🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 20/20 | 🌺
CENA 01 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]
[Lorena continua sorrindo maliciosamente para Carlos. Minutos mais tarde, depois de despachar os trabalhadores, os dois se preparam para entrar no túnel.]
Lorena (ansiosa): Vamos, Carlos!
Carlos (sorrindo): A senhora na frente!
[Lorena consente e os dois pegam suas bolsas e adentram o túnel, segurando lanternas. Lá dentro, em completo escuro, Carlos para.]
Carlos (se dirigindo à Lorena): Espere, mainha. Esqueci do saco com ferramentas. Vai que a gente precise?
Lorena: Pois vá buscar.
[Carlos obedece e volta para a entrada do túnel. Chegando lá, para o seu desespero, dois policiais o aguardam com armas engatilhadas. Isaque e Cesária também estão presentes.]
Policial 1: Carlos Silveira, o sinhô tá preso por invasão de propriedade privada seguida de destruição de imóvel. No contrato assinado pela sinhora sua mãe estava explícito que era proibido qualqué tipo de vandalismo.
Policial 2: Queira nos acompanhá até a delegacia.
[Um instrumental tenso tem início. A câmera foca no rosto desesperado de Carlos, e, em seguida, em Isaque e Cesária.]
CENA 02 [TÚNEL • MANHÃ]
[Após muito esperar por Carlos, Lorena decide prosseguir com a sua caminhada em busca do tesouro. Grandes quantidades de areia caindo e pequenos deslizamentos de terra ocorrem a todo momento, mas não são suficientes para barrá-la.]
Lorena (cansada): Ah, meu filho, me perdoe, mas não pude parar pra esperar.
[Ela continua caminhando, e, após alguns minutos, avista um velho baú, em cima de uma grande mesa de metal. Ao som de um instrumental de suspense, a câmera foca na expressão radiante de Lorena, que se dirige até lá.]
Lorena (sussurrando): Eu encontrei... EU ENCONTREI O TESOURO! FINALMENTE ENCONTREI MEU TESOURO! AGORA SEREI RICA!
[Ela finalmente chega ao baú e começa a tocá-lo.]
Lorena (entre gargalhadas de felicidade): Agora tudo o que há aqui dentro será meu... MEEEEEEUUUUU!
[No entanto, quebrando as suas expectativas, um pesado pedaço de madeira atinge fortemente a sua cabeça, fazendo-a cair sem consciência. Depois disto, é mostrado ao público que a dona do ato foi Helena, que, ao lado de Juscicleiton, observam o corpo desacordado da mulher, próximo ao baú. Um instrumental de tensão tem início.]
Helena (gargalhando): Seu nada... O TISÔRO É MEU E DE JUSCINHO, SUA QUENGA!
Juscicleiton (encantado): Nós tamo ricos, Heleninha... RICOS!
Helena (apressada): Rumbora, meu amô. Vamo levá esse baú antes que a cascavel acorde.
[Os dois se entreolham, sorrindo, pegam o baú e finalmente se afastam dali, deixando Lorena, ainda desmaiada. Após longos minutos, a mulher finalmente desperta. O clima no túnel agora é tenso, pois os deslizamentos de terra se intensificaram.]
Lorena (com dor, levantando-se): Ai... O que foi que aconteceu?
[Neste momento, ao olhar para o local em que o baú estava e não encontrá-lo, Lorena se levanta rapidamente, desesperada.]
Lorena (em pânico): Meu tesouro... Não, não, NÃO! CADÊ O MEU TESOURO?
[O instrumental tenso se intensifica. Lorena continua em completo desespero. Pedras começam a cair do topo do túnel, deixando tudo repleto de poeira. Logo, imensos estrondos são ouvidos, indicando que a estrutura está desmoronando.]
Lorena (berrando): EU QUERO O TESOURO! ELE É MEEEEUUUUU! CADÊ O MEU TESOURO? |Neste momento, percebe uma parte do teto se desprendendo, prestes a lhe esmagar.| NÃO! |Prepara-se para o pior.| NÃÃÃÃÃÃOOOOOO!
