Quem Foi? | Edição Especial - Capítulo 04

 


*Quem Foi? - edição especial: cap. 4*


*CENA 1: Casa de Natuza | Sala | Manhã* 


Samuel: Quem veio aqui, Natuza?


Natuza: O... O Marcel Ortego!


[O pico do instrumental de tensão toca na hora, mostrando a surpresa de Samuel]. 


Samuel (chocado): O Marcel? MAS ELE NÃO ESTÁ MORTO?


Natuza: Não. Ele veio buscar o Leônidas... O Marcel é o pai dele. E eu suspeito que foi ele ou o tio dele que matou a minha filha.


Samuel (chorando/revoltado): A senhora sabia disso esses anos todos e nunca me falou NADA?! Eu estou investigando os Ortego atualmente, Natuza. Se você tivesse me falado isso antes eu teria os prendido há anos! POR QUE MATARAM A LEANDRA? RESPONDA, NATUZA! 


Natuza: Entenda, eu não tinha e sigo não tendo provas contra eles e não sei ao certo o motivo da minha filha ter sido morta. Se agora estou suplicando a sua ajuda é porque o desgraçado do Marcel quer a guarda do meu neto. O Leônidas não sabe quem é o pai dele e não quero que ele saiba, ele foi rejeitado pelo Marcel. Quando a Leandra descobriu a gravidez ele tentou coagi-la a abortar.


Samuel (se acalmando): Meu Deus...


Natuza: Ele proferiu ofensas contra a Leandra e ameaçou matá-la por ela não aceitar interromper a gravidez. Nunca esqueci de como a minha filha chegou arrasada em casa por causa disso.


*FLASHBACK | 2018 | Casa de Natuza | Quarto de Leandra | Tarde*


[Leandra joga as suas coisas no chão e coloca a sua cabeça sobre o travesseiro, chorando muito. Natuza entra no quarto, preocupada].


Natuza: Filha, o que aconteceu?


Leandra (chorando): Rompi com o Marcel e me demiti, mãe. E-Ele tentou me obrigar a tirar o meu filho.


Natuza (chocada): Como? Ah, mas se eu cruzo com esse pentelho na rua, eu reparto ele em dois... O que você falou para os seus patrões?


Leandra: Eu menti para eles, disse que você está doente e que eu preciso cuidar da senhora. O Marcel me viu mentindo para a dona Thina e não disse nada, só me encarou... Não sei porque estou chorando, eu não preciso do Marcel ou da grana dele, espero que ele morra sufocado com todo o dinheiro. Eu vou criar o meu filho sozinha! Vou procurar um outro emprego, voltar a estudar e cuidar dele. Vai ser complicado, mas valerá a pena. A senhora vai me ajudar, não é?


Natuza: Claro que sim, eu jamais vou desamparar você, meu amor. Se você quer recomeçar, vamos para o interior, Leandra. Uma casa pequena, confortável e em uma cidade pacata onde não conhecemos ninguém fará bem a nós duas.


Leandra: Talvez seja melhor mesmo... Agora, mais do que nunca, eu quero me distanciar dos Ortego, fiquei com medo do que o Marcel pode fazer comigo. Ele me ameaçou de morte, mãe. E ele estava falando sério. Não quero que o meu filho cresça sem a minha presença. 


Natuza: Não pense nisso. Vai dar tudo certo, filha. Você verá.


[Natuza e Leandra se abraçam].


*Fim do flashback.*


Samuel: E quanto ao Israel Ortego? Qual motivo ele teria? 


Natuza: Isso eu não sei, ela não me falou. Mas o que eu sei é que eles se detestavam.


Samuel: Não sei o que falar... Estou profundamente decepcionado. Poxa, a Leandra não confiava em mim e no Ítalo, Natuza? E você? Se alguém tinha o direito de saber esse alguém era eu, porque tudo poderia ter sido evitado, ou no mínimo o caso estaria solucionado a essa altura. Tudo levava a crer desde o começo que poderia ser um assassinato.


Natuza: Me perdoe, Samuel. Eu quero e vou me redimir! Vou colaborar com a polícia, caso seja preciso.


Samuel (seco): Sim, faça isso, seu depoimento será essencial para o progresso das investigações. Na hora certa você vai. Licença, Natuza. 


[Samuel vira as costas e sai. Natuza começa a chorar, abalada]. 


