Meu Bem Maior - Capítulo 01 [ESTREIA]




Meu Bem Maior | CAP. 1


Novela de Pedro Valente 

 

◇


● No Brasil de 1956, nas periferias mais profundas do Rio, Bruno foi delator de um assassinato.


[Flashback]


● Bruno está voltando do mercado, de repente, passa por um beco estreito a noite que lhe dava caminho à casa. 


[BANDIDO | FURIOSO] O lugar de gente como você é o inferno.  


● Ela diz o nome do bandido e o ofende, ele atira, a mulher refém morre na hora, Bruno se assusta.


[BANDIDO | ESPANTADO] Quem é você? 


● Bruno começa a correr, entretanto, o criminoso tenta dar três tiros a caminho de Bruno, porém, erra todos.


[BANDIDO | GRITA] Você tá morto! Eu vou pegar você! Eu irei descobrir onde você mora! 


● Bruno chega em casa assustado pelo que viu. Fluque late com estranheza.


[CARMINDA | ESPANTADA] Bruno, o que houve? 


[BRUNO | CHORANDO] Vó, eu vi frente a frente uma pessoa sendo brutalmente assassinada. Eu tô marcado com ele, ele disse que vai me matar.


[CARMINDA | PREOCUPADA] Merda de lugar! Aqui não há segurança, não tem como viver aqui mais. 


[BRUNO] Mas onde a gente vai morar? 


[CARMINDA] Nós vamos à França. Alugamos lugar, não sei, quando chegarmos lá nós resolvemos.


[FIM DO FLASHBACK] 


● No dia seguinte, de malas prontas, descobriu que a mulher que tinha sido morta era a esposa de um dos homens mais perigosos daquele lugar, portanto, antes de irem, ele procurou o tal homem e o delatou. 


[FLASHBACK II] 


[HOMEM] Quem é você?


[BRUNO | RECEOSO] Sou Bruno e eu sei quem matou sua esposa.


[HOMEM] Você sabe? 


[BRUNO] Eu vi, eu estava no local e quase morri também. 


[HOMEM] Então diz quem foi.


[FIM DO FLASHBACK]


● Após isso, eles se foram do Brasil. Após um ano morando na nova terra, outros problemas ocorrem.


[ CENA 1 | CASA DA CARMINDA | PETIT FRANCE | INT. | MANHÃ ]


[CARMINDA | NERVOSA] Eu soube que o prêmio é gordo. Não veio a hora de você pôr as mãos naquele saco de francos.


[BRUNO] Ô vó, eu não vou participar visando o dinheiro, sabe? Claro que eu vou tentar ganhar, mas participo por gostar de pedalar.


[CARMINDA | NERVOSA] Você diz isso porque não viu a rachadura na parede! Sabe? Às vezes eu tenho a impressão que a casa pode cair de tantas rachaduras que tem.


[FLUQUE] AU, AU.


[BRUNO | ASSUSTADO] Calma campeão, já ponho sua comida.


●50 ANOS ATRÁS●


[ CENA 2 | PEQUENA MOULIN ROUGE | PARIS | INT. | NOITE | 1907 ]


● A Pequena Moulin Rouge é o lar de diversão de muitos franceses. Uma casa de espetáculos muito rica em Paris onde as famosas Trigêmeas Lacroix vão se apresentar, sendo elas Hortensia, Clémence e Patience.


[CLÉMENCE | FELIZ] Essa é pra fechar a noite, vamos meninas.


[PATIENCE | ALEGRE] Essa "chose" vai estremecer, todas as bundas vão levantar das "chaises". 


[HORTENSIA | ATENTA] Rápido meninas, o "rideau" já vai abrir. Vamos como nós ensaiamos. 


● As cortinas se abrem e elas se apresentam cantando a seguinte música: https://youtu.be/X-KChYBFiB0. Porém, o espetáculo dá errado da mesma forma mostrada no link mostrado acima.


[CLÉMENCE | BRAVA] Mon Dieu! Isso vai sair em todos os jornais.


[PATIENCE | BRAVA] Vamos para casa, meninas! Hoje irei fazer um ensopado de rãs.


[HORTENSIA] Eu pego os sapos.


