Vidas Roubadas - Capítulo 10

 

|🔟➕| Não recomendado para menores de dez anos | APRESENTA: linguagem depreciativa; temas sensíveis e conteúdo violento |🧏 |




» Vidas Roubadas 🧬 | Capítulo 10/25 🔢


• |🏙️| • Cena 1 • |🏙️| • Mansão Castelo/Escritório • |🏙️| • Interna/Tarde • 🏙️ •


💰 • Apressadamente, Alberto sobe até o escritório de Andréia e escuta um diálogo entre ela e Sérgio. Discreto, o patriarca dos Castelo tenta ouvir atrás da porta.


Instrumental de suspense 🎶.


[À medida que a conversa avança, Alberto derrama cada vez mais lágrimas e se decepciona ao descobrir a verdadeira face da filha.]


[Cansado, ele decide abrir a porta, que, para sua sorte, estava destrancada.]


[Alberto invade o escritório e encara seus algozes.]


Instrumental de tensão 🎶.


Alberto: |Chorando de raiva.| BANDO DE TRAIDORES! Como pude ter sido apunhalado tão fácil assim pela minha própria filha?


[Andréia e Sérgio ficam aflitos com a chegada de Alberto, enquanto o mesmo segue colocando pressão na dupla.]


Andréia: |Se aprox.| Pai... eu posso explicar.


Alberto: |Bravo.| Não chegue perto de mim, sua ingrata. Como você pôde ter feito uma coisa dessa comigo, Andréia!?


Sérgio: |Aflito.| Como o senhor descobriu!?


Andréia: |Advertindo.| Cale essa boca, Sérgio!


Alberto: |Furioso.| Isso não importa... O fato é que vocês cometeram um crime, e ainda planejaram fugir daqui IMPUNES!


Andréia: Certeza que foi aquele seu funcionário, Lúcio.


Alberto: |Bate na mesa do escritório.| JÁ DISSE QUE ISSO NÃO IMPORTA!


Andréia: |Confrontando.| Pois muito bem, eu confesso. Fizemos, sim, tudo isso, e faremos muito mais até deixar essa maldita empresa na ruína! Claro que para minha filha e minha neta, eu vou deixar uma garantia de vivência...


Alberto: |Sem fôlego.| Do que você está falando!?


Andréia: |Debochada.| Ah, você não sabe!? Claro que não! Está tão ocupado com sua empresa, com seus verdadeiros ente-queridos, que NUNCA DESCONFIOU QUE OS BEBÊS FORAM TROCADOS NO DIA DO MEU PARTO E DA MINHA IRMÃ!


[Nesse momento, o clima fica extremamente pesado e Alberto sem ar.]


Andréia: Isso mesmo, paizinho. Eu troquei as crianças porque minha filha, Luísa, nasceu com o pé na cova, e troquei os bebês para prejudicar Vitória. Infelizmente ou não, a criança sobreviveu, mas tive que assistir aquela maldita criar minha própria filha!


Alberto: |Com a mão no peito.| Isso não é verdade... NÃO PODE SER VERDADE!


Andréia: |Lacrimejando.| Você é o pior pai do mundo, sempre deu preferência a Vitória e o Danilo. Mas quanto a mim? Só desdém. A única pessoa que me amou de verdade nessa vida foi minha mãe, QUE INFELIZMENTE MORREU POR SUA CULPA, QUE NUNCA CONSEGUIU TRATAMENTOS ADEQUADOS!


Alberto: |Passando mal.| Por favor... não fale assim... Eu te amo, minha filha... e eu fiz o impossível para manter sua mãe viva...


Sérgio: |Aflito.| Andréia, por favor, pegue leve!


Andréia: |Rancorosa.| Nada disso, Sérgio, ele vai ouvir de uma vez por todas tudo que está entalado na minha garganta! |Respira.| Depois que minha mãe morreu, ainda teve o cretino do André, que sua querida filha fez questão de roubar de mim. Como se ela já não tivesse roubado o carinho e a preferência do meu pai...


[Tomado pela fúria, Alberto desfere uma forte bofetada em Andréia.]


