Flor de Formosura - Capítulo 17

 



🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 17/20 | 🌺


CENA 01 [CASA DE PAFÚNCIO • TARDE]


[A câmera mostra todos chocados com a revelação de Clarita, no centro da sala. Esperança chora, Cesária demonstra horror, Pafúncio e Helena estão desesperados, Marcelina fica indiferente e Clarita aparenta força e determinação.]


Cesária (sussurrando): Eu num acredito nisso...


Esperança (desnorteada): Não... Num pode sê! |Grita.| NUM PODE SÊ!


Clarita (interrompendo): MAS É, MINHA FIA! É TRISTE, MAS É A VERDADE!


Cesária (olhando para Clarita): Agora eu tô te reconhecendo, Clarita... VOCÊ JÁ TRABAIOU AQUI EM CASA QUANDO EU ERA PITITICA!


Clarita (firme): Sim, Cesária! Eu sabia que poderia te conhecer de algum lugar, além de achá coincidência o fato de tu tê o mermo nome da filha desses dois... abutres! 


Esperança (abalada, com sangue nos olhos): E infelizmente ela é...


Cesária (olhando para os pais): QUE HISTÓRIA É ESSA? EU EXIJO A VERDADE!


Helena (soluçando): Eu num queria... EU NUM QUERIA UMA FIA ALEIJADA!


[Dito isto, são mostradas as reações de Esperança, que perde suas forças, e Cesária, que se põe incrédula.]


Esperança (aos prantos): Não... NÃO! NÃÃÃOOOO!


Clarita (continuando): Eu trabaiava nessa casa quando você nasceu, Esperança, E EU VI A SUA MÃE TENTANO LHE JOGÁ NO LIXO!


Pafúncio (sem reação): Pare com isso...


Clarita: NUM PARO! EU PEDI PRA HELENA POUPÁ A VIDA DA MININA E ELA NUM QUIS! AÍ EU AMEACEI CONTÁ PRA TODO MUNDO O QUE ELA PRETENDIA FAZÊ, E O QUE ELA FEZ? FEZ UMA MALDITA ARMAÇÃO QUE ME BOTÔ NA CADEIA! 


Helena (rangendo os dentes): Sua maldita...


Clarita (apontando para a mãe de Cesária): ELA MI DENUNCIÔ POR FALSO ROUBO E TENTATIVA DE ASSASSINATO, SÓ PRA EU NUM ISTRAGÁ A VIDA DE APARÊNCIAS DELA! |Respira.| Miticulosamente planejado por essa demonha... E O PAFÚNCIO NADA FEZ!


Helena (berrando): MAS, EM COMPENSAÇÃO, EU CRIEI ESSE MONSTRINHO EM MINHA CASA, TRATANO ELA COMO SE FOSSE GENTE!


Cesária (desesperada): VOCÊS SÃO DOIS LIXOS! LIXOS! VOCÊS NUM SÃO MAIS OS MEUS PAIS!


[Esperança, pálida, se encolhe no chão, chorando muito.]


Pafúncio (olhando para a filha rejeitada): Num tinha como criá você como nossa fia, Esperança. É simples! Num tem pra quê tanto drama.


[Esperança, neste momento, completamente furiosa, levanta-se rapidamente e encara os dois.]


Esperança (com sangue nos olhos): SEUS DISGRAÇADOS! DISGRAÇADOS! VOCÊS NUM PODIAM TER FEITO ISSO COMIGO! MONSTROS!


Helena: A ÚNICA MONSTRA AQUI É VOCÊ! 


Esperança: CALA A BOCA, HELENA! CALA A BOCA! EU CANSEI DE OUVIR HUMILHAÇÕES SUAS, AINDA MAIS AGORA, QUE EU SEI A VERDADE! EU QUERO QUE VOCÊ MORRA! QUE OS DOIS MORRAM!


[Completamente fora de si, Esperança começa a quebrar todos os vasos e retratos que encontra pela frente. Cesária, também chorando, acompanha a irmã e faz o mesmo.]


Helena: PAREM COM ISSO!


Esperança: ISSO NUM É UM TERÇO DO QUE VOCÊS MERECEM! EU TENHO FÉ QUE A VIDA HÁ DE CASTIGÁ VOCÊS!


