Flor de Formosura - Capítulo 13
🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 13/20 | 🌺
CENA 01 [SÍTIO DE ISAQUE • NOITE]
[Isaque, com o RG de Clarita em suas mãos, permanece incrédulo, com os olhos marejados. O clima é de grande tensão.]
Isaque (desesperado): Num é pussive, meu Deus...
[Neste momento, deixando a situação ainda mais intensa, Clarita entra pela porta, e, ao ver Isaque com seu documento em mãos, cambaleia. O rapaz olha rapidamente para ela, com um misto de surpresa, raiva e tristeza.]
Clarita (gaguejando): I-Isaque...
Isaque (levantando-se rapidamente): ME DIZ QUE ISSO É MINTIRA!
Clarita (com os olhos marejados): Do que você tá falano, Isaque?
Isaque (mostrando o documento de identificação): NUM SI FAÇA DE SONSA! O QUE ESSE DOCUMENTO TAVA FAZENO EM SUAS COISA?
Clarita (desesperada): Eu... Eu num sei, Isaque! Eu num sei que documento é esse...
Isaque (descontrolado): PARE DE MENTIR, ANASTÁCIA! |Abaixa o tom, chorando.| Ou será que devo te chamá de... Clarita?
[Clarita, atordoada, começa a chorar. Com os gritos, Cesária e Marcelina se aproximam rapidamente.]
Cesária (preocupada): O que tá aconteceno?
Marcelina: Que gritos são esses, Isaque?
Isaque (apontando para Clarita): Essa muié... ESSA MUIÉ É UMA MINTIROSA, MARCELINA!
Marcelina (confusa): Como assim? Que história é essa, Isaque?
[Clarita continua aos prantos. Isaque pega o documento e o mostra para Marcelina, fazendo-a estremecer na hora.]
Marcelina (sussurrando): Clarita Galinha Dias...
Isaque (soluçando): Isso mermo, minha irmã... ESSA IMPOSTORA É A DESALMADA QUE ABANDONÔ A GENTE!
Clarita (tentando se explicar): Não, não... EU NUM SÔ ESSA MUIÉ! O MEU NOME É ANASTÁCIA!
Isaque: CHEGA! CHEGA DE INVENTÁ HISTÓRIA! VOCÊ ACHOU MERMO QUE IA DEIXÁ EU E MINHA IRMÃ, DUAS CRIANÇA, À DEUS DARÁ, E VOLTÁ DEPOIS DE UMA PENCA DE ANO COMO SE NADA TIVESSE ACUNTECIDO?
Clarita (fraca de chorar): MI PERDOEM, MEUS FI... MI PERDOEM!
Marcelina (sem ar): Intão é verdade...
Clarita (encarando os filhos): ARMARAM PRA MIM, MEUS AMÔ! EU FUI PRESA INJUSTAMENTE!
Isaque (atônito): Presa? ALÉM DE TUDO, AINDA É UMA CRIMINOSA?
Clarita (em desespero total): NÃO! EU NUM FIZ NADA, ISAQUE! EU NUM FIZ NADA!
Isaque (berrando): CHEGA, SUA MIZERAVI! SUMA DE MINHA CASA! VOCÊ NUM É MAIS A MINHA MÃE! EU NUNCA MAIS QUERO OIÁ EM SUA CARA!
Marcelina (tentando intervir): Isaque...
Clarita (se ajoelhando): Pelo amô de Deus, me escutem!
[Isaque, perturbado, pega a bolsa da mulher e a joga em sua direção.]
Isaque: EU NUM VÔ ISCUTÁ NADA! VÁ IMBORA!
Clarita (com o rosto banhado em lágrimas): Eu imploro...
[Isaque, ainda fora de si, vai até a porta e a abre com força.]
Isaque (encarando Clarita friamente): SAIA DE UMA VEZ POR TODAS E NUM VOLTE NUNCA MAIS!
[Desolada, Clarita pega a sua bolsa e encara Marcelina, que chora muito, e, em seguida, levanta-se. A cena agora é silenciosa. Ela caminha até a porta e olha para Isaque, envergonhada. Antes que sua mãe possa falar qualquer coisa, o protagonista bate a porta.]
Marcelina (entre soluços): Mãe... Minha mãe...
Isaque (duro): ELA NUM É NOSSA MÃE!
Marcelina (gritando): VOCÊ NUM PODIA TER FEITO ISSO!
[Completamente desnorteada, a moça corre para o seu quarto. Isaque, perdendo a pose de forte, cai sobre os braços de Cesária, que lhe acolhe. Um instrumental melancólico tem início.]
Cesária (comovida): Vai ficar tudo bem...
[A câmera focaliza no horizonte estrelado.]
CENA 02 [IGREJA • NOITE]
🎶 • Dancei • Martinho da Vila
[Enquanto Mici procura um meio de abrir a fechadura, uma silhueta surge na porta, por suas costas. É padre Celso, que acaba de voltar.]
P. Celso (assustado): DONA MARIA CÍCERA, O QUE É ISSO?
[Assustada, a senhora vira-se rapidamente para ele, com os olhos esbugalhados.]
[Mici, com a caixa em suas mãos, segue assustada com a bronca de Celso, que se aproxima dela rapidamente.]
P. Celso (bufando): O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO, MUIÉ? QUEM LHE DEU PERMISSÃO PRA BULIR EM MEUS PERTENCES?
Mici (gaguejando): E-eu... Eu só queria vê se é mermo um dente de Cristo que tem aí dentro, padre.
