vai se afastando.
Cena 05 - Mansão Aquiles [DIA]
Júlia chega da escola com Israel, que tomou carona com a mesma. Thiago e Maria estão na sala sentados e conversando.
JÚLIA |Interrompendo a conversa.| - Oi, gente! Como estão?
MARIA - Oi, minha filha, saudades de você.
THIAGO - Também estava. Como foi a aula, meu amor?
JÚLIA - Foi normal.
ISRAEL - Minha mãe ainda está por aqui?
MARIA - Está sim, Israel. Pode ir vê-la.
Israel sorri.
ISRAEL - Com licença!
THIAGO - Toda.
JÚLIA - E vocês? O que estavam conversando enquanto eu chegava?
MARIA - Estávamos falando sobre uma novidade que surgiu...
JÚLIA - Novidade?
MARIA - Sim, uma novidade... sobre a sua festa de 13 anos.
JÚLIA - Ah, não se esquentem com isso.
MARIA - Como não?
JÚLIA - Estar ao lado de vocês, dos meus amigos. Essa é a felicidade que nenhuma festa pode me trazer.
MARIA - Que lindo!
THIAGO - É lindo mesmo. Júlia, sua festa de aniversário é especial para nós e não há motivos para não comemorarmos. Afinal temos boas condições financeiras e já comemoramos todos os anos. Mas enfim, não era bem disso que eu e sua mãe estávamos falando.
JÚLIA - Não?
THIAGO - Não, meu bem.
Thiago toma a filha pelas mãos e coloca a menina entre ele e a mãe, fazendo com que a moça se sente no sofá.
THIAGO - Júlia, a sua mãe... está esperando um filho!
JÚLIA (Surpresa) - Um filho?
Maria consente gesticulando com a cabeça.
Cena 06 - Mansão de Heloísa [INT/DIA]
Heloísa conversa com sua empregada em um lugar reservado.
HELOÍSA - O que houve, mulher?
EMPREGADA - Então, dona Heloísa. Eu estou grávida.
HELOÍSA - Que coisa boa!
EMPREGADA - E eu vou precisar ir embora...
HELOÍSA - Por quê?
EMPREGADA - Pela gravidez. A minha mãe ordenou que eu voltasse à minha terra natal, na Paraíba. Eu irei pra lá na próxima semana, se tudo correr bem.
HELOÍSA - Poxa! Sinto muito! Você é muito competente!
EMPREGADA - Eu também sinto, gostei muito de trabalhar por aqui nos últimos meses.
HELOÍSA - Olha... |Heloísa mexe nos bolsos de sua roupa.| me ligue se precisar de algo, aqui está o meu cartão e aqui há uma quantia que vai te ajudar pelos próximos meses, tratarei também da papelada referente ao seu acerto, uma gravidez exige muitos gastos. |Tira o papel do bolso.|
A empregada se emociona.
EMPREGADA - Eu não saberei a agradecer o que está fazendo por mim!
HELOÍSA - Eu estou fazendo o mínimo. Você é uma pessoa muito boa.
Heloísa dá um abraço na empregada.
HELOÍSA - Bom, agora deixe-me ir. Vou levar o Ben na escola.
EMPREGADA - Certo.
HELOÍSA - Ah, já ia me esquecendo... me avise se o Lucas chegar do colégio, não sei a que horas retorno.
EMPREGADA - Se o seu filho chegar eu aviso sim, senhora.
Heloísa se despede da empregada. A moça seca as lágrimas de seu rosto e olha para o nada, como se estivesse pensando.
*CORTA PARA: Rua/parte externa da mansão de Heloísa.*
Cena 07 - Rua [EXT DA CASA DE HELOÍSA/DIA]
Um instrumental tenso leve começa a tocar. Heloísa sai para a parte externa sorridente. A moça coloca Benjamin em seu carro. O carro de Heloísa é moderno e tem cor preta. A moça dá ré em seu carro e passa pelo segurança do condomínio que a cumprimenta.
SEGURANÇA - Olá, dona Heloísa.
HELOÍSA - Olá, tudo bom?
