Quem Foi? | Edição Especial - Capítulo 07

 

Quem Foi? - edição especial: cap. 7 (ESPECIAL)


CENA 01: Delegacia | Sala do Delegado | Tarde


[O delegado continua observando as páginas e fecha a apostila].


Delegado: Entregue esse documento ao juiz, por favor. Ele olhará e encaminhará ao Ministério Público. Como é um caso de emergência, não tenho dúvidas de que eles aceitarão as denúncias e o juiz expedirá o mandado de prisão do Israel o mais rápido possível. Obrigado.


[O delegado entrega nas mãos do policial, que se retira. Ele comemora sozinho].


CENA 02: Delegacia | Cela de Thina | Tarde


[Thina está sentada no chão, quando o seu advogado aparece. O policial abre a cela para ele entrar].


Advogado: Tenho ótimas notícias para te dar, dona Thina. Eu consegui a sua liberdade provisória! Você está livre!


[Thina sorri e, empolgada, abraça o advogado].


Thina: Posso responder em liberdade então? Não vou ser presa novamente?


Advogado: Depende. O juiz decretou a sua liberdade, mas você precisará pagar uma fiança de cinquenta mil reais e comparecer em juízo periodicamente. E o processo continuará correndo, porque, apesar de aquele DVD ser falsificado, a senhora realmente ameaçou mandar matar a Leandra. Eu vou tentar solicitar o arquivamento do caso.


[Thina se mostra um pouco frustrada. O celular do advogado toca].


Advogado: Boa tarde, delegado... Finalmente!... Ótimo, estou com a dona Thina agora, eu consegui a liberdade dela e vou avisá-la. Obrigado.


[O advogado desliga].


Thina: O que ele disse?


Advogado: O exame de balística confirmou que a bala que matou o seu filho realmente saiu de uma arma que o Israel portava. 


[Thina se mantém parada, quase chorando].


Thina (triste): Esse demônio acabou com a minha família por minha culpa, eu não podia ter recebido ele de volta na minha casa...


Advogado: Não se condene, dona Thina, a senhora não poderia imaginar que um ato tão extremo poderia acontecer, sua intenção foi a melhor possível.


[Thina segura as mãos do advogado, e ele mantém, a olhando].


CENA 03: Gravadora Áurea | Sala de Jenno | Tarde


[O interfone toca e Jenno atende, autorizando a subida. Em outro take, ele recebe o oficial de justiça].


Oficial: Bom dia, seu Jenno. Vim trazer essa intimação para o senhor, sobre a audiência do divórcio sem prévia de partilha de bens entre o senhor e a dona Thina Ortego.


Jenno: A Thina teve essa audácia... Mas tudo bem, eu não quero nada que venha dela, nem um lápis que seja, nada.


[Jenno assina e o oficial lhe entrega o documento].


Oficial: Nos próximos dias avisaremos o senhor. Com licença.


[O oficial abre a porta e sai. Jenno olha para o papel e reflete, sorrindo].


Jenno: Isso merece até um brinde!


[Jenno contata a sua secretária e pede para ela trazer um champanhe e uma taça. Em outro take, ela o entrega e sai. Ele simula uma contagem regressiva e abre a bebida, celebrando o momento].


CENA 04: Mansão Ortego | Sala | Tarde


[Marcel e Thina entram dentro de casa, cansados].


Thina (abalada): Que canseira, estou arrebentada mentalmente, preciso de um banho, uma hora de sono e...


[Alanis surge da cozinha e corta a fala de Thina].


Alanis (cortando): Um reencontro com uma amiga para relaxar. Venha aqui, Thina, eu estou viva, só me escondi do Israel para me proteger.


[Thina se surpreende com a aparição de Alanis e a câmera alterna em ambas se olhando].


Alanis: Me dê um abraço, Thina.


Thina: O que você tá fazendo aqui, Alanis? Quem abriu a porta para você?


Alanis: O Pedro. Eu vim aqui para rever a minha família, o Marcel não estava e o Pedro me disse que você foi presa e se separou do Jenno, fiquei desapontada com a decadência. Eu já tava de saída, já vi o Gabriel, precisava consolá-lo pela ausência do pai.


Thina: Ah é? Qual dos?


[O instrumental de tensão toca, e Alanis finge estar confusa].


