Quem Foi? | Edição Especial - Capítulo 04
*Quem Foi? - edição especial: cap. 4*
*CENA 1: Casa de Natuza | Sala | Manhã*
Samuel: Quem veio aqui, Natuza?
Natuza: O... O Marcel Ortego!
[O pico do instrumental de tensão toca na hora, mostrando a surpresa de Samuel].
Samuel (chocado): O Marcel? MAS ELE NÃO ESTÁ MORTO?
Natuza: Não. Ele veio buscar o Leônidas... O Marcel é o pai dele. E eu suspeito que foi ele ou o tio dele que matou a minha filha.
Samuel (chorando/revoltado): A senhora sabia disso esses anos todos e nunca me falou NADA?! Eu estou investigando os Ortego atualmente, Natuza. Se você tivesse me falado isso antes eu teria os prendido há anos! POR QUE MATARAM A LEANDRA? RESPONDA, NATUZA!
Natuza: Entenda, eu não tinha e sigo não tendo provas contra eles e não sei ao certo o motivo da minha filha ter sido morta. Se agora estou suplicando a sua ajuda é porque o desgraçado do Marcel quer a guarda do meu neto. O Leônidas não sabe quem é o pai dele e não quero que ele saiba, ele foi rejeitado pelo Marcel. Quando a Leandra descobriu a gravidez ele tentou coagi-la a abortar.
Samuel (se acalmando): Meu Deus...
Natuza: Ele proferiu ofensas contra a Leandra e ameaçou matá-la por ela não aceitar interromper a gravidez. Nunca esqueci de como a minha filha chegou arrasada em casa por causa disso.
*FLASHBACK | 2018 | Casa de Natuza | Quarto de Leandra | Tarde*
[Leandra joga as suas coisas no chão e coloca a sua cabeça sobre o travesseiro, chorando muito. Natuza entra no quarto, preocupada].
Natuza: Filha, o que aconteceu?
Leandra (chorando): Rompi com o Marcel e me demiti, mãe. E-Ele tentou me obrigar a tirar o meu filho.
Natuza (chocada): Como? Ah, mas se eu cruzo com esse pentelho na rua, eu reparto ele em dois... O que você falou para os seus patrões?
Leandra: Eu menti para eles, disse que você está doente e que eu preciso cuidar da senhora. O Marcel me viu mentindo para a dona Thina e não disse nada, só me encarou... Não sei porque estou chorando, eu não preciso do Marcel ou da grana dele, espero que ele morra sufocado com todo o dinheiro. Eu vou criar o meu filho sozinha! Vou procurar um outro emprego, voltar a estudar e cuidar dele. Vai ser complicado, mas valerá a pena. A senhora vai me ajudar, não é?
Natuza: Claro que sim, eu jamais vou desamparar você, meu amor. Se você quer recomeçar, vamos para o interior, Leandra. Uma casa pequena, confortável e em uma cidade pacata onde não conhecemos ninguém fará bem a nós duas.
Leandra: Talvez seja melhor mesmo... Agora, mais do que nunca, eu quero me distanciar dos Ortego, fiquei com medo do que o Marcel pode fazer comigo. Ele me ameaçou de morte, mãe. E ele estava falando sério. Não quero que o meu filho cresça sem a minha presença.
Natuza: Não pense nisso. Vai dar tudo certo, filha. Você verá.
[Natuza e Leandra se abraçam].
*Fim do flashback.*
Samuel: E quanto ao Israel Ortego? Qual motivo ele teria?
Natuza: Isso eu não sei, ela não me falou. Mas o que eu sei é que eles se detestavam.
Samuel: Não sei o que falar... Estou profundamente decepcionado. Poxa, a Leandra não confiava em mim e no Ítalo, Natuza? E você? Se alguém tinha o direito de saber esse alguém era eu, porque tudo poderia ter sido evitado, ou no mínimo o caso estaria solucionado a essa altura. Tudo levava a crer desde o começo que poderia ser um assassinato.
Natuza: Me perdoe, Samuel. Eu quero e vou me redimir! Vou colaborar com a polícia, caso seja preciso.
Samuel (seco): Sim, faça isso, seu depoimento será essencial para o progresso das investigações. Na hora certa você vai. Licença, Natuza.
[Samuel vira as costas e sai. Natuza começa a chorar, abalada].
*O dia anoitece.*
*CENA 2: Mansão Ortego | Noite*
[Israel está escondido em arbustos, à espera da família Ortego, ao som de um instrumental de tensão].
[Um pouco depois, ele vê o portão sendo aberto e o carro de Thina entrando].
[Após Thina e Pedro entrarem, ele despista as câmeras de segurança e escala a parede da casa. Ele se segura no parapeito, enquanto destranca a janela e usa a própria força para entrar no quarto de Pedro].
[Já dentro, ele não encontra o marido e abre a porta do quarto, para ver se vem alguém e a fecha].
Israel: Só rico burro pra instalar câmeras de segurança fora da casa e não dentro.
[Ele ouve passos e se esconde no banheiro. É Pedro. Ele deita sobre a sua cama, pega o celular e envia áudios para Samuel, chocando Israel].