*O dia anoitece.*


*CENA 2: Mansão Ortego | Noite*


[Israel está escondido em arbustos, à espera da família Ortego, ao som de um instrumental de tensão].


[Um pouco depois, ele vê o portão sendo aberto e o carro de Thina entrando].


[Após Thina e Pedro entrarem, ele despista as câmeras de segurança e escala a parede da casa. Ele se segura no parapeito, enquanto destranca a janela e usa a própria força para entrar no quarto de Pedro]. 


[Já dentro, ele não encontra o marido e abre a porta do quarto, para ver se vem alguém e a fecha].


Israel: Só rico burro pra instalar câmeras de segurança fora da casa e não dentro.


[Ele ouve passos e se esconde no banheiro. É Pedro. Ele deita sobre a sua cama, pega o celular e envia áudios para Samuel, chocando Israel].


Israel (pensando): Mal terminou com o maridão aqui e já arranjou outro macho, é um viado safado mesmo.


*CENA 3: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Sala | Noite*


[O interfone toca e Ítalo aparece para atender. Ele libera a entrada e em outro take abre a porta, vendo Jenno].


Ítalo: Onde você se enfiou, Jenno? Não respondeu as minhas mensagens.


Jenno: Eu precisava sumir por um dia, estou morrendo de ódio da Thina. Ela descobriu o nosso caso e me humilhou e expulsou daquela mansão. 


Ítalo: E o que você vai fazer?


Jenno: Nada. Até agradeço o Israel por ter me desmascarado, quinze anos vivendo contigo sem poder te assumir foi tempo demais, agora podemos ficar juntos sem disfarces. E eu quero ver se a Thina saberá administrar os bens dela, com aquela vida monárquica que eu dava para ela, não deve saber nem ler um documento.


Ítalo (rindo): Agora é a nossa vez de sermos os reis.


[Ítalo e Jenno se beijam longamente. Ítalo tira a camisa de Jenno, que o coloca sobre a mesa].


[Samuel abre a porta e se choca ao flagrá-los].


Samuel (gritando): ÍTALO! 


[Ítalo e Jenno olham para o lado e veem Samuel. Eles param imediatamente e se arrumam].


Samuel (enfrentando): O que você está fazendo com esse homem? Você está de gozação com a minha cara? É sério que vocês têm um caso? 


[A câmera foca no constrangimento de Ítalo e Jenno]. 


Samuel: Vocês dois são muito petulantes mesmo de se pegarem na minha casa e-


Ítalo (cortando): Minha não, NOSSA. Eu moro aqui e pago metade das contas, portanto tenho total direito de trazer quem eu quiser. 


Samuel: Justamente o JENNO ORTEGO? Não seja sonso comigo, Ítalo, estou sem a menor paciência hoje. Esse homem é pai daquele jovem que foi assassinado e é CASADO, como você pôde se sujeitar ao papel de amante?


Jenno: Eu fui embora de casa e me separei da minha esposa. Eu AMO o Ítalo. Nós vamos ficar juntos e não vai ser você que atrapalhará. 


[Samuel ri]. 


Samuel: Me poupe, Jenno, Você não ama ninguém, muito menos o meu irmão. Agora sai da minha casa, não quero ver você ou qualquer um dos Ortego próximos do Ítalo!


[Jenno se aproxima de Samuel e o encara olho no olho. Em seguida, sai da casa].


[A tensão entre Samuel e Ítalo é palpável]. 


Ítalo: VOCÊ PERDEU A NOÇÃO, SAMUEL? Eu nunca te vi assim, principalmente por algo tão inofensivo. O Jenno é um homem diferente, ele me ama genuinamente e-


Samuel: Um homem que trai a esposa é diferente, Ítalo? Você não está entendendo, ele é pai do Marcel Ortego, aquele desgraçado que humilhou e MATOU a nossa irmã!


Ítalo (chocado): Como assim? O Marcel não está morto?!


Samuel: NÃO! A Natuza me contou que ele foi na casa dela, então obviamente foi o Marcelo Ortego quem morreu e ele está enganando todo mundo se passando pelo irmão. Mas por quê? 


Ítalo: Você falou que ele foi na casa da Natuza... Ela comentou o motivo?


Samuel: O Leônidas é filho dele, Ítalo... A Leandra se envolveu com o Marcel enquanto trabalhava na casa dele.