Eles terminam os cumprimentos e Heloísa segue seu caminho com seu carro. Ao longe, atrás de uma árvore, é possível ver uma sombra. A câmera dá foco e revela que a pessoa que se esconde entre as folhagens é Graça.
GRAÇA |Falando sozinha.| - Heloísa, minha irmã... quanto tempo, não? Quer dizer que você tem um filho?
Graça solta um sorriso de canto, como se uma ideia emergisse em seus pensamentos.
CORTA PARA: *Mansão Aquiles*.
Cena 08 - Mansão Aquiles [DIA]
JÚLIA - Nossa, não esperava...
MARIA - Nem eu, minha filha. Você já é pré-adolescente, achei a gravidez tardia.
THIAGO - Esse negócio de idade é bobagem, você ainda continua sendo jovem e cada vez mais linda.
MARIA - Bobo!
JÚLIA |Sorri.| - Eu gostei da novidade, legal ter um irmão.
THIAGO - Nossa, Júlia... "legal"?
JÚLIA - Sim? Queria que eu não achasse legal!?
THIAGO - Queria, é que... Ah, sei lá!
MARIA |Sorrindo.| - Eu pedi um jantar especial e pelo horário já deve ter estar na mesa.
Uma empregada se aproxima.
EMPREGADA - Dona Maria, o jantar já está servido.
MARIA ‐ Vamos?
A família se levanta do sofá e se posiciona à mesa.
CORTA PARA: *Restaurante*.
Cena 09 - Restaurante [DIA]
Jandir e Rafael adentram ao estabelecimento. Um garçom se posiciona para servi-los.
RAFAEL - Eu vou querer um strogonoff de carne com bacon.
JANDIR - Traga o mesmo para mim.
GARÇOM - Desejam algo para beber?
RAFAEL - Um vi- |Lembra-se da compulsão de Jandir.|... um suco de goiaba.
GARÇOM - Certo.
Jandir passa a mão nos bolsos de sua calça e sente que sua carteira se faz presente.
JANDIR |Mentindo.| - Poxa! Que droga! Esqueci a minha carteira!
RAFAEL - Deixa que eu pago.
JANDIR - Tem certeza?
RAFAEL - Claro, eu sou seu amigo ou não sou?
Jandir dá um sorriso de canto.
JANDIR - Então eu quero o mesmo.
O garçom se retira.
JANDIR - Ah, Rafael... trabalhar na escola é muito diferente do que eu estava habituado.
RAFAEL - E é diferente de forma positiva ou negativa?
JANDIR - Positiva. Eu, particularmente, *gosto muito de pessoas mais jovens*, é bom tê-los transitando pra lá e pra cá.
Rafael sorri.
RAFAEL - É bom ver você assim e as despesas? Está conseguindo se manter?
JANDIR - É... dentro do possível. Como te disse há alguns dias, eu tinha algumas economias antes de me internar e usei para sanar os gastos com a internação e também tenho usado agora também.
RAFAEL - Estou aqui caso preciso de algo, sei bem como são essas coisas.
JANDIR - Sabe?
RAFAEL - Não se lembra do perrengue que passei para quitar a minha faculdade já no último semestre?
JANDIR - Ah, claro...
RAFAEL - Quando o calo aperta somos capazes de fazer coisas que até Deus duvida.
JANDIR - Nossa, o que você fez de tão grave pra sair dessa situação?
RAFAEL ‐ É...
Neste momento, o garçom traz os pratos que lhe foram pedidos, interrompendo a conversa. Jandir esboça uma feição intrigada em seu rosto, mas evita retornar ao assunto para que o amigo não se sinta invadido. Na mesa do lado, uma moça estranha que contém também um lenço sobre a cabeça se levanta e parte para a parte externa do restaurante. Jandir e Rafael começam a comer. Rafael puxa outro assunto e o volume da cena vai abaixando gradativamente. Ao longe, é possível ver Graça observando Jandir e Rafael. A câmera se aproxima da moça.
GRAÇA - Então quer dizer que agora o Jandir está trabalhando em uma escola? E quem será que é esse cara que está com ele? Eu acho que o conheço... ele é... O MÉDICO QUE ATENDEU AO BRUNINHO NA CLÍNICA?