Alanis: Não entendi, Thina. O pai do Gabriel é o Israel.


Thina: Alanis, sabe qual o seu problema e o do Jenno? Vocês dois sempre me subestimaram, achavam que eu não desconfiava de nada, mas eu sou mais inteligente que vocês dois. Eu sempre percebi... os olhares de vocês, as desculpas inconsistentes de saírem juntos para comprar bebidas... Mas como eu não tinhas provas, eu mantive tudo entalado na minha garganta por vinte anos, esperando o dia que eu conseguisse provar uma das várias traições do Jenno. Eu amo o Gabriel, mas tenho pena dele por ser seu filho com o Jenno. Você é a mulher mais cínica e ardilosa que eu já conheci. Agora suma daqui, antes que eu mesma te arraste pelos cabelos.


Alanis (fingindo): Eu não merecia isso, Thina. Não merecia. Eu sempre lhe tratei como uma irmã e agora você me acusa de um horror desses... Eu nunca mais volto aqui, pode ficar tranquila, eu peço para o Gabriel me encontrar em outros lugares.


Thina: Faz bem, agora agilize. Esqueça essa família, o meu nome e o meu sobrenome, você não é e nunca foi uma Ortego.


[Alanis a fita e se retira, fingindo estar arrasada, e Thina mantém o seu olhar, satisfeita com o que fez].


[A câmera mostra a cidade começando a anoitecer e para no cemitério].


CENA 05: Cemitério | Começo de Noite


[O clima é favorável, com a noite prestes a despertar. Thina e Marcel param e descem do carro, com óculos escuros, e seguem para o cemitério, sendo iluminados apenas pelos postes presentes dentro do local].


[Minutos depois, um carro misterioso para próximo ao deles. O condutor desce e é revelado ser Israel. Ele também entra no cemitério, vendo Thina e Marcel chegando ao túmulo de Marcelo].


[Marcel e Thina ficam em frente ao túmulo, nomeado com o nome do primeiro]. 


[Thina retira os óculos e se agacha, emocionada].


Thina (chorando): Que saudades de você, meu filho, ontem completou uma semana da sua partida. Há sete dias meu coração foi repartido ao meio e uma parte foi entregue a Deus. Em uma semana aconteceu tanta coisa que você nem imaginaria. Eu estou tão cansada, cansei de ser totalmente forte, sinto sua falta, sinto saudades do seu coração puro, você era calado, mas carinhoso e nos amava. Eu te pedi perdão aquela vez, e vim te pedir de novo. Me perdoe, meu amor, por favor. O vazio que você me deixou é incalculável... e foi por minha própria ignorância.


[Thina deposita a rosa que estava em suas mãos sobre o túmulo de Marcelo e joga um beijo para ele].


Thina: Vamos, meu filho. Não consigo ficar muito tempo aqui. Preciso ir para o carro.


Marcel: Vai indo, mãe. Depois eu vou, também preciso conversar com o Marcelo.


[O instrumental de tensão toca e exibe Israel, chocado, enfurecendo aos poucos].


Israel (abismado): Marcelo? Esse fedelho realmente é o Marcel? Não acredito que esse cretino conseguiu me enganar...


[Israel vê Thina voltando para o carro e se esconde atrás de um dos túmulos. Ao ver que ela saiu do cemitério, ele retira uma faca do seu bolso e se aproxima lentamente de Marcel.


[A câmera volta para Marcel e mostra ele falando para o túmulo].


Marcel: Não queria que as coisas tivessem chegado a esse ponto, Marcelo. Você era direcionado, estratégico e mesmo tão calmo, gostava de querer me proteger e impedir os meus alvoroços, sinto falta disso. Das nossas conversas e da nossa amizade. O Israel tirou a sua vida, mas você continua vivo no meu coração. E ele não sairá impune, não consegui juntar todas as provas, eu falhei, mas a justiça conseguiu, ele será preso e sua morte finalmente será vingada... Eu tenho que ir. Espero que sua passagem para o outro plano tenha sido em paz e-


[De repente, ele recebe um mata-leão e tenta se soltar, mas é vão, enquanto recebe sussurros em seu ouvido].


Israel: A passagem dele pode ter sido em paz e de encontro diretamente com Deus, mas a sua será daqui a pouco com o diabo, com o seu corpo todo perfurado. Vou proporcionar aos gêmeos os dois lados do paraíso. Achou mesmo que conseguiria me enganar o resto da vida, Marcelo? Ou melhor, Marcel...