Andréia: |Com a mão no rosto.| Pode me bater o quanto quiser, MAS ISSO JAMAIS MUDARÁ OS FATOS!


Alberto: |Suspirando.| Olhe aqui, Andréia, se eu dava mais atenção para Vitória era justamente porque ela sempre foi mais frágil que você, além de menos talentosa. Claro que hoje ela cresceu no mercado de trabalho, mas isso não significa que eu tenha te deixado de lado. |Respira fundo.| Você que se afastou da gente...


Andréia: |Chorando de raiva.| Você achou mesmo que eu iria correr atrás de vocês, seu velho maldito? Nada disso! Eu estava péssima. Sempre estive péssima. Mas como são cegos, nunca perceberam. Agora, eu só desejo que vocês se dêem muito mal nessa vida, porque eu vou destruir a porcaria da sua empresa, E NINGUÉM VAI ME IMPEDIR!


Alberto: |Muito mal.| Eu vou sair daqui... Eu não fico aqui nem mais um segundo!


[Alberto começa a se retirar.]


Andréia: |Indo atrás dele.| VOLTE AQUI! EU NÃO TERMINEI!


Sérgio: |Chamando.| Andréia, por favor, pare com isso!


[A cena corta para: a sala. No cômodo, Alberto tenta se manter de pé, mas continua passando mal.]


[Já Andréia, foi atrás dele e chega também na sala. Quanto a Sérgio, ficou no escritório.]


Alberto: |Ofegante.| O que você quer...? Sai daqui! Eu não quero mais saber de você. Seu monstro!


Andréia: |Decidida.| Você não vai abrir essa sua boca enquanto eu não terminar de dizer tudo que tenho para falar!


[Alberto começa a passar mal de verdade e se deita no chão.]


Andréia: |Ficando nervosa.| Esse show não vai funcionar, Alberto! LEVANTA DAÍ! ANDA!


[Alberto começa a se contorcer e Andréia percebe que está perdendo o seu pai.]


Andréia: |Com medo.| Pai... levanta daí. Pai, se acalme! PAI, POR FAVOR, RESPIRA!


Alberto: |Tendo um infarto.| Ai, meu coração... Meus remédios... Me dê... Meus remédios... 


Andréia: |Se senta perto do pai.| PAI, POR FAVOR! NÃO MORRA! RESISTA! EU VOU PEGAR SEUS REMÉDIOS! |Pega ele pelos braços.|


Alberto: |Dando os últimos suspiros.| Por que... você fez isso... Andréia...? |Desfalece.|


[Alberto, enfim, morre de um infarto fulminante nos braços de Andréia.]


Instrumental dramático 🎶.


[Um clima forte e fúnebre penetra no ambiente, e a ficha de Andréia cai.]


Andréia: |Chorando.| Pai, fala comigo! Pai! PAI! PAI, NÃO ME DEIXA! PAI, FALE COMIGO! |Soluça.| PAAAAAAIIIIII! PAAAAAAIIIIII!


[As lágrimas de Andréia caem no rosto de Alberto.]


[Nesse momento, Vitória chega do trabalho e nota a trágica cena.]


Vitória: |Chocada.| Meu Deus... ANDRÉIA, O QUE SIGNIFICA ISSO!? |Corre em direção.| PAI, FALA COMIGO! PAI!


Andréia: |Arrasada.| NÃO ADIANTA, VITÓRIA! |Soluça.| O papai morreu...


[Zoom na expressão de choque de Vitória.]


[Zenilda entra em casa, por conta das gritarias, e se depara também com a cena triste.]


[Zoom no rosto da governanta.]


Zenilda: |Põe a mão na cabeça.| Não... |Chora.| Não! |Soluça.| ALBERTOOO! |Derrama lágrimas.|


[Zenilda sente uma tontura e acaba desmaiando na hora.]


Vitória: |Assustada.| Meu Deus! Zenilda-a!


[Vitória corre em direção a Zenilda e tenta acordar a governanta.]


[Sérgio desce as escada e percebe a tragédia que acabara de ocorrer. Ele se benza e fica sem o que fazer.]


[Andréia continua segurando seu pai e Vitória tenta acordar Zenilda.]