●HORTENSIA VAI À UMA LAGOA PERTO DA PEQUENA MOULIN ROUGE COM UMA GRANADA. AO CHEGAR ELA JOGA A GRANADA NO RIO E AO EXPLODIR MUITOS SAPOS SÃO ARREMESSADOS PARA A TERRA, ELA ABRE O GUARDA-CHUVA PARA NÃO SER MOLHADA PELA ÁGUA E OS SAPOS CAEM NA REDE DELA. ELA OS LEVA PARA A CASA ONDE SUAS IRMÃS JÁ ESTÃO●


●ELA PREPARA OS SAPOS NUMA ESPÉCIE DE SOPA E TODAS AS SUAS IRMÃS COMEM, É UMA CULTURA DIÁRIA DELAS●


[HORTENSIA | FELIZ] Hum, nada como um sapinho bem gordo pra me satisfazer.


[PATIENCE | CONFUSA] Hortensia, mon dieu … você engoliu o sapo vivo, veja a perna dele se mexendo na sua boca.


[CLÉMENCE | FRANCA] Eu falo a vocês para esquentar bem os sapos, alguns não morrem com a explosão e tem que morrer na panela.


[HORTENSIA] Se ele não morreu até agora, vai morrer dentro de mim.


●HORTENSIA CHUPA A PERNA DO SAPO VIVO PRA DENTRO DA BOCA● 


●50 ANOS DEPOIS●


●AS TRIGÊMEAS ESTÃO JANTANDO SAPOS LEMBRANDO DO OCORRIDO EM 1907●


[CLÉMENCE | NOSTÁLGICA] Eu lembro bem daquele dia, foi o melhor sapo que eu comi após um show.


[PATIENCE | FRANCA] Devemos falar pra Hortensia ir ao lago mais vezes pra ver se acerta os sapos mais saborosos como aquele dia. Nesse dia eu chupei as pernas deles todos.


●ALGUÉM BATE À PORTA E PATIENCE ABRE●


[GENILDA PLOC PLOC | BRAVA] Suas vadias "moche", a televisão de vocês está muito alta, meu homem está lá em cima e eu estou doida pra ter uma noite com ele.


[PATIENCE | FRANCA] Escuta aqui sua "mal aimé". Você não tá velha demais pra ser safadona?


[GENILDA PLOC PLOC | BRAVA] O que eu faço na minha casa não interessa a vocês. Se vocês não baixarem o volume, eu jogo uma granada aqui.


●GENILDA VAI EMBORA E HORTENSIA SE MORDE DE RAIVA PELA AMEAÇA●


[HORTENSIA | RAIVOSA] Ah se eu acabo com a raça dessa vagabunda de 82 anos. Patience, pega a granada de fumaça.


●PATIENCE VAI À PORTA DE GENILDA, AO ABRIR HORTENSIA JOGA A GRANADA, FECHA A PORTA E SEGURA FAZENDO GENILDA INALAR A FUMAÇA. HORTENSIA SAI CORRENDO E GENILDA GRITA●


[GENILDA PLOC PLOC | GRITANDO RAIVOSA] Sua "salope coquine" EU ACABO COM VOCÊ!


[ CENA 3 | MANGER DES HAMBURGERS | INT. | PETIT FRANCE | NOITE ]


●AMÉLIE É A DONA DO ESTABELECIMENTO, O RESTAURANTE MAIS FAMOSO DA CIDADE É ESSE POR ALGUNS É ATÉ UM PONTO TURÍSTICO DE 5 ESTRELAS● 


[PIERRE | GRITANDO] AMÉLIE, MESA TRÊS. 


[AMÉLIE | GRITANDO] EU NÃO POSSO, PEDE PRO RAYMOND.


[PIERRE | GRITANDO] RAYMOND, MESA TRÊS.


●RAYMOND PEGA OS HAMBÚRGUERES E OS LEVA PARA A MESA TRÊS, RECOLHE COPOS SUJOS DA MESA E AO VOLTAR ESCORREGA E LEVA UM TOMBO● 


[AMÉLIE | FURIOSA] RAYMOND VÊ SE PRESTA MAIS ATENÇÃO.


[PIERRE | PREOCUPADO] Ray, está bem?


●PIERRE AJUDA RAYMOND A SE LEVANTAR E LIMPAR OS CACOS DE VIDRO●


[AMÉLIE | GRITANDO] ENQUANTO VOCÊS ESTAVAM NISSO, EU TIVE QUE DESLIGAR A PANELA QUE ESTAVA NO FOGO QUASE QUEIMANDO.


