Flor de Formosura - Capítulo 16

 




🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 16/20 | 🌺


CENA 01 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]


[No sítio, a situação é tensa.]


Isaque (aflito): Mas o quié isso? O QUIÉ QUE VOCÊS TÃO FAZENO AQUI?


Pafúncio (se aproximando): Essa terra é de meu cumpadi Zé Antôin, rapaz. Simples!


Marcelina (desesperada): Num é pussive! Essas terras eram de vôzinho!


J. Antônio: Chega de falatório! Eu quero que vocês se retirem daqui, e é agora!


[A câmera foca no rosto desacreditado de Isaque. Neste momento, José Antônio lhe entrega um documento.]


J. Antônio: Aqui está a prova!


[Isaque e Cesária observam a papelada. Helena, Pafúncio, Carlos e Lorena os encaram.]


Cesária: É verdade, Isaque... 


Isaque (sem chão): Minha Nossa Sinhora... O quié que vai sê de nós?


Carlos (se aproximando): De você, eu não sei, mas Cesária vai embora com a gente!


Cesária: NÃO! EU NUM VÔ! |Olha para os pais.| FIQUEM VOCÊS SABENO QUE EU TENHO PRA ONDE IR! ISSO NUM VAI FICÁ ASSIM!


Helena (tentando interfir): Minha fia... Ainda dá tempo de você se salvá, meu amô!


Cesária (revoltada): Eu prefiro ir pro inferno do que pra debaixo do teto da sinhora de novo!


J. Antônio (forçando): Se vocês não se importarem, eu exijo que comecem a retirar seus trapos de dentro do casebre. |Encara Isaque.| Agora!


[Os olhos do mocinho marejam, em companhia de um instrumental extremamente melancólico. Enquanto o tempo passa, são mostrados vários takes de Isaque e Marcelina muito tristes, recolhendo as suas coisas e colocando-as em cima da carroça. Uma bom tempo depois, eles já não estão mais ali, apenas Carlos e Lorena, enquanto Pafúncio e Helena também já foram embora.]


[A câmera foca no semblante satisfeito de Lorena, que se aproxima de José Antônio.]


Lorena (sorrindo): Senhor José, eu tenho uma proposta para lhe fazer... |Demonstra ambição.| Eu quero alugar, ou até mesmo comprar este terreno. 


[Um zoom é dado no rosto do verdadeiro dono da propriedade.]



CENA 02 [POUSADA • MANHÃ]


[No quarto, Lorena, deitada na cama, esbanjando satisfação, sorri, enquanto Carlos, ao seu lado, demonstra uma leve aflição.]


Lorena: Ah... Meus dias nesta pensão desgraçada estão acabando. Em breve, meu filho, nós estaremos tomando o melhor champanhe de Paris.


Carlos (encarando sua mãe): Mainha... Não se esqueça que o Zé Antônio só aceitou alugar aquele terreno se a senhora jurasse evitar qualquer escavação ou demolição, e a senhora concordou. 


Lorena (decidida): Não se preocupe, Carlos... Está tudo nos conformes!


[Radiante, ela sorri para a câmera.]




CENA 03 [CASA DE MARIA MACHADO • MANHÃ]


[Pela primeira vez, é mostrado ao público a casa de Maria Machado, um ambiente simples, porém espaçoso. Na sala, é possível ver Isaque, Cesária, Marcelina e Esperança conversando com a anfitriã.]


Cesária (com gratidão): Muito obrigada, minha amiga. Se num fosse você, eu num sei o que seria da gente. 


M. Machado: Oxe, Cesarinha... Num precisa agradicê não. Eu já vivo sozinha mermo.


Isaque: Fique tranquila, Maria Serrote, que nós num vamo ficá aqui por muito tempo. 


M. Machado: É Machado... Maria Machado!


Esperança (triste): Uma pena que minha madrinha viajô... Se num fosse isso, eu ia pra casa dela. Num gosto de dá dispesa.


M. Machado: Eu já disse pra vocês se sentirem em casa. 


Marcelina (julgando a casa com os olhos): Essa casa tem mais teia de aranha que a minha...


Isaque (interrompendo): MARCELINA, PESTE!


Marcelina (disfarçando): Oxe, eu num menti! |Vai até um piano presente na sala.| Minino... Que diacho é isso?


M. Machado (irritada): Num toque nisso! É um piano, herança de minha finada mãe. 


Marcelina (afrontosa): Apois... Intão ingula!


Isaque (envergonhado): Ô, minha Nossa Sinhora!


Marcelina: Vô na casa de mainha. |Olha para Esperança.| Vamo comigo, Esperança?


Esperança (sorrindo discretamente): Agradicida, mas vou ajudá aqui, na limpeza.


Marcelina (compreendendo): Ah... intão tá bom. Fui! 