[A câmera vai se afastando lentamente de todo ambiente.]


[Por fim, o pico do instrumental é alcançado. A tela escurece.]




• |🏙️| • Cena 2 • |🏙️| • Cemitério • |🏙️| • Externo/Manhã • 🏙️ •


Chico Buarque - João e Maria 🎵.


💰 • Takes aleatórios de São Paulo são mostrados. Devido ao ocorrido trágico, as paisagens estão cinzentas e o clima está chuvoso, além de muito nebuloso. 


Instrumental dramático 🎶.


[A câmera se aproxima do cemitério e vemos o caixão de Alberto sendo carregado.]


[A família inteira está presente e todos estão de preto.]


[Dentre os personagens presentes, estão: Andréia, Vitória, Zenilda, Luísa (segurando sua filha, que usa um chapéu preto), Danilo, Zaqueu, Sérgio e Lúcio.]


[A cena corta para: o padre dizendo algumas palavras, enquanto o instrumental domina o ambiente, e todos ouvindo com atenção.]


[Todos jogam flores em cima do caixão. O semblante de cada personagem presente é de muito tristeza.]


[Por fim, Alberto é enterrado e todos se despedem do patriarca da família Castelo. A tela escurece.]




• |🏙️| • Cena 3 • |🏙️| • Mansão Castelo/Escritório • |🏙️| • Interna/Tarde • 🏙️ •


💰 • Dois dias depois. Andréia está no escritório, fazendo algumas anotações, até que ela convoca Zaqueu.


Instrumental de suspense 🎶. 


Zaqueu: |Entra e se aprox.| Olha... parece que a madame lembrou de minha existência.


Andréia: |Séria.| Sem piadinhas, Zaqueu. Pode não parecer, mas estou de luto.


Zaqueu: |Sarcástico.| É que desde que esse Sérgio apareceu, você tem me deixado de lado. Mas diga-me, o que quer de minha pessoa, senhora Andréia?


Andréia: |Respira.| Quero que você dê uma nova missão para aquele seu contato, o Clécio; o mesmo que solicitei para que desse um fim na Débora e no Marcos.


Zaqueu: E o que você quer com ela?


Andréia: Quero que você mande ele dar um fim no Lúcio, funcionário de longa data do meu pai. Ele, provavelmente, sabe demais e não quero correr o risco de me dar mal. Diga ao seu capanga também que Sérgio o ajudará...


Zaqueu: |Sorrindo.| Farei o que você quiser, madame.


[Zaqueu se retira e Andréia retoma sua atenção para as anotações.]


💰 • A cena corta para o quarto de Vitória, que está segurando sua suposta neta, Marilu, enquanto conversa com Luísa.


Vitória: |Abalada.| Que repentina e triste essa morte do meu pai... Ele tava tão bem...


Luísa: |Triste.| Pois é, mãe. Eu gostava tanto dele... Agora é oficial: estou órfã de avó e avô, e nem estou contando com os avós paternos, pois duvido que meu pai dê notícias um dia.


Vitória: |Dando carinho na neta.| Sim, minha filha, o André pouco falou dos pais. Disse que o pai era falecido e a mãe estava doente. Enfim! Agora, só nos resta superar.


Luísa: Falando em superar, tia Andréia tem estado tão estranha, não é? Zenilda também está arrasada...


Vitória: Tem sim. Acho que a morte do papai abalou demais ela, mesmo que eles tenham se afastado um pouco. Pobre Zenilda... era tão apegada ao meu pai. Até torcia que eles tivessem algo. E coitada da Dani... está em coma e não sabe de nada.


Luísa: |Pega na mão dela.| Temos que ser cuidadosos na hora de contar...


[Vitória balança a cabeça positivamente e a cena é finalizada.]


• |🏙️| • Cena 4 • |🏙️| • Casa de Lúcio • |🏙️| • Externa/Noite • 🏙️ •


💰 • Após quebrar a janela e ter invadido a casa de Lúcio, Sérgio, mascarado, verifica se está mesmo sozinho. Ele também está sob companhia de Clécio, que o espera no carro.


Instrumental de suspense 🎶.


