Flor de Formosura - Capítulo 18

 




🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 18/20 | 🌺


CENA 01 [CASA DE MARIA MACHADO • MANHÃ]


[Na sala da casa de Maria Machado, o clima entre Cesária e Pafúncio continua tenso.]


Cesária (peitando o pai): Pois fique o sinhô sabendo que eu num vô desistir... |Se aproxima.| NEM QUE A MÃE DA MARIA MACHADO RESSUSCITE!


M. Machado (exclamando): EI!


Pafúncio (frio): Você vai se arrependê de me afrontá desse jeito, Cesária. 


Cesária (rebelde): Num vou não, painho! Agora, se o sinhô num quiser sair abaixo de vassourada, suma daqui!


Pafúncio (agora demostrando um pouco de tristeza): E esse vistido? Você vai casá com aquele caipira sujo, minha fia?


[Esperança, que observava a tudo, ao lado de Maria Machado, se aproxima intervindo.]


Esperança (com raiva): Você num ouviu o que ela disse? SUMA DESSA CASA!


Pafúncio (com raiva): Pois tá certo! |Ameaça.| Depois num digam que eu num avisei. 


[Ele finalmente se retira, e Maria Machado tranca a porta.]


M. Machado: Vamo voltá a prová os vestidos, Cesária?


Cesária (decidida): Vamo!


[As três voltam para o quarto. Ao som do tema de Cesária, dias nascendo e se pondo são mostrados. Finalmente é chegada a data do casório.]




CENA 02 [IGREJA • MANHÃ]


[A igreja está lindamente decorada. Em seu interior, flores decoram todo o ambiente. No altar, Isaque, emocionado, aguarda a entrada de Cesária, ao lado de Clarita. P. Celso demonstra indiferença. Poucas pessoas estão presentes, já que foram os únicos convidados. Esperança e Marcelina estão de mãos dadas, radiantes, sorrindo uma para a outra, enquanto são observadas por Mici, que as julga.]


Mici (murmurando): Saboeiras... Eu sinto longe o cheiro de sabão. 


[Neste momento, todas as atenções se voltam para a entrada, por onde Cesária, com seu magnífico vestido, adentra na companhia de Maria Machado. As duas seguem até o altar, onde a protagonista é deixada pela amiga. Finalmente juntos, os mocinhos se entreolham, apaixonados.]


Isaque (com os olhos marejados): Você é a muié mais linda que eu já vi, franguinha!


Cesária (sussurrando): E você é o caipirão grosseiro mais bunito desse mundo.


[Os dois sorriem. A cerimônia tem início. Com o volume baixo, as reações de cada personagem presente são mostradas. Após alguns minutos, o momento final é chegado.]


P. Celso (se referindo a Isaque): Isaque Galinha Dias da Silva... É por livre e espontânea vontade que você aceita amá, respeitá, e ser fiel à Cesária Leitão até que a morte os separe?


Isaque (encarando a amada): Mas é claro!


P. Celso (se referindo à Cesária): Cesária Leitão Moreno... É por livre e espontânea vontade que você aceita amá, respeitá, e ser fiel à Isaque Galinha Dias da Silva até que a morte os separe?


Cesária (com um largo sorriso no rosto): Só se fô agora!


P. Celso: Pois eu os declaro casados. Podem se beijar!


[Os dois se beijam, enquanto são aplaudidos por todos. De repente, na companhia de um instrumental de suspense, algo inimaginável acontece. Carlos, com um revólver de prata na mão, completamente desnorteado, surge na porta da igreja, mirando no casal, deixando todos desesperados.]


Mici (berrando): SANGUE DE JESUS TEM PODER!


Carlos (sádico): Estrago a festa? 


Cesária (assustada): Carlos, pelo amô de Deus... Você tá num local sagrado. Abaixe essa arma e suma daqui!


Isaque: É ISSO MERMO! SUMA E NUM FAÇA NADA!


Carlos (com fúria no rosto): CALEM A BOCA, SEUS MALDITOS! EU VIM AQUI MATAR VOCÊS! VÃO ME PAGAR POR TUDO QUE FIZERAM COMIGO!


[Ele se prepara para apertar o gatilho. Só as batidas dos corações das pessoas presentes são ouvidas. Esperança, Marcelina, Maria Machado e Clarita estão desesperadas, enquanto Isaque e Cesária temem que o pior aconteça.]









[No auge da tensão, Carlos, em câmera lenta, enquanto o casal fecha os olhos, preparando-se para o pior, finalmente dispara, mas, para a sua frustração, nada acontece, pois a arma estava descarregada.]

Carlos (sem acreditar): Não... Não é possível! NÃO É POSSÍVEL!

Isaque (furioso): PEGUEM ESSE MALDITO!