[ CENA 4 | JEUX D'ARGENT | INT. E EXT. | PETIT FRANCE | NOITE ]


●JULES É RICO E PODEROSO, SUA MANSÃO É GIGANTE E NOS FUNDOS LONGE DE TUDO E TODOS ABAIXO DA TERRA ELE ESTÁ CONSTRUINDO UMA SALA DE JOGOS ILEGAIS. O JOGO CONSISTE EM VOCÊ PEDALAR EM BICICLETAS FÍSICAS, UMA PEQUENA MÁQUINA DE MADEIRA MOSTRA EM QUE LUGAR DE 3 JOGADORES VOCÊ ESTÁ, QUEM PERDER, MORRE. RAPHAEL E LOUIS SÃO SEUS CAPANGAS●


[JULES | BRAVO] Incompetentes! idiots! Construam o mais baixo que puder, os meus amigos da "société" serão os principais clientes e eu ganharei muito dinheiro.


[RAPHAEL | FRANCO] Jules, eu acredito que ele não entendeu! Teremos que explicar pra ele com mais clareza.


●RAPHAEL SACA UMA ARMA● 


[PEDREIRO | COM MUITO MEDO] Por favor, vocês precisam de mim pra isso seguir. Eu juro que estou construindo o mais baixo que posso, mas não existe uma construção que não faça barulho.


[JULES | FRANCO] Hum, não gosto de pessoas que imploram pela vida. Louis, por favor.


●LOUIS SACA UMA ARMA E ATIRA NO PEDREIRO QUE GRITA ANTES DE MORRER●


[PEDREIRO | AGONIZANDO] Eu jogo uma maldição em você! un jour tes actions te reviendront! E em forma de espírito eu estarei lá para rir das tuas desgraças.


●O PEDREIRO MORRE E JULES O ENTERRA NUMA PARTE DE SEU TERRENO●


[JULES | SÉRIO] Deveria agradecer ainda por estar sendo enterrado num terreno de pessoa rica, poderia estar sendo enterrado num cemitério pobre tendo suas placas roubadas por vândalos.


[LOUIS | FRANCO] As pessoas não sabem valorizar sua sorte, Jules. Aliás, ele poderia ter sido morto por uma gentalha qualquer e foi morto por alguém de posses como você, rei. Deveria agradecer.


[RAPHAEL] O Pedreiro que eu chamei deve estar chegando. 


●O PEDREIRO CHEGA● 


[PEDREIRO II] Alguém chamou um pedreiro? 


[JULES | BRAVO] Sua stupide, trabalhe em silêncio e construa o que está no papel, lá tem todas as informações necessárias da construção, um barulho que chegue à minha mansão e você morre.


●15H SE PASSAM E A CONSTRUÇÃO É FINALIZADA● 


[PEDREIRO II | CONTENTE] Ficou do jeito que você mandou, construí em tempo recorde e sem barulho. Agora podemos negociar o pagamento.


[JULES | SARCÁSTICO] Eu agradeço muito, mas o pagamento vai ser dado pelo meu amigo Louis, Louis por favor.


●LOUIS SACA UMA ARMA E ATIRA NO PEDREIRO II QUE CAI NO CHÃO● 


[PEDREIRO II | CONFUSO] Por que você fez isso?


[JULES] Não gosto de pessoas que se gabam pelo trabalho, só eu posso fazer isso.


[PEDREIRO II | CONFUSO] Eu não me gabei, só comentei.


[JULES] Hum, falou tarde demais! Não tem como o Louis "desdar" o tiro.


●O SEGUNDO PEDREIRO MORRE E JULES O ENTERRA AO LADO DO PRIMEIRO●


[ CENA 5 | CASA DA CARMINDA | INT. | PETIT FRANCE | NOITE ] 


●BRUNO ESTÁ SE PREPARANDO PARA O TORNEIO QUE É DIA SEGUINTE● 


[CARMINDA | SÉRIA] Eu sei que você é um ciclista profissional, mas eu sinto que algo vai acontecer.


[BRUNO | FRANCO] Eu já fiz isso mil vezes, o que pode acontecer?


[FLUQUE] AU AU AU.


[CARMINDA | PREOCUPADA] Eu não quero que você vá.


[BRUNO | CONFUSO] A gente vai reformar essa casa com o dinheiro, eu vou.


[CARMINDA | TRISTE] Tá certo, já que eu não posso impedir …


[BRUNO | FRANCO] Esse dinheiro vai dar jeito na minha vida, entende?

[A IMAGEM FOCA NO ROSTO ESPERANÇOSO DE BRUNO E, EM SEGUIDA, NA EXPRESSÃO PREOCUPADA DE CARMINDA.]


FIM DO CAPÍTULO.