P. Celso (agarrando a caixa das mãos da beata): CHEGA! |Aponta para a porta.| FORA DAQUI!
Mici (encarando o pároco): O sinhô vai vê como eu vô descobrir o que Diabo tem aí dentro... |Olha em tom de ameaça.| E se fô uma imoralidade, O SINHÔ VAI DIRETO PROS QUINTOS DOS INFERNOS!
[Ao dizer isto, ela se retira, deixando Celso receoso, abraçado à sua caixa.]
P. Celso (sussurrando): Ninguém nunca vai lhe por as mão!
[A câmera focaliza na caixa.]
CENA 03 [PREFEITURA • NOITE]
[Quando Helena está prestes a entrar na sala de Pafúncio, Juscicleiton, desesperado, grita para ela.]
Juscicleiton (berrando): HELENA, NÃO ENTRE NA SALA DO PREFEITCHO!
[Confusa, Helena para. Lá dentro, Pafúncio e Lorena, assustados, param de se beijar e se entreolham, com medo.]
Pafúncio (sussurrando): Valha Nossa Sinhora... É a Helena!
[A câmera foca em seus rostos horrorizados. Lá fora, Juscicleiton corre até a primeira dama.]
Juscicleiton (tremendo): Dona Helena, num entre nessa sala, pelo amô de Deus!
Helena (sorrindo em tom sedutor): Oxente, homi... Tu tá com ciúme? |Se aproxima.| Deixe disso, Juscinho. Meu marido é ele, e eu vim lhe fazê companhia, já que o bichinho vai ficá aqui até tarde.
[Depois de dizer isto, ela volta a caminhar, deixando o secretario atordoado. Dentro da sala, é mostrado Lorena subindo em uma alta janela, com a ajuda de Pafúncio.]
Lorena (com dificuldade): Eu não consigo... É muito alto!
Pafúncio (ansioso): Ah, mas consegue sim!
[Com força, ele empurra Lorena, que acaba caindo. Ao atingir o chão, a mulher se espatifa numa poça de lama. No lado interno, quando Helena entra, Pafúncio já está sentado em sua cadeira.]
Pafúncio (fingindo surpresa): HELENA!
Helena (sorrindo): Pafuncinho, meu lindo, vim lhe fazê companhia, gostou?
[Ela se aproxima do marido e lhe dá um intenso beijo. No lado externo, Lorena, emporcalhada, levanta-se.]
Lorena (murmurando): Droga... ME SUJEI DE LAMA DE NOVO! INFERNO, INFERNO, INFEEERNOO!
[Um instrumental cômico tem início. Lorena faz uma cara de derrota e começa a sair da poça.]
CENA 04 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]
🎶 • Formosura • Kelly Patricia
[O foco da câmara passa para o céu. Logo é de manhã. Após as turbulências vividas à noite anterior, Cesária está na cozinha, cortando cebolas, quando, de repente, Isaque surge na porta, aparentando estar tímido. Quando o moço chega perto, a música para de tocar.]
Isaque (se aproximando): Franguinha?
Cesária (tomando um leve susto): Isaque... Você tá melhor por onti?
Isaque (suspirando): É... Meior eu num tô, mas também num tô isquentano muito. |Olha para a jovem.| Mas o assunto que quero tratar com você num é esse.
Cesária (confusa): E qual é?
[Neste momento, o tema dos dois — Boca em Brasa — começa a ser ouvido. Isaque encara Cesária, sorrindo, e, em seguida, ajoelha-se aos seus pés, deixando a filha de Helena surpresa e emocionada.]
Isaque (apaixonado): Cesária, eu... eu quero dizê que, desde a primeira vez que lhe vi, sinto o meu coração bateno mais forte. É como se eu... Se eu tivesse dependeno de você.
[Cesária fica sem reação, mas suas emoções estão à flor da pele.]
Isaque (continuando): Cesária, minha flô de formosura... Você aceita namorá comigo?
[A música chega ao seu refrão. Cesária, paralisada, de início não consegue falar nada, enquanto Isaque demonstra impaciência. Neste instante, o clima é quebrado, e o semblante apaixonado da mocinha se dissipa.]
Cesária (determinada): Num aceito!
[O foco volta para o rosto de Isaque, que se entristece.]
Cesária: Num aceito por que você expulsou uma muié indefesa daqui, sem nem deixá ele se explicar. E outra, se alguém fosse ter uma iniciativa aqui, essa pessoa seria eu.
Isaque (levantando-se): Você num tem nada com essa história.
Cesária: E você num tem nada que tratá uma muié da forma que tratou vossa mãe, seu machista!
Isaque (se aproximando de Cesária): É mior sê machista do que sê muiérista, que nem ocê.
Cesária: Num é "muiérista", e sim feminista, seu bronco! E EU SOU SIM, COM MUITO ORGUIO!
Isaque: Você é muito é frescurenta. Isso sim!
Cesária (incrédula): Pois tome aqui a frescura!
[Irritada, ela esmaga um tomate podre na cabeça do rapaz que revida, quebrando um ovo na cabeça da protagonista.]
Cesária (com nojo e raiva): ÓIA O QUE VOCÊ FEZ, SEU GROSSEIRÃO!
[Isaque começa a rir bastante. Cesária, com sangue nos olhos, pega uma jarra com leite.]
Cesária: Agora você mi paga!
[Vingativa, ela joga o líquido na direção de Isaque, que desvia, fazendo-o cair inteiro sobre Esperança, que acabara de surgir na porta.]
Esperança (molhada): Valha meu sinhô... Fiquei só a imundiça!
Cesária (desesperado): Esperança, me perdoa, minha amiga, pelo amô de Deus.
[Aflita, Cesária corre para ajudar Esperança, enquanto Isaque ri cada vez mais. A cena termina com um instrumental circense.]
