🌵 | Flor de Formosura| Capítulo 15/20 | 🌺
CENA 01 [CASA DE PAFÚNCIO • NOITE]
[Lorena, ansiosa, continua aguardando uma resposta de Pafúncio e Helena.]
Lorena (impaciente): E então? Vão aceitar a minha proposta?
Helena (com ambição estampada nos olhos): Imagina, Pafúncio, esse tisouro em nossas mãos...
Lorena (cortando): Não imaginem, porque tudo que estiver lá será somente meu. Vocês servirão apenas de degraus para a minha ascensão.
Pafúncio (olhando o mapa): E o que você qué que eu faça, Lorena?
Lorena: Eu quero que você faça o necessário para que aquelas terras sejam minhas, Funcinho. Só assim eu poderei escavar.
[Pafúncio continua analisando minuciosamente o mapa.]
Helena: Cadê o frouxo do teu fi?
Lorena (se irritando): Olha aqu-
Pafúncio (interrompe): Carlinhos foi fazer um favor pra mim. |Demostra rispidez.| Agora, deixem eu focar nessa mizera de mapa!
[Após terminar a análise do mapa, Pafúncio levanta-se rapidamente, parecendo surpreso.]
Helena (curiosa): O que foi?
Lorena: Descobriu algo?
Pafúncio (encarando a mãe de Carlos, com os olhos esbugalhados): Essas terras...
Lorena (sem paciência): O que tem?
Helena: Desimbucha, homi!
Pafúncio: Essas terra têm dono...
Lorena (irritada): Mas é claro que têm, seu abestado! Ou esqueceu do que eu acabei de dizer? Isaque, o caipira que levou sua filha pro mau caminho, é o dono de tudo aquilo.
Pafúncio: Num é... O verdadeiro dono desse pedaço de terra, e de todas as que cercam Vila Formosa, é Zé Antônio, um antigo cumpadi meu.
Lorena (incrédula): O quê?
Pafúncio (chegando a uma conclusão): É isso! A famía daquele caipirão disinfeliz se apropriou daquela região, sem que Zé Antônio saiba. A terra não é deles!
[Ao ouvir isto, Lorena se põe radiante e esperançosa.]
Lorena: Pois você vai ligar pra esse homem e exigir que ele venha à Vila Formosa o quanto antes. |Dá uma leve gargalhada.| Você vai fazer ele expulsar a família de retirantes e comprar tudo aquilo para mim.
Pafúncio (indiferente): Eu vô oiá minha lista de contatos e, amanhã, você volta aqui.
Lorena (confiante): Pois tá certo, Funcinho. |Olha para Helena, provocativa.| Até amanhã, minha linda!
[Ela se dirige até a porta e sai. A câmera foca em Pafúncio e Helena, que se entreolham.]
Helena (desejando o tesouro): Pafúncio... Esse tisouro tem que ser nosso!
[É dado um zoom nos rostos de Helena e Pafúncio, um de cada vez.]
CENA 02 [ESTRADA • NOITE]
[O carro de Carlos segue pela estrada de terra. Dentro do veículo, Cesária ainda está desmaiada, e o vilão, consigo mesmo, comemora.]
Carlos (gargalhando): Eu consegui... EU CONSEGUI!
• FLASHBACK •
Pafúncio (entregando a chave do seu carro): Tem certeza que vai trazer minha cabritinha de volta mermo? Tô confiando em você.
Carlos (confiante): Claro, seu Pafúncio. Só não vou no carro de mainha porque ela jamais aprovaria essa ideia.
Pafúncio (apertando as mãos dele): Então tá combinado, Carlinhos. |Sorri.| Conto com vossa pessoa!
• FIM DO FLASHBACK •
Carlos (sorrindo de forma sádica): É, seu Pafúncio... Vou trazer tua filha de volta como você pediu...
[Neste momento, para o azar do rapaz, o carro começa a falhar.]
Carlos (preocupado): Oxente! Que diacho é isso?
[O automóvel segue falhando, até apagar por completo, para a frustração do vilão.]
Carlos (incrédulo): Não... Não é possível! |Começa a socar o volante.| INFERNO! INFEEERNOOOOO! ESSE MALDITO TINHA QUE ACABAR O COMBUSTÍVEL LOGO AGORA?
[Neste momento, pelo retrovisor, o filho de Lorena avista algo se aproximando em alta velocidade. É Isaque, montado em seu cavalo, correndo desperasamente para salvar a sua amada.]
Carlos (fora de si): Não... Esse desgraçado não! ESSE DESGRAÇADO NÃO!
[Em companhia de um instrumental de ação, ele revira uma bolsa que tem no banco ao seu lado, e dela tira um revólver. A câmera foca na arma.]