[Lorena é soterrada. Logo, um desmoronamento generalizado tem início e todo o túnel é destruído. Tudo fica escuro. Por fim, o pico do instrumental é alcançado.]
CENA 03 [DELEGACIA • MANHÃ]
[Na delegacia, Carlos, depois de entregar quase tudo o que sabe, finaliza seu depoimento. Cesária e Isaque também estão presentes na cena. Um instrumental levemente tenso predomina.]
Carlos (mentindo para proteger Lorena): Mainha... Mainha não sabia de nada. Ela estava lá apenas para tentar impedir que eu continuasse com o plano descabido de encontrar o tesouro.
Cesária (se intrometendo): É mintira! Sua mãe é pior que você, e eu tenho certeza que ela já tava dentro do túnel.
Delegado: Pois vamo averiguá... |Acena para dois policiais, que se aproximam.| Voltem ao túnel e procurem Lorena Silveira...
[Os dois policiais obedecem e saem, deixando Carlos preocupado. Um outro policial surge e começa algemar o rapaz. Depois disto, ele começa a ser conduzido até a cela. Enquanto caminha com o policial para o seu destino, Cesária e Isaque se aproximam do delegado.]
Cesária (olhando para o delegado): E tem mais, delegado. Esse cidadão também mi sequestrou e ainda invadiu o meu casamento armado, dizendo que ia matá eu e Isaque.
[Carlos acaba ouvindo a conversa e, algemado, larga do policial e corre em direção ao casal, que se assusta com a volta do vilão.]
Carlos (surtando): É MENTIRA! DESGRAÇADOS! EU VOU ACABAR COM VOCÊS DOIS!
[Carlos é contido e começa a ser levado de vez para a cela, enquanto murmura e resmunga.]
Carlos (irritado): Eu odeio vocês... EU ODEIO!
[Após Carlos ser levado para a cela, Cesária e Isaque voltam a se aproximar do delegado.]
Delegado: Prossigam!
[Enquanto a denúncia é realizada, o volume das vozes de ambos vai diminuindo, tendo em substituição um instrumental de suspense. A tela escurece.]
CENA 04 [POUSADA DA CAPITAL • TARDE]
🎶 • Alelui-me, Baby • Bad Girls
[Mais tarde, na capital, vemos um casal carregando malas e sacolas. Eles entram em uma pousada, em companhia de um clima de suspense. O jogo de câmeras revela que se trata de Helena e Juscicleiton. Eles entram no quarto alugado após horas de viagem.]
Helena (radiante): Ai, Juscinho! Eu tô ansiosa por dimais pra vê todo esse ouro.
Juscicleiton (com olhar malandro): Nossa vida nunca mais vai sê a merma, minha goiabona!
Helena (ansiosa): Vamo, meu amô, abra as bolsas com o tisôro. Na pressa, só tivemo tempo de jogar tudo aí. Nem consegui ver um tico de ouro.
[Apressados, eles abrem a bolsa com os tesouros recolhidos. Juscicleiton observa todo o conteúdo e estranha algo.]
Juscicleiton (incrédulo): Valha meu sinhô... Mas isso aqui num é ôro!
Helena (assustada): OXENTE! Que história é essa, Juscinho?
Juscicleiton (abatido): Heleninha... Olhe isso!
[Helena corre para lá e se desespera com o que vê. Por fim, é revelado que o tesouro, na verdade, era falso, e que não passava de uma lenda. O conteúdo, em questão, é cobre, e não ouro. Bijuterias também enfeitam o conteúdo. Helena, desesperada, revira tudo, mas a sua frustração só aumenta.]
Helena (em pânico): Não, não, NÃO! NÃÃÃÃO! NUM É PUSSIVE, JUSCICLEITON! QUE DIABO É ISSO?
Juscicleiton (sem acreditar): O tisôro... É FALSO!
[Helena, perdendo as forças, revira os olhos e desmaia nos braços do amante. A câmera foca no olhar desesperado dele, enquanto segura a amada. A imagem vai perdendo o foco, até que a tela escurece.]