[A câmera foca no olhar de ódio de Israel, realizando o enforcamento e depois no olhar de  Marcel, amedrontado].


[Marcel se debate, perdendo o ar, e Israel aponta a faca presente em sua outra mão para a cabeça dele].


Marcel (sufocando): M-ME SOLTA, S-SEU DESGRAÇADOOO! Com arma branc-... qualquer um tem p-poder... Q-quero ver você me enfrentar n-na mão...


Israel: Não vejo graça em embates físicos, prefiro te ver assim, rendido, sem poder fazer nada. Você nunca vai me vencer, Marcel...


[Israel pressiona com mais força o pescoço de Marcel e faz ele começar a perder os sentidos].


[Marcel, para se defender, golpeia Israel com uma cabeçada, mas o segundo é mais rápido e crava a faca no ombro do rapaz, antes que ele pudesse tentar correr].


[Marcel cai no chão, gritando, sangrando e tentando respirar ao mesmo tempo. É visto, através da luz do poste, Israel se aproximando e removendo a faca. O sangue pinga do utensílio, ao som de um instrumental de terror].


[Thina está dentro do carro, agoniada com a demora do filho].

[Após alguns segundos, ela abre a porta do carro e segue de volta para o cemitério].

CORTA PARA

[Israel chuta Marcel fortemente várias vezes. Após parar, ele observa com prazer o sofrimento do rival].

Israel: Lamento pelo Marcelo ter morrido no seu lugar e eu não ter conseguido te matar antes, mas pelo menos eu vou fazer isso ao lado do túmulo dele. Ter uma oportunidade dessas é de um em um milhão, vocês dois estarão juntos eternamente...

[Thina caminha e vê de longe um homem ao lado do seu filho e Marcel caído. Ele levanta a faca e ela grita, ao reconhecer Israel].

Thina (desesperada): ISRAEL, MARCEL! SE AFASTA DO MEU FILHO, SEU PSICOPATA, ASSASSINO!

[Thina corre até eles e Israel foge, correndo pelas áreas do cemitério onde não há iluminação. Em outro take, ele sai do cemitério e corre em disparada para o carro].

[A câmera volta para dentro do cemitério e mostra Thina chegando até o filho. Ela se emociona].

Thina (chorando): FILHO! Você está sangrando muito... Eu vou ligar para a ambulância agora.

Marcel (falando baixo): Mãe, não se preocupe comigo, vá atrás do Israel e chame a polícia...

Thina: O Israel é responsabilidade da polícia, minha única preocupação no momento é você. Eu não vou perder outro filho por causa desse homem...

[Thina aciona a ajuda médica, e conforme é orientada, ela tira a camisa de Marcel e a amarra sobre o ferimento, para estancar o sangue e apoia a cabeça dele em uma de suas pernas]. 

[Minutos depois, os paramédicos chegam, colocam a vítima sobre a maca retrátil e seguem na ambulância. Thina os acompanha com o carro atrás, conversando com Pedro pelo telefone].

CENA 06: Carro | Noite

[Israel dirige descontroladamente pelas ruas de São Paulo, após a falha de seu ataque. Ele olha para a faca suja de sangue no banco ao seu lado].

Israel (bravo/falando sozinho): Por culpa daquela galhuda não pude mutilar o Marcel, seria tão prazeroso, só aquela facada não serviu. Não queria ter fugido antes de terminar, mas foi melhor do que ficar lá e ser preso...

[A câmera mostra do lado de fora ele se afastando com o carro cada vez mais].

CENA 07: Hospital | Noite

[Marcel, desmaiado, é encaminhado para a emergência pelos funcionários do hospital]. 

[Minutos mais tarde, Thina e Pedro chegam e se informam na recepção].

Thina: Boa noite. Eu sou a mãe e acompanhante de um rapaz que foi transportado na maca com o ombro ferido. Ele foi esfaqueado. 

[Thina entrega os documentos pessoais de Marcel e faz a ficha dele. Após isso, ela e Pedro sentam no sofá da recepção, ansiando por notícias].

[Thina está visivelmente abalada e Pedro a consola].