Carlos (sussurrando): Você me paga, matuto dos infernos!
[Ao dizer isto, ele sai para fora, com a arma engatilhada, sem perceber que Cesária já está despertando. Isaque, cavalgando em alta velocidade, logo chega, e, descendo do cavalo rapidamente, mira a sua espingarda para Carlos, que também lhe mira o seu revólver. Um clima de alto suspense é palpável.]
Isaque (berrando): CADÊ A CESÁRIA, SEU MALITO?
Carlos (com sangue nos olhos): VOCÊ NÃO TEM NADA COM ISSO! SUMA DAQUI, OU EU LHE MATO!
Isaque (com o dedo no gatilho): POIS EU LHE MATO PREMERO!
[O instrumental se intensifica bruscamente.]
[A situação continua calorosa. Carlos e Isaque ficam prestes a efetuarem disparos, quando, de repente, Cesária, destemida, surge pelas costas do vilão, e, num ato corajoso, pula em suas costas e tenta tomar o revólver de suas mãos.]
Carlos (furioso): ME LARGUE, SUA TRAIDOORA!
Isaque (preocupado): CESÁRIA!
[Cesária, com todas as suas forças, consegue tomar a arma para si, e, sem medo, a aponta para Carlos, que levanta as mãos. A tensão domina.]
Cesária (gritando): ACABOU, DISGRAMADO!
Carlos (sussurrando): Desgraçados... DESGRAÇADOS!
Cesária (olhando para Isaque): Rumbora daqui, Isaque!
Isaque: E esse revolve?
Cesária (determinada): Eu levo! Quando a gente se afastar, eu dô um fim nele.
Isaque (receoso): Tá certo...
[Os dois montam no cavalo e encaram Carlos pela última vez.]
Carlos (arruinado): Droga... COMO DIABOS VOU VOLTAR PRA CASA? |Bate no carro de Pafúncio.| QUE PORCARIA, QUE PORCARIA!
[A câmera foca no rosto do vilão, que expressa ódio e frustração. Em seguida, a imagem vai se afastando, até que o dia começa a raiar.]
CENA 03 [POUSADA • MANHÃ]
[Aflita, Lorena espera pelo filho, que não dá sinais de vida. De repente, o rapaz entra pela porta, suado e descabelado, deixando a mãe desesperada.]
Lorena: CARLOS, MEU FILHO! O que aconteceu com você?
Carlos (esbravejando): AQUELES MALDITOS, MAINHA! CESÁRIA E O MATUTO!
Lorena (confusa): Como assim? VOCÊ FOI ATRÁS DELES, CARLOS?
Carlos: Fui sim! Seu Pafúncio mandou, e eu fui! |Range os dentes.| Tava tudo indo tão bem... Eu tava trazendo Cesária, QUANDO AQUELE EXCOMUNGADO ESTRAGOU TUDO!
Lorena (brava): PELO AMOR DE DEUS, CARLOS! ESQUEÇA A CESÁRIA! |Se aproxima do filho.| Vamos focar no nosso tesouro, meu filho! Pafúncio descobriu algo que vai mudar tudo!
[Carlos se intriga. A câmera foca no olhar confiante de Lorena para ele.]
CENA 04 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]
[Na sala, Isaque e Cesária, após acalmarem os nervos, conversam.]
Cesária (demostrando gratidão): Você salvô a minha vida, Isaque. Eu ainda... Num sei nem como lhe agradecer.
Isaque (aproximando seu rosto dela): Tem um jeito de você me agradecer...
[Um instrumental romântico tem início. No ritmo envolvente, Isaque e Cesária se beijam. Após alguns segundos, os dois voltam a se encarar.]
Isaque/Cesária (ao mesmo): Você qué namorá comigo?
[Ainda num clima de romance, os dois riem. Ambos também balançam a cabeça positivamente e voltam a se beijar.]
[Enquanto isso, no quarto de Marcelina, Esperança tem algo para falar com ela. As duas também estão num clima romântico.]
Esperança (tímida): Ai, Marcelina... Depois daquele beijo que a gente deu, eu pensei muito e... Ai... Acho que tô gostando mais que o normal de sua pessoa...
Marcelina (sorrindo): Ah, Isperancinha... Também fiquei balançada. Acho que finalmente eu tô descobrino o amô, depois de tentá dá em cima di quase todos homi da cidade.
Esperança (sorrindo, ela aproxima seu rosto): Mas e você? Gosta de eu?
[Quando Marcelina fica prestes a responder, alguém bate na porta com tudo. Assustadas, elas correm para sala e encontram Cesária e Isaque indo saber quem está batendo. Quando abrem, é revelado que a visita é Clarita, que está visivelmente abalada.]