CENA 05 [CAPELA • NOITE]
[Os dias vão passando. A câmera se aproxima de uma capela, perto da zona rural de Vila Formosa. Lá, é dado início ao casamento de Marcelina e Esperança, enquanto a trilha clássica de casamento toca. Isaque leva sua irmã até o altar, beija sua testa e a deixa ao lado da noiva, enquanto o novo padre começa a realizar o casório. Cesária, Clarita e Maria Machado também se fazem presentes, emocionadas.]
Clarita (chorando): Quanta emoção, meu Deus!
Cesária (sorrindo): Tão lindas...
M. Machado: O amô é muitcho lindo!
Isaque: Só ispero que minha irmã seja feliz.
[A cerimônia prossegue, e logo chega a hora da troca de alianças.]
Esperança (emocionada): Eu lhe amo, Marcelina...
Marcelina (radiante): Eu também lhe amo, minha flô de açucena!
[As duas finalizam o ato cerimonial e dão um lindo beijo, enquanto todos aplaudem. De repente, Maria Machado se aproxima do ouvido de Cesária e cochicha.]
M. Machado: E padre Celso, hein? Que fim será que teve?
[A câmera focaliza nos rostos de Cesária e M. Machado.]
CENA 06 [CABARÉ • NOITE]
[Na capital, a câmera se aproxima de um luxuoso cabaré. Músicas eletrônicas e luzes neon em abundância se fazem presentes. Dentro do ambiente lotado, vemos um homem dançar no poledance para vários clientes. Um zoom é dado no rosto dele, revelando ser o ex-padre Celso.]
Celso (sensualizando): Homens... aroximem-se e DESFRUTEM-ME!
[Enquanto Celso entretém a clientela, a câmera se aproxima do barman do cabaré, sendo ele, Juscicleiton. O homem serve um drink para um cliente, que se afasta.]
Juscicleiton (resmungando): Eita, diacho! Vida mizeravi...
[Neste momento, uma prostituta sai de um dos quartos do bordel após receber o pagamento de seu cliente. Ela se aproxima de Juscicleiton e lhe dá um selinho, mostrando que trata-se de Helena.]
Helena (demostrando cansaço): Juscinho... Eu num aguento mais!
Juscicleiton: Calme, meu amô! Nós vamo sair dessa.
Helena (olhando para a câmera em completo desespero): Ah... Como eu sofro!
[Ao som de um instrumental cômico, um cliente velho e barrigudo interrompe o momento da dupla de amantes e chama Helena com gestos de mãos para ir satisfazê-lo.]
Helena (devastada): Ah, não... OUTRO NÃO!
[Ela faz cara feia, encara Juscicleiton e vai em busca de sua gorjeta. O homem ri da situação e volta ao trabalho. A tela escurece.]
CENA 07 [VILA FORMOSA • TARDE]
🎶 • Homem com H • Ney Matogrosso
[O tempo vai passando. É outubro. A câmera se aproxima de dois palanques no centro da cidade. Todos os moradores de Vila Formosa estão presentes. Por fim, chegou o grande dia do resultado das eleições. Pafúncio está de um lado e Cesária do outro. O locutor entra em cena e começa a anunciar os resultados.]
Locuto (batendo no microfone): Alô, alô, testando. |Ajusta-o.| Bom, é com muito orgulho que anuncio o resultado das eleições!
[Uma expectativa prevalece no ar.]
Locutor: E o vencedor, ou vencedora, das eleições, com 61,78% dos votos é...
[Os tambores se arrufem.]
Locutor: ...PAFÚNCIO LEITÃO!
[Neste momento, a multidão aplaude. Entretanto, Cesária toma o microfone do locutor e chama a atenção de todos. Um forte instrumental de tensão tem início.]
Cesária (no microfone): Antes de vocês cometerem a atrocidade de elegerem este homi, eu tenho umas coisa pra falá. Sinhô Pafúncio, pode me dizer onde se incontra Jacob, seu vice-prefeito?
Pafúncio (nervoso): B-bem o Jacobo, ele... Faz tempo que eu não o vejo.
