Tecido Escarlate - PENÚLTIMO CAPÍTULO

 




*TECIDO ESCARLATE*

*PENÚLTIMO CAPÍTULO*


*1 - Int. Casa Cordeiro/Hall de Entrada - Fim de Tarde*


Antônio observa Isis e Benjamin com satisfação.


BENJAMIN - Do que ele está falando?


ISIS - Eu não faço ideia.


ANTÔNIO - Ah, mas eu não estou acreditando que você vai ser tão baixa assim, Isis. Fingir que não me conhece? Sério?


ISIS (suspirando) - Você enlouqueceu? O que está fazendo?


ANTÔNIO - Eu que pergunto! E a nossa aposta?


BENJAMIN (descendo as escadas) - Aposta? Como é? - ele ri de nervoso - Isis, ou você me explica agora o que está acontecendo ou saia agora mesmo da minha casa. E não adianta me enganar!


ISIS - Meu amor, eu…


ANTÔNIO - Fala, Isis! Fala que você é filha da mulher que morreu de câncer dias antes do meu pai se suicidar porque a filha desse canalha inventou uma história sórdida pra sujar o nome do meu pai.


BENJAMIN - Você fumou, garoto? Minha filha foi assediada naquele ninho de ratos que é aquela empresa. - Se virando para Isis - E você estava envolvida nisso, não é? Vocês estão querendo acabar com minha vida só porque seus pais não foram fortes o suficiente para aguentar as consequências dos próprios atos?


ANTÔNIO (o olhando com ódio) - Não fala assim do meu pai, seu desgraçado.


BENJAMIN (se afastando de Isis) - Vocês acabaram com tudo!


ISIS (debochando) - Você acabaria com tudo sozinho alguma hora mesmo.


ANTÔNIO - Isso, se mostra.


ISIS - Cala a boca!


*Sonoplastia: Instrumental Tenso*


BENJAMIN - Vocês são dois vermes fracassados, filhos de dois doentes que encobriram um a miséria do outro.


ANTÔNIO (partindo pra cima) - Você pense muito bem no que vai falar!


ISIS - Ah, calma lá. Sua vida já tá destruída mesmo, né, Benjamin?


BENJAMIN - Porque você mentiu dizendo que não o conhecia?


ISIS (manhosa) - Porque eu pretendia ser sua mulherzinha.


Benjamin se vira e começa a subir as escadas, furioso.


BENJAMIN - Quero os dois carrapatos fora daqui agora!

Antônio vai atrás dele. Isis o segura pelo braço.


ISIS - Onde pensa que vai?


ANTÔNIO - Não vou deixar ele falar assim de mim.


Ele se solta do aperto dela e começa a subir.


*2 - Int. Casa Cordeiro/Corredores - Fim de Tarde*


Nos corredores do andar de cima, alguns bustos de pedra formam uma fileira que vai da ponta da escada até o último quarto. Benjamin atravessa esse corredor indignado, e quando percebe que Antônio está vindo atrás, ele se vira.


BENJAMIN - O que você ainda está fazendo aqui?


ANTÔNIO (dando-lhe um soco) - Nunca mais fale assim do meu pai ou de mim. Só fiz isso porque você acabou com a única pessoa que eu tinha como referência de um grande homem na face dessa terra.


BENJAMIN (sorrindo, com a boca sangrando, grita) - Se esse era seu único exemplo de grande homem, dá pra entender porque é tão sujo! 


Antônio puxa um dos bustos e acerta em cheio a cabeça de Benjamin, que começa a sangrar!


BENJAMIN (tocando a cabeça) - O que você fez? O que você fez, o que você fez? - empurrando o outro.


Benjamin pega o pescoço de Antônio e começa a enforcá-lo. Isis aparece e põe as mãos na cabeça.


ISIS - Parem com isso!


Antônio tenta dar socos em Benjamin, que aperta sem parar. O enforcado põe os dedos nos olhos do inimigo, que grita e o solta.


Sem hesitar, ele puxa o busto novamente e acerta a cabeça loira de Benjamin incontáveis vezes.