Sérgio: |Se afastando.| Ótimo! Já está tudo certo pra esse Lúcio cantar pra subir... |Ri discretamente.| Ah... quem manda falar demais! 


[Sérgio se aproxima da janela e joga um palito de fósforo.]


Instrumental de ação 🎶.


[A casa começa a pegar fogo por dentro e Sérgio se afasta novamente.]


Clécio: |Vendo a casa fumaçar.| Hora de partir! 


[Clécio entra no carro e Sérgio dá partida.]


[O fogo começa a se espalhar pela toda casa, deixando o incêndio cada vez mais evidente.]


[A câmera vai se afastando de todo ambiente e o pico do instrumental é alcançado.]




• |🏙️| • Cena 5 • |🏙️| • Interior de SP • |🏙️| • Externa/Tarde • 🏙️ •


💰 • No dia seguinte, vemos um homem usando óculos e de barba lendo um jornal, enquanto toma um café, dentro de uma padaria. Ele está meio de lado para a câmera.


Instrumental de suspense 🎶.


Homem: |Lendo.| Seu Alberto morreu? Meu Deus... que tragédia. Todos devem estar arrasados... |Toma seu café.| Mas um dia, eu voltarei... e vou te desmascarar... |Respira fundo.| Andréia! |Bate a mão na mesa.|


[A câmera vira até mostrar a parte frontal do rosto, revelando ser ninguém mais, ninguém menos que... Marcos: o eterno amor de Luísa e filho de Zenilda.]


[Marcos termina de tomar seu café, se levanta, deixa o dinheiro na mesa debaixo da xícara, pega o jornal e sai de cena. A sequência, em si, é finalizada.]




• |🏙️| • Cena 6 • |🏙️| • Mansão Castelo/Escritório• |🏙️| • Interna/Tarde • 🏙️ •


💰 • Enquanto isso, no escritório de Alberto, todos aguardam o testamenteiro chegar.


Andréia: |Falsa.| Que notícia trágica esse acidente do Lúcio...


Vitória: |Falando baixo.| Pois é, e que coincidência triste ter sido justamente após a morte do nosso pai...


Danilo: |Cabisbauxo.| A esposa dele, dona Margareth, disse que ele ficou completamente queimado. Por sorte, sobreviveu, mas os médicos duvidam que ele volte a ser o que era antes...


Júlio: |Intrigado.| Ele perdeu a fala e os movimentos, né?


Danilo: |Olha pra câmera.| Sim, filho... Uma baita tragédia! 


Andréia: |Pensativa.| (Ao menos não vai abrir a boca)... 


Zenilda: |Pensativa.| (Por que será que me convocaram? O Alberto não pode ter deixado algo para mim, nem tivemos tempo de assumir nosso caso). 


Luísa: |Segurando Marilu.| Obrigada por me acompanhar, Sérgio.


Sérgio: |Dissimulado.| Nada, meu amor. Te falei que estaria sempre do seu lado. |Pensativo.| (Esse Lúcio não morreu, mas ficou mudo e imóvel. É sorte demais para mim. |Ele ri internamente.|)


[Por fim, o testamenteiro chega.]


Testamenteiro: Boa tarde!


Todos: Boa tarde.


Testamenteiro: Podemos começar?


[A cena corta para: o testamenteiro iniciando a distribuição da herança.]


[O volume de sua voz é abaixada, e o instrumental de suspense toca no fundo da cena.]


[A cena sofre um corte e avança para distribuição final.]


Testamenteiro: “E, por fim, deixo a presidência da empresa para minha filha Vitória Castelo e a vice para minha outra filha, Andréia Castelo.”


[Neste momento, o clima fica tenso e Andréia demonstra grande insatisfação. Já Vitória, fica surpreendida com tamanho confiança.]


Vitória: |Põe a mão no peito.| Meu Deus... A presidência? Minha?


Andréia: |Se levanta.| Mais eu sou a mais velha! Como eu não herdei a liderança total!?


[A situação fica calorosa e todos os personagens sentem o clima pesar. A câmera dá close no rosto de cada um, ficando um suspense em quem o capítulo irá fechar.]


🎥 • A IMAGEM CONGELA EM ANDRÉIA • 📼