Israel (pensando): Mal terminou com o maridão aqui e já arranjou outro macho, é um viado safado mesmo.
*CENA 3: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Sala | Noite*
[O interfone toca e Ítalo aparece para atender. Ele libera a entrada e em outro take abre a porta, vendo Jenno].
Ítalo: Onde você se enfiou, Jenno? Não respondeu as minhas mensagens.
Jenno: Eu precisava sumir por um dia, estou morrendo de ódio da Thina. Ela descobriu o nosso caso e me humilhou e expulsou daquela mansão.
Ítalo: E o que você vai fazer?
Jenno: Nada. Até agradeço o Israel por ter me desmascarado, quinze anos vivendo contigo sem poder te assumir foi tempo demais, agora podemos ficar juntos sem disfarces. E eu quero ver se a Thina saberá administrar os bens dela, com aquela vida monárquica que eu dava para ela, não deve saber nem ler um documento.
Ítalo (rindo): Agora é a nossa vez de sermos os reis.
[Ítalo e Jenno se beijam longamente. Ítalo tira a camisa de Jenno, que o coloca sobre a mesa].
[Samuel abre a porta e se choca ao flagrá-los].
Samuel (gritando): ÍTALO!
[Ítalo e Jenno olham para o lado e veem Samuel. Eles param imediatamente e se arrumam].
Samuel (enfrentando): O que você está fazendo com esse homem? Você está de gozação com a minha cara? É sério que vocês têm um caso?
[A câmera foca no constrangimento de Ítalo e Jenno].
Samuel: Vocês dois são muito petulantes mesmo de se pegarem na minha casa e-
Ítalo (cortando): Minha não, NOSSA. Eu moro aqui e pago metade das contas, portanto tenho total direito de trazer quem eu quiser.
Samuel: Justamente o JENNO ORTEGO? Não seja sonso comigo, Ítalo, estou sem a menor paciência hoje. Esse homem é pai daquele jovem que foi assassinado e é CASADO, como você pôde se sujeitar ao papel de amante?
Jenno: Eu fui embora de casa e me separei da minha esposa. Eu AMO o Ítalo. Nós vamos ficar juntos e não vai ser você que atrapalhará.
[Samuel ri].
Samuel: Me poupe, Jenno, Você não ama ninguém, muito menos o meu irmão. Agora sai da minha casa, não quero ver você ou qualquer um dos Ortego próximos do Ítalo!
[Jenno se aproxima de Samuel e o encara olho no olho. Em seguida, sai da casa].
[A tensão entre Samuel e Ítalo é palpável].
Ítalo: VOCÊ PERDEU A NOÇÃO, SAMUEL? Eu nunca te vi assim, principalmente por algo tão inofensivo. O Jenno é um homem diferente, ele me ama genuinamente e-
Samuel: Um homem que trai a esposa é diferente, Ítalo? Você não está entendendo, ele é pai do Marcel Ortego, aquele desgraçado que humilhou e MATOU a nossa irmã!
Ítalo (chocado): Como assim? O Marcel não está morto?!
Samuel: NÃO! A Natuza me contou que ele foi na casa dela, então obviamente foi o Marcelo Ortego quem morreu e ele está enganando todo mundo se passando pelo irmão. Mas por quê?
Ítalo: Você falou que ele foi na casa da Natuza... Ela comentou o motivo?
Samuel: O Leônidas é filho dele, Ítalo... A Leandra se envolveu com o Marcel enquanto trabalhava na casa dele.
Ítalo: Estou espantado... Samuel, me desculpe por ter escondido o Jenno de você, eu amo ele e estamos juntos há mais de dez anos e...
Samuel: Eu estou investigando essa família, Ítalo. Desde a falsa morte do Marcel. Essas informações que eu descobri são preciosas e podem ajudar a solucionar a morte da nossa irmã e do Marcelo Ortego. Você e a Natuza foram iguais em trair a minha confiança. Eu vou sair e respirar, porque caso contrário vou perder a sanidade. E não me siga, me deixe sozinho, para raciocinar. Minha cota de ser enganado foi preenchida de uma vez hoje.
[Samuel sai da casa e a câmera foca na falta de reação de Ítalo. Em outro take, Samuel entra em seu carro].
*CENA 04: Mansão Ortego | Quarto de Pedro | Noite*
[Pedro vai ao banheiro. Ao abrir a porta, é imediatamente empurrado por Israel e cai no chão].
Israel: O que você fez com a minha arma, Pedro? Eu vim buscá-la e não saio daqui enquanto ela não estiver em minhas mãos.
Pedro (debochado): Adivinha, você não é burro. Eu levei para a polícia e eles vão fazer a perícia balística nela. Seu castelo está desmoronando andar após andar, Israel.
Israel: É o que veremos. Eles só perderão o valioso tempo deles, porque eu não matei o Marcel.
Pedro: Não o matou, mas me sequestrou. Você fez isso com uma das únicas pessoas que o amava e não lhe virou as costas.