Ítalo: Estou espantado... Samuel, me desculpe por ter escondido o Jenno de você, eu amo ele e estamos juntos há mais de dez anos e...


Samuel: Eu estou investigando essa família, Ítalo. Desde a falsa morte do Marcel. Essas informações que eu descobri são preciosas e podem ajudar a solucionar a morte da nossa irmã e do Marcelo Ortego. Você e a Natuza foram iguais em trair a minha confiança. Eu vou sair e respirar, porque caso contrário vou perder a sanidade. E não me siga, me deixe sozinho, para raciocinar. Minha cota de ser enganado foi preenchida de uma vez hoje.


[Samuel sai da casa e a câmera foca na falta de reação de Ítalo. Em outro take, Samuel entra em seu carro]. 


*CENA 04: Mansão Ortego | Quarto de Pedro | Noite*


[Pedro vai ao banheiro. Ao abrir a porta, é imediatamente empurrado por Israel e cai no chão].


Israel: O que você fez com a minha arma, Pedro? Eu vim buscá-la e não saio daqui enquanto ela não estiver em minhas mãos.


Pedro (debochado): Adivinha, você não é burro. Eu levei para a polícia e eles vão fazer a perícia balística nela. Seu castelo está desmoronando andar após andar, Israel.


Israel: É o que veremos. Eles só perderão o valioso tempo deles, porque eu não matei o Marcel.


Pedro: Não o matou, mas me sequestrou. Você fez isso com uma das únicas pessoas que o amava e não lhe virou as costas.


Israel: Amou tanto que dias depois já está de conversinha com outro, que por sinal tem um nome ridículo.


[Israel ri].


Pedro: Esse outro é um ser humano de verdade, e que se importa comigo, ao contrário de você. E caso eu esteja atraído por ele ou não, saiba que ele é gostoso, mais bonito que você e que eu não te devo satisfações. Da minha vida você quer cuidar, mas do seu filho você nem quer saber...


Israel: Sabe, Pedro, ser desmascarado me fez não ser mais obrigado a viver com quem não gosto, só tive lucro. Bom, já que minha arma não está aqui, você vai despistar a Thina e abrir aquele portão para mim. E nem ouse revelar para ela que estive nesse quarto.


Pedro: Não, abdiquei dessa posição de ser sua marionete. Se vira e me deixa em paz!


Israel (ameaçando): Pense no Gabriel, você disse que não quero saber dele, mas agora eu quero. Acho que você não quer que algo aconteça a ele, não é?


Pedro: Você não vai encostar mais no Gabriel.


Israel: Não vou, se você fizer o que te pedi. É tão difícil assim? 


[Pedro suspira e sai do quarto. Em outro take, ele abre a porta e chama Israel].


Pedro: Convenci a Thina que preciso sair e ela vai me emprestar o carro dela. Pula a janela, eu já vou deixar o portão aberto.


[Israel pula e se esconde das câmeras. Ele sai pelo portão, e Pedro liga o carro e também sai.].


Pedro: Essa é a última vez que eu te ajudo, Israel. A ÚLTIMA. E apague o Gabriel da sua memória. 


Israel (sorrindo): Claro, isso sim foi um ato de lucidez e amor verdadeiro. Agora eu dou os meus pulos, vá. 


[Pedro fecha e sai, com o carro. Ele conversa sozinho].


Pedro: Vou ter que ficar pelo menos uma hora na rua, cansado do jeito que estou. Que raiva, eu sou um completo imbecil de continuar amarrado a ele.  


[A câmera mostra do lado de fora o carro andando pelas ruas de São Paulo].


*CENA 05: Casa de Israel | Noite*


[Marcel está em seu carro, dirigindo pela zona Sul. Ele estaciona duas quadras antes e caminha para a parte de trás da casa de Israel, com uma lanterna, evitando ser visto].


[Marcel consegue destrancar a janela e a pula, ao som de um instrumental de suspense]. 


[Ele circula pela casa iluminando com a lanterna e abre as portas, verificando em que cômodo está. Ele abre uma outra porta e percebe ser o quarto de Israel]. 


[Marcel liga a luz e olha para os móveis velhos e sujos, com pertences em cima. Ele abre as gavetas e as portas, à procura de provas, até desistir].


Marcel: Não tem nada aqui, só poeira, móveis vazios e objetos pessoais. Estou vendo que esse xadrez não sofrerá um xeque-mate tão fácil. 


