Eternamente - CAPÍTULO 11

 


ETERNAMENTE CAPÍTULO 11


Cena 01 - Bar [DIA]


JANDIR - Hum... |Inaudível.|


ATENDENTE - O quê?


JANDIR |Ofegante.| - Um whisky, por favor!


O homem arregala os olhos, decidido. A câmera se aproxima de seu rosto.


Cena 02 - Casa de Léia [DIA]


Léia corta legumes para, mais tarde, fazer o almoço. Alguém se aproxima da mulher, que não percebe a movimentação. É Lourenço. A mulher se vira para traz e percebe o homem ali.


LÉIA - Que susto! O que você quer, hein!?


LOURENÇO - Conversar.


LÉIA - Eu não tenho nada para falar com você, Lourenço! Vá embora! Saia da minha casa!


LOURENÇO - Mas eu tenho.


LÉIA - Depois de tudo o que você fez... é um desplante vir aqui.


LOURENÇO - Eu fiz... e me arrependo muito.


LÉIA - Ótimo! Mostra que ainda há um pingo de sanidade na sua cabeça.


LOURENÇO - Saia da defensiva, Léia. Não vim para ser espezinhado...


LÉIA - Fale o que quer de uma vez por todas!


LOURENÇO - Eu quero você!


Lourenço dá um beijo em Léia. Léia não resiste. Após alguns minutos, o beijo se cessa.


LÉIA - Seu cafajeste!


LOURENÇO - Eu te amo, Léia! Você não sabe o quanto eu pensei em tudo o que aconteceu de ontem para hoje. Eu dormi sob uma ponte, senti saudade do seu cheiro, do seu toque, da sua boca... eu percebi, Léia... percebi que você é a mulher da minha vida e foi você quem modificou o que eu era há 15 anos no que eu sou hoje. Se você me der um voto de confiança, eu prometo te fazer a mulher mais feliz deste mundo... como você merece.


Os olhos de Léia marejam. A mulher nada diz. Lourenço toma iniciativa e começa a envolvê-la em seus beijos. A mulher está imóvel, tentando se segurar, pois ainda o ama. O clima romântico é cortado por batidas na porta.


LÉIA |Secando as lágrimas.| - Preciso atender.


Léia abre a porta. DAIANE se revela.


DAIANE - Oi, Léia.


LÉIA - Amanda, aconteceu alguma coisa com a sua avó?


DAIANE - Não, Léia... o assunto que eu tenho para tratar é contigo mesmo.


Daiane adentra. A visita se depara com Lourenço.


DAIANE - Ah, é bom encontrá-lo aqui mesmo!


Lourenço engole seco, demonstrando surpresa, aflição e preocupação.


LÉIA - O que você quer me falar que envolva o Lourenço?


DAIANE - O Lourenço está metido com apostas em jogos e perdeu uma grande quantia em dinheiro para pessoas perigosas, o dinheiro que ele perdeu era seu, Léia.


LÉIA - O quê?


LOURENÇO - Isso é mentira!


DAIANE - MENTIRA NADA! O desgraçado ainda deu o meu endereço para eles.


LÉIA - E qual o seu envolvimento com o Lourenço, Daiane?


DAIANE - Eu... eu... eu... eu estou grávida dele!


Efeito de impacto no rosto de Léia. 


LOURENÇO |Surpreso.| - Grávida!?


LÉIA - Eu não quero ouvir mais nada! Saiam já daqui!


LOURENÇO - Léia... eu te amo... isso que aconteceu foi momentâneo.


LÉIA - Está escrito trouxa na minha testa? Você sustentou essa desqualificada com o dinheiro do meu suor. Só eu trabalho nesta casa! 


LOURENÇO - NÃO! NÃO!


LÉIA - Eu cansei dos teus enredos, Lourenço! Eu cansei da sua cara! 


LOURENÇO - Me ouça, meu amor... você está cometendo uma injustiça.


LÉIA - Injustiça foi o que você fez com a Gardênia, com a Rosa e com a mãe biológica dela! Você merece o lodaçal onde se encontrará a partir de hoje.


LOURENÇO - Eu... te amo...


Léia toma uma vassoura em suas mãos e disfere vassouradas contra o, agora, ex-marido. O homem acaba se retirando com os golpes que recebe. Léia fecha a porta, trancando-a. A mulher rola gradualmente para o chão, chorando e com as mãos levadas à cabeça.


Cena 03 - Escola – Pátio [DIA]


Jandir adentra ao local de forma afoita. Ele esbarra em alguns alunos.