Thina (arrasada): Vou ter que ficar horas aqui e talvez virar a madrugada, esperando por notícias do Marcel... Que aflição, o Israel precisa ser preso logo... Tem que ser muito sádico para querer matar alguém do lado do túmulo de outra pessoa que ele também matou. Ele atacou o meu filho em questão de segundos, que nem com o Marcelo.

Pedro: Se acalme, vai dar tudo certo, creio que a expedição do mandado de prisão dele não passa de amanhã... É... Thina, eu queria te pedir desculpas por ter recebido a Alanis na sua casa, ela queria ver o Gabriel e eu fiquei sem jeito de proibi-la, ela disse que era a mãe dele, ainda não tinha a conhecido pessoalmente. E eu não sabia dessa traição.

Thina: Não é culpa sua, só dela e do Jenno. Já que retornou, ela precisa manter contato com o Gabriel, por mais que ela não mereça. Que horas ele volta para a minha casa amanhã?

Pedro: Não sei, depois eu converso com ele...

[Eles continuam a aguardar respostas dos médicos. Um pouco depois, Thina se afasta de Pedro e faz uma ligação].

CENA 08: Hotel | Quarto de Alanis | Noite

[Alanis e Gabriel estão deitados na cama, conversando].

Gabriel: Não acredito que a tia te expulsou... Por que ela fez isso?

Alanis: Porque ela sabe a verdade, até que ela não é tão burra, posso tê-la subestimado de fato...

Gabriel: Você teve mais alguma notícia do Ítalo ou daquele irmão dele?

Alanis: Do Samuel não... E o Ítalo a última vez que eu conversei com ele foi quando nos esbarramos na gravadora do Jenno. Não te contei, mas eu fui confrontar o Jenno, ele não quis colaborar comigo... e eu vi que não temos escolhas, vamos ter que antecipar.

Gabriel (frio): Mãe... 

Alanis: Não tente me contrariar, Gabriel, já iria acontecer. Amanhã eu resolverei isso, vou ter pensado mais. Boa noite, filho. Apague a luz antes de dormir.

[Alanis vira para o outro lado da cama e tenta dormir. Gabriel tilinta os dedos por alguns segundos e vai até o interruptor. A câmera foca nele apertando o botão, ao som de um instrumental tenso].

[Segundos depois, a tela clareia, representando o começo do dia].

CENA 09: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Sala | Manhã

[Samuel entra em cena, após escutar alguém batendo na porta. Ele a abre e é cumprimentado por Pedro]. 

[Pedro está acompanhado de Gabriel e um instrumental de tensão toca quando o garoto vê Samuel, reconhecendo o investigador].

Pedro: Gabriel, esse aqui é o amigo de que eu te falei, o Samuel.

Samuel: Prazer, Gabriel!

[Samuel levanta a mão para cumprimentá-lo. A câmera continua exibindo Gabriel surpreso, tentando esconder o choque com um sorriso amarelo].

Gabriel (nervoso): Prazer!

[Gabriel também levanta a mão e cumprimenta Samuel, visivelmente desconfortável. Pedro e Samuel percebem]. 

Pedro: O que foi, Gabriel?

Gabriel: Nada, só me senti enjoado de repente. Eu posso usar o seu banheiro, Samuel?

Samuel: Claro, fica no fundo da casa, quer que eu te acompanhe?

Gabriel: Não precisa.

[Gabriel vai para o banheiro].

Samuel: O que deu no seu enteado, Pedro?

Pedro: Não sei, ele nunca se comportou assim ao conhecer alguém.

Samuel: Daqui a pouco ele volta e explica o que houve.

[Eles continuam a conversar. Em outro take, Gabriel abre a porta e se tranca. Ele puxa o celular e tenta ligar para a mãe, porém a ligação não é atendida].

Gabriel (pensando alto): Só pode ser uma peça, é coincidência demais esses dois estarem de rolinho. Tenho certeza de que esse homem está se envolvendo com o Pedro para conseguir alguma informação da nossa família. Como que o Pedro ainda não percebeu isso? Mas eu não vou deixar o Samuel continuar enganando ele, o plano dele vai por água a baixo, com ou sem a ajuda da minha mãe...

[O pico do instrumental de tensão toca, exibindo Gabriel decidido e olhando para a câmera].

[A tela escurece aos poucos, enquanto sangue escorre por ela].