Cesária (afrontosa): Sabe porquê, seu Pafúncio? PORQUE O JACOB ESTÁ PRESO! Pois é, minha gente. Foi preso por corrupção e entregou detalhes muito interessante. Mas antes de mostrá-los... Maria, aperta o butão do controle e ligue o telão.
[Um vídeo num telão é posto e é possível ver Pafúncio e Lorena se beijando nele. A sociedade presente se choca. Em seguida, são mostradas cópias das páginas do dossiê de todos os esquemas corruptos de Pafúncio, em slides no telão, deixando a cidade inteira boquiaberta.]
Pafúncio (apavorado): O QUE SIGNIFICA TUDO ISSO? ISSO É MONTAGI, COISA DE COMPUTADÔ!
Cesária: Após ser preso, Jacob nos entregô tudo e conseguimos mais provas, depois que a polícia averiguou os arquivo de Juscicleiton, que, por vossa vez, se encontra foragido.
[Todos ficam chocados com as provas fornecidas por Cesária. Pafúncio começa a suar de nervosismo.]
Pafúncio (mentindo): ISSO TUDO É MINTIRA, PROVAS FORJADAS POR VOCÊS! Eu vô é simbora pegar minha faixa de prefeitcho e me reelegê!
Cesária (aumenta o tom): É ESSE PREFEITO QUE VOCÊS QUEREM, VILA FORMOSA? UM HOMEM CORRUPTO, QUE ROUBA O DINHEIRO DE VOCÊS, QUE TRAI A MULHER-
Pafúncio (interrompe): A HELENA TAMBÉM MI TRAIU, E COM O JURUBEBA DO JUSCICLEITON!
Cesária (rebate): Eu sei. As fofocas já se espalharo. Dito isso, EU EXIJO A PRISÃO DESTE HOMI E O FIM DE SEU MANDATO!
[De repente, todos os cidadãos de Vila Formosa começam a clamar pelo nome de Cesária, desejando que ela se torne a nova prefeita.]
Pafúncio (irritado): SUA CABRITA DESMIOLADA, EU GANHEI AS ELEIÇÕES! ACEITA QUE DÓI MENOS!
Isaque (se aproxima): Seu Pafúncio... Acabou pra você! Puliciais, prendam-no!
[Dois policiais, que estavam escondidos por perto, surgem e algemam Pafúncio. Logo após, o pai de Cesária começa a ser conduzido até a viatura.]
Pafúncio (em estado de surto): EU NUM QUERO SER PRESO! EU NUM FIZ NAAADA! EU SOU O PREFEITCHO DESSA CIDADEZINHA MIXURUCA! MI LAARGUEM!
[Pafúncio, enfim, é levado. O público volta a clamar pelo nome de Cesária.]
Cesária (no microfone): Formosenses, se vocês me derem a chance de me torná a mais nova prefeitcha, eu prometo dá voz às muieres, manter uma estabilidade comunicativa e social entre ambos os sexos e gêneros, consertá os pobremas econômicos e tudo que estivé necessitando de reforços. Só depende de vocês. |Determinada.| ME DEIXEM GOVERNÁ! ME DEIXEM MOSTRÁ QUE POSSO SALVÁ ESSA CIDADE ATRASADA! ME DEIXEM AJUDÁ VOCÊS!
[O locutor toma o seu microfone de volta e põe-se a falar.]
Locutor: É com muita honra e com muito orgulho que eu anuncio a mais nova prefeita de Vila Formosa: ELA! A PRIMEIRA MULHER PREFEITA DE VILA FORMOSA! CEEEESÁÁÁÁÁRIIA LEITÃÃOOO!
[Um instrumental vibrante é iniciado. O nome de Cesária é clamado com força e ela se torna oficialmente a nova prefeita de Vila Formosa. A cena corta para a mocinha liderando uma carreata, ao lado de Maria Machado, sorrindo e acenando para todos, ao som de um instrumental emocionante.]
Multidão: CESÁRIA! CESÁRIA! CESÁRIA!
Cesária (radiante): AMO VOCÊS, MEU POVO!
M. Machado (animada): FAÇAM O "C"!
[O sorriso puro e alegre de Cesária é focalizado enquanto ela aproveita o clima de comemoração. Por fim, a câmera vai se afastando de todo ambiente. A tela fica embaçada.]