[Marcel desliga a luz, sai do quarto e pula a janela por onde entrou].


[O dia amanhece].


*CENA 06: Gravadora Áurea | Sala de Jenno | Manhã*


Jenno: O seu irmão está sabendo demais, Ítalo, ele descobriu alguma coisa sobre a minha família. Se ele continuar no meu encalço eu o apago, fique ciente disso.


Ítalo (ameaçando/mentindo): Preste atenção, Jenno. Se você armar contra o Samuel ou matá-lo, eu te mato também. Os dois sairão mortos. Ele não está sabendo de nada, senão ele teria me dito. Foi o calor da emoção por descobrir que eu estava envolvido com um homem casado.


Jenno (fechado): Assim espero. Escuta, me faz um favor e pega aquele envelope que você colocou no banco? Acho que a Thina precisa esfriar a cabeça, presa.


Ítalo: O que tem ali dentro?


Jenno: Quando a polícia divulgar a notícia da prisão dela, você descobre. Até mais tarde.


*CENA 07: Casa de Natuza | Sala | Manhã*


[Natuza e o neto estão sentados, assistindo a um filme e rindo]. 


[A campainha toca. Ela abre e vê Marcel, que imediatamente entra. Ele olha para o filho e sorri. Leônidas se levanta e Natuza desliga a TV].


Natuza (firme): Sai daqui, Marcel. 


Marcel: Eu vim falar com o Leônidas, ele precisa saber quem é o pai dele.


[Marcel se agacha para conversar com o filho].


Marcel: Leônidas... Você é tão lindo. Parece um galã, certamente será um grande homem. Escute, eu e a sua mãe tivemos uma relação linda, de muito amor. E desse amor ela engravidou de você. Você é meu filho, fruto da nossa paixão. Desde o momento que te vi quando vim aqui eu sabia disso. Me abrace, por favor.


[Marcel tenta abraçar Leônidas, que o empurra com as mãos, ao som de um instrumental tenso].


Marcel (chocado): Não quer me abraçar, Leônidas?


Leônidas: Não. Você não é meu pai. Você me abandonou. Eu nunca mais quero te ver.


[A câmera alterna entre a seriedade de Leônidas e a surpresa de Marcel].


[O climão se perpetua diante da fala de Leônidas. Natuza sorri ao ouvir e Marcel continua surpreso].

Marcel: Leônidas, não foi bem assim, eu e sua mãe...

Leônidas: Foi assim sim, a vovó não mentiria para mim. Foi você que não me quis e pediu para minha mãe me tirar. E já que você não me quer como filho, eu... Eu também não te quero como pai.

Marcel: Entenda, meu filho, eu era e ainda sou muito jovem, você nasceu quando eu tinha apenas quinze anos, era muito cedo para eu assumir tamanha responsabilidade, eu não soube agir corretamente. Mas olha, agora estou aqui, de braços abertos à sua espera, para te amar e te criar. Eu tenho muito dinheiro, posso te transferir para uma excelente escola particular, te proporcionar o melhor de São Paulo e ser seu pai e sua mãe ao mesmo tempo. Vou cuidar de você em nome do amor que tive e tenho pela Leandra.

Leônidas: Não quero, eu tenho a minha avó e eu não vou deixá-la que nem você fez comigo.

[Marcel fica desapontado].

Marcel: Esperava mais de você, meu filho. Você trocou todo o luxo que eu poderia te dar em prol de viver nessa reles casa e com uma velha que pode morrer a qualquer instante. 

[Natuza o puxa pelo braço].

Marcel (gritando): ME SOLTA, SUA VELHA SÓRDIDA!

Natuza: VOCÊ NÃO VAI ME OFENDER DENTRO DA MINHA PRÓPRIA CASA. Você vai sair por aquela porta e nunca mais vai por os pés aqui. Eu te disse que ele não queria saber do pai e que você não ia comprá-lo com um simples pedido de perdão. E por conta dessa sua barbaridade, você vai terminar sozinho, assistindo de longe nós dois muito felizes. Eu me arrependo também de não ter saído de São Paulo depois que a minha filha morreu, foi o estopim para você voltar para a minha vida. 