Marcelina (se intrometendo, olhando para Helena): Ela agora tem quem ame ela... EU AMO ELA, COMO VOCÊS NUNCA AMARO! E tem mais... NÓS DUAS TAMO JUNTA!


[Pafúncio e Helena riem, sarcásticos.]


Pafúncio (sorrindo): Virô saboeira, Esperança?


Esperança: CALE-SE! EU NUNCA MAIS QUERO OUVIR OU VÊ VOCÊS!


Helena (rindo): Além de aleijada, é sapatão! Fiz muitcho bem em querer jogá-la na lixera! 


Esperança (arregala os olhos): Tão rino, né? POIS EU QUERO VER ESSES RISOS CONTINUÁ! 


[Determinada, Esperança vai até a mesa da cozinha e joga toda a comida e os pratos no chão. Feroz, ela quebra mais móveis e suja o chão de terra, derramando dos vasos. Cesária volta a ajudar. Em seguida, pega um balde com água sanitária, que seria utilizado para limpar o chão da casa, e joga todo o conteúdo em Helena e Pafúncio.]


Helena (toda molhada e suja): DEMONHA!


Pafúncio (na mesma situação que a esposa): DIABA!


Esperança (se aproxima): Isso num é ninhum terço do que vocês merecem, SEUS NOJENTOS! 


[Esperança cospe na cara dos pais, um por um. Desesperada, ela corre para fora, seguida por Marcelina, Clarita e Cesária, que encara os pais com desprezo. Após a saída de todos, a expressão de Pafúncio mostra um leve remorso. Já Helena, mantém um semblante de orgulho.]




CENA 02 [RÁDIO • MANHÃ]


🎶 • Ovelha Negra • Rita Lee


[Ao som da música-tema de Esperança, a câmera mostra uma longa visita sobre as ruas de Vila Formosa, que está decorada para as festas juninas que se aproximam. Em seguida, é mostrada a fachada da única rádio existente na região. Lá dentro, o radialista conversa com Cesária. De repente, a música que tocava no fundo é interrompida e substituída por um instrumental cotidiano.]


Radialista: Bom dia, Vila Formosa! Hoje quem tá aqui é a senhorita Cesária Leitão, que tem uma notícia quentíssima pra nossa cidade. 


Cesária (sorrindo): É isso mermo, Vila Formosa! Depois de muito pensar, eu decidi algo que vai mudá as nossas vidas. |Faz uma breve pausa.| Eu vô me candidatar à prefeita de nossa cidade!


[O radialista faz uma expressão de espanto. Conforme a transição tem andamento, são mostrados alguns personagens ouvindo as declarações de Cesária, começando por Mici, que está na praça, com o rádio ao seu lado.]


Mici (resmungando): Minha Nossa Sinhora Aparecida! Além de quenga e feminista, essa fia do demo agora me inventa essa? |Exagera.| QUEIMA, SATANÁS!


[No quartinho de Celso, na igreja, ele também está sintonizado, enquanto acaricia a sua preciosa caixa.]


P. Celso (preocupado): Essa minina tá procurano sarna pra se coçar...


[Por fim, na casa de Pafúncio, ele e Helena recebem a informação.]


Pafúncio (com os olhos arregalados): O QUÊ? |Levanta-se de sua poltrona.| NUM É PUSSIVE!


[Por fim, o foco volta para Cesária, que acaba de informar a sua candidatura.]


Cesária (decidida): E num para por aí... |Olha para a câmera.| Hoje vocês vão saber tudo o que a família Leitão sempre escondeu à sete chaves. 


Radialista (ansioso): E você pode nos dar uma dica do que se trata?


Cesária (sorrindo decididamente): Irei falá da filha oculta dos Leitão e a verdade por trás do meu não-casamento com Carlos Silveira.


[Um instrumental tenso tem início. Enquanto Cesária fala, o volume da cena vai diminuindo e a tela escurece.]




CENA 03 [POUSADA • TARDE]


[Reunidos, Pafúncio, Helena, Lorena e Carlos conversam sobre os andamentos do plano de escavação do tesouro. Um instrumental de armação tem início.]