CENA 08 [PREFEITURA • MANHÃ]
[Cenas transitivas são avistadas no plano sequencial. Outro tempo se passou. A história se encontra em 2025. Isaque e Cesária estão na ala de atendimento, resolvendo pendências com a secretária.
Isaque (contente): Eita, franguinha, o trabaio de hoje pelo visto vai rendê.
Cesária (acompanhando-o): Nem me fale...
[A câmera focaliza no jornal de um figurante e nele está estampado a informação de que Carlos foi condenado a 5 anos de prisão. Por fim, o foco é dado na porta da prefeitura, e um homem, aparentemente arruinado, entra por ela e se aproxima de Cesária e Isaque. Trata-se de Pafúncio.]
Pafúncio (encarando a filha): CESÁRIA!
Cesária (surpresa): Painho...
Pafúncio (se aproximando, derrotado): Minha fia... Eu tô arruinado, eu perdi tudo. Tô chei de processo nas costas, fui condenado a serviços comunitário, tô sem teto. Mi ajuda, por favoô!
[Cesária faz expressão de dúvida. A cena corta para os três dentro da sala da prefeita, no auge da conversa. Destinado e destruído, Pafúncio se ajoelha e chora em cima de Cesária.]
Pafúncio (aos prantos): Meu amô, me perdoe... Eu... Eu vou tumá jeito. Agora vô ser um homi de bem. Eu lhe juro!
Cesária (breve): Se alevante, pai. Olha... eu vou te dá uma casinha procê morá.
Pafúncio (com os olhos brilhando): S-sério!?
Cesária (consentindo): Sim, painho. |Lhe entrega a chave.| Tômi! |Anota um endereço.| Tá aqui.
Pafúncio (recebendo os novos pertence, emocionado): Obrigado, minha fia... Muitcho obrigado...
Isaque (murmurando no ouvido de Cesária): Tem certeza?
Cesária (direta): Tenho, Isaque.
Pafúncio (se levanta): E... você mi perdoa?
[Um instrumental levemente emocionante tem início.]
Cesária (respira): Perdôo, painho. Mas num quero contato próximo com o sinhô. Por ora... Agora vá, tenho muita coisa pra fazê.
Pafúncio (grato): Agradicido, Cesarinha. E parabéns pela vitória, viu?
Cesária (sorrindo): Obrigada...
[Feliz, esperançoso e aliviado, Pafúncio se retira e passa novamente pela porta. Sorrindo, Cesária observa seu pai indo, enquanto Isaque permanece confuso. No lado externo, o ex-prefeito se depara com Esperança e Marcelina, de mãos dadas. As duas são abordadas pelo homem.]
Marcelina (surpresa): Pafúncio... O que diabo tu faz aqui, ex-prefeitcho?
Pafúncio: Vim falá com Cesarinha. |Olhando nos olhos de Esperança.| Ei... Esperança... Mi perdoe... Por tudo que fiz... Por tudo que é mais sagrado. Eu quero sê uma pessoa melhor e-
Esperança (interrompe, ignorando Pafúncio): Rumbora, Marcelina! Num tenho nada pra falá cum esse homi.
Marcelina (com pena): Er... tá certo.
[Após ignorar o pedido, Esperança e Marcelina entram na prefeitura.]
Pafúncio (cabisbaixo): Eu mereci, vai... Ainda mais depois de tudo...
[A câmera focaliza no rosto do ex-prefeito, que olha para o céu.]
Pafúncio (sorrindo de forma esperançosa): Ah... Qué sabê? Eu vou virá mermo uma pessoa melhor. É! Vou virá um político honesto. E quem sabe me candidatar a prefeito... |Esboça um sorriso malicioso.| Na capital. Hehehe!
[A câmera foca em Pafúncio, de costas, que segue caminhando, rumo ao seu destino, e em seguida o horizonte da cena é focalizado.]