[Neste momento, um imenso tumulto tem início e todos cercam Carlos, que se desespera. No entanto, rapidamente Lorena surge para acudir o filho.]

Lorena (interrompe): PAREM COM ISSO AGORA!

[Todos estremecem com a presença de Lorena.]

Lorena (gritando): NINGUÉM TOCA NO MEU FILHO!

[Carlos se sente protegido. Os convidados se afastam.]

Lorena (urrando): EU DESÇO O CACETE EM QUEM TRISCAR UM DEDO NO MEU FILHO!

[Zoons são dados nos rostos dos personagens presentes.]

Lorena (esbravejando para Carlos): EU SABIA QUE VOCÊ TAVA AQUI, CARLOS! COMO VOCÊ PODE SER TÃO INCONSEQUENTE?

Carlos (com raiva): Eu só queria vingança... VINGANÇA CONTRA ESSES MALDITOS!

P. Celso (interrompendo): CHEGA! PONHAM-SE DAQUI PRA FORA OS DOIS!

Lorena (ordenando): Bora Carlos! BORA!

[O vilão abaixa a cabeça e sai. Aliviados, todos retomam as festividades. A cena sofre um corte. Enquanto o tema de Isaque e Cesária (Boca em Brasa) tem início, os dois se beijam e caminham para fora da igreja, enquanto recebem a conhecida chuva de arroz.]



CENA 03 [BARRACA • NOITE]

[Do alto, é possível ver uma pequena barraca armada no meio de um campo, iluminada pelas chamas de algumas velas e decorada com muitas flores. De repente, é possível ver Isaque e Cesária se aproximando. A moça está com os olhos vedados.]

Isaque (sorrindo): Chegamo!

[Em frente à barraca, ele tira a venda dos olhos de Cesária, que sorri, encantada.]

Isaque: Eu sei que num é um terço do que você merece, minha flô, mas eu arrumei com muito amô. |Olha nos olhos da amada.| Eu lhe juro que nós vamo sair da casa de Maria Machado o quanto antes... Aí será só tu e eu!

Cesária (apaixonada): Pois saiba que eu seria feliz com você até debaixo da ponte.

[Completamente apaixonados, os dois sorriem e se beijam. Enquanto o tema de Cesária — Formosura — começa a tocar, Isaque a pega em seus braços e a leva para dentro da barraca. Lá, em um momento íntimo e de muito amor, eles continuam se beijando, enquanto se despem lentamente. No refrão da música, a câmera começa a se afastar lentamente, e o foco passa para o lindo horizonte estrelado. O dia raia.]



CENA 04 [IGREJA • MANHÃ]

🎶 • Dancei • Martinho da Vila

[É dia de São Pedro. Na frente da igreja de Vila Formosa, Padre Celso conversa com duas fiéis, que parecem preocupadas.]

Fiel 1 (agoniada): Ele é muitho perigoso, padre... Outro dia, atacô minha vózinha de quase cem ano.

Fiel 2 (desesperada): E dizem que já tá inté matano as muié mais feias.

P. Celso (incrédulo): Esse povo num tem o que fazê mermo! |Se irrita com as fiéis.| Eu já disse pra vocês que num existe Homi de Preto. Isso aí é só um cabra safado que anda atrás de muiéres pra satisfazê seus desejos carnais. E num tem morte ninhuma!

[Neste momento, Mici, que observava a tudo, se aproxima.]

Mici: Padre Celso tá certo... Num existe Homi de Preto, e nem de cor ninhuma. Vocês deviam se preocupar era com a caixa que nosso pároco esconde a sete chaves.

P. Celso (irritado): Ora... Vão cuidá de suas vidas, três fuxiqueiras!

Mici (ameaçando): O sinhô tome cuidado... Eu ainda vô abrir aquela geringonça. |Sussurra.| E se fô imoralidade, já sabe!

[Celso engole o seco, enquanto Mici o encara por uma última vez e se afasta, na companhia das outras duas mulheres.]



CENA 05 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]

[Sozinha na sala, Helena lê uma revista, quando, de repente, batem na porta. Ligeiramente, ela levanta-se e vai até lá, em tom sedutor.]

Helena (sorrindo): Juscinho veio cedo...

[No entanto, ao abrir, sua surpresa é tamanha ao encontrar Clarita, que esboça um sorriso sarcástico. Um instrumental de tensão começa a tocar.]

Helena (assustada): O que você qué aqui, sua condenada dos inferno?

Clarita: Se aveixe não, Heleninha, que eu vô sê rápida. 

Helena (com raiva): Pois diga o que veio fazê!

Clarita (sorrindo): Lhe dá isto!

[Com força, ela desfere um forte tapa no rosto de Helena, que cai no chão, assustada. Um instrumental de ação tem início.]

Helena (desesperada): MAS O QUE É ISSO, SUA GAMBÁ INCARDIDA?

