Ecos de Eros - capítulo 10
*CAPÍTULO 10*
*1. Ext. Estrada – Dia*
*SFX: Nocturnal Waltz – Johannes Bornlof*
Ao som do tema singelo, o carro com Sônia, César, Denis, Alexandre e Helena, é conduzido pela estrada de seixos e cercada por grama verde.
Denis olha através da janela, paralisado pela vista. É então que eles passam por uma grandiosa herdade, e na janela, o rapaz vê uma figura, uma garota jovem. Ela o encanta.
O carro passa, e Denis mantem-se inerte, mas agora com encantamento.
CÉSAR – Estamos chegando. Sejam cordiais.
*2. Ext. Herdade de Eros/Portões de Entrada – Dia*
Eles finalmente adentram os portões do lugar. Lá como o paraíso, e o sol da manhã exibe com clareza o jardim bem cuidado e os cuidadosos funcionários.
HELENA – Que belo! É maior que o da Adelaide.
ALEXANDRE – De fato, e é encantador.
Sônia não está surpresa.
CÉSAR – Agora podem me agradecer.
Denis revira os olhos.
Eles chegam na entrada do grandioso palacete. Aguardando-os, com sorriso no rosto, estão Fernando e Catarina. Seus semblantes contrastam com os de Dolores e Ariel, que não sorriem.
O carro para e todos descem.
CÉSAR – Meu tio!
FERNANDO [descendo para cumprimenta-lo] – Olá, César! Olá, jovens!
O homem aperta as mãos de cada um.
CATARINA [se aproximando] – Sejam bem-vindos! Estou muito feliz de tê-los aqui.
SÔNIA – Igualmente.
DENIS – Onde está o buffet de recepção?
Catarina ri, César o chuta.
CATARINA – Temos uma belíssima mesa de café da manhã sendo posta. Mas antes, vão conhecer seus quartos.
Eles sobem. Ariel encara a todos com desprezo, e Dolores finalmente sorri.
DOLORES – Estou contente de ter todos os meus netos aqui, sinceramente.
ARIEL [murmurando] – Deve durar pouco.
Dolores abraça Helena.
Todos entram.
*3. Int. Casarão Sénéchal/Entrada Principal – Dia*
CATARINA [se dirigindo a um funcionário] – Ajude o motorista a descarregar e chame os outro para levar as malas lá para cima.
O mesmo obedece.
HELENA – Podemos subir, tia?
CATARINA – Claro! Aqui é sua casa também.
HELENA – Vamos, Alexandre!
Ela e Alexandre saem andando, e Denis vai atrás.
ARIEL – Esperem! Vou lhes guiar.
FERNANDO – Ótima ideia, Ariel.
O garoto vai na frente.
ARIEL – Apenas me sigam.
SÔNIA [suspira pesadamente] – Eu espero que tudo corra bem.
CÉSAR – Porque não haveria de correr?
CATARINA – Pense que será muito bom para eles estarem em um ambiente menos soturno.
DOLORES – Só espero que não extrapolem a liberdade.
SÔNIA – Fique tranquila quanto a isto.
DOLORES – Queria ficar, mas meus netos são filhos do meu filho.
Ela abaixa a cabeça.
DOLORES – Irei verificar a organização da mesa.
Dolores sai.
SONIA – Como ela está?
CATARINA – A mamãe tem essa postura toda, mas ela sente muito. Olha, não queria falar disso. Estamos recendo vocês aqui e queria deixar o ambiente aconchegante.
CÉSAR – De fato. Vamos encerrar este assunto. Meu tio, quando pretende viajar?
FERNANDO – Ainda amanhã.
CÉSAR – Mas amanhã é sábado.
FERNANDO [brincando] – Algo contra?
CÉSAR [rindo] – De modo algum. Vamos?
FERNANDO – Vamos.
Eles seguem para a cozinha.
*4. Int. Casarão Sénéchal/Quarto de Alexandre – Dia*
Alexandre, Ariel, Denis e Helena estão no quarto.
ALEXANDRE – É simplesmente sensacional!
ARIEL [seco] – Era meu.
Os irmãos olham para ele.
ARIEL – Espero que aproveite bem. Ainda irei tirar algumas coisas, por isso, por enquanto, não toque em nada nas prateleiras.
DENIS – Porque não tirou antes?
ARIEL – Só tenho dois braços.
DENIS – E inúmeros funcionários.
ARIEL – Prefiro eu mesmo transportar o que é de valor para mim.
ALEXANDRE – Tudo bem, primo.
ARIEL – Ah, por favor, não me chame de primo. Detesto ter que lembrar que sou tão próximo assim de vocês.
HELENA – Imagine para nós.
ARIEL – Não ficarão aqui por muito tempo.
DENIS – Ficaremos até o fim de nossas vidas se assim for decidido.
ARIEL – Vocês que pensam.
HELENA – Isto aqui é nosso também.
ARIEL – Vocês são todos parasitas, isso sim!
Denis parte para cima do garoto.
*SFX: Instrumental briga*
ALEXANDRE [segurando o irmão] – Denis, não!
ARIEL – Vai me bater, seu descontrolado? Não consegue se comportar, não é? Patético!
HELENA – Saia daqui, Ariel!
ARIEL – Vocês que devem sair.
ALEXANDRE – Nós não fizemos nada para você, garoto!
ARIEL – Só de acharem que podem respirar o mesmo ar que eu só porque temos algum parentesco já se torna uma afronta.
DENIS – Você é ridículo.
ARIEL – Eu sairei, mas não pensem que vou amenizar nada só porque seu pai morreu.
DENIS – Seu imbecil, volte aqui!
Ariel sai, tranquilo.
ALEXANDRE [segurando Denis] – Para, Denis! Deixa ele.
DENIS – Babaca!
*5. Int. Casarão Sénéchal/Copa – Dia*
Todos estão sentados à mesa, e conversam tranquilamente.
DENIS – Sabe, minha tia, não pude deixar de notar que a alguns metros daqui há outra herdade. É bem estranha, mas certamente há vida lá.
Catarina e Dolores se entreolham.
FERNANDO – Não irá querer se envolver com nenhuma das duas mulheres que vivem naquela casa, meu rapaz. Não são confiáveis.
SÔNIA – E quem são?
CATARINA – Ora, por favor, não vamos entrar em assuntos indigestos.
ARIEL – Não há nada de tão indigesto no fato de que Fátima e Dahlia vivem sozinhas. São mãe e filha. Só são estranhas mesmo.
FERNANDO – Dahlia é como Rapunzel. Dificilmente sai de casa. É comandada pela mãe.
CÉSAR – Elas não têm um homem?
FERNANDO – Não. Acredita?
DOLORES – O marido de Fátima morreu há muito tempo; suspeita-se que ela mesma o matou. Sendo assim, não é confiável, e vocês, nenhum de vocês, devem ter qualquer tipo de contato com elas.
SONIA – Então não são apenas estranhas, como disse Ariel.
São perigosas.
ARIEL – Não, só são estranhas. Não há evidências de que ela matou mesmo o marido.
DOLORES – De todo modo, fiquem longe.
A câmera foca em Denis, que parece perdido em seus pensamentos…