CENA 09 [CÂMARA • TARDE]
[Mais tarde, na câmara, a prefeita Cesária convocou uma reunião para aprovação dos projetos que seus aliados desejam fazer. Enquanto ela não chega, ambos põem em discussão suas intenções.]
Isaque: Eu, na qualidade de primêro-damo, exijo que todos os trabaiadores rurais de Vila Formosa recebam um auxílio.
Clarita: Já eu, quero um centro de apoio que ajude ex-prisioneiros, que, assim como eu, desejam recomeçar suas vida.
Marcelina: Eu, como sou cunhada e muito amiga da prefeitcha, vô exigir que ela faça acuntecê um Tinder da vida real.
Esperança (ingênua): Oxe, muié, que diacho é isso? Hum... Quero uma instituição que ajude os deficiente!
M. Machado (cortando): E eu quero que Cesarinha mande matá tudo que for homi machista.
Isaque (assustado): Valha, minha Nossa Sinhora!
[A prefeita, que ouvia as discussões enquanto entrava pela porta da câmera, chega e interrompe o falatório.]
Cesária (falando alto): Se acalmem, meu povo! Eu cheguei pra ouvir tudo que vocês têm pra sugerir.
[Cesária se senta na sua cadeira. Ela olha para a câmera, enquanto seu rosto é focalizado, e esboça um sorriso de vitória e satisfação. A prefeita respira fundo, fecha os olhos e solta o ar. A tela escurece.]
CENA 10 [VILA FORMOSA • MANHÃ]
🎶 • Balanceiro • Juliana Linhares
[Após a reunião, vemos diversos takes aleatórios e transitivos de Vila Formosa. Árvores crescem, outras caem, prédios novos são construídos, carros passam, estabelecimentos surgem. É mais que visível que muito tempo se passou.]
[19 anos depois. É 2044. A câmera se aproxima do centro da cidade, onde dois rapazes fazem protestos contra o feminismo, segurando cartazes, já que Vila Formosa, agora, é dominada pelas mulheres. São os jovens César e João Macho, filhos de Cesária com Isaque e de Maria Machado numa reprodução independente, respectivamente.]
César (firme): CHEGA DE OPRESSÃO! QUEREMOS OS HOMIS NO COMANDO DI VOLTA!
J. Machado (decidido): QUEREMOS REIMPLEMENTAR O MACHISMO NOVAMENTE!
[Neste momento, surge Isadora, uma caipirona recém-chegada de Vila Formosa. Ela e sua família ganharam na loteria e chegaram para morar na zona urbana após viverem anos na parte rural.]
Isadora (aparecendo): Eita, mulinga! Dois cabra sem vergonha fazendo baderna. Onde já se viu? Tinham que ser homistas!
César (irritado): Não é homista, sua burra... É machista!
Isadora (de braços cruzados): Pois que seje!
[Isadora e César, acompanhado de João, continuam a discutir. O tema do casal principal de toda web-novela (Boca em Brasa) tem início e a câmera começa a se afastar deles. De repente, observando de longe, é nos revelado que Cesária, ainda prefeita de Vila Formosa — tendo um governo mais duradouro que Getúlio Vargas, estava acompanhando tudo, juntamente de Isaque. Ambos estão mais velhos.]
Cesária (incomodada): Óia o que teu fi virou! Eu vou lá intervir nessa situação.
Isaque (interrompe): Espera, franguinha, deixa eles. |Admirado.| Tamo prestigiano o mais novo nascimento de um puro amor!
Cesária (brava): Eu já te disse que num sou franguinha, seu bronco!
Isaque (sorrindo): E eu num sou bronco. Você é minha flor de formosura...
Cesária (encara ele, também sorrindo): E você meu cacto carinhoso... sem espinhos!
[Isaque e Cesária começam a se beijar ali mesmo, mostrando que o amor entre eles nunca morreu. A câmera começa a se afastar de tudo, indo para o céu, dando para ver que Isadora continua discutindo com César e Machado. Vemos Vila Formosa bem reconstruída e modernizada, enquanto passarinhos voam e as nuvens passam bem devagar.]
A IMAGEM CONGELA EM VILA FORMOSA [🥀🍂].
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🌹 | FIM | 🌻