Clarita (furiosa): Isso é a recompensa pelos ano de prisão que a sinhora me deu, mais a humilhação que sua fia passô em suas mão. |Abaixa-se e lhe desfere mais dois tapas.| TOME, SUA ÉGUA SEM VERGONHA! TOME! |Bate mais três vezes.| TOME, CACHORRA SAFADA!

Helena (aflita e com dor): PARE! PARE SUA DISGRAÇADA!

Clarita (dando-lhe um último tapa): TOME!

[Ela finalmente levanta-se, deixando Helena derrotada no chão. Neste momento, Juscicleiton chega e se depara com a cena.]

Juscicleiton (preocupado): HELENINHA!

[Ele corre para acudir a mulher. Clarita encara a primeira-dama com sangue nos olhos.]

Clarita: Ôtra hora eu venho fazê mais uma visita, querida. Adeus!

[Ela se retira, deixando Helena com o rosto vermelho e sentindo dor, ao mesmo tempo que demonstra ódio pela rival. O instrumental que tocara na cena dá seu toque final.]



CENA 06 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]

[Do alto, é mostrado um trator destruindo a casa de Isaque, reduzindo o que antes era um lar à um mero entulho. Lorena e Carlos se fazem presentes e observaram a tudo.]

Lorena (suspirando, cabisbaixa): Finalmente começou...

Carlos (sorrindo): Mainha, nossa vida tá a um passo de mudar para sempre!

[Entretanto, Carlos nota que a mãe segue estranha.]

Carlos (preocupado): Oxe, mainha... O que foi agora?

Lorena (desnorteada): Ai, Carlos... Depois daquele ataque que sofri... Estou me sentindo suja... Indigna.... |Derrama uma lágrima.| Não estou com ânimo para tesouro, acho melhor...

Carlos (apoiando): Poxa, mãe, também não é assim. Sei que o que você está passando é horrível, mas não podemos desistir do tesouro. Fomos tão longe. |Sorri.| Olha, depois que ficarmos ricos, eu pago uma terapia pra senhora. Mas por ora, tente esquecer. Eu tô com você pra te apoiar.

Lorena (triste): Não, Carlos, não vou desistir do tesouro. Só... estou sem ânimo.

Carlos (acolhedor): Entendo, mainha. Olha, se eu descobrir quem foi o cabra de peia ou a quenga da moléstia que fez isso com a senhora, eu capo e mato o, ou a, desinfeliz!

Lorena (abraço o filho): Ai, Carlos, muito obrigada... Eu nem me atrevo a denunciar já que essa cidade burra inteira acredita que esse maníaco trata-se de uma lenda folclórica. Enfim, vou tentar esquecer e focar no tesouro. Te amo, meu filho...

Carlos (ainda abraçado): Amo a senhora, mainha...

[Ao som de um solene instrumental, a câmera se afasta. O dia vai passando e logo a noite cai. Vila Formosa está envolvida nas festividades juninas.]



CENA 07 [RUAS DE VILA FORMOSA • NOITE]

[Ao som de um instrumental de forró, uma festa de quadrilha é mostrada. Isaque e Cesária dançam entre inúmeras pessoas, muito felizes.]

[Horas mais tarde, após o fim da festa, os dois voltam para casa, de mãos dadas. A cidade está deserta, pois todos já estão recolhidos.]

Cesária (sorrindo): Você dançou muito, meu amô!

Isaque: Ara... Você também dançô, minha franguinha!

[Eles continuam encaminhando. De repente, Isaque para, em frente a um banheiro público.]

Isaque: Mi espere aqui, meu amô! Vou ali dá uma aliviada!

[Cesária consente, e ele entra. De repente, se vendo sozinha, a moça tem a sensação de estar sendo observada. Ela olha para trás, mas não vê ninguém. Uma atmosfera sombria tem início. A câmera foca no rosto de Cesária, que, assustada, começa a virar-se lentamente para trás.]

[Em companhia de uma melodia sinistra, Cesária estremece ao avistar uma figura preta no final da rua, debaixo da luz de um poste. É o Homem de Preto.]

Cesária (sussurrando): Isaque... |Aumente o tom.| Isaque! |Percebe que o ser começa a se mover em sua direção.| ISAQUE!

[Desesperada, a moça, sem receber a ajuda do amado, põe-se a correr pela rua deserta, seguida da criatura, que, desta vez, também dá gargalhadas sinistras. Sua voz é fina. Cesária, aterrorizada, tenta correr o mais rápido possível, mas acaba tropeçando em seus próprios pés e caindo. Quando ela se dá conta, já é tarde demais. O famigerado Homem de Preto está em sua frente, prestes a atacar.]

A IMAGEM CONGELA EM CESÁRIA [🍂🥀].