JANDIR |Alterado.| - IMBECIS! VOCÊS NÃO OLHAM POR ONDE ANDAM? 


Os alunos desfazem a feição sorridente que carregavam anteriormente, mostrando medo. Jandir olha na direção da sala da diretora Olívia e vê Liz. O homem encaminha-se de forma furiosa ao local. Ele está visivelmente alterado pela bebida. Jandir bate a porta da sala de forma violenta.


JANDIR - O QUE VOCÊ VEIO FAZER AQUI, HEIN? MAIS UMA DE SUAS MENTIRAS, GAROTA!?!?


LIZ - Jandir, abaixa esse tom. Não sou tua filha e não estou falando com uma criança!


JANDIR - VOCÊ DEVERIA TER VERGONHA, MENINA! 


OLÍVIA - Jandir, você está bêbado... QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI!?


JANDIR - ESSA GAROTA DESTRUIU A MINHA VIDA!


OLÍVIA - LIZ, O QUE VOCÊ TEM A DIZER!?


LIZ - EU VI, DIRETORA! O JANDIR AOS BEIJOS COM A JÚLIA NA SALA DE ARTES!


OLÍVIA - ISSO É UM ABSURDO!


JANDIR - MENTIRAAAA! VOCÊ QUE VIVIA SE INSINUANDO PARA MIM, GAROTA. ATÉ COM UMA PEÇA A MENOS NA PARTE INFERIOR DA ROUPA VOCÊ VEIO.


LIZ - O QUÊ? QUE NOJO! EU NÃO SINTO NENHUMA ATRAÇÃO POR DOENTES COMO VOCÊ! EU NÃO SOU A JÚLIA!


OLÍVIA - Liz, você passou dos limites...


LIZ - EU PASSEI!? OLHA O ESTADO DELE... VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU MENTINDO?


OLÍVIA - Você já causou diversos problemas nesta instituição, mas um falso deste pode manchar a reputação da escola no mercado... eu NÃO vou tolerar! Está expulsa.


LIZ - O quê!?


OLÍVIA - É isso mesmo. EX-PUL-SA!


Jandir sorri de canto, tonteando.


LIZ - Pois bem! VOCÊ VAI SE ARREPENDER MUITO DO QUE ESTÁ FAZENDO! NÃO DIGA QUE NÃO AVISEI.


Liz se retira dali furiosa.


OLÍVIA |Aos berros.| - FIRMINO! FIRMINOOOO!!!!


Firmino aparece ali, apressado.


FIRMINO - O que foi, diretora Olívia?


OLÍVIA - Providencie um banho de água bem gelada e um café amargo ao professor Jandir. Chega de transtornos por hoje!


Firmino se retira, carregando Jandir.


Cena 04 - Rua [DIA]


Graça está na parte externa da casa de Heloísa.


GRAÇA - Aqui é um ponto cego...


A mulher se aproxima do carro de Lucas sorrateiramente. Ela começa a esvaziar o tanque de gasolina com o auxílio de uma mangueira.


Cena 05 - Mansão de Heloísa [DIA]


Heloísa está dormindo. A imagem escurece gradativamente. Heloísa está em uma rua lotada de transeuntes. A câmera se aproxima da mulher. Há uma música calma e aconchegante ao fundo, um jazz. A mulher passeia observando as belas paisagens do lugar. No meio da multidão de pessoas, surge uma criança de rosto familiar...


HELOÍSA - Gracinha, minha irmã!


GRAÇA - Heloísa!? Você veio me buscar! Quer brincar comigo? Eu tenho certeza que você vai gostar.


HELOÍSA - É claro que brinco, meu amor!


GRAÇA - Você não consegue me pegar.


Graça está com um vestido bordado de tom claro.


HELOÍSA - Que saudade! Que saudade eu estava de você!


Heloísa percebe que Graça some no meio da multidão. A música calma persiste, colorindo a cena. Os olhos de Heloísa reencontram a pequena Graça. Heloísa volta a correr, brincando com a irmã. Repentinamente, o clima solar se encerra, formando tempestade.


HELOÍSA - Graça, você não pode ficar aqui... pode pegar um resfriado com a chuva.


Graça para, ofegante.


GRAÇA - Você tem medo da chuva, Heloísa?


HELOÍSA - Os trovões são fortes... é perigoso.


GRAÇA - Não, Heloísa... esta chuva é diferente... é libertadora.