Marcel: Você só fala, Natuza. Agora sim que eu vou abrir o processo de guarda dele, eu só blefei antes para ver se você era medrosa ou não. O Leônidas vai aprender a me amar, nem que seja a for-

[Natuza fecha a porta na cara de Marcel, a tranca e abraça Leônidas. Ele, do lado de fora, chuta a porta e sai, bravo]. 

*CENA 08: Delegacia | Manhã* 

[Samuel e o delegado estão conversando].

Samuel: Eu consegui dados de valores inestimáveis para os inquéritos, tanto do Marcel Ortego, quanto da minha irmã. O Marcel não morreu. Foi o Marcelo e o irmão está se passando por ele. A família Ortego está enganando a todos. E existe um fio condutor que liga o motivo do Marcel ter acusado e expulsado o Israel da mansão. Ele e a Leandra tiveram um caso, e dessa união o meu sobrinho nasceu, só que ninguém sabia dessa gravidez, nem eu, a não ser o Marcel e a Natuza. E como o Israel era desafeto dos dois, quando a Leandra morreu, o Marcel supôs que o Israel era o assassino e resultou em tudo isso.

Delegado: Como você descobriu essas informações?

Samuel: Pela Natuza, a minha ex-madrasta. Ela revelou tudo.

Delegado: Isso é fantástico, investigador. Vou expedir uma intimação para a dona Natuza depor e você fará um dossiê com tudo o que coletou. E continue a insistir no Pedro Ortego também, com você próximo dele, poderá arrancar do Marcel a confissão do crime de falsidade ideológica e o suposto assassinato da Leandra, e um segundo depoimento do Pedro sobre o Israel. Estamos próximos de prender o Israel, o que nos falta é o resultado do exame de balística.

[O delegado sorri e Samuel sente-se tenso].

*CENA 09: Delegacia | Sala do Delegado | Manhã*

[Em outra delegacia, Jenno e Ítalo estão em frente ao delegado e o primeiro entrega o envelope].

Jenno: Delegado, esse envelope contém um DVD em que a minha esposa, Thina Ortego, da qual estou me divorciando, confessa ter cometido um crime.

[O delegado abre e retira o DVD].

Delegado: Qual crime seria?

Jenno (mentindo): Ela foi mandante de um homicídio, contra uma pessoa muito querida. Ela confessou indiretamente que mandou matar uma pessoa. E eu consegui esse arquivo. É horrível saber que fui casado com uma assassina.

Delegado: Eu irei averiguar agora esse DVD. Se houver índicio reais que atestem a culpa da sua ex-esposa, vou abrir um inquérito. Se ela realmente for perigosa, eu peço uma prisão provisória.

Jenno (mentindo): Ela é sim. Muito.

[O delegado coloca o DVD para escutar na unidade de disco e ouve atentamente. Jenno sorri e Ítalo o olha].

*CENA 10: Casa de Israel | Manhã*

[Alguém bate na porta. Israel vai atender e o pico de um instrumental tenso toca].

Israel (surpreso/frio): Alanis... 

Alanis (fria): Oi, Israel. Como vai? Passados dezessete anos finalmente superou o desejo de me matar?

[Eles se olham friamente. Alanis entra, mesmo sem ser convidada].

Alanis: Essa casa continua a mesma chinfrim de antes, impressionante, não teve nem uma reforma.

Israel: Vai embora, Alanis, você já viu a minha desgraça. Me deixe novamente como você fez quando o Gabriel nasceu, dessa vez eu quero. Vai pegar mais um velho rico com o seu poder de sedução, já que você é boa nisso.

Alanis: Eu abandonei o Gabriel porque suas ameaças me obrigaram, se eu não tivesse engravidado dele, eu tinha sumido do mapa na primeira vez que você fez isso. O nosso filho não merecia um ser como você para nomear de pai.

Israel: NOSSO, NÃO! SEU! O GABRIEL É SÓ SEU FILHO!

Alanis: Exatamente, ELE É MEU! Eu já fiquei sabendo dos seus crimes, a notícias correm rápido aqui em São Paulo, viu? Que coisa feia, Israel, suspeito de dois assassinatos e um sequestro. É uma questão de dias para os policiais baterem bem ali naquela porta. 

Israel: Não seja tola, Alanis. Nós dois sabemos bem que eu não me renderei, eu fujo. Eu não matei ninguém, mas você pode ser a primeira se não sair da minha casa agora. Vou cumprir a minha promessa de quase vinte anos atrás. 