ISIS (apavorada) - Para com isso, Antônio! PARA COM ISSO!


Ele bate, bate e bate… o sangue começa a escorrer pelo tapete, e Benjamin já não está mais consciente. 


O rapaz larga a escultura, apavorado com o que acabou de fazer.


ISIS (se aproximando, em surto) - Você o matou, Antônio? Pirou? Que merda você fez?


ANTÔNIO (fora de si) - Cala a merda da boca!


O instrumental se intensifica.


ISIS - O que nos faremos?


O sangue não para de escorrer.


ANTONIO - Pega alguns panos, vai.


Ela corre.


Antônio está com o olhar fixo em Benjamin…


*3 - Int. Apartamento - Fim de Tarde*


Ana Clara, Zulmira, Heitor e Benicio estão na sala, em silêncio.


ZULMIRA - Já era de se esperar.


ANA - Agora não, mãe.


HEITOR - Eu não consigo acreditar. 


Alguém bate à porta. Ana vai atender. É Rosana.


ANA - Rosana? 


ROSANA - Eu fui enganada.


ANA - Quê?


ROSANA (entrando) - Me encontrei com um fotógrafo. O nome dele é Bruno.


ZULMIRA - Mas o que você foi fazer atrás desse homem?


ROSANA - Longa história. O resumo é que eu estive atrás das redes sociais do Teodoro Defin, o rapaz por quem eu me apaixonei… Surpresa? Ele não é o verdadeiro. Aquele que indicou Isis para mim é outra pessoa. 


ZULMIRA - Heitor, leve Benico ao quarto - Os dois vão - Explique melhor…


ROSANA - Eu investiguei e cheguei ao Bruno, que me contou tudo em troca de um bom dinheiro.


ANA - O que ele contou?

ROSANA - Teodoro, é na verdade, Antônio! E ele é irmão de Isis, que é filha de Selena Duncan, dona da empresa onde Cecília foi assediada.


*IMPACTO*


Zulmira se senta com o baque.


ANA (refletindo) - Então isso tudo não passou de um plano sórdido em busca de vingança? Qual sua prova?


ROSANA (buscando algo no celular) - Tem uma foto da Isis saindo da Elite, agência que Cecília trabalhava. Conversei com Mercês Von Roth, dona do local, e ela disse que essa garota - mostra a foto - Se apresentou a ela como Hannah, e foi lá querendo saber da Cecília!


ZULMIRA - Eu não acredito que caí nos encantos dessa histriã!


ANA - Precisamos alertar o Benjamin.


ZULMIRA (se levantando) - Ele que escolheu esse caminho. Deixe ele.


ANA - Não!


ROSANA - Ele pode estar correndo perigo, Zulmira.


A mulher reflete…


ZULMIRA - Tudo bem.


*4 - Int. Casa Cordeiro/Casa do Lago - Noite*


*Sonoplastia: Instrumental Armação*


Juntos, Isis e Antônio levam Benjamin morto ao lago.


ISIS - Você é tão burro! Agora estamos ferrados por sua culpa, seu lesado!


ANTÔNIO (suspirando pelo peso) - Dá um tempo, Isis.


ISIS - Ah, dá um tempo. Tá bom. Não era você que prezava tanto pelo seu sobrenome? Agora jogou ele na lama de vez!


ANTÔNIO - Na cadeia eu não fico.


Eles chegam no lago… Takes deles colocando o homem na canoa e indo até o meio do lago.


Os dois amarram pesos em seus pés.


ISIS - Você sabe que isso não vai funcionar, né? Eu vi no TikTok…


ANTÔNIO (interrompendo) - Isis, cala essa boca! Isso é provisório. Ele vai ficar lá no fundo por pelo menos 3 dias, depois sobe igual Jesus subiu aos céus.


A tela escurece...



*5 - Int. Casa Cordeiro/Hall de Entrada - Noite*


Isis e Antônio entram em casa. Mal respiram e alguém bate à porta.