Heloísa sorri para a irmã. Pingos começam a gerar ruídos, em contato com os telhados das casas. A tempestade está por vir. Heloísa, no entanto, se assusta. A chuva que se formava, era de sangue. Em questão de segundos, o corpo da mulher é banhado pelo líquido vermelho.


GRAÇA - Você se lembra dele, não se lembra?


Graça retira suas mãos, que estavam sobre as costas, revelando um coração humano.


HELOÍSA - NÃÃÃO! O QUE VOCÊ QUER? O QUE VOCÊ QUER, HEIN!? VOCÊ ESTÁ MORTA! POR QUE ME ATERRORIZA? NÃO! NÃO! NÃÃÃÃÃÃÃO!


Heloísa se desperta do sonho. A mulher está ofegante.


HELOÍSA - O que será que você está tentando me dizer daí de cima, Graça?


Cena 06 - Cidade [DIA]


🎶 _"Caso Sério - Rita Lee"_ 🎶 


Duas horas se passam.


Cena 07 - Praia [DIA]


Heloísa e Rafael brincam na areia, ao som da música anterior.


HELOÍSA - Você está me fazendo muito bem, Rafael... sabe que imaginei que não teria forças para estar aqui hoje?


RAFAEL - E por quê?


HELOÍSA - Um sonho ruim que tive...


RAFAEL - Mas esqueça-o. Estamos feliz, não estamos? É isso que importa.


Rafael beija Heloísa, retornando ao clima romântico de outrora.


Cena 08 - Casa de Graça [DIA]


GRAÇA - Bruninho, meu filho... venha comer!


Bruninho não responde ao chamado.


GRAÇA - Bruninho!


Silêncio.


GRAÇA - Meu filho!


Graça anda pela casa, em busca do filho. Ela o encontra desacordado.


GRAÇA |Desesperada.| - Bruninho, meu filho!


Graça checa seus batimentos e vê que o menino está fraco, morrendo.


GRAÇA |Trêmula.| - Não... ninguém vai te tirar de mim, meu filho! Nem mesmo a morte.


Graça toma a criança em seus braços.


Cena 09 - Casa de Praia [DIA]


Heloísa e Rafael estão na parte interna da casa. O homem assa diferentes tipos de carne em uma churrasqueira que contém uma chaminé.


HELOÍSA - Cheirinho bom!


RAFAEL - Gostou, meu amor?


HELOÍSA - Adorei. 


Eles dão um selinho.


HELOÍSA - Acho que vou tirar um cochilo.


RAFAEL - Está com sono?


HELOÍSA - Sim, depois da noite maravilhosa que tivemos...


Eles sorriem. Heloísa vai para o quarto. Rafael recebe uma ligação.


RAFAEL - Alô... agora...? Não tem como ser outro dia...? Ok, estou indo.


Rafael desliga o celular. O homem apaga o fogo da churrasqueira e se põe a dirigir o seu carro.


Cena 10 - Clínica de Rafael [DIA]


GRAÇA - Como está o meu filho?


ATENDENTE - O caso é delicado e provavelmente só será solucionado com um transplante, senhora. Os profissionais estão fazendo o necessário. Acalme-se, senhora. 


GRAÇA - Calma!? Meu filho está morrendo! Eu não vou ficar aqui para vendo isso acontecer!


Graça se levanta, retirando-se.


ATENDENTE - A mulher deixou o filho aqui sozinho? Desnaturada!


Ela volta a fazer o seu serviço.


Cena 11 - Estrada deserta [DIA]


Lucas está em um carro com o caçula. Eles se encontram em uma estrada esburacada, não asfaltada e cercada por um matagal.


LUCAS - Droga! Acabou a gasolina! 


Lucas olha seu celular.


LUCAS - De acordo com o mapa, há um posto de gasolina daqui uns metros. Quer vir comigo ou ficar aqui, Benjamin?


BENJAMIN - Não quero andar, posso ficar?


LUCAS - Pode, mas não saia deste carro.


BENJAMIN - Está bem.


Lucas sai dali. Em questão de segundos, o carro de Jandir, que está em posse de Graça, se aproxima. Graça desce do carro e para perto de Benjamin.


BENJAMIN - Graça?


GRAÇA |Trêmula, nervosa e emanando desespero.| - Benjamin... o Lucas pediu para te buscar. 


BENJAMIN - O Lucas? Ele foi para o posto.


GRAÇA - Exatamente, mas pediu para te buscar.


BENJAMIN - Pediu? Ele me disse para não sair daqui.


GRAÇA - Ben, eu sou de confiança... trabalho na sua casa. Pode confiar em mim, ouviu? Eu gosto muito de você e vou te levar para tomar um sorvete antes de irmos, quer?


