Ecos de Eros - capítulo 13
*CAPÍTULO 13*
*1. Ext. Quilombo - Noite*
Samuel caminha suspeito ao redor do poço de água. Em sua mão, um pacote vermelho.
O rapaz tenta agir rápido, puxando o pacote e virando-o no poço, mas quando o conteúdo está perto de acabar, Umina aparece.
UMINA - Samuel?
Samuel se assusta, e deixa cair todo o pacote.
SAMUEL [tenso] - Droga, Umina, que susto!
UMINA - Tá “fazeno” o quê?
SAMUEL - Tava olhando aqui.
UMINA - “Olhano” o poço? O que tem aí, hein?
SAMUEL - Nada, nada demais. Achei ter visto algo.
UMINA - Pode “cê” um bicho. É bom avisar, senão pode “infectá” “nois”.
Umina sai, e Samuel respira profundamente. Ele olha no fundo do poço e vê o saco submergindo…
_CÉSAR [EM OFF]: Não exagere na quantidade, ou pode acabar dizimando seus amigos._
Ele leva as mãos à cabeça.
*2. Int. Casarão Sénéchal/Copa - Dia*
Dolores, Sonia e Catarina estão tomando café tranquilamente.
DOLORES [dirigindo-se para Sônia] - Onde está César?
SONIA - Não o vejo desde ontem.
A mulher ergue as sobrancelhas com desconfiança.
CATARINA - Vai ver…
Ela é interrompida quando César aparece de repente diante de todos. Ele assovia contente e vai até sua cadeira, sentando-se como um rei.
CÉSAR - Bom dia a todas.
SONIA - Onde estava?
CÉSAR - Trabalhando, minha mãe. E que ótimos resultados eu tive. Mas vamos deixar este assunto de lado. Como estão?
CATARINA - Estamos bem.
DOLORES - Incrível a mania que você tem de falar por todos, Catarina.
CATARINA - Você não está bem, mamãe?
DOLORES - Estou, mas não significa que deve falar por mim.[ela se vira para César] Estou ótima, meu neto, obrigada.
CÉSAR - E você, Sônia?
SONIA - Estou bem, César. Obrigada. Mas porque a preocupação repentina?
CÉSAR - Apenas estou feliz, e queria transmitir isto.
SONIA - Sei que não gosta que falemos disto, mas… essa felicidade seria porque o seu plano deu certo?
CÉSAR - Certinha. Estou contente, pois a vida só me dá mais razões para acreditar que tudo o que eu quero, eu terei. [ele se levanta] Bom dia, damas.
E sai.
Elas se entreolham.
*3. Int. Casarão Sénéchal/Corredores - Dia*
Ariel está de roupão indo para o banheiro. Na sua frente, Alexandre, esperando diante da porta fechada.
ARIEL - Ótimo.
ALEXANDRE - Nem venha, por favor. Há inúmeros lugares para você banhar-se nesta casa.
ARIEL - Mas eu gosto aqui.
Alexandre repreende o primo com o olhar.
ALEXANDRE - Eu juro que não consigo entender você. E olha, nem perderei meu tempo, mas eu cheguei primeiro, então eu banharei primeiro.
ARIEL - Não.
ALEXANDRE - Sim.
A porta se abre, e Denis sai dali. Ele seca os cabelos, e para quando percebe o irmão e o primo parados como dois cães prestes a se atracarem.
Num rápido movimento, Ariel afasta Denis, que escorrega e grita “ei!”, Alexandre segura o garoto e puxa seu roupão, mas o rapaz se desvencilha e quase fecha a porta, mas Alexandre ainda consegue entrar, caindo por cima de Ariel. Os rostos dos dois estão muito próximos.
ARIEL - Saia de cima de mim!
Ele empurra Alexandre.
ALEXANDRE - Não vê que eu cheguei primeiro? Você não consegue deixar de ser egoísta por pelo menos um segundo?
ARIEL - Não sairei!
DENIS - Vocês são dois idiotas, isso sim! [ele sai]
ALEXANDRE - E eu é que não ficarei. Quer o banheiro para você? Fique com ele!
O rapaz sai, indignado. Ariel corre até a porta e a bate com força. Ele respira por um tempo.
ARIEL - Garoto idiota.
*4. Int. Casarão Sénéchal/Banheiro - Dia*
Alexandre entra no cômodo e tira o roupão. Ele vai até a banheira e liga o chuveiro.
Flashback de Alexandre caindo por cima de Ariel.