[Esperança sorri para Marcelina, que retribui o gesto, partindo logo em seguida. A tarde cai.]




CENA 04 [CASA DE JUSCICLEITON • TARDE]


🎶 • Alelui-me, Baby • Bad Girls


[No quarto do secretário do prefeito, é mostrado ele, de ceroulas, e Helena, já vestida, após uma provável uma tarde de amor. Os dois sorriem.]


Juscicleiton (sussurrando): Minha chuchuzona... Você tem certeza que esse tisôro é real?


Helena (com os olhos brilhando): É claro que é real, Juscinho... |Se põe eufórica.| Ai, eu num vejo a hora de pôr as mão nessa fortuna!


Juscicleiton (se aproximando): Mas comé que você vai se apropriá disso tudo, sendo que a Lorena é quem tá atrás dele?


Helena (interrompendo): Num mi fale o nome dessa quenga! |Se aproxima de Juscicleiton.| Meu amô, nós vamo achá todo o ouro antes da jumenta da Lorena, e depois disso... Vamo fugir pra bem longe!


[Ela sorri, acompanhada pelo amante. Em companhia de um instrumental sensual, os dois se beijam.]








CENA 05 [PENSÃO • TARDE]



[Na pensão em que está hospedada, Clarita recebe Marcelina em seu quarto. Após trocas de carinho e conversas, as duas falam sobre Cesária e Isaque.]



Clarita (suspirando): Eles são tão bunitos juntos, minha fia...



Marcelina: São mermo, mainha. Uma pena que a Cesária é fia de quem é.



Clarita: Nunca mi deixaro sabê de quem ela é fia... Mas eu também nunca quis me intrometê.



Marcelina: Num vale a pena não, mainha. Cesária num faz questão de sê fia do prefeitcho Pafúncio e da primêra-dama.



[Ao ouvir isto, Clarita estremece. Um instrumental pesado tem início, enquanto a mulher empalidece.]



Marcelina (preocupada): Oxente, mainha, tá tudo bem?



Clarita (gaga): Qué dizê i-intão que Cesária é fia do prefeito Pafúncio?



Marcelina: Sim... A bichinha tem é vergonha. 



Clarita (desacreditada): Meu Deus... Num pode sê! |Encara a filha.| 



Marcelina (confusa): Oxe, mainha. O qui foi? Ai... ainda tem a Isperancinha... Passô a vida sendo humilhada por aquela famía. 



[Neste momento, o instrumental se intensifica e Clarita fica ainda mais atônita.]



Clarita (sussurrando): Esperança... Minha Nossa Sinhora! É ela! É ELA, MEU DEUS!



Marcelina (totalmente absorta): Como assim, mãe? Que diacho de história é essa?



[Clarita, determinada a fazer alguma coisa, neste instante, agarra a mão de Marcelina.]



Clarita (séria): Mi leve até a casa de Maria Machado, Marcelina. Chegô a hora de acertá as conta com o passado!



[As últimas batidas do instrumental ecoam.]



CENA 06 [CASA DE MARIA MACHADO • TARDE]

[Na sala de Maria Machado, todos, com exceção de Marcelina, estão reunidos. No centro, Cesária se prepara para dar uma notícia, deixando todos ansiosos.]

Isaque: Virge Maria, muié! Que é que tu qué dizê pra nós?

Esperança (preocupada): Cesária, num mi diga que você tá prenha... Num me diga que você MATÔ UM HOMI! NUM MI DIGA QUE-

M. Machado (interrompendo): Num mi diga que eu vô torá sua língua, se num deixá a muié falá.

Esperança (irônica): Além de alejada, tu qué que eu fique muda!?

Isaque (esbravejando): Deixem a Cesária dizê, gente!

Cesária (sorrindo): Bom... Eu pensei muito, e... Decidi algo muito importante!

Isaque: E o que seria?

Cesária (confiante): Eu decidi agir, Isaque! Agir, não só por mim, mas por toda Vila Formosa. 

M. Machado: Cesária, você tá querendo dizê o quê?

Cesária (radiante): Que eu vô me candidatar à prefeita dessa cidade!

Esperança: Minha Nossa Sinhora... Mas isso é bom por dimais.

M. Machado: É sério isso mermo? Eu quero sê sua vice-prefeitcha.

Cesária (olhando para a amiga): Será, minha amiga! |Radiante.| Vamos revolucionar Vila Formosa!

[Com a notícia, todos comemoram, felizes. Isaque, porém, permanece estranho.]

Esperança (esperançosa): Há de sê um alívio nos livrarmos do governo de teu pai.

[Neste momento, com timidez, o irmão de Marcelina, sorrindo, levanta-se e caminha até a filha de Pafúncio e Helena.]

Cesária (desconfiada): Oxente... Num ficô feliz por mim, Isaque?