🎥 *FLASHBACK INÍCIO (PRIMEIRO CAPÍTULO):* 🎥
GRAÇA - NÃO DÁ PRA ME ACALMAR, DOUTOR... EU NÃO SUPORTARIA PERDER O MEU FILHO! ELE É O MOTIVO QUE ME MANTÉM DE PÉ!
O médico vai em direção ao bebedouro. Graça encurrala o médico.
GRAÇA - Salva o meu filho, doutor... é tudo que eu te peço...
*FLASHBACK FIM.*
GRAÇA - Que coincidência maluca!
A câmera se afasta.
São mostradas cenas do alto da cidade ao som de _"🎶 Quem Me Levará Sou Eu – Fagner 🎶"._
*NO OUTRO DIA...*
Corta para: *Casa de Jandir.*
Cena 10 - Casa de Jandir [MANHÃ.]
Jandir está se preparando para o trabalho. O homem veste suas meias e seus sapatos rapidamente. A campainha toca.
JANDIR - Ai, cara... quem pode ser tão cedo?
Jandir se encaminha para a porta, abrindo-a. Jandir abre a porta de sua casa. A câmera se aproxima da pessoa que está de frente com Jandir e pouco a pouco o seu rosto é revelado: *Graça*. A câmera se aproxima do rosto de Graça que esboça uma feição de seriedade e frieza.
JANDIR |Estranhando.| - Você? Eu te conheço?
GRAÇA - Bom dia, Jandir! Quanto tempo, não?
JANDIR - Quanto tempo? Qual o seu nome?
Graça entra e senta-se em um sofá na sala, como se estivesse em casa.
GRAÇA - Meu nome é Maria das Graças.
JANDIR - Hum, é... Maria... posso te chamar assim?
Graça concorda inclinando levemente a cabeça.
JANDIR - De onde nos conhecemos?
GRAÇA |Sarcástica.| - Não se lembra de mim, Jandir? Dos velhos tempos?
JANDIR - É... não?
GRAÇA - Eu vou ter que refrescar a sua memória. Você não se lembra da Cotinha, minha tia?
JANDIR - Cotinha...
A câmera dá um leve zoom no rosto de Jandir, sinalizando que ele se recordou de algo.
JANDIR - Gracinha... você...?
GRAÇA - Isso, você se lembrou!
JANDIR - Quanto tempo! Você continua tão linda como antes!
GRAÇA - Obrigado pelos elogios. Acho que o que me traz aqui não é lá de seu agrado.
JANDIR - E o que você tem para falar comigo?
GRAÇA - Bom, Jandir... eu tive um filho. O nome dele é Bruno. O Bruno tem um grave problema cardíaco e eu não sei muito bem o que fazer. Ele precisaria entrar numa fila e talvez não tenha tempo o suficiente para receber um coração.
JANDIR - Nossa... quantos anos ele tem?
GRAÇA - Dez.
JANDIR - Graça, eu acho que não posso fazer nada. Eu sou um professor de artes recém saído de uma clínica de reabilitação, as minhas reservas mal dão para pagar as minhas despesas. Seja clara, o que você quer?
GRAÇA - Eu quero que você me ajude... eu te segui... eu vi você conversando com um homem, curiosamente o mesmo médico que atendeu o Bruninho.
JANDIR |Estranhando.| - Espera, você me seguiu? O que você quer comigo?
GRAÇA - Eu te segui, Jandir. Eu quero que você me ajude a salvar o Bruninho.
Jandir começa a elevar o tom de sua voz.
JANDIR - Eu não estou entendendo. Você veio na minha casa às seis da manhã para tratar de um assunto que não me diz respeito. Que ligação eu posso ter com o seu filho? Hein? Por que você está aqui depois de tanto tempo? Eu quero que você seja objetiva. Por quê?
GRAÇA |Em tom alto.| - PORQUE ELE É SEU FILHO!
Efeito de impacto acompanhado de close no rosto de Jandir. A câmera alterna entre os rostos de Graça e Jandir, fazendo suspense sobre o congelamento do capítulo.
*CONGELAMENTO EM JANDIR:* A cena fica pouco a pouco em câmera lenta, sinalizando o fim do capítulo.
