Flor de Formosura | Estréia
📺🔥 APRESENTA...
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“No fundo de cada alma
Há tesouros escondidos que somente o amor
Permite descobrir.”
— Édouard Rod.
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🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 01/20 | 🌺
CENA 01 [PRAÇA • MANHÃ]
🎶 • Formosura • Kelly Patricia
[É mostrado uma tela escura que, aos poucos, vai ganhando luz e mostrando a vista panorâmica de uma bela e pacata cidade interiorana. É Vila Formosa, situada no fictício estado Mato Fino, no norte do país. Ao som de um solene instrumental, a câmera vai passeando sobre ruas, casas e pessoas. A arquitetura é simples, não há modernidades e os moradores, em sua maioria, são ignorantes.]
[Depois que o cenário é mostrado ao público, em uma abrupta quebra de expectativas, a cena corta para a pequena praça de Vila Formosa. Lá, é possível ver duas moças segurando cartazes e fazendo barulho. São elas: Cesária, a protagonista da história, e Maria Machado, sua fiel amiga. Ao som de um leve instrumental circense, as moças fazem um protesto feminista e estão fervorosas.]
Cesária (ofegante): MULHERES DE VILA FORMOSA! NÓS ESTAMOS AQUI PARA ABRIR VOSSOS OLHOS!
[Neste momento, incomodada com aquela confusão, uma senhora de aparência antipática se aproxima. É Maria Cícera, conhecida por Mici, uma beata moralista que se acha a dona da cidade.]
Mici (incrédula): Tinha que ser a fia do prefeito... |Aumenta o tom.| ESSA NOVA GERAÇÃO TÁ PERDIDA MESMO! SÓ JESUS NA CAUSA!
Cesária (afrontando): Oxente... A SINHORA ESTÁ INCOMODADA, DONA MICI?
Mici: MARIA CÍCERA!
Cesária (se aproximando da beata): Pois bem, dona Maria Cícera... VÁ CUIDAR DE SUA VIDA!
Mici (olhando torto): É muito atrevimento dessa moleca... Disconjuro! |se aproxima.| Olhe aqui, menina, você num vê que tá envergonhando vossa família com essas presepadas? Onde já se viu... Uma moça com um futuro brilhante, podendo ser uma bela mãe de família... ESTRAGANDO A VIDA COM ESSES IDEAIS DO DEMO!
Cesária (eufórica): POIS FIQUE A SINHORA SABENDO QUE EU NUM VÔ ME CASAR É NUNCA! SE DEPENDESSE DE MIM, A PARTIR DE AGORA, AS MULHERES DE VILA FORMOSA IAM TRABALHAR, E OS HOMENS TERIAM OS FILHOS!
Mici: PECADORA! VOCÊ É UMA VERGONHA PARA UMA CIDADE TÃO DEVOTA AOS PRINCÍPIOS DE DEUS COMO ESTA!
[Enquanto a discussão prossegue, é visto um homem se aproximando sorrateiramente. É Pafúncio, prefeito de Vila Formosa e pai de Cesária.]
Maria Machado (percebendo a presença do pai da amiga): Virge Maria... Eu vou é imbora antes que seu Pafúncio me esgane.
Pafúncio (olhando com desaprovação para a filha que ainda não lhe viu): CESÁRIA!
[Ao ouvir o pai, a protagonista estremece e se vira para ele.]
Cesária: Painho...
Pafúncio: MAS O QUE DIABOS VOCÊ ESTAVA FAZENDO, MINHA FIA!
Mici (tomando a frente): Sinhô prefeito, vossa fia estava fazendo um festival satânico em plena praça pública.
Pafúncio (encarando Cesária, estupefato): Mais uma vez fazendo essas aberrações, sua cabrita desmiolada?
Cesária (tomando coragem): Eu já falei por sinhô que num vô desistir de espalhar ideais feministas pra essa população retrasada.
Pafúncio: MEU DEUS! ESSA MININA AINDA VAI ME MATÁ DE VERGONHA!
Cesária: Vá imbora, painho! Me deixe continuar.
Pafúncio: Eu vou... MAS VOCÊ VAI TAMBÉM!
[Com raiva, Pafúncio agarra Cesária pelos cabelos e começa a puxá-la para longe dali, enquanto Mici observa com satisfação.]
Cesária (se debatendo, desesperada): ME LARGUE, SEU MACHISTA! OPRESSOR! MISÓGINO!
[Enquanto Pafúncio e Cesária se afastam dali, a câmera foca no horizonte de Vila Formosa.]
CENA 02 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]
[Ao som de um instrumental de natureza, um rústico e belo sítio é apresentado. No meio de uma pequena horta, um moço simples, com aparência de turrão, colhe legumes. É Isaque, o protagonista da história.]
[Depois da colheita, Isaque entra em casa, suado, e, após guardar os legumes, olha um retrato de sua mãe, Clarita, que sumiu ainda em sua infância.]
Isaque (olhando para o retrato na parede): É, dona Clarita... Se você num tivesse sumido no mundo, as coisa seriam bem meior pra mim e pra Marcelina...
[A câmera focaliza no rosto de Clarita, uma mulher negra de curtos cabelos cacheados, estampado no retrato.]
CENA 03 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]
[A câmera foca na fachada de uma casa, a mais suntuosa da cidade, enquanto uma trilha dramática com efeitos sonoros cômicos começa a tocar. É lá onde vivem Cesária e sua família. Na parte interna, de repente, a porta se abre abruptamente, revelando Pafúncio ainda segurando a filha.]
Cesária (ofegante): ME LARGUE!
[Pafúncio finalmente a liberta. Cesária se afasta dele rapidamente, com medo. Helena, a mãe da mocinha, neste momento, entra em cena.]
Helena (preocupada): Mas o que é isso? Que cabaré é esse, Pafúncio?
Cesária (apontando para o pai): FOI ELE, MAMÃE! ELE ME TROUXE PUXADA PELOS CABELOS DESDE A PRAÇA DA CIDADE!
Helena (surpresa, olhando para Pafúncio): Oxente, homi... Que história é essa?
Pafúncio (sério): Essa arruaceira tava fazendo baderna de novo, Helena.
Cesária (interrompendo): PROTESTO!
Helena: Minha Nossa Sinhora... Cesária, minha menina, se você num passar a se comportar como uma moça normal, vou ter que lhe butar num convento.
Pafúncio: Não sem antes lhe marcar as costas com meu cinto, sua desnaturada!
Cesária (se aproximando dos dois): Pois façam isso! Me botem num convento, que de lá eu fujo e vou pra capital estudar jornalismo. VOCÊS NUNCA MAIS HÃO DE SABER DE MIM!
[Com raiva, Cesária sobe correndo para seu quarto, situado no andar de cima. Helena e Pafúncio se entreolham, indiferentes.]
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