Lorena: Bom, hoje à noite, eu e Carlos iremos até aquela propriedade fedida para vermos como será possível escavar. 


Helena: E eu e Pafúncio, onde nos encaixamos?


Lorena: Bom, eu os chamei aqui para dispensá-los. Não preciso mais de vocês. 


[Um clima tenso é palpável. A câmera foca nos rostos de Helena e Pafúncio.]


[A primeira-dama se aproxima e reage mal.]


Helena (revoltada): O QUÊ? VOCÊ NUM PODE FAZÊ ISSO!


Lorena: Não só posso, como já fiz! E, se insistirem, o vídeo do adultério correrá por Vila Formosa inteira. 


Pafúncio (para Helena): É mió a gente concordá, Helena. Agora, a minha prioridade é acabá com a folia daquela moleca da Cesária. Onde já se viu... Me afrontá desse jeito!?


Helena (contra vontade, encarando Lorena): Isso num vai ficá assim, sua mizeravi! 


[Os dois saem e batem a porta. Lorena sorri. Lá fora, Helena esboça um sorriso malicioso, como se tivesse planejando algo, enquanto Pafúncio não presta atenção na expressão da esposa. A cena, rapidamente, retorna para o lado interno do cenário.] 


Lorena (gargalhando): Vão pro inferno, purgantes!


Carlos (sorrindo): A senhora é terrível!


[Ela dá uma piscadela para ele. A câmera se afasta e a tarde chega. O instrumental dá seus últimos toques.]







CENA 04 [PENSÃO • NOITE]

🎶 • De volta pro aconchego • Elba Ramalho 

[Ao som do seu tema, Clarita está no seu quarto, terminando uma oração, quando, de repente, batem à porta. Com rapidez, ela vai até lá e se surpreende ao ver Isaque, que lhe aguarda, demostrando emoção. A música para de tocar lentamente.]

Clarita (surpresa): Isaque, meu fi... O que você tá fazeno aqui? Aconteceu alguma coisa?

[O rapaz permanece calado, aguçando ainda mais a curiosidade da mulher, que começa a ficar nervosa.]

Clarita: Pelo amô de Deus, Isaque! O que aconteceu?

Isaque (com a voz embargada): Mainha...

[Ao ouvir isto, Clarita leva as mãos ao rosto, emocionada, e seus olhos se enchem de lágrimas. Isaque, por sua vez, começa a chorar, completamente tomado pela emoção. Em companhia de um instrumental aconchegante e emocionante, ele, tomado pela imensa saudade, corre para abraçar sua mãe.]

Isaque (aos prantos): Mainha... MAINHA! EU LHE AMO, MINHA MÃE! EU LHE AMO!

Clarita (chorando): Isaque... Meu fi querido... Você tá me chamano de mãe... VOCÊ ME CHAMÔ DE MÃE, ISAQUE! 

Isaque (ainda envolvido no abraço): Cesária e Marcelina me contaro tudo, mãe... A sinhora foi vítima de uma injustiça e só queria nos proteger. 

Clarita (soluçando): Mi perdoa, meu Isaque! MI PERDOA!

Isaque: Eu lhe perdoo, minha mãe... Lhe perdoo porque eu lhe amo muito!

Clarita: Obrigada, meu Deus... OBRIGADA POR DEVOLVÊ O AMÔ DE MEUS DOIS FI!

[Completamente emocionados, os dois seguem abraçados. Clarita beija a cabeça do filho, enquanto o instrumental vai se dissipando.]



CENA 05 [SÍTIO DE ISAQUE • NOITE]

[A câmera, do alto, foca na ex-propriedade de Isaque. Na estrada, é visto um carro se aproximando em alta velocidade. O automóvel para em frente à casa, agora abandonada, e dele descem Lorena e Carlos, que se aproximam da casa, segurando lanternas.]

Lorena (observando): A passagem para a nossa vida de luxo e riqueza tá aí, meu filho, debaixo desse barraco imundo. 

Carlos: Eu só não acho uma boa ideia a senhora desobedecer a ordem do Zé Antônio, mainha...