*Sonoplastia: Instrumental Tensão*


Eles se olham, e Isis vai devagar até a porta, abrindo-a.


Zulmira, Ana e Rosana. O olhar de Rosana vai de encontro com o de Antônio.


ROSANA (com raiva) - Seu babaca.


ANTÔNIO - Desculpa, mas quem é você?


ROSANA - Mas é muita cara de pau.


ANA - Onde está meu marido?


ISIS - Ex!


ANA - Não oficialmente. 


ISIS - Ele disse que não queria ver vocês aqui.


ZULMIRA - Nós já sabemos quem são vocês.


ROSANA - Isis e Antônio Duncan. Vocês adoraram isso, não é?


ISIS - Vão embora!


ANA (suspeitando) - Cadê o Benjamin? E o que esse rapaz está fazendo aqui?


ANTÔNIO - Não é da sua conta, oh.


Ana atropela Isis e vai para dentro de casa. Zulmira a segue.


ANA - Benjamin! Benjamin?


ISIS - Saiam daqui!


Antônio puxa Ana pelo braço.


ANA - Ai!


ANTONIO - Sumam daqui. Não há nada pra vocês!


ZULMIRA - Estão escondendo alguma coisa, Ana Clara. 


Ela sobe as escadas apressada. Antônio tenta correr, mas Ana coloca o pé e ele cai.


Isis vai atrás. Rosana corre para os fundos. Antônio corre até a cozinha.


Zulmira, no andar de cima, percebe a poça de sangue semi-seca.


ZULMIRA (levando as mãos à boca) - Oh, meu Deus!

Isis vem atrás, e Ana Clara depois.


ANA (começando a histeria) - Ah, não, meu Deus! O que fizeram com ele?


ISIS - Eu não fiz nada!


Antônio aparece com uma faca de cozinha em mãos.


ANTÔNIO - Ninguém vai sair daqui.


*6 - Int. Casa Cordeiro/Lago - Noite*


Rosana está perto do gazebo.


ROSANA - Benjamin! BENJAMIN!


Ela observa a canoa desprendida e corre até lá, percebendo sangue derramado.


ROSANA (caindo para trás) - Senhor! 


Ela, tremendo, pega o celular e começa a discar o número da polícia.


*7 - Int. Casa Cordeiro/Corredores - Noite*


Antônio aponta a faca para Ana Clara.


ANTONIO - A culpa de tudo isso é sua!


ISIS - Antônio, por favor, não quero ser cúmplice de mais um crime. 


ZULMIRA - Então você o matou? Oh, Jesus!


ANA (chorando com raiva) - Eu não acredito… Seus desgraçados! Quiseram destruir nossa família? Conseguiram! Mas acabaram com suas vidas também. Valeu a pena?


*Sonoplastia: Sons de Sirene*


ANTÔNIO (se distrai) - Droga.


ANA - Acabou pra vocês.


Ela se joga em cima de Antônio, e os dois rolam escada abaixo. A faca cai, e Isis a pega.


ISIS (se virando para Zulmira) - Por favor, não quero precisar usar isso. 


ZULMIRA - Então não use.


ISIS (forçando comoção) - Eu fui manipulada pra fazer isso. Não foi porque eu quis.


ZULMIRA - Você ainda pode se render.


ISIS - Por favor, diga a eles que eu não fiz nada.


ZULMIRA (desprezando) - Que ultrajante. Não vou defender a cúmplice de um assassino.


Atrás dela, silenciosa, Rosana aparece, e pula em seu pescoço. As duas rodam e rodam, caindo no chão.


*8 - Int. Casa Cordeiro/Entrada - Noite*


A polícia está entrando. Os portões estão escancarados.


*9 - Int. Casa Cordeiro/Corredores- Noite*


Antônio se levanta, Zulmira está vendo como Ana está. Ele corre até o andar de cima. Quando chega, tira Rosana de cima de Isis e pega a faca.


Ele é Isis correm até um quarto.


Lá embaixo, Zulmira da tapinhas em Ana, tentando acordá-la.