Israel: Amou tanto que dias depois já está de conversinha com outro, que por sinal tem um nome ridículo.
[Israel ri].
Pedro: Esse outro é um ser humano de verdade, e que se importa comigo, ao contrário de você. E caso eu esteja atraído por ele ou não, saiba que ele é gostoso, mais bonito que você e que eu não te devo satisfações. Da minha vida você quer cuidar, mas do seu filho você nem quer saber...
Israel: Sabe, Pedro, ser desmascarado me fez não ser mais obrigado a viver com quem não gosto, só tive lucro. Bom, já que minha arma não está aqui, você vai despistar a Thina e abrir aquele portão para mim. E nem ouse revelar para ela que estive nesse quarto.
Pedro: Não, abdiquei dessa posição de ser sua marionete. Se vira e me deixa em paz!
Israel (ameaçando): Pense no Gabriel, você disse que não quero saber dele, mas agora eu quero. Acho que você não quer que algo aconteça a ele, não é?
Pedro: Você não vai encostar mais no Gabriel.
Israel: Não vou, se você fizer o que te pedi. É tão difícil assim?
[Pedro suspira e sai do quarto. Em outro take, ele abre a porta e chama Israel].
Pedro: Convenci a Thina que preciso sair e ela vai me emprestar o carro dela. Pula a janela, eu já vou deixar o portão aberto.
[Israel pula e se esconde das câmeras. Ele sai pelo portão, e Pedro liga o carro e também sai.].
Pedro: Essa é a última vez que eu te ajudo, Israel. A ÚLTIMA. E apague o Gabriel da sua memória.
Israel (sorrindo): Claro, isso sim foi um ato de lucidez e amor verdadeiro. Agora eu dou os meus pulos, vá.
[Pedro fecha e sai, com o carro. Ele conversa sozinho].
Pedro: Vou ter que ficar pelo menos uma hora na rua, cansado do jeito que estou. Que raiva, eu sou um completo imbecil de continuar amarrado a ele.
[A câmera mostra do lado de fora o carro andando pelas ruas de São Paulo].
*CENA 05: Casa de Israel | Noite*
[Marcel está em seu carro, dirigindo pela zona Sul. Ele estaciona duas quadras antes e caminha para a parte de trás da casa de Israel, com uma lanterna, evitando ser visto].
[Marcel consegue destrancar a janela e a pula, ao som de um instrumental de suspense].
[Ele circula pela casa iluminando com a lanterna e abre as portas, verificando em que cômodo está. Ele abre uma outra porta e percebe ser o quarto de Israel].
[Marcel liga a luz e olha para os móveis velhos e sujos, com pertences em cima. Ele abre as gavetas e as portas, à procura de provas, até desistir].
Marcel: Não tem nada aqui, só poeira, móveis vazios e objetos pessoais. Estou vendo que esse xadrez não sofrerá um xeque-mate tão fácil.
[Marcel desliga a luz, sai do quarto e pula a janela por onde entrou].
[O dia amanhece].
*CENA 06: Gravadora Áurea | Sala de Jenno | Manhã*
Jenno: O seu irmão está sabendo demais, Ítalo, ele descobriu alguma coisa sobre a minha família. Se ele continuar no meu encalço eu o apago, fique ciente disso.
Ítalo (ameaçando/mentindo): Preste atenção, Jenno. Se você armar contra o Samuel ou matá-lo, eu te mato também. Os dois sairão mortos. Ele não está sabendo de nada, senão ele teria me dito. Foi o calor da emoção por descobrir que eu estava envolvido com um homem casado.
Jenno (fechado): Assim espero. Escuta, me faz um favor e pega aquele envelope que você colocou no banco? Acho que a Thina precisa esfriar a cabeça, presa.
Ítalo: O que tem ali dentro?
Jenno: Quando a polícia divulgar a notícia da prisão dela, você descobre. Até mais tarde.
*CENA 07: Casa de Natuza | Sala | Manhã*
[Natuza e o neto estão sentados, assistindo a um filme e rindo].
[A campainha toca. Ela abre e vê Marcel, que imediatamente entra. Ele olha para o filho e sorri. Leônidas se levanta e Natuza desliga a TV].
Natuza (firme): Sai daqui, Marcel.
Marcel: Eu vim falar com o Leônidas, ele precisa saber quem é o pai dele.
[Marcel se agacha para conversar com o filho].
Marcel: Leônidas... Você é tão lindo. Parece um galã, certamente será um grande homem. Escute, eu e a sua mãe tivemos uma relação linda, de muito amor. E desse amor ela engravidou de você. Você é meu filho, fruto da nossa paixão. Desde o momento que te vi quando vim aqui eu sabia disso. Me abrace, por favor.
[Marcel tenta abraçar Leônidas, que o empurra com as mãos, ao som de um instrumental tenso].
Marcel (chocado): Não quer me abraçar, Leônidas?
Leônidas: Não. Você não é meu pai. Você me abandonou. Eu nunca mais quero te ver.
[A câmera alterna entre a seriedade de Leônidas e a surpresa de Marcel].