Lorena: Deixe de ser frouxo, Carlos! Ninguém vai saber que a gente vai escavar, e, quando chegar aos ouvidos dele, a gente já tá bem longe daqui, e milionários. 

[O rapaz permanece receoso. Eles vão analisar minuciosamente o espaço, e algum tempo se passa. Carlos, de repente, começa a se contorcer e fazer cara feia, como se sentisse dor.]

Lorena (percebendo): O que você tem, meu filho?

Carlos (gemendo): Ai... Aquela macarronada não me caiu bem. |A dor se intensifica.| Eu já volto!

[Ele corre para o mato. Lorena fica sozinha e continua a observar o terreno que será escavado. De repente, um barulho vindo da mata é ouvido. Pensando que é Carlos, ela não se importa, mas, como o filho não chega, ela começa a estranhar.]

Lorena (sussurrando): Ué...

[Neste momento, um clima sombrio tem início. Lorena, com a luz da lanterna, vai na direção do barulho.]

Lorena (preocupada): Carlos, meu filho, tá tudo bem?

[Ninguém responde. A câmera foca no rosto da vilã, que franze as sobrancelhas. Atrás dela, é visto uma silhueta, que some assim que a mulher se vira.]

Lorena (começa a gritar levemente): Carlos! Cadê você?

[O silêncio predomina. De repente, um vento frio sopra os cabelos de Lorena, que estremece. Parada, ela vê um velho papel com uma escritura no chão.]

Lorena (lendo, aterrorizada): Hoje você será minha... 

[Ela engole o seco e demonstra medo no olhar. Lentamente, sem falar nada, Lorena começa a recuar para trás. É aí que a silhueta misteriosa é mostrada novamente ao público. É o Homem de Preto, que está à espreita da mãe de Carlos, que, sem conhecimento do perigo que a cerca, acaba parando diretamente nos braços do ser. A mulher, completamente aterrorizada, esbugalha os olhos. Ao som de um instrumental sinistro, duas mãos com luvas negras tapam a sua boca. Antes da tela escurecer, um grito abafado é ouvido. No plano seguinte, takes de Vila Formosa são mostrados, indicando que o dia já raiou.]



CENA 06 [CASA DE MARIA MACHADO • MANHÃ]

🎶 • Formosura • Kelly Patricia

[Na casa de Maria Machado, no quarto da anfitriã, ao som da música-tema de Cesária, é mostrado a mocinha à frente do espelho, experimentando um magnífico vestido de noiva, ao lado de Esperança e da primeira citada. Todas estão felizes.]

Cesária (sorrindo): É lindo!

Esperança (encantada): Você tá pareceno uma princesa, minha... |Esboça um sorriso.| irmã!

M. Machado: Isso mermo, mas uma princesa que num precisa de macho. 

[De repente, várias batidas na porta são ouvidas. Apressadamente, Maria Machado corre até lá, e, ao abrir, se surpreende ao dar de cara com Pafúncio, que expressa fúria no olhar. Um instrumental de tensão tem início.]

M. Machado: Oxente! Que diacho é que o sinhô faz aqui?

Pafúncio (ignorando): CESÁRIA, SUA MOLECA! APAREÇA, QUE EU VIM FALAR COM VOCÊ!

M. Machado (afrontosa): ÊPA! O sinhô tá em minha casa, e aqui só quem pode gritá sou eu.

Pafúncio (berrando): NUM SEJA PETULANTE! EU VIM FALAR COM MINHA FIA! 

[Decidido, ele avança, atropelamento Maria Machado corporalmente, que cai no chão de forma cômica, e entra para dentro, atordoado.]

Pafúncio (gritando): CESÁRIA! ANDE, APAREÇA!

[Ouvindo os berros do pai, a moça, ainda usando o longo vestido, corre para ver o que está acontecendo.]

Cesária (assustada): Mas o que é isso? O QUE O SINHÔ TÁ FAZENO AQUI?

Pafúncio (em tom ameaçador): EU VIM EXIGIR QUE VOCÊ ACABE COM ESSA PALHAÇADA DE CANDIDATURA!

[O clima fica mais tenso. Calada, Cesária engole o seco. Pafúncio segue encarando-a.]

A IMAGEM CONGELA EM PAFÚNCIO [🍂🥀].