Alanis: Você escolhe o que fará comigo, acha que o Gabriel não sabe que estou aqui? Nos reencontramos já, e foi tão lindo. Mas prefiro não dar detalhes, porque você não entenderia o que é um amor de mãe e filho. Era só isso, precisava ver esse vexame com meus próprios olhos. Licença, pois eu tenho o que fazer. Espero que a próxima notícia que eu receba de você seja sobre a sua prisão. Estarei aguardando incessantemente. Beijos.

[Alanis sorri debochadamente. Ela se retira e Israel a olha, irritado. Ele fecha a porta fortemente e se senta no sofá].

*O dia anoitece.* 

*CENA 11: Mansão Ortego | Quarto de Pedro | Noite*

[Pedro está ao telefone com Samuel, sorrindo].

Pedro (brincando): Você quer me ver agora? Quanta falta de cavalheirismo, nem me convida de uma forma mais requintada...

Samuel: É surpresa, pelos detalhes você descobrirá. É no centro da cidade, um local belíssimo e um dos principais cartões-postais de São Paulo. Estou te esperando.

Pedro (feliz): Suspeito de onde seja, em alguns minutos estou aí. Até já!

[A câmera mostra Pedro desligando e saindo do quarto. É mostrado também as ruas movimentadas de São Paulo, terminando no Viaduto Santa Ifigênia, onde Samuel se encontra, apoiado no braço da ponte].

*CENA 12: Viaduto Santa Ifigênia | Noite*

[Pedro desce do táxi. Em outro take, Samuel o espera, e, ao se verem, eles sorriem e Pedro também se apoia no braço da ponte].

Pedro: Eu acho esse viaduto tão bonito, um ótimo lugar para um encontro. 

Samuel (rindo): Encontro? Eu diria um passeio de amigos por um local histórico de São Paulo.

Pedro (sorrindo): Interprete como quiser. É bom apreciar uma vista linda com um homem tão lindo quanto.

Samuel: Você também é muito bonito...

[Pedro e Samuel se olham intensamente e o segundo coloca a mão sobre a de Pedro, que aperta].

Samuel: Pedro... acho que podemos nos conhecer melhor... Como amigos e talvez como... namorados. Nos demos bem, estamos conversando há um tempo e é inegável a atração que existe entre nós. 

Pedro: Samuel, vá com calma, nós dois saimos recentemente de relacionamentos tóxicos. Eu também estou atraído por você, mas não totalmente preparado psicologicamente para me relacionar em tão pouco tempo de separação, me desgastei muito por mais de dez anos.

Samuel (jogando pesado): Eu vou respeitar o seu tempo, estarei te esperando. Mas não vou conseguir dormir essa noite sem fazer isso. 

[Samuel pressiona a sua testa contra a de Pedro].

Pedro (atraído): Samuel...

[Pedro tenta recuar, mas Samuel lhe dá um rápido selinho, e Pedro acaba retribuindo, resultando em um longo beijo, enquanto a música Pássaro de fogo - Paula Fernandes toca mais alto a cada segundo].

[De repente, Pedro para e confunde Samuel].

Samuel: Não gostou do beijo, Pedro?

Pedro: Gostei, mas estamos nos precipitando. Eu preciso pensar, fiquei mexido.

[Samuel se anima].

Samuel: Foi intencional, eu já sabia que beijava bem. E não vai demorar muito para eu fazer isso de novo, eu vou te conquistar rapidinho.

Pedro (rindo): Que convencido.

[Samuel ri, e eles caminham pelo viaduto, conversando].

*CENA 13: Mansão Ortego | Sala | Noite*

[Marcel, Gabriel e Thina estão na sala, quando a campainha do portão toca. A última levanta].

[Em outro take, Thina abre a porta e recebe três policiais, ao som de um instrumental tenso].

Policial: Boa noite, dona Thina Ortego.

Thina: Boa noite. O que os senhores desejam?

Policial: Viemos cumprir um mandado de prisão. A senhora está presa provisoriamente, acusada de ser a mandante do assassinato de Leandra Ferreira, cometido há cinco anos.

[Marcel e Gabriel levantam na hora. A câmera foca no choque de Thina, olhando para os policiais, enquanto o instrumental de tensão escala no fundo].

*A tela escurece aos poucos, enquanto sangue escorre por ela.*