Isaque (envergonhado): Fiquei sim, mas é que... Eu também tenho algo pa falá. |Toma coragem e se ajoelha, deixando Cesária em choque.| Eu num tenho nenhuma aliança de ôro, do jeito que você merece, mas... |Se emociona, mostrando um simples aliança.| Cesária, minha flôzinha de formosura... Você aceita se casá mais eu?

[Um instrumental romântico tem início. Ao ouvir isto, Cesária também se põe emocionada e leva suas mãos ao rosto. Maria Machado e Esperança sorriem, encantadas.]

Cesária (com os olhos marejados): Mas... É... É claro que eu aceito, seu caipirão disarrumado!

[Extremamente feliz, Isaque corre para abraçar e beijar a amada, enquanto as amigas da mocinha aplaudem.]

[De repente, quebrando abruptamente o clima, Clarita e Marcelina entram pela porta, deixando Isaque bravo. Agora, um instrumental minimamente tenso toma conta da cena.]

Isaque (irritado): O quié que essa muié tá fazeno aqui?

Clarita (encarando Cesária e Esperança): Cesária... Esperança... Eu preciso que vocês mi acompanhem até a casa do prefeitcho Pafúncio. É do interesse de vocês!

[Zoons são dados nos rostos das moças mencionadas.]



CENA 07 [CASA DE PAFÚNCIO • TARDE]

[Helena, depois de chegar da casa do amante, está na sala, vendo novela com Pafúncio.]

Pafúncio (resmungando): Novela imoral... Onde já se viu... Três muié formada deixano de servir os patrões pra cantá mostrano a bunda.

Helena (brava): Cale a boca e me deixe ver minhas empreguete.

[Neste momento, alguém começa a bater incessantemente à porta.]

Helena (com raiva): Inferno! |Grita.| JÁ VAI!

[Ela se dirige até lá, e, ao abrir, cai para trás ao dar de cara com Cesária, Marcelina, Esperança, e, principalmente, Clarita, pois reconhece a mulher na hora.]

Helena (pálida): Vo-Você!?

Clarita (tomando a frente): Helena Leitão... Quanto tempo!

Helena (apavorada): Cesária, minha fia... O que é isso?

Clarita (interrompendo): Viemos resolver as pendência, dona Helena. |Aumenta o tom.| Ou você acha que vai sair impune pro resto da vida?

[A mulher começa a suar. De repente, Pafúncio também se aproxima.]

Pafúncio: Mas o quié que significa isso? |Vê Clarita, neste momento.| MEU DEUS! CLARITA?

Clarita (com coragem): Gostô de me revê, Pafúncio? 

Helena (tremendo): Pelo amô de Deus, levem essa mizeravi daqui!

Cesária (sem entender): Eu não tô entendendo nada...

Clarita: Pois vai intendê, fia!

[O horror toma conta de Helena e de Pafúncio. Clarita, decidida, se aproxima do casal.]

Clarita: Chegô a hora de confessá o que você fez, Helena! 

Helena (descontrolada): Eu num fiz nada... VOCÊ QUE É UMA CRIMINOSA!

Clarita (com raiva): NUM MI VENHA COM ESSA HISTÓRIA, SUA MARDITA! VOCÊ NUM SABE O QUE EU SOFRI NA PRISÃO POR SUA CAUSA!

Helena: EU NUM FIZ NADA! VOCÊ É LÔCA! EU NUM TENHO NADA COM VOCÊ! SUMA DAQUI!

Clarita (explosiva): CHEEEEGA! SE NUM CONTA VOCÊ, CONTO EU! |Olha para Esperança, que se encontra assustada.| Esperança!

Helena (chorando): NÃO!

Clarita (ignorando-a): Sabe o que essa mardita sempre escondeu de você? SABE POR QUE VOCÊ NUNCA CONHICEU SEUS PAIS, QUE ESSES DOIS ARUBUS DIZEM QUE MORRERO!?

Esperança (balançando a cabeça): N-Não...

Clarita (berrando): ESSA HISTÓRIA SEMPRE FOI UMA FARSA, MINHA FIA! SEUS PAIS NUM MORRERAM... MUITO PELO CONTRÁRIO! ELES TÃO BEM AQUI... |Aponta para Pafúncio e Helena.| NA SUA FRENTE!

[Neste momento, fortes batidas de um explosivo soundtrack são ouvidas. A câmera foca nos rostos de cada personagem presente, principalmente no de Esperança, que encara Pafúncio e Helena com os olhos esbugalhados.]

Clarita (continuando): EIS AQUI OS SEUS MALDITOS PAIS, ESPERANÇA... PAFÚNCIO E HELENA LEITÃO!

[Esperança, completamente desnorteada, cai para trás com a terrível revelação, pondo a mão no peito, devido ao choque.]

A IMAGEM CONGELA EM ESPERANÇA [🍂🥀].