…

*10 - Int. Casa Cordeiro/Quarto - Noite*


O quarto que eles estão é o de Tatiana.


ANTÔNIO - Droga!


ISIS - Que merda, Antônio! Olha só que confusão.


ANTÔNIO - Nada disso teria acontecido se você não tivesse me passado a perna.


ISIS - A culpa é minha se você é um descontrolado?


ANTÔNIO (esbravejando) - Você quebrou o nosso trato quando decidiu que iria desistir. Era pra você tê-lo deixado sozinho, e não casar com ele.


ISIS - Eu já havia ganhado a aposta. Consegui destruir essa família desgraçada.


ANTÔNIO - E nós levou à desgraça juntos. Isso foi ridículo.


ISIS (se aproximando dele) - Antônio, nós temos influência. Vamos nos entregar e tudo ficará bem.


ANTÔNIO (indignado) - Pra você, que não matou ninguém. E não tem influência, até porque ninguém nos conhece.


ISIS (segurando o rosto do jovem) - Por enquanto, olha só de quem somos filhos. E eu te tiro da prisão! 


ANTÔNIO - Nossa vida já era, Isis. Era pra termos saído disso sem nenhuma mancha. 


ISIS - Estamos manchados desde o dia que seu pai decidiu ser um escroto com aquela putinha!


ANTÔNIO (gritando) - Poderíamos ter revertido isso!


São ouvidos passos do lado de fora. É a polícia.


_POLICIAL - Por favor, senhor e senhora, pedimos para que saiam daí._


ANTÔNIO (ignorando) - Estamos acabados.


ISIS (se irritando) - Você está, eu não! Não posso me perder porque você perdeu a cabeça.


Ele franze o cenho.


ISIS (de surpresa, grita) - Socorro, socorro, ele quer me matar!


O rapaz tapa a boca dela.


*Do lado de fora:*


ZULMIRA (para o policial) - Não acredite. Ela está tão metida nisso quanto ele. Uma serpente!


*Corta:*


ANTÔNIO - Você está acabando com tudo, Isis.


Isis morde a mão dele, e escorrega, caindo perto da sacada. Ele se vira, furioso.


ANTÔNIO - Por favor, não faça eu fazer isso.


ISIS (provocando) - O quê? Me matar? Vem, Antônio, enfie essa faca em mim!


ANTÔNIO - Cala essa boca.


ISIS - Você não teria coragem. Você é um covarde e age como um covarde sempre! Foi um covarde quando matou o Benjamin, foi um covarde quando preferiu me usar em um desafio pra vingar a morte do seu pai, e esta sendo um covarde agora não querendo se entregar!


ANTÔNIO (tremendo) - Cala essa boca.


ISIS - Covarde, covarde, covarde! Vai ser pra sempre um covarde fracassad…


Antônio a interrompe, num grito enfurecido, desferindo um golpe de faca no peito da irmã postiça.


A faca é enfiada ainda mais forte, e ela geme de dor.


*Sonoplastia: We Belong Together - Ritchie Vallens*


O vento sopra os cabelos da moça enquanto a lua os banha com seu brilho frio.


Ele tira a faca, e o sangue não para de derramar, como uma cachoeira, tingindo de vermelho seu vestidinho branco.


Antônio chora ao som da música. 


ISIS (sussurrando) - Seu desgraçado... olha só, você tingiu meu vestido de vermelho… vermelho escarlate. Sorte sua que eu gosto.


Ela sorri, e seus olhos começam a fechar calmamente.


*Sonoplastia: A música cessa*


Antônio grita; grita tão alto que emite ecos. Tudo fica em silêncio… 


Os policiais entram no quarto, em off e em câmera lenta. Antônio desmonta no chão, levando Isis em seus braços.


Os homens não o capturam, apenas param e observam a cena chocados.


ANTÔNIO (chorando) - Me perdoa, por favor. Volta, não vai, não.


Zulmira encara aquela cena embasbacada.


Antônio abraça a jovem, e a câmera começa a se afastar da sacada, mostrando a cena dos dois abraçados e o sangue escorrendo pelo chão…