Vidas Roubadas - Capítulo 18
» Vidas Roubadas 🧬 | Capítulo 18/25 🔢
• |🏙️| • Cena 1 • |🏙️| • Cenário • |🏙️| • Lado/Turno • 🏙️ •
[De repente, batem na porta. Vitória se levanta e vai até a entrada.]
[Ela abre a maçaneta. Quando a porta é aberta, Vitória simplesmente arregala os olhos e se expressa de forma assustadora.]
[Um instrumental pesado de tensão pura tem início. A presença desta pessoa é o suficiente para abalar Vitória emocionalmente.]
Homem (de costas): V-Vitória?
[Faltam palavras na boca da irmã de Andréia. Depois de um grande esforço, Vitória consegue pronunciar o nome da pessoa que entrara.]
Vitória (abalada): A-A-A... |Respira fundo.| A-ANDRÉ!?
André: |Admirado.| Continua bonita como sempre...
Vitória: |Se endurecendo.| Saia daqui... SAIA DAQUI! COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE REAPARECER ASSIM, DO NADA, DEPOIS DE 26 ANOS!? VOCÊ SABE A IDADE DE SUAS FILHAS? EXATAMENTE, ANDRÉ, 26 A-N-O-S, ANOS!
André: |Manso.| Vitória, deixe eu me explicar. Sei que não mereço, mas dá essa chance, essa oportunidade, pelo nosso amor!
Vitória: |Em lágrimas.| Amor!? AMOR ESSE QUE VOCÊ JOGOU NO LIXO, ANDRÉ, A PARTIR DO MOMENTO QUE VOCÊ SE ENVOLVEU COM AS DUAS IRMÃS AO MESMO TEMPO! |Respira fundo.| Mas vamos... diga... invente o que tem de inventar!
André: |Contando.| Olha... Vitória, eu confesso que me aproximei de Andréia justamente por ser rica. Mas quando lhe conheci, vi que meu coração se aqueceu por você e que eu tinha encontrado o amor da minha vida. Mas já era tarde... Vocês estavam grávidas... Eu tive que ir embora... E... |Lacrimeja.| O motivo de eu querer me casar com Andréia por interesse, era para comprar os remédios da minha mãe, que estava muito doente na época. Sei que foi sujo o método que encontrei para conseguir dinheiro, e justamente por isso, paguei caro: quando voltei pra minha cidade natal após descobrir a gravidez de vocês duas, minha mãe já tinha falecido...
[Neste momento, um instrumental dramático tem início.]
Vitória: |Quase acreditando.| E-eu sinto muito...
André: |Cabisbaixo.| Se quiser, podemos viajar para a minha cidade, te mostrar os documentos etc., enfim! Sei que errei e reconheço que Andréia tem todos os motivos do mundo pra me odiar. Você também. Aliás, se um dia nos reencontramos e ela quiser ME MATAR... estará no total direito.
Vitória: |Franca.| A minha irmã sofreu muito, André. Por mais que eu tenha me decepcionado bastante com ela nos últimos tempos, ela tem todo direito de te odiar.
[André consente. Os minutos vão passando. Após um longo silêncio, as coisas se acalmam e André quebra a ausência de atitudes, tirando todo o clima silencioso.]
Roxette - Spending My Time 🎵.
André: |Limpando as lágrimas.| Você... me perdoa?
Vitória: |Sincera.| Não, André, eu não posso. Não agora. Você vai ter que provar que merece meu perdão. Mas... posso fazer uma coisa que pode iniciar seu processo de redenção... Isso se você quiser se redimir.
André: |Animado.| É claro que eu quero. Se demorei todos esses anos, é porque estava com medo de seu pai fazer algo. Aliás, já estou sabendo da morte dele... E... enquanto me preparava para voltar, passei esses anos todos trabalhando num restaurante e enriqueci honestamente. Hoje sou dono de um estabelecimento culinário, na minha cidade mesmo. Enfim, o que você me propõe?
Vitória: |Sorri sem querer.| Que bom que você cresceu na vida assim. Mas... infelizmente não pagará os anos de ausência. Eu e Andréia fechamos nossos corações e fomos mães solteiras. E... sobre a proposta... eu... posso... te dar a oportunidade de conhecer as suas filhas. Basta irmos na sala dela agora.
André: |Entusiasmado.| Mesmo?
Vitória: |Fingindo orgulho.| É! Vamos? Acompanha-me?
[Feliz, André consente. Quando ela abre para irem, ele e Vitória se encaram romanticamente.]
[A mulher quebra o clima e vai andando na frente. André o segue. A imagem vai escurecendo.]
[Por fim, a música-tema de Vitória para de tocar.]
• |🏙️| • Cena 2 • |🏙️| • Presídio/Sala de Visita • |🏙️| • Interno/Manhã • 🏙️ •
💰 • Enquanto isso, no presídio, Marcos vai até a sala de visita a fim de falar com Clécio.