Clarita (triste): Por favô, mi ajudem. Eu preciso mi abrí com alguém...
Marcelina (compadecida): Mainha, quié que aconteceu?
Isaque (bravo): O que diabo essa muié qué aqui? Eu já num lhe despachei?
Cesária: Isaque, por favor!
Clarita (desaba em lágrimas): Eu... eu... fui atacada pelo Homi de Preto!
Esperança (comovida): Oh, meu Deus...
[Um clima triste predomina. Neste momento, todos se compadecem com a situação de Clarita e as três mulheres de casa abraçam ela. Isaque observa tudo e autoriza a permanência da mãe por hoje, mesmo se recusando a ter relações com ela.]
[Algum tempinho depois. Clarita já desabafou e está mais calma.]
Isaque (furioso): De qualqué forma, nois temo que dá um fim nessa farsa de homi de preto.
Marcelina (ansiosa): Concordo, mas... conte logo a novidade que você e Cesária tem pa contá!
Cesária (sorrindo): Bem, eu... queria vos dizê que...
Isaque (fingindo secura): Eu e a franguinha... |Abre um sorriso.| Nois tamo junto!
Marcelina (bate palmas): AAAAAEEEEEHHH!!!
[Um clima de comemoração é palpável. Todos batem palmas e parabenizam o casal. Clarita esboça um sorriso e Esperança e Marcelina vão abraçar os dois. Em seguida, Cesária abraça Clarita. A cena termina com o tema do casal principal — Boca em Brasa. Logo após, são mostrados takes de Vila Formosa amanhecendo, enquanto a música ainda segue tocando.]
CENA 05 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]
[Na casa dos Leitão, Pafúncio reúne seus aliados para contar o que descobriu. Ao som de um instrumental leve de suspense, o diálogo se inicia.]
Pafúncio (radiante): Meus queridos... Trago uma excelentíssima notícia!
Lorena (ansiosa): Fala logo, Funcio!
Pafúncio: O terreno do matuto ainda pertence a seu Zé Antoin!
Helena (curiosa): Então você falou mermo com ele?
Pafúncio: Exatamenti! Agora, já sabemos como tirá aquela caipirada de lá e ainda trazê Cesarinha pra casa!
Lorena (resmungando): Aquela perdida...
Helena (levanta a voz): NUM FALE DE MINHA CABRITINHA, SUA LACRAIA!
Carlos (malicioso): Ou seja, acertaremos dois coelhos com uma cajadada só.
Lorena: Depois que tirarmos aqueles arruaceiros de lá, você, Funcinho, vai me dar a bufunfa pra eu alugar e, se der certo, até comprar aquele terreno e o chiqueiro que eles chamam de casa e, depois, finalmente começaremos a "caça ao tesouro".
[O instrumental citado no primeiro parágrafo se mantém firme. A câmera foca no rosto de cada personagem presente. Todos estão sorrindo maldosamente.]
CENA 06 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]
🎶 • Lembrança de um beijo • Fagner
[Ao som de sua música-tema, Isaque está no curral, tirando leite de uma vaca, ao lado de Cesária, que lhe observa. De repente, os dois avistam um carro, que se aproxima rapidamente. Logo, o tema do protagonista para de tocar.]
Isaque (curioso): Oxente!
Cesária (preocupada): Valha meu sinhô... Será que é aquele mizeravi de novo?
[O veículo para. Isaque e Cesária vão até lá, na companhia de Marcelina e Esperança, que também entram em cena. Ao som de um instrumental de mistério, um homem de terceira idade, com aparência de rico, desce do carro, em tom bruto. É José Antônio, o verdadeiro dono daquelas terras.]
Isaque (encarando o homem): Quem é o sinhô?
J. Antônio: José Antônio Pacheco da Silva Vespertino e Praga, o verdadeiro dono dessa terra que você e sua família se apropriaram.
Marcelina: Do quié que esse homi tá falano?
J. Antônio: Estou falando que vocês são invasores. Essa terra não lhes pertence... E é por isso que eu vim aqui expulsá-los.
Marcelina (assustada): Mas que brincadêra é essa?
[Neste momento, Pafúncio, Helena, Carlos e Lorena também saem do luxuoso carro, deixando a situação ainda mais calorosa. Um instrumental de tensão entra em cena.]
Marcelina (murmurando): Não...
Cesária (nervosa): Num pode ser...
[Confuso, Isaque engole seco. O instrumental de tensão se agrava.]
Lorena (tomando a frente de seus aliados, esboçando um sorriso sarcástico): Que a justiça seja feita!
[A câmera foca no rosto de cada personagem, enquanto um tremendo suspense é notável. Um último close é dado na expressão nervosa de Isaque.]
A IMAGEM CONGELA EM ISAQUE [🍂🥀].