ALEXANDRE - Babaca…
*SFX: Instrumental que diga que há algo no ar*
Fade-in, TIME-LAPSE. O tempo passa, e são exibidas cenas de morros, árvores e flores.
*4. Ext. Quilombo/Tenda de Samuel – Dia*
Samuel está apreensivo, e pressiona as próprias têmporas.
*SFX: Instrumental Quilombola (matracas e chocalhos)*
SAMUEL - Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo. Tudo certo. Dará tudo certo.
Um grito estridente e aterrorizante ecoa para dentro da tenda, vindo de fora.
Samuel se assusta. Zoom em seu rosto. Ele corre para fora.
*Continuação…*
O rapaz vai para o lado de fora, e vê dois de seus amigos jogados no chão. Eles convulsionam.
SAMUEL - O que é isso?
Samuel corre para ajudar. Umina aparece de repente, e a Sacerdotisa caminha vagarosamente ao lado de Kawame.
*SFX: O instrumental se intensifica*
Samuel segura a cabeça de um dos rapazes, enquanto Umina corre para segurar o outro.
Alguém aparece desesperado e grita de longe:
QUILOMBOLA 1 - Meus filhos, ah meus filhos!
SACERDOTISA [dirigindo-se a algumas pessoas] - Ajudem ele.
Ela para diante de Samuel, que evita contato visual.
SACERDOTISA - O que houve?
SAMUEL - Não faço ideia, Sacerdotisa.
QUILOMBOLA 2 - Chegamos aqui e eles estavam assim!
A mulher se abaixa para analisar o rapaz inconsciente. Ela nota que ao lado dele há um balde e um copo de água derramados.
Ela se levanta.
CORTA PARA:
A Sacerdotisa, ao lado de Kawame, entra na tenda do quilombola que gritava.
SACERDOTISA - O que acha que isto parece, Kawame?
KAWAME - Pode ser alguma virose, Sacerdotisa?
SACERDOTISA - Não acredito que seja isto. [ela vai até um copo revirado] O que eles consumiram hoje?
QUILOMBOLA 1 - Nada, nada! [ele a olha preocupado] Não acha que eu os envenenei, acha?
SACERDOTISA - Você seria capaz?
Ele nega com a cabeça.
SACERDOTISA - Kawame, analise a água do poço, por favor.
Kawame obedece.
*6. Int. Quilombo - Dia*
Um rapaz puxa água do poço por um balde, e Kawame, ao seu lado, aguarda sereno.
Quando o balde chega, o rapaz derrama um pouco num copo segurado por Kawame, que analisa a água minuciosamente.
KAWAME - Bem, não há nada na água. Pelo menos não à vista.
A Sacerdotisa parece descrente.
SACERDOTISA - Beba.
Kawame olha para ela, preocupado. Samuel começa a tremer e Umina está com o olhar perdido.
SACERDOTISA - Beba, Kawame.
KAWAME - Deve ter outra forma de saber, Sacerdotisa.
SACERDOTISA - E o que você sugere?
Há uma pausa, e um cachorro caminha entre eles. Kawame e a Sacerdotisa se entreolham, depois olham para o cachorro.
SAMUEL [levantando-se] - Isso seria maldade, Sacerdotisa!
SACERDOTISA - Deseja ser voluntário?
Samuel recua. A Sacerdotisa semicerra os olhos e balança a cabeça para cima e para baixo.
SACERDOTISA - Pegue o animal.
Kawame dá ordem para alguns quilombolas e eles atacam o cachorro!
CORTA PARA:
*Ext. Quilombo - Dia*
O cão no chão convulsionando freneticamente.
KAWAME - Acha que foram eles?
SACERDOTISA - Foram. Mas não vieram aqui à noite. Usaram alguém daqui…
*SFX: Instrumental de Suspense Quilombola*
A câmera foca em Samuel, e Umina, ao seu lado, como quem foi iluminada, arregala os olhos.
_*Flashback* :_
_UMINA - Samuel?_
_Samuel se assusta, e deixa cair todo o pacote._
_SAMUEL [tenso] - Droga, Umina, que susto!_
_UMINA - Tá “fazeno” o quê?_
_SAMUEL - Tava olhando aqui._
_UMINA - “Olhano” o poço? O que tem aí, hein?_
_SAMUEL - Nada, nada demais. Achei ter visto algo._
_UMINA - Pode “cê” um bicho. É bom avisar, senão pode “infectá” “nois”._
_*Fim do Flashback.*_
SACERDOTISA - Há um traidor entre nós.
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