[Clécio chega na mesa acompanhado de um carcereiro, mas não reconhece Marcos.]
Marcos: |Observando-o.| Lembra de mim, é... Como é seu nome mesmo? Clécio, né?
Clécio: |Confuso.| Sim, mas... n-não lembro de ti. Quem é você?
Marcos: |Franco.| Marcos... o homem que Andréia mandou você sequestrar... e matar!
[Clécio se estremece e reconhece o homem. Com medo, tenta ir embora, mas Marcos não deixa. Um clima de suspense é palpável.]
Marcos: |Segurando-o.| Você fica! |Respira.| Me responde... por que você não entregou a sua mandante? Por que você tá preso?
Clécio: Motivo confidencial... estou sendo muito bem renumerado para ficar calado. |Pensativo.| (Não posso trair Vitória... ela me pagou pra eu não denunciar Andréia).
Marcos: Muito bem... Pelo meu sequestro não foi. Mas isso não importa. O fato é que... eu posso ajudar amenizar sua pena. É. Desde que você entregue tudo o que sabe sobre... Andréia Castelo. |Mostra uma câmera.|
Clécio: |Chocado.| Como você conseguiu entrar com isso?
Marcos: |Debochado.| Com suborno, se consegue tudo, meu caro. Só quero que você grave um vídeo dando detalhes de tudo que fez contra mim; claro, deve deixar em evidência que o conteúdo não se trata de inteligência artificial... Até porque, né, sabe como anda a tecnologia....
[Clécio engole seco. Um silêncio permanece no ar. Após segundos, o homem consente e topa. Um instrumental tenso tem início.]
Marcos: |Sorri maliciosamente.| Muito bem...
[O vídeo começa a ser gravado. Durante a gravação, o bandido também entrega Zaqueu, denunciando o envolvimento dele. Enquanto Clécio fala nele, o volume da voz dele vai abaixando, sendo substituído pelo instrumental que já tocara.]
• |🏙️| • Cena 3 • |🏙️| • Castelo Móveis • |🏙️| • Interna/Manhã • 🏙️ •
💰 • Voltando à empresa, André e Vitória entram na sala de Luísa.
Luísa: |Sorridente.| Oi, mãe. O que você quer? Quem é o moço...?
Vitória: |Sem graça.| É-é-é, filha, este é o André!
André: |Aperta as mãos dela.| Muito prazer!
Luísa: |Gentil.| O prazer é todo meu!
Vitória: |Direta.| Ele... Ai, como posso dizer... Luísa, meu amor... este homem... é o seu pai.
[Zoom no rosto de Luísa. Um instrumental de tensão é iniciado.]
Luísa: |Em choque.| Como é que é? Meu pai? Não... não é possível. Ele não voltaria na maior cara de pau, assim, depois de tantos anos. |A ficha caindo.| Ou voltaria...?
André: |Nervoso.| Lu-Luísa, eu não sei nem o que dizer. Mas... só vim aqui te conhecer, tá? Não vim forçar nada não...
Luísa: |Inconformada.| Me conhecer...? EU NÃO QUERO SABER DE NADA DE VOCÊ, ANDRÉ! SABE QUANTAS VEZES EU E MINHA IRMÃ CLAMAMOS POR UM PAI? VÁRIAS! Principalmente no dia dos pais... |Lacrimeja.| Aí você chega aqui, depois de séculos, e resolveu da noite pro dia que querer ser meu pai? EU ABOMINO VOCÊ! DEPOIS DE TUDO O QUE FEZ PRA MINHA MÃE E PRA MINHA TIA!
André: |Abalado.| Luísa, deixe-me explicar...
Luísa: |Firme.| EU NÃO TENHO NADA PRA FALAR COM VOCÊ! Aliás... como você seduziu as duas irmãs gêmeas ao mesmo tempo sem confundir? Porque minha mãe e minha tia são super idênticas! E o mais estranho... |Ela ri.| é você ter a reconhecido novamente, sem se confundir, depois de tantos anos.
André: |Cabisbaixo.| Eu procurei pela Vitória, depois falei com a secretária dela, contei minha situação e fui até a sala dela... Ainda assim, eu seria capaz de diferenciá-las...
Luísa: |Chorando de raiva.| Muito bem... E a minha irmã? Sua outra filha? Sabe onde ela está? No hospital, acordou de um coma há pouco tempo. Cadê você nessas horas, né? NUNCA APARECEU! |Respira.| Já terminou de dizer o que tinha pra dizer, agora FORA! FORA DAQUI!
[Triste, André consente. Vitória o acompanha até a porta. O homem se retira de vez.]
[Um instrumental de tristeza começa a ser tocado. Vitória se aproxima da "filha" e dá um forte abraço nela. As duas choram juntas.]