BENJAMIN - Sorvete? Oba!


Benjamin vai com Graça sem pestanejar.


Cena 12 - Carro de Jandir [DIA]


Graça está ao volante e Benjamin no banco traseiro.


GRAÇA - Você gosta de balinha de pêssego?


BENJAMIN - Eu amo.


Graça saca uma balinha de seu bolso e despeja um pó na mesma sem que o garoto perceba.


GRAÇA - Tome.


Benjamin recebe a bala, colocando-a na boca sem excitar.


BENJAMIN - Ah... me sinto mal... estou com muito sono...


Benjamin acaba dormindo. Graça o olha de forma fria.


Cena 13 - Clínica [EXT/DIA]


Rafael chega quase que ao mesmo instante que Graça.


RAFAEL - Graça!?


GRAÇA - Eu trouxe o doador do transplante que te falei. Você vai precisar operá-lo urgentemente!


RAFAEL - Ficou louca, Graça?


GRAÇA - O meu filho está morrendo e eu estou desesperada!


RAFAEL - Eu preciso fazer exames para testar a compatibilidade, um transplante abrupto desta maneira vai colocar em risco a vida do seu filho.


GRAÇA - É a única maneira! Faça o que eu estou lhe ordenando ou a polícia receberá o dossiê.


Efeito de impacto.


RAFAEL - Eu faço... por sua conta em risco. Eu lavo as minhas mãos!


GRAÇA - Agora me ajude a entrar com o garoto sem ser vista.


RAFAEL - Há uma passagem pelos fundos. Me siga.


Graça entra no carro e dirige para os fundos do local.


Cena 14 - Casa de Léia [DIA]


Léia recebe Judith.


LÉIA - Judith, que saudade eu tinha de você! 


JUDITH - Eu também, Léia. Senti muito sua falta lá no casarão.


LÉIA - E como está todo mundo?


JUDITH - Bem, dentro do possível...


LÉIA - Dentro do possível?


JUDITH - Sei que você está de férias, mas é que a dona Maria recebeu uma notícia que a fez passar mal.


LÉIA - O quê?


JUDITH - Isso mesmo! Tem a ver com a Júlia e... com o seu filho também! A dona Maria quer falar com você urgentemente.


LÉIA - Meu filho... vamos, Judith!


Elas se levantam rapidamente.


Cena 15 - Estrada deserta [DIA]


Lucas retorna ao carro e não encontra Benjamin.


LUCAS - Benjamin...? BENJAMIN. |Gritando.| Não, não, não, não pode ser... NÃO! |Desespera-se.|


Lucas pega o celular e liga para Heloísa.


LUCAS - Mãe?


HELOÍSA |Sonolenta.| - Filho... você está chorando? O que está acontecendo?


LUCAS - Aconteceu algo muito sério, mãe...


HELOÍSA - Fale de uma vez por todas!


LUCAS - O Benzinho sumiu.


HELOÍSA |Incrédula.| - Hãn!?


Cena 16 - Mansão Aquilles [DIA]


Léia e Judith se aproximam de Maria, que repousa. Maria se assusta com a movimentação, despertando-se do sono.


MARIA - Que susto!


LÉIA - Perdão.


JUDITH - Dona Maria, a Léia...


MARIA - Ah, claro. Muito obrigado, Judith. Não sei como lhe agradecer. Mantenha segredo sobre o que viu e ouviu hoje, viu? O Thiago não pode saber.


Thiago surge ali repentinamente, como que premeditado para que flagrá-las.


THIAGO - O que é que eu não posso saber?


Maria engole seco. Léia se mostra confusa e especula internamente o que pode ter acontecido de tão grave.


Cena 17 - Clínica de Rafael - Recepção [DIA]


Rafael se aproxima de Graça.


RAFAEL - Vamos começar agora a cirurgia, Graça. Está feliz?


GRAÇA - Rafael, estou aflita. Cuide do meu filho. Dê o seu melhor... e assegure que tudo será sigiloso. 


RAFAEL - A minha equipe é de extrema confiança e, além do mais, há informações no dossiê que também os comprometem.


GRAÇA - Ótimo! Agora vá.


Rafael se retira.


GRAÇA - Você NÃO vai morrer, meu filho! Eu não vou deixar! Essa cirurgia vai ser um sucesso!


Graça continua preocupada.


*CONGELAMENTO EM GRAÇA:* A cena fica pouco a pouco em câmera lenta, sinalizando o fim do capítulo.